sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ECONOMIA: Vendas do comércio têm alta de 0,4% em setembro, diz IBGE

FOLHA.COM
LUCAS VETORAZZO, DO RIO
DE SÃO PAULO

As vendas do comércio varejista em setembro tiveram alta de 0,4% em relação ao verificado em agosto, quando tinham aumentado em 1,2%, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (14).
Em agosto, o comércio havia registrado a primeira alta após dois meses de queda seguida. Com o resultado de setembro, o volume de vendas têm a segunda alta consecutiva.
Na comparação com setembro do ano passado, o varejo teve alta de 0,5%. Ainda que tenha acelerado, o percentual de crescimento no mês foi o menor desde 2004.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2014, as vendas do comércio acumulam crescimento de 2,6%. A taxa em 12 meses encerrada no mês passado teve uma expansão de 3,4%.
Pétala Lopes/Folhapress 
Loja de roupas infantis por atacado no Brás, em São Paulo
O desempenho no mês ficou igual ao esperado por analistas ouvidos pela Bloomberg (0,40% contra agosto). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os números ficaram abaixo das expectativas, que eram de avanço de 0,70%.
Embora tenha registrado alta em todas as bases de comparação, o crescimento das vendas do comércio apresenta desaceleração em relação ao observado em anos anteriores.
A gerente da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Juliana Vasconcellos, explicou que à despeito da alta, as vendas estão menos robustas por conta da inflação persistente diante a uma renda que acelera pouco e o crédito que está menos abundante. "Isso impacta diretamente nas vendas do varejo".
RECEITA
Além do volume de vendas, que subiu em todas das bases de comparação, o comércio teve também altas nos indicadores de receita nominal.
A receita de setembro a agosto avançou 0,7%. Na comparação de setembro com igual período do ano passado, a receita teve alta de 6,9%. Nos nove primeiros meses do ano, o percentual foi 9% maior. Nos doze meses encerrados em setembro, a alta foi de 9,8%.
SEGMENTOS
O chamado varejo simples, que não inclui veículos e material de construção, cresceu de agosto para setembro em quatro das oito atividades pesquisadas pelo IBGE na categoria.
Os destaques foram móveis e eletrodomésticos (1,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,2%), combustíveis e lubrificantes (0,7%) e artigos farmacêuticos (0,4%). Vasconcellos explicou que a maioria desses itens tiveram variação de preço abaixo da inflação.
Tecidos, vestuário e calçados (queda de 3%), livros, jornais e revistas (-2,2%) e material de escritório (-2,1%) foram os destaques negativos.
Houve queda também de 0,3% das vendas de hipermercados e supermercados, setor importante na composição do consumo do brasileiro. Segundo Vasconcellos, a variação de preço dos alimentos em geral está acima da inflação média, o que faz com que os consumidores optem por alternativas mais baratas ou evitem comprar artigos que não sejam de primeira necessidade.
VAREJO AMPLIADO
As vendas do chamado varejo ampliado, que inclui material de construção e veículos, tiveram alta de 0,5% na passagem de agosto para setembro. Em agosto, o índice havia tido queda de 0,4%.
Em outras bases de comparação, contudo, as vendas registraram queda. Na comparação de setembro com igual período do ano anterior, houve queda de 1,2%. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a queda foi de 1,4%. Nos 12 meses encerrados em setembro, o recuo foi de 0,1%.
Veículos continuam sendo o vilão do indicador ao apresentar quedas expressivas de venda nos períodos apurados pelo IBGE. Houve queda de 0,6% em setembro frente a agosto; recuo de 4,5% em setembro frente a igual período do ano passado; retração de 9,2% no ano; e redução de 6,8% no acumulado em doze meses.
A técnica do IBGE lembrou que embora tenha registrado quedas, o segmento de veículos reduziu o ritmo de recuo de vendas na comparação interanual. Em setembro houve queda de 4,5% ante setembro de 2014.
Essa taxa em agosto apresentou queda de 17,4% e em julho, de 12,5%. "Passou de uma queda de dois dígitos para uma queda de um dígito", disse.

EMPREGO: Emprego formal tem saldo negativo em outubro pela primeira vez na história

ESTADAO.COM.BR
LAÍS ALEGRETTI, TIAGO DÉCIMO - O ESTADO DE S. PAULO

Segundo o Caged, o saldo de geração de empregos ficou negativo em 30.283; pela 1ª vez que há mais demissões do que contratações em meses de outubro desde o início da série histórica, em 1999
O saldo de geração de empregos ficou negativo em outubro em 30.283 postos de trabalho formal, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é o pior para o mês de outubro desde 1999.
É a primeira vez, em meses de outubro, que o Brasil demite mais do que emprega, segundo dados da série histórica, que começou em 1999. O saldo do mês passado é resultado de 1.718.373 admissões e de 1.748.656 demissões. No acumulado do ano até outubro, houve criação líquida de empregos formais de 912.287 vagas. Nem o mais pessimista dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência Estado, esperava um saldo negativo do Caged em outubro.
A geração de empregos no mês passado ficou bem abaixo do resultado de outubro de 2013, quando houve criação de 94.893 vagas pela série sem ajuste e em 130.865 pela série ajustada. A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo MTE. Após esse período há um ajuste da série histórica, quando as empregadoras enviam as informações atualizadas para o governo. 
Em setembro, o País havia tido a menor geração de empregos formais para o mês desde 2001.

CORRUPÇÃO: Lava-Jato: só um dos cúmplices de Renato Duque teria recebido US$ 100 milhões

OGLOBO.COM.BR
POR JAILTON DE CARVALHO

Ex-diretor está envolvido em pelo menos nove transações financeiras relacionadas a desvios de dinheiro de contratos com a Petrobras
BRASÍLIA. Na sétima etapa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Ele é suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras maior até que o do ex-diretor Paulo Roberto. Só um dos cúmplices de Renato Duque recebeu US$ 100 milhões, segundo revelou ao GLOBO uma fonte vinculada às investigações.
Policiais e procuradores da força-tarefa que estão à frente da Lava-Jato já identificaram o suposto envolvimento de Duque em pelo menos nove transações financeiras relacionadas a desvios de dinheiro de contratos de empreiteiras com a Petrobras. Em pelo menos sete delas, ele teria recebido parte do dinheiro. Segundo um dos investigadores, são somas expressivas. Duque comandou uma das mais fortes diretorias da Petrobras.
Investigadores suspeitam que parte do dinheiro amealhado na Diretoria de Serviços durante a gestão de Duque abasteceu os cofres do PT. Duque ocupava o cargo por indicação do partido. As primeiras informações sobre o pagamento de propina da Diretoria de Serviços surgiram num depoimento de Paulo Roberto Costa ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Mas os investigadores não se deram por satisfeito e foram atrás de novos dados.
No decorrer da apuração, investigadores obtiveram dados detalhados sobre o suposto pagamento de propina para Duque e outros altos funcionários da Petrobras. Parte dos pagamentos ao ex-diretor foram feitos no exterior. Um dos cúmplices de Duque amealhou US$ 100 milhões em propina, algo em torno de R$ 250 milhões. Duque deve ser levado ainda nesta sexta para Curitiba, onde deverá ser apresentado a Sérgio Moro.
A Polícia Federal deve dar entrevista coletiva, em Curitiba, para falar sobre aspectos gerais da operação. Procuradores da força-tarefa disseram que vão aguardar os resultados da busca para falar sobre o assunto. Mas um deles admitiu que as descobertas sobre Duque colocam a investigação sobre fraudes na Petrobras num patamar ainda mais elevado.
- O Brasil está ficando mais republicano. É mais um motivo para se comemorar neste 15 de Novembro - disse o procurador.
A Justiça Federal expediu mandados de prisão também contra mais cinco suspeitos de envolvimento com os desvios da Petrobras. Um deles tem fortes ligações financeiras com um grande partido político. A PF também está fazendo buscas para apreender documentos nos escritórios das grandes empreiteiras investigadas por pagamento de propina.
- É o Dia do Juizo final - comentou um policial ao avaliar as possíveis consequências da nova fase da Lava Jato.

ECONOMIA: Dólar chega a R$ 2,62 em dia de tensão sobre ações da Petrobrás

ESTADAO.COM.BR
RENATA PEDINI - O ESTADO DE S. PAULO

Moeda permanece em alta após bater maior valor já visto em nove anos; indefinições na equipe econômica do governo e escândalo na estatal contribuem para mau humor do mercado
SÃO PAULO - O dólar à vista no balcão abriu em alta nesta sexta-feira, 14, e já acima de R$ 2,60, com o renovado mau humor no mercado doméstico e o avanço generalizado da moeda dos Estados Unidos nos mercados internacionais. O pessimismo interno está relacionado a novos problemas envolvendo a Petrobrás, que atrasou a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2014 e não participou da abertura do mercado, além de especulações renovadas sobre a composição ministerial e a condução da economia a partir de 2015.
Na abertura, o dólar à vista no balcão foi cotado a R$ 2,6050, em alta de 0,35%. Por volta das 11h, a moeda subia 1,0%, a R$ 2,6280, na máxima. O valor é o mais alto atingido em nove anos, desde 5 de abril de 2005.
Ontem, o dólar à vista fechou a R$ 2,5960 (+1,41%) - maior valor em mais de nove anos, desde 18 de abril de 2005 -, após o ex-secretário-executivo da Fazenda Nelson Barbosa ter afirmado ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que não foi "convidado ou sondado para nenhum cargo". 
A publicação do balanço trimestral da Petrobrás deve ocorrer, segundo fato relevante divulgado na noite desta quinta-feira,13, no dia 12 de dezembro. OBroadcast já havia informado na véspera que a auditora PricewaterhouseCoopers (PwC) decidiu não assinar os resultados da estatal por esperar a conclusão das investigações sobre as denúncias do ex-diretor da companhia Paulo Roberto Costa no âmbito da Operação Lava Jato.
Dentro da operação, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira,14, o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque. A PF também prendeu executivos e faz busca e apreensão em cerca de cinco das maiores empreiteiras do País, o braço financeiro do esquema de corrupção na petrolífera. Há pouco, foi informada a prisão de Otto Garrido Sparenberg, diretor da Iesa Óleo e Gás.

POLÍTICA: Protestos pedindo impeachment de Dilma são marcados para o próximo sábado

O ESTADO DE S. PAULO

Grupos aproveitaram a data da celebração da Proclamação da República para organizar atos via Facebook em ao menos 23 cidades do País
Após o polêmico protesto pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a volta da ditadura militar no dia 1º de novembro, manifestantes aproveitam o dia da Proclamação da República, no próximo sábado, 15 de novembro, para convocar pelo Facebook novos protestos pedindo desde a anulação da eleição até o impeachment da presidente. Os atos foram marcados em ao menos 23 cidades do País.
Na capital paulista, ao menos três eventos organizados por diferentes grupos foram marcados na rede social, todos agendados para ocorrer no vão livre do MASP às 14 horas. Mais de 140 mil pessoas confirmaram presença na rede social, o número, como em todos os eventos do tipo no Facebook, é muito maior do que os que efetivamente devem ir para as ruas.
No Rio de Janeiro, uma manifestação contra a corrupção e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) está marcada para as 14 horas do sábado, com concentração em frente ao hotel Copacabana Palace, o mais famoso da praia de Copacabana, na zona sul.
O ato está sendo divulgado na rede social Facebook por perfis que defendem a volta dos militares ao poder.
Nas páginas dos eventos são divulgados ainda textos de usuários anônimos e organizadores dos atos pedindo aos manifestantes para não levarem cartazes em favor da intervenção militar. No protesto de 1º de novembro foram registrados vários manifestantes pedindo intervenção militar, o que causou repercussão negativa.

POLÍTICA: PT cobra ministério ‘qualificado’ e mais peso político para a sigla no 2º mandato

ESTADAO.COMBR
VERA ROSA E RICARDO DELLA COLETTA - O ESTADO DE S. PAULO

Parlamentares petistas pedem em reunião a portas fechadas com ministros maior diálogo de Dilma Rousseff com o partido; para eles, presidente precisa estabelecer nova ‘política de comunicação’
Em reunião a portas fechadas para discutir o segundo mandato de Dilma Rousseff, deputados do PT cobraram nessa quinta-feira, 13, um ministério mais "qualificado", com mais peso político e maior diálogo da presidente com o partido. Diante dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), os petistas também disseram que o governo Dilma precisa de uma nova "política de comunicação", se não quiser enfrentar mais crise a partir de 2015.
Convocada inicialmente para avaliar como o PT vai enfrentar a candidatura do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), desafeto do Planalto e forte nome para ocupar a presidência da Câmara, a reunião acabou se transformando em um muro de lamentações sobre o relacionamento com o governo. Deputados mostraram preocupação com as incertezas na economia e com a escolha do ministro da Fazenda e disseram que a bancada do PT está isolada e em guerra com o PMDB por defender Dilma sem ter o bônus de ser governo.
"Somos governo, mas precisamos ter mais protagonismo", afirmou o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). "Queremos discutir antecipadamente temas que serão objeto de negociação posterior. Ninguém se importa de comprar briga, desde que seja realmente importante. Muitas vezes defendemos um projeto até o fim e, enquanto isso, o Planalto está negociando mudanças na proposta sem informar a bancada, que fica com imagem ruim."
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) citou como exemplo desse constrangimento o projeto de lei que criminaliza a homofobia, de autoria da colega Iara Bernardi (PT-SP). "O governo mandou tirar isso de pauta porque atrapalhava a relação com os evangélicos. Aí depois veio o Jean Wyllys (PSOL-RJ) e pediu para a Dilma reapresentar. Então o PT abdicou de uma pauta histórica para ajudar na governabilidade e quem ficou bem foi o PSOL", comentou. Na campanha pela reeleição, Dilma não encaixou a proposta no plano de governo enviado ao Tribunal Superior Eleitoral.
Mercadante e Berzoini prometeram mais diálogo daqui para a frente, mas deixaram a reunião antes das críticas mais ácidas. Carvalho defendeu a reforma política como "fundamental" para o PT melhorar sua imagem diante da opinião pública e deputados pregaram a regulamentação dos meios de comunicação. O ministro da Casa Civil, por sua vez, disse que a base aliada não pode se sentir apenas como "apoiadora" do governo.
"Tem de se sentir como governo", comentou ele, de acordo com relato de participantes do encontro.
Dilma está na Austrália para participar da reunião do G-20 e disse que fará as mudanças no primeiro escalão em doses homeopáticas, o que também desagradou ao PT. Dos 39 ministérios, 17 são ocupados pelo partido.
"Estamos num momento delicado, com a base aliada inchada. É melhor uma base mais consistente, capaz de assinar uma carta de compromissos com o País, do que esse mata-mata no Congresso. É preferível fazer isso a ficar toda hora negociando ministério", argumentou José Guimarães (PT-CE), um dos vice-presidentes do PT. Na sua avaliação, o governo também necessita "vender" melhor as suas realizações e ter uma política de comunicação mais eficiente, porque muito do que Dilma fez só foi conhecido na campanha.
Esplanada. Dois dias após Marta Suplicy ter deixado o Ministério da Cultura dizendo que Dilma precisa de uma equipe de trabalho que resgate a confiança e a credibilidade a seu governo, principalmente na seara econômica, deputados do PT afirmaram que o partido deve se debruçar sobre suas mazelas pós-eleição e insistir na necessidade de maior peso político na Esplanada.
"Muitos ministros são até desconhecidos", observou Bittar. "É necessário pessoas que tenham maior visibilidade e que dialoguem com o Parlamento". Para Pimenta, o PT precisa se reformular e Dilma não pode mais deixar os movimentos sociais em segundo plano. "Como um partido que está há 12 anos no governo perde quase 20 deputados federais e elege só dois senadores?", perguntou ele.
O presidente do PT, Rui Falcão, pediu apoio ao projeto de lei enviado ao Congresso pelo Planalto, flexibilizando a meta de economia de gastos para pagamento dos juros da dívida pública. Os deputados prometeram votar favoravelmente à manobra do governo, mas disseram ter certeza de que partidos aliados, como o PMDB, cobrarão alto a fatura por avalizar essa proposta.

POLÍTICA: Alckmin e Aécio adotam táticas distintas para 2018

FOLHA.COM
DANIELA LIMA, DE SÃO PAULO

Os dois homens que vão disputar internamente a vaga de presidenciável do PSDB em 2018 lançarão mão de perfis e estratégias diferentes para tomar a dianteira na sigla.
A disputa será discreta e só deverá se acirrar após 2016. Até lá, ambos trabalharão juntos, mas desempenhando papeis distintos. Uma amostra desse percurso será dada nesta sexta-feira (14), quando o senador Aécio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP) se encontrarão publicamente pela primeira vez desde o fim da eleição.
Aécio, que disputou e perdeu a corrida pelo Planalto neste ano, virá a São Paulo para "agradecer" os votos que recebeu no Estado (64% dos eleitores paulistas optaram por ele).
O convite foi feito por Alckmin, que estrela situação inversa. Reeleito com facilidade no primeiro turno, o tucano é o anfitrião do Estado mais longevo para o seu partido –com ele, o PSDB chegará a 24 anos no poder.
Marlene Bergamo - 15.dez.2014/Folhapress 
Aécio Neves e Geraldo Alckmin participam de encontro com prefeitos dos Municípios de São Paulo
Aécio, que descansou apenas sete dias desde a derrota, ainda não tirou o figurino de candidato ao Planalto.
Desde o fim da disputa, vive uma espécie de terceiro turno permanente. "Esse governo já começa com um certo sabor de final de festa. No Congresso, a percepção que se tem é que quem ganhou fomos nós. O PT está envergonhado pela campanha torpe que fez", disse, por exemplo, nesta quinta (13), em entrevista à rádio Jovem Pan.
O mineiro promete fazer a oposição mais aguerrida que o PT já enfrentou desde que chegou à Presidência, em 2003. "Será a oposição mais qualificada que qualquer governo já enfrentou no Brasil. Uma oposição profundamente conectada com a sociedade. O brasileiro não aguenta mais. Ele acordou", concluiu.
Esse é o roteiro que seus aliados pregam: crítica aberta ao governo nas pautas que já lhe renderam frutos durante a disputa, como combate à corrupção, além de viagens pelo país, especialmente no Nordeste, para ampliar seu índice de conhecimento e divulgar duas propostas na região em que teve a menor votação.
Caberá a Alckmin, de perfil historicamente mais moderado, o que tem sido chamado em seu entorno de "oposição diplomática".
Ele manterá uma relação respeitosa com Dilma, para não enfraquecer projetos de parceria entre a União e o Estado, mas trabalhará para liderar o bloco de governadores de seu partido, tornando-se uma espécie de "porta-voz" da frente tucana.
Aliados esperam ainda uma postura mais "nacionalizada" e "otimista". Um integrante do governo avalia, por exemplo, que ao criticar o pessimismo com o país Alckmin já mira a eleição presidencial. Para esse aliado, o paulista mostrou que "quem quer comandar o Brasil não fala contra o próprio país".
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RIVALIDADES NO TUCANATO
Desejo de ser o candidato do PSDB ao Planalto em 2018 opõe Aécio e Alckmin em disputa por poder
Aécio Neves
Senador por MG
PONTOS FORTES
Bom desempenho nas urnas em 2014* – Com 48,4% dos votos válidos, o neto de Tancredo Neves foi o candidato tucano à presidência mais votado desde 2002
A cara da oposição – Presidente do PSDB, Aécio usará a máquina do partido e o mandato no Senado para se consolidar como o grande nome da oposição a Dilma
PONTOS FRACOS
Derrotas em Minas – No Estado em que fez carreira política e que governou por dois mandatos, Aécio teve menos votos que Dilma nos dois turnos
Sem vitrine – Aécio não conseguiu eleger Pimenta da Veiga (PSDB) para o governo de Minas. Seu rival, Fernando Pimentel (PT), venceu a disputa no 1º turno
"Se houvesse um Procon das eleições, Dilma estaria sendo hoje instada a devolver o mandato"
Em 12.nov.2014
"Dilma mentiu ao dizer que a inflação estava sob controle, que a proposta de independência ao Banco Central iria tirar a comida do trabalhador"
Em 10.nov.2014
Geraldo Alckmin
Governador de SP
PONTOS FORTES
Reeleição em São Paulo – Apesar da crise hídrica, o governador conseguiu se reeleger no 1º turno com 57% dos votos válidos -a segunda melhor votação de um candidato ao governo paulista desde a redemocratização
Vitrine eleitoral – O tucano governa o maior orçamento do Brasil e também o maior eleitorado (22,4% dos eleitores do país)
PONTOS FRACOS
Diplomacia – Como governador, Alckmin tem menos autonomia para criticar o governo federal, já que depende da boa vontade do Planalto para tocar sua gestão
Votação fraca em 2006 – O tucano foi o único candidato à presidência que teve um desempenho no 2º turno pior do que no 1º -de 41,6% dos votos válidos, caiu para 39,2%

ECONOMIA: Bovespa abre sem negociar ações da Petrobrás

ESTADAO.COM.BR
YOLANDA FORDELONE - O ESTADO DE S. PAULO

Após a companhia adiar a divulgação do balanço e diversas prisões serem feitas na operação Lava Jato, Bolsa abriu às 10h, mas ações da Petrobrás só começarão a ser negociadas às 11h30
Mesmo sem a Petrobrás, Ibovespa recuava mais de 1% pela manhã
O dia é de baixa na BM&FBovespa. Após a Petrobrás anunciar o adiamento da divulgação do balanço porque a auditoria PricewaterhouseCoopers decidiu não assinar as informações trimestrais, as ações da companhia não participam dos negócios na primeira hora do pregão. Mesmo sem a Petrobrás, o Ibovespa - principal índice de ações da Bolsa - recuava 1,15%, aos 51.251 pontos, às 11h15.
A Bolsa abriu em seu horário habitual às 10 horas, mas os papeis da Petrobrás só entrarão no call de abertura (minutos que antecedem a abertura dos negócios para formar o preço da ação) às 11h15. O call durará até às 11h30, quando então as ações começarão a ser negociadas.
A expectativa é de baixa, pois além do adiamento do balanço, nesta sexta-feira, 14, foram feitas diversas prisões na operação Lava Jato. 
De acordo com comunicado enviado na noite de quinta, ao mercado, a empresa informou que vai divulgar os resultados no prazo “mais breve possível”. Legalmente, a companhia tem até 30 de dezembro para divulgar o balanço, informou a Petrobrás na manhã desta sexta-feira.
Na segunda-feira, informações sobre o resultado serão divulgadas, mas o balanço completo deve sair em 12 de dezembro. A companhia manteve para segunda-feira a teleconferência com analistas para falar sobre as informações do balanço.

CORRUPÇÃO: Polícia Federal realiza buscas em sedes de empreiteiras; executivos são presos

FOLHA.COM
DE SÃO PAULO
DO RIO
DO ENVIADO A CURITIBA
DE BRASÍLIA

Adriano Vizoni/Folhapress 
Agentes da Polícia Federal e da Receita chegam ao escritório da construtora Camargo Corrêa, em SP
Em nova fase da Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem e desvios de dinheiro, a Polícia Federal realiza nesta sexta-feira (14) buscas em grandes empreiteiras e cumpre 27 mandados de prisão contra executivos e outros investigados.
A operação realizou mandados de busca e apreensão e prisões de executivos e empresários nas sedes das empresas Camargo e Corrêa, OAS, Odebrechet, UTC, Queiroz Galvão,Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa.
O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi preso no Rio.
Ao todo, 300 policiais participam da ação, que acontece em São Paulo, Paraná, Rio, Pernambuco, Minas e no Distrito Federal.
Os grupos investigados registraram, segundo dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), operações financeiras atípicas num montante que supera os R$ 10 bilhões. Durante a investigação, o doleiro Alberto Youssef – que está preso e colabora com a Justiça por meio da delação premiada – apontou que o esquema envolvia desvio de dinheiro Petrobras.
A Justiça decretou o bloqueio de R$ 720 milhões que pertencem a 36 investigados. Foi autorizado também o bloqueio integral de valores pertencentes a três empresas suspeitas de participar do esquema.
Em São Paulo, estão sendo cumpridos 29 mandados de busca, 17 de prisão e mais 9 de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para prestar depoimento obrigatoriamente.
Outros 11 mandados de busca e 6 de prisão são cumpridos no Rio. No Paraná, são 2 de busca e 1 de prisão. No DF, mais 1 de busca e 1 de prisão. Em Minas e Pernambuco, são cumpridos 2 mandados de busca em cada Estado.
Segundo a PF, os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.
EMPREITEIRAS
As prisões atingiram a cúpula das empreiteiras. Foram presos o presidente da empreiteira Engevix, Cristiano Kok, e um de seus vice-presidentes, Gerson Almada. Um terceiro executivo da empresa que teve a prisão decretada está no exterior.
O vice-presidente da empreiteira Mendes Junior, Sérgio Mendes Junior, foi preso no Lago Sul, área nobre de Brasília.
A PF também realiza buscas na casa do presidente da UTC/Constran, Ricardo Pessoa, investigada por ter pago propina para obter obras da Petrobras no Rio e em Pernambuco. Pessoa também é sócio do doleiro Alberto Youssef em um hotel e um empreendimento imobiliário.
Alexandre Aragão/Folhapress 
O presidente da UTC, Ricardo Pessoa, é levado pela Polícia Federal
Ao menos doze pessoas, entre policiais e membros da Receita Federal, chegaram, por volta das 6h20, no edifício da Camargo Corrêa, na avenida Faria Lima, em São Paulo. Cinco carros entraram pela garagem e três agentes da PF permanecem na porta do prédio, controlando a entrada.
A Camargo Corrêa é uma das empresas investigadas sob suspeita de pagar suborno a ex-diretores da Petrobras para obter contratos da estatal.
A empreiteira lidera o consócio CNCC, contratado para construir a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. A obra, que envolve outras empreiteiras, é a mais cara em curso no Brasil e de ultrapassar os R$ 40 bilhões quando ficar pronta, nos próximos meses.
Além de estourar o orçamento inicial, a obra foi superfaturada, segundo apurações do Tribunal de Contas da União.
O consórcio CNCC diz que não faz sentido a acusação de sobrepreço na obra, porque ela foi conquistada por meio de licitação.

CORRUPÇÃO: PF tenta prender Fernando Baiano, operador do PMDB na Petrobrás

ESTADAO.COMBR
ANDREZA MATAIS, FÁBIO FABRINI E FAUSTO MACEDO - O ESTADO DE S. PAULO

Na 7ª fase da Operação Lava Jato, Polícia Federal procura lobista apontado como elo do partido com esquema de corrupção envolvendo contratos da estatal
BRASÍLIA - A Polícia Federal tenta nesta sexta-feira, 14, prender o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, na sétima fase da Operação Lava Jato. Ele é apontado como o operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás, que envolveria o pagamento de propinas na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Nesta manhã, os policiais fizeram buscas no endereço de Fernando baiano no Rio de Janeiro, sem sucesso. Os agentes recolheram documentos e um computador.
A pedido dos investigadores, a Justiça também determinou o bloqueio de três contas de bancárias de empresas ligadas a ele. A nova etapa da Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, foi deflagrada nesta manhã. Ao todo, 85 mandados serão cumpridos e foi preso o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque. Onze mandados de busca são feitos em grandes empresas, apontadas como o braço financeiro do esquema de corrupção na estatal.
Fernando Baiano foi citado como agente do PMDB na estatal pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, preso desde março e que colabora com as investigações em troca de eventual redução de pena. Fernando Baiano teria sido um dos envolvidos nas negociações para a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que teria sido aprovada mediante o pagamento de propinas.
Planilhas apreendidas pelos policiais na empresa Costa Global, aberta por Paulo Roberto em 2012, relacionam supostos pagamentos para o operador do PMDB, no total de R$ 2,1 milhões. No Brasil, ele representa oficialmente um grupo espanhol que atua nas áreas de infra-estrutura e de energia.
A participação de Fernando Baiano, segundo apurou a PF, ocorreu na fase final da compra de Pasadena, em 2012, quando a Petrobrás pagou US$ 820 milhões para ficar com os 50% restantes da planta de refino - a primeira metade havia sido adquirida em 2006. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o negócio deu prejuízo de US$ 792 milhões.
Defesa. Fernando Baiano se identifica como representante de duas grandes empresas espanholas no Brasil. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, declarou que ele está à disposição da Justiça Federal.
Segundo Oliveira Filho, seu cliente está com depoimento marcado para a próxima terça feira, 18, em Curitiba (PR). "O sr. Fernando vai comparecer a todas as convocações, tanto da Polícia Federal, como do Ministério Público Federal e da Justiça Federal", declarou o criminalista.
Não está descartada a possibilidade de Fernando Baiano fazer delação premiada. Seu advogado afirma que, por enquanto, isso não vai ocorrer.

DIREITO: STF - Prazo prescricional para cobrança de valores referentes ao FGTS é de cinco anos

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) atualizou sua jurisprudência para modificar de 30 anos para cinco anos o prazo de prescrição aplicável à cobrança de valores não depositados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A decisão majoritária foi tomada na sessão desta quinta-feira (13) no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 709212, com repercussão geral reconhecida. Ao analisar o caso, o Supremo declarou a inconstitucionalidade das normas que previam a prescrição trintenária.
No caso dos autos, o recurso foi interposto pelo Banco do Brasil contra acórdão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que reconheceu ser de 30 anos o prazo prescricional relativo à cobrança de valores não depositados do FGTS, em conformidade com a Súmula 362 daquela corte.
Relator
O ministro Gilmar Mendes, relator do RE, explicou que o artigo 7º, inciso III, da Constituição Federal prevê expressamente o FGTS como um direito dos trabalhadores urbanos e rurais e destacou que o prazo de cinco anos aplicável aos créditos resultantes das relações de trabalho está previsto no inciso XXIX do mesmo dispositivo. Assim, de acordo com o relator, se a Constituição regula a matéria, não poderia a lei ordinária tratar o tema de outra forma “Desse modo, não mais subsistem, a meu ver, as razões anteriormente invocadas para a adoção do prazo trintenário”, sustentou.
De acordo com o ministro, o prazo prescricional do artigo 23 da Lei 8.036/1990 e do artigo 55 do Decreto 99.684/1990 não é razoável. “A previsão de prazo tão dilatado para reclamar o não recolhimento do FGTS, além de se revelar em descompasso com a literalidade do texto constitucional, atenta contra a necessidade de certeza e estabilidade nas relações jurídicas”, ressaltou.
Desse modo, o ministro votou no sentido de que o STF deve revisar sua jurisprudência “para consignar, à luz da diretriz constitucional encartada no inciso XXIX, do artigo 7º, da Constituição, que o prazo prescricional aplicável à cobrança de valores não depositados no FGTS é quinquenal, devendo ser observado o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho”.
O relator propôs a modulação dos efeitos da decisão. Para aqueles casos cujo termo inicial da prescrição – ou seja, a ausência de depósito no FGTS – ocorra após a data do julgamento, aplica-se, desde logo, o prazo de cinco anos. Por outro lado, para os casos em que o prazo prescricional já esteja em curso, aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados do termo inicial, ou cinco anos, a partir deste julgamento.
Os ministros Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski seguiram o voto do relator, negando provimento ao recurso. O ministro Marco Aurélio reconheceu o prazo prescricional de cinco anos, mas votou no sentido de dar provimento ao recurso, no caso concreto, sem aderir à proposta de modulação.
Ficaram vencidos os ministros Teori Zavascki e Rosa Weber, que votaram pela validade da prescrição trintenária.

Íntegra do voto do ministro Gilmar Mendes em recurso sobre prazo prescricional de FGTS
Leia a íntegra do voto do ministro Gilmar Mendes, relator do Recurso Extraordinário (RE) 709212, no qual foi julgado o prazo prescricional relativo a verbas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No julgamento, acompanhando o voto do relator, a Corte afastou o prazo de 30 anos para a reclamação de verbas não pagas, valendo o prazo prescricional de 5 anos. O Plenário fixou ainda regras específicas quanto à modulação dos efeitos da decisão. 
- Voto

DIREITO: STJ - Cônjuge casado em separação convencional é herdeiro necessário e concorre com descendentes

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que reconheceu a condição de herdeira necessária à viúva casada sob o regime de separação convencional de bens, mantendo-a no cargo de inventariante.
Para a Turma, o artigo 1.829, inciso I, do Código Civil (CC) de 2002 confere ao cônjuge casado sob o regime de separação convencional de bens a condição de herdeiro necessário, que concorre com os descendentes do falecido independentemente do período de duração do casamento, com vistas a lhe garantir o mínimo para uma sobrevivência digna.
A única filha do autor da herança recorreu ao STJ contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que reconheceu a viúva de seu pai como herdeira necessária. Sustentou que o cônjuge casado no regime de separação convencional de bens não é herdeiro necessário, citando para tanto um precedente da própria Terceira Turma nesse sentido, julgado em 2009.
Segundo a recorrente, na hipótese de concorrência com descendentes, deveria ser negado ao cônjuge sobrevivente casado sob o regime da separação convencional o direito à herança, pois ele não possuiria direito à meação e tampouco à concorrência sucessória. Concluiu pela necessidade de manutenção do regime de bens estipulado, que obrigaria as partes tanto em vida como na morte.
Ordem pública
O relator do recurso, ministro Villas Bôas Cueva, destacou que o concurso hereditário na separação convencional impõe-se como norma de ordem pública, sendo nula qualquer convenção em sentido contrário, especialmente porque esse regime não foi arrolado como exceção à regra da concorrência posta no artigo 1.829, inciso I, do CC.
“O regime da separação convencional de bens, escolhido livremente pelos nubentes à luz do princípio da autonomia de vontade (por meio do pacto antenupcial), não se confunde com o regime da separação legal ou obrigatória de bens, que é imposto de forma cogente pela legislação (artigo 1.641 do CC), no qual efetivamente não há concorrência do cônjuge com o descendente”, acrescentou o ministro.
Villas Bôas Cueva ressaltou ainda que o novo Código Civil, ao ampliar os direitos do cônjuge sobrevivente, assegurou ao casado pela comunhão parcial cota na herança dos bens particulares, ainda que sejam os únicos deixados pelo falecido, direito que pelas mesmas razões deve ser conferido ao casado pela separação convencional, cujo patrimônio é composto somente por acervo particular.
O relator destacou que, no precedente invocado pela recorrente (REsp 992.749), afirmou-se que "se o casamento foi celebrado pelo regime da separação convencional, significa que o casal escolheu conjuntamente a separação do patrimônio. Não há como violentar a vontade do cônjuge após sua morte, concedendo a herança ao sobrevivente”.Entretanto, o ministro disse que as hipóteses de exclusão da concorrência, tais como previstas pelo artigo 1.829, I, do CC, evidenciam a “indisfarçável intenção” do legislador de proteger o cônjuge sobrevivente. Segundo ele, “o intuito de plena comunhão de vida entre os cônjuges (artigo 1.511) motivou, indubitavelmente, o legislador a incluir o sobrevivente no rol dos herdeiros necessários, o que reflete irrefutável avanço do Código Civil de 2002 no campo sucessório”.

DIREITO: TRF1 - Direito ao recebimento de pensão por morte cessa aos 21 anos de idade

Crédito: Imagem da web
O direito ao recebimento de pensão por morte cessa quando o beneficiário completa 21 anos de idade. Esse foi o entendimento adotado pela 2ª Turma do TRF da 1ª Região para confirmar sentença da Comarca de Itanhandu (MG), que julgou improcedente pedido de antecipação de tutela para que fosse restabelecido ao autor o benefício de pensão por morte até que completasse 24 anos de idade.
Na apelação, o recorrente sustenta que apresentou provas de que está matriculado no Curso de Administração na Faculdade Presidente Antônio Carlos de Itanhandu (FAPACI), devendo ser aplicado ao caso exceção à regra por se tratar de curso de nível superior. Entende que tem direito a continuar recebendo o benefício.
As alegações foram rejeitadas pela Corte que, ao analisar a demanda, citou jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que “o direito à pensão por morte cessa quando o beneficiário completa 21 anos de idade, salvo se for inválido. O fato de se tratar de universitário não se apresenta relevante”.
O Colegiado também citou precedentes do próprio TRF1 que, em casos semelhantes, adotou o seguinte posicionamento: “A manutenção de pensão temporária, como determina o inciso II do § 2º do art. 77, da Lei 8.213/91, somente é devida até os 21 anos. Não há lacuna hábil a permitir interpretação diversa ou extensão para situações peculiares”.
Com tais fundamentos, a 2ª Turma, nos termos do voto do relator, juiz federal convocado Cleberson José Rocha, negou provimento à apelação.
Processo n.º 00015948-26.2014.4.01.0000
Data do julgamento: 29/10/2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ECONOMIA: Bolsa cai mais de 2%; dólar encosta em R$ 2,60, maior valor desde 2005

Do UOL, em São Paulo

O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em queda de 2,14% nesta quinta-feira (13), aos 51.846,03 pontos, em mais uma sessão com menos negócios do que a média.
As ações da Petrobras aceleraram as perdas no final do dia, com investidores cautelosos em relação ao balanço do terceiro trimestre da companhia, que pode ser divulgado na sexta-feira, o limite regulamentar.
A ação preferencial (PETR4), que dá prioridade na distribuição de dividendos, perdeu 3,61%, a R$ 13,60; a ação ordinária (PETR3), que dá direito a voto nas assembleias, caiu 3,03%, a R$ 13,13.
Dólar sobe 1,2% e encosta em R$ 2,60
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 1,21%, a R$ 2,595, ainda em meio à indefinição sobre o cenário político econômico no país.
Esta foi a terceira alta seguida e a maior cotação de fechamento desde 18 de abril de 2005 (quando o dólar fechou valendo R$ 2,609).
Segundo o jornal "Valor Econômico", o boato que circulava nos mercados era de que o nome de Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central, estava ganhando força como indicado para assumir o Ministério da Fazenda.
Rossi cai 6%; Hering tem maior alta
A maior queda do dia no Ibovespa foi da Rossi Residencial (RSID3), que perdeu 6,52%, a R$ 0,86, seguida pela Eletropaulo (ELPL4), com baixa de 4,95%, a R$ 7,49. A ação do JBS (JBSS3), que divulgou lucro cinco vezes maior, caiu 4,94%, a R$ 10,98.
Na ponta oposta, a Hering (HGTX3) subiu 2,56%, a R$ 24,87; as Lojas Americanas (LAME4) ganharam 2,54%, a R$ 15,72; a Braskem (BRKM5) avançou 1,9%, a R$ 19,26.
Bolsa do Japão bate novo recorde
As principais Bolsas da Europa fecharam em alta, apesar de as ações do setor de energia terem caído puxadas pela baixa do preço do petróleo.
A Bolsa de Portugal foi destaque de alta, subindo 1,07%; a da Itália ganhou 0,43%; a da Alemanha subiu 0,41%; a da Inglaterra, 0,37%; e a da França, 0,19%. A Bolsa espanhola foi na contramão e caiu 0,17%.
As principais Bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem uma tendência definida, depois da divulgação de dados sobre o crescimento da indústria chinesa.
A Bolsa do Japão saltou 1,14% e fechou novamente no maior nível em sete anos; a de Taiwan teve alta de 0,69%; Cingapura avançou 0,65%; e a China subiu 0,34%.
Na contramão, a Bolsa da Austrália caiu 0,37%; a de Taiwan perdeu 0,34%; e a da Coreia do Sul fechou em queda de 0,31%.
(Com Reuters)

COMENTÁRIO: Tombos progressivos

Por CELSO MING - ESTADAO.COM.BR

A derrubada das cotações é parte de fenômeno que alcança praticamente todas as commodities. É fator de enorme gravidade que atinge em cheio a economia do Brasil, que fatura em torno de US$ 125 bilhões por ano, apenas com exportações de commodities
O Citibank advertiu na terça-feira que o preço do minério de ferro está a caminho de um escorregão até o nível dos US$ 50 por tonelada. Hoje, está à altura dos US$ 75, menor preço em mais de cinco anos. Mas, em fevereiro de 2011, chegara muito perto dos US$ 200.
É essa perspectiva de perda seguida de faturamento que vem derrubando as ações da Companhia Vale, uma das três maiores fornecedoras de minério de ferro do mundo. Nos últimos 12 meses, desvalorizaram-se 36%.
A derrubada das cotações é parte de fenômeno mais amplo, que alcança praticamente todas as commodities. É fator de enorme gravidade que atinge em cheio a economia do Brasil, que fatura em torno de US$ 125 bilhões por ano, apenas com exportações de commodities.
Em nenhum momento o governo Dilma deu a entender que está consciente das implicações que o fim da bonança externa, de preços exuberantes das commodities, que durou mais de dez anos, terá para a economia brasileira. Sempre que o governo se manifestou sobre o desempenho insatisfatório das exportações foi para atribuí-lo ou à ação da estiagem ou da crise externa, como se se tratasse de problemas passageiros de pronta reversão.
A queda de preços das commodities apenas episodicamente se explica por quebra de consumo global. No momento, o fator decisivo é o aumento da oferta em ritmo superior ao da demanda. Foi o que aconteceu com o petróleo, que enfrenta a revolução do xisto nos Estados Unidos. E é, também, o que está acontecendo com o minério de ferro. Não foram apenas as três grandes (Vale , Rio Tinto e BHP Billiton) que intensificaram investimentos e produção. Milhares de pequenas mineradoras aproveitaram os preços recordes para empurrar a produção para todos os mercados do planeta.
Ainda que insatisfatório, há, sim, crescimento econômico global. Em 2014, o PIB dos Estados Unidos deve avançar 2,2%; o da área do euro, 0,8%; o do Japão, 1,0%. A China, principal importadora de matérias-primas, apenas deixou de crescer àquela velocidade, de 10% ou 12% ao ano. Hoje, sua atividade econômica marcha a ainda altamente invejáveis 7,5% ao ano.
A derrubada dos preços do petróleo e das demais commodities tem densidade para produzir grandes vítimas e mais crises. A Rússia, importante exportadora de petróleo e gás, deverá passar por graves apuros. A Venezuela, que já vinha afundando, vai afundar mais ainda, porque seu orçamento só conseguiria fechar se o petróleo estivesse acima dos US$ 120 por barril de 159 litros (hoje está a US$ 77). A Argentina, que vem sangrando há anos, vai sangrar ainda mais. E, ontem, o secretário do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, alarmado com a quebra das exportações de minério de ferro, pediu diversificação da economia.
O Brasil já vinha acusando deterioração no balanço de pagamentos, a contabilidade que registra entrada e saída de recursos. Mas até agora ostentava invejável superávit no intercâmbio de mercadorias (balança comercial). Agora tenderá a produzir déficit, possivelmente já neste ano. E o enfraquecimento das contas externas exigirá mais concessões e mais empenho em atrair dólares para garantir os pagamentos sem perda das reservas.
A perda de faturamento com exportações não é o único impacto na economia brasileira. À medida que as receitas dos exportadores também encolherem, menos recursos circularão pela economia, com prejuízo inevitável para o consumo e para o emprego.

COMENTÁRIO: Universo paralelo

Por Dora Kramer - ESTADAO.COM.BR

A presidente Dilma Rousseff procurou aparentar tranquilidade diante do gestual animoso escolhido pela senadora Marta Suplicy para deixar o ministério da Cultura. Acabou, porém, tropeçando nas palavras e atropelando a realidade.
Principalmente quando, na mesma entrevista dada no Catar a caminho da reunião do G-20, na Austrália, Dilma considerou que a reforma do Ministério não é uma questão urgente. "Vou fazer por partes", anunciou a presidente.
De duas, uma: ou se trata de mero despiste ou a chefe da Nação parece ser a única a não se dar conta de que o seu segundo mandato já começou. As circunstâncias não lhe oferecem período de carência. Carrega o ônus da vitória, sendo alvo de pressões de todo o lado. Não bastasse a oposição fortalecida e o maior partido aliado, o PMDB, em estado de rebelião surda, há movimentos estranhos partindo dentro do próprio PT, todo cheio de insatisfações.
Isso sem falar no que não se sabe que vem por aí em decorrência das investigações dos ilícitos cometidos na Petrobrás. Só se sabe que não é coisa de pequena monta. Nada está mais sob o controle do governo, há investigação no âmbito internacional, trata-se, pois, de um fato de ganhou pernas próprias. Estava desde o início claríssimo que o menor dos problemas nesse episódio era a repercussão eleitoral.
Desse caso é bem possível que se extrai uma terceira hipótese para alegada falta de pressa na reforma ministerial. Como envolve políticos da base governista e partidos que seriam contemplados com cargos na administração federal, é de se imaginar que a presidente esteja atuando com cautela.
Provavelmente aguardando informações mais seguras decorrentes dos acordos de delação premiada de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef para não correr o risco de indicar pessoas que estejam envolvidas no esquema de corrupção montado na estatal sobre cuja existência já não resta dúvida.
De qualquer forma, a pasta da Fazenda estaria fora dessa zona de perigo. Ademais, a presidente havia indicado que anunciaria o nome após a reunião do G-20. Ontem deixou a questão em aberto. Esse tipo de ambiguidade pode até ter razões estratégicas, mas não ajuda a reconstruir o capital de confiabilidade, cuja erosão foi ainda mais aprofundada na campanha eleitoral. A palavra da presidente saiu dela gravemente ferida no quesito credibilidade e continua sendo massacrada. Em questões de maior ou menor relevância.
Por exemplo, a versão de que os termos e o rito da demissão de Marta Suplicy estavam previamente combinados entre as duas é inverossímil. Fosse assim, não teriam sido de surpresa e perplexidade as reações em Brasília. O ministro da Fazenda tampouco teria rebatido as críticas de Marta à equipe econômica.
Guido Mantega, aliás, ficou falando sozinho depois que Dilma resolveu dizer que a ministra demissionária nada havia feito de diferente "de outros ministros", todos, segundo a presidente, donos do pleno direito de "dar opinião".
Não foi o que se viu ao longo dos últimos quatro anos, não é o que se depreende das palavras e atitudes de Dilma, de Mantega e agora mesmo na justificativa da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ao Congresso sobre a proposta de alteração da meta fiscal. Não obstante as evidências de que há descontrole nas contas - expressas em todas as medidas pós-eleitorais - para o governo vai tudo bem e quem diz o contrário é mensageiro do fracasso.
A respeito do que entende como o perfeito direito "das pessoas de dar opinião", a presidente teve oportunidade de detalhar ao desautorizar especulações sobre a reforma ministerial: "O Palácio não fala. O Palácio é integrado por paredes mudas, só quem fala sobre reforma ministerial é esta modesta pessoa que vos fala aqui". Modéstia à parte.

COMENTÁRIO: Marta Suplicy volta a atirar em Dilma. Pobre Dilma!

Por Ricardo Noblat - Do Blog do Noblat
OGLOBO.COM.BR

Presidente tente tirar por menos a carta de demissão da ex-ministra da Cultura. Sem sucesso.
Em Doha, no Qatar, de passagem para a Austrália, tia Dilma chamou dois jornalistas de “querido”. Isso é grave. Foi a primeira vez depois de reeleita que ela chamou jornalistas de “queridos”.
Quando a tia geralmente procede assim é sinal de que os jornalistas a irritaram. Ou seja: de que eles cumpriram com sua obrigação – a de perguntar sem temer a reação do entrevistado.
A ex-ministra Marta Suplicy, da Cultura, aproveitou a ausência de Dilma no Brasil para divulgar sua carta de demissão. Um dos parágrafos da carta foi especialmente venenoso. Este:
- Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente e experiente, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo (...)
Quer dizer: Marta não considera a atual equipe econômica nem independente nem experiente porque depende de... Dilma, a que centraliza poderes. Assim como considera o governo carente de confiança e de credibilidade.
O primeiro jornalista chamado de “querido” por Dilma perguntou sobre o que ela achara do tom crítico da carta de demissão de Marta. Dilma respondeu de cara feia:
- Meu querido, esta é uma opinião dela. Eu acho que as pessoas têm direito de dar opinião. Eu não acho nem A, nem B.
O segundo jornalista chamado de “querido” por Dilma perguntou sobre a eventual participação de Lula nas decisões dela. Dilma respondeu de cara mais feia ainda:
— Meu querido, me desculpa, mas não tem cabimento isso.
Não tem cabimento o quê? Lula participar de decisões que Dilma toma ou tomará? Ou não tem cabimento a pergunta do jornalista?
Foi visível o empenho de Dilma em tentar levar os jornalistas na conversa. Quando perguntaram se conhecera o conteúdo da carta antes de voar para Doha, ela respondeu:
- Eu conversei com a ministra, e nós acertamos a saída. Ela falou para mim, tem mais de um mês que isso está acertado.
Ou seja: os jornalistas perguntaram uma coisa e Dilma respondeu outra. Como de praxe. Por fim, Dilma negou que tenha ficado incomodada com o episódio. E disse que seria “uma injustiça com a ministra” afirmar ou sugerir dizer que ela esperou a viagem para devolver o cargo.
Em entrevista à jornalista Cristiana Lôbo, da GloboNews, Marta confirmou que pediu demissão com Dilma em viagem. E justificou:
— Bom, porque eu sou uma mulher independente. Sempre tive isso de determinação e coragem para fazer o que eu acho que tem que ser feito.
Sobre o parágrafo venenoso de sua carta, Marta não se esquivou:
— Eu sou paulista e São Paulo sente as agruras dessas dificuldades econômicas que o Brasil está vivendo.
Pobre Dilma! Como estão sendo duros com ela!
Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com a Xeica Moza bint Nasser (Imagem: Roberto Stuckert Filho / PR)

GERAL: Familiares e amigos se despedem de Leandro Konder, em velório no Rio

JB.COM.BR

Filósofo sofria de Mal de Parkinson e morreu por complicações decorrentes da doença
O corpo do filósofo Leandro Konder está sendo velado nesta quinta-feira (13) no Memorial do Carmo, no Caju, e será cremado amanhã, em cerimônia para amigos e familiares. Morto nesta quarta-feira, aos 78 anos, o filósofo foi autor de livros ligados a diferentes áreas do conhecimento, como filosofia, sociologia e educação, e é reconhecido como um dos autores brasileiros mais presentes nos estudos sobre Karl Marx.
Konder sofria de Mal de Parkinson e morreu em decorrência das complicações da doença, em sua casa. Professor da PUC-Rio e da UFF, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e, em 1984, obteve o título de doutor em Filosofia pela UFRJ. Atuou como advogado criminalista e, depois, trabalhista, até ser demitido dos sindicatos em que trabalhava, em função do golpe militar de 1964. 
Em 1972, forçado a sair do Brasil, foi para a Alemanha, onde trabalhou na Universidade de Bonn, e para a França. Retornou ao país em 1978 e, de 1984 a 1997, foi professor no Departamento de História da UFF. Desde 1985, lecionava no Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). 
Tem 21 livros publicados, e os que mais se destacam são "A derrota da dialética", "Flora Tristan – Uma vida de mulher, uma paixão socialista", "Walter Benjamin – O marxismo da melancolia", "Fourier – O socialismo do prazer – Vida e obra", "O que é dialética", "O futuro da filosofia da práxis". Publicou também os romances "A morte de Rimbaud" e "Bartolomeu". Em 2008 publicou "Memórias de um intelectual comunista". 
Leandro Konder nasceu em 1936, em Petrópolis, Região Serrana, filho de Valério Konder, médico sanitarista e líder comunista.

GERAL: Morre aos 97 anos, em Campo Grande, o poeta Manoel de Barros

Do UOL, em São Paulo

Tuca Vieira/Folha Imagem
O poeta Manoel de Barros, que morreu nesta quinta, aos 97 anos
Morreu nesta quinta-feira (13), aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros, um dos mais importantes representantes da poesia brasileira contemporânea, vencedor de dois prêmios Jabuti e que chegou a a ser chamado por Carlos Drummond de Andrade de "o maior poeta vivo".
Conhecido por poemas que incluem elementos da natureza e do cotidiano, em linguagem que se aproximava da oralidade, Barros nasceu em Cuiabá (MT), mas passou parte da infância em Corumbá (MS), no Pantanal, fato que marcaria toda sua obra poética.
De acordo com o hospital Proncor, de Campo Grande, onde ele estava internado desde o dia 24 de outubro, a morte ocorreu às 8h05, por falência múltipla de órgãos. O poeta vivia na capital sul-mato-grossense com a mulher, Stella, e a filha, Martha.
Manoel de Barros foi internado com quadro de obstrução intestinal e passou por uma cirurgia ainda em 24 de outubro e ficou na UTI até o dia seguinte. No último dia 4 de novembro, seu estado de saúde piorou, e ele voltou à UTI, onde permaneceu até o óbito.
Abílio Leite de Barros, 85 anos, irmão do poeta e também escritor, diz que, em seus últimos dias, Manoel esteve desacordado. Muito emocionado, o irmão disse ao UOLque não estava em condições de falar mais sobre Barros. 
O jornalista Pedro Spindola, 67 anos, amigo do poeta, conta que ele esteve com a saúde debilitada nos últimos seis meses, passando a maior parte do tempo na cama, mal conseguindo falar e enxergar. Segundo o amigo, Barros "começou a entrar em parafuso" em 2013, após a morte do filho Pedro, que era esquizofrênico --o escritor já havia perdido outro filho, João Wenceslau, em um acidente aéreo em 2005. "Ele cuidava do filho em casa. Tinha prometido para si mesmo que nunca o internaria. A morte do filho foi o que acabou com ele", afirma o jornalista. 
O velório acontece no cemitério Parque das Primaveras (av. Fellinto Muller, 2.211), em Campo Grande, das 13h30 às 17h, quando será realizado o enterro, no mesmo local. O velório é aberto ao público.
Trajetória
Nascido em 1916 em Cuiabá, Manoel Wenceslau Leite de Barros atuou no Rio de Janeiro como membro da Juventude Comunista entre 1935 e 1937, mas abandonou o partido, decepcionado com o líder Luís Carlos Prestes. O ano de 1937 também marca sua estreia literária, com o livro "Poemas Concebidos sem Pecado", edição artesanal de 21 exemplares confeccionada por amigos. Depois disso, Barros passa a publicar com regularidade.
Depois de se formar em direito no Rio e de estudar cinema e pintura no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), Barros se fixa em Campo Grande a partir de 1960, onde se torna criador de gado.
Ao longo de sua carreira, Barros recebeu inúmeros prêmios, entre eles dois Jabutis nas categorias poesia e ficção, respectivamente, pelos livros "O Guardador das Águas" (1989) e "O Fazedor de Amanhecer" (2001), além do prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor poesia, por "Poemas Rupestres" (2004).
Em 2013, a editora Leya republicou a obra completa de Manoel de Barros, em uma caixa especial com 18 livros, em novas edições.
Capas de livros de Manoel de Barros
Veja as obras publicadas por Manoel de Barros:
1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1980 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas
1989 — O guardador das águas
1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada
1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
1998 — Retrato do artista quando coisa
2000 — Ensaios fotográficos
2000 — Exercícios de ser criança
2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
2001 — Águas
2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
2004 — Poemas Rupestres
2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
2005 — Memórias inventadas I
2006 — Memórias inventadas II
2007 — Memórias inventadas III
2010 — Menino do Mato
2010 — Poesia Completa
2011 — Escritos em verbal de ave
2013 — Portas de Pedro Viana
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