terça-feira, 30 de junho de 2015

DIREITO: TRF1 - Crime ambiental cometido de forma permanente não é passível de prescrição

Crédito: Imagem da web
A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou o pedido de habeas corpus impetrado contra o ato da 2ª Vara Federal de Uberlândia (MG) que condenou o réu a seis meses de detenção pela prática do crime descrito no art. 48 da Lei 9.605/98 (crime ambiental). A condenação se deu por causa de uma construção de sobrado de alvenaria em área de preservação ambiental permanente.
No habeas corpus, a defesa do réu sustenta que a prescrição, na hipótese, ocorreu em três anos, nos termos do artigo 109, do Código Penal. Argumenta que a denúncia foi recebida em 21/11/2008 e que a sentença condenatória foi publicada em 15/7/2014, com trânsito em julgado, pelo que teria ocorrido a prescrição da punição.
Ao analisar o caso, o relator, desembargador federal Olindo Menezes, entendeu que a conduta de impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação é crime de natureza permanente, pois a sua consumação se prolonga no tempo até que cesse a ação ou omissão delitiva.
“O paciente foi condenado por ter construído um sobrado de alvenaria em área de preservação permanente. Não havendo notícia nos autos de que tenha retirado a edificação irregularmente erigida, de forma a permitir a regeneração da vegetação no local, não há que se falar em fluência do prazo prescricional”, aprofundou o magistrado.
Ademais, de acordo com o desembargador, “a manutenção das edificações nas áreas de preservação permanente torna a execução da ação criminosa contínua, razão pela qual, conforme assente na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, não há que se falar prescrição da pretensão punitiva estatal antes de cessada a permanência”. 
A decisão foi unânime. 
Habeas Corpus nº 0068078-90.2014.4.01.0000/MG 
Data do julgamento: 02/06/2015
Data de publicação: 9/6/2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

CASO PETROBRAS: Dilma diz que ‘não respeita delator’ e cita doação da UTC a Aécio

OGLOBO.COM.BR
POR ISABEL DE LUCA E CAROLINA MATZENBACHER*

Em Nova York, Dilma nega irregularidades na campanha eleitoral

Dilma participa em Nova York do Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil - Divulgação

NOVA YORK (EUA) — “Eu não respeito delator”, disse a presidente Dilma Rousseff na tarde desta segunda-feira, em sua primeira reação pública ao depoimento do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. Em breve conversa com a imprensa após encerrar, em Nova York, um seminário sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil, Dilma negou as acusações de repasses irregulares para a sua campanha de reeleição e prometeu tomar providências se voltar a ser citada pelo empreiteiro, mas defendeu que a Justiça investigue as denúncias.
– Não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo porque, se insinuam, alguns têm interesses políticos – declarou.
ilma citou o tucano Aécio Neves, argumentando que se ela recebeu R$ 7,5 milhões da UTC no segundo turno da campanha presidencial de 2014, o candidato do PSDB também foi agraciado “com uma diferença muito pequena de valores”.
- A minha campanha recebeu dinheiro legal, registrado, de R$ 7 milhões, R$ 7,5 milhões. Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores - dissse Dilma para depois acrescentar ao ser perguntada se estava falando de Aécio Neves: - Eu estou falando do Aécio Neves, só tinha um candidato que concorreu comigo, não tinham dois.
A presidente lembrou que aprendeu cedo a não gostar de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira:
– Tem uma coisa que me acompanhou ao longo da vida. Em Minas, na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator.
Joaquim Silvério dos Reis foi responsável por delatar à Coroa portuguesa a Inconfidência Mineira, movimento pela proclamação da República em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG). Em troca do perdão de dívidas, Reis entregou o plano e o nome dos participantes da conspiração, o que levou à repressão do movimento e à condenação de seus líderes, entre eles Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, condenado à morte.
E recorreu, mais uma vez, à sua experiência durante a ditadura:
– Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente, até em alguns momentos fui mal interpretada, quando eu disse que, em tortura, a gente tem de resistir, porque senão você entrega seus presos. Então, não respeito nenhum. Agora, acho que a Justiça de pegar tudo o que ele disse e investigar. Tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.
Quando a perguntaram se pretende tomar alguma providência, ela foi categórica:
– Se ele falar sobre mim, eu tomo.
Quanto aos seus ministros – Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social, foram citados na delação –, a presidente afirmou que vai discutir com cada um privadamente:
– Aí nós vamos avaliar com cada ministro, porque é foro deles.
No depoimento de delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono das construtoras UTC e Constran, apontado como chefe do “cartel das empreiteiras”, listou como beneficiários de recursos da empreiteira a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014; a campanha do ex-presidente Lula em 2006; a campanha de Mercadante, ao governo de São Paulo em 2010; e mais cinco senadores e três deputados federais. O Ministério Público Federal e a PF vão investigar se as doações foram legais ou se houve irregularidades.
O empresário diz que boa parte dos recursos, mesmo os declarados, repassados a políticos é compensada por desvios de contratos com a Petrobras. Para investigadores,isso pode ser considerado ilegal, mesmo havendo registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outra interpretação é que, se a denúncia se comprovar, haveria corrupção, pelo fato de o empresário ser obrigado a doar para obter contratos, e ainda lavagem de dinheiro, porque recursos da estatal poderiam ter sido drenados para doações de políticos do governo.
(*Especial para O GLOBO)

ECONOMIA: Após subir pela manhã, dólar inverte e fecha em queda de 0,28%, a R$ 3,12

Do UOL, em São Paulo

Após operar em alta durante parte do dia, o dólar comercial inverteu o movimento e encerrou esta segunda-feira (29) em queda de 0,28%, a R$ 3,12 na venda. Na semana passada, a moeda norte-americana havia acumulado alta de 0,84%.
Os investidores aproveitaram a alta do dólar mais cedo para vendê-lo e embolsar os lucros. 
Preocupações com a Grécia
No Brasil, embora houvesse preocupações, investidores avaliavam que o impacto de um possível calote da Grécia seria pequeno.
"As ligações diretas entre a Grécia e o resto do mundo são limitadas", escreveu em relatório o economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, Neil Shearing.
"O que mais importa para os mercados emergentes não é tanto a crise na Grécia por si só, mas se ela provocará contágio e grandes deslocamentos financeiros na economia da zona do euro como um todo", acrescentou.
A Grécia fechou nesta segunda-feira seus bancos para evitar uma "corrida" para sacar dinheiro. O país tem até esta terça-feira (30) para fazer um pagamento ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Um eventual calote pode levar à sua saída da zona do euro, e pode ter consequências em outros países do bloco.
Contexto nacional
Investidores também estavam de olho na estratégia de intervenção do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio. No fim da manhã, o BC vendeu a oferta total de contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) no leilão de rolagem.
Se mantiver a atuação dos últimos meses e não realizar a oferta no último pregão do mês, o BC terá reposto ao todo pouco menos de 70% dos contratos que vencem em julho.
Agora, o foco é a rolagem dos contratos que vencem em 3 de agosto, equivalentes a US$ 10,675 bilhões. Segundo analistas, o mercado não vai se surpreender se o BC sinalizar que deve rolar uma fatia ainda menor desse lote.
Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com Reuters)

NEGÓCIOS: Ação da Petrobras cai 4% e puxa maior queda diária da Bolsa em um mês

Do UOL, em São Paulo

As ações da Petrobras caíram mais de 4% e puxaram a queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, nesta segunda-feira (29). O índice fechou em baixa de 1,86%, a 53.014,21 pontos. É a maior queda percentual diária desde 29 de maio, quando a Bovespa tinha caído 2,25%. 
Na semana passada, a Bolsa havia acumulado alta de 0,5%. 
Petrobras divulga novo plano de negócios e ações caem
A Petrobras anunciou mais cedo que planeja investir US$ 130,3 bilhões de 2015 a 2019, uma queda de cerca de 40% em relação ao plano de negócios anterior. 
A ação ordinária da estatal (PETR3), que dá direito a voto, perdeu 4,1%, a R$ 14,05. A ação preferencial (PETR4), que dá prioridade na distribuição de dividendos, recuou 3,48%, a R$ 12,75. 
Grécia preocupa
Os investidores estavam preocupados também com a situação da Grécia. O país fechou seus bancos para evitar uma "corrida" para sacar dinheiro. A Grécia tem até esta terça-feira (30) para fazer um pagamento ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
Um eventual calote pode levar à sua saída da zona do euro, e pode ter consequências em outros países do bloco.
Dólar fecha em queda de 0,28%, a R$ 3,12
Após operar em alta durante parte do dia, o dólar comercial inverteu o movimento e encerrou o dia em queda de 0,28%, a R$ 3,12 na venda. Na semana passada, a moeda norte-americana havia acumulado alta de 0,84%. 
Bolsas internacionais
As Bolsas da Europa fecharam em queda.
Inglaterra: -1,97%
Alemanha: -3,56%
França: -3,74%
Espanha: -4,56%
Itália: -5,17%
Portugal: -5,22%
As principais Bolsas da Ásia e do Pacífico também fecharam em baixa.
Japão: -2,88%
Hong Kong: -2,61%
China: -3,29%
Coreia do Sul: -1,42%
Taiwan: -2,39%
Cingapura: -1,23%
Austrália: -2,23%
(Com Reuters)

ECONOMIA: Não vamos pagar empréstimo do FMI, confirma ministro grego da Economia

FOLHA.COM
 DO "FINANCIAL TIMES"
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Louisa Gouliamaki/AFP

A Grécia confirmou ao jornal britânico "Financial Times" que não pagará o empréstimo de 1,55 bilhão de euros ao FMI, que vence nesta terça-feira (30).
Questionado se era correta a informação de que o país não pagaria a instituição, o ministro grego da Economia, George Stathakis, respondeu: "correto".
A possibilidade cada vez mais palpável de que o calote ocorra derrubou as bolsas europeias e asiáticas nesta segunda-feira.
Tecnicamente, o não pagamento não pode ser considerado calote, já que as regras do FMI classificam esse tipo de situação como um "atraso".
De qualquer maneira, o país se juntaria ao grupo dos países em desenvolvimento —Zimbábue, Somália e Cuba — que têm obrigações pendentes com a instituição.
Apesar disso, as agências de classificação de risco afirmam que o não pagamento não é um calote, e é improvável que o Banco Central Europeu decida que significa que a Grécia está falida.
Se isso ocorrer, a maior parte das garantias usadas pelos bancos gregos para obter empréstimos de emergência —particularmente os títulos do governo grego — ficariam sem valor.
Nesse caso, o Banco Central Europeu teria que cortar financiamentos de emergência, forçando, provavelmente, uma saída da Grécia da zona do euro.
PLEBISCITO SERÁ MANTIDO
Apesar da pressão feita pela oposição e pelas associações empresariais, que temem que a Grécia saia da zona do euro, o governo grego mantém também o planejamento do plebiscito do próximo domingo sobre a proposta de acordo dos credores e sua recomendação ao "não" à população.
O ministro do Trabalho grego, Panos Skurletis, ressaltou em entrevista à emissora "Skai" que o objetivo do governo é "reiniciar a negociação com um mandato mais amplo", o que só será conseguido com uma rejeição à proposta oferecida.
Skuerletis alertou que em caso de vitória do "sim", "será dado um fim à negociação" com os credores. A chanceler alemã Angela Merkel descartou nessa segunda-feira a possibilidade de realizar uma reunião de emergência da cúpula europeia antes do plebiscito.
Editoria de Arte/Folhapress 
Na consulta que será realizada no domingo, os cidadãos terão que optar entre o respaldo ao projeto de acordo apresentado pelas instituições no Eurogrupo na quinta-feira passada e sua rejeição. O governo pediu votos em massa ao "não".
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, pediu, no entanto, que a população votasse pelo sim.
"No dilema entre a submissão (aos credores) e o 'Grexit' (saída da zona do euro), a Grécia escolheu lutar por mais democracia na União Europeia e em nosso país", declarou à televisão pública grega o ministro das Relações Exteriores, Nikos Kotzias, que disse que "a Grécia não tem a intenção de abandonar a zona do euro, mas também não quer aceitar a submissão".
O ministro da Energia e líder do ala radical do Syriza, Panayotis Lafazanis, denunciou que "nunca um país foi alvo de tamanha chantagem pelos centros de poder euroatlânticos" e pediu que o povo "conteste com um 'não' às propostas de exterminação de seus filhos".
O prefeito de Atenas, o independente Yorgos Kaminis, anunciou uma campanha a favor do 'sim' com o apoio do prefeito de Salonica, o também independente Tanis Butaris.
Em declarações à "Skai" o prefeito de Atenas classificou o plebiscito como "uma vergonha para a democracia" porque "o documento sobre o qual supostamente se vota, na realidade não existe".
Grécia


Com isso, disse que o texto do acordo deixará de ter validade a partir de quarta-feira, dia em que Grécia já não estará no resgate, cuja prorrogação vence amanhã.
"Votaremos 'sim', não porque aceitamos um acordo qualquer, mas porque queremos manter o país na Europa", ressaltou Kaminis.
O presidente da Associação de Comerciantes de Atenas, Panayis Karelas, alertou em declarações à imprensa local que a atitude do governo coloca em risco a permanência da Grécia na zona do euro.
"Após cinco meses de negociações sem resultado que afundaram a economia, o governo pede para o povo decidir com um 'sim' ou com um 'não' sobre o futuro do país e põe em risco sua permanência digna na zona do euro", destacou Karelas.

GREVE: Servidores da Justiça Federal rejeitam proposta; greve será intensificada

METRO1

Foto: Reprodução

Os servidores da Justiça Federal na Bahia recusaram a proposta de reajuste salarial apresentada em duas assembleias na tarde da última sexta-feira (26) pelo governo federal. As sessões foram realizadas no Fórum da Justiça do Trabalho, localizado no Comércio e na Justiça Federal. A proposta oferecida pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Judiciário, Nelson Barbosa, prevê o pagamento do reajuste de forma parcelada, entre os anos de 2016 e 2019, sendo 5,5% em 2016, 5% em 2017, 4,75% em 2018, 4,5% em 2019. Os servidores classificaram a oferta como “imoral” e irão intensificar a greve.
De acordo com o ministro do Planejamento, o calculo do reajuste foi feito com base na inflação estimada para o período. Os servidores solicitam que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, não aceite a proposta e exija a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 28/2015, que dispõe sobre o reajuste salarial da categoria. O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal na Bahia (Sindjufe-BA), afirmou que as perdas salariais da categoria já ultrapassam 50%. Na reunião foi decidido também que a entidade irá indicar uma conta corrente para o recebimento de doações destinadas ao fundo de greve do sindicato.

ANÁLISE: Como usar a Justiça para lavar dinheiro

Por Ricardo Noblat- OGLOBO.COM.BR
Blog do NOBLAT

Empreiteiras que prestaram serviços à Petrobras cobraram mais caro ou desviaram dinheiro dos contratos. Assim, transferiram dinheiro para políticos e partidos

Sabe por que políticos e autoridades suspeitas de envolvimento com a corrupção na Petrobras insistem em proclamar que foram legais e declaradas à Justiça as doações feitas por empreiteiras?
Ora, porque foram legais, sim senhor. E declaradas, sim senhor. Isso quer dizer então... Não, não quer dizer então que foram corretas. Limpas. Nunquinha.
Empreiteiras que prestaram serviços à Petrobras cobraram mais caro ou desviaram dinheiro dos contratos. Assim, transferiram dinheiro para políticos e partidos.
A transferência não feriu nenhuma lei. Daí porque foi legal. O político ou partido contemplado com a grana informou à Justiça que a tinha recebido. Declarou, pois. Como manda a lei.
Entendeu a sofisticação do esquema? Made in PT. A Justiça Eleitoral foi usada para “lavar” dinheiro originalmente sujo. Apenas isso.

COMENTÁRIO: Em jogo, a cabeça de Dilma

Por Ricardo Noblat - OGLOBO.COM.BR
Blog do NOBLAT

O escândalo em torno da roubalheira na Petrobras subiu a rampa do Palácio do Planalto onde despacham o ministro da Secretaria de Comunicação Social Edinho da Silva, o ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República Aloizio Mercadante, e a presidente da República Dilma Rousseff.
Em outro front, bateu à porta do Instituto Lula, na capital paulista, onde costuma ser encontrado o ex-presidente.
De duas, uma. Ou o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, chefe do cartel de empreiteiras que roubou a Petrobras, é um delirante formidável ou fala a verdade.
Sua delação premiada contém detalhes capazes de causar inveja a bons romancistas. O que um delator conta à Justiça só vale se for provado. Se mentir, perderá o direito a uma pena menor. Qual a vantagem de mentir, portanto?
Pessoa disse que pagou propina a políticos de vários partidos e ao PT com dinheiro desviado de contratos superfaturados para a prestação de serviços à Petrobras.
Edinho, tesoureiro da campanha de Dilma no ano passado, tomou dinheiro de Pessoa. Bem como Mercadante, candidato ao governo de São Paulo em 2010. Bem como Lula, naturalmente, para a campanha que o reelegeu em 2006.
Dilma viajou de cabeça quente ao encontro de Barack Obama. Por sinal, sempre que o então presidente José Sarney viajava, Fernando Henrique Cardoso repetia: “A crise viajou”.
O comentário não se aplica a Dilma. A crise não é somente ela. A crise tem mais a cara de Lula e do PT. De Lula que inventou Dilma. Dele e do PT que protagonizaram até aqui os maiores escândalos da história do país.
O mensalão é a mais ruidosa obra do primeiro governo Lula. Virou trocado a se comparar com a roubalheira na Petrobras. Dilma não é inocente no caso da Petrobras.
Quem foi ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e sempre fez questão de cuidar dela, não pode ser inocente. Lula, porém, por obra, graça ou omissão é o responsável por tudo.
Dilma não passa de uma gerentona sem talento, arrogante, refratária a pessoas em geral e dona de ideias econômicas ultrapassadas. Está sobrando na espaçosa cadeira que ocupa.
Para agravar a desdita dela – ou melhor: a nossa – é vítima de algo tão nativo como a jabuticaba. Pois Lula inverteu a ordem natural das coisas e age como o criador que tenta agora destruir a criatura.
Lula elegeu Dilma para mandar no governo dela e sucedê-la depois de quatro anos. Dilma nem deixou que ele mandasse tanto, nem renunciou ao direito de concorrer ao segundo mandato.
Há mais de um ano, Lula só faz criticá-la - ultimamente, porque teme ser preso e acha que Dilma nada faz para defendê-lo. Até que há 15 dias, Lula ultrapassou todos os limites. Declarou guerra a Dilma. Ele e o PT.
Procede como um implacável adversário dela, enfraquecendo-a – e ao seu governo - por toda parte. Emite sinais de que, no limite, poderá entregar a cabeça de Dilma para preservar a sua.
Não duvidem. Lula é amoral, e dá provas disso com frequência. Se necessário, negociará com o PMDB e outros partidos aliados do PT a substituição de Dilma por Michel Temer, o vice-presidente.
Em 2018, se quiser ou se puder, tentaria voltar ao lugar de onde jamais gostaria de ter saído. (Saudades do sanduíche de ovo servido a qualquer hora da madrugada!) Afinal, foi nele ou a partir dele que descobriu os luxos que só as grandes fortunas proporcionam.
(Arte Antonio Lucena )

CASO PETROBRAS: PGR já fez primeiros pedidos de produção de provas a partir de delação de dono da UTC

OGLOBO.COMBR
POR VINICIUS SASSINE / MARIA LIMA / CRISTIANE JUNGBLUT

Requisições se referem a casos com investigações já em andamento

O Procurador Geral da República Rodrigo Janot - Andre Coelho / 23-06-2015

BRASÍLIA - A Procuradoria Geral da República (PGR) já encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os primeiros pedidos de produção de provas com base na delação premiada do dono das construtoras UTC e Constran, Ricardo Pessoa. O empreiteiro relatou o envolvimento de diversas autoridades com foro privilegiado em esquemas de desvio de recursos da Petrobras e de outras obras públicas. Por ter citado nomes novos, pedidos de abertura de inquéritos serão feitos pela PGR ao STF, além dos procedimentos já em curso contra dezenas de autoridades.
A delação de Pessoa também terá desdobramentos na ação de investigação eleitoral aberta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para analisar a prestação de contas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Segundo o ministro João Otávio de Noronha, relator da ação, Pessoa será ouvido no próximo dia 14. Uma eventual comprovação das informações reveladas poderá ser levada em conta no julgamento.
As solicitações de diligências foram encaminhadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao ministro do STF Teori Zavascki, relator dos processos envolvendo políticos na Operação Lava-Jato. Os pedidos se referem a casos com investigações em andamento desde março deste ano, quando os primeiros inquéritos relacionados a políticos foram abertos no âmbito do STF. Teori ainda não proferiu decisão sobre os pedidos de produção de provas formulados pela PGR.
PROCEDIMENTOS SOB SIGILO
O ministro homologou a delação de Pessoa na última quinta-feira, 25, o que significa que os depoimentos prestados pelo empresário passam a ter validade para o início das investigações sobre os 40 episódios delatados e sobre pelo menos 18 pessoas relacionadas a esses episódios. A partir da homologação, a PGR deu encaminhamento ao STF dos primeiros pedidos de diligências a serem executados pelo órgão e pela Polícia Federal (PF). Esses procedimentos podem ser depoimentos dos investigados e de testemunhas; quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico; ou busca e apreensão de documentos, entre outros. Todos os procedimentos tramitam sob sigilo, inclusive o próprio conteúdo dos depoimentos do dono da UTC.
Com base nas primeiras delações da Lava-Jato que fizeram referência a políticos com foro privilegiado — do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa —, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou em março a Teori uma lista de nomes com pedidos de abertura de inquérito. O ministro do STF determinou a abertura dos procedimentos e, desde então, as investigações vêm sendo feitas pela PGR e pela PF. Ao todo, 13 senadores e 22 deputados federais são investigados, entre eles os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Agora, a delação de Pessoa vai ampliar a quantidade de investigados, pois o empreiteiro citou novos episódios e nomes. Caberá a Janot decidir sobre quais nomes deverão haver pedidos novos de investigação. Ainda não há informação sobre encaminhamentos desses pedidos, o que pode ocorrer nos próximos dias.
As menções a autoridades com foro e outros políticos já investigados no STF devem ser remetidas aos inquéritos já abertos no STF. São os casos dos senadores Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA), Benedito de Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI), dos deputados federais Eduardo da Fonte (PP-PE) e Arthur Lira (PP-AL) e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Todos eles já são investigados no STF, por suspeitas como corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Por aparecerem na delação de Pessoa, os inquéritos abertos contra eles terão novas frentes de apuração.
Pessoa delatou ainda uma suposta pressão por recursos para a campanha de Dilma Rousseff à reeleição, com citação ao nome do tesoureiro da campanha, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva. O dono da UTC também afirmou ter havido caixa dois na campanha de Lula em 2006.
Na delação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também apareceram citações a uma suposta destinação de recursos ilegais à campanha de Dilma em 2010. Segundo Costa, o pedido de R$ 2 milhões foi feito pelo ex-ministro Antonio Palocci, que passou a ser investigado na primeira instância. Janot considerou não haver razões para investigar Dilma. Ele também descartou investigar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), citado em delação de Youssef. Agora, as menções à campanha da presidente devem levar a uma nova análise do procurador-geral.
Cinco senadores citados na delação
O dono da UTC citou ainda supostos repasses ilegais à campanha do atual ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao governo de São Paulo em 2010; propina para abafar a CPI da Petrobras no ano passado, direcionada ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF); compra de informações privilegiadas do Tribunal de Contas da União (TCU), com repasses ao advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do tribunal, Aroldo Cedraz; e propina ao então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que ocupou o cargo por 12 anos por indicação de Renan Calheiros.
Pelo menos cinco senadores e três deputados federais foram citados na delação. Há ainda menções à campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e ao ex-ministro José Dirceu, que recebeu recursos por meio de sua consultoria. A lista tem políticos da oposição: o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Pessoa será ouvido no dia 14 pelo corregedor-geral-eleitoral do TSE, ministro João Otávio de Noronha, na ação de investigação judicial eleitoral protocolada pelo PSDB para cassar o registro da chapa de Dilma e de Michel Temer. Segundo Noronha, o delator terá que provar as acusações.
— Não basta só declarar a doação ao TSE. O senhor Ricardo Pessoa será ouvido. Se provar que o dinheiro doado veio da Petrobras, com a empresa sendo usada como barriga de aluguel para a doação, é fraude. Tudo vai depender da prova.
Ex-presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello acha que esses fatos novos serão levados em conta no julgamento desse e de outros recursos do PSDB e da oposição contra a campanha de Dilma, na Justiça Eleitoral. As contas da campanha petista de 2014 foram aprovadas em dezembro no TSE . O PSDB entrou com duas ações para tentar contestar o mandato da presidente.
— O que percebo é que as coisas estão aflorando e revelando as deficiências do sistema. É época de correção de rumos. Mil vezes o conhecimento dos fatos, embora revelem os desmandos dos últimos tempos, do que empurrar para debaixo do tapete. Só lamento que a crise econômica, que ainda não chegou no seu pior momento, agora se agrave com a crise política e o esgarçamento das instituições. Temos que garantir que as instituições funcionem para apurar todas as responsabilidades.

ENTREVISTA: Eduardo Cunha diz que articula para aprovar sistema parlamentarista

FOLHA.COM
ANDRÉIA SADI
BRUNO BOGHOSSIAN
DE BRASÍLIA

Ed Ferreira/Folhapress 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, durante entrevista em seu gabinete

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), começou a negociar com outros partidos uma emenda à Constituição para implantar o sistema parlamentarista de governo no Brasil. Ele espera obter um acordo para colocar a proposta em votação antes de 2017, quando termina seu mandato no comando da Câmara.
"Temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido", disse, em entrevista à Folha. Ele sugere que o sistema, que daria ao Legislativo papel preponderante na administração do país, reduzindo poderes do presidente da República, comece a funcionar em 2019, com o sucessor da presidente Dilma Rousseff.
"Agora seria um golpe branco", afirmou Cunha. "O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos." O deputado acha que a economia brasileira chegará ao fim do ano pior do que está agora, como diz nesta entrevista.
*
Folha - A semana foi de notícias ruins para o governo na política e economia. O sr. acredita que a presidente Dilma aguentará os quatro anos?
Eduardo Cunha - Apesar de derrotas pontuais, o governo conseguiu passar uma impressão de recuperação da estabilidade com a aprovação do projeto das desonerações. Claro que não é suficiente para reverter nada. O mercado não vê o governo como agente indutor [de mudanças na economia]. Se você falar com nove de dez economistas, estamos muito mais perto do caminho da Grécia do que do caminho da China.
A aprovação do ajuste fiscal e a escolha do vice-presidente Michel Temer para o comando da articulação política não deveriam garantir a estabilidade?
Com uma articulação politica debilitada, o governo precisou chamar o Michel para poder andar. Ele entrou e passou um sinal claro de que tinha uma estabilidade política maior e aprovou [o ajuste fiscal]: ele pegou um vaso todo quebrado e conseguiu colocar uma cola que você não vê que estava colado –pelo menos colou um pouquinho.
Se ele ficar vendendo ilusão ou virando garçom para anotar pedido de Congresso e não conseguir resolver nada, acaba se desgastando, e a gente não quer que aconteça. Essa percepção, com a entrada do Michel, parte para essa melhora, mas o governo tem que mostrar suas ações.
Deputados dizem que não votam com o governo porque cargos e emendas não são liberados para partidos aliados.
Estão reclamando porque eles [o governo] continuam com a política de hegemonia, que quer tudo para o PT. Se o PMDB não ocupou o cargo que foi prometido, esse deputado vê que o cargo está ocupado por um petista. O governo prometeu e não cumpriu.
E quem não está cumprindo os compromissos?
Isso eu não vou dizer. Não pode ser o Michel, porque ele não vai aceitar esse papel. Se o Michel tiver que desempenhar o papel de uma pessoa sem palavra, ele vai sair.
Como acha que a economia estará no fim do ano, e como o PMDB deverá reagir?
Eu acho que a economia vai chegar ao fim do ano muito mal, pior do que está hoje. E quando ela chegar pior, a pressão política vai ser maior, e é aí que o governo precisa ter uma base mais sólida.
Se apresentarem um novo pedido de impeachment de Dilma, a Câmara aprova?
Não podemos tratar o impeachment como recurso eleitoral. Avança-se ou não se houver um fato dentro da ótica constitucional.
O TCU (Tribunal de Contas da União) indica que pode reprovar as contas da presidente.
Se o TCU reprovar as contas do mandato anterior, não quer dizer nada. Se há práticas neste mandato condizentes com improbidade, é outra história. Impeachment é uma coisa grave. O Brasil não é uma republiqueta. A grande evolução que se deve ter é que temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido. Um debate para valer e votar.
Já conversou sobre o assunto?
O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência.
Para agora?
Não um parlamentarismo para ser implantado no mandato dela [Dilma Rousseff], porque isso seria um golpe branco, mas no mandato do sucessor. Para que efetivamente a gente possa ter a figura do chefe de Estado e do chefe de governo. E as condições que possam nos proteger de uma crise igual a essa que a gente vive. Se a gente não evoluir para o sistema parlamentarista no Brasil, vamos ficar sujeitos a crises.
Existe uma dúvida jurídica: como houve o plebiscito [em 1993] que culminou na não aprovação do parlamentarismo, há dúvidas se uma simples emenda constitucional seria suficiente ou se precisaria de plebiscito, ou referendo. Acho que, sem referendo, é muito difícil implementar o parlamentarismo.
Então, o próximo presidente não seria chefe de governo?
Seria um chefe de Estado.
Por que, na sua visão, o parlamentarismo não passou no plebiscito de 1993?
Porque você não consegue convencer a população de que ela vai perder o direito de votar no presidente da República. Então, se a gente construir uma figura em que ela continua votando no presidente, você pode ter um parlamentarismo.
A população não aceitará perder a identidade com seu presidente. Precisamos proteger esse presidente eleito das crises do governo. Se esse modelo tivesse vigente e ela [Dilma] fosse chefe de Estado, teria caído o chefe de governo e o governo. Dissolve o gabinete e ponto.
O Estado é laico, mas há uma bíblia sobre a Mesa Diretora da Câmara, um crucifixo no plenário e sr. abre as sessões com "sob a proteção de Deus". O Estado não é tão laico assim?
Eu botei o crucifixo e a bíblia no plenário? Todos abriram a sessão assim. Daqui a pouco vão dizer que eu inventei isso tudo, que trouxe o crucifixo, e vão errar, porque evangélico não usa crucifixo.
Mas não há uma contradição entre as práticas do Congresso e a definição de estado laico?
Estado laico significa não ter religião de Estado. Não significa que você tenha que ser ateu. É diferente de Israel, onde a Constituição é a Bíblia.
Mas não estamos em Israel.
Alguém reclamou outro dia que 20 deputados entraram no plenário e fizeram apitaço? Vão dizer que eu permiti o apitaço e daqui a pouco vão dizer que sou índio. Sou evangélico e permiti oração no plenário. O fato de 20 parlamentares entrarem no plenário gritando ou fazendo uma oração qualquer não significa que você está agredindo o Estado laico.
Mas o comportamento pessoal de um parlamentar influencia no voto dele.
Qual o problema? Você colocou na Constituição que um parlamentar para se eleger tem que ser laico ou ateu?
Em relação à pauta conservadora...
Que pauta conservadora?
A legalização do aborto, a homofobia...
Cadê o projeto de aborto para ser votado aqui? Não tem projeto de criminalização da homofobia com urgência aqui. Para ter urgência, tem que ter líderes que representem a maioria. Não tem um projeto que atenda a essas condições, nem vai ter porque não tem esse apoio.
Há excesso nas prisões da Lava Jato, comparando com o processo do mensalão, conduzido por Joaquim Barbosa?
Joaquim, sem abandonar o rigor com que ele conduziu o processo, não decretou nenhuma prisão preventiva no curso da investigação, só executou a sentença depois do trânsito em julgado. O que significa que ele respeitou o princípio constitucional da presunção da inocência, o que me parece que não está sendo respeitado hoje.
O sr. está sob investigação. Renan Calheiros também. E ambos propõem mudanças para melhorar o país após a Lava Jato. Não há um conflito?
Por quê? Não me sinto atingido pela suposta investigação que está sendo feita. E não perdi minha capacidade de legislar nem articulação e capacidade política de reagir. Não vou comentar minha participação neste processo.
A delação de Ricardo Pessoa complica a situação de Aloizio Mercadante, após sua citação, e da governabilidade?
Ainda é cedo para falar. Tem de ver detalhes e o desdobramento da delação.
O sr. é candidato em 2018?
Para cada dia a sua agonia. Não vivo em política o dia de amanhã, vivo o dia de hoje. Qualquer um que queira colocar como projeto de vida candidatura futura vai ser refém do projeto. Eu não pretendo transformar minha vida e ficar refém de nada.
O projeto que reduz a maioridade penal será aprovado?
Depois de 22 anos, eu coloquei o projeto para votação. Quando eu coloquei, o próprio PT e o governo passaram a querer discutir mudança no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], que eles não admitiam qualquer mudança. Aí, de repente, acharam que podiam evitar a derrota discutindo mudança em lei ordinária do ECA.
Foram buscar uma aliança com a oposição [PSDB] contra o PMDB. Aí o PMDB se juntou com o partido de oposição que eles buscaram aliança em uma tese intermediária. Então, provavelmente a tese será vencedora e mais uma vez o governo mergulhou na tese do PT.

CASO PETROBRAS: Após delação premiada, Ricardo Pessoa deve depor na CPI da Petrobras

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo

O baiano Ricardo Pessoa, dono da UTC, deve depor na CPI da Petrobras ainda nesta semana, após o presidente da Comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), ter articulado sua presença. O deputado irá enviar nesta segunda-feira (29) ofício ao Superior Tribunal Federal e ao juiz Sergio Moro pedindo autorização, de acordo com a coluna Painel. Os parlamentares esperam que Pessoa prefira ficar em silêncio, mas não querem deixar passar o impacto das revelações de sua delação premiada. Além disso, antes de sair em recesso, a CPI fará três acareações entre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef; Pedro Barusco e Renato Duque; e João Vaccari Neto e Barusco. Também há a expectativa de que Stael Fernanda, viúva do deputado José Janene, seja ouvida.

ECONOMIA: Ameaça de rompimento na zona do euro faz mercados despencarem

ESTADAO.COMBR
JAMIL CHADE - O ESTADO DE S. PAULO

A Bolsa de Londres abriu com queda de mais de 2%; no restante da Europa, o tombo foi ainda maior

GENEBRA – Os mercados abriram nesta segunda-feira com forte queda, depois que a Grécia anunciou controle de capitais e de estar ameaçada de sair da zona do euro. A Bolsa de Londres abriu com uma queda de mais de 2%. Mas, no restante da Europa, o tombo foi ainda maior. 
Tanto em Paris como Frankfurt, a queda nas bolsas foi de mais de 4%. Durante a madrugada europeia, Tóquio já havia perdido 2,88%, a segunda maior queda do ano. Em Hong Kong, o índice caiu 2,61%. Na China, os mercados foram atingidos por mais volatilidade numa sessão agitada que levou o índice a cair mais de 7% durante o período. O índice teve uma pequena recuperação e fechou em queda de 3,29%.
CRISE DA GRÉCIA/AP
Ações despencaram nas bolsas asiáticas com o agravamento da crise grega

A Bolsa de Atenas não abrirá por toda a semana. Mas, em diversos mercados do Sul da Europa, a queda tem sido importante. Na Espanha, a Bolsa de Madri abriu com uma redução de 5,6%. Em Milão, a perda foi de 4,8%. 
As ações dos bancos foram as mais expostas, com quedas de até 10%. "A Grécia parece estar causando um tornado nos mercados financeiros", alertou Michael Hewson, analista do CMC Markets. 
O euro também perdeu terreno diante do dólar, enquanto investidores partiram para ativos mais seguros. O ouro, por exemplo, subiu. 
Pela Europa, os principais governos vão realizar reuniões de emergência durante o dia, antes do prazo final para que a Grécia pague suas dívidas, nesta terça-feira. O presidente americano, Barack Obama, chegou a telefonar para a chanceler alemã Angela Merkel para pedir que a UE não abandone a Grécia. 
No sábado, a negociação entre os gregos e a UE fracassou diante da insistência do governo de Alexis Tsipras de realizar um referendo no dia 5 de julho para consultar a população se estariam dispostos a mais um pacote de austeridade, em troca de recursos do FMI e da UE. 
O problema é que os gregos precisam encontrar 1,6 bilhão de euros para pagar parte de sua dívida até terça-feira e, se não cederem no que se refere ao referendo, a UE já anunciou que o programa de resgate estará suspenso. Na prática, a Grécia quebraria e daria um passo significativo para sair da zona do euro.
A situação ficou ainda mais tensa quando, na manhã de ontem, o Banco Central Europeu anunciou que não pretende elevar o volume de recursos do fundo que dispõe para garantir uma assistência emergencial aos bancos da Grécia. 
O mecanismo europeu de apoio não foi eliminado. Mas seu teto não será alterado.
Para esta segunda-feira, ele seria de 89 bilhões de euros. Ainda que o BCE admita que está disposto a mudar sua estratégia para garantir a "sustentabilidade financeira" da Grécia, a realidade é que a Europa deu um sinal à Atenas de que não iria incrementar a ajuda. A meta era clara: criar uma pressão para que o governo de Alexis Tsipras renunciasse a seu projeto.
O resultado dessa medida foi a decisão em Atenas de decretar um feriado bancário e o fechamento da bolsa de valores por sete dias. Tspiras, porém, apelou à população por “calma e paciência”, enquanto milhares de pessoas faziam filas em caixas eletrônicos pelo país. Segundo ele, os depósitos estão garantidos. "Todos os depósitos, salários e aposentadorias estão garantidos", disse.

MUNDO: Grécia abre bancos para pagar aposentados e dá acesso gratuito a transporte público

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Medidas têm o objetivo de aliviar a situação da população após o anúncio do feriado bancário e do controle de capitais
Pensionistas gregos esperam o pagamento em frente ao Banco Nacional da Grécia - Konstantinos Tsakalidis / Bloomberg News

ATENAS - O governo grego anunciou algumas medidas para aliviar a situação da população em decorrência do fechamento dos bancos e do controle de capitais anunciado no domingo, devido ao impasse nas negociações com os credores internacionais para um novo resgate do país. Algumas agências bancárias abrirão para que os aposentados que não têm cartão possam sacar seus pagamentos e os transportes públicos, cujo custo é de € 1,20, serão gratuitos até a próxima terça-feira.
O transporte público será gratuito em Atenas durante uma semana, anunciou nesta segunda-feira o ministro grego de Transportes, Christos Spirtzis. Residentes e turistas poderão utilizar metrô, ônibus e bondes gratuitamente. A iniciativa será mantida até o dia 7, quando os bancos devem voltar a funcionar.
Uma grande fila de aposentados esperava desde as 8h em frente à sede do Banco Nacional da Grécia, a principal entidade comercial do país. Esperavam para saber quais agências de bancos abririam suas portas no primeiro dia do feriado bancário apenas para pagar os aposentados, já que muitos não têm cartão de débito e não têm como fazer saque nos caixas eletrônicos na semana em que as instituições financeiras ficarão fechadas.
— Disseram que abririam ao meio-dia algumas agências em Atenas e nas principais cidades da Grécia, mas não há nada certo — afirmou Panayotis, que resiste a dizer o quanto ganha de pensão. — São € 1.500. Mas é a soma de três pensões do governo. Antes das reformas, ganhava € 3 mil. Obviamente, minha situação não é desesperadora como a de outros conhecidos.
— Pânico? — questiona-se retoricamente Yorgos, outro aposentado, que prefere não dizer o quanto ganha. — Pânico foi a guerra civil, quando a gente ia dormir não sabia se ia estar vivo no dia seguinte. Esta é outra guerra, mas econômica. Vamos enfrentar com calma, não há outra opção.
Motoristas fazem fila em posto de gasolina no Centro e Atenas - Thanassis Stavrakis / AP

Fora a fila na porta do banco, nas ruas, a normalidade impera: os supermercados abriram como um dia qualquer. Nos postos de gasolina, os motoristas também faziam fila. A venda de combustíveis aumentou 20% frente à semana passada, segundo associação grega do setor. As autoridades garantem, porém, que há combustível suficiente.
“Há combustível suficiente. A vida dos turistas nos centros urbanos, na periferia ou nas ilhas não será afetada”, afirmou o Ministério da Economia e Turismo, frente aos temores de que a crise golpeie a indústria turística.
Grigoris Stergioulis, presidente da maior petrolífera do país, a Hellenic Petroleum, disse à agência ANA que “as refinarias estão trabalhando como sempre e o abastecimento está plenamente garantido, temos reservas de petróleo para vários meses”.
Diferentemente dos aposentados concentrados em frente ao banco, Aspasia, de 76 anos, assegura que não está disposta a ficar na fila e só tem € 50 dinheiro e que passarão a € 20 depois de fazer uma radiografia nesta segunda-feira. Com o restante, quer comprar peixe e convidar seus filhos para almoçar.
— Não tenho cartão nem medo. Não vou fazer fila. Tenho comida suficiente em casa e isso não me assusta em nada. Vivi a ocupação nazista e nada mais me impressiona.
— Chama a atenção a resistência dos idosos — diz o dono de um estabelecimento que fica lado do banco. — Para nós, mais jovens, é a primeira vez que vamos fazer frente a um momento tão difícil. Estou certo de que sobrevivermos a isso.

NEGÓCIOS: Petrobras anuncia redução de 37% nos investimentos em novo plano de negócios

UOL

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que planeja investir US$ 130,3 bilhões entre 2015 e 2019, uma queda de 37% em relação ao seu Plano de Negócios e Gestão 2014-2018, segundo fato relevante.
A estatal reduziu sua projeção de investimentos após ter sido atingida desde o ano passado pelo escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, com impactos financeiros e na cadeia de prestadores de serviços.

(Por Gustavo Bonato)

DIREITO: STF - Ministro assegura direito de resposta com base na Constituição

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou provimento a recurso no qual se questionava o direito de resposta assegurado pela Justiça do Rio Grande do Sul, que exigiu a publicação de sentença judicial em jornal da cidade de Osório (RS). Segundo o entendimento adotado pelo decano da Corte, mesmo após o julgamento em que o STF considerou a Lei de Imprensa incompatível com a Constituição Federal de 1988, é possível a obtenção do direito de resposta com base diretamente no texto constitucional.
Proferida no Recurso Extraordinário (RE) 683751, a decisão reconhece que, a despeito do vácuo legislativo criado pelo julgamento da Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967), a própria Constituição Federal possui densidade normativa para garantir a prática do direito de resposta. A previsão está no artigo 5º, inciso V, em que é assegurado direito de resposta proporcional ao dano, além de indenização. Dessa forma, conforme explica o ministro, tal dispositivo constitucional tem aplicabilidade imediata.
“Esse direito de resposta/retificação não depende da existência de lei, ainda que a edição de diploma legislativo sobre esse tema específico possa revelar-se útil, e até mesmo conveniente”, afirma o relator. Em seu entendimento, a Constituição já estabelece os parâmetros necessários à invocação da prerrogativa do direito de resposta, tal como decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) no acórdão recorrido. Entende ainda que é inerente à atividade do juiz julgar conforme os postulados da razoabilidade, proporcionalidade e igualdade.
“A incompatibilidade da Lei de Imprensa com a vigente Constituição da República não impede, consideradas as razões que venho a expor, que qualquer interessado, injustamente atingido por publicação inverídica ou incorreta, possa exercer, em juízo, o direito de resposta”. Com esse posicionamento, o ministro negou provimento ao recurso, mantendo a decisão proferida pelo tribunal de origem.
Leia a íntegra da decisão do ministro Celso de Mello.
Processos relacionados

DIREITO: STJ - Preso tenta obter progressão de regime com petição redigida em papel higiênico

Pela segunda vez em pouco mais de dois meses, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu um pedido de habeas corpus escrito à mão em papel higiênico. A petição, trazida pelos Correios, chegou ao protocolo do tribunal na tarde desta quinta-feira (25). O autor está preso na penitenciária de Guarulhos I (SP).

Servidor do STJ exibe petição escrita em papel higiênico

Redigido em quase dois metros de papel, o habeas corpus pede que seja concedida a progressão ao regime semiaberto. O detento, que diz ter cumprido metade da pena sem nenhum registro de falta disciplinar, alega que está sofrendo constrangimento ilegal porque já teria preenchido todos os requisitos para a concessão do benefício.
Condenado por furto e estelionato a quase 12 anos de reclusão em regime inicial fechado, o preso aponta o Tribunal de Justiça de São Paulo como autoridade coatora, por ter negado seu pedido de liminar sem “justificação idônea”.
Formas inusitadas
Assegurado pelo inciso LXVIII do artigo 5º da Constituição Federal como instrumento de defesa da liberdade de locomoção, o habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa, em favor de si mesma ou de outra, não precisa de advogado nem exige forma específica.
No dia 20 de abril, a Coordenadoria de Atendimento Judicial do STJ foi surpreendida com um pedido de liberdade também escrito em papel higiênico, vindo igualmente de São Paulo. Em maio de 2014, um detento do Ceará enviou uma petição de habeas corpus redigida em um pedaço de lençol.
O habeas corpus de Guarulhos foi registrado sob o número HC 328.126. Depois de digitalizado, será autuado e distribuído para um dos ministros que compõem as turmas especializadas em matéria penal. O destino final da peça, a exemplo do outro pedaço de papel higiênico e do lençol, será o acervo do museu do STJ.
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DIREITO: STJ - Concessionária de veículos terá de devolver em dobro valor de frete cobrado a mais

Uma concessionária terá de devolver em dobro valores cobrados indevidamente a título de frete na venda de veículos novos. A decisão, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), foi contestada pela empresa no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas seu recurso nem chegou a ser analisado no mérito.
A União Nacional em Defesa de Consumidores Consorciados e Usuários do Sistema Financeiro (Unicons) ingressou com ação coletiva de reparação de danos contra a San Marino Veículos Ltda., apontando a cobrança de frete em valor superior àquele que efetivamente era pago pela revenda às transportadoras.
Abrangência nacional
Em primeira instância, o juiz decidiu que “todas as pessoas que, no país, tenham adquirido veículos” da empresa devem ser ressarcidas, em dobro, dos valores excedentes cobrados a título de frete. O TJRS manteve a decisão.
Segundo o acórdão, em uma dessas vendas, a concessionária pagou R$ 400 pelo frete do veículo comercializado, mas cobrou do cliente R$ 950. Em outras negociações, o valor do frete nem sequer foi discriminado na nota fiscal, contrariando o que estabelece a nova redação do parágrafo 1º do artigo 13 da Lei 6.729.
A concessionária entrou com recurso especial pretendendo reformar a decisão da Justiça gaúcha, mas o relator, ministro Luis Felipe Salomão, afastou a possibilidade de apreciação do pedido com base na Súmula 7 do STJ e, por analogia, da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com Salomão, apesar de a concessionária alegar ofensa do acórdão estadual a artigos do Código de Defesa do Consumidor e do Código Civil, os argumentos apresentados no recurso não demonstraram a suposta violação desses dispositivos legais (Súmula 284).
Fundamentação e provas
“Para a análise da admissibilidade do recurso especial pressupõe-se uma argumentação lógica, demonstrando de plano de que forma se deu a suposta vulneração do dispositivo legal pela decisão recorrida, o que não ocorreu na hipótese, sendo certo que, no caso em exame, caracterizou-se deficiência de fundamentação”, destacou o ministro.
Em relação à condenação pela cobrança abusiva do frete, o relator afirmou ser inviável apreciar a decisão do TJRS. Segundo Salomão, reconhecer ou afastar a prática ilícita, ou mesmo apreciar a justificação da empresa, implicaria reapreciar as provas dos autos, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ.

DIREITO: STJ - Prescrição livra Luiz Estevão de condenação por uso de documento falso

O Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu manter a condenação do ex-senador Luiz Estevão em processo no qual foi acusado de uso de documento falso e falsificação de documento público. Em despacho publicado nesta sexta-feira (26), o desembargador convocado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ericson Maranho rejeitou o recurso em que o MPF questionava o reconhecimento da prescrição no caso.
De acordo com a acusação, os documentos falsos teriam sido usados perante a CPI do Judiciário para burlar as investigações sobre o escândalo da construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, episódio pelo qual o ex-senador está condenado a 31 anos de prisão (decisão ainda pendente de recursos).
Luiz Estevão havia sido condenado em primeira instância à pena de três anos e oito meses de reclusão, substituída pela obrigação de prestar 1.335 horas de serviços gratuitos à Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal. Além disso, teria de pagar multa equivalente a 900 salários mínimos da época dos crimes (julho de 1999). O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reduziu a pena para três anos (a ser substituída por penas restritivas de direito) e 50 salários mínimos de multa.
Prazo transcorrido
Conforme a pena estabelecida pelo TRF1, o prazo prescricional aplicável é de oito anos. Ao analisar o caso, em decisão do dia 11 de junho, o desembargador Maranho verificou que, como o último fato que interrompeu a prescrição foi a publicação da sentença, em abril de 2007, o prazo de oito anos já transcorreu, o que extingue a punibilidade.
Em embargos de declaração, o MPF sustentou que, dada a nova redação do artigo 117, inciso IV, do Código Penal, a contagem da prescrição deveria ser reiniciada não na publicação da sentença, mas na publicação do acórdão do TRF1 (agosto de 2008), o que jogaria o fim do prazo para agosto de 2016.
O MPF afirmou que tanto o STJ quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) estariam considerando como nova causa de interrupção do prazo a decisão de segundo grau que, ao confirmar a condenação, modifica a pena de modo a alterar o cálculo da prescrição.
Jurisprudência pacífica
Ericson Maranho, no entanto, rebateu os argumentos do MPF. Segundo ele, a jurisprudência do STJ é sedimentada no sentido de que, ainda que o acórdão tenha promovido modificação substancial da dosimetria da pena – o que não é o caso, já que a sanção foi reduzida em apenas oito meses –, o marco interruptivo da prescrição é sempre a primeira condenação.
Maranho apresentou diversos precedentes da Terceira Seção, entre eles o REsp 1.362.264, de relatoria do ministro Rogerio Schietti Cruz, segundo o qual “o acórdão que apenas confirma a sentença de primeiro grau, sem decretar nova condenação por crime diverso, não configura marco interruptivo da prescrição, ainda que haja reforma considerável na dosimetria da pena”.
Leia a decisão que reconheceu a prescrição.
Leia a decisão que rejeitou o recurso do MPF.
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