quinta-feira, 21 de junho de 2012

DIREITO: STF - TJ-PB deverá promover remoção de servidores antes de nomear concursados



Por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, nesta quarta-feira, decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que determinou ao Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) a realização de processo de remoção dos servidores em atividade no Judiciário paraibano para eventual provimento de vagas existentes nas diversas comarcas daquela unidade federativa, antes de efetivar as nomeações dos candidatos aprovados no concurso público aberto pelo Edital nº 1/2008.
A decisão foi tomada no julgamento do Mandado de Segurança (MS) 29350, impetrado por candidatos aprovados no referido concurso, que questionavam decisão do CNJ no sentido de determinar à corte paraibana que realizasse a remoção de servidores já em atividade para posterior preenchimento de vagas por novos concursados. Em sua decisão, o CNJ entendeu que a remoção tem precedência sobre outras hipóteses de provimento de cargos públicos vagos, “pois deve ser privilegiada a antiguidade, oportunizando-se aos servidores com mais tempo de carreira o acesso aos cargos de lotação mais vantajosa.”
Mandado
Os autores do MS sustentavam que o Edital nº 1/2008 determinou a repartição das vagas existentes em oito regiões administrativas da Paraíba, prevendo o seu preenchimento de acordo com a região escolhida pelo candidato no ato da inscrição, e que, prevalecendo a decisão do CNJ, eles jamais serão nomeados, “notadamente aqueles que concorreram para as regiões mais cobiçadas, com concorrência acirrada no certame”.
Segundo eles, a decisão impugnada seria errônea, pois teria se baseado no artigo 5º da Lei Estadual 7.409/2003, que perdeu a vigência com o advento da Lei Estadual 8.385/2007, que teria regulado inteiramente a matéria.
O processo foi protocolizado na Suprema Corte em outubro de 2010. A ministra Ellen Gracie, então relatora, deferiu a liminar para suspender os efeitos do acórdão (decisão colegiada) do CNJ, mas tão somente para suspender tanto a realização de processo de promoção de servidores já na ativa do Judiciário, bem como a nomeação de concursados e, ainda, o transcurso do prazo de validade do concurso, até o julgamento do mérito.
Contra aquela liminar, os concursados interpuseram recurso de agravo regimental, pleiteando a ampliação dos seus efeitos. Com a decisão de hoje, no entanto, a liminar foi cassada e o agravo, considerado prejudicado.
Decisão
Todos os ministros presentes à sessão de hoje acompanharam o voto do ministro Luiz Fux – que assumiu a relatoria do processo em setembro do ano passado – o qual denegou o mandado de segurança. Ele disse não ver erro na decisão do CNJ, mas, até pelo contrário, entendeu que ela foi “uma solução justa com roupagem jurídica”.
Segundo o ministro Luiz Fux, deve ser observada a prática vigente em todo o Judiciário brasileiro, no sentido de se abrir processo de remoção antes do preenchimento de vagas com candidatos recém-concursados.
“Eu, por exemplo, comecei (como juiz) em comarca do interior (do Rio de Janeiro), e fui galgando posições”, exemplificou, ao votar pela manutenção da sistemática em vigor e lembrando que a Procuradoria-Geral da República se manifestou no mesmo sentido.

DIREITO: TRF 1- Caso Cachoeira: TRF determina soltura de Gleyb Ferreira da Cruz


O juiz Tourinho Neto, do TRF da 1.ª Região, determinou, nesta terça-feira, 19, a  expedição do alvará de soltura de Gleyb Ferreira da Cruz. A decisão atende o pedido da defesa para que fosse estendida a liminar concedida a José Olímpio de Queiroga Neto, conhecido por “Careca”.
O magistrado destacou que a prisão preventiva é um mal necessário que deve ficar limitada aos casos previstos em lei, e dentro dos limites da mais restrita necessidade. “Decretada, não sendo mais imprescindível, deve ser revogada”, afirma.
Tourinho Neto também ressalta que os jogos de azar não constituem crime e sim contravenção, ilícito menor. “Veja-se que muitos setores da sociedade defendem a legalização dos jogos de azar, visto que a prática é largamente aceita pela sociedade em geral, ainda que seja ilegal”, destaca o magistrado.
Além disso, sustenta o juiz, no estado de Goiás houve duas leis, ambas do ano 2000, autorizando a exploração de jogos de azar. Leis estas que vieram a ser declaradas inconstitucionais, no ano de 2007, pelo Supremo Tribunal Federal. “Até essa data, os jogos de azar, no Estado de Goiás, não constituíam, por incrível que pareça, ilícito penal”, afirmou o magistrado ao ressaltar que “o forte da denúncia contra o paciente é a contravenção”. Além disso, lembrou o relator, tratando-se de contravenção, não existe crime de quadrilha.
Com a decisão, Gleyb Ferreira da Cruz deve deixar imediatamente o Núcleo de Custódia do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia (GO), a menos que esteja preso também por outros motivos. À soltura, contudo, Tourinho Neto impôs três condições: o réu deverá comparecer, mensalmente, ao juízo da 11.ª Vara da Seção Judiciária de Goiás, não poderá manter contato com outros denunciados no processo e não poderá ausentar-se da cidade onde mora, sem autorização judicial.
HC 0033932-91.2012.4.01.0000/GO

DIREITO: TRF 1 - ECT é condenada a indenizar por extravio de correspondência


A 6.ª Turma confirmou sentença de primeiro grau que condenou a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) ao pagamento de indenização por danos morais por extravio de correspondência que continha fotos de família da apelada.
O relator do processo, juiz federal convocado Vallisney de Souza Oliveira, ressalta que a própria ECT reconhece que extraviou a correspondência. Assim, entendeu que ficou clara a ligação entre a conduta da empresa (extravio) e o dano moral experimentado pela apelada. Considerou também que o valor de mil reais, fixado para indenização por danos morais, é adequado.
A decisão foi unânime.
Processo n.º 0000563-93.2005.4.01.3801/MG

DIREITO: TRE-RN: mesários serão isentos de taxa de inscrição em concurso público a partir destas eleições




Fachada do edifício do TRE de Rio Grande do Norte

Passa a valer a partir das eleições deste ano a Lei nº. 6.336, sancionada em abril pelo Poder Executivo Municipal, a qual torna mesários que trabalharem nas eleições político-partidárias realizadas pela Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte isentos do pagamento de taxas de inscrição em concursos públicos em Natal.
No entanto, para ter direito à isenção, o eleitor convocado deverá comprovar o serviço prestado à Justiça Eleitoral, por, no mínimo, duas eleições, consecutivas ou não. Além disso, o benefício terá validade de quatro anos, a partir da data em que o eleitor trabalhar nas mesas receptoras de votos.
Com a lei em vigência, os eleitores terão um atrativo a mais para participar da condução das eleições, auxiliando o Tribunal Regional Eleitoral no seu período mais decisivo, em que não basta somente a força de trabalho dos juízes e promotores eleitorais, servidores, policiais, dentre outros servidores, mas também a valiosa parceria dos cidadãos.
Ser mesário já é considerado como critério de desempate em concursos públicos para provimento de cargos efetivos no âmbito dos tribunais regionais eleitorais. Outras vantagens de ser mesário são: dispensa do trabalho pelo dobro dos dias de convocação, sem prejuízo do salário, mediante declaração expedida pela Justiça Eleitoral e, caso seja estudante de universidade e/ou faculdade conveniada, as horas trabalhadas para a Justiça Eleitoral poderão ser convertidas em atividades complementares.


DIREITO; TRF 1 - Devedor pode caucionar bens para obter certidão positiva de débitos com efeitos de negativa




Fachada do edifício do TRE de Rio Grande do Norte

Passa a valer a partir das eleições deste ano a Lei nº. 6.336, sancionada em abril pelo Poder Executivo Municipal, a qual torna mesários que trabalharem nas eleições político-partidárias realizadas pela Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte isentos do pagamento de taxas de inscrição em concursos públicos em Natal.
No entanto, para ter direito à isenção, o eleitor convocado deverá comprovar o serviço prestado à Justiça Eleitoral, por, no mínimo, duas eleições, consecutivas ou não. Além disso, o benefício terá validade de quatro anos, a partir da data em que o eleitor trabalhar nas mesas receptoras de votos.
Com a lei em vigência, os eleitores terão um atrativo a mais para participar da condução das eleições, auxiliando o Tribunal Regional Eleitoral no seu período mais decisivo, em que não basta somente a força de trabalho dos juízes e promotores eleitorais, servidores, policiais, dentre outros servidores, mas também a valiosa parceria dos cidadãos.
Ser mesário já é considerado como critério de desempate em concursos públicos para provimento de cargos efetivos no âmbito dos tribunais regionais eleitorais. Outras vantagens de ser mesário são: dispensa do trabalho pelo dobro dos dias de convocação, sem prejuízo do salário, mediante declaração expedida pela Justiça Eleitoral e, caso seja estudante de universidade e/ou faculdade conveniada, as horas trabalhadas para a Justiça Eleitoral poderão ser convertidas em atividades complementares.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

FRASE DO (PARA O) DIA


"Medo, conselheiro eterno do erro."
Rui Barbosa

DIREITO: Em ação


Do MIGALHAS
Reagindo às ameaças recebidas pelo juiz Paulo Augusto Moreira Lima, o CNJ aprovou moção de apoio ao magistrado e anunciou que vai apurar as denúncias. Hoje, a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, se reunirá com Lima para conhecer as circunstâncias das ameaças. (Clique aqui)

Editorial


Do MIGALHAS

Como dito ontem por este rotativo, o caso do juiz goiano que pediu para se afastar do caso Cachoeira é atípico e merece atenção das instituições. Não pode o julgador ser ameaçado. É hora dos órgãos competentes aparecerem para protegê-lo. No entanto, há outro lado na história que não pode ser olvidado. O magistrado em questão colocou em xeque sua vocação para ter como indumentária a toga. Ser ameaçado é algo inerente ao juiz, sobretudo o criminal. Um olhar, um gesto do réu podem soar ameaçadores. Isso faz parte do cotidiano dos magistrados. Com isso, não se está aqui querendo dizer que é normal o fato de o magistrado ser ameaçado. Não. Não é. Mas isso acontece. É um múnus que foi assumido quando se pleiteou o cargo. E a família, que segundo consta foi também ameaçada, sofre os mesmos ônus do magistrado. De modo que não pode um delegado de Polícia desistir de um inquérito porque se sentiu intimidado. Não pode um promotor de Justiça renunciar a uma ação penal porque viu-se amedrontado. Assim como não pode um magistrado furtar-se de julgar porque foi ameaçado. Quem assim age está abdicando não do caso, mas sim da investidura. Parafraseando o Conselheiro Rui Barbosa, a Justiça acovardada não é Justiça ; senão injustiça qualificada e manifesta.

DIREITO: OAB divulga resultado final da 1ª fase do Exame da Ordem


Da FOLHA.COM

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) publicou nesta terça-feira (19) o resultado final da primeira fase do Exame de Ordem, que ocorreu no último dia 27.
O resultado considera a anulação de quatro questões determinadas pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, e a Comissão Nacional do Exame de Ordem Unificado.

Três dessas questões foram consideradas idênticas a de exames anteriores, bem como a questão 65 (Direito Penal - Tipo 1), que teve o gabarito divulgado de forma equivocada, pois a resposta correta deveria ser a letra "B", e não a letra "A".
Ao todo, 111.909 estudantes de Direito se inscreveram para o exame. Para ser aprovado, é necessário acertar ao menos 50% do exame.
Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), responsável pela aplicação do exame, a segunda fase, que corresponde a prova prático-profissional, acontecerá no dia 08 de julho, das 14h às 19h.
A prova será composta de quatro questões práticas sob a forma de situações-problema e mais uma peça profissional sobre tema da área jurídica escolhida examinando, sendo as opções as seguintes: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, Direito Empresarial, Direito Penal ou Direito Tributário.
Os resultados finais serão divulgados no dia 14 de agosto. Na última edição, foram aprovados apenas 25,4% dos candidatos. 

SAÚDE: Plano de saúde terá de dar mapa do médico



Do blog do NOBLAT
De OGLOBO.COM.BR

Determinação da ANS entra em vigor sábado para grandes operadoras. Pequenas têm até dezembro
BRASÍLIA — As operadoras de planos de saúde com mais de cem mil beneficiários serão obrigadas a divulgar, a partir do próximo sábado, em suas páginas na internet, os endereços de médicos e hospitais de sua rede credenciada. Por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as empresas deverão publicar a informação acrescida de mapas. Aquelas que descumprirem a norma pagarão multa de R$ 25 mil.

A medida está prevista em resolução publicada no fim do ano passado, que passou a valer esta semana. A diretora adjunta de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, Carla Soares, explicou que as grandes empresas deverão divulgar os locais de forma dinâmica.
— É como no Google Maps. O cliente vai buscar um ponto específico e poderá ver a imagem em três dimensões — explicou Carla.
As operadoras menores, com menos de cem mil beneficiários, têm prazo até dezembro para se adequar às novas normas. Para aquelas que possuem entre 20 mil e 100 mil clientes, a exigência é que divulguem mapas estáticos. Já as que têm menos de 20 mil pessoas em sua carteira deverão publicar apenas a lista dos endereços.
Carla ressaltou que o objetivo da norma é facilitar a vida dos clientes dos planos de saúde. Além de localizar mais facilmente todos os profissionais, os consumidores poderão obter informações sobre outras empresas, o que, segundo a agência, aumenta a concorrência no setor. As operadoras também deverão atualizar em tempo real a rede credenciada.
— Sabemos que existe uma troca constante de prestadores. Queremos conscientizar o consumidor do poder de escolha que ele tem — afirmou a diretora da ANS.
Associações afirmam que empresas já estão prontas
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa 15 grupos de operadoras de planos de saúde, de um total de 1.396 em atividade no país, informou que as empresas já estão preparadas para as novas regras de divulgação e algumas, inclusive, já ofereciam o serviço de localização por georreferenciamento.
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) observou que as pequenas operadoras já estão trabalhando para se adaptar à norma.
“Mesmo com a mudança, as empresas vão continuar oferecendo os livros com os endereços dos profissionais cadastrados, pois muitas pessoas não têm acesso à internet”, informou a Abramge.

POLÍTICA: Pedro Dallari recusa convite para assumir vice na chapa de Haddad


Da FOLHA.COM


BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

O advogado Pedro Dallari, filiado ao PSB, recusou convite para substituir a deputada Luiz Erundina (PSB) como candidato a vice-prefeito na chapa do petista Fernando Haddad em São Paulo.
Professor da Universidade de São Paulo, ele era o preferido do petista para assumir o posto após a desistência de Erundina.
Ao recusar o convite, Dallari alegou ser próximo a Erundina, que anunciou ontem sua saída da chapa em protesto à aliança do PT com o PP de Paulo Maluf.

A família de Dallari também é próxima a de Haddad. Pedro é filho do jurista Dalmo Dallari, apoiador histórico da campanha do PT.
A recusa foi confirmada à Folha por fontes do PT e do PSB. Haddad suspendeu a agenda pública hoje para se dedicar à questão.
Agora, a mais cotada para o posto é Keiko Ota (PSB). O PC do B, que deve anunciar adesão a Haddad no próximos dias, apresentou a indicação de Nádia Campeão.
O partido já havia sugerido o nome da deputada estadual Leci Brandão, que enfrenta resistência dos petistas. 

POLÍTICA: Dilma quer Lobão como presidente do Senado, diz Temer



Do blog do NOBLAT
De OGLOBO
Luiza Damé

Ministro estaria disposto a concorrer ao cargo de Sarney, mas escolha depende do PMDB
BRASÍLIA - O presidente em exercício Michel Temer confirmou nesta terça-feira conversas da presidente Dilma Rousseff com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para ele volte ao Senado e dispute a sucessão de José Sarney (PMDB-AP), com o apoio do Palácio do Planalto. Temer disse ainda que, em conversa com Lobão, o ministro mostrou-se disposto a concorrer, mas manifestou preferência por continuar na Esplanada dos Ministérios.

- Lobão é um grande ministro e uma grande figura do Senado. Ele está habilitado para qualquer função. Aliás vem exercendo muito adequadamente o Ministério de Minas e Energia. Evidentemente que, se for para a presidência do Senado, com as qualificações políticas e administrativas que ele tem, fará um belo papel - disse Temer.
Segundo Temer, a escolha do futuro presidente do Senado vai depender das negociações internas do PMDB. Ele disse que, nesse debate, vai prosperar a "vontade coletiva"
- O Lobão está disposto a essa conversa. É verdade que ele pretenderia ficar. Pelo menos foi o que me disse ontem. Por isso, tudo depende da conversa. As pessoas conversam entre si e se entendem - afirmou.
Temer disse que há uma harmonia entre Legislativo e Executivo, por isso, a escolha de Lobão não representaria uma interferência do Planalto numa decisão do Senado.
- Isso vai depender dos senadores, mas evidentemente o ministro Lobão tem ótimo trânsito no Senado. Num sistema como o nosso em que há uma harmonia muito grande entre o Executivo e o Legislativo, é natural que o presidente possa dar sua opinião. Ela (Dilma) ela deu a sua opinião - disse Temer.

COMENTÁRIO: A foto de Lula com Maluf , por Merval Pereira


Por Merval Pereira, O Globo

A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o país, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura), é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.
Sua obsessão pela vitória em São Paulo é tamanha que ele não está mais evitando riscos de contaminação como o que está assumindo com o malufismo, certo de que tudo pode para manter ou ampliar o seu poder político.
O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país porque está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral.
Até o momento, as alianças políticas com Maluf eram feitas por baixo dos panos, de maneira envergonhada, como a negociação em que o PSDB paulista fechava um acordo com o PP em busca de seu 1m30s de tempo de propaganda eleitoral.
A própria Erundina disse, candidamente, que o que a incomodara foi o excesso de exposição do acordo partidário.
Maluf, do seu ponto de vista, agiu com a esperteza que sempre o caracterizou, mas com requintes de crueldade.
Ao exigir que Lula fosse à sua casa para selar o acordo, e chamar a imprensa para registrar o momento glorioso para ele e infame para grande parte dos petistas, ele estava se aproveitando da fragilidade momentânea do PT, que tem um candidato desconhecido que precisa ser exposto ao eleitorado para tentar se eleger.
Lula, como se esse fosse o último reduto eleitoral que lhe falta controlar, está fazendo qualquer negócio para viabilizar a candidatura que inventou.
Já se entregara ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, provocando um racha no PT talvez tão grande quanto o de agora, e acabou levando uma rasteira que já prenunciava que talvez o rei estivesse nu.
Agora, quem lhe deu a rasteira foi uma dupla irreconciliável, que Lula tentou colocar no mesmo saco sem nem ao menos ter se dado ao trabalho de conversar antes: Luiza Erundina, que um dia foi afastada do PT por ter aceitado um ministério no governo de coalizão nacional de Itamar Franco, agora se afasta do PT malufista.
E Maluf, que vinha minguando como força política, viu a possibilidade de recuperar a importância estratégica em São Paulo no pouco mais de um minuto de televisão que o PP detém por força de lei.
A sucessão de erros políticos que Lula parece vir cometendo nos últimos meses — a escolha de Haddad, o encontro com Gilmar Mendes, a CPI do Cachoeira, o acordo com Maluf — só será superada se acontecer o que hoje parece improvável, uma vitória de Fernando Haddad.
No resto do país, o PT está submetendo os aliados a seus interesses paulistas, fazendo acordos diversos para garantir em São Paulo uma aliança viável.
A foto de Lula confraternizando com Maluf tem mais um aspecto terrível para a biografia do ex-presidente: ela explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre.
As alianças políticas entre Lula, José Sarney, Fernando Collor e Maluf colocam no mesmo barco políticos que já estiveram em posições antagônicas fazendo a História do Brasil, e hoje fazem uma farsa histórica.
Em 1989, José Sarney era presidente da República depois de ter enfrentado Paulo Maluf no PDS. Ante uma previsível vitória do grupo de Maluf derrotando o de Mario Andreazza, Sarney rompeu com partido que presidia, ajudou a fundar a Frente Liberal (PFL) e foi vice de chapa de Tancredo.
Na campanha presidencial da sucessão de Sarney, Lula disse o seguinte dos hoje aliados Sarney e Maluf: “A Nova República é pior do que a velha, porque antigamente era o militar que vinha na TV e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares e os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão (sic), mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que se faz”.
Na mesma campanha, Collor não deixou por menos: chamou o então presidente Sarney de “corrupto, incompetente e safado”.
Durante a campanha das Diretas Já ,Lula se referiu assim a Maluf: “O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente”.
Maluf e Collor tinham a mesma opinião sobre o PT até recentemente. Em 2005, quando Maluf foi preso e Lula festejou, e recebeu a seguinte resposta: “(..) se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".
Já em 2006, em plena campanha presidencial marcada pelo mensalão, Collor disse que foi vítima de um “golpe parlamentar”, do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu, “enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação”.
E garantiu: “Quadrilha quem montou foi ele (Lula)”, citando ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente.

COMENTÁRIO: A exceção Erundina


Por José Roberto de Toledo - Estadao.com.br

A política brasileira, segundo Paulo Maluf (PP-SP): “Não há mais direita e esquerda, o que há são segundos de TV”. Há uma inegável verdade na frase do deputado predileto da Interpol. Mas ao não engolir a aliança do PT de Lula com o PP de Maluf e renunciar a ser vice de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina (PSB-SP) mostrou que nem sempre a Realpolitik conta mais do que aversões pessoais e escrúpulos morais.
Se não tivesse abandonado a chapa de Haddad, Erundina teria provado que Maluf está certo. Como esperneou e saiu, acabou lhe tirando a razão -ao menos no seu caso pessoal. A deputada é a menos governista dos parlamentares do PSB. Vota com o governo Dilma apenas quando concorda com as propostas. Vota contra quando discorda. É anocronicamente “ideológica” no exercício do mandato. Mas é também uma exceção. Vai ter fila para ocupar o lugar que ela deixou.
Se o adágio malufista vale para a imensa maioria dos políticos, e são os segundos de propaganda que contam, então vamos contá-los.
A tendência de polarização PSDB-PT ficou mais evidente na mais recente pesquisa Datafolha. Mas José Serra e Haddad estão em situações opostas. Os segundos de exposição na TV a partir de agosto têm utilidade e peso muito diferentes para cada um deles.
Praticamente todos os eleitores paulistanos conhecem Serra. Nos últimos dez anos, ele se elegeu prefeito e governador, além de ter ficado em segundo lugar em duas eleições presidenciais. Seu problema é ser conhecido demais: 32% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. O tucano precisa de propaganda para se manter na cabeça do eleitor, mas não pode abusar da superexposição na TV, ou pode se queimar.
O que importa mais para Serra é impedir que o desconhecido Haddad apareça tanto na propaganda televisiva que acabe se tornando tão conhecido quanto o tucano. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff na campanha de 2010. Embora ela tivesse uma velocidade inicial maior do que Haddad, graças à propaganda desabrida de Lula em palanques oficiais desde 2009, foi a partir da propaganda de TV que Dilma deixou Serra para trás.
Por isso, os segundos malufistas são um problema para Serra não pelo tempo de vídeo que ele “perdeu”, mas pelas inserções que Haddad ganhou. Pouco importa se Serra cooptar o PTB e somar seus minutos. Não vai com isso compensar o que Maluf deu a Lula e seu pupilo. Do mesmo modo, o desgaste provocado pela foto de Maluf com Lula e Haddad é muito menor do que o potencial ganho que os segundos malufistas trarão para o petista.
Diante de tantos ganhos, nem Lula nem Haddad pensaram -nem uma, muito menos duas vezes. Quando a Realpolitik é tão avassaladora que abarca todo o espectro partidário -com raras Erundinas-, caciques como Maluf, Valdemar Costa Neto (PR), José Sarney (PMDB) e quetais só têm a ganhar -especialmente quando não são candidatos e podem negociar o tempo de TV de seus partidos com aliados de ocasião. Os preços são cada vez mais inflacionados.
Não há alternativa à vista, fora uma reforma política que jamais será feita enquanto os principais interessados forem os donos do processo decisório. Não reformarão nada relevante. Não importa quem esteja no governo, pois o sistema ajuda a manter no poder quem já chegou lá. Foi desenhado para isso. Restam medidas paliativas.
Uma delas seria mudar as regras de distribuição do tempo de propaganda eleitoral na TV. Se um partido não tiver candidato, ele não deveria ter direito a somar tempo para a coligação majoritária. Sem essa moeda de troca, as siglas que aderem ao princípio malufista perderiam valor de mercado.
A mudança de uma pequena regra não muda a essência do sistema, como o gesto de Erundina não transforma a Realpolitik. Mas, mesmo fugazmente, é divertido atrapalhar os poderosos.

COMENTÁRIO: Desafio ao Estado


Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

De um lado, a transferência - "por exposição junto à criminalidade" - do juiz Paulo Augusto Moreira Lima da 11.ª Vara Federal em Goiás para instância distante do processo.
Moreira Lima foi o responsável pela decretação da prisão de Carlos Cachoeira, pela autorização à Polícia Federal para interceptar telefonemas de suspeitos de integrar a quadrilha e pediu afastamento devido a ameaças diretas e indiretas a si e sua família.
A procuradora Léia Batista, que atua no caso pelo Ministério Público de Goiás, também se sente ameaçada e pediu ao Conselho Nacional de Justiça que tome providências para garantir-lhe a segurança.
De outro lado, as decisões do juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (Distrito Federal e Goiás, entre outros Estados), que provavelmente têm fundamentação jurídica não obstante deem margem a questionamentos por parte de seus próprios pares.
Tourinho Neto tem sido generoso com a defesa de Cachoeira: determinou cancelamento de depoimento do réu na Justiça, deu voto como relator a favor da ilicitude das escutas da PF e decretou a libertação do acusado que só continuou preso por força de mandado decorrente de outro inquérito policial.
No meio disso, uma CPI bamba, perdida em minúsculas picuinhas de natureza partidária e, se não se cuidar, em via de entrar para o rol dos suspeitos.
Por ação, omissão ou interpretação condescendente sobre a higidez do Estado de direito, se acumulam sinais de que o bando pode ser bem-sucedido nas investidas para obstruir a ação da Justiça e celebrar contente a impunidade no final.
Evidencia-se também o caráter mafioso da organização criminosa alvo de três inquéritos policiais, um processo judicial em curso e uma comissão parlamentar de inquérito composta por deputados e senadores.
Por que falar em máfia? Porque é do que se trata: empresa de fins criminosos que busca dar feição legal aos negócios mediante infiltração no Estado e cooptação de agentes públicos e privados. Movimenta-se com desenvoltura nos subterrâneos das instituições e usa de violência.
Nos contornos até agora conhecidos da rede montada por Carlos Augusto de Almeida Ramos, cuja qualificação como mero "contraventor" soa amena, faltava o fator violência.
Não falta mais. O juiz Moreira Lima, no ofício em que denuncia as pressões à presidência do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, fala em "homicídios" cometidos pela quadrilha por ele investigada.
A própria existência dessas ameaças remete ao caso da juíza Patrícia Acioli, assassinada por sua atuação em processos envolvendo policiais integrantes de milícias no Rio de Janeiro.
Evidente, pois, que a CPI que investiga o esquema Cachoeira e suas ramificações está diante de algo grande.
Tão grande que a comissão só tem um caminho: suspender as tentativas de proteger esse ou aquele grupo e retomar os trabalhos na próxima semana com a seriedade, compreendendo o que se passa debaixo de seu nariz.
Ou faz isso e prossegue nas investigações para valer apesar dos pesares que porventura venham a pesar sobre parlamentares, governadores, prefeitos, empresários e quem mais esteja envolvido, ou a comissão de inquérito terá sido cúmplice.
Qualquer recuo a partir de agora pode significar o acobertamento de ações do crime organizado dentro do Congresso Nacional e uma gravíssima agressão às instituições.
O que está em jogo é a autoridade do Estado, desafiada quando funcionários públicos são ameaçados no exercício de quaisquer funções, mais ainda se estas dizem respeito a apuração de crimes contra o poder público e nas entranhas dele.
Não é o juiz quem tem de se afastar em nome de sua segurança, mas o Estado que precisa lhe garantir a vida, prender os autores das ameaças e assegurar condições para o desbaratamento dessa máfia.
Qualquer coisa diferente disso equivale a transferir aos bandidos um poder de decisão que não lhes pertence e pôr de antemão o juiz (ou juíza) substituto sob suspeita ou risco de morte.

COMENTÁRIO: Reconhecimento tardio


Por Celso Ming - O Estado de S.Paulo

Depois de sucessivas declarações em contrário, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu ontem que o governo Dilma está preocupado com o raquitismo do caixa da Petrobrás e que, por isso, estuda um reajuste dos preços dos combustíveis que não produza impacto excessivo sobre a inflação.

Assim, o governo reconhece tardiamente dois graves equívocos da política de combustíveis adotada até agora: (1) o de administrar preços à custa do caixa da Petrobrás: e (2) o de solapar com essa prática a capacidade de investimentos em petróleo.
Há nove anos não há reajustes dos preços ao consumidor. A última alteração ocorreu em novembro (aumento de 2% no diesel e de 10% na gasolina) sem alteração nos preços no varejo, porque o governo reduziu a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), tributo embutido nos preços cobrados das distribuidoras na refinaria. De lá para cá, as cotações do petróleo tipo Brent, referência para a definição dos preços internos, avançaram de US$ 95,64 por barril de 159 litros, em janeiro de 2011, para US$ 126, em março deste ano, para em seguida recuar a US$ 96,54 seu nível atual.
A justificativa oficial para a manutenção dessa política populista foi a de que tanto o governo federal como a Petrobrás precisam trabalhar no longo prazo, sem concessões à volatilidade dos preços internacionais.
Agora que a aflição causada pela perspectiva de um novo pibinho em 2012 (crescimento da atividade econômica provavelmente inferior aos 2,7% obtidos em 2011) tomou conta do governo Dilma, não há mais como esconder o atraso dos preços internos e seu impacto negativo sobre a capacidade de investimentos da Petrobrás.
Essa política de achatamento dos preços produziu outros efeitos colaterais nocivos. O primeiro deles foi ter provocado alta artificial do consumo físico de gasolina, que, somente em 2011 saltou 18,9%. O segundo foi ter prejudicado o desempenho da balança comercial porque a empresa teve de importar gasolina e diesel para suplementar o consumo interno aquecido. O terceiro efeito perverso foi ter tirado competitividade do etanol carburante. Como os preços da gasolina permaneceram artificialmente achatados, os preços do etanol, atacados pelo aumento dos custos de produção, também ficaram para trás. O resultado foi o desestímulo à produção de cana-de-açúcar, de etanol e de açúcar. E aí já temos o quarto efeito ruim: o encolhimento da produção agrícola.
Não há, ainda, indicação do tamanho do reajuste que o governo está disposto a dar aos combustíveis nem em que escalonamento será feito. Sabe-se que o Plano de Negócios da Petrobrás divulgado parcialmente na semana passada recomenda correção de 15%. No entanto, como já ocorreu por ocasião do último reajuste, é provável que parte dessa conta seja absorvida pelo governo, por meio da redução da Cide. Com esse corte do tributo, estaria produzindo um reajuste maior para a Petrobrás e menor para o consumidor, de maneira que a alta de preços tivesse impacto mais baixo sobre o custo de vida.
De todo modo, esta correção não resolve tudo. Para eliminar as distorções, será preciso adotar uma política mais realista de preços.

ECONOMIA: Bolsas estão instáveis após formação de governo na Grécia; dólar cai



De OGLOBO.COM.BR

Investidor aguarda resultado de reunião do BC americano que pode anunciar novos estímulos

RIO — As bolsas internacionais apresentam instabilidade, entre altas e baixas, nesta quarta-feira em reação ao anúncio da formação do governo de coalizão na Grécia. Também é esperado o resultado da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que deve anunciar novos estímulos monetários à economia. O Ibovespa, referência do mercado brasileiro, recuava 0,16%, aos 57.101 pontos, depois de chegar a subir 0,43% no dia.
No mercado de câmbio local, o dólar comercial recuava 0,04% ante o real, a R$ 2,027 para venda.
Entre as ações mais negociadas, os papéis da Petrobras apresentavam mais um dia de alta. Petrobras PN (sem direito a voto) subia 1,42%, a R$ 19,93, enquanto Petrobras ON (com voto) avançava 1,61%, a R$ 20,77. Vale PN ganha 0,20%, a R$ 39,79, e OGX Petróleo ON cai 0,78%, a R$ 10,12.
Os mercados europeus apresentam sinais opostos. Em Londres, o FTSE 100 sobe 0,28%, enquanto o CAC 40 cai 0,20% na França. Frankfurt, Madri e Milão apresentam alta de 0,11%, 0,82% e 1,60% respectivamente. O principal índice de ações de Atenas recuava 0,88%.

ECONOMIA: Mais fôlego para Espanha e Itália


De OGLOBO.COM.BR

O GLOBO COM JORNAIS INTERNACIONAIS

Plano da UE prevê usar fundos de resgate de € 750 bilhões para comprar títulos dos países nos mercados

Líderes estiveram reunidos por dois dias em Los Cabos, México
Foto: DIEGO CRESPO / AFP
Líderes estiveram reunidos por dois dias em Los Cabos, México DIEGO CRESPO / AFP
LOS CABOS — Os fundos europeus de estabilidade serão usados para comprar títulos de Espanha e Itália, cujas taxas de rendimento vêm registrando patamares recordes, afirmou na terça-feira o jornal britânico “Daily Telegraph”, citando como fontes autoridades da União Europeia (UE) presentes na reunião do G-20, em Los Cabos, no México. Isso representaria um poder de fogo de € 750 bilhões, ao se somar os recursos do Mecanismo de Estabilidade Financeira (MEE, que entra em vigor em julho), de € 500 bilhões, e do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), que ainda teria em caixa € 250 bilhões. O objetivo seria mandar uma mensagem de confiança ao mercado e reduzir o rendimento pago pelos títulos desses países, que, no atual patamar — o da Espanha, por exemplo, está em torno de 7% —, torna o financiamento dos governos insustentável.
O jornal espanhol “El País” afirmou, citando fontes, que o rascunho do plano teria sido apresentado ao presidente americano, Barack Obama, que se encontrou ontem com os líderes de Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido. O texto incluiria maior união fiscal do bloco e medidas para estimular o crescimento.
O também britânico “Guardian” afirmou que a Alemanha, que sempre se manifestou contra o Feef emprestar diretamente a países endividados, aprovaria o uso desses recursos. Uma porta-voz da chanceler Angela Merkel, no entanto, disse ao jornal que “nada foi decidido ainda”.
A proposta, ainda segundo o “Guardian”, foi discutida em reuniões paralelas à do G-20, grupo que reúne as principais economias mundias. Autoridades europeias no G-20 disseram que os líderes da zona do euro podem fazer um anúncio oficial nos próximos dias, mas ressaltaram que os detalhes ainda não foram fechados. Segundo o “El País”, porém, o anúncio seria feito na próxima reunião de cúpula da UE, nos dias 28 e 29 deste mês.
Títulos espanhóis voltam a subir
Até o momento, os recursos do fundo de resgate foram usados no socorro a Grécia, Portugal e Irlanda, em programas que impuseram monitoramento externo e rígidas medidas de austeridade. Pelo novo plano, os recursos não seriam entregues diretamente aos governos, e sim seriam usados na compra de títulos da dívida nos mercados financeiros. No ano passado, o Banco Central Europeu (BCE) comprou 210 bilhões em bônus, principalmente da Grécia. As operações, no entanto, foram suspensas — segundo o “Guardian”, por oposição da Alemanha.
— Veremos o que a zona do euro anunciará nas próximas semanas, mas sem dúvida eles entendem que medidas isoladas em países isolados, como a recapitalização dos bancos espanhóis e um governo grego a favor de permanecer no euro, não bastam — disse o ministro de Finanças britânico, George Osborne.
No último dia 10, a UE concordou em ceder € 100 bilhões para a Espanha sanear seus bancos. Apesar disso, o custo para o país se financiar nos mercados continuou subindo. Os títulos de dez anos chegaram a registrar o recorde de 7,29% ao ano na segunda-feira. Ontem, em um leilão de papéis de 18 meses, Madri teve de pagar uma taxa de 5,10% aos investidores. Há um mês, em operação semelhante, foram 3,30%.
Grécia pode ter novo governo hoje
Nem a vitória dos conservadores na Grécia, no domingo, tranquilizou os mercados. O partido Nova Democracia ainda tenta formar um governo de coalizão com Pasok e Esquerda Democrática. O líder do Pasok, Evangelos Venizelos, disse que o novo governo pode ser anunciado hoje.
Os gregos, porém, já mostram alguma tranquilidade. Os bancos do país, que vinham enfrentando saques diários de até 800 milhões, já registram depósitos. E Bruxelas pode liberar a parcela de 1 bilhão do acordo de resgate, que deveria ter sido paga em maio, afirmou o jornal grego “Kathimerini”.
Fontes disseram ainda que a UE pode rediscutir os termos do segundo plano de socorro à Grécia, porque o primeiro teria ficado obsoleto. Obama já se manifestou a favor de revisar os prazos para cumprimento das metas. Mas Merkel continua contra.

MUNDO: Líder conservador grego será nomeado premiê


Da FOLHA.COM

DA EFE, EM ATENAS

Antonis Samaras, líder do partido grego conservador Nova Democracia, será nomeado nesta quarta-feira como o novo primeiro-ministro de seu país, após um acordo de sua legenda com o Pasok (social-democrata) e Dimar (centro-esquerda) para formar uma nova coalizão.
Samaras está reunido com o presidente da Grécia, Karolos Papoulias, e tão logo acabe essa reunião ele deve fazer o juramento para o cargo de primeiro-ministro, disse uma fonte da Presidência à agência Efe.
Em sua chegada à reunião, Samaras assegurou ao presidente que já existe uma maioria absoluta no Parlamento helênico disposta a apoiar um governo de longa duração, com o objetivo de reanimar a economia.
Os três partidos que devem formar o novo Gabinete dispõem de 179 cadeiras das 300 disponíveis no Legislativo, o que assegura sem maiores problemas o obrigatório voto de confiança no Parlamento.
Segundo o canal NET, o novo ministério, que deve ser composto entre 15 e 17 titulares, deve prestar juramento amanhã.
Acredita-se que os novos ministros devam ser tecnocratas sem filiação política. 

GESTÃO: Banco do Nordeste confirma nova fraude e afasta servidores no Ceará


Do UOL

Carlos Madeiro
Uma semana após informar sobre fraudes em operações de crédito no valor de R$ 115 milhões e afastar o chefe de gabinete da presidência, Robério Gress do Vale, o Banco do Nordeste de Brasil (BNB) informou, na terça-feira (19), que outra irregularidade foi detectada. Desta vez, a fraude foi em financiamentos rurais na agência de Limoeiro do Norte (CE). A instituição financeira é voltada ao desenvolvimento regional e tem 90% de seu capital sob o controle do Governo Federal.
O alvo das fraudes desta vez foi o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). A denúncia foi feita por um gerente do BNB à Polícia Federal, que alegou que o dinheiro estava sendo repassado a pessoas que não eram agricultores de baixa renda, como determina o programa.
Entre os beneficiários dos financiamentos estavam professores e taxistas. O caso passou a ser investigado pelo banco, que percebeu a irregularidade.
Em nota encaminhada ao UOL na noite desta terça-feira, o BNB confirmou a existência das fraudes. “[As irregularidades] já vinham sendo alvo de sindicância promovida pela auditoria interna. Foram constatadas irregularidades em 199 operações, que totalizaram cerca de R$ 3,8 milhões”, informou o banco.
Ainda segundo a instituição, o BNB prestou informações aos órgãos de controle e fiscalização –CGU (Controladoria Geral da União) e Banco Central–, além da adoção das medidas internas, como a abertura de sindicância, que deve se estender até julho.
“Durante a sindicância, com a confirmação das irregularidades, foram aprovados pela Diretoria, e imediatamente implementados, diversos aperfeiçoamentos nos processos de crédito, com vistas a mitigar os riscos da ocorrência de novos eventos da espécie. Além disso, a concessão de crédito de Pronaf foi suspensa na agência”, disse o banco. O BNB informou que, após a sindicância, será aberto um Procedimento Administrativo Disciplinar, que vai avaliar a participação dos envolvidos e propor a aplicação das penalidades devidas.
“Enquanto isso, eles permanecem atuando no Banco, mas afastados de suas funções originais. Eventual punição a funcionário somente poderá ser realizada após a conclusão do Procedimento Administrativo Disciplinar que venha a confirmar a realização de uma perda para a instituição, garantido a todos amplo direito de defesa”, disse o banco, sem informar quantas pessoas estão envolvidas.
O BNB ainda garantiu que todas as decisões relacionadas à concessão de crédito “são tomadas, exclusivamente, por meio de critérios técnicos e de forma colegiada, existindo, para tanto, diversos comitês na estrutura de governança corporativa do Banco.”
O Banco do Nordeste
Com 60 anos, o Banco do Nordeste do Brasil é uma instituição financeira múltipla criada pela Lei Federal nº 1649, de 19.07.1952 , e organizada sob a forma de sociedade de economia mista, de capital aberto, tendo mais de 90% de seu capital sob o controle do governo federal.
O banco atua em cerca de 2.000 municípios, abrangendo os nove Estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), o norte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o norte do Espírito Santo.
Maior instituição da América Latina voltada para o desenvolvimento regional, o banco opera como órgão executor de políticas públicas, cabendo-lhe a operacionalização de programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e a administração do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).
Além dos recursos federais, o banco tem acesso a outras fontes de financiamento nos mercados interno e externo, por meio de parcerias e alianças com instituições nacionais e internacionais, incluindo instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
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