quarta-feira, 2 de setembro de 2015

DIREITO: PGR pede prorrogação de prazo para investigação de 11 políticos na Lava Jato

UOL
De Brasília


Jane de Araújo/Agência Senado
No total, nove investigados devem continuar sob a mira da PGR por mais 60 dias, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)

A PGR (Procuradoria Geral da República) pediu nesta quarta-feira (2) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação do prazo de investigação em onze dos 25 inquéritos em tramitação para investigar a participação de políticos no esquema investigado pela operação Lava Jato. No total, nove investigados devem continuar sob a mira da PGR por mais 60 dias, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-ministro e senador Edison Lobão (PMDB-MA).
O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, precisa autorizar agora os pedidos feitos pela Procuradoria. As investigações tiveram início na primeira semana de março e já foram prorrogadas outras duas vezes.
Os pedidos de prorrogação apresentados hoje ao Supremo incluem, além de Renan e Lobão, a investigação dos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO), Fernando Bezerra (PSB-PE), dos deputados Simão Sessim (PP-RJ), Aníbal Gomes (PMDB-CE) e José Mentor; e dos ex-deputados Roberto Teixeira (PP-PE) e João Pizzolatti (PP-SC) - este, alvo de quatro inquéritos.
Dois dos três inquéritos nos quais Renan Calheiros é alvo tramitam em conjunto e constam na nova leva de prorrogação. A terceira investigação, que envolve mais de 30 políticos por suposta formação de quadrilha, ainda não teve solução apresentada pela PGR até o momento. A expectativa de fontes que acompanham a investigação é de que procuradores tomem soluções diversas para cada grupo de políticos investigados por formação de quadrilha, o maior inquérito da Lava Jato no STF, com possível desmembramento da investigação.
Além de pedidos de prorrogação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode pedir arquivamentos de investigações ou oferecer denúncias - acusações formais.
Antes dos pedidos de prorrogação, Janot já apresentou outras três soluções: oferecimento de denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e contra o senador Fernando Collor (PTB-AL) e arquivamento de investigação sobre o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).
Ainda não foram apresentadas as conclusões sobre onze inquéritos, portanto. A expectativa é que sejam apresentados novos pedidos de arquivamento e oferecidas denúncias nos próximos dias. Além da investigação sobre quadrilha, o procurador-geral da República deve se posicionar sobre investigações a respeito, por exemplo, da ex-ministra e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), do senador Humberto Costa (PT-PE), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e de uma investigação que inclui Lobão e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, entre outros.

ECONOMIA: Dólar turismo chega aos R$ 4 em papel-moeda e ultrapassa os R$ 4,20 no cartão pré-pago

OGLOBO.COM.BR
POR ALINE MACEDO*

Moeda americana sobe pelo terceiro dia seguido e puxa cotação para quem vai viajar. Euro já é vendido a mais de R$ 4,50
Nota de 100 dólares em máquina contra falsificação - Tomohiro Ohsumi / Bloomberg News/9-7-2014

RIO - Acompanhando a alta do dólar comercial, que subia hoje pelo terceiro dia seguido e chegou a bater R$ 3,76, o dólar turismo em espécie ultrapassou a barreira dos R$ 4 na tarde desta terça-feira no Rio. Já no cartão pré-pago, praticamente todas as casas de câmbio e corretoras pesquisadas pelo GLOBO ofereciam a moeda acima deste patamar, chegando a R$ 4,223 em uma delas. Os dois valores já incluem o IOF. No caso do papel, a taxa é de 0,38%. No plástico, é de 6,38%.
O euro também acompanhava a tendência de alta, chegando a ultrapassar os R$ 4,50, com IOF incluído.
Na Cotação, a moeda americana era vendida em espécie a R$ 4,005. No cartão pré-pago, a divisa saía por R$ 4,202. Já a moeda única europeia era vendida a R$ 4,507, enquanto no cartão pré-pago era negociada a R$ 4,744. Em todos os casos, os preços já têm o IOF incluído.
Na Western Union, o dólar em espécie custava um pouco menos que na Cotação, sendo vendido a R$ 3,894. No cartão, era negociado a R$ 4,09. O euro saía, em plástico, por R$ 4,64, enquanto no papel custava R$ 4,416.
Na TOV, a moeda saía a R$ 3,874 no papel e a R$ 4,095 no pré-pago. Os valores cobrados pelo euro eram de R$ 4,35 (espécie) e R$ 4,616 (cartão).
A casa de câmbio consultado pelo GLOBO com os valores mais baixos para o dólar foi a Ultramar: R$ 3,86 para o papel-moeda e R$ 4,12 no cartão, também já com o IOF. O euro saía a R$ 4,35 e a R$ 4,64, respectivamente.
No Itaú, o dólar estava em R$ 3,985 (espécie) e R$ 4,223 (plástico). Já o euro era negociado a R$ 4,476 em espécie e R$ 4,744 no pré-pago.
No Bradesco, os valores cobrados pela moeda americana eram de R$ 3,965 em espécie e de R$ 4,159 no pré-pago. O euro saía a R$ 4,456 e R$ 4,67, respectivamente
Já no Banco do Brasil, o papel-moeda do dólar era vendido a R$ 3,824 e no cartão a R$ 3,90 – a instituiçã era a única a vender a moeda americana no pré-pago abaixo dos R$ 4. O euro custava R$ 4,296 em espécie e R$ 4,42 no plástico.
*Estagiária sob supervisão de Andrea Freitas

ECONOMIA: No 4º dia seguido de alta, dólar sobe 1,95% e fecha valendo R$ 3,76

Do UOL, em São Paulo

O dólar comercial teve a quarta alta seguida nesta quarta-feira (2) e fechou com valorização de 1,95%, a R$ 3,76 na venda. É o maior nível desde 12 de dezembro de 2002, quando a moeda norte-americana valia R$ 3,785.
Somente nas últimas quatro sessões, o dólar acumulou valorização de 5,83%. Na véspera, a moeda norte-americana tinha subido 1,68%. 
Neste ano, o dólar já avançou 41,41%. No acumulado em 12 meses, a alta chega 67,8%.
Cenário nacional
Os investidores estavam preocupados com as contas públicas brasileiras e com o risco de o país perder seu selo internacional de bom pagador.
"Tanto na política quanto na economia, a situação está muito difícil. É provável que o dólar suba ainda mais", afirmou o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca, à agência de notícias Reuters. Siaca espera que a moeda norte-americana se aproxime de R$ 4 nas próximas semanas.
Na segunda-feira (31), o governo enviou ao Congresso proposta de Orçamento de 2016 prevendo gastos maiores do que receitas. O mercado entendeu que a decisão aumenta a chance de o Brasil perder seu grau de investimento nos próximos meses.
Essa perspectiva vem levando investidores a venderem seus negócios denominados em reais, levando a uma alta do dólar.
Atuação do BC
A atuação do Banco Central também tem sido um foco importante para o mercado, que questiona se o BC pode aumentar sua intervenção no mercado de câmbio para desacelerar o avanço do dólar.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 9.450 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) para a rolagem do lote que vence no próximo mês. Ao todo, o BC já rolou US$ 915 milhões, ou cerca de 10% do total de US$ 9,458 bilhões. Se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote.
Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com Reuters)

CASO PETROBRAS: Moro autoriza Dirceu em prisão estadual

ESTADAO.COM.BR
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
REDAÇÃO

Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula ficará em ‘ala reservada, com boas condições de segurança e acomodação’
Dirceu é transferido para a cadeia estadual. Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, autorizou nesta quarta-feira, 2, a transferência do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Dirceu estava preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense, base das investigações, desde 3 de agosto, quando foi preso na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato.
O pedido de transferência foi feito pela defesa do ex-ministro na segunda-feira, 31. O criminalista Roberto Podval, defensor de Dirceu, argumentou que embora a PF esteja tratando seu cliente ‘com correção’ a cela na Custódia em Curitiba é muito acanhada. Segundo o juiz Moro, no Complexo de Pinhais o ex-ministro ficará ’em ala reservada, com boas condições de segurança e acomodação’.
“Fato notório que a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos”, observou o magistrado na decisão. “Tanto por isso autorizei, anteriormente, a remoção de outros presos relacionados à Operação Lava Jato para o Complexo Médico-Penal, local que vem atendendo satisfatoriamente às condições de custódia dos presos provisórios.”
José Dirceu foi indiciado pela Polícia Federal na terça-feira, 1. A PF imputa a Dirceu os crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

ECONOMIA: Ministro diz que Congresso terá que encontrar verbas para despesas como Lei Kandir

OGLOBO.COM.BR
POR CRISTIANE JUNGBLUT E BÁRBARA NASCIMENTO

Nelson Barbosa reafirma que rombo previsto é de R$ 30,5 bilhões e nega divergência com Joaquim Levy sobre meta de superávit


BRASÍLIA - Numa resposta às análises de que o rombo do Orçamento da União de 2016 é maior do que os R$ 30,5 bilhões anunciados, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta quarta-feira que todas as despesas que deveriam estar previstas no Orçamento estão na proposta e avisou que o Congresso terá que encontrar novas verbas se quiser aumentar o recurso para a compensação da chamada Lei Kandir.
Perguntado sobre as declarações do ministro Joaquim Levy (Fazenda) sobre a necessidade de defender uma meta de superávit positiva de 0,7%, mesmo com o déficit no Orçamento, Barbosa disse apenas que estão sendo tomadas medidas "de médio e longo prazo" para melhorar a situação fiscal.
— Todas as despesas que têm que estar previstas no Orçamento estão previstas no Orçamento. A questão da Lei Kandir é uma despesa que normalmente o governo não envia e esse ano a gente enviou R$ 1,950 bilhão. Há uma demanda dos estados de que essa despesa seja maior. E isso normalmente é realizado na tramitação do Orçamento, cortando-se outras despesas ou arrumando outras fontes e incluindo essa despesa — disse Barbosa.
Todos os anos, o Congresso encontra recursos para fixar em R$ 3,9 bilhões a verba da Lei Kandir. O ministro se reuniu com a bancada de deputados do PP, na Câmara, nesta manhã.
Barbosa negou que tenha divergências com Levy.
— Estamos falando a mesma coisa. A proposta orçamentária foi construída por toda a equipe econômica enviada ao Congresso. É sempre bom perseguir o resultado primário mais elevado possível. Estamos empenhados nisso. Estamos construindo medidas de médio e longo prazo para melhorar o resultado fiscal do Brasil — disse Barbosa.
MINISTRO COMENTA ANÁLISES DE ROMBO DE R$ 70 BI
Barbosa ainda foi irônico ao comentar as análises de mercado de que o rombo real é de R$ 70 bilhões.
— Tem que perguntar aos analistas de mercado sobre isso. Estamos confiantes naquela previsão de receita. É uma previsão que envolve um esforço do governo em receita com operações de ativos, venda de terrenos, de participações não-prioritárias por parte da União e várias outras medidas administrativas — disse ele.
Barbosa explicou que não há necessidade de revisões da peça orçamentária, como pediu a oposição e o próprio presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele descartou a medida porque ao longo da discussão na Comissão Mista de Orçamento (CMO) o governo envia a revisão da previsão de receitas, por exemplo.
— Não (haverá revisões). Agora, o Orçamento vai tramitar. Os cenários de receita sempre são revistos. E sempre que o cenário é revisto, é informado ao Parlamento. Faz parte do processo de tramitação orçamentária, que o governo informa as revisões que faz em seus cenários.
Ele disse que o volume de despesas apresentado foi "adequado" e que as despesas discricionárias (gastos dos ministérios) estão no mesmo valor (em termos reais) de 2012, mostrando o esforço do governo em economizar.
— A maior parte é gasto com pessoal e Previdência. E fizemos grande esforço de conter o crescimento das chamadas despesas discricionárias — disse Barbosa.
A LEI KANDIR:
A Lei Kandir foi criada como forma de compensar estados e municípios por perdas na receita causada por incentivos fiscais dados a empresas exportadoras. A partir de 2004, a lei deixou de fixar um valor para ser repassados aos entes federados, o que gera uma batalha anual sobre o assunto na discussão do Orçamento da União. Todos os anos, o governo deixa de prever essa verba e depois a aprova na negociação na Comissão Mista de Orçamento (CMO).
Conforme publicado por O GLOBO nesta quarta-feira, novas verbas para compensar os estados e municípios poderá aumentar o rombo de R$ 30,5 bilhões já admitido pelo governo.
Neste ano, o governo previu R$ 1,9 bilhão para a compensação das perdas com a Lei Kandir. Mas os parlamentares e governadores querem e aprovam todos os anos uma verba final de R$ 3,9 bilhões.

GESTÃO: Não gosto da CPMF, mas não afasto criar nenhum imposto, diz Dilma

Do UOL, em São Paulo

A presidente Dilma Rousseff (PT) declarou nesta quarta-feira (2) que não "gosta" da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), mas não afastou a possibilidade de criar um novo imposto para melhorar a arrecadação do governo.
"Não gosto da CPMF, se você [jornalista] quer saber. Acho que a CPMF tem as suas complicações, mas não estou afastando a necessidade de fontes, de receitas. Não estou afastando nenhuma fonte de receita", disse a presidente, que foi enfática ao afirmar: "Não estou afastando nem acrescentando nada".
A presidenta reconheceu que a economia passa por momentos difíceis por causa da queda de receitas, mas disse que o governo aposta na melhoria da situação por meio de investimentos em infraestrutura, energia e aumento das exportações. 
Na semana passada, o governo chegou a cogitar incluir na proposta do Orçamento para 2016 a recriação do chamado "imposto do cheque", mas recuou diante da pressão de políticos, empresários e até setores do próprio governo contrários à ideia. O tributo foi derrubado no Senado em 2007, ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A presidente informou que o governo vai mandar para o Congresso adendos à proposta de Orçamento para o próximo ano, mas não disse quando isso será feito. "Nós vamos ter de buscar mecanismos para cobrir o deficit e cumprir as nossas metas. Nós iremos mandar quando acharmos que a discussão maturou, que existem condições para fazer isso", falou.
Na segunda-feira (31), o governo entregou ao Congresso Nacional a proposta de orçamento para 2016. O projeto apresentado ao presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), prevê um rombo de R$ 30,5 bilhões nas contas públicas e estima um crescimento de 0,5% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2016.
A decisão de apresentar a proposta com previsão de deficit primário, medida considerada inédita, foi criticada pela oposição, que acusou o governo de tentar responsabilizar o Congresso por eventuais medidas impopulares.
Dilma negou que o governo federal queira "transferir responsabilidade". "O governo vai de fato mandar [adendos] e é responsabilidade dele. Não queremos transferir essa responsabilidade. Queremos construir juntos, queremos cumprir a meta que estipulamos, de reduzir esse deficit que está ocorrendo. Estamos evidenciando que tem esse deficit; estamos sendo transparentes", disse.
A presidente recebeu em Brasília, na manhã de hoje, os vencedores brasileiros do WorldSkills 2015, evento considerado a "olimpíada do conhecimento" da educação profissional, realizado em São Paulo no mês passado.
"Levy não está desgastado"
Dilma também saiu em defesa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Tem fatos que não são verdadeiros. O Levy não está desgastado. Ele participou de todas as etapas [da elaboração] desse Orçamento. Ele tem o respeito de todos nós. [...] Somos um governo que debate", declarou. Questionada se ele estaria isolado, Dilma afirmou: "Ele também não está isolado. Isolado de quem? De mim ele não está".
A presidente criticou os rumores sobre o suposto isolamento do ministro. "Não contribui para o país esse tipo de fala que Levy está desgastado. Acho que isso é um desserviço nesse processo".

DIREITO: Ministro Edson Fachin comunica que não participará do julgamento sobre planos econômicos

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu ofício para o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, informando que não participará do julgamento sobre planos econômicos, suspenso na Corte, afirmando desde logo sua suspeição. Segundo seu comunicado, ele participou como advogado em diversas ações sobre o tema, o que poderia interferir em sua atuação como julgador.
A questão jurídica sobre as diferenças devidas em depósitos de planos econômicos realizados entre os anos 1980 e 1990 – Planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II - começou a ser analisada pelo Plenário do STF, em julgamento conjunto de recursos extraordinários e da Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 165. “O objeto da ADPF 165 se reporta a impasse sobre o qual assentei e defendi entendimento prévio na qualidade de advogado, em favor de inúmeros poupadores”, afirmou.
De acordo com o ministro, sua atuação como advogado não torna razoável sua participação como julgador, inclusive pelos reflexos econômicos da causa para os envolvidos.
“Não me parece razoável que venha a participar do julgamento de uma causa cuja solução, num ou noutro sentido, pode significar reflexo econômico a interesses de partes que se assentam em teses favoráveis ou contrárias àquelas que defendi em juízo, as quais podem, ainda que mediatamente, implicar em eventuais honorários de sucesso decorrentes das causas múltiplas que defendi”, afirmou.

DIREITO: STF - Liminar garante prestação de serviços de saúde para população de Salvador (BA)

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, suspendeu decisão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) que determinava ao Município de Salvador que se abstivesse de efetuar qualquer desconto nos vencimentos dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias relativos à greve da categoria, e restituísse imediatamente eventuais descontos já efetuados. Segundo o entendimento do ministro, ficou evidenciado nos autos que a decisão questionada causa grave lesão à saúde pública, “que não pode em nenhuma hipótese ter o atendimento à população suspenso”.
A categoria entrou em greve em junho de 2015 a fim de que o município implementasse o piso salarial nacional da categoria, fixado em R$ 1.014 pela Lei Federal 12.994/2014.
No pedido de Suspensão de Liminar (SL 908), o Município de Salvador sustenta que a liminar concedida pelo TJ-BA gera risco de grave lesão à economia pública, pois será obrigado a gastar mais de R$ 2 milhões com o pagamento dos trabalhadores que não estão trabalhando. Alega ainda violação do entendimento firmado pelo STF (Mandado de Injunção 712 e Reclamação 6568) no sentido de que a Lei de Greve (Lei 7.789/89) não seria plenamente aplicável a servidores de atividades essenciais, como segurança e saúde.
Segundo o município, o sindicato não cumpriu as formalidades legais para a deflagração do movimento, como a manutenção de atendimento suficiente para evitar o colapso dos serviços públicos de saúde, “expondo a população a sofrer por falta de combate a diversas doenças endêmicas”. Outro argumento foi o de que, após a concessão da liminar, a adesão ao movimento “tem crescido significativamente, em nefasto efeito multiplicador”.
Decisão
Ao deferir medida cautelar na SL 908, o ministro Lewandowski assinalou que, de fato, o STF determinou a aplicação da legislação de greve do setor privado aos servidores públicos civis, mas assentou a necessidade de se garantir a continuidade da prestação de serviços de interesse público em áreas de maior demanda social. E, em análise preliminar, considerou que a decisão do TJ-BA deixou de observar os limites dessa decisão.
O ministro citou documentos apresentados pelo município que demonstram o agravamento das questões de saúde pública decorrentes da greve. “As atividades dos agentes de combate às endemias são essenciais na vigilância, prevenção e controle de doenças, e a manutenção da greve comprometerá, por exemplo, o programa de vacinação contra a poliomielite e a multivacinação, o que afetará diretamente a população”, afirmou. Segundo a decisão, outras atividades, como visitas domiciliares de monitoramento de riscos às famílias e a identificação e os registros de doenças estão deixando de ser realizados.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

ECONOMIA: Ministro da Fazenda diz que os problemas antigos estavam ‘mascarados’ e reverter será um desafio

OGLOBO.COM.BR
POR BARBARA NASCIMENTO E GERALDA DOCA

Na Câmara, Levy afirmou que se ‘a casa não estiver em ordem’ e a economia não voltar a crescer, o dólar pode ‘disparar’
O ministro da Fazenda Joaquim Levy - André Coelho/31-08-2015 / Agência O Globo

BRASÍLIA – Diante da situação excepcional por parte do governo de apresentar um projeto de lei orçamentária com um déficit nas contas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou a deputados na tarde desta terça-feira que reverter esse desequilíbrio será um desafio para governo, sociedade e para todo o Congresso Nacional, à medida que despesas terão que ser revisadas. Segundo o titular da pasta, diferentemente do passado, o país hoje enfrenta um ambiente econômico global desfavorável, o que deve dificultar a recuperação. Levy se utilizou de um ditado americano para explicar o cenário ruim que, conforme o ministro, expôs uma série de gargalos da economia: “Quando a maré baixa é que você descobre quem está com calção e quem está sem calção”.
— Nenhum de nós quer ficar em uma situação constrangedora. A verdade é que quando as coisas estão mais desfavoráveis é que a gente descobre onde estão os problemas. São problemas antigos, que estavam mascarados por uma situação ou por outra — disse Levy, em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, sobre a situação fiscal dos estados.
O ministro garantiu que reverter o cenário deficitário das contas exigirá ao governo uma revisão de despesas. A União, segundo ele, terá que “ver o que é indispensável e repensar modos de oferecer serviços que o cidadão precisa e exige”. Levy enfatizou que o país precisa de responsabilidade fiscal para evitar previsão de gastos sem receitas equivalentes para cobri-los.
— Não pagar impostos não é ser mais eficiente, não é ter vantagem real, é uma vantagem fictícia. A gente não pode gastar, se a gente der aumento, depois pode ter grande dificuldade de pagar os aumentos que foram permitidos.
Ele explicou que, no passado, muito estados passaram por dificuldades por terem se comprometido com gastos que não tinham condições de pagar. A lição, naquela época, teria sido aprendida, mas, em alguns casos, disse o ministro, os estados tiveram “uma recaída, com aumentos de impostos, despesas, gastos com salários”.
DÓLAR PODE DISPARAR
Levy acrescentou ainda que se “a casa não estiver em ordem” e a economia não voltar a crescer, aumentando a confiança, o dólar poderá “disparar”. Hoje, a divisa chegou a bater os R$ 3,70 pela primeira vez desde 2002.
A situação atual, disse ele, gera inseguranças e é uma ameaça à estabilidade econômica do país.
— Olha quanto o dólar já subiu porque as pessoas ficaram com um pouquinho de dúvida.
Levy disse que as contas públicas dos estados se deterioram porque os gastos superaram as receitas, sobretudo com pessoal. Outra causa, segundo o ministro, foi o acesso ao crédito farto nos bancos públicos e organismos internacionais, nos últimos anos. Ao participar de audiência na Câmara dos Deputados, o ministro disse que quando a economia não cresce, a solução é repensar os gastos obrigatórios.
— Houve aumento de despesas de pessoal bastante significativas. Assim como no caso da União, nos leva a ter que encontrar caminhos para equacionar esses problemas. Algumas dessas despesas têm caráter legal, como disse ontem o nosso vice-presidente (Michel) Temer, são obrigatórias, que devem ser consideradas e ver como serão financiadas pela sociedade como um todo, disse o ministro,acrescentando:
— Se você tem financiamento, você gasta mais. Se eu pegar um dinheiro emprestado, é óbvio que o meu déficit primário aumenta porque a receita não aumenta no período.
O ministro disse que os estados tomaram empréstimos, sem a garantia da União. Em 2011, os financiamentos somaram R$ 6 bilhões; em.2012, R$ 41 bilhões; em 2013, R$ 66 bilhões e em 2014, R$ 32 bilhões. Do montante total, R$ 22 bilhões foram obtidos sem a garantia do Tesouro Nacional, segundo Levy.
Ele ressaltou também que os investimentos dos estados caiu em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que a despesa com pessoal subiu em relação ao PIB. Segundo Levy, "isso é perigoso porque o investimento é gera maior riqueza".
LEI KANDIR
Questionado pelos deputados sobre atrasos nos repasses da Lei Kandir relativos a compensações por perdas de arrecadação, Levy afirmou que não há acertos a serem feitos e que a lei é cumprida pelo governo. A lei Kandir prevê a isenção do ICMS para produtos exportados.
– Não há acerto, há o cumprimento da lei. Nós estamos pagando todos os meses o que o Congresso estabeleceu. A Lei Kandir é cumprida pelo governo federal.
CORTE NAS DESPESAS
O ministro voltou a reforçar que o país vai precisar de um aumento de receitas para passar pela crise e insistiu que o governo terá que se sacrificar no corte de despesas obrigatórias. Segundo o titular da pasta, a máquina pública vai precisar de um “choque de eficiência”. Ele alertou que o “orçamento não deve ser interpretado como licença para o governo viver em deficit”.
Levy reconheceu que o país passa por um choque “grande e persistente”, comparável, em alguns aspectos, ao vivido no início dos anos 80. O ministro garantiu que o governo tem uma estratégia para sair da crise que envolve o desenvolvimento de uma meta de médio prazo para corrigir ineficiências com a cooperação do Legislativo; uma “ponte fiscal”, com geração de receitas adicionais; e uma série de reformas estruturais dentro do governo para reduzir os gastos.
— Temos que ter cuidado, o choque é grande e a gente não quer, não faz o menor sentido, a gente deixar as coisas irem e tentar resolver com a inflação. É uma realidade. Nós vinhamos de um período de expansão e a maré mudou. A ficha tem que cair.
O ministro destacou o envolvimento do Legislativo para a realização das reformas necessárias. Segundo ele, há uma série de “ineficiências em várias áreas” e citou, como forma de resolvê-las, as mudanças em tributos, como no ICMS e no PIS/Cofins, e a discussão de uma solução para o problema da sustentabilidade da Previdência Social.
— O primeiro pilar é essa estratégia de médio prazo, de ver gastos, simplificar a vida das empresas, simplificar a maneira como as empresas e pessoas fazem investimentos. Essa agenda pode transformar o país nos próximos anos. Para fazer isso a gente vai precisar de uma ponte fiscal. Eu acredito que precise de algumas receitas.
O incremento das receitas, reconheceu, envolveria um “sacrifício” para a sociedade e para as empresas. Em relação à União, Levy afirmou que há uma “real tensão” em relação ao controle das despesas obrigatórias e disse que o governo defende “repensar gastos e reolhar processos”.
— Se a gente não quer mais impostos, não pode ter mais despesas.

COMENTÁRIO: Nunca antes

POR MERVAL PEREIRA0 - OGLOBO.COM.BR

Nada como uma grande dificuldade para estimular a ação dos que estavam inertes diante dos problemas. O governo acena agora com um grande plano de reformas estruturais a ser apresentado até o fim do ano, enquanto tenta descobrir uma saída para o déficit orçamentário que oficialmente acontecerá no próximo ano, se não houver uma solução negociada com o Congresso.
A presidente Dilma está pedindo aos deputados e senadores de sua antiga base política (a nova ninguém sabe qual é, e se existe) que ajudem a encontrar maneiras de fechar o buraco de R$ 30 bilhões do Orçamento que enviou ao Congresso, criando uma situação inédita de admissão pública de falência governamental.
A ideia brilhante de colocar os parlamentares contra a parede, enfiando-lhes um déficit orçamentário pela goela adentro, deve ter saído da cachola de algum sábio neófito nas lides com o Congresso. Só um desses assessores desavisados que transitam em torno da presidente poderia tê-la convencido de que agindo assim conseguiria apoio político para aumentar impostos, quem sabe até mesmo aprovar a volta da CPMF.
Só que, como dizia Ulysses Guimarães, de bobo ali não tem ninguém, o mais bobo ficou na suplência. Será uma tarefa impossível pedir que os congressistas encontrem uma saída para equilibrar as contas, tanto que o vice Michel Temer anunciou ontem mesmo: não há possibilidade de aumentar impostos, é preciso cortar gastos do governo.
Essa admissão oficial de que não temos condições de pagar nossas dívidas, que nunca antes neste país acontecera, certamente trará conseqüências graves para o país, que no limite deve chegar à perda do grau de investimento dado pelas agências de risco internacionais.
O PT está à frente do governo central desde 2003, isto é, há quase 13 anos, e nada fez para realizar as reformas estruturais de que o país necessita. O próprio ex-presidente Lula assumiu o governo disposto a continuar na senda reformista do governo de FHC, e logo no primeiro ano apresentou uma continuação da reforma previdenciária.
Conseguiu a duras penas, e só com o apoio da oposição, aprovar o fundo de pensão dos funcionários públicos, mas mesmo assim desistiu de regulamentá-lo diante da crise que enfrentou junto a uma de suas principais bases políticas, os sindicatos dos servidores públicos.
A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo - (Funpresp-Exe), que será o regime de previdência complementar de servidores públicos civis, foi regulamentado por Dilma em 2013, dez anos, portanto, depois de sua aprovação no Congresso.
Lula desistiu das demais reformas e Dilma nem chegou perto, tudo para não perderem suas bases de apoio. Como é que pretende o governo agora, no auge de sua impopularidade, apresentar um plano desses?
Mas se não houver esse movimento, corremos o risco de sofrer como a Grécia, que só foi mexer na Previdência, ou na legislação trabalhista, depois que quebrou. O problema atual é que não temos um governo com capacidade de operacionalizar um movimento desse tipo, pois já não tem apoio político nem popular para enfrentar as reações que fatalmente virão.
A luta política que o governo Dilma tem que enfrentar é pela sua própria sobrevivência, como bem definiu seu ex-marido Carlos Araujo, que continua sendo o melhor intérprete da presidente Dilma, se não o único: “A agenda da Dilma é sair da crise”, admitiu em uma entrevista recente.
O momento em que a crise retira do governo toda sua capacidade de ação a ponto de levá-lo a um ato de sincericídio como esse de admitir a incapacidade de organizar um orçamento equilibrado, não é o mais adequado para assumir um projeto grandioso como o das reformas estruturantes de que o país precisa.
Essa tarefa será cumprida por outro governo, e encontrará o PT na oposição, tentando continuar a enganar o cidadão incauto.

ECONOMIA: Déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento pode ser ainda maior, diz relator

OGLOBO.COM.BR
POR CHICO DE GOIS

Equipe identificou despesas como emendas parlamentares obrigatórias que não foram incluídas pelo governo


BRASÍLIA — O déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016 pode ser ainda maior. Relator da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) disse nesta terça-feira que já identificou despesas que não estão na peça encaminhada ontem ao Congresso Nacional. De acordo Barros, falta incluir na conta negativa R$ 1,5 bilhões de emendas parlamentares obrigatórias e mais R$ 1,9 bilhão da Lei Kandir, o que totalizaria um acréscimo de R$ 3,4 bilhões nas despesas do governo para o ano que vem.
O governo também contou com receitas ainda inexistentes na proposta de Orçamento. A área econômica previu R$ 121,4 bilhões de receitas vinculadas à DRU, levando em conta a proposta de aumento de uma alíquota deste mecanismo que ainda nem começou a ser analisada no Congresso.
Barros disse que sua equipe está olhando com lupa os números para ver se é possível acrescentar mais receitas à LOA mas, até o momento, o que ele pensava que podia ser fonte de recursos, já está nas contas. Ele citou, por exemplo, a economia proveniente da fiscalização de benefícios. Por outro lado, segundo Barros, pode ser que mais despesas apareçam.
— Devemos encontrar mais coisas com o tempo — afirmou.
Na opinião do deputado, a saída para o equilíbrio das contas orçamentárias, no atual quadro, é mais o endividamento do Estado, por meio de emissão de letras do tesouro. Esses títulos servem como uma espécie de cheque especial, em que o governo utiliza sabendo que irá ter de pagar mais adiante, aumentando, assim, suas despesas. É como rolar a dívida.
— Hoje, a saída é a emissão de letras do tesouro e, com isso, aumentar a dívida — explicou Barros, que complementou:
— O rombo pode ser maior, a não ser que encontremos coisas (receitas) que ainda não vimos.
O deputado, porém, é contrário à devolução da LOA ao Executivo:
— É possível devolver a peça orçamentária para o Executivo, mas não há ilegalidade no fato de o Palácio ter enviado o projeto com déficit. Esse déficit pode ser coberto com a emissão de letras e isso não infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
OPOSIÇÃO QUER RETIFICAÇÃO
Líderes da oposição na Câmara somaram-se ao presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e defenderam que a devolução da peça orçamentária para o governo apontar onde fará os cortes para que as despesas se encaixem na previsão de receitas. Na tarde desta terça-feira, eles pretendem se reunir com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para fazer essa sugestão. Se não forem atendidos, os oposicionistas anunciaram que vão fazer um documento público pedindo para a presidente Dilma Rousseff mandar uma mensagem aditiva especificando onde cortará despesas.
— Vamos reforçar o pedido do Agripino. Ou devolve o texto ou manda uma mensagem aditiva. Esse papel de promover os cortes não cabe ao Congresso, mas ao chefe do Executivo — afirmou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).
Nas contas da oposição, o déficit de R$ 30,5 bilhões está subestimado. De acordo com o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), o governo previu um crescimento de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, enquanto o mercado estima uma queda de 0,4%. Essa diferença daria, nas contas da oposição, um aumento do déficit da ordem de R$ 36 bilhões. Além disso, o governo prevê R$ 48 bilhões de novas receitas que, para a oposição, não é possível dar como certa.

COMENTÁRIO: A hora da verdade

Por José Paulo Kupfer - ESTADAO.COM.BR

O governo da presidente Dilma Rousseff pode ter escrito certo por linhas tortas ao decidir enviar ao Congresso a proposta orçamentária para 2016 com previsão de déficit primário. No documento que está sendo encaminhado, a previsão oficial é de que as despesas, excluídos os gastos com juros da dívida pública – por sinal, em forte alta – superem as receitas em R$ 30 bilhões, o equivalente a 0,5% do PIB. Nunca antes um governo brasileiro projetou previamente desequilíbrio nas contas primárias, mas, em meio a uma grave crise econômica e política, a medida inédita até que parece fazer sentido.
Quando elege privilegiar maior transparência na lei orçamentária, o governo dá a entender que busca pelo menos dois objetivos prioritários. Primeiro, recobrar algum grau de credibilidade ou pelo menos não perder ainda mais daquilo que queimou com as trucagens da contabilidade criativa aplicada em larga escala no mandato anterior da própria Dilma. Depois, transferir para o Congresso a responsabilidade de evitar que o déficit se confirme ou se aprofunde, com as consequências já conhecidas para a recuperação de uma economia metida numa contração profunda e duradoura.
Se essa interpretação estiver correta, as linhas tortas da inédita admissão de que não conseguiria arrecadar o suficiente para cobrir os gastos pode, paradoxalmente, funcionar para que se escreva certo na direção da aceitação, no Legislativo e nos movimentos sociais, tanto de maiores cortes quanto de aumentos de carga tributária – incluindo reformas mais estruturais, que não elidissem espinhosos capítulos envolvendo gastos sociais..
Se, por hipótese, tudo nesse possível caminho der certo, até mesmo a mais do que polêmica CPMF pode voltar à cena. Desta vez pelas mãos do próprio Congresso que sinalizou, com veemência, rejeitá-la, quando o governo, na semana passada, em manobra aparentemente afoita e comprovadamente desastrosa, anunciou a intenção de encaminhar sua aprovação ao Legislativo sem as devidas negociações prévias.
Antes disso, porém, seria necessário superar um complicador previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A dificuldade não se prende à apresentação de uma proposta de Orçamento sem equilíbrio entre receita e despesa, como muitos já estão supondo. O que a LRF obriga é que a proposta orçamentária siga os marcos fixados pela Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO). Acontece que o Congresso ainda não votou a LDO de 2016, embora devesse tê-lo feito antes do recesso de julho.
São muitas e amplas as diferenças entre metas e premissas estabelecidas na LDO e na proposta orçamentária. Na LDO para 2016, enviada em 15 de abril ao Congresso, o governo estabeleceu meta de superávit fiscal de 2% do PIB, com base nas premissas de crescimento do PIB em 1,3%, inflação de 5,6%, taxa Selic a 11,5% e salário mínimo de R$ 854. Na proposta orçamentária encaminhada ontem pelo governo, a previsão de crescimento em 2016 caiu para 0,2%, a inflação foi estimada em 5,4% e o salário mínimo elevado para R$ 865,50. A dúvida que resta é como será feita a compatibilização prevista na LRF entre as duas leis.
Independentemente de como esse ponto venha a ser resolvido, ao propor um déficit como meta fiscal, o governo dá indicações em tom dramático de que as contas públicas chegaram à sua hora da verdade. Orçamentos costumam ser peças de ficção ou de desejo dos governantes e a realidade raramente se encaixa nas previsões oficiais – por sinal, projeções de déficit primário em 2016 já eram há algum tempo corriqueiras no mercado. A mensagem nada sutil do Executivo é a de que não haveria como escapar da revisão de vinculações obrigatórias de despesas e/ou da reestruturação do perfil da arrecadação tributária, numa alteração pelo menos parcial dos princípios de atendimento de demandas sociais incorporados na Constituição de 1988 ainda vigentes.

COMENTÁRIO: Acredite se quiser

Por Celso Ming - ESTADAO.COM.BR

A presidente Dilma quer passar a impressão de que finalmente abraçou o realismo fiscal; Até seria boa notícia se inspirasse crédito

Depois de ter governado quatro anos nas nuvens, na enganação e na irrealidade, a presidente Dilma quer passar a impressão de que finalmente abraçou o realismo fiscal. Sua proposta orçamentária para 2016 chega ao Congresso com um rombo de R$ 30,5 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.
Esta até seria boa notícia se inspirasse crédito, mas a presidente Dilma apresenta um diagnóstico por dia e o que diz depois não combina com o que disse antes.

A situação das contas públicas é desastrosa não pelo que vem sendo repetido pelo governo, mas pela lógica das estatísticas e dos fatos. Mudanças no discurso, como as desta segunda-feira, feitas em nome da transparência não garantem compromisso com o que se seguirá a partir de agora.
Em agosto de 2014, a então ministra do Planejamento, Miriam Belchior, à parte a impressionante peça de ficção identificada na proposta orçamentária de 2015, ainda sugeria que neste ano haveria um crescimento econômico de 3% e um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 2% do PIB.
Antes disso, ainda em abril do ano passado, o governo mandou demitir o funcionário Leonardo Rolim que apontou para uma diferença a menos de R$ 10 bilhões nas contas róseas de 2014 apresentadas pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Pois o rombo não só cresceu mais do que isso, como a própria presidente Dilma nos vem dizer agora que é preciso atacar com uma reforma corajosa o déficit da Previdência Social.
Os resultados do calamitoso 2014 são conhecidos. Apesar das mágicas contábeis, das pedaladas e das manobras conhecidas como “restos a pagar”, o ano fechou com déficit primário de R$ 32,53 bilhões, 0,63% do PIB.
Há pouco mais de um mês, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, veio a público para garantir que o superávit primário de 2016 seria de 0,7% do PIB. Não demorou para mudar de ideia. Na semana passada, os desencontros e as contradições se sucederam em ritmo alucinante.
Sem nem sequer notificar o seu vice-presidente, Michel Temer, que ainda exerce a função de principal negociador político do governo, a presidente Dilma avisou que enviaria ao Congresso a proposta para recriação da CPMF, cuja perspectiva de arrecadação em 2016 seria de R$ 60 bilhões. Ainda assim, já contando com essa receita extra, mandou dizer que haveria um rombo de R$ 70 bilhões a tapar. Ou seja, sem a CPMF, o déficit seria de R$ 130 bilhões.
Neste fim de semana, desistiu da CPMF e preparou proposta orçamentária em que o déficit (e não mais superávit) sem a CPMF já não seria de R$ 130 bilhões, mas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões, ou de algo em torno de 0,5% do PIB. E não se sabe das reformas, nem da reforma política que viria por plebiscito, nem da reforma da Previdência Social, nem da Agenda Brasil, que conteria 47 itens, nem da extinção de 10 entre os 39 ministérios, nem da anunciada redução de mil entre os 22 mil cargos de confiança.
As mistificações continuam, desta vez com um discurso que apela mais para o realismo fiscal.
CONFIRA:


Aí está a evolução das projeções do mercado sobre o comportamento do PIB e da inflação em 2015.

Continua o otimismo
O governo Dilma conta com queda mais branda do PIB neste ano e com pequeno crescimento de 0,2% em 2016. Não são números tão delirantes quanto os da administração anterior, mas são bem mais otimistas do que os projetados pelo mercado. A equipe econômica entende que os principais canais de recuperação serão as exportações e o tombo da inflação. Parece pouco diante da alta probabilidade de o País perder o grau de investimento.

NEGÓCIOS: Bolsa perde 2,5% no terceiro dia de queda; Vale cai 4,6%, e Petrobras, 6,5%

Do UOL, em São Paulo

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, teve a terceira queda seguida nesta terça-feira (1º), de 2,46%, a 45.477,06 pontos. 
Na véspera, a Bolsa havia caído 1,12% e fechado o mês de agosto com perdas de 8,33%, no segundo mês seguido de queda.
O recuo da Bolsa no dia foi puxado pelas ações da Petrobras e da Vale, afetadas pelos preços de matérias-primas (as commodities) no mercado internacional.
Por sua vez, o mercado de matérias-primas foi influenciado pela divulgação de dados negativos sobre a indústria chinesa, que indicam desaceleração da economia do país. O ritmo mais lento por lá afeta negativamente as exportações brasileiras de itens como petróleo e minério de ferro. 
As ações preferenciais da Petrobras (PETR4), com prioridade na distribuição de dividendos, caíram 6,53%, a R$ 8,59. As ordinárias (PETR3), com direito a voto em assembleia, perderam 6,31%, a R$ 9,95. Os papéis da companhia recuaram após novas baixas no preço do petróleo. 
As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 4,58%, a R$ 17,10, e as preferenciais (VALE5) se desvalorizaram 2,61%, a R$ 13,78. 
Dólar fecha valendo R$ 3,688, maior valor desde 2002
No mercado de câmbio, dólar comercial teve a terceira alta seguida e fechou comvalorização de 1,68%, a R$ 3,688 na venda. É o maior valor de fechamento em quase 13 anos, desde 13 de dezembro de 2002, quando a moeda valia R$ 3,735.
Na véspera, a moeda norte-americana havia subido 1,17%, a R$ 3,627, encerrando agosto com avanço de 5,91%, no segundo mês seguido de alta. 
Bolsas internacionais
As principais Bolsas da Europa abriram o mês de setembro com queda de mais de 2%. 
Inglaterra: - 3,03%
Espanha: - 2,59%
Portugal: - 2,55%
Alemanha: - 2,38%
França: - 2,4%
Itália: - 2,24%
Japão: - 3,84%
Hong Kong: - 2,24%
Austrália: - 2,12%
Taiwan: - 1,92%
Coreia do Sul: - 1,4%
Cingapura: - 1,32%
China: - 1,28%

(Com Reuters)

POLÍTICA: Renan descarta devolver Orçamento da União

ESTADAO.COM.BR
ERICH DECAT - O ESTADO DE S .PAULO

Declarações do presidente do Congresso ocorrem em meio à pressão de lideranças da oposição que defendem a devolução da peça ao Executivo

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira, 1, que "descarta" devolver o projeto de Lei Orçamentária de 2016, como defendem integrantes da oposição.
"Não cogito devolver a proposta orçamentária enviada pelo governo. Cabe ao Congresso Nacional melhorá-la, dar qualidade à proposta orçamentária. E cabe ao governo federal sugerir caminhos para superação do déficit fiscal", ressaltou Renan que se reuniu na tarde de hoje com a presidente Dilma Rousseff para discutir questões relacionadas ao Orçamento da União do próximo ano.
As declarações de Renan ocorrem em meio à pressão de lideranças da oposição que defendem a devolução do orçamento ao Executivo. No entendimento dos opositores, o encaminhamento ao Congresso de uma proposta de orçamento deficitário fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em razão disso, estudam mecanismos para recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF)
Antes das declarações feitas aos jornalistas, Renan participou da instalação da Comissão Especial no Senado que deverá conduzir as discussões em torno das propostas da "Agenda Brasil", composta por projetos que visam dar folego à economia do País. Em discurso feito aos integrantes do colegiado, o presidente do Senado deu vários recados ao Palácio do Planalto e ressaltou a responsabilidade do Congresso no enfrentamento da atual crise política e econômica.
"Tiro, porrada e bomba não reerguem nações, espalham ruínas e lamentavelmente só ampliam os escombro. Não seremos sabotadores da Nação e nem agentes de mais instabilidade", ressaltou o senador. "Não somos e nem seremos narradores impessoais desse precipício. A crise atual não é apocalíptica, mas exige de todos sensatez e serenidade em busca de saídas".
Renan também aproveitou a ocasião para reforçar o recado à equipe econômica de que propostas que visam aumento de imposto não serão prioridade dos parlamentares. "É igualmente indefensável buscar a cura da ressaca econômica na sede insaciável de novos tributos ou elevação dos impostos. A sociedade já está no limite da suportabilidade. Cabe ao governo cortar seus gastos, vender ativos, reaquecer a economia, criar política de estimulo ao emprego e ao investimento", disse.
Em um recado indireto ao Palácio do Planalto, o peemedebista ressaltou ainda que o fato de retomar o diálogo com a presidente Dilma em torno das questões que envolvem a crise econômica do país não significa uma "aproximação política".
"Não sou governista, não sou oposicionistas, sou presidente de uma instituição que deseja fazer parte e ser facilitadora para uma saída para o Brasil. Essa não é uma tentativa de aproximação politica com ninguém, mas de afastamento da crise. Governo tem prazo de validade, o País não tem", disse.
Repatriação - Nesta terça-feira, o plenário do Senado deverá dar uma ajuda para o equilíbrio das contas do governo votando projeto de repatriação dos recursos de brasileiros no exterior não declarados à Receita Federal. Segundo o Ministério da Fazenda, estima-se cerca de R$ 200 bilhões não declarados no exterior. "Hoje vamos votar a repatriação de ativos, eu diria que há consenso", disse Renan. "O governo não falou ainda qual é a expectativa, de qual é o tamanho dela, mas inicialmente todos nós entendemos que é um caminho para trazer dinheiro para o Brasil e ampliar os investimentos. Não podemos amarrar os pés da economia, é preciso soltá-lo", emendou.

ECONOMIA: Dólar turismo quase encosta em R$ 4,20

OGLOBO.COM.BR
POR LUCAS MORETZSOHN

Moeda americana variou entre R$ 3,99 e R$ 4,19 para cartão pré-pago em casas de câmbio

Dólar turismo quase chega em R$ 4,20 em casas de câmbio - Ron Antonelli / Bloomberg

RIO - O dólar comercial opera em alta pelo terceiro pregão seguido. Com a piora das expectativas no contexto político-econômico nacional, a moeda americana alcançou a máxima 3,682, com alta de 1,40%. Como consequência, o dólar turismo em casas de câmbio acompanha a elevação de preço e variou entre R$ 3,99 e R$ 4,19 para cartões pré-pago, enquanto o euro ultrpassou R$ 4,60.
As casas de câmbio do Itaú apresentaram a cotação mais alta do dólar turismo para cartão pré-pago, a R$ 4,14, enquanto o valor era de R$ 3,92 em espécie. No fechamento, a moeda americana aumentou para R$ 3,96 e R$ 4,19 respectivamente. O euro custava R$ 4,43 (cash) e R$ 4,69 (plástico) e fechou em R$ 4,48 e R$ 4,74 na mesma ordem. Nesses valores está incluído o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% para papel-moeda e 6,38% em cartão.
As agências do Banco Bradesco fecharam o preço do dólar nos cartões travel money(pré-pago) em R$ 4,11 e R$ 3,92 pela divisa em cash. Já o euro fechou a R$ 4,41 em papel-moeda e a R$ 4,62 no plástico. A moeda encerrou em estabilidade.
Já a corretora Cotação cobrava R$ 4,13 e R$ 3,93 pelo dólar em cartão e em papel-moeda, respectivamente. A divisa americana fechou estável. Lá, o euro valia R$ 4,57 e R$ 4,45 nessa mesma ordem. No fechamento, a moeda acelerou para R$ 4,46 (papel-moeda) e R$ 4,69 (cartão pré-pago).
Na Western Union, o dólar foi cotado a R$ 3,85 (espécie) e R$ 4,07 (plástico) e o euro a R$ 4,35 em nota e R$ 4,61 pelo crédito no cartão, já com impostos. No fechamento, o papel-moeda do dólar e do euro recuou para R$ 3,84 e R$ 4,25, enquanto a moeda europeia no cartão avançou para R$ 4,63.
A Ultramar Viagens pedia R$ 3,79 pela moeda americana em papel e R$ 4,05 para recarga no cartão pré-pago. Já por € 1 em espécie, era preciso desembolsar R$ 4,28 e R$ 4,53 no plástico. No fechamento, o dólar acelerou para R$ 3,e R$ 4,10, enquanto o euro chegou a R$ 4,33 e R$ 4,60, respectivamente em papel-moeda e no cartão.
A TOV Corretora cobrava R$ 3,82 e R$ 4,04 pela divisa americana turismo em papel-moeda e no cartão, respectivamente. No fechamento, o valor da moeda em espécie e no cartão caiu R$ 0,02. A moeda europeia custava R$ 4,31 (cash) e R$ 4,56 (cartão) e fechou estável.
Nas agências do Banco do Brasil, o dólar foi vendido a R$ 3,79 e R$ 3,99 no papel-moeda e no cartão pré-pago. Já o euro foi negociado a R$ 4,28 (espécie) e a R$ 4,50 (travel money).
(Colaborou Aline Macedo, estagiária).

CASO PETROBRAS: PF indicia José Dirceu, Vaccari e mais 12 pessoas em inquérito na Lava Jato

FOLHA.COM
FELIPE BACHTOLD, DE SÃO PAULO
GABRIEL MASCARENHAS, DE BRASÍLIA
AGUIRRE TALENTO, ENVIADO ESPECIAL A CURITIBA

Hedeson Alves/Efe 
O ex-ministro José Dirceu, preso na Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras, em Curitiba

A Polícia Federal indiciou nesta terça-feira (1º) o ex-ministro José Dirceu e outras 13 pessoas suspeitas de desvios em contratos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.
Entre os indiciados, estão também o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, e o empreiteiro Gerson Almada, da Engevix.
O relatório da Polícia Federal, assinado pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, diz que a investigação se insere em "um contexto maior de desvio de recursos em que uma estrutura criminosa sistêmica foi inserida no seio estrutura do governo federal".
No documento, referente a dois inquéritos finalizados nesta terça e já enviados à Justiça Federal no Paraná, a PF concluiu que foram usados cerca de R$ 59 milhões em pagamento de propina dentro do esquema de desvio de recursos na Petrobras. Os policiais estimam, no entanto, que esse valor pode chegar a R$ 80 milhões.
O documento afirma ainda que indicações para cargos públicos na Petrobras geravam "cobrança" de valores de prestadores de serviço para custeio do núcleo criminoso que dirigia o pais".
A Polícia Federal diz que o ex-ministro foi favorecido em duas frentes. Na primeira, afirma o relatório, ele recebia uma parcela do faturamento das empresas Hope e Personal, que tinham contratos de terceirização com a Petrobras. As duas companhias fecharam o negócio com a estatal por meio dos irmãos Fernando e Olavo Moura, que também foram indiciados.
Na segunda frente, também segundo a investigação, o ex-ministro recebia propina de empreiteiras que faziam obras para a estatal, como a Engevix, OAS, UTC e Odebrecht.
Paralelamente, a PF pediu o afastamento de Roberto Marques, funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo, que é ex-assessor de Dirceu.
A legislação permite o afastamento cautelar de servidores em caso de indiciamento por lavagem de dinheiro.
A Folha apurou que as investigações da PF na Operação Pixuleco continuarão em andamento e pode haver mais indiciamentos em um relatório final, incluindo investigados que não estão presos. Os investigadores tinham um prazo para fazer o indiciamento dos investigados presos, por isso estes dois relatórios finalizados nesta terça (1º) se referem a eles, mas a investigação pode continuar em relação a outros.
PRISÃO
O ex-ministro foi preso há um mês na 17ª fase da Lava Jato, batizada de "Pixuleco". Dirceu até agora ficou em silêncio ao prestar depoimentos na CPI da Petrobras e à Polícia Federal.
A PF decidiu indiciá-lo sob suspeita de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Depoimentos do delator Milton Pascowitch, que diz ter intermediado repasses ao ex-ministro, ajudaram a embasar as conclusões da investigação. O delator também foi indiciado.
A reportagem ainda não conseguiu localizar os advogados dos suspeitos.
VEJA 14 OS INDICIADOS
José Dirceu
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva (irmão de Dirceu)
Roberto Marques (assessor de Dirceu)
Julio Cesar dos Santos (auxiliar de Dirceu)
Milton Pascowitch
José Adolfo Pascowitch (irmão de Milton)
Fernando Moura
Olavo Moura
Camila Ramos de Oliveira e Silva (filha de Dirceu)
Renato Duque
João Vacari Neto
Gerson Almada (executivo da Engevix)
Cristiano Kok (executivo da Engevix)
José Antunes Sobrinho (executivo da Engevix)
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