terça-feira, 24 de maio de 2016

LEGISLAÇÃO: Governo sanciona lei que obriga uso de farol baixo em estradas

Do UOL, em São Paulo 

Murilo Góes/UOL
Descumprimento será considerado infração média, com multa (atualizada) de R$ 130,16

O presidente interino, Michel Temer, sancionou nesta semana a lei 13.290/2016, que torna obrigatório o uso do farol baixo durante o dia em rodovias brasileiras. De autoria do senador José Medeiros (PSD-MT), a norma tramitava desde o ano passado e foi aprovada pelo Senado em abril.
Entretanto, Temer vetou o artigo que torna o efeito da lei imediato, estipulando prazo de 45 dias para que ela entre em vigor.
Descumprimento será considerado infração média, que atualmente incide em quatro pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e multa de R$ 85,13. Entretanto, com a nova tabela de multas prestes a entrar em vigor nos próximos meses, o valor deve saltar para R$ 130,16.
Segundo o criador da legislação, que foi policial rodoviário federal durante 20 anos, a medida "é bastante simples e irá aumentar a segurança nas estradas, contribuindo para a redução de acidentes frontais e salvando inúmeras vidas".
De acordo com o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), autor de projeto parecido que tramitou no Congresso, a "baixa visibilidade ainda é uma das principais causas de colisões nas estradas". "Os condutores relatam que, muitas vezes, não conseguem visualizar o outro veículo a tempo de tentar uma manobra defensiva", relatou.
Há discordâncias. Fernando Calmon, engenheiro automotivo e colunista de UOL Carros, já apontou diversas inconsistências no projeto. "Essa exigência começou nos países nórdicos, onde há grandes períodos do ano com poucas horas de luz natural. Só que o Brasil é um país de alta incidência solar", argumentou.
"Nem se tem ao certo uma delimitação clara de onde começa ou termina uma rodovia. Além disso, o simples farol baixo está longe de resolver a questão da visibilidade. Nos EUA, com sua megafrota de 260 milhões de carros e diversidade climática muito maior, o conceito de uso não obrigatório permanece após avaliações profundas por anos", seguiu.
Calmon também destacou que a lei desconsidera vários estudos sobre o assunto, inclusive o uso da solução muito mais moderna e recomendável para a condição de luz diurna: o LED. Apesar de já fazer parte de modelos mais baratos, como Hyundai HB20 e Peugeot 208, o LED ainda não é obrigatório no país.

CORRUPÇÃO: Ex-governador de Roraima Neudo Campos se entrega à polícia

OGLOBO.COM.BR
Do G1 RR

Campos se entregou nesta terça (24) no Comando de Policiamento, diz PF.
Ele estava com a prisão decretada há 5 dias e era considerado foragido.

O ex-governador Neudo Campos (PP) se entregou no Comando de Policiamento da Capital, no Centro de Boa Vista, na madrugada desta terça-feira (24). Ele foi conduzido para a sede da Polícia Federal ainda nesta manhã, conforme informações da PF [veja vídeo acima].
Campos, que é marido da atual governadora de Roraima Suely Campos (PP), teve a prisão decretada na última quinta (19). Ele é condenado por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas conhecido como "escândalo dos gafanhotos".
Ele teve a prisão decretada após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) revogar a liminar de fevereiro deste ano que o mantinha em liberdade. A defesa de Campos não quis comentar.
Neudo Campos se entregou durante a madrugada no Comando de Policiamento da Capital (CPC) 
(Foto: Arquivo pessoal)

Ainda de acordo com a PF, a adjunta da Secretaria de Assuntos Internacionais Fátima Araújo foi presa em casa nesta terça, suspeita de coordenar o esquema de fuga do ex-governador. Ela foi encaminhada à Cadeia Pública Feminina.
Na segunda (23), um sargento e um soldado da Polícia Militar de Roraima foram presospela Polícia Federal por suspeita de tentar ajudar Neudo Campos a fugir.
A Polícia Federal informou ainda que a investigação continua para apurar a participação de outros servidores públicos e políticos nos crimes investigados.
Mandados de prisão
No dia 20, cinco envolvidos no 'escândalo dos gafanhotos' durante operação Praga no Egito, deflagrada em 2003, foram presos. Além destes, a PF tentou prender a médica Suzete Macedo de Oliveira, mas buscas foram feitas no endereço da acusada e ela segue foragida.
Condenação
O ex-governador foi condenado por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas conhecido como "escândalo dos gafanhotos", que consistia no cadastramento de funcionários “fantasmas” na folha de pagamento do Estado e do Departamento de Estradas e Rodagem de Roraima (DER/RR), para distribuição dos salários a deputados estaduais e outras autoridades em troca de apoio político.

POLÍTICA: Jucá é alvo de denúncia no Conselho de Ética do Senado

ESTADAO.COM.BR
VALMAR HUPSEL FILHO E ISABELA BONFIM - O ESTADO DE S.PAULO

Pedido foi protocolado nesta terça pelo senador Telmário Mota (PDT-RR) e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi

BRASÍLIA - Ao retornar para o Senado, um dia depois de pedir exoneração do ministério do Planejamento, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) será alvo no Conselho de Ética de processo disciplinar por quebra de decoro de parlamentar. O pedido, protocolado na manhã desta terça, 24, pelo senador Telmário Mota (PDT- RR), adversário do peemedebista em Roraima, e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, acusa o peemedebista de tentar obstruir a investigação da Operação Lava Jato. 
A denúncia toma como base os trechos da conversa em que Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado falam sobre a investigação da Lava Jato. A transcrição foi relevada na segunda, 23, pelo jornal Folha de S. Paulo. 
De acordo com os denunciantes, no diálogo "verifica-se que, durante toda a conversa divulgada, resta inequívoco o propósito do Denunciado de utilizar o governo de Michel Temer para atrapalhar ou impedir as apurações da operação contra os agentes políticos envolvidos". "É clara - sem sombra de dúvidas - a intenção do Senador denunciado de buscar proteção pessoal e se esquivar do alcance das investigações, mediante um grande acordo", diz o texto.
Senador Telmário Mota (PDT-RR)

O documento faz uma analogia ao caso de Delcídio do Amaral (sem partido-MT), que foi preso e acabou cassado após a divulgação de áudios em que ele foi flagrado articulando para obstruir o trabalho dos investigadores da Lava Jato. A representação contra Delcídio foi relatada por Telmário Mota.
"Há um claro propósito de que o novo governo, com o vice-presidente Michel Temer, resolva os 'problemas' que a 'Operação Lava Jato' acarretou à classe política tradicional no Brasil. Além disso, os áudios demonstram a opinião do Senador de que seria necessário afastar a Presidente da República, Dilma Rousseff, para que a sangria da 'Operação Lava Jato' seja estancada", afirma o documento. 
Pouco antes de entrar com a denúncia, Telmário Mota afirmou que considerou a gravação uma flagrante tentativa de obstrução de Justiça. "Ele fala que é preciso ter o impeachment para fazer um pacto nacional para paralisar a Operação Lava Jato. Isso é obstrução da Justiça", disse. 
Já como senador, Jucá compareceu à sessão do Congresso para votar a alteração da Meta Fiscal. No plenário, Jucá disse que no diálogo gravado não há nenhuma ação que denote tentativa de impedir a Lava Jato. Jucá afirmou que solicitou informações ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para saber se houve algum crime no diálogo gravado. "Falei para Michel (Temer) que me afastei enquanto a PGR não responder essa questão", disse. "Amanhã me defenderei no plenário do Senado", completou.

COMENTÁRIO: De Delcídios e Romeros

Por Eliane Cantanhêde - ESTADAO.COM.BR

O presidente em exercício Michel Temer sabia que não seria fácil, mas não sabia que seria tão difícil. Cada dia, sua agonia – ou, cada dia, o seu amigo ou ministro problemático. Se Eduardo Cunha é um peso enorme, Romero Jucá não fica atrás. Os dois, juntos, já puxam Temer e seu projeto para um limbo de interrogações. Mas eles não são os únicos.
Na fita revelada ontem pelo repórter Rubens Valente, Jucá discute com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado um “pacto” para garantir o impeachment de Dilma Rousseff, a posse de Michel Temer e a interrupção pelo meio da Operação Lava Jato. No caso da Lava Jato, era inexequível, pouco mais que um devaneio, mas virou um imenso constrangimento para o governo interino e um explosivo combustível para o discurso da nova oposição e os movimentos que acossam Temer.
Na tentativa de pedir a prisão e a cassação de Jucá, a primeira comparação feita pelo PT e seus aliados no Congresso foi com a gravação ambiente que justificou a prisão do primeiro senador no exercício do mandato, o então líder do governo Dilma, Delcídio Amaral. Mas, na verdade, a comparação mais correta é com o diálogo entre o então ministro da Educação Aloizio Mercadante e Eduardo Marzagão, assessor de Delcídio.
Delcídio foi preso e cassado por tentativa concreta de obstrução da Justiça, depois de flagrado oferecendo meios práticos, como dinheiro e até um avião, para tirar Nestor Cerveró do Brasil e assim evitar que fizesse delação premiada e contasse cobras e lagartos sobre a participação de amigos do ex-presidente Lula e de empreiteiros que, segundo o ex-líder, estariam sendo protegidos por Dilma.
Mercadante foi mais sutil quando chamou Marzagão para uma conversa no seu gabinete. Disse que poderia “ajudar” no que fosse possível, sugeriu que poderia oferecer advogado e até alguma ajuda financeira, mas para a defesa. Tudo implícito, sugestivo, sub-reptício, como fez Jucá com Machado.
Jucá não disse onde, como, com quem especificamente e com que recursos práticos pretendia construir um pacto nacional “com o Supremo”, “parar tudo”, “delimitar onde está, pronto”, “proteger o Lula, proteger todo mundo”. Um projeto megalomaníaco, como se bastasse um estalar de dedos para suspender a Lava Jato, parar o STF, o juiz Sérgio Moro, o MP, a PF e a imprensa. Simples, não?
Aliás, é curioso como os políticos pegos em grampos falam do Supremo sem a menor cerimônia, como se fossem íntimos dos ministros. Alguém consegue imaginar Dilma, de um lado, ou Temer, de outro, destacando emissários para calar, cooptar ou sei lá o quê os onze ministros do tribunal, todos e cada um deles listados entre os maiores e mais respeitáveis juristas do País?
Nas fitas, Jucá também diz que o vivíssimo Eduardo Cunha “está morto”. Nem tanto... Cunha e Jucá têm em comum a proximidade do presidente em exercício, os rolos com a Lava Jato e destaque no início da gestão Temer, mas Cunha sobrevive mesmo afastado e Jucá é que parece “morto”. Dizem que os peixes morrem pela boca, mas Jucá morre pela boca e por “otras cositas mas”.
Ninguém nega que Jucá seja um bom economista e um líder de eficaz de qualquer governo, e esses são os motivos alegados por Temer para destacá-lo para um cargo estratégico como o Planejamento. Desde o início, porém, virou alvo favorito dos adversários de Temer e do impeachment, como exemplo de que o PMDB estaria envolvido até o último fio do cabelo em maracutaias. 
Jucá, portanto, era uma crise anunciada. Como são as indicações feitas a dedo por Eduardo Cunha no governo interino, a começar do líder na Câmara, o réu André Moura. Os antigos governistas, hoje oposicionistas, nem vão ter muito trabalho. Podem ficar sentados, esperando os próximos escândalos.
Nenhum deles, aliás, tem tanta capacidade de fazer estrago na equipe do presidente em exercício Michel Temer quanto Sérgio Machado – o amigo que jogou Romero Jucá no olho da rua e sabe das coisas.

ECONOMIA: Governo anuncia medidas para tentar controlar dívida pública

OGLOBO.COM.BR
POR MARTHA BECK, BÁRBARA NASCIMENTO, EDUARDO BARRETTO E SIMONE IGLESIAS

Teto para gastos é fixado, dinheiro do BNDES será devolvido e do Fundo Soberano, usado

BRASÍLIA - O governo está anunciando, nesta terça-feira, um conjunto de medidas de curto, médio e longo prazos para reequilibrar as contas públicas. As primeiras decisões econômicas apresentadas pelo presidente interino Michel Temer foram o pré-pagamento de parte da dívida do BNDES com o Tesouro, a fixação de um teto para os gastos públicos e o saque de recursos do Fundo Soberano. O presidente lembrou que o Tesouro injetou mais de R$ 500 bilhões no banco de fomento nos últimos anos. Agora, a instituição vai devolver R$ 100 bilhões, sendo R$ 40 bilhões no curto prazo. Isso ajuda a reduzir a dívida pública. Outra medida é a flexibilização da participação obrigatória de 30% da Petrobras na exploração do pré-sal como operadora.
Outra novidade é o envio de uma proposta de emenda constitucional (PEC) ao Congresso fixando um teto para os gastos do governo. Segundo Temer, essas despesas se encontram “numa trajetória insustentável”. O valor será fixado tendo como base a inflação registrada no ano anterior.
O presidente também adiantou que o governo vai sacar todos os recursos existentes no Fundo Soberano. Esse dinheiro voltará ao Tesouro para também reduzir o endividamento público.
— Outra coisa que vamos fazer é que há um Fundo Soberano criado na época do pré-sal e que visava a constituir um fundo muito significativo. Em fato das mais variadas circunstâncias, hoje o patrimônio do fundo está paralisado em R$ 2 bilhões. Vamos extinguir e trazer esses R$ 2 bilhões para cobrir o endividamento público — disse o presidente, que destacou que o objetivo do pacote é retomar crescimento, reduzir o desemprego e alçar quem está na pobreza absoluta à classe média.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o Tesouro terá um ganho adicional de R$ 7 bilhões com a devolução de recursos do BNDES à União. Esse ganho decorre da economia que o Tesouro vai ter com a diferença entre o que paga para captar recursos no mercado e quanto recebe do banco de fomento como pagamento:
— O Tesouro tem diferencial de taxas e tem economia importante com ganho que é a diferença entre o que ele paga na captação e o que recebe do BNDES.
Segundo Meirelles, isso não vai impactar as operações do banco:
— Foi levada em conta toda a captação do BNDES nos próximos dois anos e o histórico do que tem sido feito no ano passado. Está muito bem equacionado o problema do BNDES para os próximos anos. Os recursos (que serão devolvidos) estariam ociosos e causando um custo adicional ao Tesouro. É uma boa gestão das contas públicas.
Conforme adiantou o GLOBO, o governo vai resgatar o projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal para os fundos de pensão e estatais. Conhecida como lei das estatais, o texto já foi aprovado pelo Senado Federal e está parado agora na Câmara dos Deputados.
O projeto determina, por exemplo, que 25% dos membros dos conselhos de administração devem ser independentes: não podem ter vínculo com a estatal, nem serem parentes de detentores de cargos de chefia no Executivo, como presidente da República, ministros ou secretários de estados e municípios.
— (O projeto) Visa introduzir critérios rígidos para nomeação de dirigentes dos fundos e das empresas estatais. É uma regra tecnicamente correta, porque teremos a meritocracia funcionando. As pessoas que vão para esses fundos serão tecnicamente preparadas. São regras que vão preparando o país para o futuro. Estabelecem um mecanismo que implicará na alocação eficiente de centenas de milhões de reais nessas instituições. Se houver concordância do Executivo e do Legislativo, devemos levar esse projeto adiante.
Temer ainda anunciou que o governo pretende barrar o crescimento nominal de subsídios. Pelas contas de Temer, o impacto fiscal de uma medida como essa é de R$ 2 bilhões.
— Nenhum ministério vai apresentar proposta ao Tesouro que vai elevar de forma nominal os subsídios. Poderá fazer se houver uma compensação de uma ou outra atividade.
O presidente reforçou que será uma praxe a partir de agora o governo anunciar medidas a serem tomadas primeiro aos líderes e, só depois, realizar uma coletiva de imprensa.
Antes do início da apresentação das medidas, Temer pediu a líderes parlamentares o máximo esforço para que a meta fiscal consiga ser votada nesta terça-feira. Temer também "lamentou" que deputados e senadores que antes eram governo agora se coloquem contra a votação.
— Estou pedindo aos senhores que se esforcem o quanto possível hoje. Quando vocês tem uma ampla maioria e a minoria discorda,a a ampla maioria há de prevalecer.
Antes da reunião dos líderes da Câmara com Temer começar, houve tumulto entre os deputados. O líder do governo, André Moura (PSC-SE), convidou as bancadas do PR, do PTB, entre outras, para participar do encontro restrito a um, no máximo dois, deputados por legenda aliada. Alguns que chegaram se recusaram a ir embora e, então, a Presidência providenciou cadeiras adicionais no salão para acomodar os parlamentares.
O ministro da Fazenda afirmou aos líderes que as principais medidas econômicas que o governo quer adotar precisam do aval do Congresso. Por isso, fez um apelo ao diálogo:
— Temos, de fato, 12 dias de governo e temos que tomar cuidado com a precisão das medidas para que elas sejam eficazes. As de maior impacto terão que passar pelo Congresso. Estamos abertos ao diálogo dentro de um pressuposto — disse o ministro, acrescentando: — O crescimento das despesas públicas, que se acentuou nos últimos anos, é insustentável. É importante é garantir que o Estado brasileiro seja solvente e todos aqueles que emprestam ao governo tenham retorno.
Temer fez o pronunciamento nesta terça-feira no Palácio do Planalto, mas sem a presença de repórteres. Sua fala foi transmitida pela televisão. O presidente em exercício discursou na Sala Suprema, onde reúne-se com líderes da base no Congresso. Ele lamentou que parlamentares que há menos de um mês eram da situação hoje coloquem-se como oposição e tentem "tumultuar" a votação.
— Lamento dizer, lamento mesmo, eu que fui presidente da Câmara dos deputados três vezes, lamento dizer que muitos até propuseram a modificação da meta, hoje anunciam que vão tentar tumultuar os trabalhos para impedir a votação — disse, e completou: — Na verdade, o projeto original não foi remetido por mim, foi remetido por quem estava no poder.
Sem citar qualquer episódio relativo ao ex-ministro do Planejamento Romero Jucá, Temer pontuou que os homens do governo são "todos falíveis". Nesta segunda-feira, gravações do então ministro do Planejamento de Temer e senador Romero Jucá (PMDB-RR) sugeriam que Jucá pretendia frear a Operação Lava-Jato. As conversas foram divulgadas pelo jornal "Folha de S. Paulo". Depois de negar o conteúdo dos diálogos pela manhã, durante a tarde Jucá anunciou que iria se "licenciar" da pasta. Ele foi exonerado, como já está no Diário Oficial da União desta terça-feira.
— Muitas e muitas vezes se diz que estamos em busca de eliminar ou dificultar qualquer investigação apuratória, isso contestaria o que disse em outros momentos, não posso invadir a competência de outro poder — afirmou Temer. — Não vamos impedir a apuração com vistas à moralidade pública e administrativa. Ao contrário, vamos sempre incentivá-la.
Temer afirmou que, apesar de estar em situação de interinidade, isso não significa que o país deve parar. Ele refutou que haja qualquer ruptura com a Constituição em seu governo e disse que o cargo de vice-presidente e a possibilidade de que este assuma a chefia de Estado em caso de afastamento do titular é uma consequência do próprio texto da Constituição.
— A interinidade não significa que o país deve parar. Pelo contrário. O que devemos é fazer todos os atos e fatos que possam levar o país adiante. Eu sou uma consequência da Constituição. Não eu propriamente. O vice-presidente da República é uma consequência do texto constitucional. Portanto, quero refutar aqueles que a todo instante pretendem dizer que houve uma ruptura com a Constituição. Isso não é verdade.
Em uma única referência indireta ao caso que derrubou o ministro do Planejamento Jucá, Temer reforçou que seu governo não vai impedir investigações em curso.
— Eu digo nós não vamos impedir a apuração com vistas à moralidade pública e administrativa. Ao contrário, vamos sempre incentivá-la.
As medidas são anunciadas poucos dias depois de o governo rever o rombo nas contas de 2016. Ele agora está estimado num déficit primário de R$ 170,5 bilhões. A equipe da presidente afastada Dilma Rousseff esperava um valor bem menor: de R$ 96,6 bilhões. A diferença nos números ocorreu porque o governo Temer decidiu incluir em seus cálculos o pior cenário fiscal possível para o ano. Assim, a ideia é que, ao final do ano, o resultado primário apresentado seja mais favorável que a meta. As medidas discutidas apresentadas hoje devem ajudar nesse objetivo.

POLÍTICA: Temer pede apoio do Congresso e diz que aprovação da meta é 'primeiro teste'

FOLHA.COM
MARINA DIAS
GUSTAVO URIBE
DE BRASÍLIA

Renato Costa/Folhapress

O presidente interino, Michel Temer, admitiu nesta terça-feira (24) que a votação da nova meta fiscal no Congresso será "o primeiro teste" de seu governo e pediu que os parlamentares "se esforcem" para aprovar a medida que, segundo o peemedebista, vai "ajudar a tirar o país da crise".
"No dia de hoje temos uma votação de uma matéria importante para o governo, que é a ampliação da meta [fiscal]. Esse será o primeiro teste. De um lado, do governo, do outro lado, do Legislativo, para revelar ao brasileiro que estamos trabalhando", disse Temer. "Eu preciso dos senhores", completou o presidente interino, justificando que a nova meta dará um "clima de tranquilidade" ao país.
Nesta segunda (23), Temer levou pessoalmente ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a revisão da meta fiscal. Sua equipe econômica calculou um deficit de R$ 170,5 bilhões, rombo muito maior do que os R$ 96,7 bilhões apresentados pelo governo Dilma Rousseff.
Em discurso de abertura da reunião com os líderes da base aliada, Temer tentou dividir a responsabilidade de estabilizar a economia entre o Executivo e o Legislativo e disse que todos estão "governando juntos" em uma espécie de "semi-parlamentarismo".
"Leio e ouço a afirmação que estou instituindo uma espécie de semi-parlamentarismo. Isso me envaidece, significa que estamos reinstitucionalizando o país", declarou.
Segundo o peemedebista, que refutou mais uma vez a tese de "golpismo" com o impeachment de Dilma, é importante respeitar o "período de interinidade", mas isso não significa "que o país deve parar".
"Quero refutar aqueles que, a todo instante, dizem que houve uma ruptura na Constituição, porque as instituições estão funcionando", disse. "Protestos devem ser feitos pela via legal e democrática, desde que haja uma certa ordem na contestação", completou.
OPOSIÇÃO
Temer criticou ainda a oposição que, segundo ele, quer "tumultuar os trabalhos" e impedir a votação da nova meta no Congresso. De acordo com o presidente interino, são parlamentares que, durante o governo Dilma, chegaram inclusive a propor a modificação da meta fiscal, mas "hoje anunciam que vão tentar tumultuar".
"As oposições, na democracia, existem para ajudar a governar. Temos dois momentos: um político-eleitoral e um político-administrativo. Neste, todos devem trabalhar, sem exceção, pelo bem comum", afirmou Temer.

POLÍTICA: Exoneração de Romero Jucá do Ministério do Planejamento é publicada no Diário Oficial

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

A exoneração de Romero Jucá (PMDB-RR) do cargo de ministro do Planejamento foi publicada na edição desta terça-feira (24) do Diário Oficial da União (DOU). O afastamento acontece um dia depois da divulgação de áudios de uma conversa entre o peemedebista e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado no qual eles estariam discutindo uma obstrução das investigações da Operação Lava Jato. Ainda nesta segunda-feira (23) Jucá anunciou que deixaria a pasta para aguardar um posicionamento do Ministério Público Federal (MPF) sobre as conversas. "Eu sou presidente nacional do PMDB, sou um dos construtores deste novo governo e não quero de forma nenhuma deixar que qualquer manipulação mal intencionada possa prejudicar o governo. Enquanto o Ministério Público não se manifestar, eu aguardo fora do mistério o posicionamento. Se ele se manifestar dizendo que não há crime, que é o que eu acho, caberá ao presidente Michel Temer me reconvidar", declarou.

POLÍTICA: Temer decidiu tirar ministro para evitar sangria no governo

OGLOBO.COM.BR
POR JÚNIA GAMA, SIMONE IGLESIAS E CATARINA ALENCASTRO

Caso criou constrangimento para presidente, que foi alvo de protesto

Temer deixa o Congresso. Em reunião no Planalto, presidente decidiu o afastamento de Jucá - Jorge William

BRASÍLIA — A saída de Romero Jucá do Ministério do Planejamento foi decidida pelo presidente interino Michel Temer após a avaliação de que o governo não suportaria sangrar nos próximos dias ao ter um ministro exposto por gravações que complicam sua situação na operação Lava-Jato. Ao mesmo tempo, Temer buscou uma solução que não constrangesse Jucá e muito menos o Senado, Casa que será responsável pelo julgamento do impeachment de Dilma Rousseff e pela aprovação de medidas econômicas emergenciais, como a alteração da meta fiscal.
Segundo relatos, a princípio, Jucá resistiu em deixar o cargo. Avaliou que poderia explicar de forma convincente o conteúdo da conversa gravada com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Mas, em reunião com Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) pouco antes da chegada do grupo ao Senado, no meio da tarde de segunda-feira, Jucá foi convencido de que sua permanência iria fragilizar o governo em um momento em que a gestão peemedebista ainda está longe de ter estabilidade.
Na entrada do Senado, Jucá chegou minutos após Temer, o que não evitou que o presidente interino fosse alvo de manifestações e de gritos de “golpista”.
Para não melindrar Jucá, Temer sugeriu que o próprio ministro anunciasse seu afastamento do cargo. A solução da “licença” foi formulada por Jucá. Na prática, como não existe a possibilidade legal de um ministro se licenciar do cargo para retomar o mandato de senador, Jucá foi exonerado do posto. Mas o discurso de que se trata de uma “licença” tinha o objetivo de amenizar o impacto político da decisão e de deixar simbolicamente a porta aberta para ele voltar ao cargo caso seja inocentado.
No Planalto, no entanto, a avaliação é que Jucá não terá condições de retornar ao ministério, mas o assunto deverá ser tratado com extremo cuidado, pois o senador já afirmou a Temer e aos ministros palacianos que deseja voltar depois que sejam dados os esclarecimentos cabíveis ao Ministério Público.
— É muito difícil ele conseguir voltar. O Ministério Público teria que dar um atestado de inocência a ele, e isso é muito difícil de acontecer — explicou um assessor de Temer.
Após deixar o Congresso no fim da tarde, Jucá voltou ao Palácio do Planalto para uma nova conversa com Michel Temer. Somente então o presidente interino anunciou, em nota, o afastamento do ministro. Apesar de estar em busca de um nome para ocupar a pasta, que agora está sob o comando provisório de Dyogo Oliveira, o presidente interino pretende aguardar que a situação esfrie um pouco para fazer a substituição definitiva.
Temer quis conduzir a saída de forma rápida, mas sem esgarçar a relação com o Senado.
— O sentimento inicial foi de apresentar na hora a demissão, até para se diferenciar da Dilma. Mas não dá para fazer algo que vá deixar a relação com o Senado abalada, ainda mais neste momento de incertezas — disse um aliado de Temer.
O pedido de licença foi visto também como uma possibilidade de fazer sua investigação ser agilizada pelo Ministério Público Federal e de garantir tempo a Temer de encontrar um nome para a pasta. Com a mudança, Jucá deve retornar ao papel de articulador no Senado e há quem defenda, no Palácio do Planalto, que ele assuma a liderança do governo na Casa. Ironicamente, este era o papel que Temer queria, desde o começo, destinar a Jucá. Mas, por insistência do próprio senador, acabou por nomeá-lo para o Ministério do Planejamento.
— Digamos que agora será retomado o plano original, que é ter Jucá como o articulador político do governo no Congresso, e, principalmente, no Senado, que é onde mais vai ser necessário — afirmou um interlocutor de Temer.
Em meio à crise, Temer desistiu de participar de entrevista coletiva nesta terça-feira para o anúncio de medidas econômicas. Um interlocutor do presidente disse que a decisão pela saída de Jucá do Ministério do Planejamento na véspera da votação da nova meta fiscal foi “muito difícil”. A avaliação é que o governo não perde apenas um ministro, mas um dos melhores articuladores do Congresso. Este interlocutor comentou que, com a saída de Jucá, o Planalto perde todo o contexto das negociações em andamento com o Congresso sobre Orçamento o ajuste fiscal.
— É uma perda muito grande para Temer. Ele não perde um simples ministro, mas um negociador importante. Sua saída teve um impacto forte. Todos queriam que ele ficasse, mas a repercussão foi muito ruim.

POLÍTICA: Governo teme novas revelações de Sérgio Machado

ESTADAO.COM.BR
TÂNIA MONTEIRO E ERICH DECAT - O ESTADO DE S.PAULO

Pereocupação é de que outros integrantes da cúpula do PMDB sejam envolvidos; Temer tem 5 ministros alvo de inquéritos no STF

BRASÍLIA - A divulgação da gravação do diálogo do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a tentativa de barrar a Operação Lava Jato, criou a primeira grande crise interna do governo interino de Michel Temer. Junto com o áudio, veio outra preocupação com a extensão do que mais poderia existir e que outras pessoas da cúpula do PMDB, com e sem ligações fortes com o Planalto, poderiam ser atingidas com as conversas.
Interlocutores diretos de Temer afirmam que ele não tem nenhuma preocupação pessoal, mas que a mesma segurança não existe em relação a outros auxiliares. Caso haja novos problemas a solução tende a ser a mesma: afastamento imediato.
Com a saída de Jucá, Temer agora tem cinco ministros com investigações em curso no Supremo Tribunal Federal. Ele questionou todos, quando foram convidados, se teriam alguma pendência judicial. A resposta de Jucá foi absolutamente tranquilizadora, assim como dos demais, segundo interlocutores. Temer, então, avisou a cada um e repetiu isso, na primeira reunião ministerial, de que não aceitará qualquer tipo de desvio de ordem moral. Reiterou ainda que, se houvesse problemas, o titular da pasta seria afastado.
O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado 

Um dos casos que preocupam, por exemplo, é o de Henrique Eduardo Alves (Turismo). A casa dele foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro do ano passado em uma das fases da Lava Jato.
Apesar de lamentar a perda de uma peça fundamental do seu governo, considerado um hábil operador político que seria de importante neste momento de articulação para a aprovação de medidas no Congresso, Temer e seus auxiliares respiraram aliviados com a decisão de Jucá de se afastar do cargo. O ministro comunicou sua decisão a Temer assim que ele chegou ao Congresso para se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Bastidor. Na manhã de ontem, Jucá foi ao Jaburu, explicou a Temer que, se a gravação saísse integral, todos veriam que não haveria problemas. Pediu ainda que o presidente permitisse que ele se explicasse publicamente, o que foi feito em uma coletiva, no início da tarde. Mas o estrago já estava feito e o governo precisava agir rápido. Temer informou que a defesa da Operação Lava Jato é ponto de honra para ele, assim como o combate à corrupção. Jucá ponderou que, da forma como estava sendo apresentada a gravação, todos ficavam em único balaio e que ele queria mostrar que, quem deve, precisa pagar, mas quem não deve precisava se defender. O ministro salientava ainda que queria se explicar e que, depois, então, Temer decidiria. O presidente disse que iria avaliar. “Vamos esperar o decorrer do dia”, afirmou Temer a seus interlocutores, já tendo certeza de que manter um ministro sob investigação e sob tiroteio, em um momento em que seu governo precisa de mostrar força no Congresso para aprovação de medidas econômicas, seria muito prejudicial.
A avaliação era de que a permanência de Jucá no posto contaminaria o governo Temer e a sua busca por credibilidade, por causa do seu discurso de posse, quando defendeu a Lava Jato.
Caciques. A preocupação no PMDB é grande. O entendimento é de que Machado, para se livrar das acusações das quais é alvo na Lava Jato, entregou caciques do partido como o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão (PMDB-MA) e Jader Barbalho (PMDB-PA). Segundo relatos, Machado, que tem relação com o grupo há pelo menos 20 anos, chegou a tentar a realizar um encontro com Jader em São Paulo, que só não foi possível em razão de o senador, na ocasião, estar internado no Hospital Sírio Libanês. Apesar de não ter conseguido falar com Jader, integrantes da cúpula do Senado têm como certo que Renan e Sarney não escaparam das gravações.
O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça Federal no Paraná que recebeu R$ 500 mil de Machado – o dinheiro é suspeito de ser proveniente do esquema de corrupção.

CASO PETROBRAS: Em nova fase, Lava Jato volta a citar Dirceu e investiga desvios de R$ 40 mi

FOLHA.COM
BELA MEGALE
RENAN MARRA
DE SÃO PAULO

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (24) a 30ª fase da Operação Lava Jato. A ação ocorre nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo e cumpre dois mandados de prisão preventiva, além de nove de condução coercitiva – sendo dois contra funcionários da Petrobras – e 28 de busca e apreensão.
O ex-ministro José Dirceu e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque voltaram a ser citados na operação. Ambos já foram condenados pela Lava Jato.
Na semana passada, o juiz Sergio Moro condenou Dirceu a 23 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e organização criminosa pela participação no esquema de contratos superfaturados da construtora Engevix com a Petrobras.
Duque foi condenado em duas ações e suas penas totalizam 50 anos, 11 meses e dez dias de prisão.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a fase investiga possíveis pagamentos de uma quantia superior a R$ 40 milhões em propina a partir de contratos supostamente fraudulentos da Petrobras com fornecedoras de tubos, que ocorreram entre 2009 e 2013. O valor total do contrato das fornecedoras com a estatal chega a R$ 5 bilhões.
Três grupos de empresas são investigados por terem, segundo a PF, utilizado operadores e contratos fictícios de prestação de serviços para repassar, notadamente, à Diretoria de Serviços e Engenharia e Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Também estão sendo investigados pagamentos da diretoria internacional da estatal a um executivo da empresa que atuou na aquisição de navios-sonda.
Pedro Ladeira - 4.nov.2014/Folhapress

VÍCIO
A nova fase da Lava Jato, "Operação Vício", remete, segundo a PF, "à sistemática repetida e aparentemente dependente prática de corrupção por determinados funcionários da Petrobras e agentes políticos que aparentam não atuar de outra forma senão através de atos lesivos ao Estado".
Nesta etapa são investigados, dentre outros, crimes de corrupção, de organização criminosa e da lavagem de ativos.
Cerca de 50 policiais e dez servidores da Receita Federal participam da operação.
A ação ocorre um dia após o ministro do Planejamento, Romero Jucá, pedir licença do cargo depois de a Folha divulgar gravações em que ele sugere um pacto para deter a Operação Lava Jato.
Os presos e o material apreendido devem ser levados ainda nesta terça (24) para a PF em Curitiba.
29ª FASE
Nesta segunda (23), a PF deflagrou a 29ª fase da Lava Jato, batizada de "Repescagem". Principal alvo da operação, o ex-funcionário do PP João Claudio Genu foi preso preventivamente em Brasília.
Genu foi assessor do deputado José Janene, que morreu em 2010. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal em novembro de 2012) no escândalo do mensalão do PT por ter sacado R$ 1,1 milhão das empresas do publicitário Marcos Valério. Em 2014, após recurso, Genu foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro e teve a pena reduzida.
Segundo a PF, foram encontrados elementos que indicam a participação do investigado também com o esquema de corrupção na Petrobras.

DIREITO: STF - Presidente do STF determina aplicação do teto no cálculo de licença-prêmio

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, suspendeu decisão liminar da 5ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que havia determinado a não aplicação de redutor salarial, o chamado abate teto previsto na Emenda Constitucional (EC) 41/2003, a licenças prêmio – não usufruídas e convertidas em pecúnia – de um servidor aposentado.
A decisão questionada determinou que o diretor do Departamento de Pessoal da Fazenda do Estado de São Paulo não aplicasse o redutor salarial aos proventos do autor da ação judicial, no tocante às vantagens concernentes às licenças-prêmio não usufruídas e convertidas em pecúnia. Contra esse acórdão, o estado ajuizou, no STF, pedido de Suspensão de Liminar (SL 993), requerendo a suspensão da decisão, ao argumento de que o pagamento dos valores pecuniários, como determinado, causaria grave lesão à ordem e à economia públicas.
Para o ente federado, “o acolhimento da interpretação conferida pelo impetrante ao referido dispositivo legal implicaria afastar a aplicação do teto salarial à sua remuneração, na medida em que é o valor da própria remuneração do impetrante no mês anterior à sua aposentadoria que deve ser considerado como base de cálculo para o pagamento da indenização, por força de expressa disposição legal em vigor”.
EC 41/2003
Em sua decisão, o presidente do STF salientou que a controvérsia nos autos está em saber se o montante a ser pago a título de conversão em pecúnia das licenças-prêmio não gozadas por servidor público aposentado deve ser apurado com base no valor do teto remuneratório atualmente imposto, sem exceção, a todo o funcionalismo público estadual ou no valor bruto da remuneração a que fazia jus o impetrante antes do estabelecimento das limitações introduzidas pela EC 41/2003.
De acordo com o ministro, a jurisprudência do STF aponta no sentido de que “o teto de retribuição estabelecido pela Emenda Constitucional 41/03 possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, estados, Distrito Federal e municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime legal anterior”.
Ao conceder a liminar, o ministro disse que a grave lesão à ordem jurídico-constitucional ficou caracterizada na utilização, como parâmetro de valor de remuneração a ser levado em conta no cálculo de verba indenizatória, de montante superior ao limite remuneratório fixado no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, com a redação dada pela EC 41/2003. Corrobora esse entendimento, segundo o ministro, informação de que o Estado de São Paulo juntou aos autos prova de despesa vultosa com o pagamento tal como fixado no acórdão da 5ª Câmara de Direito Público do TJ-SP.

DIREITO: STJ - Prazos processuais ficam adiados no feriado de Corpus Christi

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) informa que não haverá expediente no dia 26 de maio (quinta-feira), em virtude do feriado de Corpus Christi.
O início e o término de prazos processuais que coincidam com esse dia ficam automaticamente prorrogados para 27 de maio (sexta-feira), quando o tribunal retoma suas atividades.
A determinação consta da Portaria 427, de 18 de maio de 2016, publicada no Diário da Justiça Eletrônico no dia 20 de maio.

DIREITO: STJ - Terceira Turma acolhe pedido de retificação de nome por dupla cidadania

Por maioria de votos, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu pedido de retificação de nome de brasileira, nacionalizada italiana, para que seu nome completo possa ser grafado de acordo com a lei estrangeira.
De acordo com a legislação italiana, os descendentes são registrados apenas com o nome paterno. Após a concessão da cidadania, então, a brasileira passou a ter documentos brasileiros e italianos com nomes diferentes.
Em razão de transtornos e dificuldades para exercer sua dupla cidadania, a brasileira moveu ação de retificação de nome para uniformizar os registros. O relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, votou pelo não acolhimento do pedido.
Noronha destacou a “impossibilidade da alteração do nome civil em virtude da aquisição da dupla nacionalidade, face a prevalência da lei nacional em detrimento à lei alienígena, prestigiando, assim, o princípio da imutabilidade do nome”.
Transtornos desnecessários
A maioria do colegiado, entretanto, acompanhou entendimento divergente apresentado pelo ministro Paulo de Tarso Sanseverino. Em seu voto, o ministro destacou não se tratar de divergência quanto à prevalência da legislação nacional em detrimento da italiana, mas de reconhecer os transtornos causados pelas documentações distintas.
“Divirjo apenas no ponto relativo a imutabilidade do nome civil, no presente caso, por entender justo o motivo de uniformização dos registros da requerente”, disse Sanseverino. Para ele, a apresentação de documentos contendo informações destoantes, além de dificultar a realização de atos da vida civil, também gera transtornos e aborrecimentos desnecessários.
O ministro acrescentou que o nome anterior não deve ser suprimido dos assentamentos no cartório, devendo proceder-se apenas à averbação. Para o magistrado, a medida visa a garantir a segurança jurídica, preservando os negócios jurídicos que porventura tenham sido feitos anteriormente no nome da requerente que foi alterado.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s): REsp 1310088

segunda-feira, 23 de maio de 2016

ECONOMIA: Governo suspende novas vagas do Pronatec, Prouni e Fies

UOL
Em Brasília

Uma das vitrines da área social da gestão petista, programas de incentivo à educação e à profissionalização - como Pronatec, Prouni e Fies - não devem abrir novas vagas neste ano. São efeitos imediatos das medidas de contingenciamento previstas para o Ministério da Educação na gestão do presidente em exercício Michel Temer. A revisão é parte do que no novo governo se chama de "herança maldita" da administração da presidente afastada Dilma Rousseff.
Apesar de em alguns períodos da era petista ser comandada por ministros de outros partidos, o Ministério da Educação sempre foi controlado pelo PT. Dentre os titulares que estiveram à frente da área estão os petistas Tarso Genro, Aloizio Mercadante e o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Interlocutores do novo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), disseram ao jornal O Estado de S. Paulo que ele pretende honrar até o fim as vagas que já foram contratadas, mas a perspectiva de abrir novas inscrições é apenas para o ano que vem - com otimismo, para os últimos meses de 2016. O novo governo assumiu o compromisso de dar continuidade aos programas educativos iniciados ou fortalecidos na Era PT, mas considera que tem um desafio ao que afirma ser um dos legados deixados por seus antecessores: o orçamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) já estaria zerado para este ano, a mais de sete meses do fim.
A decisão de abrir ou não novas vagas - e, se sim, quantas - para Pronatec, Fies e Prouni depende exclusivamente de um balanço financeiro que deverá ser realizado pelo ministro. Novos gestores do MEC têm afirmado que a pasta tem "musculatura" para administrar grandes projetos, mas esse potencial estaria sendo mal aproveitado.
Um dos pilares do slogan Pátria Educadora, escolhido para o segundo mandato de Dilma, é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), em que o governo financia o estudo de alunos de baixa renda em universidades particulares, "emprestando" dinheiro que, após a formatura, é devolvido pelos beneficiados.
Em 2015, 2 milhões de estudantes estavam matriculados em instituições privadas graças ao programa, no qual foram investidos R$ 17,8 bilhões.
Um ponto, contudo, preocupa o ministro, conforme seus interlocutores: a taxa bancária anual que o MEC paga às instituições para a administração do programa, hoje na casa do R$ 1,3 bilhão. Mendonça Filho não estaria disposto a manter esse gasto para o ano que vem - e tem dito aos colegas que pretende "renegociar" o valor, com a intenção de reverter parte dele para outros programas em 2017.
Bolsas
Outra crítica que os funcionários ouvem do ministro é uma suposta "desorganização e pulverização" dos sistemas de bolsas oferecidas a estudantes socialmente vulneráveis. Mendonça, de acordo com eles, gostaria de unificar os critérios de seleção para as bolsas e, no caso do Programa Universidade Para Todos (Prouni) - menina dos olhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, intensificar o que chama de premissa da meritocracia. Ou seja: para o ministro, a contrapartida do estudante que recebe dinheiro público para estudar deve ser "apresentar resultados". Hoje, o Prouni exige apenas que o bolsista tenha aproveitamento mínimo de 75% das disciplinas cursadas no semestre.
Mais Médicos
Na área da saúde, o programa Mais Médicos, lançado por Dilma Rousseff, também deverá cada vez mais reduzir o número de médicos estrangeiros contratados. Assim que assumiu o posto de ministro da Saúde, o deputado federal Ricardo Barros (PP) já tinha uma ideia em mente: reduzir a participação de profissionais estrangeiros no Programa Mais Médicos. De olho numa aproximação com entidades de classe, Barros avisou que deverá dar prioridade para profissionais formados no Brasil.
As mudanças, no entanto, somente terão início a partir do próximo ano, depois das eleições municipais. Isso porque Barros não quer se indispor com prefeitos. Médicos estrangeiros - sobretudo cubanos - são campeões de aprovação dos administradores municipais.
Há vários motivos para isso: eles estão sempre presentes, o grau de abandono dos cargos é baixo e, principalmente, não fazem sombra no campo político aos administradores locais.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

POLÍTICA: Temer é aconselhado a afastar Jucá após gravações sobre Lava Jato

FOLHA.COM
VALDO CRUZ
GUSTAVO URIBE
MARINA DIAS
DE BRASÍLIA

Pedro Ladeira - 5.abr.16/Folhapress 
Romero Jucá (PMDB-RR), senador licenciado e ministro do Planejamento, em fala no Senado Federal

O presidente interino, Michel Temer, está sendo aconselhado por sua equipe que a melhor saída é o afastamento temporário do ministro Romero Jucá (Planejamento) do governo depois que foi divulgada gravação em que ele sugere um pacto para deter a Operação Lava Jato.
Segundo a Folha apurou, a tendência é o ministro Romero Jucá, ainda hoje, depois de dar entrevista à imprensa, pedir seu afastamento do governo para se defender. A única hipótese de ele ficar no posto é se as explicações do ministro forem capazes de afastar qualquer crise no governo, o que é considerado difícil por sua equipe.
À Folha o presidente Michel Temer disse que tomará uma decisão entre esta segunda (23) e esta terça (24), mas reafirma seu "compromisso com as investigações da Operação Lava Jato, que fez um bem ao país", acrescentando que, se "houver embaraços pela frente, eles serão retirados".
"Quero destacar a importância da Lava Jato, um movimento que surgiu das ruas e as ruas precisam ser prestigiadas", afirmou o presidente interino à reportagem.
"Se houver embaraços pela frente, estes embaraços serão retirados", acrescentou Temer. Segundo o presidente, ficou "estabelecido que ele [Jucá] vai dar as explicações" e que ele irá "avaliar hoje à noite, amanhã de manhã", o que fará. Com isto, o peemedebista quer dar espaço para seu ministro se explicar.
Com a ressaca da divulgação de áudio em que Romero Jucá fala em pacto para deter o avanço da Operação Lava Jato, o governo Michel Temer começou a avaliar desde a noite de domingo (22) os impactos de uma eventual saída do cargo do ministro do Planejamento.
A avaliação de governistas e aliados é que o episódio passa uma "péssima imagem de partida" da gestão interina e afeta discurso do presidente em exercício de que deixará a Operação Lava Jato transcorrer normalmente.
Na tentativa de solucionar a primeira crise do novo governo, o presidente interino se reuniu nesta manhã com os ministros Jucá e Eliseu Padilha (Casa Civil) e com o assessor especial Moreira Franco.
Em conversas ocorridas em março passado, e reveladas pela Folha, o ministro sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

POLÍTICA: Temer fala sobre situação de Jucá

OGLOBO.COM.BR
EXCLUSIVO - POR JORGE BASTOS MORENO

Pablo Jacob | Agência O Globo

URGENTE: Acabo de falar com o presidente Michel Temer, que me disse que vai esperar a coletiva de Jucá para poder se posicionar sobre a gravação.
--- E se as explicações não forem convicentes, o senhor vai demití-lo?
--- Acredito que ele próprio o fará.
Temer reafirmou seu compromisso com a independência da Lava-Jato, dentro dos valores que tem pela moral pública e lembrou que a queda do governo ao qual sucedeu ocorreu justamente por isso.
Informou ter conversado mais cedo com Jucá, quando este lhe informou da coletiva.
-- É preciso dar ao ministro Jucá o direito de defesa. E é o que ele pretende fazer nessa coletiva. Vamos aguardar o desdobramento disso durante o dia --- disse.

POLÍTICA: Líder do DEM na Câmara pede renúncia de Jucá

BAND.COM.BR
Da Redação com BandNews FM

Pauderney Avelino diz que senador não pode continuar no governo

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino, pediu a renúncia do ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), que foi gravadosugerindo um pacto para barrar a Operação Lava Jato.
O democrata afirmou que o senador licenciado deveria deixar a Esplanada para se defender das acusações de que tentou paralisar a Operação Lava Jato. 
"Acho que ele poderia dar uma demonstração e sair do governo, para que ele possa se explicar. É uma situação muito complicada a manutenção dele no governo", disse Pauderney em entrevista à BandNews FM. 
Caso renuncie ao posto de ministro, o peemedebista voltaria para o Senado.
A divulgação do áudio de Jucá, que responde a quatro inquéritos por corrupção no STF, causou constrangimento em aliados do governo Michel Temer. 
Segundo a colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, os outros ministros viam a nomeação de Jucá como um ponto fraco no governo interino – o próprio Temer tinha medo de que o ato de dar uma pasta ao senador fosse interpretado como uma tentativa de bloquear a Lava Jato.
A cúpula peemedebista, porém, tinha a esperança de “estancar a sangria” com o afastamento de Dilma Rousseff, deixando a operação focada no PT, com respingos no PMDB.

POLÍTICA: Jucá diz que não se referia à Lava Jato em trechos de conversa divulgados por jornal

ESTADAO.COM.BR
O ESTADO DE S.PAULO

Quando falou em "estancar sangria", ministro do Planejamento afirmou à rádio CBN que falava sobre a crise econômica; peemedebista voltou a afirmar que defende as investigações da Operação Lava Jato

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, negou que tentou interferir para deter as investigações da Operação Lava Jato junto ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado . Nesta segunda-feira, 23, o jornal Folha de S. Paulo divulgou uma conversa em que Jucá sugere a existência de um pacto para obstruir a operação, dizendo que é preciso "estancar sangria". "Não me referia à Lava Jato. Falava sobre a economia do país e entendia que o governo Dilma tinha se exaurido. Entendia que o governo Temer teria condição de construir outro eixo na política econômica e social para o país mudar de pauta", disse Jucá em entrevista à rádio CBN, nesta manhã.
O peemedebista confirmou que esteve com Machado, pessoalmente em sua casa e no seu gabinete, e classificou os trechos da conversa divulgada como "frases pinçadas". "Eu defendo e o Michel (Temer) também que haja aceleração da investigação para delimitar quem é culpado e quem não é culpado, quais são os crimes, quais políticos envolvidos ou não, porque hoje, ao ser mencionado alguém, parece que todo mundo tem o mesmo tipo de envolvimento, mas não é verdade. O Ministério Público, quando diz que é citado, coloca uma nuvem negra", falou Jucá.
O ministro também disse defender o trabalho do juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação em primeira instância, em Curitiba, mas disse que o magistrado tem atitudes "duras". Na conversa com Machado, Jucá classifica Moro como "Torre de Londres", local na Inglaterra onde ocorriam execuções e torturas. "Acho que em alguns momentos ele age com dureza, que tem criado esse tipo de pressão e às vezes envolvem pessoas que têm nada a ver e são mencionadas", falou se referindo às delações premiadas. 
Na conversa divulgada pelo jornal, Machado pede apoio para que as ações que tramitam contra ele no STF, em Brasília, não fossem enviadas para a vara do juiz Sérgio Moro, em Curitiba. "Eu acho que a gente precisa articular uma ação política", disse Jucá em um dos trechos.
Segundo o ministro, que é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, ele tem todo o interesse que o Ministério Público faça as investigações de forma mais rápida possível. "Quero investigação, tenho cobrado rapidez. Não me sinto confortável em ser citado como investigado. Perpetua essa nuvem sombria sobre a classe política".
STF. Jucá também negou ter falado com ministros do STF. "Tenho conversado sobre realidade econômica do País, construir saídas para o Pais crescer. Supremo tem papel importante para julgar rapidamente as investigações"
Aécio. Na conversa, Machado fala sobre o "esquema do Aécio" citado. Jucá afirmou que o ex-dirigente da Transpetro citava a articulação que ajudou eleger o senador do PSDB como presidente da Câmara.
Defesa. De acordo com o advogado de Jucá, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, a conversa entre Jucá e Machado foi "totalmente republicana". Ele alega que o peemedebista jamais teve a intenção de interferir nas investigações sobre o esquema de corrupção em contratos da Petrobrás. Segundo Kakay, "juridicamente" não há "nenhuma gravidade. Em 1h15 de conversa, aquilo é o que virou notícia? Isso não nos preocupa em nada", disse. / COLABOROU ISADORA PERÓN

CASO PETROBRAS: Polícia Federal deflagra 29ª fase da Lava-Jato nesta segunda-feira

OGLOBO.COM.BR
POR RENATO ONOFRE

Mandados são cumpridos em Brasília, Pernambuco e Rio; ex-tesoureiro do PP é preso

O ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, durante depoimento na CPI do Mensalão em 2005 - Ailton de Freitas / Agência O Globo

SÃO PAULO - A Polícia Federal deflagra na manhã desta segunda-feira a 29ª etapa da Operação Lava-Jato. Agentes cumprem mandados em Brasília, Recife e Rio de Janeiro. A nova fase, batizada de “Repescagem”, mira o ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, que teve a prisão preventiva decretada. Ainda estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária.
Genu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, em 2012, mas a punição prescreveu durante a fase de recursos. As investigações da força tarefa da Lava-Jato apontam que o ex-tesoureiro recebeu propina no esquema de corrupção da Petrobras. Os mandados de prisões temporárias foram expedidos contra Lucas Amorim Alves e Humberto do Amaral Carrilho, que não foi localizado. Os presos e o material apreendido devem ser levados ainda hoje para a PF em Curitiba.
O ex-tesoureiro do PP era um dos principais assessores do ex-deputado federal José Janene, apontado nas investigações da Lava-Jato como um dos mentores do esquema. Janene foi o responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobras. Em delação, Costa revelou os detalhes do esquema que abasteceu campanhas políticas do PT, PMDB e PP.
No mensalão, o ex-assessor sacou a propina em espécie das contas da empresa SMP&B Comunicação Ltda., controlada pelo ex-publicitário Marcos Valério — um dos operadores daquele esquema —, para entregar a parlamentares federais do PP. Na ocasião, foi condenado no julgamento pelo Plenário do STF por corrupção e lavagem, mas houve prescrição quanto à corrupção e lavagem. Ele foi posteriormente absolvido no julgamento dos sucessivos embargos infringentes sob o argumento de atipicidade.
“Surgiram, porém, elementos probatórios que apontam a sua participação também no esquema criminoso que vitimou a Petrobras, motivo pelo qual passou a ser investigado novamente na Operação Lava-Jato, onde as investigações apontam que ele continuou recebendo repasses mensais de propinas, mesmo durante o julgamento do Mensalão e após ter sido condenado, repasses que ocorreram pelo menos até o ano de 2013”, diz nota enviada pela PF na manhã desta segunda.
GENU ERA O OPERADOR POLÍTICO DO PP
Delações na Lava-Jato apontam Genu como um dos operadores políticos no esquema. O ex-assessor do PP foi citado pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. De acordo com os depoimento de Youssef, Genu operava uma "pequena parte" do esquema, por meio de um broker em um escritório de Niterói, no Rio de Janeiro.
Youssef afirmou também que, na divisão dos valores recebidos na Diretoria de Abastecimento, ele ficava apenas com 5% dos valores. O ex-diretor Paulo Roberto Costa ficava com 30%, 5% iam para Genu e outros 60% para o PP. Youssef afirmou que R$ 13 milhões foram entregues ao PP, a Genu e a Costa entre 2010 e 2011.
De acordo com os delatores, Genu tinha uma atuação relevante no esquema, arrecadando e distribuindo propina, e participava de reuniões sobre a engenharia criminosa antes e depois da morte do deputado. Os encontros com Youssef teriam acontecido até 2013.
O entregador de Youssef, Rafael Angulo contou em delação ter feito repasses em dinheiro para Genu no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. As entregas variavam de R$ 5 mil a R$ 200 mil. Em um dos episódios, Angulo afirmou que chegou a um dos destinos com o dinheiro grudado ao corpo e que Genu foi buscá-lo no aeroporto. De acordo com o relato, o ex-assessor estava no banco da frente do carro e Angulo sentou atrás, tirando o dinheiro discretamente e colocando em uma pasta que já estava no local.
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