quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DIREITO: TRF1 - CEF é condenada a indenizar cliente por falha em débito de parcela de seguro de vida



A 5.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região manteve sentença que condenou a Caixa Econômica Federal (CEF) a reabilitar seguro de vida e acidentes pessoais contratado por cliente, com todas as garantias a ele inerentes, bem como efetuar o pagamento dos prêmios referentes aos meses de dezembro de 2002 a março de 2004.
Consta nos autos que em 17 de junho de 1993, o cliente celebrou contrato de seguro de vida e acidentes pessoais com a instituição financeira, ficando acertado entre as partes que o pagamento do prêmio se daria, mensalmente, por via do débito automático em conta-corrente.
O pagamento das parcelas foi debitado normalmente até julho de 2003, data em que o cliente notou não haver mais débito referente ao seguro em sua conta-corrente, o que implicou a rescisão do contrato por inadimplência.
O cliente, então, solicitou à CEF que reparasse o equívoco e restabelecesse a apólice do seguro com todas as características contratuais assumidas em 1993. A instituição bancária não atendeu ao pedido do cliente, replicando que o seguro estava cancelado desde 27 de dezembro de 2002, pois “os débitos automáticos não foram efetuados por motivo “outras restrições” e que, quando isso ocorre, “o sistema automaticamente muda a opção de pagamento para carnê e emite o boleto”, que fora encaminhado à residência do autor. Sustentou que era necessário que o cliente procurasse sua agência para saber qual o problema ocorrido em sua conta.
Culpa – O cliente, em sua defesa, afirmou que sempre houve saldo suficiente em sua conta para a liquidação das parcelas referentes ao seguro de vida e que, se o débito não foi efetuado, não o foi por culpa da CEF.
O argumento foi contestado pela entidade bancária. “Se houve culpa, no caso, foi exclusiva do autor, que deixou de efetuar o pagamento”, explicou.
Ao analisar o caso, o relator, desembargador federal João Batista Moreira, destacou que não há como prosperar a alegação da CEF de culpa do cliente, pois havia cláusula expressa no contrato de seguro autorizando débito em conta, a cada mês.
“Percebe-se que o cancelamento do seguro do autor deu-se exclusivamente por falha no serviço da CEF, que, a partir do mês do dezembro de 2002, não mais efetuou o débito automático”, afirmou o relator ao ressaltar que as alegações apresentadas pela instituição financeira “são desarrazoadas” e que se a CEF não realizou o débito em conta das parcelas conforme acordado entre as partes, esta agiu de forma descuidada, causando danos ao cliente, já que seu seguro foi cancelado.
Assim, a Turma, de forma unânime, negou provimento à apelação.
Processo n.º 0007901-90.2006.4.01.3800

DIREITO: TRF1 - Operação Trem Pagador - Turma considera ilegais escutas telefônicas e provas delas derivadas



Em julgamento ocorrido em 11 de setembro último, a 3.ª Turma do TRF/ 1.ª Região declarou nulas as interceptações telefônicas requeridas pelo Ministério Público e reconheceu a nulidade das provas derivadas de tais escutas, direta ou indiretamente, determinando a retirada imediata de tais documentos dos autos.
Em primeira instância, o juiz federal havia autorizado as interceptações telefônicas dos investigados José Francisco das Neves, Marivone Ferreira das Neves e Jader Ferreira das Neves, por entender que, em investigações de fraude em licitações com indícios de apropriação de dinheiro público, o monitoramento das comunicações telefônicas é de grande valia.
Em recurso a esta corte, os pacientes argumentam que, sendo o crime de “fraude em licitação” punido com pena de detenção, e não de reclusão, a interceptação é ilegal.
O juiz Tourinho Neto, relator do processo neste tribunal, entendeu que o argumento dos investigados é procedente, nos termos do art. 2.º, inciso III, da Lei 9.296/96. Além disso, que as escutas telefônicas só devem ser autorizadas quando absolutamente indispensáveis à apuração da infração penal. No caso em análise, segundo o relator, as provas necessárias ao deslinde das investigações podem ser obtidas por outros meios.
A decisão foi unânime.
Proc. n.º 0049876-36.2012.4.01.0000

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FRASE DO (PARA O) DIA


"La manera más fácil de aparecer como revolucionario es exigirles a los otros que lo sean."
José Emilio Pacheco
(1938)

COMENTÁRIO: Toque de celeridade


Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

O Supremo Tribunal Federal tem examinado a ação penal do mensalão com um olho nos autos e outro nos prazos. Este, sim, pode-se dizer que tenha como referência a opinião pública de que tanto reclamam os advogados de defesa.
Ainda que por hipótese remota não houvesse mais condenação alguma daqui em diante, existe a expectativa em torno do destino efetivo dos réus já condenados.
Serão presos, cumprirão de alguma forma as penas ou daqui a dois anos estarão levando vida normal, cuidando das respectivas atividades como se nada de diferente houvesse ocorrido que pudesse abalar a rotina de suas vidas?
O exemplo da primeira condenação de um deputado federal pelo STF desde que as regras mudaram e a Justiça deixou de precisar de autorização prévia do Congresso para processar parlamentares.
Natan Donadon foi condenado em outubro de 2010 pelos crimes de peculato e formação de quadrilha por ter desviado, junto com outros sete réus, dinheiro da Assembleia Legislativa de Rondônia, quando ocupava o cargo de diretor financeiro, em 1995. Até hoje, no entanto, está em liberdade por causa de embargos de declaração apresentados pela defesa e ainda não julgados.
A condenação a 13 anos, quatro meses e dez dias de prisão, mais multa de 66 salários mínimos, ocorreu por ato semelhante ao do deputado João Paulo Cunha. Donadon pagou R$ 8 milhões a uma agência de publicidade por serviços não prestados e mediante emissão de notas fiscais frias.
Foi relatora a ministra Cármen Lúcia, acompanhada pela unanimidade do colegiado na condenação por peculato que expôs a mesma lógica agora adotada no julgamento do mensalão no tocante aos quesitos ato de ofício e domínio do fato.
"Fugiria do limite do razoável imaginar que uma pessoa que exerce o cargo de diretor financeiro da Assembleia Legislativa, ao efetuar pagamento de serviços que custaram milhões de reais não tivesse a obrigação de se informar se eles estariam sendo devidamente prestados", argumentou Cármen Lúcia à época.
O presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, está atento ao risco de a postergação se repetir. Por isso já articula no tribunal uma alteração de procedimentos, assim como foi feito para evitar que o contraditório entre ministros resultasse em pane processual.
Pedirá aos magistrados que "encurtem" seus votos e, uma vez encerrado o julgamento, examinem os embargos em tempo exíguo. Se possível, em cinco dias a contar da apresentação.
Lá como cá. O Brasil mudou, a composição do Supremo é outra, a amplitude dos crimes também. Mas um traço de união existe entre o julgamento que absolveu Fernando Collor em 1994 e o que vai condenando os réus do mensalão: os pecados da soberba e da preguiça.
Naquele processo a acusação, mal instruída, acreditou na força da opinião pública. Agora foi a vez de a defesa apresentar-se desleixada, confiante no peso das formalidades jurídicas.
Boca do caixa. Quando resistiu às investidas de Lula para se submeter passivamente à sua vontade e aderir à campanha de Fernando Haddad depois de ter sido preterida, a senadora Marta Suplicy pareceu rebelar-se contra a política feita na base do manda quem pode e obedece quem tem juízo.
Agora se vê, não era bem assim. Tão generosas quanto equivocadas e mesmo ingênuas foram as avaliações sobre sua capacidade de preservar autonomia feitas inclusive neste espaço.
Era, na verdade, tudo uma questão de preço. No caso, o Ministério da Cultura, em troca do qual Marta deixou de lado a opinião de que o "amadrinhamento" de Haddad seria inútil e até desrespeitoso para com o eleitor, para assumir o papel de fada madrinha do candidato na periferia.
A natureza humana de fato tarda, mas raramente falha.

COMENTÁRIO: Choque elétrico


Por Celso Ming - O Estado de S.Paulo

O pacote de redução dos custos da energia elétrica para o consumidor é uma das mais importantes iniciativas tomadas pelo governo Dilma e pode indicar uma guinada na condução da política econômica.

O gráfico que está no Confira expõe um dos mais intrigantes absurdos da economia praticados até aqui. O Brasil deveria ser um país privilegiado em oferta e preço da energia elétrica. Nada menos que 75% da matriz da energia elétrica brasileira é hídrica. Ou seja, a matéria-prima destinada à geração dessa energia cai do céu e tem custo zero, ao contrário do que ocorre na maioria dos países que concorrem com o Brasil em produção industrial. Eles têm de gerar cada quilowatt/hora de que necessitam com queima de derivados de petróleo (óleo combustível ou diesel), gás, carvão ou combustível nuclear. São insumos de alto custo. E, no entanto, até agora a energia elétrica no Brasil é a quarta mais cara do mundo. Por quê? Porque se transformou numa gigantesca árvore de Natal: carrega uma enormidade de tributos, encargos, taxas e penduricalhos de outros tipos.
O governo está atacando agora esse incompreensível emaranhado do custo Brasil, por meio da redução de encargos e de taxas e por meio da mudança das regras das concessões.
Essa providência pode ter pontos criticáveis. Mas tem o mérito de não ser mais um puxadinho, como tantos outros pacotes casuístas e temporários editados nos últimos meses, que só beneficiam meia dúzia de setores da economia - geralmente os que gritam mais alto em Brasília. Desta vez, o governo começa a derrubar um importante custo estrutural que não vai beneficiar somente o consumidor pessoa física, mas todo o setor produtivo.
São tão óbvios os benefícios para toda a economia e para a formação de empregos a serem produzidos por uma substancial redução dos custos da energia elétrica que é inevitável perguntar por que isso não foi decidido antes. A explicação é conhecida: neste país ainda prevalece a mentalidade estreita e imediatista da voracidade tributária. Os dirigentes querem fazer caixa no curto prazo. Parecem incapazes de entender que custos mais baixos incentivam os investimentos, a produção, o emprego, o consumo e - naturalmente - a arrecadação.
Os governadores, por exemplo, avisaram que não acompanharão esse passo do governo federal. São capazes de loucuras nas suas guerras fiscais para atrair empresas para seu território, mas se mostram incapazes de derrubar um custo básico de todo o setor produtivo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu secretário da Fazenda, Andrea Calabi, por exemplo, já avisaram que manterão sua atual política míope, que cobra uma alíquota extorsiva de nada menos que 33% de ICMS (ou 25% cobrado "por dentro") pelo uso de energia elétrica.
A presidente Dilma Rousseff parece ter compreendido a importância das decisões que vão na direção da redução do custo Brasil. Vai tratando de derrubar os juros, os encargos sociais e, agora, os custos da energia elétrica. É essa a rota que vai na direção do aumento da competitividade do setor produtivo - e não do protecionismo, das reservas de mercado, das desonerações tributárias unilaterais e da desvalorização artificial da moeda.

ECONOMIA: Bovespa opera em alta e dólar sobe nesta quarta


Do UOL

A Bovespa continua a operar em alta nesta quarta-feira (12). Por volta das 11h35, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) subia 0,44% a 59.686,56 pontos. O dólar comercial também também tinha alta (0,2%), cotado a R$ 2,021. O euro tinha valorização de 0,5%, cotado a R$ 2,606. Acompanhe em tempo real as cotações da Bolsa

COMENTÁRIO: Fadiga de material


Do blog do NOBLAT
Por Merval Pereira, O Globo

E lá se vai o segundo ministério na tentativa de ajudar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. A senadora Marta Suplicy repete a mesma cena que o senador Marcelo Crivella protagonizou ao dizer que não sabia nem colocar uma minhoca no anzol ao ser nomeado ministro da Pesca, para aplacar a ira dos evangélicos com o PT.
Agora Marta diz que não sabe o que vai fazer no Ministério da Cultura, pois foi “surpreendida” pelo convite da presidente Dilma. Mas, na campanha, sabe que tem que convencer a “periferia” a gostar de Haddad, logo ela que foi descartada por Lula por representar a política velha.
Crivella não conseguiu controlar o PRB em São Paulo, partido da Igreja Universal que tem seu candidato na figura do “artista” Celso Russomanno, aquele que lidera as pesquisas de opinião na capital paulista e disse recentemente que não é político, dando talvez uma explicação intuitiva para o sucesso de sua candidatura.
A presidente Dilma, aliás, está não apenas desmentindo a informação de que não participaria da campanha eleitoral, como claramente exorbita de suas funções. O discurso que fez em rede nacional de TV supostamente para comemorar o Dia da Independência não passou de propaganda deslavada de seu governo.
Para completar o quadro de transgressões legais, ela fez críticas à oposição aproveitando-se de privilégio que a lei concede ao chefe de Estado, e não ao chefe partidário.
Mas esse esforço de Dilma, complementando o de Lula, está fadado a ser inútil se não acontecer com Russomanno o que sempre aconteceu das outras vezes em que se candidatou a cargos majoritários: definhar na reta final.
Pelo andar da carruagem, ele estará no segundo turno contra o tucano Serra ou o petista Haddad, que sofrem igualmente com a ânsia do eleitorado paulistano de descobrir uma novidade nessa polarização entre os dois partidos que governaram o país nos últimos anos e também a capital e o estado de São Paulo.
Pode estar havendo “desgaste de material”, como diagnosticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recentemente, em um surto de “sincericídio” que deve ter irritado Serra.
O fato é que, embora liderem a corrida às prefeituras dos 70 maiores colégios eleitorais do país, PT e PSDB apresentam desgaste nas capitais.
Entre as dez maiores, só em uma, Manaus, o PSDB está em primeiro lugar com o ex-senador Arthur Virgílio, e mesmo assim Vanessa Grazziotin (PCdoB) está na sua cola. O PT nem isso. Só aparece em primeiro em duas: Goiânia e Rio Branco.
O PSDB tem chances de eleger mais prefeitos de capital, mas é São Paulo que representará reafirmação de sua liderança ou confirmação de que perde força em seu próprio eleitorado, da mesma forma que o PT depende de uma vitória de Haddad para dar início ao processo que pretende levá-lo a ganhar o governo paulista, controlado pelo PSDB há 18 anos.
O PSB está na liderança em quatro capitais, e partidos decadentes como o DEM podem se reabilitar com vitórias expressivas em Salvador ou Fortaleza.
A verdadeira campanha de extermínio entre PT e PSDB pode acabar sem vencedores. É o caso do uso da mensalão na campanha eleitoral. Ironicamente, é tema que não traz conforto para qualquer das duas correntes políticas majoritárias no país.
Se por um lado o PT está sendo humilhado no julgamento do STF, após ter passado sete anos tentando enganar a população afirmando que não houve o mensalão, ou que não passava de uma farsa da oposição para derrubar Lula, o PSDB também tem seus pecados nesse terreno.
Além de ter originado o esquema criminoso na eleição para governador em 1998, com o mesmo Marcos Valério, que mais tarde levaria seu esquema de corrupção eleitoral para o nível nacional com a chegada do PT ao poder em 2002, o PSDB tem em São Paulo a apoiar a candidatura de José Serra ninguém menos que o deputado mensaleiro Valdemar da Costa Neto, que esteve na origem do mensalão petista ao negociar o apoio do PL, com a candidatura de José Alencar como vice na chapa de Lula.
Mais: numa demonstração de que o partido não tem nem mesmo organização interna, aparece na lista dos afetados pela Lei da Ficha Limpa em primeiro lugar, colocação nada honrosa para um partido que quer se impor ao adversário tanto no campo moral quanto no operacional.

DIREITO: Condição


Por Ilimar Franco, O Globo

A escolha antecipada de Teori Zavascki para a vaga de ministro do STF, que surpreendeu os interlocutores mais próximos da presidente Dilma, ocorreu sob compromisso de que ele não irá participar, em hipótese alguma, do julgamento do mensalão. O entendimento foi firmado no fim de semana, no Palácio da Alvorada, residência oficial.
- - - -
Interlocutores de Dilma dizem que ela escolheu Teori Zavascki para o STF de olho na indicação que poderá fazer, se reeleita presidente, à mesma vaga. Teori fez 64 anos em agosto, idade-limite para assumir o cargo, e faz 70 em 2018.

COMENTÁRIO: Perigo! Lula quer agir para evitar a prisão de mensaleiros


Por RICARDO NOBLAT - Blog do NOBLAT

Manchete da página 11 do primeiro caderno do jornal Valor, edição de hoje: "Lula discute saída para evitar prisão de petistas".
Diz a notícia no seu primeiro parágrafo:
- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no comando das articulações políticas e jurídicas para tentar salvar da prisão os acusados de montar o esquema do mensalão. Lula e a cúpula do PT avaliam que já não há mais o que fazer para evitar a condenação dos réus.
Assustei-me.
O julgamento do mensalão ainda não chegou à metade.
O destino dos réus depende exclusivamente do voto dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Haverá condenados e inocentes. E por fim os ministros fixarão a pena dos condenados.
O que Lula poderá fazer para evitar que os condenados cumpram pena caso os ministros assim decidam?
Os advogados sabem que medidas legais lhes restarão para livrar seus clientes da cadeia. Para isso não precisam da ajuda de Lula.
Então Lula só poderá ajudar os advogados se atravessar a fronteira da legalidade.
Como seria isso?
Pressionando os ministros do Supremo para que façam o que ele quer.
Ou pressionando Dilma para que ela pressione os ministros do Supremo.
Ou pressionando amigos dos ministros do Supremo para que os pressionem.
Onde fica o respeito à Justiça? À independência dos poderes? À própria democracia.
Mantido o respeito, simplesmente Lula nada terá a fazer para evitar que eventuais condenados sejam presos.
É por isso que a notícia do jornal assusta.
Lula foi protagonista de um escândalo dentro do outro.
Para tentar adiar o julgamento do mensalão, ele cabalou votos de ministros, sugeriu ao ministro Gilmar Mendes que ele poderia ter problemas com a CPI do Cachoeira e se ofereceu para livrá-lo de maiores embaraços.
Quanta afoiteza!
Gilmar subiu nas tamancas e contou o que ouvira de Lula.
O ex-presidente é conhecido por mandar às favas todos os escrúpulos quando quer alcançar seus objetivos.
Daí o perigo que representa em certas ocasiões.

CORRUPÇÃO: Maluf terá de pagar R$ 438 mil à Justiça da ilha de Jersey


Da FOLHA.COM

DE SÃO PAULO

Os advogados que defendem o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e seu filho Flávio na ilha de Jersey terão de pagar 135 mil libras (R$ 438 mil) à Justiça de lá por terem perdido mais um recurso.
A derrota se deu no processo em que a Prefeitura de São Paulo busca repatriar US$ 22 milhões que teriam sido desviados na construção da atual avenida Roberto Marinho.
O deputado terá de pagar as custas porque perdeu o recurso em que tentava provar que a Emurb, que geriu a obra, deveria ser a titular da ação, não a prefeitura. É a terceira vez que Maluf tem de pagar custas ou indenizações à Justiça de Jersey. Maluf diz que ele e seu filho não são citados no processo nem têm conta no exterior.

POLÍTICA: Suplente de Marta é investigado por suspeita de enriquecimento ilícito


Da FOLHA.COM

JOSÉ ERNESTO CREDENDIOROGÉRIO PAGNANDE SÃO PAULO

O vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), que assumirá uma vaga no Senado com a saída de Marta Suplicy (PT-SP), é investigado pelo Ministério Público de São Paulo desde agosto pela suspeita de enriquecimento ilícito.
O Ministério Público não informou a causa, mas o vereador disse que foi intimado a explicar o motivo de manter R$ 360 mil em casa, entre dólares e reais, conforme declarou à Justiça Eleitoral.
Ayrton Vignola-15.dez.2009/Folhapress
O suplente de Marta Suplicy, Antonio Carlos Rodrigues, ao ser reeleito para presidente da Câmara de São Paulo
O suplente de Marta Suplicy, Antonio Carlos Rodrigues, ao ser reeleito para presidente da Câmara de São Paulo
Ontem, o vereador colocou suas declarações de renda à disposição e disse que, ao ser informado pela Folha, conversou com um procurador do Ministério Público para tirar dúvidas. "Ele me respondeu: 'Não há nada contra você, abriu, você vai comprovar e acabou. De onde veio o dinheiro, a fonte, aí tudo bem'."
Dizendo-se irritado com o caso, disse que só como pessoa física chegou a receber, em média, cerca de R$ 560 mil por ano. "Posso guardar R$ 100 mil por ano."
O futuro senador já teve outros problemas na Justiça. Em 2010, o Superior Tribunal de Justiça acatou recurso contra decisão de segunda instância que o condenou a devolver R$ 32,7 milhões aos cofres públicos em razão de um contrato firmado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) quando ele presidia a companhia, em 1992.
Carlinhos, como é conhecido, declarou neste ano patrimônio de R$ 974 mil --em 2008, o valor foi de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 99,5 mil em moeda nacional. Diz que empobreceu por ter transferido parte dos bens para os filhos.
TRÂNSITO LIVRE
Com trânsito em diversas correntes políticas e fama de bom articulador, foi eleito quatro vezes seguidas presidente da Câmara Municipal de São Paulo, um recorde. Carlinhos expandiu o poder após ser chefe de gabinete na então Secretaria das Administrações Regionais na gestão Paulo Maluf (1992-1996).
Também se aproximou das empresas de ônibus e se dizia "amigo" dos empresários do setor.
Na Câmara, onde quase chegou à agressão física com adversários, foi o principal líder do "centrão", grupo de vereadores de diversos espectros formado para obter vantagens dos prefeitos, começando por Marta.
Em 2009, foi acusado pela Polícia Federal de receber propina da construtora Camargo Corrêa para interceder no Conpresp (órgão municipal de preservação do patrimônio histórico) pela liberação de um terreno.
Os outros senadores por São Paulo são Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

POLÍTICA: Dirceu diz a Lula não ter esperança de conseguir absolvição no Supremo



Da FOLHA.COM

CATIA SEABRA
EM SÃO PAULO


O ex-ministro José Dirceu afirmou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a outros aliados que não espera mais ser absolvido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.
Prestes a ser julgado pelo STF, Dirceu disse ainda que está preparado até para a hipótese da prisão.

Não porque existam provas contra ele, mas pela tendência esboçada pela corte, afirmou Dirceu.
Joel Silva-18.jul.2012/Folhapress
José Dirceu entra na casa de sua mãe em Passa Quatro (MG), a duas semanas do início do julgamento do mensalão
José Dirceu entra na casa de sua mãe em Passa Quatro (MG), a duas semanas do início do julgamento do mensalão
Quatro interlocutores do ex-ministro relataram à Folha conversas em que Dirceu se diz "preparado para o pior". Uma delas ocorreu há dez dias durante reunião com Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e o petista Sigmaringa Seixas.
Na conversa, Dirceu repetiu que, do ponto de vista técnico, o Supremo não teria como sustentar sua condenação. Mas, na opinião dele, o julgamento trilha um caminho político.
O grupo, que se reuniu no domingo retrasado, chegou a discutir o uso de recursos que possam reverter a decisão do Supremo, os chamados embargos infringentes.
Thomaz Bastos fez uma exposição sobre as próximas etapas na corte. Foi debatido ainda o impacto do julgamento nas eleições municipais.
Na avaliação dos participantes, há reflexo negativo, especialmente nas grandes cidades, mas outros partidos, como o PSDB, não estão imunes ao desgaste. No caso dos tucanos, por causa do "mensalão mineiro", que envolve o empresário Marcos Valério em campanha de Eduardo Azeredo em 1998.
CONFIANÇA
Procurada, a assessoria do ex-ministro da Casa Civil afirmou que "José Dirceu está confiante em sua absolvição pelo STF, pois é inocente das acusações que lhe são feitas na ação penal 470. É o que tem dito sempre que conversa sobre o julgamento".
O STF começa, no próximo capítulo de julgamento, a analisar as acusações de corrupção ativa e passiva imputadas a deputados da base aliada, relativas à compra de apoio político no Congresso.
Esse item, o quarto a ser analisado (e sexto da denúncia da Procuradoria), diz respeito à prática de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo PP, PL (hoje PR), PTB e PMDB.
Essa etapa ocorrerá quando o tribunal terminar de julgar a denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro contra dirigentes do Banco Rural e pessoas ligadas a Marcos Valério.
Se conseguir concluir o julgamento desse capítulo sem usar toda a sessão de quinta-feira, o relator Joaquim Barbosa poderá entrar ainda nesta semana na questão do mensalão propriamente dita.
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POLÍTICA: Entidades afirmam que projeto facilita aparelhamento da AGU


De OGLOBO.COM.BR
Demétrio Weber

Receio é politização de cargos e sua ocupação por pessoas de fora da carreira

BRASÍLIA A proposta de alteração da Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União (AGU) enviada pelo governo ao Congresso frustrou a expectativa de entidades representativas de advogados e procuradores públicos. Um dos pontos criticados é a possibilidade de que cargos da AGU sejam preenchidos por pessoas não concursadas, isto é, de fora das respectivas carreiras.
Embora essa possibilidade já exista hoje, os sindicatos esperavam que qualquer modificação da Lei Orgânica caminhasse no sentido de só permitir a ocupação de cargos por servidores de carreira. Uma das associações da categoria chega a falar em tentativa de “aparelhamento” da AGU.
Outro receio é que a proposta abra caminho para a politização do órgão, já que prevê a punição de advogados públicos que não observarem “as hierarquias técnica e administrativa”, isto é, que deixarem de seguir a orientação jurídica de seus superiores.
Sindicato cobra mudança gradual
As críticas foram feitas anteontem pelo presidente do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal, Alan Titonelli, que também preside o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). Ele reconhece que a atual Lei Orgânica da AGU, em vigor desde 1993, não impede o preenchimento de cargos com pessoal de fora das carreiras. Mas diz que haveria um compromisso do governo de mudar essa situação, substituindo quem é de fora.
— Embora a situação aconteça, o próprio governo já havia assumido o compromisso de alterá-la, fazendo uma substituição gradual — afirmou Titonelli.
Segundo ele, a proposta também restringe a liberdade de atuação dos advogados públicos, o que ele chama de “discricionariedade técnica”:
— É um projeto que elimina a discricionariedade técnica dos membros da AGU, o que contraria o Estatuto da OAB, que dá discricionariedade ao advogado. Essa hierarquização dá margem à politização.
Já a Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni), que não integra o fórum, solicitou ao presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), que o projeto seja devolvido ao Executivo por inconstitucionalidade.
“Trata-se (...) de um projeto cujo resultado será o desmonte da Advocacia-Geral da União, ensejando o aparelhamento e a politização de suas atividades. Eis um cenário que, inegavelmente, aumentará a corrupção nos órgãos públicos federais, pondo em xeque a própria concepção de Estado Democrático de Direito”, diz o texto assinado pelo presidente da Anauni, Marcos Luiz da Silva.
A AGU rebate as críticas. O procurador federal José Weber, que é adjunto do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirma que a proposta do governo aumenta o número de cargos que só poderão ser preenchidos por servidores de carreira. Weber cita como exemplo o secretário de Contencioso Constitucional e os subprocuradores-gerais da União, Federais, da Fazenda Nacional e do Banco Central. Segundo Weber, essas vagas hoje podem ser ocupadas por profissionais de outras carreiras, o que não será mais permitido, se o projeto for aprovado.
Lei atual proíbe indisciplina mas não demite
O adjunto diz ainda que a atual lei orgânica já obriga os advogados públicos a seguir orientações de superiores hierárquicos. É o que determina o artigo 28, inciso II, da Lei Complementar número 73/1993, que proíbe que advogados públicos contrariem “súmula, parecer normativo ou orientação técnica adotada pelo advogado-geral da União”.
Pelo projeto, porém, quem não observar as “hierarquias técnica e administrativa” cometerá “erro grosseiro”, passível de responsabilização. Na prática, isso pode levar à demissão, o que hoje não ocorre.
— Aqui não é Ministério Público, aqui nós temos hierarquia. Sem isso, vira bagunça. Imagine 8.500 advogados públicos e cada um pensando pela sua cabeça, em questões já definidas — diz Weber.
O adjunto da AGU sustenta, ainda, que a proposta tenta proteger os advogados públicos do risco de responder a órgãos de controle interno e externo, como CGU e TCU, por atividades inerentes ao exercício profissional. Segundo o texto, os advogados públicos responderão somente à própria AGU.
O projeto de lei complementar número 205/2012 foi enviado ao Congresso em 31 de agosto. Segundo o presidente do fórum nacional, os servidores tentarão modificar o texto na Comissão de Trabalho da Câmara, onde a proposta ainda será analisada.

ECONOMIA: Bolsas da Ásia fecham em alta com expectativas sobre EUA e China

Do ESTADAO.COM.BR

E&N TEMPO REAL
Agência Estado
Antonio Rogério Cazzali e Ricardo Criez
TÓQUIO – Os mercados asiáticos fecharam em alta nesta quarta-feira. Os investidores mostraram otimismo, à espera da reunião de política monetária do Federal Reserve – Fed, o banco central dos Estados Unidos. E também com as possibilidades de medidas de estímulo econômico por parte da China.
Este foi o caso na Bolsa de Hong Kong, que fechou em alta pela quinta sessão seguida, com rali de 4,9% no período. O Hang Seng subiu 1,1% e terminou aos 20.075,39 pontos, superando o nível psicológico dos 20 mil pontos pela primeira vez desde 23 de agosto. Destaque para o setor imobiliário: Henderson Land disparou 3,1% e Cheung Kong saltou 2%.
As Bolsas da China também tiveram números positivos, mas os ganhos acabaram limitados pelas perdas em bancos peso pesados. O Xangai Composto ganhou 0,3% e encerrou aos 2.126,55 pontos. O Shenzhen Composto subiu 0,5%, aos 901,29 pontos. As mineradoras e empresas de metais lideraram a alta: Jiangxi Copper avançou 3,3% e China Nonferrous Metal adicionou 2,9%. Bank of Communications caiu 1,4%.
A Bolsa de Tóquio fechou em forte alta nesta quarta-feira, em meio às expectativas de novas medidas de flexibilização por parte do Fed e à valorização do euro. Isso ajudou a alavancar as ações de várias empresas exportadoras, como Canon. Já o lançamento do novo iPhone, da Apple, estimulou as compras em papéis da TDK e de outras fornecedoras de componentes.
O Nikkei subiu 152,58 pontos, ou 1,7%, e terminou aos 8.959,96 pontos, após queda de 0,7% na sessão de terça-feira. O volume de negociações continuou fraco, com 1,55 bilhão de ações.
“O Fed irá provavelmente flexibilizar (a economia)”, disse um diretor de negociação de ações de uma corretora estrangeira. “A única questão é se será uma operação de ‘open end’ ou uma manobra convencional. Esta última abriria potencial para surpresas, enquanto a primeira poderia convidar para a realização de lucros.” As informações são da Dow Jones.

SEGURANÇA: Polícia diz que é mulher quem tentou invadir Planalto


De OGLOBO.COM.BR
Luiza Damé

‘Meu nome é marido da presidente’, dizia Edmeire, que entrou em confronto com guardas


Edmeire da Silva é contida por guarda do Palácio do Planalto
Foto: Agência O Globo / Gustavo Miranda
Edmeire da Silva é contida por guarda do Palácio do Planalto Agência O Globo / Gustavo Miranda
BRASÍLIA - A Polícia Militar e o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) informaram na noite desta terça-feira que Edmeire Celestino Silva, 29 anos, é mulher. Ela tentou invadir o Palácio do Planalto, subindo a rampa e entrando em confronto com o soldado do Batalhão da Guarda Presidencial, que chegou a fazer dois disparos com balas de borracha. Identificada como um homem a princípio, Edmeire estava visivelmente perturbada, dizia ser “marido” da presidente Dilma Rousseff e fez declarações de amor a ela. Durante a tentativa de invasão, Dilma estava no Palácio, conduzindo uma reunião sobre portos.
- Eu sou marido da Dilma Vana Rousseff. Eu gosto dela - disse, ainda deitada no chão, depois de ser contida pelos soldados e pelos seguranças da Presidência.
Segundo servidores do Palácio, Edmeire circulava há dois dias pelas imediações do Planalto. Ela falava coisas desconexas, como "vim da morte". Depois de muita insistência, afirmou não lembrar o nome nem a idade.
- Meu nome é marido da presidente - afirmou.
Perguntada sobre o que foi fazer no Palácio, respondeu:
- Eu vim chamar a Dilma para casar comigo. Na verdade, eu queria sequestrar a Dilma e nunca mais devolver. Ela é o meu coração.
Ela reclamou da atuação dos soldados, afirmando que eles são pagos para proteger o Palácio:
- Vocês são pagos para me matar, cambada de bundões - afirmou.
Edmeire vestia calça jeans e camiseta listrada. Os bombeiros foram chamados pela segurança do Palácio, e ela foi levada ao HRAN. Apenas mais tarde a polícia e o hospital confirmaram se tratar de uma mulher.
Esta é a sexta tentativa de invasão do Planalto desde o ano passado.

DIREITO: Supremo pode ter mais uma manhã dedicada ao julgamento


De OGLOBO.COM.BR
O Globo

Presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, está consultando os outros ministros


Presidente do STF e demais ministros entram em plenário da Corte
Foto: Agência O Globo / Ailton de Freitas
Presidente do STF e demais ministros entram em plenário da Corte Agência O Globo / Ailton de Freitas
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal pode incluir mais uma sessão durante a semana para acelerar o julgamento do processo do mensalão. Atualmente, os ministros se reúnem em plenário na segunda, quarta e quinta-feira à tarde. As sessões extras devem ser marcadas para as manhãs de quarta-feira.

O processo começou a ser julgado em 2 de agosto e, desde então, foram realizadas 21 sessões, mas o processo está longe de acabar: dos sete capítulos que compõem a denúncia, o STF está analisando o terceiro. Alguns ministros queriam que as sessões extras fossem nas terças-feiras à tarde. Com isso, as sessões de turma seriam transferidas para a manhã. No entanto, Ayres Britto ponderou que nesse dia ocorrem reuniões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também preside. A sexta-feira foi descartada porque a maioria dos ministros costuma assumir compromissos acadêmicos nesse dia.
Um dos impasses para acertar a agenda da nova sessão seria a ministra Cármen Lúcia. Ela preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, por ser ano de eleições, assumiu muitos compromissos. Nesta terça-feira, ela deu declaração neutra sobre a ideia de Barbosa:
— Sou mineira. Não sou contra ou a favor de nada.
A maioria, no entanto, vê a proposta com simpatia.
— Acho que quanto mais rápido o tribunal entrar no ritmo de normalidade, melhor, porque assim poderemos julgar os processos que estão em pauta e são muitos — disse o revisor, Ricardo Lewandowski.
— Se os colegas estiverem de acordo, eu concordo em termos as manhãs das quartas destinadas ao mensalão — afirmou Marco Aurélio Mello.
— Sou favorável a qualquer modelo que vise agilizar o julgamento dessa ação. Está cansativo — completou Luiz Fux.
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ECONOMIA: Governo terá de pagar indenização bilionária para bancar corte na conta de luz


Do ESTADAO.COM.BR
BRASÍLIA - Após meses de estudos e um anúncio em rede nacional de TV e rádio, a presidente Dilma Rousseff formalizou na terça-feira, 11, a redução no preço da energia elétrica a partir de 5 de fevereiro de 2013. Os cortes nas tarifas apresentados à população na semana passada, de 16,2% para residências e até 28% para grandes indústrias, são porcentuais médios, ou seja, podem ficar acima ou abaixo disso.
Além disso, o governo terá de indenizar um grupo de empresas concessionárias de energia elétrica. O valor exato ainda não está calculado, mas os técnicos acreditam que os R$ 21 bilhões já reservados para essa finalidade serão suficientes.Para cortar as tarifas de energia elétrica no ano que vem, o governo vai eliminar encargos setoriais, que são cobrados na conta de luz e serão eliminados a partir de 2013. Os programas e subsídios bancados por esses encargos, como o Luz para Todos, a Tarifa Social e os subsídios aos sistemas elétricos isolados da Região Norte, serão pagos agora pelo Tesouro, com custo estimado em R$ 4,6 bilhões em 2013.
A compensação será entregue às concessionárias que, no prazo de seus contratos, não conseguiram recuperar o que investiram para construir as hidrelétricas, as linhas de transmissão ou a infraestrutura de distribuição, conforme o caso. Os cálculos serão feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para poder reduzir a conta de luz, o governo concordou em prorrogar as concessões por mais 30 anos. Pela lei, elas venceriam agora e teriam de ser novamente leiloadas. Para dar o tempo adicional, Dilma assinou uma medida provisória.
Havia a expectativa em setores do governo que, em troca da renovação dos contratos, o governo obrigasse as concessionárias a se comprometer com investimentos, cujo montante global chegaria a R$ 20 bilhões, conforme noticiou o Estado nesta terça. Essa estratégia ficou em banho-maria. Mas técnicos acreditam que os investimentos crescerão, pelo fato de as concessionárias estarem mais capitalizadas.
Classificando a medida como "histórica", Dilma oficializou os cortes nas tarifas residenciais e industriais, que ainda serão calculados caso a caso e entrarão em vigor em 5 de fevereiro, segundo informou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
"Quando eu me tornei ministra de Minas e Energia do governo do presidente Lula, nós tínhamos um país com sérios problemas de abastecimento de energia e que amargou oito meses de racionamento, que resultaram em grandes prejuízos às empresas - tanto do setor elétrico, como as demais empresas do País - e impuseram restrições à qualidade de vida da população", atacou Dilma. "Nós tivemos de reconstruir esse setor, que é fundamental para qualquer estratégia de desenvolvimento, e até de sobrevivência de uma nação, que é o de energia." (João Villaverde, Iuri Dantas, Anne Warth, Eduardo Rodrigues e Lu Aiko Otta)
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MUNDO: Embaixador americano é morto em ataque em Benghazi


De OGLOBO.COM.BR
Com agências internacionais

EUA enviam fuzileiros para Líbia, diz imprensa, e aumentam segurança em todas embaixadas


Gravemente ferido, o embaixador Christopher Stevens é carregado por líbios dentro do consulado americano
Foto: AFP
Gravemente ferido, o embaixador Christopher Stevens é carregado por líbios dentro do consulado americano AFP
CAIRO e BENGHAZI - Após a confirmação da morte do embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, o presidente Barack Obama anunciou que vai reforçar a segurança em todas as embaixadas dos EUA no mundo. Segundo a Fox News e a CNN, um contigente de fuzileiros navais foi enviado para a Líbia. Stevens morreu, junto com outros três funcionários da missão diplomática americana, durante um ataque ao consulado em Benghazi, onde um grupo de milicianos líbios protestava contra um filme americano que ofende crenças islâmicas.

O presidente americano classificou o incidente como “um ataque ultrajante” e lamentou a morte de Stevens, a quem chamou de “representante exemplar dos EUA”. A morte de Stevens pode prejudicar a relação entre a Casa Branca e o novo governo líbio, apesar de Trípoli ter se desculpado junto aos EUA e aos familiares de Stevens pelo caso, dizem analistas.
“Durante a revolução líbia, ele (Stevens) serviu de maneira altruísta ao nosso país e ao povo líbio em nossa missão em Benghazi. Como embaixador em Trípoli, apoiou a transição para democracia. Seu legado vai perdurará sempre que um homem procurar por liberdade e justiça”, disse Obama em comunicado.
Enquanto isso, as embaixadas na Tunísia e Argélia emitiram alertas para os cidadãos americanos. Diplomatas em Túnis pediram para americanos evitaram lugares com muitas pessoas. Na Argélia, autoridades avisaram que alguns grupos estão usando redes sociais para organizar protestos.
Stevens morreu enquanto tentava escapar de consulado
Na terça-feira, homens armados atacaram e incendiaram o consulado americano em Bengazhi, epicentro da revolta popular que derrubou o ditador líbio Muamar Kadafi no ano passado. Um funcionário já havia morrido quando decidiram esvaziar o prédio. Nesse momento, o embaixador e outros dois diplomatas foram atacados, contou uma fonte líbia. Os três teriam morrido sufocados. Segundo testemunhas, os milicianos atiraram em prédios e jogaram bombas caseiras no consulado.
O grupo protestava na representação diplomática de Washington contra a exibição de um filme sobre a vida do profeta Maomé na TV americana, explicou o vice-ministro líbio do Interior, Wanis al-Sharif. O longa-metragem foi considerado uma blasfêmia por milicianos. Em protesto semelhante na terça-feira, no Cairo, cerca de 20 jovens muçulmanos conseguiram pular os muros da Embaixada dos EUA e arrancar e rasgar a bandeira americana.
Uma testemunha confirmou os disparos em torno do consulado em Benghazi e revelou que homens armados, incluindo militantes salafistas, bloquearam as ruas que dão acesso ao prédio. O protesto se transformou em um intenso combate entre manifestantes, armados com armas de fogo, forças de segurança líbias e guardas americanos. Os agentes líbios precisaram abandonar o consulado diante da intensidade do ataque. Pouco depois, a representação foi saqueada, contaram testemunhas.
Há relatos de que uma milícia conhecida como Brigada de Ansar al-Sharia esteja envolvida no ataque, mas o grupo nega. Em entrevista, Wanis Sharif culpou simpatizantes de Kadafi pelo ataque, mas lembrou que os EUA deveriam ter retirado seus funcionários do país assim que souberam da exibição do controverso filme. O ataque foi amplamente criticado por autoridades de Trípoli.
O filme, chamado de “Inocência dos muçulmanos”, foi realizado pelo produtor americano israelense chamado Sam Bacile mostra o rosto de Maomé, algo proibido no Islã, além de descrever o profeta como um namorador, que chega a questionar seu papel como dono da palavra de Deus.. apresenta o profeta Maomé como uma fraude e inclui cenas em que ele tem relações sexuais e clama por massacres.
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MUNDO: Crise na Catalunha acirra sentimento independentista



De OGLOBO.COM.BR
Correspondente

Comunidade autônoma sofre com desemprego que pulou de 6,6% para os atuais 22%


Mais de um 1,5 milhão de partidários do separatismo catalão tomam as ruas de Barcelona: movimento registra crescimento desde 2009 e mobiliza a sociedade civil
Foto: AFP PHOTO/LLUIS GENE
Mais de um 1,5 milhão de partidários do separatismo catalão tomam as ruas de Barcelona: movimento registra crescimento desde 2009 e mobiliza a sociedade civil AFP PHOTO/LLUIS GENE
MADRI — Carlos Rojas, de 32 anos, diz ser catalão e não espanhol. Este sentimento, que supera o nacionalismo, ele expressou nesta terça-feira, ao GLOBO, antes de sair de casa para a maior manifestação separatista da História da Catalunha. Uma maré humana parou Barcelona no feriado de 11 de Setembro, conhecido como ‘Diada’, sob o lema “Catalunha, novo Estado da Europa”. Era o Dia Nacional da Catalunha, que neste ano ganhou tom de manifestação pró-independência, deixando claro que as estatísticas não se enganam ao concluir que os separatistas são maioria.
- Cada vez há mais separatistas em segmentos da população que há dois não pensavam assim. A questão econômica e a diferença na balança fiscal, entre o muito que a Catalunha paga para o Estado espanhol e o pouco que retorna dele, foi o que me fizeram acreditar no independentismo. Hoje sou militante. A razão é simples: o modelo atual é injusto - diz ele.
A Catalunha, que hoje é mais separatista do que antes da crise econômica, sofre com uma taxa de desemprego que pulou de 6,6%, em 2008, para os atuais 22%. Com a maior dívida da Espanha, estimada em cerca de € 5.500 por habitante, a administração regional da Catalunha se viu obrigada a pedir um resgate ao governo central: € 5.023 bilhões, recorrendo ao Fundo de Liquidez Autonômico. Neste contexto de insatisfação por bolsos vazios, um mercado de trabalho asfixiado, e tesouradas que fazem cambalear o estado de bem-estar social - no qual se questiona as medidas de austeridade impostas por Bruxelas -, o furor nacionalista também responde, segundo analistas, à reivindicação de um pacto fiscal com Madri.
Aprovado em julho pelo Parlamento catalão sem o apoio de socialistas (PSC) e populares (PP), este novo modelo de financiamento permitiria o controle total da Agência Tributária regional na gestão dos impostos pagos pelos catalães. Mas para entrar em vigor, falta uma parte difícil: ser submetido a uma negociação entre Mariano Rajoy (PP), presidente do Governo espanhol, e Artur Mas, presidente catalão (do partido nacionalista conservador Convergência e União), que se reunirão no próximo dia 20.
- Se não há acordo sobre o pacto fiscal, o caminho em direção à liberdade está aberto - disse Mas, cujo modelo fiscal, porém, não é o que almejam os separatistas, ávidos por independência e não apenas mais autonomia.
Desde 2009, consultas sobre a independência começaram a mobilizar os cidadãos comuns, artistas, intelectuais, professores universitários. E movimentos independentistas repletos de catalães que não estão necessariamente vinculados a partidos políticos vêm ganhando força.
Eleições podem ser antecipadas
Em março deste ano, por exemplo, foi criada a separatista Assembleia Nacional Catalã. Uma de suas promessas é mudar o nome de Praça da Espanha, presente em mais de 40 cidades catalãs, para Praça da Independência. Os chamados catalanistas — catalães imbuídos do sentido de preservação das tradições, cultura, e língua — não são, por regra, independentistas. Mas a crise financeira fez muitos abraçarem a causa separatista. Outros defendem que a Catalunha está vivendo uma mudança de percepção: a independência, até há pouco inalcançável, passou a ser vista como viável.
Ambas as teses foram retificadas por pesquisas: somente 21% dos catalães votariam “não” em um plebiscito pela independência da Catalunha. Mas, nos últimos dez anos, cresceu de 36% para 51% o número dos que votariam pelo “sim”. E esse crescimento ficou refletido na 1,5 milhão de manifestantes que participaram da Diada - numa Barcelona cuja população é de 1,6 milhão de pessoas.
Os separatistas reivindicam um referendo pela autodeterminação ou a declaração unilateral de independência e impõem ao Parlamento catalão que faça a proclamação no prazo máximo de dois meses. Duas prefeituras (Sant Pere de Torelló e Calldetenes) aprovaram, pela primeira vez, uma moção para declarar-se “territórios catalães livres sem intervenção estrangeira” — ou seja, espanhola. Os separatistas exigem a abertura das negociações com o governo central para “a boa resolução da fase de transição ao “novo Estado da Europa”.
O referendo não é permitido pela Constituição espanhola, mas convocado pelo presidente catalão teria reconhecimento internacional.
- Já a declaração unilateral de independência não seria reconhecida internacionalmente porque exigiriam que fosse referendada pela população — explica Antoni Abat, professor de Direito Constitucional do Esade.
As possibilidades dividem até os separatistas.
- A Catalunha está numa panela de pressão; pode explodir. Seja com manifestações nas ruas ou, inclusive, com protestos não organizados - adverte Anna Arque, porta-voz da Alianza Europeia pela Independência, sem acreditar que tal plebiscito será, mesmo, convocado.
Mas ela alerta para o possível adiantamento, da eleição catalã, prevista para 2014, para o ano que vem. A onda separatista, diz, poderia fazer emergir das urnas um presidente independentista. E abrir caminho para o referendo.
Juan Subirats, da Universidade Autônoma de Barcelona, discorda.
“Tudo será melhor com a independência? Melhor para quem? Eu sou europeísta convencido, mas não a qualquer preço nem em qualquer Europa. O mesmo digo sobre a Catalunha independente”, avaliou ele, no artigo “Momentos de confusão”, publicado pelo “El País”.
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ECONOMIA: Governo Obama ataca protecionismo brasileiro



O governo americano lança duras críticas contra a política comercial do Brasil, acusando as barreiras criadas nas últimas semanas pelo governo de Dilma Rousseff de ser “inconsistentes com os compromissos assumidos pelo Brasil” e indicando que a Casa Branca estar “perplexa” com o caminho adotado por Brasília.
O ataque foi feito pelo embaixador dos Estados Unidos para a Organização Mundial do Comércio, Michael Punke, um dos principais negociadores comerciais da Casa Branca.
Na semana passada, o Brasil elevour tarifas de importação para cem produtos Legalmente, o Brasil não violou nenhuma regra. Na OMC, o Brasil tem o direito de elevar tarifas até 35% e, hoje, mantem uma média de impostos aplicados de cerca de 12%. Segundo a decisão da Camex, as tarifas foram colocadas em cerca de 25%.
Apesar de não violar leis, negociadores comerciais consultados pelo Estado na OMC alertam que o problema é que o Brasil sinaliza que está indo “na direção contrária” ao que se esperava com a abertura de mercados e das próprias promessas feitas pelo governo no G-20. Pior, poderia servir de exemplo para outros emergentes, tentados a também elevar barreiras.
Numa coletiva de imprensa hoje em Genebra, Punke respondeu a perguntas do Estado com um recado claro ao Itamaraty. “Estamos extremamente preocupados”, disse, em relação às medidas adotadas no Brasil para proteger a indústria local.
“Ficamos perplexos pela direção que o país toma”, insistiu, apontando também para a onda de medidas protecionistas na Argentina. “
Entidades como o Global Trade Alert já indicaram em junho que o Brasil havia sido o país com o segundo maior número de medidas protecionistas desde o começo do ano. Brasília era superada apenas pela Argentina. Em outro levantamento, a Câmara Internacional de Comércio apontou o Brasil como o País mais fechado do G-20.
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