segunda-feira, 28 de março de 2016

IMPEACHMENT: Temer e Renan definem que decisão de desembarque será por aclamação

FOLHA.COM
GUSTAVO URIBE
MARIANA HAUBERT
DANIELA LIMA
DE BRASÍLIA

Renato Costa/Folhapress 
O vice-presidente Michel Temer (à dir) reunido com caciques do PMDB durante convenção nacional do partido, no último dia 12

O PMDB vai oficializar o desembarque do governo Dilma Rousseff nesta terça-feira (29), por aclamação. A decisão é resultado de articulação promovida pelo grupo do vice-presidente Michel Temer.
A tendência é que o partido aprove ainda o prazo até o dia 12 de abril para que os sete ministros da sigla deixem seus cargos. O mesmo valerá para outros peemedebistas empregados em cargos de confiança na administração federal.
A tomada de posição foi fechada após reunião entre Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), considerado o "último bastião" do governismo no PMDB.
Pelo acordo, Temer não presidirá a reunião que vai selar o desembarque. Os ministros peemedebistas também não irão à reunião.
Apesar dos apelos da presidente Dilma e de seu antecessor, Lula, o Planalto não conseguiu conter a tendência de debandada do PMDB, agravada nos últimos dias com a exposição das posições anti-Dilma dos maiores diretórios estaduais da sigla, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O formato da convenção de amanhã foi fechado em reunião na residência oficial do Senado Federal com a presença de outros senadores peemedebistas. Com o acordo, a tentativa do comando nacional do partido é evitar demonstrar a divisão do partido no encontro do diretório nacional da legenda.
Em estratégia esboçada com a presidente Dilma Rousseff, os sete ministros do partido não devem participar da reunião de terça-feira (29). A ausência deles é vista, no entanto, com naturalidade pela cúpula nacional, que entende o constrangimento que eles poderiam passar no encontro.
Com a avaliação de que a "batalha desta terça-feira está perdida", o foco do Palácio do Planalto é tentar agora segurar a maior parcela possível do partido no movimento contrário ao impeachment. Nas palavras de um assessor da presidente, "amanhã é uma batalha perdida dentro de uma guerra maior".
LULA
Neste domingo (27), Temer avisou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvaque o PMDB, legenda comandada por ele, aprovará o desembarque oficial do governo.
Esta foi a primeira vez que Lula conseguiu se reunir com Temer desde que o partido decidiu pela saída oficial do governo. Na semana passada, o ex-presidente, que tem atuado como articulador informal do governo, tentou se encontrar com o vice-presidente em duas ocasiões mas Temer não o recebeu.
Na conversa, o peemedebista também avisou a Lula que não havia possibilidade de a reunião ser adiada. Inicialmente, integrantes da legenda ainda aliados do governo tentavam pressionar o peemedebista pelo adiamento para que o processo de impeachment, em tramitação no Congresso, avançasse mais e a sigla não ficasse tanto sob os holofotes.
No encontro, Temer reclamou a Lula do isolamento que tem sofrido pelo Palácio do Planalto. Em conversas reservadas, ele tem dito que Dilma não o recebe nos últimos dois meses.
Ele se queixou ainda das intervenções da presidente em decisões do comando nacional do partido, como a nomeação do deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria de Aviação Civil.
Ela ocorreu após decisão do partido para que nenhum filiado aceitasse cargos até a decisão oficial da sigla de desembarque da Esplanada dos Ministérios. 

ECONOMIA: Caixa sobe juros para financiamento da casa própria pela 1ª vez no ano

FOLHA.COM
DE SÃO PAULO

Samuel Costa/Folhapress 
A Caixa aumentou os juros para financiamento de imóveis

A Caixa anunciou nesta segunda-feira (28) que elevou os juros do financiamento da casa própria com recursos oriundos da poupança.
O reajuste deve ser seguido pelos demais bancos, já que a Caixa, principal financiador de imóveis do país, serve de piso para o restante do mercado.
É a primeira vez neste ano que a Caixa aumenta o juros do financiamento. A última vez que o banco elevou as taxas foi em outubro do ano passado.
A taxa balcão (para clientes que não possuem relacionamento com o banco) para imóveis do SFH (Sistema Financeiro Habitacional) — que financia imóveis que custam até R$ 750 mil — passou de 9,90% ao ano para 11,22%.
Já para clientes com relacionamento com o banco os juros dessa modalidade foram de 9,80% para 11%.
A taxa balcão para imóveis acima de R$ 750 mil, feitos pelo SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário), passou de 11,50% para 12,50%, enquanto o juros para clientes que possuem conta no banco foi de 11,20% para 12%.
ModalidadeDePara
Taxa balcão9,90 %11,22 %
Relacionamento9,80 %11,00 %
Relacionamento + Salário9,50 %10,50 %
Servidor (Relacionamento)9,50 %10,50 %
Servidor (Relacionamento + Salário)9,30 %10,00 %
A medida passou a valer na quinta-feira (24), véspera de feriado, e as taxas valem para financiamentos concedidos a partir dessa data.
De acordo com a instituição bancária, as taxas de juros dos financiamentos habitacionais com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofreram alterações.
O aumento de juros ocorre no mesmo mês em que a Caixa elevou de 50% para 70% o limite financiado de um imóvel usado, menos de um ano após reduzir essa parcela devido à escassez de crédito via recursos da caderneta de poupança.
Neste mês, o banco também anunciou a volta da linha para a compra de um segundo imóvel, suspensa desde agosto do ano passado. As condições de crédito devem ser iguais às oferecidas na compra da primeira moradia.
ModalidadesDePara
Taxa balcão11,50 %12,50 %
Relacionamento11,20 %12 %
Relacionamento + Salário11 %11,50 %
Servidor (Relacionamento)11 %11,50 %
Servidor (Relacionamento + Salário)10,50 %11 %
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ModalidadesDePara
Taxa balcão14 %15 %
Servidor (Relacionamento)------
Servidor (Relacionamento + Salário)------
Relacionamento + Salário13 %14 %
Relacionamento13,50 %14,50 %
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IMPEACHMENT: PSD libera bancada na Câmara na votação do impeachment; PP também cogita liberar

UOL
Em Brasília

Rodrigo Capote/UOL
No PSD, liberação teve anuência do ministro das Cidades, Gilberto Kassab

A um dia da reunião do diretório nacional do PMDB que deve aprovar o rompimento do partido com o governo Dilma, outras legendas do chamado "centrão" da base aliada começaram a dar sinais mais fortes de que também poderão desembarcar em breve.
À frente do Ministério das Cidades, o PSD decidiu liberar seus 31 deputados para votar como quiserem em relação ao impeachment na Câmara. O PP, que comanda o Ministério da Integração, já cogita também liberar oficialmente sua bancada, a terceira maior da Casa, com 49 parlamentares.
No PSD, a liberação teve anuência do ministro das Cidades e presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Apesar de a notícia ter vindo à tona somente hoje, deputados afirmam que o líder do partido na Câmara, Rogério Rosso (DF), já tinha anunciado a liberação desde antes de se tornar presidente da comissão do impeachment.
De acordo com um dirigente do PSD, atualmente, pelo menos 70% da bancada da Câmara é favorável ao impeachment. Esse líder afirma que a tendência é de que, assim como os deputados, a bancada do partido no Senado, composta por três senadores, também seja liberada para votar como quiser.
Deputados do PP aguardam definição
No PP, o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), já admite que não terá como segurar suas bancadas, principalmente se o PMDB desembarcar oficialmente do governo. Na semana passada, dirigentes do partido já informaram à presidente Dilma Rousseff dessa dificuldade.
Pelos cálculos da direção da sigla, dos 49 deputados do PP, pelo menos 15 são a favor do impeachment e outros 35 "aguardam" definição oficial do partido. "Só conseguimos garantir os 35 votos para o governo se for para o governo ganhar. Se for para perder, não conseguimos", afirmou um interlocutor de Nogueira.
Na semana passada, parlamentares do PP pró-impeachment entregaram ao presidente do partido uma lista com assinaturas de 22 deputados e de 4 dos 6 senadores, pedindo a antecipação da convenção nacional da legenda, para discutir o desembarque do governo Dilma Rousseff.
Ciro prometeu marcar uma nova reunião das bancadas para tratar do assunto, mas ainda não definiu a data do encontro. O objetivo do dirigente é "ganhar tempo" e só deixar uma decisão oficialmente sobre rompimento para depois que outros partidos da base anunciarem desembarque.
A liberação das bancadas pelo PSD e, possivelmente, pelo PP deverá dificultar ainda mais o trabalho de Dilma para se salvar do impeachment. A presidente precisa de pelo menos 172 votos para barrar o impeachment na Câmara. Hoje, o governo só conta como 100% certo os votos de todos os deputados do PT, PDT e PCdoB.

CORRUPÇÃO: Juíza nega pedido para suspender mais uma vez ação contra cartel na Linha 2 do Metrô de SP

ESTADAO.COM.BR
POR MATEUS COUTINHO

Executivos investigados por suspeita de fraude em licitação de R$ 162 milhões queriam que processo que segue na estaca zero desde 2014 ficasse parado até o julgamento de novos recursos no Tribunal de Justiça
Linha 2 – Verde do Metrô de São Paulo. Foto: Divulgação

A Justiça de São Paulo rejeitou, no dia 21 de março, os pedidos das defesas de dois réus para suspender a ação penal contra eles por suspeita de cartel e fraude à licitação de R$ 162 milhões para a expansão da Linha 2 – Verde do Metrô de São Paulo em 2005, durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB).
O recurso era mais uma tentativa dos réus para continuar postergando o processo, que está na estaca zero desde que a denúncia foi apresentada à Justiça, em março de 2014. Naquele mesmo ano a acusação contra um total de cinco executivos de empresas envolvidas no esquema foi rejeitada. A partir de então, o Ministério Público e a defesa dos executivos vêm travando uma “guerra” de recursos nas instâncias superiores.
Ainda em 2014, o MP paulista conseguiu no Tribunal de Justiça de São Paulo que determinasse que a denúncia fosse aceita pelo juiz, decisão que foi suspensa em 2015 após um habeas corpus de um dos réus aceito pelo Superior Tribunal de Justiça. Em nova investida no TJ, contudo, o Ministério Público foi vitorioso e, em agosto de 2015, conseguiu uma liminar para que a denúncia fosse aceita e o processo retomado. Com isso, em 28 de janeiro de 2016, por determinação do Tribunal, a juíza Eliana Cassales Tosi de Melo, da 30ª Vara Criminal da capital, mandou seguir a denúncia e intimar as defesas dos executivos para se manifestar.
A decisão foi seguida por mais um questionamento de dois réus já em 2016, que pediram a suspensão do processo até o julgamento definitivo de um novo recurso apresentado por um dos executivos ao TJ de São Paulo e do recurso do MP no Tribunal pedindo que a ação siga. A magistrada, contudo, entendeu que não era necessário aguardar a decisão definitiva para que a ação penal seguisse tramitando e determinou o dobro do prazo para os dois executivos que recorreram apresentarem duas defesas.
Fraude. Na acusação, o promotor Marcelo Mendroni, do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) do MP paulista, aponta que a licitação de 2005 para a elaboração do projeto executivo, fornecimento e implantação de sistemas para o trecho Ana Rosa – Ipiranga e sistemas complementares para o trecho Ana Rosa – Vila Madalena tinha o preço inicial estipulado pelo Metrô em R$ 135,9 milhões. Apesar disso, aponta a denúncia, a proposta vencedora foi de R$ 141,4 milhões e ainda teve oito aditivos, aumentando o valor da obra para R$ 162,5 milhões.
Além disso, aponta a denúncia, o Consórcio vencedor subcontratou as empresas derrotadas na licitação, de forma que todas acabaram participando da obra. Nenhum funcionário do Metrô é alvo das denúncias e a estatal vem reiterando que “continua colaborando com a Justiça e que não compactua com nenhum tipo de irregularidade.”
Documento

POLÍTICA: Divisão do PSDB se acirra em meio à crise

ESTADAO.COM.BR
PEDRO VENCESLAU - O ESTADO DE S.PAULO

Às vésperas do impeachment, partido corre risco de perder protagonismo no processo


Principal partido de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, o PSDB chega ao momento decisivo do processo de impeachment no Congresso assombrado pelo espectro da divisão interna e pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, além de estar seriamente ameaçado de perder o protagonismo na disputa contra a petista.
Enquanto os senadores Aécio Neves (MG), presidente do partido, e José Serra (SP) disputam o protagonismo da transição (e reeditam a antiga rivalidade), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, explodiu as pontes com os caciques tucanos de São Paulo, Estado que é o berço político e a principal base do PSDB.
Serra é o principal canal de comunicação do PSDB com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). O tucano paulista tem defendido a ajuda do partido a um eventual governo do peemedebista. Mas Aécio apresenta resistência. O senador mineiro, no entanto, vem sendo citado em novas delações da Lava Jato e terá de se dedicar nos próximos dias a elaborar sua defesa, deixando um pouco de lado as articulações políticas.
TRÊS TUCANOS, TRÊS PLANOS DE VÔO                                               
Dida Sampaio|EstadãoAécio Neves
Foi um dos principais articuladores da ação que questiona a vitória de Dilma no TSE que, se acolhida ainda neste ano, levaria à realização de novas eleições diretas. Pretendia voltar a disputar a Presidência, valendo-se do “recall” da disputa de 2014 para se colocar em vantagem em relação aos adversários.

Na semana passada, Aécio disse que o PSDB não deve discutir cargos com Temer e recomendou cautela ao partido. O problema para os tucanos é que o impeachment avança e o PSDB começa a perder espaço no processo para as alas rebeldes do PMDB, para o DEM e para o PPS.
“Aécio precisa ser cuidadoso com o que fala, pois é presidente do partido”, afirmou o ex-deputado José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, braço de elaboração teórica do PSDB. “Quando se agrava a situação, as lideranças precisam ampliar o foco”, conclui. O “foco” ao qual ele se refere são as pretensões eleitorais dos dois rivais internos: o Palácio do Planalto em 2018.
É nesse ponto que entra o terceiro elemento de instabilidade no ninho tucano. A decisão de Alckmin de patrocinar politicamente a pré-candidatura do empresário João Doria à Prefeitura de São Paulo foi uma declaração de guerra aberta ao grupo de Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apoiaram o vereador Andrea Matarazzo nas prévias do partido.
Interpretação. A leitura do racha paulista é a mesma em todas as alas do PSDB: Alckmin tentará ampliar sua influência na máquina partidária nacional para se viabilizar como presidenciável. Se não conseguir furar o bloqueio de Aécio, que preside a legenda, ele mudará de partido, provavelmente para o PSB.
No atual cenário, entretanto, Alckmin está “preso” a São Paulo e à liturgia do cargo, e não tem como fazer frente a Serra e Aécio na arena nacional.
Se persistir o impasse entre os dois senadores, a decisão final será tomada pela executiva nacional do PSDB, algo que seria inédito na história do partido e sintomático da divisão interna. “Quando o impeachment passar na Câmara, esse debate vai aflorar nas instâncias partidárias”, disse o deputado Jutahy Junior (BA), que é próximo a Serra.
“O PSDB enfrentou esse dilema (participar ou não do governo) duas vezes e tomou a decisão certa em ambas”, lembra o deputado Bruno Araujo (PE), um dos vice-presidentes do partido.
Nos dois casos, porém, o cenário era muito diferente. Em 1992, o então senador Fernando Henrique Cardoso foi convidado para integrar o ministério do presidente Fernando Collor e estava disposto a aceitar a missão. Principal líder do partido à época, Mário Covas vetou a movimentação do aliado.
Após o impeachment de Collor, porém, FHC foi ministro das Relações Exteriores e ministro da Fazenda de Itamar Franco. Tucanos lembram que no primeiro caso havia uma liderança incontestável e no segundo, um consenso. Dessa vez não há nenhum dos dois elementos.

EDUCAÇÃO: Censo Escolar: 3 milhões de alunos entre 4 e 17 anos estão fora da escola

UOL
Da Agência Brasil

Karime Xavier/Folhapress)

Os dados do Censo Escolar de 2015 mostram que as matrículas diminuíram em todas as etapas de ensino, menos na creche, que atende as crianças até os 3 anos de idade. Os números refletem a queda da população, em geral, que tem reduzido entre criança e jovens, mas, de acordo com especialistas ouvidos pela Agência Brasil, refletem também desafios para o sistema educacional. São 3 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora das salas de aula, e que, por lei, deverão ser incluídos até este ano. O censo foi divulgado nessa semana pelo Ministério da Educação (MEC).
As idade mais críticas são 4 anos, 690 mil de crianças não são atendidas, e 17 anos, em que 932 mil adolescentes deixaram os estudos. O censo mostrou que a pré-escola, voltada para crianças de 4 e 5 anos, teve uma redução de 1% de matrículas em relação a 2014, passando de 4,96 milhões para 4,92 milhões, aproximadamente. Foi a primeira queda desde 2011. O ensino médio, que já reduzia as matrículas pelo menos desde 2010, teve, desde então, a maior queda, entre 2014 e 2015, de 2,7%. O número de estudantes passou de 8,3 milhões para 8,1 milhões.
"Nos dois casos, ainda tem um percentual alto de crianças fora da escola e a gente não pode desperdiçar essa janela de oportunidade, de conseguir inserir mais crianças na rede escolar", diz a superintendente do Todos Pela Educação, Alejandra, Meraz Velasco. A educação até os 17 anos é obrigatória no Brasil de acordo com a Emenda Constitucional 59 e com o Plano Nacional de Educação (PNE). Termina neste ano o prazo previsto no PNE para que todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos estejam matriculados.
Crise orçamentária
Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a crise orçamentária pela qual passam tanto União, quanto estados e municípios, impacta a educação. "Não só na redução das matrículas, mas na dificuldade de expansão. Ao invés de estarmos diminuindo ou patinando, precisaríamos aumentar o número de matrículas", diz.
Cara ressalta que isso é necessário até mesmo no ensino fundamental, tido como universalizado. "Temos 1% das crianças fora da escola, não pode sobrar ninguém. Para aquele 1%, a educação é definitiva para várias possibilidades na vida. Educação não pode ser secundarizada, tem que ver as opções orçamentárias que o Brasil faz".
Ensino médio e pré-escola
Os cenários da educação infantil e do ensino médio são diferentes. Enquanto no ensino médio, a falta de atratividade, a busca por trabalho, a gravidez precoce fazem com que estudantes abandonem os estudos, no ensino infantil faltam salas de aula para incluir todas as crianças. No ensino médio, a maior parte dos jovens está na cidade e, na pré-escola, está no campo.
"O ensino médio não é atrativo para os alunos. O abandono é maior que em outras etapas", diz o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps. Outro fator que pode ter levado à queda foi a implantação do 9º ano do ensino fundamental, que começou em 2006. As escolas tinham até 2010 para se adequar. Aqueles que entraram no ensino fundamental em 2006, concluiram os nove anos no ano passado. Assim, estudantes que iriam para o ensino médio, no ano passado, acabaram indo para o 9º ano, o que impactou nas matriculas.
Reformulação do currículo
O Consed aposta na reformulação do ensino médio para atrair mais os jovens. Entre outras mudanças, a intenção é que parte do currículo seja dedicado ao ensino técnico ou outros caminhos que poderão ser escolhidos pelos estudantes. A questão está em discussão na definição da Base Nacional Comum Curricular.
Já na pré-escola, segundo a vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Manuelina Martins, há um esforço enorme de todas as secretarias para incluir esses alunos. "A maioria das crianças de 4 e 5 anos que estão fora da escola está no campo. O pai não manda porque acha que é muito pequena. O fechamento de escolas rurais pode ser um dos fatores que contribuiu para a redução das matrículas, não podemos descartar essa possibilidade".
Manuelina explica, no entanto, que o cenário é complexo. "Houve o esvaziamento do campo. As pessoas estão vindo mais para a cidade. E as escolas do campo que atendiam um número bem significativo de alunos, tiveram redução enorme". Manter essas escolas fica caro, de acordo com Manuelina, as matrículas nessa unidades custam de 50% a 80% a mais do que as matrículas na cidade. "Fica caro ofertar essa educação, porque uma escola que atendia 50 estudantes, hoje tem 15. O gestor acaba optando por transportá-los para a área urbana. Mas tem se feito um esforço enorme para manter a escola e tem municípios que estão construindo escolas rurais".
A creche, que atende a crianças com até 3 anos, foi a única etapa regular que apresentou aumento nas matrículas, 5,2% a mais que em 2014. O número de crianças atendidas passou de 2,9 mihões para 3 milhões aproximadamente. O número vem crescendo desde 2010. A maioria das creches está na zona urbana (76,3%) e 40,7% são privadas, a maior participação da iniciativa privada em toda a educação básica.
Para garantir o cumprimento da lei, o MEC fará uma busca ativa para localizar jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola. Além dos estados e municípios, o ministério buscará a ajuda de agentes de saúde, assistência social, entre outros para contactar os jovens. Quanto à pré-escola, o MEC afirma que tem priorizado, junto com os municípios, a construção de pré-escolas e de módulos que atendam a essa faixa etária.
Educação para Jovens e Adultos
Além da educação regular, a queda de matrículas na Educação para Jovens e Adultos (EJA) preocupa os especialistas. No total, 3,4 milhões de adultos frequentavam a escola em 2015, número 4,5% menor que em 2014. A queda já vinha ocorrendo desde 2007, segundo os dados divulgados pelo MEC.
"A queda de matrículas é uma vergonha. Nao é de hoje, é uma queda constante. A EJA é um atendimento que tem uma especificidade, é importante, dá uma opção para as pessoas que abandonaram a escola, que não se adequam ao sistema regular porque há uma desagregação por faixa etária", diz Alejandra. "A EJA deveria ter ótimos centros, ótimos programas que incorporassem a vivência da pessoa com uma idade maior, que já tem uma vivência no trabalho e tem um cotidiano muito diferente do aluno do regular".
Cara diz que quando há dificuldade, as escolas rurais e a EJA são as que mais sofrem com os cortes. "A EJA não tem sido tratada como um direito, mas como uma etapa secundarizada. Gestores priorizam crianças e adolescentes. Acreditam que jovens e adultos que não conseguiram estudar no tempo regular, não têm tanta prioridade. Um aluno da EJA representa resiginficação do processo de ensino e aprendizagem na escola. Para todas as crianças e adolescentes que convivem com ele, é um exemplo positivo".
O ponto também foi tratado pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, quando divulgou os dados nessa semana. Segundo ele, há um esforço para aumentar a oferta do ensino técnico junto à etapa. Também entre 2014 e 2015, houve um aumento de 4,8% nas matrículas na educação profissional, chegando ao atendimento de 105,8 mil. A EJA é destaque na nova etapa do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançada no início do mês, com a meta de oferecer 2 milhões de vagas.

CASO PETROBRAS: Propina pagou Dior e Chanel a mulher e filha de Cunha, aponta denúncia

ESTADAO.COM.BR
POR JULIA AFFONSO, RICARDO BRANDT E FAUSTO MACEDO

Claudia Cunha e Danielle Dytz serão investigadas sob a tutela do juiz Sérgio Moro
Claudia Cruz e Eduardo Cunha. Foto: Divulgação

A denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aponta que as compras de luxo da mulher e da filha do deputado, no exterior, ‘foram pagos com parte do dinheiro de propina’. Os gastos de Claudia Cruz e Danielle Dytz da Cunha Doctorovich com as marcas de renome Chanel, Dior, Balenciaga e Louis Vuitton somam cerca de US$ 86 mil, entre dezembro de 2012 e julho de 2015, e serão investigados pela força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.
Cláudia e Danielle estão sob a tutela do temido juiz federal Sergio Moro, algoz de doleiros, empreiteiros e políticos. O próprio Eduardo Cunha já foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro perante o Supremo Tribunal Federal. Como não são detentoras de foro privilegiado Claudia e Danielle agora estão sob investigação dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.
Em janeiro de 2014, durante uma estadia em Paris, Claudia Cruz gastou US$ 17.483,84 em três dias. Foram US$ 7.707,37 na loja da Chanel, US$ 2.646,05 na Christian Dior, US$ 4.184,94 na Charvet Place Vendôme e US$ 2.945,48 na Balenciaga.
“Todos estes valores foram pagos com parte do dinheiro de propina recebido por Eduardo Cunha”, diz a denúncia sobre os valores relacionado ao próprio presidente da Câmara, sua mulher e sua filha. “As despesas pagas em cartão de crédito com as quantias ilícitas recebidas podem se verificadas nos extratos dos cartões de créditos da Corner Card. Referidos extratos demostram despesas completamente incompatíveis com os lícitos declarados do denunciado e de seus familiares.”


Segundo a Procuradoria-Geral da República, Claudia Cruz e Danielle Dytz se favoreceram de valores de uma propina superior a US$ 5 milhões que Eduardo Cunha teria recebido ‘por viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobrás’.
A investigação aponta que Cláudia Cruz é a única titular da conta Kopec, na Suíça – pela qual ‘transitou dinheiro ilícito’. Desta mesma conta aparece como beneficiária do cartão de crédito, segundo a Procuradoria, Danielle Dytz. A denúncia sustenta que o rastreamento do cartão de crédito mostra gastos sequenciais de grandes valores em restaurantes, hospedagens e viagens ao exterior.

Trecho da denúncia contra Eduardo Cunha

Trecho da denúncia contra Eduardo Cunha
Na terça-feira, 15, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu mandar para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba, o processo na Lava Jato contra Cláudia Cruz e Danielle Dytz. A determinação atendeu a uma manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a justificativa de que elas não têm foro privilegiado para serem investigadas pelo Supremo.
“Claudia Cordeiro Cruz, nada obstante tenha declarado ser “dona de casa” nos documentos bancários suíços, gastou US$ 7.707,37 na loja da Chanel em Paris (09.01.2014), US$ 2.646,05 na loja da Christian Dior (11.01.2014), USD 4.184,94 na Loja Charvet Place Vendôme em Paris (11.01.2014), US$ 2.945,48 na loja de roupas Balenciaga (11.01 2014), também em Paris; US$ 4.497,93 na Loja da Prada, em Roma (02.03.2014), US$ 3.536,39 na loja Louis Vuitton em Lisboa (08.03.2014), US$ 3.799,03 na Chanel em Dubai (12.04.2014); US$ 1.482,11 na Louis Vuitton em Paris (15.02.2015), US$ 2.879,51 na Chanel em Paris (16.02.2015), US$ 6.537,77 na Charvet Place Vendô e em Paris (16.02.2015), US$ 1.676,65 na loja Hermes (16.02.2015), USD 960,58 na loja de roupas Balenciaga (16.02.2015), US$ 1.178,11 na loja Chanel, em Paris (18.07.2015)”, contabilizou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que subscreve a denúncia.
O documento registrou ainda os gastos da filha de Eduardo Cunha. “Efetuou diversos gastos, inclusive em lojas de grife, tais como US$ 1 mil na loja de sapatos Christian Loubouti (em 27.12.2012), US$ 1.685,40, na Prada (02.01.2013); US$ 2.090,22 na Burberry (02.01.2012), US$ 1.526,67 na Ermenegildo Zegna (02.01.2013), US$ 1.246,54 na Alexander Macqueen (22.01.2013), US$ 1.267,09 na mesma loja (Alexander Macqueen), em 24.01.2013, US$ 1.774,77 (em 19.02.2013) e US$ 2.398,47 (02.03.2013) na loja de roupas feminina Santa Eulalia, em Barcelona; US$ 1.506,64 na loja Yves Saint Laurent em Barcelona (13.03.2013); US$ 2.666,51 na Burberry em Barcelona (16.03.2013), US$ 2.939,63 na Chanel em Nova Iorque (21.07.2013), US$ 5.243,00 na Chanel nos EUA (30.01.2014), US$ 1.853,07 na Bloomingdale’s em Orlando (18.04.2014), US$ 2.759,43 e US$ 5 mil na loja Neiman Marcus, em Orlando (18.04.2014), US$ 2.659,30 na Hermès em Cannes e US$ 4.627,11 na loja Fendi em Nova Iorque”.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia contra o deputado Eduardo Cunha, em 4 de março, pelo recebimento de propina na Suíça, em valor superior a R$ 5 milhões, por viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras. Segundo a acusação, o dinheiro é fruto de corrupção e houve lavagem de dinheiro.
A denúncia sustenta que Cunha atuou para garantir a manutenção do esquema ilícito na Diretoria Internacional da Petrobrás e para facilitar e não colocar obstáculos na aquisição do Bloco de Benin. O bloco foi adquirido da Compagnie Béninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH), por US$ 34,5 milhões (R$ 138.345 milhões). A acusação aponta que Cunha era um dos responsáveis do PMDB pela indicação e manutenção do então diretor da Área Internacional no cargo, Jorge Zelada, e por isso recebia um percentual dos negócios.
O processo foi transferido do Ministério Público Suíço para a Procuradoria-Geral da República do Brasil considerando que o deputado é brasileiro, está no país e não poderia ser extraditado para a Suíça. Além disso, como a maioria das infrações foram praticadas no Brasil, a persecução penal será mais eficiente no território nacional. Para a Procuradoria-Geral, a documentação enviada pela Suíça permite compreender todo o esquema.
COM A PALAVRA, A DEFESA DE CLAUDIA CRUZ
A parte da investigação referente a Claudia Cruz foi remetida ao primeiro grau e está sob sigilo, razão pela qual não podemos tratar do mérito. Porém, esclarecemos que Claudia Cruz nada tem a ocultar, já apresentou as declarações de seus bens e está à disposição da justiça pra esclarecer tudo o que for necessário, já que não praticou delito algum.
COM A PALAVRA, A DEFESA DE DANIELLE DYTZ
A defesa não retornou ao contato da reportagem. Em 8 de março, em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Danielle Dytz sustentou que a filha de Eduardo Cunha ‘é apenas indicada como beneficiária da conta Kopek, cuja titularidade é atribuída a sua madrasta, e que teria sido, segundo a acusação, alimentada com valores transferidos a partir de outras contas controladas por seu pai’.
Documento

IMPEACHMENT: Governo encara próximos 15 dias como decisivos ao impeachment

UOL
De Brasília

Renato Costa-23.mar.2016/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff durante evento dia 23 de março

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que os próximos 15 dias serão decisivos para o governo da presidente Dilma Rousseff. A perspectiva é que a comissão que analisa o impeachment da petista termine seus trabalhos em meados de abril e que os acordos com os partidos da base aliada que serão fechados até lá definam se a presidente continua ou não no cargo.
O tema que mais preocupa o governo no momento é o desembarque do PMDB, que deve ser oficializado na próxima terça-feira. Assim que chegou a Brasília na noite de domingo (27), depois de passar o feriado em Porto Alegre, Dilma convocou uma reunião no Palácio da Alvorada para discutir o assunto com os seus principais ministros.
Auxiliares da petista classificam a decisão do partido do vice-presidente Michel Temer como irreversível e chegam a falar que "só um milagre" faria os peemedebistas mudarem de ideia. Não descartam também que a saída do PMDB provoque uma debandada dos demais partidos da base aliada, como o PP e o PSD.
Diante desse quadro, a ordem é atuar no varejo para conquistar o maior número de deputados possível. A estratégia vai ser entregar cargos e prometer a liberação de recursos àqueles que votarem contra o impeachment. Hoje, o cálculo do Planalto é que o governo não tem os 171 votos necessários para barrar o processo na Câmara e que seria muito difícil paralisá-lo no Senado.
Sem interlocução com Temer, Dilma delegou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tarefa de tentar se aproximar do vice. Na última semana, o petista não obteve sucesso na empreitada. Temer sequer atendeu aos telefonemas do ex-presidente. Uma nova tentativa deve ser feita nesta segunda-feira, mas há pouca esperança que isso altere o quadro já desenhado.
Até mesmo a nomeação de Lula para a Casa Civil já é vista, no Planalto como algo que, por ora, perdeu o sentido. Com o caso dependendo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, a saída vai ser o ex-presidente atuar como interlocutor informal do governo, como já vem fazendo. No centro do escândalo da Operação Lava Jato, porém, Lula já não mostra a mesma influência de outrora.
Páscoa
Dilma Rousseff voltou a Brasília no início da noite de domingo (27) após passar o feriado com a família na capital do Rio Grande do Sul. Além da Páscoa, a presidente celebrou o aniversário da filha, Paula Araújo, mãe de seus dois netos - Gabriel, de 5 anos, e Guilherme, que nasceu em janeiro.
Ela chegou a Porto Alegre na quinta-feira e, como de costume, manteve uma rotina discreta, saindo de casa somente para pedalar.

IMPEACHMENT: Dilma muda agenda e se reúne com ministros do PMDB

ESTADAO.COM.BR
ISADORA PERON - O ESTADO DE S. PAULO

A previsão inicial era uma reunião com Jaques Wagner, que está atualmente alocado no gabinete pessoal da Presidência; decisão ocorre às vésperas do encontro que vai decidir sobre o desembarque da sigla do governo

Dilma pedala em Brasília

Brasília - Com o desembarque do PMDB previsto para esta terça-feira, 29, a presidente Dilma Rousseff alterou a agenda e recebe nesta manhã ministros da sigla. A previsão inicial era uma reunião com o ministro Jaques Wagner, que está atualmente alocado no gabinete pessoal da Presidência.
Entre os presentes está o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Ele é um dos que tem trabalhado para que a sigla não deixe a base aliada. Em entrevista ao Estado no fim de semana, ele disse considerar "precipitado" o rompimento imediato.
Os ministros do PMDB também devem ser procurado pelo vice-presidente Michel Temer nesta segunda-feira. Presidente nacional do partido, Temer tenta convencer todos os sete representantes da sigla na Esplanada a entregar os seus cargos esta semana
Neste domingo, assim que voltou de Porto Alegre, Dilma reuniu integrantes da equipe ministerial no Palácio da Alvorada. A estratégia imediata vai ser atuar no varejo para conquistar o maior número de deputados possível.
A ideia é entregar os cargos que estavam ao PMDB para outras legendas que garantirem votos contra o impeachment. Hoje, o cálculo do Planalto é que o governo não tem os 171 nomes necessários para barrar o processo na Câmara e que seria muito difícil paralisá-lo no Senado.
Para auxiliares de Dilma, os próximos 15 dias serão decisivos para o governo. Diante da perspectiva de que a comissão que analisa o impeachment termine seus trabalhos em meados de abril, o Planalto vai ter que trabalhar dia e noite para costurar acordos que consigam manter a presidente no cargo.

CORRUPÇÃO: Dona de agência de comunicação ligada ao PT fecha delação

FOLHA.COM
MÁRCIO FALCÃO, DE BRASÍLIA

Omar Freire - 1º.jan.2015/Imprensa MG 
Fernando Pimentel com sua mulher, Carolina Oliveira, no dia da sua posse como governador de MG

Uma nova delação vai deixar o Palácio do Planalto em alerta. A publicitária Danielle Fonteles, dona da agência de comunicação Pepper Interativa, fechou colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República na Operação Acrônimo, que apura suspeita de um esquema de desvio de dinheiro público para campanhas políticas do PT.
A empresa, que produz conteúdo para a internet, começou a trabalhar para o partido em 2010 e cresceu na esteira da campanha que elegeu Dilma Rousseff.
Segundo pessoas próximas à investigação, Danielle acertou com os investigadores implicar o governador Fernando Pimentel (PT-MG) e Benedito Rodrigues Oliveira Neto, o Bené, empresário e amigo do petista. Os dois já estão sendo investigados.
Há ainda a expectativa de que as revelações devem alcançar a campanha da presidente. A suspeita é de que a Pepper tenha sido utilizada para repassar dinheiro dos cofres públicos e de campanhas eleitorais para políticos e agentes públicos.
De acordo com investigadores, a Pepper poderia explicar o uso de dinheiro em campanhas do PT que teria sido desembolsado por empreiteiras que estão na Operação Lava Jato, acusadas de participação no cartel que atuou no esquema de corrupção da Petrobras, como a Andrade Gutierrez e a OAS.
A Folha revelou no início do mês que a Andrade Gutierrez contou aos investigadores da Lava Jato ter pago R$ 6 milhões para a Pepper em 2010, por meio de contrato fictício.
A OAS também indicou que estaria disposta a falar sobre o pagamento de dívidas da campanha de Dilma de 2010 para a Pepper, quando foram pagos R$ 717 mil. A agência cuidava da imagem de Dilma no Facebook, entre outros serviços.
Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que a empresa movimentou recursos considerados suspeitos do PT.
A dona da Pepper vinha resistindo a fechar delação, mas com o avanço das investigações Danielle acabou cedendo. A colaboração terá que ser confirmada pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Herman Benjamin, relator da Acrônimo.
INVESTIGAÇÃO
A Operação Acrônimo foi deflagrada em 2015 e apura irregularidades no financiamento e na prestação de contas da campanha de Pimentel ao ao Palácio da Liberdade, em 2014, e eventual favorecimento a empresas com empréstimos do BNDES, subordinado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pasta que foi comandada pelo governador.
Segundo a Folha apurou, foram encontrados indícios de que Danielle recebeu comissões para intermediar demandas de empresas africanas junto a Pimentel.
Foi encontrado um contrato de US$ 1,3 milhão da Pepper com uma empresa do Congo, a Asperbras, que era representada por um brasileiro, também alvo da operação.
A Pepper entrou na mira da Acrônimo porque há suspeitas de que a mulher de Pimentel, Carolina de Oliveira, seria sócia oculta da empresa e receberia comissões por meio dela. A Pepper teria repassado para a empresa dela pelo menos R$ 230 mil.
Em fevereiro, o STJ autorizou a Polícia Federal a interrogar Pimentel e a indiciá-lo caso ache pertinente.
A Folha apurou que, na avaliação da PF, o governador pode ser indiciado sob suspeita dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
OUTRO LADO
Procurada pela Folha, a Pepper informou que "não tinha nada a declarar". A empresa de comunicação tem dito que só vai se manifestar sobre as investigações no momento e no foro apropriados.
A reportagem não conseguiu localizar os advogados de defesa do governador de Minas para comentar a colaboração da publicitária.
O PT-MG tem dito que Pimentel nega qualquer irregularidade na origem dos recursos usados na campanha ao governo em 2014, assim como o seu envolvimento em qualquer atividade ilícita ou não declarada.
Os advogados do governador têm afirmado ainda que vão recorrer da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça, corte em que governadores de Estado têm seu foro) de autorizar a Polícia Federal a indiciar o petista, se achar pertinente. Segundo a defesa, "a legislação não autoriza esse pedido por parte da autoridade policial nessas hipóteses".
Dilma tem negado irregularidades em suas campanhas.

DIREITO: STJ nega penhora de único bem de família para pagamento de dívida

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou uma decisão colegiada (acórdão) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que determinava a penhora de um único bem de família para pagamento de uma dívida fiscal.
O caso aconteceu na cidade de Uberlândia, no Triângulo mineiro. A filha e a viúva de um empresário falecido ajuizaram ação contra a penhora determinada em execução fiscal movida pela Fazenda Pública do Estado de Minas Gerais para cobrança de uma dívida de Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicações (ICMS).
O valor foi declarado pelo contribuinte, o empresário falecido, mas não foi recolhido. Na ação, a viúva e a filha afirmaram que a penhora atingia o único imóvel da família, razão pela qual, segundo a Lei nº 8.009/1990, deveria ser considerado impenhorável.
Primeiro grau
O juízo de primeiro grau reconheceu a condição de bem de família, assegurando sua impenhorabilidade. Inconformado, o Estado de Minas Gerais recorreu ao TJMG, que aceitou a penhora, considerando o fundamento de que ela “não recaiu sobre bem determinado, mas, apenas, sobre parte dos direitos hereditários do falecido”.
A filha e a viúva recorreram então ao STJ , cabendo ao ministro Villas Bôas Cueva a relatoria do caso. No voto, o ministro considerou a possibilidade de penhora de direitos hereditários por credores do autor da herança, “desde que não recaia sobre o único bem de família”.
“Extrai-se do contexto dos autos que as recorrentes vivem há muitos anos no imóvel objeto da penhora. Portanto, impõe-se realizar o direito constitucional à moradia que deve resguardar e proteger integralmente a família do falecido”, afirmou Cueva.
Para o ministro, a impenhorabilidade do bem de família visa preservar o devedor do constrangimento do despejo que o relegue ao desabrigo. “E tal garantia deve ser estendida, após a sua morte, à sua família, no caso dos autos, esposa e filha, herdeiras necessárias do autor da herança”, disse.
No voto, aprovado por unanimidade pelos ministros da Terceira Tuma, Villas Bôas Cueva restabeleceu integralmente a sentença do juízo de primeiro grau.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s): REsp 1271277

DIREITO: Com feriado, prazos processuais voltam a correr a partir de segunda-feira (28)

Pelo artigo 62 da Lei nº 5.010/1966, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não terá expediente de quarta (23) a sexta-feira (25), em razão do feriado da Semana Santa.
Como não haverá expediente na Secretaria do Tribunal nesses três dias, os prazos processuais que, porventura, tiverem início ou fim nesse período ficam automaticamente prorrogados para o dia 28 de março (segunda-feira).

DIREITO: TRF1 - Turma afasta capitalização mensal de juros em contrato do FIES


A 5ª Turma do TRF da 1ª Região manteve sentença, do Juízo Federal da 2ª Vara da Subseção Judiciária de Uberaba, que julgou parcialmente procedentes os embargos à ação monitória proposta pela Caixa Econômica Federal para: a) excluir a capitalização mensal de juros existente ao longo de todo o contrato; b) determinar a aplicação da taxa de juros limitada a 9% (nove por cento) ao ano, até a data de 10/03/2010, e, a partir daí, taxa de juros limitada a 3,4% (três vírgula quatro por cento) ao ano e c) determinar a elaboração de nova planilha financeira com os ajustes necessários.
A CEF havia ingressado com ação monitória (ação de cobrança) visando receber de três estudantes o valor de R$ 29.105,48, referente a Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento Estudantil (FIES). Após a expedição do mandado de pagamento, os réus apresentaram embargos monitórios (espécie de defesa), que foram julgados parcialmente procedentes.
Os estudantes, ora parte ré, e a CEF, apelaram da sentença. Alegaram, em síntese, que deveriam ser declaradas nulas as cláusulas contratuais abusivas, que contrariam os direitos básicos do consumidor, principalmente a dos encargos sobre o saldo devedor com aplicação da taxa de 9% ao ano com capitalização mensal, a dos encargos de impontualidade com aplicação de pena convencional (multa) de 10% e a dos honorários advocatícios de 20% sobre o valor da causa.
Aduzem que os juros de mora sobre o crédito educativo não pode ultrapassar o limite de 6% ao ano. Afirmam que a CEF não aceita renegociar a dívida nem dos ativos do crédito educativo transferidos ao FIES nem dos ativos do próprio FIES com o desconto de 90% para pagamento à vista. Argumentaram que a inscrição de seus nomes em cadastros negativos de proteção ao crédito é indevida, uma vez que a dívida ainda está sendo discutida em juízo.
A CEF, por outro lado, assinala que a capitalização de juros com a aplicação da tabela Price é legítima por não representar anatocismo (incidência de juros sobre juros), que a instituição financeira aplica a taxa de juros de 3,4% ao ano a partir de 10/03/2010, em obediência às normas vigentes, e que as cláusulas contratuais não são abusivas. Ao final, pugna pelo provimento da apelação com a reforma integral da sentença.
Decisão - Em seu voto, o relator, desembargador federal Néviton Guedes, asseverou, inicialmente, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é uniforme no sentido de que os contratos firmados no âmbito do FIES não se submetem às normas do Código de Defesa do Consumidor – CDC e de que não se admite capitalização de juros convencionados nos contratos de crédito educativo por ausência de previsão legal. 
Destacou, o magistrado, que o emprego da taxa efetiva de juros de 9% ao ano possui expressa previsão contratual e fundamento no art. 5º, II, da Lei nº 10.260/2001 e art. 6º da Resolução nº 2.647/99 do Conselho Monetário Nacional – CMN. O patamar de juros, entretanto, foi reduzido pelo Banco Central, passando para 3,4% ao ano, sem qualquer capitalização, mensal ou anual, aplicando-se ao saldo devedor dos contratos já formalizados e não quitados até 10/03/2010.
Ressaltou o desembargador que a utilização da tabela Price, de acordo com o entendimento do TRF1, não implica em capitalização mensal de juros, “pois constitui mera fórmula matemática que não se destina a incorporar juros não liquidados ao saldo devedor”.
Salientou, o relator, que é abusiva a cláusula contratual que prevê a possibilidade de a CEF bloquear saldo de quaisquer contas em nome dos devedores em hipótese de inadimplência e que não é permitida a aplicação da multa de 10% sobre o montante do débito em procedimento de cobrança, prevendo o contrato apenas a incidência de multa de 2% na ocorrência de atraso no pagamento das prestações e a cobrança de honorários advocatícios em 20% sobre o valor da dívida em caso de execução ou outro procedimento judicial.
No tocante à renegociação da dívida, o magistrado assinalou que a Lei nº 10.846/2004 possibilitou que os saldos devedores dos contratos formalizados até 12/11/2003 fossem renegociados com desconto de 90%; não sendo possível tal renegociação na questão dos autos por falta de amparo legal, esclarecendo, no entanto, que a instituição financeira pode ou não aceitar proposta de renegociação, segundo seu juízo de conveniência e de oportunidade.
Sobre a inscrição do nome do devedor em cadastros de proteção ao crédito, o desembargador evidenciou que “é uma consequência da inadimplência e, na linha de entendimento da jurisprudência do STJ, somente a prestação de caução idônea poderia afastar os efeitos da mora”.
Por unanimidade, o Colegiado acompanhou o voto do relator, mantendo integralmente a sentença recorrida.
Processo nº: 2010.38.02.000081-2/MG
Data do julgamento: 07/10/2015
Data de publicação: 30/11/2015
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