quinta-feira, 3 de setembro de 2015

POLÍTICA: Oposição lançará movimento pró-impeachment na Câmara

ESTADAO.COM.BR
DANIEL CARVALHO - O ESTADO DE S. PAULO

Grupo contará com deputados de PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, PSC e até PMDB, e produzirá um site e material gráfico com defesa de afastamento da presidente Dilma Rousseff

BRASÍLIA – Partidos da oposição e até integrantes da base aliada pretendem lançar na próxima semana um movimento pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.
O grupo contará com deputados de PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, PSC e até PMDB, que integra a base de sustentação do governo. A ideia inicial era montar uma frente parlamentar. No entanto, como isso exige assinaturas, os parlamentares preferiram criar um movimento para preservar quem não quer se expor e para evitar cooptação de membros por parte do governo.

Câmara dos Deputados

A ideia amadureceu em encontro realizado na semana passada na casa do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e o martelo foi batido nesta quinta-feira, 3. Um integrante do PSDB disse que o movimento terá site e produzirá material gráfico. A intenção é criar um canal de diálogo mais amplo com os movimentos de rua que defendem a saída da presidente Dilma.
Os integrantes do movimento ainda não sabem qual será o embasamento jurídico que utilizarão, mas já há conversas com o jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, que apresentou pedido de impeachment à Câmara nesta semana.
Na peça apresentada, Bicudo cita as “pedaladas fiscais”, a Operação Lava Jato e a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás para afirmar que Dilma cometeu crime de responsabilidade. O jurista também lembra que o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, solicitou à Procuradoria-Geral da República apuração sobre eventuais crimes eleitorais.

COMENTÁRIO: Preço do dólar é consequência do clima geral da economia

POR MÍRIAM LEITÃO - OGLOBO.COM.BR

O dólar sobe como consequência do clima geral, de incertezas. O problema não está no mercado de câmbio. O risco do Brasil cresceu. Há insegurança sobre os rumos da economia, com as divergências dentro do governo. A fragilidade fiscal está mais explícita. Os fatos mostram que o ministro Joaquim Levy precisa ser prestigiado.
A alta da moeda americana tem efeitos concretos. Os produtos importados ficam mais caros e afetam a inflação. O único ponto positivo do PIB do segundo trimestre, as exportações também sofrem. Havia a esperança do governo que a recuperação viesse do comércio exterior. Mas, com o câmbio volátil, os contratos de vendas são postergados. Os exportadores esperam para ver até onde vai a cotação.
O Banco Central manteve os juros em 14,25%. Mas o mercado futuro vê o cenário deteriorado e negocia a taxa em torno de 15%. A insegurança em relação ao país também está refletida no seguro contra o risco do país. O CDS brasileiro, na máxima desde 2009, ultrapassou o da Rússia.
Qualquer instituição que tenha comprado papéis da dívida brasileira e precisa do CDS para se defender dos riscos locais, está gastando mais do que se estivesse aplicando no país presidido por Vladimir Puttin, que não tem nada de democrata. É muito ruim estar pior que a Rússia, um país em guerra, com pouca liberdade, em recessão e com inflação perto de 15%.
A proposta de Orçamento deficitário de 2016 diminuiu a confiança no país. Mostrou que o problema das contas não foi solucionado e que Levy está enfraquecido. Entregar uma peça orçamentária com rombo é contra tudo o que ele sempre defendeu; os relatos de dentro do governo contam que ele foi contra. O ministro do Planejamento Nelson Barbosa, que entrevistei nesta quinta-feira, negou o problema. Disse que o Orçamento deficitário foi feito por toda a equipe.
Levy foi para o governo, no começo desse mandato, com a intenção de melhorar os indicadores fiscais e dar realismo aos dados do governo, após o déficit primário de 2014. A arrecadação, é verdade, está em queda por causa da recessão. Mas a impressão é que o governo não faz o suficiente para equilibrar suas contas.
Outro evento que agravou o evento nos últimos dias foi a sugestão de recriar a CPMF. O governo recuou após a reação dos contribuintes. Mas não desistiu. Essa ideia mostra um governo perdido, que não sabe como resolver o problema das contas.
Explícita, a fragilidade fiscal do país cria especulação sobre os cenários possíveis. Enquanto não houver clareza, o dólar e outros ativos continuarão a ser afetados. É a consequência.

POLÍTICA: PT quer sair do barco

POR MERVAL PEREIRA - OGLOBO.COM.BR

Até o PT está querendo sair do barco. Está convocando uma reunião em Belo Horizonte para defender uma nova política econômica. O presidente do PT, Rui Falcão, convocou todos os movimento sociais. O que significa voltar à “nova matriz econômica”, ou seja, gastar à vontade. O chamado para a reunião fala em "criticar e fazer ações de massa contra todas as ações da política econômica e do ajuste fiscal que retire o direito dos trabalhadores e impeça o desenvolvimento com distribuição de renda". A presidente Dilma está mais sozinha do que se imaginava. Não tem nem mais o PT.

COMENTÁRIO: Temer quer ser o novo Itamar

Por ROGÉRIO GENTILE - FOLHA.COM

SÃO PAULO - Dilma Rousseff precisa começar a governar neste segundo mandato, sob o risco de em breve não ter mais condições políticas de o fazer, se é que ainda tem.
Não é à toa que um empresário do porte de Abílio Diniz diz publicamente que "o Brasil precisa trancar FHC, Lula e Temer numa sala para resolver a crise política" e deixa a atual mandatária do lado de fora.
Os seus últimos atos foram de um amadorismo quase que obsceno, inimagináveis para uma presidente e para um partido que estão há tanto tempo no poder.
Primeiro, Dilma anunciou uma reforma ministerial sem definir quais pastas vão sumir e, principalmente, como ficará a configuração de forças na Esplanada. Simplesmente jogou a informação no ar e tchau, agravando um clima que há tempos já é de pega pra capar na base aliada.
Depois, lançou uma CPMF sem combinar com ninguém, como se fosse possível aprovar uma medida impopular desse tipo apenas por vontade pessoal. Com 71% de rejeição na opinião pública, Dilma teve de recuar em três dias. Em 1996, para comparação, o tributo foi criado em meio a uma grande batalha no Congresso por um governo FHC que tinha, à época, reprovação de apenas 25%, e contava com o empenho e o prestígio de Adib Jatene.
Por fim, sem a CPMF e sem saber como fazer para fechar as contas, Dilma tentou transferir o problema do Orçamento para o Congresso. Resolvam aí esse pepino, disse, na prática, para Eduardo Cunha e companhia, aumentando ainda mais a desconfiança sobre a capacidade deste governo de conduzir a economia brasileira. Ouviu um sonoro não, claro.
O dado novo é que, enquanto Dilma abusa do direito de errar, os profissionais do PMDB, que há décadas alinham-se a todo e a qualquer governo, não estão lá mais para ajudá-la. A bem da verdade, começaram a jogar contra, pois Temer convenceu-se de que há uma grande chance de virar um novo Itamar Franco.

CASO PETROBRAS: Eu depositava oficialmente numa conta do PT, diz delator sobre propina

ESTADAO.COM.BR
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
REDAÇÃO

Ricardo Pessoa, dono da UTC, declarou à Justiça Federal que Renato Duque, então diretor de Serviços da Petrobrás, lhe pediu ‘contribuições políticas’ para o partido; ele depôs como testemunha no processo contra executivos da Odebrecht
Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

O dono da UTC Engenharia Ricardo Pessoa afirmou em depoimento na quarta-feira, 2, na Justiça Federal em Curitiba, que o ex-diretor de Serviços Renato Duque o encaminhava ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari para pagamento de propina. O delator afirmou que fez depósitos oficiais em contas do partido. Pessoa é um dos principais delatores da Lava Jato e ainda não teve sua delação premiada tornada pública.
Este foi o primeiro depoimento público do delator. Ricardo Pessoa, no entanto, não aparece nas imagens da audiência na Justiça Federal. Desde o início dos processos da Lava Jato, os depoimentos são gravados em vídeo e áudio. A defesa de Ricardo Pessoa pediu para que seu rosto não fosse mostrado. Durante a audiência, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, instruiu o delator para que ele não citasse políticos com foro privilegiado durante o depoimento.
Pessoa disse que seu primeiro contato na Diretoria de Serviços da Petrobrás foi Pedro Barusco, então gerente de Engenharia e braço-direito de Renato Duque. “Depois, o próprio Duque me procurou e começou a dizer que eu tinha que fazer contribuições políticas que essas contribuições teriam que ir através do Vaccari.”
O juiz Sérgio Moro perguntou “Essas contribuições eram como parte do acerto de propina?”.
“Sim, como parte, mais claro impossível”, respondeu o empreiteiro. “Eu depositava oficialmente numa conta do Partido dos Trabalhadores.”
O juiz insistiu. “Essa contribuição vinha do acerto de propinas para a Diretoria de Serviços?”
O empreiteiro respondeu. “Sim, para mim eu estava pagando a Vaccari, a mesma coisa.”
O delator falou à Justiça como testemunha de acusação no processo em que são réus o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos ligados ao grupo.
Presidente da UTC Engenharia, ele é apontado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal como o presidente do ‘clube vip’ das empreiteiras que se apossaram de contratos bilionários da Petrobrás entre 2004 e 2014. Questionado pelo Ministério Público Federal se havia feito pagamento de propina a funcionários da estatal, o delator confirmou.
“Sim. Eu paguei para o Pedro Barusco (ex-gerente executivo da Petrobrás). Renato Duque sempre me encaminhou para o senhor João Vaccari. Eu nunca dei propina na mão dos senhor Renato Duque. Era sempre encaminhado o assunto para o senhor João Vaccari”, afirmou Ricardo Pessoa.
Vaccari. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

PT, PMDB e PP são suspeitos de lotear diretorias da Petrobrás para arrecadar entre 1% e 3% de propina em grandes contratos, mediante fraudes em licitações e conluio de agentes públicos com empreiteiras organizadas em cartel. O esquema instalado na estatal foi desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.
Ricardo Pessoa contou que os valores-base para pagamento de propina era de 1% para a Diretoria de Serviços, comandada por Duque, e para a Diretoria de Abastecimento, liderada por Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato. “A referência inicial era para a Diretoria de Serviços 1%, para a Diretoria de Abastecimento 1%. Mas isso era só referência. Caberia a negociação depois de cada um. Eu, por exemplo sempre negociei o máximo que eu pude.”
Pessoa foi preso em novembro de 2014, na Operação Juízo Final, etapa da Lava Jato que derrubou o braço empresarial do esquema de propinas na estatal. O delator foi para regime domiciliar em março deste ano.

ECONOMIA: Joaquim Levy cancela viagem para a Turquia e vai conversar com a presidente Dilma

OGLOBO.COM.BR
POR MARTHA BECK

Ministro da Fazenda foi chamado para uma reunião no Planalto
Joaquim Levy e Nelson Barbosa - André Coelho/31-08-2015 / O Globo

BRASÍLIA - Em meio a rumores de que está enfraquecido e poderia deixar o governo em breve, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, cancelou a viagem que faria para a Turquia nesta quinta-feira para participar de reunião do G-20. Levy foi chamado pela presidente Dilma Rousseff para uma conversa no Palácio do Planalto, da qual também deve participar o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.
Vencido no debate sobre a elaboração da proposta orçamentária de 2016, que acabou sendo enviada ao Congresso com previsão de déficit nas contas públicas, o ministro tem demonstrado insatisfação com a condução da política econômica. Ele defendia que o Orçamento fosse encaminhado ao Legislativo garantindo a realização de uma meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). No entanto, o Ministério do Planejamento avaliou que não haveria margem para cortes mais profundos de despesas que pudessem ser feitos para assegurar esse resultado.
Para evitar o déficit, a presidente Dilma chegou a considerar a possibilidade de encaminhar junto com o Orçamento uma proposta emenda constitucional (PEC) recriando a CPMF, o que daria um reforço de mais de R$ 60 bilhões ao governo federal. No entanto, ela foi rejeitada por governadores e pelo Congresso e o Palácio do Planalto decidiu recuar.
Depois da Turquia, a agenda do ministro previa sua ida para a Espanha, onde participaria de um seminário do jornal "El País" sobre infraestrutura, e depois para a França, onde deveria participar de reunião da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, as agendas do ministro na Espanha e na França estão mantidas por enquanto.

ECONOMIA: Após bater R$ 3,80, dólar opera estável, perto de R$ 3,76; Bolsa sobe

UOL

O dólar comercial operava quase estável nesta quinta-feira (3). Mais cedo, a moeda subia e chegou a ser negociada na casa dos R$ 3,80 pela primeira vez desde dezembro de 2002. Por volta das 14h45, o dólar tinha leve queda de 0,07%, a R$ 3,757 na venda. No mesmo momento, o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) avançava 1,2%, a 47.021,59 pontos.(Com Reuters)

GESTÃO: Ministro do Planejamento sugere a Dilma corte de 15 ministérios

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OGLOBO.COM.BR
POR GERALDA DOCA E SIMONE IGLESIAS

Presidente, no entanto, resiste à alternativa; ela orientou Nelson Barbosa a reduzir cargos comissionados


BRASÍLIA — presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro Nelson Barbosa que amplie o corte de cargos comissionados. No anúncio feito na semana passada, seriam apenas mil dos 22 mil que ocupam a Esplanada. A presidente resiste, no entanto, a reduzir mais ministérios. Ainda está em dez o corte, sendo cinco apenas perda de status. O Planejamento apresentou estudo com corte de 15 pastas, entre elas a incorporação do Desenvolvimento Agrário à Agricultura ou ao Desenvolvimento Social, e a extinção do Turismo. Mas Dilma quer evitar mexer com a base social que ainda tem ao seu lado, evitando perder o MST.
Paralelamente aos cortes, a presidente voltou a falar com seus assessores sobre a importância de ter o apoio do PMDB, que poderá ser compensado na reforma ministerial. Com isso, Dilma pretende “reinaugurar” as relações com os peemedebistas, deterioradas com a saída de Michel Temer e Eliseu Padilha da articulação política. Só que as mudanças não serão fáceis. Integrantes do Ministério do Planejamento já defendem que as secretarias de Aviação Civil e de Portos sejam mantidas com status de ministério.
O argumento usado é que essas pastas, criadas no primeiro mandato de Dilma, ainda não terminaram a sua missão. No caso da Aviação Civil, por exemplo, é preciso concluir o marco regulatório do setor (dos aeroportos regionais), definir a situação da Infraero e modernizar o Código Brasileiro de Aeronáutica. Em relação a Portos, estão pendentes uma definição sobre as companhias Docas e questões relativas à cabotagem e à praticagem (serviço de auxílio à navegação).
— No Ministério dos Transportes, que sempre foi voltado para rodovias e ferrovias, aeroportos e portos ficarão em segundo plano — avaliou um técnico do Planejamento.
FUSÃO DE PREVIDÊNCIA E TRABALHO EM ESTUDO
De acordo com esse grupo, a fusão entre os Ministérios da Previdência e do Trabalho também pode ocorrer. Além disso, Turismo e Micro e Pequenas Empresas deverão migrar para o Ministério do Desenvolvimento, e a pasta da Cultura poderia voltar a integrar o Ministério da Educação. Ainda tendem a perder o status de ministério os seguintes órgãos: Secretaria de Comunicação Social (Secom); Gabinete de Segurança Institucional (GSI); a Secretaria-Geral da Presidência da República; Direitos Humanos; Igualdade Racial e das Mulheres. Há, no entanto, fortes resistências do PT no caso destas duas últimas secretarias.
Cotados na lista inicial de cortes, o Banco Central (BC) e a Controladoria-Geral da União (CGU) também podem manter o status de ministério. No caso do BC, a avaliação é que a perda de título poderia ter impactos negativos no mercado. E, no caso da CGU, a manutenção do status seria pelas tarefas “pesadas”, como a participação nas investigações da Operação Lava-Jato.
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CASO PETROBRAS: Ricardo Pessoa vai pagar multa de R$ 51 milhões

ESTADAO.COM.BR
Por Mateus Coutinho, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
REDAÇÃO

Dono da UTC Engenharia afirmou, em delação, ter se encontrado sete vezes com o ex-presidente Lula e ter entregue R$ 2,4 milhões em dinheiro vivo para a campanha do petista em 2006; o empreiteiro admitiu não saber se Lula tinha conhecimento que o dinheiro era ilegal

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação Lava Jato, vai pagar multa de R$ 51 milhões. O valor consta do acordo assinado pelo empreiteiro com a Procuradoria-Geral da República em 13 de maio deste ano e anexado aos autos da Lava Jato nesta quinta-feira, 3.
Ricardo Pessoa é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. O empreiteiro afirmou, em sua delação, ter se encontrado sete vezes com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ter entregue R$ 2,4 milhões em dinheiro vivo para a campanha do petista em 2006, mas admitiu não saber se o ex-presidente tinha conhecimento que o dinheiro era ilegal.
Presidente da UTC Engenharia, ele é apontado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal como o presidente do ‘clube vip’ das empreiteiras que se apossaram de contratos bilionários da Petrobrás entre 2004 e 2014.
Pessoa foi preso em novembro de 2014, na Operação Juízo Final, etapa da Lava Jato que derrubou o braço empresarial do esquema de propinas na estatal.
O delator teve aproximadamente R$ 12 milhões bloqueados pela 13ª Vara Federal de Curitiba na época de sua prisão. Pelo acordo de delação, ficou estabelecido que deste total R$ 5 milhões seriam dados como pagamento da primeira parcela. O restante (R$ 7 milhões) seria liberado ao delator com a homologação da delação.
“O restante da multa compensatória, R$ 46 milhões será pago da seguinte forma: a) R$ 5 milhões no prazo de 150 dias a contar a partir da homologação do presente acordo; b) o saldo remanescente será pago a partir de janeiro de 2016, em 39 prestações consecutivas iguais e mensais no valor de R$ 1 milhões – e uma prestação, a de número 40, no valor de R$ 2 milhões”, diz o acordo.
Em garantia ao pagamento da multa e pena compensatória, Ricardo Pessoa deu dois bens: um lote em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, no valor de R$ 23 milhões, e uma aeronave Citation Sovereign, prefixo PP-UTC, avaliado em R$ 30 milhões.
Delação. Ricardo Pessoa fechou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral seis meses após sua prisão. Ele apontou pelo menos 18 políticos com foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal (STF) que teriam recebido propinas.
O delator já implicou ao menos 15 partidos, que segundo ele recebiam doações legais e também repasses ilegais “para abrir portas” no Congresso e ainda o filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o advogado Tiago Cedraz, que teria recebido repasses mensais da UTC para, segundo Pessoa, beneficiar a empresa em casos no âmbito da Corte de Contas.

ECONOMIA: Dólar sobe pelo 5º dia e atinge R$ 3,81 com preocupação sobre Levy e ajuste; Bovespa avança

OGLOBO.COM.BR
POR RENNAN SETTI

Em 12 meses, moeda americana acumula alta de mais de 70%
 
 - SeongJoon Cho / Bloomberg News

RIO - O dólar opera em alta pelo quinto dia consecutivo nesta quinta-feira, chegando a atingir a máxima de R$ 3,818 durante a primeira hora de negociação. Desde 10 de dezembro de 2002 a divisa não fecha acima de R$ 3,80. A moeda americana avança no momento 1,08%, cotada a R$ 3,801 para compra e a R$ 3,803 para venda. Em 12 meses, a divisa acumula salto superior 70%; em 2015, a alta já é de 43%. Com a disparada do câmbio, o dólar turismo em espécie ultrapassou ontem a barreira dos R$ 4 nas casas de câmbio, enquanto chegava a R$ 4,27 no cartão pré-pago. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanha os mercados estrangeiros e registra alta de 2,16% no índice de referência Ibovespa, aos 47.466 pontos.
Assim como na véspera, os investidores seguem com dúvidas sobre a permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e preocupados com a potencial aprovação de novos gastos pelo Congresso Nacional. Ontem, esses fatores fizeram o dólar subir 2,06%, a R$ 3,762 — o maior valor de fechamento desde os R$ 3,79 de 12 de dezembro de 2002.
Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo” publicada nesta quinta, o ministro Levy procurou ontem a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, para se queixar de isolamento e falta de apoio dentro do governo. De acordo com o jornal, Levy indicou que pode deixar o cargo se a situação não mudar. Teria sido essa conversa com o ministro que levou a presidente a defendê-lo publicamente na quarta, dizendo que ele não está isolado.
— O dólar a R$ 4, que ninguém acreditava, já é inevitável. Agora o mercado financeiro começará a especular sobre o quanto além disso ele irá. O país exporta pouco e tem atraído menos capital especulativo, então há muito pouco fluxo de entrada de dólares. Quanto ao Levy, os agentes do mercado não querem acreditar na saída dele mas todo mundo sabe que ela também é inevitável — afirmou Italo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil.
Hoje, os investidores devem repercutir também a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciou na noite de quarta ter decidido parar de subir a taxa de juros básicos, a Selic, após sete altas seguidas e mantê-la em 14,25% ao ano.
EUROPA EMITE BONS SINAIS E AÇÕES SOBEM
Na Europa, as ações operam em alta pelo segundo dia, seguindo o desempenho das commodities após dados positivos sobre a recuperação econômica no continente. Hoje, um indicador de atividade nos setores industrial e de serviços na Zona do Euro mostrou o melhor resultado desde maio de 2011. Um feriado de dois dias na China também alivia a tensão dos investidores, uma vez que os mercados do país asiático vinham sendo os responsáveis pela turbulência global nas últimas semanas.
A mercado também repercute a decisão do Banco Central Europeu (BCE), que deixou as taxas de juros da zona do euro inalteradas nesta quinta, deixando-as nas mínimas recordes enquanto estimula a economia por meio da compra de títulos soberanos. A taxa de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, segue em 0,05%. Já a taxa de depósitos foi mantida em -0,20% — ou seja, os bancos continuam pagando para deixarem o dinheiro estacionado. A taxa de empréstimos continuou em 0,30%.
A Bolsa de Londres opera em alta de 1,34%, enquanto a de Paris avança 1,04%. Em Frankfurt, a alta é de 1,6%. O índice de referência europeu Euro Stoxx registra valorização de 1,14%. Em Wall Street, o Dow Jones sobe 0,88%, enquanto o S&P 500 registra alta de 0,88%. A Nasdaq avança 0,74%.
PETROBRAS E VALE SOBEM MAIS DE 5%
Na Bovespa, a alta atinge 53 das 66 ações que compõem o principal índice. A Petrobras sobe 5,78% (ON) e 3,85% (PN), acompanhando a alta de 2,2% no barril de petróleo do tipo Brent (a US$ 51,63). Com a alta geral das commodities, a Vale também sobe forte, valorizando-se 6,4% (ON) e 5,14% (PN). Mas a maior contribuição positiva vem da Ambev, que avança 2,56%.
O setor bancário, de maior peso no índice, também sobe. O Banco do Brasil registra alta de 0,57%, enquanto o Bradesco avança 0,35%, o Itaú Unibanco, 0,67%, e o Santander, 1,44%.

ECONOMIA: Levy reclama de isolamento a Dilma, que defende ministro da Fazenda

FOLHA.COM
VALDO CRUZ
MARINA DIAS
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

Pedro Ladeira/Folhapress 
A presidente Dilma Rousseff durante entrevista na qual defendeu o ministro Joaquim Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, procurou nesta quarta (2) a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, para reclamar de isolamento e falta de apoio no governo, pondo em dúvida sua permanência no cargo se a situação não mudar.
Depois de falar com o ministro por telefone e ouvir que ele sentia "perda de apoio" para sua política de ajuste fiscal, a presidente fez uma defesa pública de Levy, dizendo que ele "não está desgastado" nem "isolado" no governo. "Isolado de mim ele não está", disse Dilma, após cerimônia no Palácio do Planalto.
Segundo a Folha apurou, Levy não falou em pedir demissão, mas deixou claro que, sem apoio do Planalto, sua permanência à frente da Fazenda corria risco. Um aliado do ministro afirmou que suas conversas com Dilma e Temer foram um "desabafo", de alguém que tinha uma estratégia para reequilibrar as contas públicas e sente que está perdendo as batalhas internas – uma após a outra.
Um assessor presidencial confirmou a conversa de Dilma e Levy, mas descartou a possibilidade de ele deixar o governo. Segundo o auxiliar, o ministro estava em busca de "carinho", porque seria alvo de "intrigas" que não contam, segundo essa versão, com respaldo da presidente.
O desagravo público ao ministro veio no fim da manhã: "Levy não está desgastado dentro do governo. Ele participou conosco de todas as etapas da construção desse Orçamento e tem o respeito de todos nós", disse Dilma.
A Temer o ministro disse estar preocupado com a situação econômica do país e reclamou da falta de respaldo da presidente. Segundo assessores do vice, Levy só não deixou o cargo porque "tem senso de responsabilidade".
Nos últimos meses, Levy foi derrotado em diversos embates na condução da política econômica do governo. O último foi o envio ao Congresso da proposta de Orçamento para 2016 com um inédito deficit primário de R$ 30,5 bilhões. O ministro defendia cortes de gastos maiores, mas o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, preferia o Orçamento com deficit. Dilma ficou com a posição de Barbosa.
Em julho, o ministro da Fazenda havia sido contra a redução da meta fiscal deste ano. Chegou a garantir que ela não seria alterada. De novo, Dilma fechou com Barbosa e reduziu o superavit primário de 1,1% para 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto).
FAMÍLIA
Pela manhã, quando circulavam no mercado financeiros rumores de que Levy estaria de saída do governo, um assessor palaciano disse à Folha que já estava "tudo certo" e que a presidente iria "falar e apoiar" seu ministro.
Na entrevista logo depois, Dilma minimizou as divergências entre os ministros de sua equipe econômica e comparou as discussões internas com a dinâmica familiar.
"Dentro de uma família só tem uma opinião? Não, nós todos sabemos aqui que dentro de uma família tem várias opiniões. O fato de haver opiniões não significa que a família está desunida. Significa que ela debate, discute, que ela quer enfrentar o problema", disse a presidente.
A oposição aproveitou para estocar Dilma. "Com isso [a defesa de Levy], [ela] fragiliza ainda mais o ministro da Fazenda, que vem tendo a sua ortodoxia quebrada a cada instante por aquela velha visão da nova matriz econômica, que conduziu as ações do governo nos últimos anos", disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).
Interlocutores de Levy disseram esperar que o clima mude. Segundo eles, agora é aguardar que o apoio da presidente não fique apenas no discurso, mas seja colocado em prática dentro do governo.
Levy atrasou sua viagem nesta quarta para São Paulo por causa da conversa com a presidente e dos rumores de que estaria deixando o cargo. Na opinião de um integrante do governo, a boataria também dá lucro, já que a suposição da queda de Levy ajudou o dólar a subir nesta quarta a patamares recordes.

DIREITO: STF - Mantida condenação de Paulo Henrique Amorim por injúria contra Merval Pereira

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve condenação imposta ao jornalista Paulo Henrique Amorim pelo crime de injúria por ter se referido ao colunista do jornal O Globo Merval Pereira como “jornalista bandido” em legenda de foto publicada no blog Conversa Afiada, em 2012. Ao negar seguimento ao pedido da defesa de Amorim, que buscava reverter a condenação, o ministro ressaltou que a liberdade de expressão ou livre manifestação, garantida pela Constituição Federal, não autoriza a prática de ofensas morais.
“O direito à livre manifestação do pensamento, embora reconhecido e assegurado em sede constitucional, não se reveste de caráter absoluto nem ilimitado, expondo-se, por isso mesmo, às restrições que emergem do próprio texto da Constituição, destacando-se, entre essas, aquela que consagra a intangibilidade do patrimônio moral de terceiros, que compreende a preservação do direito à honra e o respeito à integridade da reputação pessoal”, afirmou o ministro Celso de Mello.
Ele destacou ainda que “a Constituição da República não protege nem ampara opiniões, escritos ou palavras cuja exteriorização ou divulgação configure hipótese de ilicitude penal, tal como sucede nas situações que caracterizem crimes contra a honra (calúnia, difamação e/ou injúria), pois a liberdade de expressão não traduz franquia constitucional que autorize o exercício abusivo desse direito fundamental”.
Aspecto formal
A defesa de Paulo Henrique Amorim pretendia anular a condenação determinada pela Justiça do Estado de São Paulo por meio de um Recurso Extraordinário com Agravo (ARE 891647). O ministro Celso de Mello negou seguimento ao recurso por entender que a análise do mesmo dependeria de exame de matéria fático-probatória, o que é vedado pela Súmula 279 do STF.
De acordo com o ministro, decisões do Supremo “enfatizam que a ponderação entre o princípio que consagra a liberdade de informação, de um lado, e o postulado que assegura a intangibilidade do patrimônio moral das pessoas, de outro, supõe a análise do contexto fático e a reavaliação do conjunto probatório a ele concernente, o que se mostra inviável no âmbito do recurso extraordinário, tendo em vista a circunstância – processualmente relevante – de que o pronunciamento jurisdicional das instâncias ordinárias veicula conteúdo material impregnado de caráter soberano”.
O ministro observou que, “não obstante o aspecto formal”, que é a incidência da Súmula 279/STF, “apto, por si só, a inviabilizar o próprio conhecimento do recurso extraordinário em causa, cabe enfatizar que, mesmo superada essa questão prévia, ainda assim não se revelaria acolhível a pretensão recursal extraordinária deduzida pelo ora agravante, tendo em vista o entendimento que o Supremo Tribunal Federal firmou a propósito do tema que põe em destaque a situação de polaridade conflitante entre a liberdade de expressão, de um lado, e a preservação dos direitos da personalidade, de outro”.

DIREITO: STJ - Ex-seminarista condenado pela morte do pai e da madrasta poderá recorrer em liberdade

Em julgamento realizado nesta terça-feira (1º), a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ordem de habeas corpus ao ex-seminarista Gil Rugai, condenado à pena de 33 anos e nove meses de prisão pela morte do pai, Luis Cargos Rugai, e da madrasta, Alessandra Troitino, em 2004, em São Paulo.
A sentença havia assegurado a Rugai o direito de recorrer em liberdade, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), ao julgar a apelação do réu, além de não acolher seu pedido de revisão da sentença, determinou a expedição de mandado de prisão.
No pedido de habeas corpus, a defesa alegou ausência de fundamentação da decisão, pois, antes do trânsito em julgado da condenação – isto é, quando não há mais possibilidade de recurso –, só poderia ser decretada a prisão por medida cautelar e com base em fundamentos concretos.
Situação agravada
O relator, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, acolheu os argumentos da defesa. Segundo ele, a prisão antes do trânsito em julgado, embora possível, “deve estar embasada em decisão judicial fundamentada, que demonstre a existência da prova da materialidade do crime e a presença de indícios suficientes da autoria, bem como a ocorrência de um ou mais pressupostos do artigo 312 do Código de Processo Penal”.
O relator observou ainda que não houve recurso do Ministério Público contra a decisão de primeiro grau que assegurou a Rugai o direito de recorrer em liberdade, o que impediria o TJSP de agravar a situação do réu no julgamento de recurso exclusivo da defesa.
“Conforme o entendimento dos tribunais superiores, a decretação da prisão cautelar pela corte de segundo grau, em recurso exclusivo da defesa, constitui inadmissívelreformatio in pejus”, concluiu o relator.
A turma, por unanimidade, acompanhou o entendimento do relator para assegurar a Gil Rugai o direito de recorrer em liberdade. 

DIREITO: TSE - Ministro Gilmar Mendes reitera ofício à PGE sobre gráfica VTPB


O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, comunicou ao Plenário da Corte, na sessão desta terça-feira (1º), que reiterou ofício ao procurador-geral eleitoral, Rodrigo Janot, para que investigue indícios de ocorrência de eventuais crimes no fornecimento de material pela gráfica VTPB à campanha de Dilma Rousseff, reeleita presidente da República nas eleições de 2014. O ministro é o relator das contas de campanha de Dilma Rousseff, que foram aprovadas com ressalvas pelo Tribunal.
A Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou, no dia 13 de agosto, pelo arquivamento de notícia apresentada pelo ministro Gilmar Mendes em maio passado. Nela, o ministro relata supostos indícios de irregularidades cometidos pela gráfica VTPB, que prestou serviços a diversos candidatos em 2014, entre eles a Dilma Rousseff.
A PGE decidiu arquivar o pedido de investigação por não constatar irregularidades praticadas pela empresa tanto na esfera eleitoral como penal. De acordo com o órgão, os fatos mencionados não revelariam indícios de que a gráfica não teria prestado os serviços relatados, nem indicariam majoração artificial de preços.
O ministro Gilmar Mendes lembrou que, em dezembro de 2014, o TSE aprovou com ressalvas as contas de campanha de Dilma Rousseff. O ministro disse que destacou expressamente, em seu voto na época, que a aprovação das contas de Dilma “não representava chancela a eventual ilícito de qualquer natureza passado ou futuro”.
Diante desse entendimento adotado pela Corte, o ministro informou que expediu ofícios a diversos órgãos chamando a atenção para situações que tinham sido verificadas na prestação de contas apresentada por Dilma Rousseff. Também por essa razão, Gilmar disse que proferiu despacho para manter os dados da prestação de campanha na internet, por ser o processo público. “Assim, a manutenção das contas no site do TSE apenas teve o condão de facilitar o acesso da sociedade em geral aos documentos”, salientou.
Em seguida, Gilmar Mendes revelou que um blog noticiou, em 27 de abril de 2015, que a empresa VTPB, com sede em uma sala de 30 metros quadrados, desativada, teria alterado seu objeto social em julho de 2014 (19 dias antes de emitir a primeira nota fiscal da campanha) a fim de incluir a atividade de impressão de material para uso publicitário. O ministro destacou que a VTPB recebeu mais de R$ 22 milhões da campanha de Dilma pela prestação de serviços gráficos e figura como a terceira maior fornecedora da campanha da candidata reeleita.
Diante de possíveis indícios de irregularidades referentes à empresa, o ministro informou que no dia 7 de maio de 2015 oficiou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a fim de que investigasse o assunto.
O ministro comentou alguns pontos do despacho de arquivamento da Procuradoria-Geral Eleitoral. “Não se trata aqui de reabertura de julgamento de prestação de contas. As contas apresentadas foram julgadas. Aprovadas com ressalvas pela maioria deste Tribunal. Cuida-se, isto sim, investigar indícios de irregularidades que, se comprovadas, teriam o condão de atestar a ocorrência de fatos criminosos. No presente caso, não há como negar haver elementos indicativos suficientes, ao menos, para a abertura da investigação”, enfatizou Gilmar Mendes.
Ele disse que “não se sabe e nem se está afirmando que haja ocorrido a participação do prestador de contas, o que configuraria ilícito eleitoral, eventualmente a própria campanha pode ter sido enganada por prestadores de serviço”.
Presidente do TSE
O presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, ressaltou a importância da Justiça Eleitoral, que, segundo ele, tem o papel de pacificadora social. “O exercício dessa pacificação é em razão da sua ação e não da sua não ação. É exatamente por agir e para coibir e garantir a liberdade de voto do eleitor que a Justiça Eleitoral existe na parte jurisdicional e para administrar a organização das eleições no âmbito da gestão e da administração”.
O ministro lembrou que o julgamento das contas da campanha vencedora ocorreu, sem que houvesse prejuízo de outras análises referentes a eventuais desvios, que, de acordo com ele, podem ter como vítima, inclusive, a própria campanha.
“Na medida em que o acórdão desta Corte determinou que as contas foram aprovadas com ressalvas, mas diante de determinados elementos que necessitariam aprofundamento nos fóruns adequados, não o eleitoral, esta determinação não é isolada do ministro Gilmar Mendes. Isso é uma determinação da Corte, daquele julgamento”, ressaltou o presidente do TSE.
O ministro destacou ainda que no dia 11 de agosto foi publicado no Diário Oficial da União um acordo de cooperação técnica assinado entre o TSE e o Ministério do Trabalho. O objetivo é dar acesso ao TSE à base de dados da Rais do Ministério.
Segundo Toffoli, isso vai permitir que o setor de análise e de contas do Tribunal faça uma verificação direta no banco de dados do Ministério sobre a declaração de funcionários de uma empresa.
O presidente do TSE lembrou ainda que foi apresentado recentemente ao Congresso Nacional um projeto de lei sobre a criação de cargos na Justiça Eleitoral específicos para o setor de prestação de contas.
Corregedor-geral
Também o corregedor-geral eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, pediu a palavra para se juntar ao pronunciamento do ministro Gilmar Mendes. “Estou apenas a defender a legitimidade de atuação jurisdicional de toda a Justiça Eleitoral”, disse.
Clique aqui e confira a íntegra do pronunciamento do ministro Gilmar Mendes.
Acesse também o teor do despacho proferido pelo ministro e o ofício encaminhado à PGE.
Processo relacionado: PC 97613

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ECONOMIA: Déficit real do Orçamento pode chegar a R$ 72,9 bilhões

ESTADAO.COM.BR
RICARDO BRITO E ADRIANA FERNANDES - O ESTADO DE S. PAULO

Valor leva em conta os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento como despesas, o que não havia sido considerado na proposta encaminhada ao Congresso

Brasília - Mesmo com o discurso repetido pelo governo Dilma Rousseff de que enviou ao Congresso um "orçamento realista", vislumbrando déficit de 0,5% do PIB para o próximo ano, o relator-geral da proposta, deputado Ricardo Barros (PP-PR), costura um acordo para prever um rombo real maior nas contas públicas. 
Isso porque o parlamentar admite ser favorável a manter uma regra que inclui os investimentos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como gastos a serem contabilizados no orçamento, o que não aparece na proposta encaminhada pelo governo ao Congresso. Na prática, além do déficit já declarado de R$ 30,5 bilhões, isso significa que o governo ainda poderia descontar outros R$ 42,4 bilhões de investimentos do programa, um dos carros-chefe da gestão da petista. Dessa forma, o rombo potencial é de R$ 72,9 bilhões, ou 1,2% do PIB.
A polêmica dedução do PAC não constava da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 enviada pelo governo em abril, quando a meta fiscal ainda era de 2%. Foi incluída no mês passado pelo relator da LDO, deputado Ricardo Teobaldo (PTB-PE), após a queda da meta para 0,7%. 
Barros - que é um dos vice-líderes do governo na Câmara, deve manter a sugestão, diante da nova meta negativa. Tecnicamente, o déficit continuaria sendo de 0,5%. Mas, na prática, o rombo pode ser elevado em mais 0,7% com o abatimento do PAC. 
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy e Nelson Barbosa( Planejamento), durante entrega da proposta orçamentaria 2016 para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

Regra. A regra do abatimento das despesas do PAC foi retirada da política fiscal pela nova equipe econômica no período da transição de governo, no final de 2014, para garantir maior transparência à política fiscal brasileira que havia perdido credibilidade pelas manobras contábeis praticadas pela equipe anterior. Por causa das dificuldades financeiras deste ano, o governo acabou adotando para 2015 uma cláusula de abatimento temporária da meta até o limite de R$ 26,4 bilhões, se receitas extraordinárias previstas nesse montante não se concretizarem. 
A regra de abatimento foi criada no passado em negociação com o FMI para permitir o aumento dos investimentos.
Investimentos. Para o relator, a medida é importante. "A manutenção da regra de abatimento do PAC na meta fiscal é importante porque o País precisa manter os seus investimentos, melhorar sua competitividade e ter geração de empregos. No PAC há R$ 15 bilhões de Minha Casa, Minha Vida, que gera muito emprego", disse Barros em entrevista ao Broadcast.
A avaliação de parlamentares governistas é a de que com o abatimento fica mais difícil haver diminuição do ritmo de investimentos em infraestrutura no País, mesmo diante da atual recessão econômica. A medida também abriria espaço para o governo acomodar novos rombos no orçamento para além dos R$ 30,5 bilhões previstos. 
Aliados do governo no Congresso e fontes ouvidas pela reportagem já identificaram pelo menos R$ 13,7 bilhões em despesas não cobertas e com a previsão inflada de venda de ativos. A oposição, por sua vez, já disse que o rombo pode chegar a, pelo menos, R$ 70 bilhões.
O senador petista Walter Pinheiro (BA), integrante da Comissão Mista do Orçamento, disse ser "simpático" à inclusão do abatimento do PAC. Contudo, defende que a medida esteja atrelada à continuidade das obras. "É de boa medida a gente amarrar a continuidade de obras, senão ninguém lança obra nova e não termina a velha", disse.
A oposição criticou a iniciativa. O líder oposicionista do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), disse que, embora não haja como deixar de fazer investimentos no PAC, o governo se vale de mais uma manobra para tentar maquiar as contas públicas. "Isso não é mais uma mágica fiscal? Se estamos combatendo as mágicas, seria dar respaldo a uma mágica fiscal", afirmou.
Para o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), o orçamento é camuflado e o abatimento do PAC é só mais uma demonstração nesse sentido. "O governo nos deu um cheque sem fundo. O que se faz com isso? Devolve-se", afirmou.

COMENTÁRIO: E agora, Banco Central?

Por Celso Ming - ESTADAO.COM.BR

Importa menos o nível dos juros pelo qual o Copom acabará optando e bem mais os novos parâmetros da economia que adotará para suas decisões

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, presidido pelo economista Alexandre Tombini (foto), realiza nesta quarta-feira mais uma reunião para definir o nível dos juros, em condições econômicas claramente ruins e num clima político especialmente conturbado.
O governo Dilma desistiu de cravar o centro da meta inflacionária (4,5%) ao fim de dezembro de 2016, conforme compromisso firme do Banco Central. No Projeto de Lei Orçamentária de 2016, o governo passou a trabalhar com inflação de 5,4%, ignorando o cumprimento da meta da autoridade monetária.
Tombini. Sob pressão

O que precisa ser cobrado agora do Copom é se continua insistindo nesses 4,5% ou se vai afrouxar sua política para empurrar a inflação para os mesmos 5,4% adotados como premissa na definição do Orçamento de 2016.
E há o desdobramento dessa nova postura do governo para a administração das expectativas, item muito importante na política de metas. Como é que o Banco Central vai seguir tentando convencer o mercado financeiro e os fazedores de preços de que a inflação de 2016 convergirá para a meta, se nisso nem a equipe econômica do governo acredita? Ou será que o Banco Central não adotará a tal postura “realista” evocada pelos ministros da área econômica?
Outra preliminar é a grave questão fiscal. São novos os parâmetros que definem a situação das contas públicas. Desde agosto de 2013, a autoridade monetária vem repetindo o mantra de que a política fiscal é sua aliada. Reitera que o jogo do governo na administração das contas públicas tende para neutralidade como fator de inflação, ou seja, caminha, afirma o Banco Central, para uma situação em que nem produz nem reduz inflação, podendo até mesmo reduzir. Além disso, como consta na última Ata do Copom, vinha contando com um superávit primário (sobra de receita para pagamento da dívida) de 0,15% do PIB em 2015 e de 0,7% do PIB em 2016.
A novidade é a de que o governo jogou miseravelmente a toalha. Ao apresentar o Projeto de Lei Orçamentária de 2016, reconheceu que, às condições previstas, ficarão faltando R$ 30,5 bilhões para fechar as contas públicas. O governo federal admite que não conseguirá mais do que um déficit primário de 0,5% do PIB. Ainda assim, um grande número de contas e subcontas continua vago o suficiente para levantar dúvidas sobre a obtenção até mesmo desse resultado ruim.
O Banco Central não terá outra saída senão reconhecer que a área fiscal não ajuda a combater a inflação e que sobrará mais esforço para a política monetária (política de juros). Também terá de dizer como enfrentará os efeitos sobre a inflação da desvalorização cambial, de 10,8% só nos últimos 40 dias.
Vêm aumentando as pressões sobre o Banco Central para que largue o que tanta gente denuncia como turrice ortodoxa, que reconheça a dureza do momento e desista de puxar os juros para os cornos da lua. Cartolas do empresariado local, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, repetem isso todos os dias. E recorrem a conchavos para obter por vias políticas a flacidez da política monetária que não conseguem defender com argumentos racionais. 
Enfim, nesta reunião, importa menos o nível dos juros pelo qual o Copom acabará optando e bem mais os novos parâmetros da economia que adotará para suas decisões.
CONFIRA:


Balança comercial
Três observações sobre a balança comercial nos primeiros oito meses do ano. (1) As importações caíram muito mais (-21,3%) do que as exportações (-16,7%). (2) As exportações de industrializados em 2014 corresponderam a 46,9% do total; neste ano, já são 50,4%, mas a queda das receitas é de 10,4%. (3) A queda de participação dos produtos primários, de 50,4% para 47% é o resultado da forte queda dos preços das commodities, especialmente das minerais.

COMENTÁRIO: Matriz e filial

Por DORA KRAMER - ESTADAO.COM.BR

A proposta de Orçamento da União para 2016 enviada ao Congresso contou ao Brasil o que já se sabia: o governo gastou mais do que deveria. A novidade é que as circunstâncias (pedaladas em processo de investigação, entre outras) não deixaram alternativas a não ser a confissão.
Louvável a rendição à transparência, não fosse pela prática habitual de expor a problemática sem se responsabilizar pela solucionática. O Executivo fez o que fez e agora, mais uma vez, empurrou para o Legislativo a tarefa de desfazer. Ou de amenizar o malfeito.
Foi assim no final do ano passado, quando o Parlamento escandalosamente concordou em alterar a meta do superávit primário para livrar a presidente Dilma Rousseff de punição em decorrência das maquiagens nas contas públicas por ela autorizadas e executadas pela equipe econômica. 
Na ocasião, chegou a condicionar a aprovação da mudança ao pagamento de emendas parlamentares. A despeito de todos os protestos, suas excelências entregaram a encomenda, sob o argumento de que, uma vez consumado o mal, melhor limpar a cena do crime, a gastança desenfreada.
A ela se atribui culpa exclusiva de Dilma, mas nela o ex-presidente Luiz Inácio da Silva deixou impressas suas digitais. A origem de tudo está na concepção de Lula de que governar é gastar, improvisar e atuar com visão de curto alcance. 
Isso quem disse foi ele em novembro de 2007, ao jornal O Globo, numa entrevista sobre o rumo do governo dali em diante. “A palavra de ordem deveria ser: pegou a bola fora da área, mete ela no gol. Chuta dez, uma entra”, dizia o chefe da Nação, defendendo a dinâmica da tentativa e erro em detrimento do planejamento. 
Eufórico com a explosão do consumo - “um problema gostoso” -, o então presidente comemorava o endividamento dos brasileiros que, segundo ele, criava “uma população de dar inveja à China”. Questionado sobre os excessos no quesito gastos públicos, Lula orgulhava-se de ter “ousadia” para gastar: “Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo o dinheiro, seria ótimo.” Segundo ele, quanto mais gastasse, mais o Estado estaria sendo eficiente.
Apontava a gastança como salvação. Deu-se o oposto, contudo, abrindo-se o caminho para a perdição. Da população mais pobre, inclusive, aquele que, iludida, viria a garantir vitórias eleitorais ao seu partido e hoje pena nas garras da inflação. 
Aquele Lula risonho e franco já ensaiava lançar como candidata à sucessão sua então ministra da Casa Civil, definida por ele como sua “sombra”, destinada a atuar como sua imagem e semelhança. Por mais que se buscassem marcar as diferenças de personalidade, na essência Dilma seguiu à risca a programação.
Até porque foi posta na condição de filial para não contestar os feitos da matriz. Seja no tocante à improvisação, ao imediatismo e à visão eleitoral do governo, seja no que tange a transações escusas que hoje se revelam. 
A Lula agora interessa se mostrar descontente com Dilma, fiel ao hábito de dizer o que as pessoas querem ouvir. A dúvida pertinente é a seguinte: Dilma fosse diferente, tivesse ela cumprido outro roteiro, Lula estaria contente?
Dilma pode não saber por que foi escolhida pelo criador, mas ele sempre soube muito bem que sua motivação era a de controlar a criatura. Só não contava com a inépcia arrogante da escolhida, com a presteza das instituições naquilo que se pode considerar de fato uma “faxina” e com a esperteza do público, cuja capacidade de aceitar mistificações tem limite.

DIREITO: PGR pede prorrogação de prazo para investigação de 11 políticos na Lava Jato

UOL
De Brasília


Jane de Araújo/Agência Senado
No total, nove investigados devem continuar sob a mira da PGR por mais 60 dias, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

A PGR (Procuradoria Geral da República) pediu nesta quarta-feira (2) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do prazo de investigação em onze dos 25 inquéritos em tramitação para investigar a participação de políticos no esquema investigado pela operação Lava Jato. No total, nove investigados devem continuar sob a mira da PGR por mais 60 dias, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-ministro e senador Edison Lobão (PMDB-MA).
O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, precisa autorizar agora os pedidos feitos pela Procuradoria. As investigações tiveram início na primeira semana de março e já foram prorrogadas outras duas vezes.
Os pedidos de prorrogação apresentados hoje ao Supremo incluem, além de Renan e Lobão, a investigação dos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Fernando Bezerra (PSB-PE), dos deputados Simão Sessim (PP-RJ), Aníbal Gomes (PMDB-CE) e José Mentor; e dos ex-deputados Roberto Teixeira (PP-PE) e João Pizzolatti (PP-SC) - este, alvo de quatro inquéritos.
Dois dos três inquéritos nos quais Renan Calheiros é alvo tramitam em conjunto e constam na nova leva de prorrogação. A terceira investigação, que envolve mais de 30 políticos por suposta formação de quadrilha, ainda não teve solução apresentada pela PGR até o momento. A expectativa de fontes que acompanham a investigação é de que procuradores tomem soluções diversas para cada grupo de políticos investigados por formação de quadrilha, o maior inquérito da Lava Jato no STF, com possível desmembramento da investigação.
Além de pedidos de prorrogação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode pedir arquivamentos de investigações ou oferecer denúncias - acusações formais.
Antes dos pedidos de prorrogação, Janot já apresentou outras três soluções: oferecimento de denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e contra o senador Fernando Collor (PTB-AL) e arquivamento de investigação sobre o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).
Ainda não foram apresentadas as conclusões sobre onze inquéritos, portanto. A expectativa é que sejam apresentados novos pedidos de arquivamento e oferecidas denúncias nos próximos dias. Além da investigação sobre quadrilha, o procurador-geral da República deve se posicionar sobre investigações a respeito, por exemplo, da ex-ministra e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), do senador Humberto Costa (PT-PE), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e de uma investigação que inclui Lobão e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, entre outros.

ECONOMIA: Dólar turismo chega aos R$ 4 em papel-moeda e ultrapassa os R$ 4,20 no cartão pré-pago

OGLOBO.COM.BR
POR ALINE MACEDO*

Moeda americana sobe pelo terceiro dia seguido e puxa cotação para quem vai viajar. Euro já é vendido a mais de R$ 4,50
Nota de 100 dólares em máquina contra falsificação - Tomohiro Ohsumi / Bloomberg News/9-7-2014

RIO - Acompanhando a alta do dólar comercial, que subia hoje pelo terceiro dia seguido e chegou a bater R$ 3,76, o dólar turismo em espécie ultrapassou a barreira dos R$ 4 na tarde desta terça-feira no Rio. Já no cartão pré-pago, praticamente todas as casas de câmbio e corretoras pesquisadas pelo GLOBO ofereciam a moeda acima deste patamar, chegando a R$ 4,223 em uma delas. Os dois valores já incluem o IOF. No caso do papel, a taxa é de 0,38%. No plástico, é de 6,38%.
O euro também acompanhava a tendência de alta, chegando a ultrapassar os R$ 4,50, com IOF incluído.
Na Cotação, a moeda americana era vendida em espécie a R$ 4,005. No cartão pré-pago, a divisa saía por R$ 4,202. Já a moeda única europeia era vendida a R$ 4,507, enquanto no cartão pré-pago era negociada a R$ 4,744. Em todos os casos, os preços já têm o IOF incluído.
Na Western Union, o dólar em espécie custava um pouco menos que na Cotação, sendo vendido a R$ 3,894. No cartão, era negociado a R$ 4,09. O euro saía, em plástico, por R$ 4,64, enquanto no papel custava R$ 4,416.
Na TOV, a moeda saía a R$ 3,874 no papel e a R$ 4,095 no pré-pago. Os valores cobrados pelo euro eram de R$ 4,35 (espécie) e R$ 4,616 (cartão).
A casa de câmbio consultado pelo GLOBO com os valores mais baixos para o dólar foi a Ultramar: R$ 3,86 para o papel-moeda e R$ 4,12 no cartão, também já com o IOF. O euro saía a R$ 4,35 e a R$ 4,64, respectivamente.
No Itaú, o dólar estava em R$ 3,985 (espécie) e R$ 4,223 (plástico). Já o euro era negociado a R$ 4,476 em espécie e R$ 4,744 no pré-pago.
No Bradesco, os valores cobrados pela moeda americana eram de R$ 3,965 em espécie e de R$ 4,159 no pré-pago. O euro saía a R$ 4,456 e R$ 4,67, respectivamente
Já no Banco do Brasil, o papel-moeda do dólar era vendido a R$ 3,824 e no cartão a R$ 3,90 – a instituiçã era a única a vender a moeda americana no pré-pago abaixo dos R$ 4. O euro custava R$ 4,296 em espécie e R$ 4,42 no plástico.
*Estagiária sob supervisão de Andrea Freitas

ECONOMIA: No 4º dia seguido de alta, dólar sobe 1,95% e fecha valendo R$ 3,76

Do UOL, em São Paulo

O dólar comercial teve a quarta alta seguida nesta quarta-feira (2) e fechou com valorização de 1,95%, a R$ 3,76 na venda. É o maior nível desde 12 de dezembro de 2002, quando a moeda norte-americana valia R$ 3,785.
Somente nas últimas quatro sessões, o dólar acumulou valorização de 5,83%. Na véspera, a moeda norte-americana tinha subido 1,68%. 
Neste ano, o dólar já avançou 41,41%. No acumulado em 12 meses, a alta chega 67,8%.
Cenário nacional
Os investidores estavam preocupados com as contas públicas brasileiras e com o risco de o país perder seu selo internacional de bom pagador.
"Tanto na política quanto na economia, a situação está muito difícil. É provável que o dólar suba ainda mais", afirmou o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca, à agência de notícias Reuters. Siaca espera que a moeda norte-americana se aproxime de R$ 4 nas próximas semanas.
Na segunda-feira (31), o governo enviou ao Congresso proposta de Orçamento de 2016 prevendo gastos maiores do que receitas. O mercado entendeu que a decisão aumenta a chance de o Brasil perder seu grau de investimento nos próximos meses.
Essa perspectiva vem levando investidores a venderem seus negócios denominados em reais, levando a uma alta do dólar.
Atuação do BC
A atuação do Banco Central também tem sido um foco importante para o mercado, que questiona se o BC pode aumentar sua intervenção no mercado de câmbio para desacelerar o avanço do dólar.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 9.450 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) para a rolagem do lote que vence no próximo mês. Ao todo, o BC já rolou US$ 915 milhões, ou cerca de 10% do total de US$ 9,458 bilhões. Se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote.
Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com Reuters)
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