quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

TURISMO: Aéreas terão 1.973 novos voos para atender a turistas na Copa do Mundo

De OGLOBO.COM.BR

Anac atendeu todos os pedidos feitos pelas companhias aéreas. 42% dos voos mudarão durante a Copa considerando a malha regular

DANILO FARIELLO (EMAIL)

BRASÍLIA - O governo criou 1.973 novas rotas de voos para funcionar no período da Copa do Mundo. Todos os pedidos das companhias aéreas foram atendidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com ajustes diante da capacidade dos aeroportos brasileiros. Consideradas também as alterações de voos para o período, segundo a Anac, mudarão 42% dos voos durante a Copa em relação à malha regular dom país no período. As medidas foram anunciadas nesta quinta-feira pela Anac.
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As empresas aéreas deverão responder à Anac até o dia 31 de janeiro se aceitam as mudanças ou se serão necessários novos ajustes em adequação de horários. Se aceitarem, a Anac espera que os novos voos já sejam oferecidos a partir da próxima semana. Mas, se duas companhias pediram voos idênticos, por exemplo, os horários podem ser ajustados em minutos ou horas.
- Pode ser que as empresas, diante dos horários que mudamos, façam propostas que se encaixem melhor. É trabalho que eles têm de fazer ajuste fino, por isso os números estão sujeitos a mudanças, mas esse é o número de voos que eles já podem comercializar - explicou Marcelo Guaranys, diretor-presidente da Anac.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que, dependendo da análise realizada pelas companhias, a inclusão dos novos trechos pode ocorrer "a partir das próximas semanas", em vez de efetuar as mudanças de uma só vez. A entidade recomendou, ainda, que os consumidores planejem com antecedência as viagens, evitando transtornos em casos de alterações de roteiro.
Durante os 45 dias em que o setor aéreo terá regime especial para a Copa, de 6 de junho a 20 de julho, a Anac vai operar de maneira mais próxima com os 25 aeroportos que poderão servir às cidades-sede, por exemplo, coordenando o uso da infraestrutura e evitando que as aéreas descumpram as regras.
- Tendo em vista que determinados aeroportos têm capacidade mais utilizada, pode ser que tenhamos mais oferta de voos em horários em que não há grandes ofertas hoje. Não só noite ou madrugada, mas meio da tarde. É natural que tenham voos durante todo o dia anterior.
Os consumidores que já adquiriram passagens para o período e que serão afetados, com alteração de horários ou cancelamento, por exemplo, deverão ser procurados pelas companhias aéreas para serem informados sobre as mudanças.
Segundo Guaranys, em todos os aeroportos ainda há capacidade disponível para voos não regulados (fretados, por exemplo) e aviação geral. Para os voos que parecerem saturados, a Anac poderá, como ocorreu durante a Jornada Mundial da Juventude, sugerir às aéreas que criem novas linhas para atender à demanda.
O rearranjo considerou que turistas de países como México e Argentina estarão entre aqueles que mais virão ao Brasil durante a Copa. Entre as cinco rotas mais pedidas estão voos do Galeão para Ezeiza e Aeroparque (ambos na Argentina) e do Santos Dumont a Viracopos. Com esses novos trechos, o governo espera que o valor das passagens disponíveis para turistas que vão assistir aos jogos caiam.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

COMENTÁRIO: Oficial e paralelo

Por DORA KRAMER - ESTADAO.COM.BR

No oficial o que se diz no PSB é que a aliança com Marina Silva vai muito bem. Os vetos impostos por ela a potenciais aliados que a desagradam são contornáveis e que na realidade há muito menos divergências entre os parceiros do que relatam versões disseminadas alegadamente por interesse dos adversários.
No paralelo não é bem assim. O próprio governador de Pernambuco já deu a impressão a mais de um interlocutor de que a convivência com a ex-senadora não é desprovida de conflitos e desconfortos.
Na avaliação de gente que acompanha de perto o andar dessa carruagem, se tivesse pensado um pouco naquela madrugada do dia 4 para 5 de outubro do ano passado, não teria dito um entusiasmado sim à proposta de Marina de se abrigar no PSB até que a Rede Sustentabilidade obtenha o registro na Justiça Eleitoral.
Seja qual for o cenário mais próximo da verdade, fato é que os empecilhos até agora apontados não têm nada de extraordinário. Por isso mesmo, tampouco a movimentação pré-eleitoral dá qualquer sinal de que, juntos, Marina Silva e Eduardo Campos dão exemplo de como se faz a "nova política".
Por ora, tudo tem transcorrido nos moldes habituais: incorporação de novos aliados (PSDB) ao governo de Pernambuco, defesa dos interesses de cada um dos integrantes da aliança na formação de coalizões estaduais, pressão por candidaturas próprias, tudo o que nesta altura acontece nos demais partidos.
Inclusive gestos aparentemente inexplicáveis, comuns nessa fase em que ninguém ainda quer abrir totalmente o jogo.
Um mistério apenas ronda a união que causou frisson na política: o anúncio da decisão do governador Eduardo Campos de abrir mão do apoio aos tucanos em São Paulo em troca de Marina Silva aceitar ser candidata a vice. Ora, não era isso que estava combinado desde o início, não foi nesses termos que os dois se acertaram?
Pois então, qual o impasse a ser resolvido? Pela lógica inexiste a hipótese de a ex-senadora não compor a chapa. Se fosse para não ser candidata, ela não teria se filiado ao PSB. Ficaria sem partido e seu apoio seria cobiçado da mesma forma.
Empurra. Para atender a Lula, o PT do Rio já adiou três vezes a data do desembarque dos cargos que ocupa no governo Sérgio Cabral, tema que seria discutido ontem pelo partido.
A prática de "segurar" gente que quer se desgarrar é usual. Recentemente aconteceu com Geddel Vieira Lima. Ele levou quase três meses para conseguir a exoneração de uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal a fim de se "liberar" para fazer oposição ao PT como candidato ao governo da Bahia pelo PMDB.
O pedido de demissão foi enviado no dia 1.º de outubro. Sem resposta. No dia 23 de dezembro, depois de várias tentativas, Vieira Lima disse ao vice-presidente, Michel Temer, que não viraria o ano sem deixar a CEF.
Temer pediu então que fosse enviada nova carta com data de dezembro. Assim foi feito, mas com a inclusão da expressão "reitero meu pedido" no início do texto.
Puro-sangue. Assim como o senador Aécio Neves prefere escolher alguém do PSDB para vice na chapa presidencial, o governador Geraldo Alckmin também quer a companhia de um tucano na disputa à reeleição ao governo de São Paulo.
Os motivos são diferentes. Aécio acha que o critério regional vale mais que o partidário. Por exemplo, ganharia mais votos escolhendo um vice de São Paulo do que reeditando a aliança com o DEM. Já Alckmin, se ganhar, em 2018 precisará sair do governo em abril para concorrer a outro cargo - provavelmente o Senado - e não quer deixar o Palácio dos Bandeirantes nas mãos de um partido que não o PSDB.

COMENTÁRIO: Efeitos especiais

Por CELSO MING - ESTADAO.COM.BR

Faz parte da filosofia voluntarista deste governo o entendimento de que, na falta de soluções, se deve chamar o marqueteiro.
Durante meses, a presidente Dilma se encarregou de tentar virar o jogo com discursos repetitivos e de mobilizar seus ministros a fazer a mesma coisa: o IBGE soltou números decepcionantes? Mobilize-se o Guido Mantega e o Alexandre Tombini. O mercado foi tomado por certa apatia em relação aos leilões de concessão? Acione-se a ministra Gleisi Hoffmann.
Agora, uma alentada comitiva oficial, com a presidente Dilma na comissão de frente, foi escalada para comparecer à conferência anual do Fórum Econômico Internacional de Davos, na Suíça, agendada para os dias 22 a 25. Sua missão é fazer a cabeça das autoridades e dos analistas internacionais a respeito das excelências da economia brasileira.
A presidente Dilma está completando seu quarto ano de governo e, até o momento, julgou ser dispensável sua presença no encontro anual de Davos, que reúne durante quase uma semana as mais renomadas autoridades de governo e os capitães globais de negócios.
No ano passado, o então chanceler do Brasil Antonio Patriota tentou justificar a ausência da presidente com a afirmação de que "a Davos só vai quem procura promoção pessoal". Agora vão ela mais a equipe econômica inteira. O embaixador Patriota não terá de dar explicações adicionais porque foi removido para outro posto.
O risco que corre o governo brasileiro é de vender fumaça com acompanhamento de orquestra. Se a suposta ofensiva internacional de marketing for feita sem substância a oferecer, o resultado pode ser um desastre, como aconteceu em 1994, semanas antes do estouro do Efeito Tequila que prostrou a economia do México. A iniciativa marqueteira das autoridades mexicanas ficou então imediatamente desmoralizada por falta de respostas convincentes aos maus resultados da economia.
Desta vez, a presidente Dilma talvez pretenda aproveitar a oportunidade para pregar um choque de capitalismo e, nessas condições, resgatar seu governo e sua política econômica do atual déficit de confiança.
O problema é que essas ofensivas precisam ser acompanhadas de ação. Meras exibições de planilhas animadas e coloridas em Power Point, sem indicação de mudanças radicais na administração das despesas públicas e sem correção das atuais distorções, tendem a ampliar a frustração e a aumentar a propensão das agências de classificação de risco a rebaixar a qualidade dos títulos de dívida do Brasil. Se isso de fato acontecer, tudo tenderá a piorar.
Em 2002, o então candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não precisou de efeitos especiais para virar a onda de pessimismo que tomara conta da opinião pública. Simplesmente, mandou divulgar a Carta ao Povo Brasileiro, em que se comprometeu, sem margem a dúvidas, a cumprir um programa confiável de administração das contas públicas e a puxar os juros básicos até onde fosse necessário para controlar a inflação.

ECONOMIA: Bovespa sobe puxada por Petrobrás e bolsas dos EUA

Do ESTADAO.COM.BR

Após alcançar a máxima de 50.230 pontos, Ibovespa encerrou com ganho de 0,81%, aos 50.105,37 pontos

Clarissa Mangueira, da Agência Estado

SÃO PAULO - A Bovespa conseguiu recuperar o nível dos 50 mil pontos e fechou em alta nesta quarta-feira, 15, conduzida pelos ganhos robustos das ações da Petrobrás em meio a comentários sobre um novo reajuste dos combustíveis. O desempenho positivo da bolsa brasileira também foi reflexo do rali nas praças acionárias internacionais, após a divulgação de balanços e indicadores econômicos positivos e de previsões melhores do Banco Mundial (Bird) para o crescimento da economia global em 2014.
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No fim do dia, o Bovespa subiu 0,81%, para 50.105,37 pontos. Na máxima do dia, a bolsa alcançou 50.230 pontos (+1,06%) e, na mínima, atingiu 49,715 pontos (+0,02%). O Ibovespa acumula queda de 2,72% no ano e no mês de janeiro. O volume de negócios totalizou R$ 5,509 bilhões.
O dia começou positivo para a Bovespa e outras bolsas ao redor do mundo, após o Bird elevar sua previsão de crescimento para a economia global em 2014 para 3,2%, de 3% anteriormente. Para o Brasil, prevê que expansão de 2,4% neste ano, uma das menores taxas entre os países emergentes. No entanto, a projeção é superior ao crescimento esperado pelo mercado financeiro, de 1,99%, apresentado no relatório Focus, do Banco Central.
O apetite por risco ganhou força mais tarde em meio a notícias corporativas e indicadores econômicos positivos dos EUA. O índice de atividade na região de Nova York (Empire State) aumentou de 2,22 em dezembro para 12,51 em janeiro - o maior nível desde maio de 2012. Um outro relatório mostrou que os preços no atacado voltaram a subir, em +0,4% em dezembro, na comparação com novembro, dentro do esperado, após três meses de quedas consecutivas.
Dando continuidade à série de anúncios de balanços de instituições financeiras previstas para esta semana, o Bank of America (BofA) informou que teve lucro líquido de US$ 3,43 bilhões no quarto trimestre de 2013, ante ganho de US$ 732 milhões em igual período de 2012. Amanhã é a vez do Citigroup e do Goldman Sachs anunciarem seus resultados.
As notícias provocaram um rali das bolsas dos EUA, com o índice S&P 500 atingindo o recorde intradia de 1.848,53 pontos. Esse número superou o nível de fechamento recorde registrado no dia 31 de dezembro do ano passado (1.848,36 pontos). Perto das 17h25, o índice S&P 500 subia 0,56%, o Nasdaq ganhava 0,79% e o Dow Jones avançava 0,75%.
Entre os destaques corporativos da Bovespa, a ação ON da Duratex liderou os ganhos da bolsa, hoje, com alta de 3,64%, favorecida por comentário positivo e recomendação de compra divulgado hoje por profissionais do Credit Suisse, segundo operadores.
As blue chips Petrobrás e Vale registraram ganhos robustos também. Os papéis ON da produtora de petróleo estatal fecharam com alta de 3,21%, enquanto os PN subiram 2,17%, após uma notícia, veiculada pela Folha On Line, de que a estatal e o governo estão estimando para junho um novo aumento da gasolina e do diesel. As ações ON e PNA da Vale terminaram com avanço de 1,34% e 1,44%, respectivamente. Segundo analistas, a queda de cerca de 8% dos papéis da mineradora neste ano desencadeou um movimento de ajuste.

RELIGIÃO: Papa retira Dom Odilo Scherer e mais três cardeais de comissão que supervisiona Banco do Vaticano

De OGLOBO.COM.BR

O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Papa acena ao fim da audiência na Praça São Pedro Andrew Medichini / AP
CIDADE DO VATICANO - O Papa Francisco adotou nesta quarta-feira novas medidas para reorganizar o Banco do Vaticano e renovou quatro dos cinco cardeais de uma comissão responsável por supervisionar as operações financeiras da instituição, dentre eles o brasileiro Dom Odilo Scherer e Tarcisio Bertone. Somente o cardeal francês Jean-Louis Tauran permaneceu no cargo. O grupo anterior, nomeado há menos de um ano, deveria permanecer no cargo até o fim de 2018.
Francisco praticamente anulou o decreto de Bento XVI, substituindo Bertone e outros membros da comissão do banco, chamado oficialmente de Instituto de Obras Religiosas. Em 16 de fevereiro de 2013, dias antes de anunciar sua renúncia, Bento XVI havia confirmado os membros do conselho de supervisão do banco por cinco anos. Entre eles estava o assistente e secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, que foi amplamente culpado por muitas das falhas administrativas do Vaticano, sob o comando de Bento. De acordo com fontes do Vaticano​​, Bertone havia pedido ao Pontífice para ser mantido na presidência da comissão, mesmo depois de sua saída do cargo.
Francisco nomeou outros quatro cardeais, incluindo seu secretário de Estado, Pietro Parolin, e Santos Abril e Castello, um amigo. Os outros membros são o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, e o cardeal Thomas Collins, arcebispo de Toronto. No meio do ano passado, o Papa já havia indicado um amigo de confiança, o monsenhor Battista Ricca, para ocupar o cargo de supervisor e designou uma comissão de investigação independente para examinar as atividades do banco e seu status legal.
Em 2012, Ettore Gotti Tedeschi, então presidente do banco, foi demitido sob acusação de incompetência e de não fazer o seu trabalho corretamente. A comissão de peritos, nomeada no verão passado por Francisco, deverá apresentar as primeiras conclusões na próxima reunião do “G8” (grupo de oito cardeais encarregados de reformas no Vaticano), em fevereiro.
Processo de mudanças
Em vários setores, o Papa está desmantelando o círculo do ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone, frequentemente culpado pelas turbulências no papado de Bento XVI e que, para muitos, foram o principal motivo de sua renúncia em fevereiro de 2013. Em setembro, por exemplo, Francisco retirou o cardeal Mauro Piacenza, um italiano conservador aliado de Bertone, do comando da poderosa Congregação para o Clero. Piacenza foi nomeado ao cargo em 2010. Hoje, está na Penitenciária Apostólica, um tribunal para assuntos internos do Vaticano.
As mudanças são parte de um amplo processo de remodelação da Igreja Católica conduzido por Francisco de forma constante e gradativa em pouco menos de um ano de pontificado, sem afetar, no entanto, a doutrina da instituição. De forma mais ampla, o Pontífice vem combatendo a tradicional proximidade entre políticos italianos conservadores e religiosos do país. O Vaticano continua a ser uma instituição desproporcionalmente italiana - o país ostenta o maior bloco de cardeais ao mesmo tempo em que responde por apenas 4% dos católicos do mundo.
Segundo religiosos, funcionários da Santa Sé, políticos e diplomatas ouvidos pelo jornal “New York Times”, o atual clima dentro do Vaticano varia de adulação à incerteza, profunda ansiedade ou até mesmo paranoia.

ECONOMIA: Acordo prevê aumento de combustíveis em junho

Da FOLHA.COM
NATUZA NERY / SHEILA D´AMORIM, DE BRASÍLIA

O governo e a Petrobras estimam para junho um novo aumento da gasolina e do diesel. O calendário, que não foi divulgado ao mercado, integra um dos pontos do mecanismo aprovado em dezembro pelo conselho de administração da empresa, presidido pelo Ministério da Fazenda.
Na reunião de dezembro, o conselho iniciou uma nova política de preços com o reajuste de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel.
À época, a estatal afirmou que o mecanismo fora adotado para garantir a "convergência dos preços internacionais ao mercado doméstico", há tempos defasado, e "assegurar a redução do nível de endividamento da estatal no prazo de 24 meses".
INFLAÇÃO
Segundo a Folha apurou junto a integrantes da equipe econômica, o calendário passou a preocupar mais a cúpula do Executivo após o reajuste do mês passado ter sido um dos vilões do aumento da inflação em 2013.
Uma saída, segundo setores do governo, seria antecipar o aumento, talvez para março, diluindo assim o impacto do reajuste sobre a campanha de reeleição de Dilma Rousseff.
Evitar a pressão inflacionária em ano de sucessão é uma das obsessões da presidente da República.
Nas avaliações internas, a principal força eleitoral da campanha pela reeleição vem do baixo índice de desemprego e do estável nível de renda da população, variável sempre impactada quando há pressão nos preços.
SIGILO
Em dezembro, após aprovar a política de recuperação, a Petrobras deixou claro por meio de comunicado que os critérios de reajuste não seriam divulgados. Nem a empresa nem o Executivo federal detalharam qual seria o mecanismo.
O efeito colateral do sigilo é blindar o governo de cobranças no caso do não cumprimento dos parâmetros para tentar sanar o deficit no caixa da empresa.
No comunicado divulgado à época, a estatal afirmava que, para recuperar o caixa, combinaria a política de reajuste com o crescimento da produção de petróleo.
Tanto o aumento de dezembro quanto a definição de um método de reajuste ocorreram após intenso embate entre a companhia e o governo federal, sócio majoritário e resistente à elevação por medo de provocar mais inflação.
FÓRMULA
Ano passado, para pressionar a Fazenda, a diretoria da empresa havia aprovado, de surpresa, uma fórmula de reajuste automático, mas a alternativa acabou sendo descartada por ordem de Dilma. O argumento é de que a fórmula criaria um gatilho inflacionário na economia.
Sem novos reajustes, a empresa pode ser rebaixada pelas agências de classificação de risco; ou, no jargão de mercado, perder o chamado grau de investimento em plena corrida eleitoral. Esse rebaixamento encareceria empréstimos e financiamentos tomados no exterior, por exemplo.
Nos últimos anos, o Brasil passou de exportador a importador de gasolina para dar conta do aumento da frota de veículos.
As importações acabaram afetando os resultados da estatal, já que ela não repassa para os consumidores o custo total das aquisições.
Analistas de mercado e economistas ligados à oposição atribuem ao governo o controle de preço da gasolina e seu impacto sobre a saúde financeira da empresa.
Durante a eleição, o controle sobre os aumentos da Petrobras tendem a ser um dos temas da campanha.
Procurado, o ministério da Fazenda não comentou o assunto e informou que o titular da pasta, Guido Mantega, presidente do conselho de administração da Petrobras, está em férias. A assessoria da estatal também não quis comentar.

ECONOMIA: Bovespa avança; dólar opera em queda, perto de R$ 2,35

Do UOL

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em alta nesta quarta-feira (15). Por volta das 14h36, o índice subia 0,68%, a 50.040,47 pontos. No mesmo momento, o dólar comercial caía 0,14%, a R$ 2,353 na venda. O Banco Central realizou nesta manhã mais uma etapa do seu programa de intervenções diárias no mercado de câmbio. Foram vendidos 4.000 contratos de swap cambial tradicional (equivalente à venda futura de dólares) com vencimento em 1º de setembro. Na próxima quinta-feira, o BC iniciará o processo de rolagem dos swaps que vencem em 3 de fevereiro, cujas condições devem ser anunciadas ainda nesta quarta-feira.

TURISMO: PF bate recorde de emissão de passaportes

Do ESTADAO.COM.BR

Em 2013, foram emitidos 2,1 milhões de documentos, crescimento de 9,5% em relação a 2012

A Polícia Federal bateu o recorde de expedição de passaportes, com 2,1 milhões unidades em 2013. Houve crescimento de 9,5% em relação a 2012, quando foram emitidos 1,94 milhão de documentos de viagem. Em 2010, ano em que foi lançado o novo passaporte brasileiro com chip, o número chegou a 1,5 milhão.
"O aumento da renda na última década levou muitos brasileiros a viajarem ao exterior. A procura pelo documento exigiu esforços da PF para corresponder à demanda crescente", explicou o coordenador geral de Polícia da Imigração da PF, José Luiz Povill.
Os documentos de viagem possuem tecnologia reconhecida internacionalmente. A presença do chip facilita a imigração nos países que adotam os portais eletrônicos.

ECONOMIA: TVs estrangeiras diminuem cobertura da Copa devido aos preços do Brasil

Do UOL
Carolina Juliano
TVs transmitem jogo da Copa das Confederações no Mineirão, em Belo Horizonte
Emissoras de TV estrangeiras estão tendo que rever seus planos de transmissão da Copa do Mundo de 2014 no Brasil devido aos valores exorbitantes que estão sendo orçados por produtoras brasileiras, hotéis e pelo mercado imobiliário na hora de alugar uma sala para montar o escritório. Algumas estão mesmo desistindo de se estabelecer no país durante o mundial por considerarem os valores completamente inviáveis.
A reportagem do UOL ouviu alguns representantes de produtoras brasileiras que preferiram não se identificar por questões estratégicas e porque ainda não conseguiram fechar os seus contratos, mas que informam que não só os estrangeiros estão sendo prejudicados com esse custo elevado, mas também as próprias produtoras brasileiras, porque os clientes não estão fechando contrato pelos valores pedidos.
"A verdade é que muita gente viu na Copa uma oportunidade única de ganhar dinheiro e até de se aposentar, e essas empresas resolveram inflacionar o mercado", diz a fonte de uma das maiores provedoras do Brasil em serviços de transmissão via satélite. "O Brasil já é mais caro que o resto do mundo por conta dos nossos impostos, se resolvem cobrar muito acima do normal ainda, fica inviável mesmo."
O caso mais emblemático citado por essa fonte é o de um grande canal inglês, que foi um dos primeiros a fechar um pré-contrato para se estabelecer no Brasil, montar estúdio, trazer apresentadores e equipes para transmitir direto daqui. Há dias, o canal rescindiu contrato e diminuiu em 70% seu trabalho no Brasil. "Resolveram montar o estúdio na Inglaterra mesmo, pois só a montagem aqui custaria US$ 1 milhão, pagaram a multa rescisória do contrato e agora vão apresentar de lá com alguns links (entrada ao vivo com jornalista) no Brasil, e ainda resolveram trazer equipamento e pessoal próprios", informa a fonte.
Outro caso citado por ela é de uma emissora australiana, que previa a montagem de estúdio de transmissão no Rio de Janeiro, com quatro apresentadores e mais convidados. Isso custaria para eles na Europa, por exemplo, US$ 200 mil. No Brasil pediram este valor apenas pela locação do imóvel onde seria montado o estúdio. Os australianos também tiveram que mudar de planos.
Impostos e logística
Produtores nacionais informam que a transmissão da Copa no Brasil já teria os custos mais altos do que no resto do mundo porque a carga tributária é muito grande. Segundo fontes consultadas pelo UOL, o imposto que se paga por esse tipo de serviço chega a 30%. Além disso, a logística dessa Copa do Mundo é muito difícil pelas distâncias a serem percorridas. 
Outra fonte de uma grande produtora sediada em São Paulo cita o caso de um orçamento pedido por uma emissora do Japão. A seleção japonesa vai jogar em Natal e depois segue para Cuiabá num espaço de quatro dias. "Não é possível que a mesma unidade móvel que vai para Natal chegue a tempo e preparada para fazer o jogo de Cuiabá. Isso encarece muito o orçamento porque vamos precisar de dois carros", diz a fonte.
Para fazer um jogo em Manaus, a produtora de São Paulo estima que levaria sete dias para chegar lá com todos equipamentos e para prepará-los. O custo disso é muito alto e não vale a pena para realizar apenas um jogo. Tem seleção que vai viajar milhares de quilômetros entre um jogo e outro. "Os estrangeiros simplesmente não pagam. Eles estão sacrificando a participação deles na cobertura do mundial devido aos preços praticados no Brasil."
Aluguel de meio milhão
Uma das três maiores cadeias de televisão do Golfo Pérsico também não conseguiu ainda fechar contratos para as transmissões no Brasil. Ela solicitou um orçamento grande, para abrir escritório, montar estúdio e se mudar para o Rio de Janeiro no mês da Copa. "Fizemos a pesquisa de locais para eles se alojarem e os valores que estão sendo pedidos no Rio de Janeiro são surreais", diz a fonte da produtora contactada. "Por uma área de 200 m² pediram meio milhão de reais. Tem hotéis cobrando diária de R$ 1 mil. Está todo mundo louco no Brasil e desesperado lá fora."
Outra emissora dos Emirados Árabes contactou profissionais no Brasil para contratar repórter e cinegrafista para transmitir ao vivo o sorteio dos grupos da Copa, realizado em 6 de dezembro na Costa do Sauípe, na Bahia, com mais um link na cidade do Rio de Janeiro. Pediram alguns orçamentos 20 dias antes do evento e desistiram de fazer também por causa dos preços. "No Brasil cobra-se a mais, por exemplo, por um profissional que fala inglês, mas na Europa falar inglês é condição primeira para ser um profissional, não cobra-se por isso", diz um produtor que já trabalhou em cadeias televisivas na Europa e no Golfo Pérsico. "Tudo isso parece absurdo para quem vem de fora fazer televisão aqui."
Na ocasião do sorteio da Copa, as fontes informaram que operadores de câmera que geralmente cobram diária de R$ 150 chegaram a pedir R$ 600, e como no nordeste brasileiro tem menos profissionais do que no sul e sudeste, até emissoras brasileiras tiveram que pagar mais caro para terem o serviço.
Na Argentina é mais barato
Uma outra produtora brasileira com sede em São Paulo, que habitualmente realiza trabalhos para uma das cadeias televisivas mais emblemáticas do mundo na produção de documentários, foi contatada para realizar uma produção sobre a Copa das Confederações de 2013. O programa seria veiculado antes do evento, mas diante do orçamento, o canal desistiu da produção.
Depois disso, o mesmo canal solicitou novo orçamento para realizar um programa sobre a Copa do Mundo. Este seria gravado e transmitido em português e espanhol, para o Brasil e América Latina, sendo que ambos iam ser gravados e produzidos em São Paulo. A multinacional também considerou o valor pedido inviável, mas desta vez não desistiu, foi à Argentina e contratou uma equipe de lá para produzir tudo em Buenos Aires, pois ficava muito mais barato.
"Está caindo a ficha"
A 150 dias do início da Copa do Mundo do Brasil não há praticamente contratos fechados entre produtoras brasileiras e emissoras estrangeiras. Nos próximos dias, quando a Fifa definir e distribuir as credenciais para os profissionais de imprensa, as emissoras terão que definir suas estratégias. Há um ano que as produtoras estão fazendo orçamentos para a Copa e já se observa uma queda nos valores pedidos no mercado. "Acho que está caindo a ficha e as produtoras estão vendo que se não abrirem mão dos altos lucros irão ficar sem cliente", diz a fonte de uma das maiores produtoras do País.
E como Copa do Mundo não é um evento para o qual se possa simplesmente dar as costas, para conseguirem trabalhar no Brasil, os canais internacionais estão se organizando como podem. Uns diminuindo em até 70% os trabalhos em nosso território, outros se retirando mesmo do Brasil, optando por transmitir de seus países, e ainda há vários que estão se unindo, abrindo mão da exclusividade e aceitando dividir equipamentos e até escritórios para não saírem no prejuízo.

DIREITO?: STF paga diárias de Barbosa na Europa

Do ESTADAO.COM.BR

Em férias, presidente da Corte receberá ajuda por período de 11 dias; tribunal diz que ele fará duas palestras, em Paris e em Londres

Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo

Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, receberá 11 diárias, no valor total de R$ 14.142,60, durante suas férias, para proferir duas palestras - em Paris (França) e Londres (Inglaterra). Dados do tribunal mostram que Barbosa receberá diárias para viajar no período de 20 a 30 de janeiro.
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Dida Sampaio/Estadão
Perguntado sobre seu destino durante as férias, respondeu: 'Você está querendo saber demais'
A primeira palestra que Barbosa fará está marcada para o dia 24 em Paris, segundo a assessoria do Supremo. A segunda ocorre cinco dias depois, em Londres. Até esta terça-feira, 14, os eventos não constavam da agenda oficial do presidente do Supremo. Não há, também, informações sobre sua agenda para esta quarta-feira e os demais dias.
O cronograma do evento francês, publicado no site da Agence Nationale de la Recherche - uma agência do governo francês dedicada à pesquisa científica - indica que Barbosa fará uma palestra de 30 minutos sobre a influência da publicidade das sessões do Supremo, transmitidas ao vivo pela TV Justiça, na racionalidade das decisões do tribunal.
Na segunda palestra, marcada para o dia 29 na Inglaterra, o presidente do Supremo falará sobre o funcionamento da Corte, em colóquio organizado pelo King’s College de Londres.
Oficialmente, Joaquim Barbosa está em férias. Voltará ao Supremo apenas no início de fevereiro, para a abertura do ano do Judiciário. No final do ano passado, após a última sessão plenária do tribunal, o ministro disse em entrevista que tiraria 20 dias este mês - do dia 10 ao dia 30.
Na ocasião, em entrevista gravada, ele disse que descansaria até o fim de janeiro. Perguntado sobre seu destino durante as férias, respondeu: "Você está querendo saber demais".
Entretanto, ele antecipou a saída e deixou pendente o mandado de prisão do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por envolvimento no esquema do mensalão. De acordo com informações do tribunal, não houve tempo hábil para que ele assinasse o mandado antes de viajar.
João Paulo permanece em liberdade, em Brasília, à espera de uma decisão da Corte. Internamente, a decisão de seu presidente de viajar antes de anunciar uma decisão para o caso do petista provocou críticas entre colegas de tribunal.
Interinos. Com a saída do ministro para as férias, assumiu interinamente o comando do STF a ministra Cármen Lúcia. No início da próxima semana, ela deixa o posto e em seu lugar assume temporariamente o ministro Ricardo Lewandowski. Tanto Carmen como Lewandowski deverão deixar a tarefa de assinar o mandado do deputado do PT para Barbosa.
A defesa de João Paulo entende que nenhum dos dois ministros teria poder para determinar a prisão imediata do parlamentar. Tal decisão caberia somente a Barbosa, que é o relator do processo. De fora do País, conforme integrantes do tribunal, Barbosa não poderia assinar a ordem de prisão.
Além dessa pendência, o presidente da Corte tem de decidir também se ordena a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), igualmente condenado por envolvimento no esquema do mensalão, mas que permanece em sua casa em Levi Gasparian, no interior do Estado do Rio de Janeiro, aguardando a decisão do relator sobre seu caso.
Barbosa programou sua volta ao tribunal para a abertura do ano judiciário, no dia 3 de fevereiro. No rol de processos pendentes estão, entre outros, os recursos de parte dos condenados no processo do mensalão, o julgamento dos planos econômicos e o pagamento de expurgos decorrentes da correção das cadernetas de poupança - além da questão da constitucionalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas.

SAÚDE: Rio Grande do Sul lidera estatísticas de suicídio no país

Da FOLHA.COM
FELIPE BÄCHTOLD
ENVIADO ESPECIAL A VENÂNCIO AIRES (RS)15/01/2014 11h39

Estado entre os melhores do país em indicadores sociais, o Rio Grande do Sul lidera estatísticas em uma área que preocupa governos e intriga pesquisadores: o de recordista em taxas de suicídio.
Órgãos de saúde do Estado tentam quebrar o silêncio sobre um tema sempre delicado e ampliar o atendimento a pacientes que consideram em situação de risco. Os gaúchos têm índices que atingem o dobro da média nacional.
Entre 2007 e 2010, o Estado teve 10,2 mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes – valor próximo ao de países europeus como Suécia e Noruega, que já foram conhecidos por índices elevados desse tipo de morte.
Dados do Ministério da Saúde tabulados pela Folha com cidades brasileiras acima de 50 mil habitantes apontou que, no período de 2007 e 2011, estão no Rio Grande do Sul 9 das 20 cidades que proporcionalmente tiveram mais casos.
O epicentro do fenômeno no Estado está no vale do Rio Pardo, região conhecida como um polo mundial da produção de fumo.
Um dos municípios mais ricos do Estado, Venâncio Aires teve 79 casos em cinco anos (o equivalente a 23,1 casos para cada 100 mil habitantes).
Na cidade de 69 mil habitantes a 127 km de Porto Alegre, o tema é um tabu. A explicação comum é a forte influência da cultura alemã e seus padrões de auto exigência.
Cerca de 10% dos leitos do principal hospital local são destinados à psiquiatria. Nos últimos anos, a prefeitura começou a investir em um programa de prevenção baseado em internações e grupos de ajuda.
O delegado Felipe Cano diz que os casos na localidade são tão numerosos que não é possível traçar um perfil dos mortos: há de pobres a ricos, jovens e idosos, moradores do centro e da área rural.
"Todo mundo sabe de uma história com um vizinho, um conhecido. E é uma coisa que não se divulga justamente para não fomentar", afirma.
Enquanto a cidade possui taxas de criminalidade baixas, na delegacia há centenas de fotos de investigações de suicídios, que precisam ser apurados até que a hipótese de crime seja descartada.
A enfermeira Cristina Teles, que atua na prevenção no município, diz que uma possível causa é um efeito de repetição. "A pessoa pensa: `meu pai fez isso, meu avô fez isso'. Em um momento de crise, cogita também fazer."
FUMO
Nos anos 90, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul levantou uma hipótese que associa a alta dos suicídios ao uso de agrotóxicos chamados organofosforados nas plantações de fumo. O trabalho apontava a possibilidade de o produto gerar efeitos comportamentais no agricultor.
O debate sobre o assunto fez com que até um projeto de lei fosse encaminhado no Congresso banindo o uso esses produtos. A proposta segue parada desde 2011.
A Associação dos Fumicultores, porém, rechaça essa relação e diz que hoje o composto é pouco usado. Uma pesquisa da Unicamp e de uma universidade local sobre o tema apontou que não havia relação entre as mortes e o uso do material na lavoura.
QUESTÃO DE HONRA
O psiquiatra Ricardo Nogueira, que estudou em mestrado as taxas de suicídio no Rio Grande do Sul, vê "múltiplos fatores" no fenômeno e cita a questão da "honra" na tradição gaúcha como uma das causas.
"Vejo uma coisa em comum entre gaúchos e japoneses. É a questão da dignidade, de não poder ser traído, de não levar desaforo."
Até a influência do Uruguai, onde os índices são muito superiores aos do Brasil, foi posta como hipótese.
O doutor em ciências médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Jair Segal cita a predominância na região de pequenas propriedades familiares, frequentemente afetadas por dívidas ou perdas com o clima.
"Há quem veja a morte como uma saída pela vergonha de perder a propriedade."

POLÍTICA: AL-BA: Base pede para Wagner manter secretário; Com tempo, petista pode ficar com vaga de Tadeu

Do BAHIA NOTÍCIAS 
por Sandro Freitas
Chamado de “braço direito” pelo líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, Zé Neto (PT), o deputado estadual Carlos Brasileiro (PT) ganhou uma série de aliados na tentativa de continuar como parlamentar em 2014. Suplente da chapa governista de 2010, o petista pode perder o cargo já na quinta-feira (16), pois o titular da cadeira na Casa é Paulo Câmera (PDT), atual secretário estadual de Ciência e Tecnologia (Secti), que para tentar a reeleição voltará a AL-BA e dará o posto no Executivo para a ex-vereadora e colega de partido, Andréa Mendonça. No entanto, a base aliada do governador Jaques Wagner (PT) prepara um apelo para manter Brasileiro como deputado. Quase todos os integrantes do grupo já assinaram uma carta, que será entregue ao governador, com o pedido para manter Câmera como secretário, o que manteria Brasileiro, ex-secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, na AL-BA. Com a garantia de que não se trata de uma desavença ou discordância com a volta do pedetista à Casa, o documento leva a rubrica de Zé Neto, o que garante força no apelo a Wagner. Mas a ideia é ganhar tempo até uma solução definitiva, que pode sair até fevereiro, conforme apurou o Bahia Notícias. A manobra serviria para Brasileiro ficar no lugar de outra pessoa, no caso, o deputado estadual Capitão Tadeu (PSB), que virou persona non grata entre alguns colegas, após denunciar o suposto uso de policiais militares em desvio de função na AL-BA (veraqui, aqui e aqui). 
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
Para isso, advogados, membros da Assembleia e do próprio governo do Estado têm apelado e “mexido os pauzinhos” para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o processo que pode cassar o mandato de Tadeu. Na eleição de 2010, o então candidato a deputado estadual Wank Medrado (PSL) recebeu 12 mil votos, mas ficou inelegível devido a irregularidades na campanha para prefeito de Juazeiro, em 2008 (ver aqui,aqui e aqui). O tribunal, há três anos, determinou que os votos fossem para o suplente Capitão Tadeu, que então assumiu o cargo através de um mandado de segurança. Desde então, o processo está parado, mas um julgamento do TSE pode anular os votos e o posto ficaria com Brasileiro, segundo fontes ouvidas pelo BN. Ou seja, a ideia é segurar Paulo Câmera na Secti até abril, prazo máximo para membros do Executivo deixarem o cargo e se candidatarem, já que o ainda secretário quer continuar na Assembleia em 2015. A esperança dos aliados de Carlos Brasileiro é de que os ministros cassem o mandato de Tadeu, decisão que pode sair até o final deste mês. O petista, por sinal, assumiu o posto após o TSE julgar outro processo, similar ao de Wank, em seu favor.

GESTÃO: Funcionários terceirizados reivindicam pagamento de salários atrasados em protesto no CAB

Do BAHIA NOTÍCIAS 
por Fernanda Aragão

Foto: Divulgação
Trabalhadores terceirizados fazem manifestação desde as 6h desta quarta-feira (15), em frente ao prédio da Secretaria de Educação do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). De acordo com informações do presidente da Central Única dos Trabalhadores na Bahia (CUT-BA), Cedro Silva, profissionais que prestam serviço em escolas estaduais não recebem salários há, pelo menos, três meses. “São copeiras, vigilantes, porteiros que ganham um salário mínimo e estão passando por necessidade. Só sairemos daqui quando conseguirmos visualizar o saldo [positivo] em nossas contas bancárias”, declarou, em entrevista ao Bahia Notícias. Ainda segundo o dirigente, na última segunda-feira (13) foi realizada uma reunião entre sindicatos das categorias e o secretário estadual da Fazenda, Manoel Vitório, na qual ficou acordado que os R$ 14 milhões referentes à dívida seriam pagos no dia seguinte. “É sempre um jogo de empurra. As empresas dizem que não receberam o repasse da verba e o governo diz que já realizou o pagamento”, desabafa. A assessoria de comunicação da Sefaz informou que vai apurar a situação.

(IN)SEGURANÇA: Família crê em morte de preso que desapareceu em Pedrinhas há nove meses

Do UOL
Carlos Madeiro
Ronalton Silva Rabelo, 32, desapareceu no dia 1º de abril de 2013
Há nove meses, a família do preso Ronalton Silva Rabelo, 32, busca notícias sobre o paradeiro do detento do Complexo Prisional de Pedrinhas, sem sucesso. Detido por assalto no Presídio São Luís 2, Rabelo desapareceu no dia 1º de abril de 2013, antes de ter o alvará de soltura expedido pela Justiça, o que ocorreu no dia 11 daquele mês. Ele estava em prisão provisória desde setembro de 2012 e não chegou a ser condenado.
Desde de lá, família e Estado travam uma luta de versões sobre o desaparecimento. A família acredita que ele esteja morto, enquanto o governo trabalha com a hipótese de fuga, já que nem o corpo do detento nem algum vestígio dele foram encontrados. Porém, à época, não houve relato de fugas da unidade.
O caso chamou a atenção das entidades de direitos humanos maranhenses. A Comissão da Assembleia Legislativa encaminhou pedidos de investigação do caso ao governo do Maranhão.
Na segunda-feira (13), a presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Eliziane Gama (PPS), pediu apoio à comissão de senadores do Estado para que o paradeiro do preso seja desvendado.
"É inaceitável que tenhamos sumiço de detentos dentro do sistema prisional. Não se sabe se está morto, se participou de uma fuga ou o que de aconteceu. Já pedimos providências, mas até agora não recebemos nenhum resultado das investigações da polícia", disse.
A situação de Ronalton lembra à do pedreiro Amarildo Dias de Souza, desaparecido na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em julho do ano passado.
Reconhecimento da morte
Segundo a prima de Rabelo, Iara Carvalho Carvalhêdo, o caso passou a ser uma tortura psicológica para a família."Queremos que o Estado reconheça a morte dele e dê uma resposta pra minha tia", disse.
Iara diz que não havia motivo para que Rabelo fugisse e não fosse em casa ver a mãe. "A mãe dele é muito doente, e ele era louco pela mãe. Jamais teria fugido e não a procurado", comentou.
PRESO DIZ QUE TRANSFERÊNCIAS PODEM GERAR MAIS ATAQUES
A saga da família em busca do corpo ainda parece longe do fim, embora familiares não esperem mais encontrá-lo com vida.
"A história que sabemos é que ele foi esquartejado, e os pedaços, jogados no lixo. Em seguida, o caminhão o levou. Andamos muito naquele presídio, no IML [Instituto Médico Legal]. Até adoeci de tanta história bárbara que ouvi", disse.
Uma das provas da família é um despacho da Justiça que transferiu presos considerados mais perigosos para presídio federal, em Mato Grosso do Sul, em julho. Um deles foi transferido sob alegação de "mandar esquartejar um preso".
"Eles [do Estado] sustentam de que não há provas e ele pode ter fugido. Mas lá em frente à penitenciária tem uma senhora que um dia desses ela falou pra uma amiga minha que um detento que saiu de lá contou tudo pra ela, que ele foi esquartejado e ainda comeram o fígado dele", disse.
Outro argumento apontado pela família é uma possível omissão de seguranças do presídio. "Os presos ficam lá desassistidos, jogados. Ninguém acompanha, não tem um agente pra tomar conta. Quando têm, eles são cúmplices e fazem o que os detentos mandam. Como pode eles matarem em uma só noite cinco homens e ninguém ouviu nada?", questionou.
Inquérito aberto
Em nota enviada ao UOL, a Secretaria de Estado da Justiça e Administração Penitenciária informou que o caso está sendo investigado pela Superintendência de Investigações Criminais.
"A polícia trabalha com a possibilidade de fuga do detento, já que a perícia na unidade onde ele cumpria pena não identificou sinais de morte. O inquérito foi encaminhado à Justiça no dia 20 de dezembro de 2013", informou.

CIDADES: Minha Casa Minha Vida enfrenta problemas como contas não pagas, puxadinhos e tráfico

De OGLOBO.COM.BR

Resultado tem sido altos índices de inadimplência, em alguns casos próximos de 90%; muitos conjuntos estão atolados em dívidas
Desde que o programa foi lançado, em 2009, 50,9 mil imóveis foram entregues no estado
São cerca de 200 mil pessoas vivendo nessas unidades

FÁBIO VASCONCELLOS 
Inaugurado em 2012, o Condomínio Ayres, em Senador Camará, acumula mais de R$ 100 mil em contas não pagas; o local já tem “gatos” de energia e imóveis invadidos Leo Martins / O Globo
RIO — Uma vizinha desavisada estende as roupas num varal improvisado do lado de fora da janela do seu apartamento. Um gatuno observa de longe. Na calada da noite, usa vara de pescar, linha, anzol e, com habilidade cirúrgica, consegue desprender e levar a roupa da vítima. No dia seguinte, há discussão entre vizinhos para saber quem furtou a peça. A cena pitoresca é apenas um detalhe em meio aos desafios que bateram à porta do Programa Minha Casa Minha Vida, que completa cinco anos em março.
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Acostumados ao estilo de vida informal das comunidades onde viviam, os moradores dos conjuntos construídos pelo projeto passam agora pelos dilemas impostos pelas regras de convivência dos condomínios. Além das dificuldades na relação com os novos vizinhos e da adaptação dos seus antigos hábitos, há problemas graves, como o caso daqueles sem condições de arcar com as despesas de água, luz, gás e taxa de condomínio. O resultado tem sido altos índices de inadimplência, em alguns casos próximos de 90%. Muitos conjuntos estão atolados em dívidas. Há ainda práticas que começam a se disseminar, como o “gato” de energia elétrica, o tráfico de drogas e a instalação de puxadinhos que funcionam como bares, cabeleireiros e vendas de alimentos, entre outros serviços.
Desde que o programa foi lançado, em 2009 — entre a contratação e a construção foram quase três anos —, 50,9 mil imóveis do Minha Casa Minha Vida foram entregues no Estado do Rio. São cerca de 200 mil pessoas vivendo nesses imóveis. Do total de unidades concluídas, 17,6 mil (34%) estão ocupados por famílias com renda de zero a três salários, faixa que concentra até 65% do déficit habitacional do Rio. São famílias que foram sorteadas pelo programa ou ganharam os imóveis para deixarem áreas de risco onde viviam. Para essa faixa de renda, existem mais 98 mil imóveis contratados, ou seja, em fase de construção em todo o estado. Somente na capital, são 66 mil, entre contratados e entregues.
O Condomínio Destri, com 421 unidades, em Senador Camará, foi o primeiro a ser inaugurado no Rio pelo Minha Casa e hoje, com apenas dois anos de uso, acumula dívida de R$ 60 mil de luz e R$ 40 mil de água. Arnaldo Rosa Bruzaco Filho, presidente da Associação de Moradores Beato João Paulo II, que reúne outros cinco condomínio do Minha Casa Minha Vida em Senador Camará, diz que o problema é comum nesses empreendimentos.
— Muitos moradores não se sentem obrigados a pagar as contas. Fui síndico do Destri, e lá enfrentamos problemas. Temos muitos gastos de manutenção. Para você ter uma ideia, quando chegamos aqui, até as mangueiras de incêndio tinham sido furtadas — diz Bruzaco.
Bares instalados em puxadinhos
No Condomínio Ayres (vizinho ao Destri), entregue também em 2012, a situação é mais grave. A síndica Iraci da Costa afirma que as contas já somam mais de R$ 100 mil. Como também não pagam pela luz, alguns moradores passaram a fazer “gato” de energia. O Ayres enfrenta outros problemas. Os 421 imóveis foram entregues a famílias que vieram de diferentes comunidades do Rio, controladas por facções rivais. Quase 90 apartamentos foram abandonados por moradores que se sentiam intimidados pelos vizinhos. Outros deixaram os imóveis, hoje já invadidos, porque não aceitaram pagar as contas. Já existem também bares instalados dentro do condomínio, em puxadinhos feitos pelos moradores.
— Os moradores não estavam preparados para morar num condomínio e estão transformando isso numa favela. A nossa inadimplência já chega a uns 90% — diz Iraci.
No município de Queimados, onde foi entregue em 2012 o condomínio Valdoriosa I, II e III, com quase 1,5 mil apartamentos, os problemas se repetem. Já há registro de venda de drogas. No Valdoriosa I, o síndico Jocely da Silva Gonçalves, de 42 anos, é quem faz a capina, pintura e manutenção das áreas de uso comum, porque falta dinheiro para contratar o serviço. É ele também quem tem de resolver as desavenças entre os moradores.
— Acabei de mediar uma discussão em que um morador queria esfaquear o outro — conta.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO consideram que o Minha Casa Minha Vida precisa passar por ajustes. Diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o economista Manuel Thedim diz que a questão a ser pensada é como levar pessoas que viviam na informalidade a se adaptarem à vida formal, com todos os custos de morar num condomínio. A falta de renda leva os moradores a instalarem pequenos negócios, repetindo a lógica da favela.
— Criar formas de ganhar dinheiro com um pequeno comércio é uma característica do empreendedorismo das comunidades do Rio. Não podemos condenar isso. Mas é evidente que existe um dilema dentro dos condomínios do Minha Casa Minha Vida. As pessoas foram levadas de uma hora para outra a viverem uma situação de formalidade a que não estavam acostumadas. Na favela, tudo era resolvido como cada um queria. É uma política de habitação que não foi conversada com os moradores — afirma Thedim.
Ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães é ainda mais crítico. Para ele, o Minha Casa não poderia sequer ser chamado de programa de habitação popular, porque não leva em consideração as expectativas dos moradores:
— O programa não envolve os moradores na discussão do tipo de moradia. O crédito imobiliário teria que ser universalizado no Brasil, deixar de ser tão restrito. A sua restrição se traduz nesse programa, no qual são o governo e a empreiteira que decidem quem vai morar e onde.
A secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, ressalta que o programa tem conseguido entregar moradias a moradores com renda de zero a três salários, justamente os que mais sofrem com o déficit habitacional no país. Ela reconhece, no entanto, que a adaptação à vida formal dos condomínios é um desafio. Inês acrescenta que o ministério repassa até 2% do valor dos empreendimentos para o trabalho de formação de gestores dos condomínios e para a área social. Ela diz que, no Rio, esse trabalho ainda não foi feito integralmente:
— Esse é o maior desafio que temos. Como é que eu trago um conjunto de família para uma outra situação (vida formal)? Por isso, é imprescindível que o poder público local esteja envolvido nesse processo. No Rio, quase metade do poder público (prefeituras) ainda não conseguiu contratar esse trabalho.
Em nota, a Secretaria municipal de Habitação informou que o trabalho de informação e preparo dos moradores é realizado nos três meses antes da entrega das chaves e durante um ano após a mudança, podendo ser prorrogado por mais um ano. Essa tarefa consiste, por exemplo, no esclarecimento de dúvidas e na prestação de informações (sobre pagamento de condomínio e contas individuais, sobre a vida nos conjuntos etc). A secretaria informou ainda que iniciou uma campanha para tentar reduzir a inadimplência, “mostrando a importância da taxa do condomínio para a preservação dos espaços comuns”.
Projeto ouve demandas de moradores em queimados
Para tentar reduzir as dificuldades dos condomínios do Minha Casa Minha Vida para as famílias com renda de zero a três salários, a Caixa Econômica Federal começou a financiar uma pesquisa para identificar soluções. O projeto, que vem sendo feito no Valdoriosa I, II e III, em Queimados, começou em outubro passado e deve ficar pronto em 2015. A iniciativa tem quatro eixos: geração de trabalho e renda, juventude e cultura, mulheres e ações socioambientais e de segurança alimentar.
Coordenador do projeto, também conhecido como #MaisValdoriosa, o sociólogo Paulo Magalhães, explica que os condomínios do Minha Casa Minha Vida passam por um processo de institucionalização — ou seja, do mundo mais informal para o espaço de maior formalidade —, e isso leva algum tempo. Segundo ele, estão sendo feitas reuniões com os moradores para identificar as principais queixas e o potencial do local. Ao final do projeto, será apresentado um plano de desenvolvimento integrado e sustentável do Valdoriosa. A iniciativa é tocada pelo Iets, pelo Ibase e pela Metrópoles Projetos Urbanos (MPU).
— Neste momento, estamos no processo de identificação das demandas dos moradores. Fazemos reuniões com eles para discutir esses temas. Tudo será feito conforme o interesse deles. Há dezenas de formas de gerar renda. Um outro foco do programa é discutir como podemos minimizar as tensões geradas pela convivência com novos moradores. A ideia não é impor nenhum modelo. Vamos construir com os moradores uma mescla do mundo formal e informal — explica Magalhães.

POLÍTICA: Peemedebistas recorrem a Lula para tentar desfazer mal-estar com Dilma

Do ESTADAO.COM.BR

Descontentamento com reforma ministerial e desacerto nas alianças estaduais opõem principal partido da base aliada ao Planalto; segundo Henrique Alves, presidente da Câmara, 'está tudo muito tenso' na relação

Vera Rosa e João Domingos - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Insatisfeitos com os rumos da anunciada reforma ministerial e sem acordo para as disputas nos Estados, dirigentes do PMDB vão pedir socorro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar apaziguar a relação com a presidente Dilma Rousseff. O clima de tensão no principal parceiro do PT na coalizão será escancarado hoje à noite, em reunião do vice-presidente Michel Temer com a cúpula do PMDB em Brasília.
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Lula está em férias, mas retornará às atividades no fim do mês. Para uma ala do PMDB, somente o ex-presidente - articulador político da campanha da reeleição de Dilma - pode ajudar a solucionar o conflito. Ele já foi acionado em outras situações de emergência com o PMDB, definidas informalmente pelo Planalto como de Tensão Pré-Ministerial.
A nova crise começou porque, em conversa mantida com Temer na segunda-feira, Dilma disse a ele que não entregará ao PMDB o Ministério das Cidades, hoje controlado pelo PP, e que também terá dificuldades para substituir agora o afilhado do governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), na Integração Nacional. O indicado dos irmãos Gomes assumiu a pasta em setembro, depois que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável adversário de Dilma na eleição, entregou os cargos que o PSB mantinha na equipe para ficar mais à vontade na disputa pelo Planalto.
Responsável pelas obras de transposição do Rio São Francisco, a Integração é uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada, com previsão de orçamento de R$ 8,5 bilhões. Com cinco ministérios sob seu comando (Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Aviação Civil e Turismo), o PMDB insiste em desbancar "a turma dos irmãos Gomes" - Ciro e Cid - da Integração para dar a vaga ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) na reforma do primeiro escalão.
Apesar de não ter batido o martelo sobre o destino desse ministério, Dilma avisou a Temer que precisará abrigar novos aliados no governo, como o PROS, o PTB e o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Na contabilidade da presidente, a empresa Transpetro - subsidiária da Petrobrás que é controlada pelo PMDB - entra na cota dos ministérios, tamanho o seu poder de influência.
'Tenso'. "Está tudo muito tenso e vamos tentar manter o partido unido", afirmou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Com a frustração na seara do PMDB, crescem as pressões para que a legenda antecipe de junho para abril a data da convenção que decidirá a aliança presidencial. Na tarde de ontem circularam rumores de que, se a convenção for antecipada, os defensores do rompimento com o governo Dilma poderão ganhar espaço.
"É muita ingenuidade achar que o PMDB vai romper com a presidente Dilma por causa de cargos", afirmou o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). "O que nós queremos é chegar a um acordo porque ou o partido é reconhecido do tamanho que tem ou não precisa ter nada no governo." A crise se reflete na montagem dos palanques nos Estados, o que, no diagnóstico dos peemedebistas, prejudica a campanha de Dilma.
Até hoje há problemas de convivência entre o PT e o PMDB em São Paulo, no Rio, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Rondônia, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Após o encontro com Dilma, Temer se reuniu com Cunha, Vital do Rêgo, com o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, e com o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Os peemedebistas não se conformam por serem preteridos por um apadrinhado de Cid e Ciro e lembram que o PROS, nova sigla dos irmãos Gomes, tem só um senador. Quando era ministro da Integração, Ciro, hoje secretário da Saúde do Ceará, definiu o PMDB como um "ajuntamento de ladrões".
O presidente do PT, Rui Falcão, foi chamado ontem à tarde por Dilma para uma reunião no Planalto. Ela começou a intensificar os contatos políticos porque quer acelerar a reforma na equipe. De oito a dez ministros devem deixar seus cargos, até março, para disputar as eleições. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

ESPIONAGEM: NSA instalou software em computadores do mundo todo, diz New York Times

Do ESTADAO.COM.BR

Segundo jornal, tecnologia está em uso desde pelo menos 2008; entre os alvos estão redes militares russas e chinesas

WASHINGTON - A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) colocou um software em quase 100 mil computadores ao redor do mundo que a possibilita realizar operações de vigilância nesses equipamentos e pode servir de caminho para ataques cibernéticos, revelou o jornal New York Times na terça-feira 14.
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Patrick Semansky/Arquivo/AP
Com software, NSA pode vigiar computadores
A NSA plantou o software na maioria dos casos por meio de acesso a redes de computadores, mas também usou uma tecnologia secreta que possibilita a invasão de computadores que não estão conectados à Internet, disse o jornal, citando autoridades americanas, especialistas em computação e documentos vazados pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.
Segundo o Times, a tecnologia está em uso desde pelo menos 2008 e utiliza um canal secreto de ondas de rádio transmitidas de minúsculas placas de circuito e cartões USB secretamente inseridos nos computadores. "A tecnologia de frequência de rádio ajudou a resolver um dos maiores problemas enfrentados pelas agências de inteligência americanas por anos: entrar em computadores que adversários, e alguns parceiros dos EUA, tentavam tornar impermeáveis à espionagem ou ataques cibernéticos", disse o jornal.
"Na maioria dos casos, o hardware de frequência de rádio precisa ser fisicamente instalado por um espião, uma fabricante ou um usuário sem intenção", acrescentou. Alvos frequentes do programa, conhecido como Quantum, incluíam unidades militares da China, que é acusada por Washington de conduzir ataques digitais contra militares e empresas dos EUA, segundo o Times.
O jornal disse que o programa também conseguiu plantar o software em redes militares da Rússia, assim como em sistemas utilizados pela polícia e os cartéis de drogas do México, instituições de comércio da União Europeia e em aliados como Arábia Saudita, Índia e Paquistão./ REUTERS
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