segunda-feira, 27 de abril de 2015

POLÍTICA: Após críticas de Lupi, Pedro Taques defende que PDT deixe governo Dilma

UOL

Brasília - Após a revelação das críticas do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao governo Dilma Rousseff, o governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), defendeu, na noite do domingo, 26, que o partido deixe a base aliada da petista. "Há muito tempo venho dizendo isso e muitos fizeram ouvidos de mercador. Pena que só agora alguns entenderam, antes tarde do que nunca", afirmou ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado.
"Sinceramente não sei se isso (saída da aliança) é bom, quem ficou tanto tempo, não sei se tem direito de sair, mostra um pouco de uma postura oportunista", afirmou, sobre uma eventual ruptura com a saída do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT).
O comentário de Taques, ex-senador, ocorre após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada ontem ter divulgado que Lupi, em encontro com correligionários em São Paulo, disse que os petistas "roubaram demais" e que o PT "se esgotou".
"Eu, como senador, fui independente e sempre fui crítico dessa submissão do PDT ao PT", afirmou Taques. "Acredito na honestidade da presidente, mas erros foram praticados", completou. O governador mato-grossense não é alinhado politicamente à direção partidária comandada por Lupi e tem recebido convites para trocar de partido.
Ex-procurador da República e professor de Direito Constitucional, Taques disse que gostaria de aproveitar a reunião do Diretório Nacional do PDT, marcada para o próximo dia 15, para falar sobre a discussão de um eventual pedido de impeachment de Dilma. "Se for convidado no dia 15, vou me manifestar lá", disse ele, que não quis adiantar sua posição sobre o assunto.

POLÍTICA: Sob protesto, Temer deixa feira agrícola sem discursar no interior de SP

ESTADAO.COM.BR
GUSTAVO PORTO - O ESTADO DE S.PAULO

Vice-presidente pretendia falar no evento, mas desistiu por causa de um buzinaço no qual manifestantes pediam impeachment de Dilma
RIBEIRÃO PRETO - Sob protesto de um grupo de cerca de 50 manifestantes, o vice-presidente Michel Temer precisou deixar a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), logo após a cerimônia de abertura, sem fazer discurso ou mesmo conceder entrevista aos jornalistas. 
Até então, estava previsto um pronunciamento do vice-presidente mas, no local onde ocorreria o discurso, os manifestantes faziam buzinaço e pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e de também de Temer. 
A própria cerimônia de abertura foi prejudicada pelo barulho dos manifestantes e nenhuma das autoridades presentes no evento fez qualquer tipo de pronunciamento. Além de Temer, estavam presente os ministros da Agricultura, Kátia Abreu, e de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) - estes dois últimos foram aplaudidos. Apesar dos protestos, não houve qualquer incidente durante a feira.

CIDADE: Sete óbitos confirmados em decorrência das chuvas; número de mortes pode aumentar

BAHIA NOTÍCIAS

Deslizamento na Av. San Martin | Foto: Leitor BN / WhatsApp
Dados ainda imprecisos sobre os resgates nos deslizamentos nas regiões da Avenida San Martin, Novo Marotinho, Santa Luzia e Alto do Peru sinalizam, pelo menos, sete mortes em Salvador após as fortes chuvas que atingiram a capital baiana desde a madrugada desta segunda-feira (27): quatro na região da San Martin, duas no Novo Marotinho (no bairro de Bom Juá) e uma no Alto do Peru. De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, Capitão Bruno Ramos, o número de óbitos na região da San Martin pode ser ainda maior. “Uma pessoa está sob os escombros, mas não tem confirmações se está viva ou morta. Não temos um número fechado. Os bombeiros estão buscando informações com os vizinhos e pessoas que moravam na região para fechar o número de pessoas que estariam sob os escombros”, afirmou o porta-voz. Ao jornal A Tarde, o secretário de Infraestrutura e Defesa Civil, Paulo Fontana, confirmou cinco mortes em decorrência do deslizamento na San Martin. Segundo os registros da Polícia Militar, no Novo Marotinho cinco ou seis imóveis foram atingidos pelos deslizamentos e todas as vítimas foram resgatadas com vida. No entanto, informações do Hospital Geral do Estado (HGE) confirmam que duas pessoas morreram em decorrência do incidente no Novo Marotinho. No Alto do Peru, uma senhora de 57 anos foi encontrada sem vida entre escombros. O porta-voz da PM ainda não possui registros dessa ocorrência, mas a central de Polícia já confirma este óbito. O Capitão Bruno Ramos aponta ainda que há o caso de um deslizamento na região do bairro de Santa Luzia, em que uma vítima foi resgatada com vida e conduzida para o Hospital do Subúrbio.

ECONOMIA: Novo pacote de privatizações deve sair em dez dias

OGLOBO.COM.BR
POR GERALDA DOCA / LUIZA DAMÉ

Ministro da Fazenda terá palavra final sobre projetos de infraestrutura para não comprometer ajuste fiscal
Porto de Paranaguá: governo cogita conceder a construção de canais de acesso, com dragagem - Guito Moreto / Guito Moreto/7-4-2013
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff deve anunciar o novo pacote de concessões dentro de dez dias, antes da viagem à Europa para as comemorações pelo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. O tema das privatizações foi discutido pela presidente com os ministros do setor de infraestrutura em reuniões setoriais, ao longo do último sábado. No encontro, cada ministro apresentou à presidente, acompanhada de toda a equipe econômica e representantes dos bancos públicos, a relação dos projetos com demanda do setor privado. Ficou acertado, segundo interlocutores, que o governo anunciará no prazo estipulado, o programa das concessões, dentro das necessidades de ajuste fiscal.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá a palavra final. Ele avisou aos ministros que não há dinheiro disponível do Tesouro, e que os financiamentos dos bancos públicos na nova rodada de privatização serão menores. Não haverá negociação direta entre os interessados nos leilões e o BNDES, por exemplo. Tudo passará pelo crivo da equipe econômica, disse uma fonte.
Diferentemente da rodadas de concessão anteriores, quando foram anunciados bilhões em investimentos para o setor de infraestrutura e pouca coisa avançou, o governo desta vez quer anunciar um programa mais realista, que dê uma resposta mais imediata à necessidade de ampliar a capacidade do setor e que, ao mesmo tempo, exima o Tesouro de investir em ações mais imediatas, como garantir a manutenção de rodovias.
LEILÃO DE AEROPORTOS
Embora tenha durado dez horas, a reunião do último sábado não foi conclusiva nem abordou todos os temas previstos. Foram debatidas as áreas de ferrovias, energia elétrica, estradas, hidrovias e aeroportos. Nesta semana, devem ocorrer mais reuniões para tratar de portos, mobilidade urbana, habitação e saneamento.
— Não quero ministro me trazendo estudos. Quero projetos — disse a presidente na reunião, segundo um dos participantes.
Entre os empreendimentos a serem concedidos estão três aeroportos — Porto Alegre, Florianópolis e Salvador —, com participação de até 15% da Infraero ou nenhuma, mas com golden share (voto qualificado com poder de veto na gestão da empresa); quatro rodovias e um trecho de ferrovia. No caso dos aeroportos, a previsão é que os leilões ocorram dentro de quatorze meses, tempo considerado necessário pelos técnicos da Secretaria de Aviação Civil para realização de todo o processo (estudos de viabilidade, audiências públicas, elaboração do edital e aval do Tribunal de Contas da União).
— Há outros aeroportos com potencial para serem concedidos, como Recife, Fortaleza, Goiânia e Vitória, mas o governo, por enquanto, vai priorizar os três primeiros. Se você leiloa todos ao mesmo tempo, derruba o preço dos ativos — argumentou uma fonte diretamente envolvida na discussão.
Há ainda uma preocupação com a situação financeira da Infraero, que perdeu receitas com a privatização dos principais aeroportos (Brasília, Guarulhos, Viracopos, Galeão e Confins) e necessita de aporte do Tesouro. O governo busca uma saída para sanear a empresa e melhorar o fluxo de caixa da estatal, reduzindo sua dependência da União. Pelo modelo de concessão desses aeroportos, a Infraero entrou no negócio com 49% de participação, o que exige maior desembolso para acompanhar o sócio privado nos investimentos.
Dos quatro trechos de rodovias que serão incluídos no programa de concessão do setor, a BR-163/230 (MT/PA) é a que tem maior apelo econômico para ser entregue à iniciativa privada. A estrada tem alguns trechos a serem concluídos e precisa de manutenção, mas o governo não tem recursos para isso. Os outros trechos são: BR-364/060 (MT/GO), BR-476/153/282/480 (PR/SC) e BR-364 (GO/MG). Os estudos para concessão dessas rodovias estão em fase adiantada pelo Ministério dos Transportes.
No caso das ferrovias, um trecho que tem demanda do setor privado é o que liga Anápolis (GO) a Palmas (TO), construído pela Valec, e que já pode ser explorado pela iniciativa privada. Em relação aos portos, o governo trabalha com a possibilidade mais imediata de conceder a construção de canais de acesso, com dragagem, dos portos de Rio Grande, Santos e Paranaguá, mas outros podem ser incluídos.
— O governo quer a participação do setor privado, e já identificamos interessados nos vários segmentos de infraestrutura — disse um ministro.
Segundo interlocutores do governo, o próprio ajuste fiscal pode ser um entrave ao programa de concessões. Com um orçamento apertado, o desafio é desenhar uma modelagem que necessite de recursos do Tesouro, mas seja ao mesmo tempo atraente ao setor privado. Na área de energia e gás, por exemplo, o modelo de partilha adotado pelo governo tornou os investimentos menos atraentes. Além disso, a exigência de conteúdo nacional é outro entrave.
O governo tem sido cobrado pelo setor da construção civil, que enfrenta uma onda de demissões, a lançar logo a terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida. A promessa da presidente é lançar mais três milhões de unidades, mas o Tesouro ainda deve repasses da etapa atual.

ECONOMIA: Caixa Econômica reduz limite máximo para parcelamento de imóveis usados

Do UOL, em São Paulo

A Caixa Econômica Federal vai reduzir o limite máximo que pode ser parcelado para financiamento de imóveis usados, nos casos que utilizem recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
As regras continuam iguais para operações usando recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ou pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", informa o banco.
As alterações entram em vigor no dia 4 de maio e valem apenas para novos contratos.
Sistema Financeiro da Habitação
O Sistema Financeiro Habitacional (SFH) regula a maioria dos financiamentos imobiliários no Brasil, e usa recursos do FGTS ou do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
A mudança da Caixa vale apenas para financiamentos com recursos do SBPE. O limite que o consumidor pode parcelar vai cair dos atuais 80% para 50% do valor total do imóvel usado. O restante do valor do imóvel deverá ser pago à vista.
Para financiamentos usando recursos do FGTS, as regras continuam iguais.
O SFH envolve operações com imóveis de até R$ 750 mil nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal; nos demais Estados, o valor é de R$ 650 mil.
Sistema Financeiro Imobiliário
O Sistema Financeiro Imobiliário rege as operações que não se enquadram no Sistema Financeiro Habitacional (SFH) e é voltado, principalmente, para grandes investidores institucionais. 
Para essas operações, a Caixa irá reduzir o limite máximo de parcelamento de 70% para 40% do valor total do imóvel usado.
Minha Casa, Minha Vida
As regras não mudam para os financiamentos de imóveis pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", informa a Caixa.
Entrada fica maior
Com essa mudança, o consumidor precisará arcar com uma entrada maior ao começar um financiamento da casa própria.
Por exemplo, um consumidor que queira comprar uma casa usada no valor de R$ 500 mil (que não faça parte do "Minha Casa" e sem usar dinheiro do FGTS), poderá financiar apenas 50% do valor total, ou seja, R$ 250 mil. Os outros R$ 250 mil terão que ser pagos à vista, na entrada.
Caixa diz que vai focar em imóveis novos e populares
A Caixa informou que seu foco neste ano será o financiamento de imóveis novos, com destaque para a habitação popular. O banco já aumentou duas vezes neste ano os juros para financiamento da casa própria.
Os depósitos em poupança têm caído ao longo deste ano e batido recordes negativos. A diferença entre o que entrou na poupança e o que foi sacado está negativa em R$ 23,2 bilhões até março, no pior primeiro trimestre desde 1995.
Os bancos usam o dinheiro da poupança para financiar as operações imobiliárias do SFH. Assim, a Caixa está enfrentando um cenário difícil, com menos recursos para emprestar nesta modalidade de crédito.
(Com Infomoney)

GESTÃO: Dívida federal tem maior alta em cinco anos e vai a R$ 2,4 trilhões

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO

Crescimento em março foi de 4,79%, segundo o Tesouro Nacional
 
- Dado Galdieri / Bloomberg
BRASÍLIA - O estoque da dívida pública federal teve em março alta de 4,79%, passando de R$ 2,329 trilhões, em fevereiro, para R$ 2,441 trilhões, informou nesta segunda-feira o Tesouro Nacional. Foi o maior aumento desde abril de 2010, quando a alta foi de 6,02%.
O principal responsável foi uma emissão líquida (emissões menos resgates) de títulos públicos no valor R$ 70,19 bilhões no período. A emissões corresponderam a R$ 147,15 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 76,96 bilhões. A dívida também se elevou em função dos juros que corrigem o estoque e que somaram R$ 41,39 bilhões.
Os títulos prefixados aumentaram sua participação no endividamento público em março. Essa parcela cresceu de 39,71% em fevereiro para 41,08% no mês passado. Já os papéis indexados a índices de preços recuaram de 35,25% para 34,62% no mesmo período. Os títulos remunerados pela Taxa Selic, por sua vez, reduziram sua fatia de 20,01% para 19,13% na dívida.
Entre os detentores de títulos, as instituições financeiras e os investidores estrangeiros elevaram sua participação no estoque em março. No primeiro caso, a fatia subiu de R$ 614,19 bilhões para R$ 634,40 bilhões. Já a parcela dos estrangeiros cresceu de R$ 448,95 bilhões para R$ 469,61 bilhões.
Ainda de acordo com o Tesouro, as emissões do programa Tesouro Direto em março atingiram R$ 1 bilhão, enquanto os resgates corresponderam a R$ 457,03 milhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 544,74 milhões. Os títulos mais demandados pelos investidores foram os remunerados por índice de preços, que responderam por 50,97% do montante vendido.
O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 16,724 bilhões, o que representa um acréscimo de 4,90% em relação ao mês anterior. Os títulos com maior representação no estoque são as NTN-B Principal, que correspondem a 44,32% do total.
Em relação ao número de investidores, 12.570 novos participantes se cadastraram no Tesouro Direto em março, levando o total de investidores a 484.275, o que representa um incremento de 23,40% em relação ao mesmo período do ano anterior.

CASO PETROBRAS: Procuradoria denuncia Renato Duque e Vaccari por lavagem de dinheiro

FOLHA.COM
FLÁVIO FERREIRA, DE SÃO PAULO

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Duque foram denunciados à Justiça, por procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, sob a acusação da prática de lavagem de dinheiro.
A denúncia do Ministério Público, apresentada nesta segunda-feira (27), aponta que o crime foi praticado 24 vezes, entre abril de 2010 e dezembro de 2013, e totalizou R$ 2,4 milhões.
De acordo com acusação, uma parte da propina paga para Duque por empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras foi direcionada por empresas do grupo Setal Óleo e Gás, controlado por Augusto Mendonça, para a Editora Gráfica Atitude, a pedido de Vaccari Neto.
Na denúncia a Procuradoria pediu que os acusados sejam condenados a pagar uma indenização de R$ 4,8 milhões à Petrobras e que seja determinado o confisco de R$ 2,4 milhões do patrimônio deles.
Há, ainda, vários indicativos de ligação da Gráfica Atitude com o PT, afirma a Procuradoria.
Segundo a força-tarefa, para conferir uma justificativa econômica aparentemente lícita para os repasses da propina, empresas do grupo Setal –a Setec e a SOG– assinaram dois contratos, em 1º de abril de 2010 e em 1º de julho de 2013, respectivamente, com a Gráfica Atitude.
A gráfica, porém, jamais prestou serviços reais às empresas, emitindo notas frias para justificar os repasses, de acordo com os procuradores.
Em nota, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Força-Tarefa Lava Jato, afirmou que embora a denúncia envolva um partido –o PT–, o esquema era pluripartidário e que já foram denunciados anteriormente operadores vinculados às diretorias controladas pelo PP e pelo PMDB.
"A partidarização do olhar sobre as investigações prejudica os trabalhos, porque tira o foco do que é mais importante, que é a mudança do sistema, o qual favorece a corrupção seja qual for o partido. Por isso o MPF apresentou as dez medidas contra a corrupção e a impunidade."
De acordo com a Procuradoria, a responsabilidade criminal de pessoas vinculadas à Atitude será apurada em investigações próprias.
OUTRO LADO
A reportagem ainda não conseguiu falar com Vaccari, Duque e representantes da gráfica.
Vaccari nega qualquer irregularidade à frente da tesouraria do PT. A defesa de Duque sempre negou que ele tenha praticado crimes na diretoria de Serviços da estatal.
Procurado pela Folha no dia 15 de abril, quando foi divulgado que o motivo para a prisão de Vaccari haviam sido pagamentos suspeitos efetuados à Gráfica Atitude, o coordenador editorial e financeiro da empresa, Paulo Salvador, disse que vai esperar ser notificado pela Justiça para se pronunciar.

TRAGÉDIA: Número de mortos em terremoto no Nepal sobe para 3,7 mil

ESTADAO.COM.BR
LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL / KATMANDU - O ESTADO DE S. PAULO

No 1º dia sem tremores visíveis desde sábado, autoridades do país tentam organizar atendimento às milhares de vítimas da tragédia
KATMANDU - No primeiro dia sem visíveis tremores de terra desde o último sábado, quando foi atingido por um terremoto de 7,8 graus na escala Richter, o Nepal começa a tentar reorganizar a vida e o atendimento às milhares de vítimas nesta segunda-feira, 27. Ainda assustados, os nepaleses se recusam a voltar para casa. Com a infraestrutura do país arrasada, começa a faltar água, alimentos e medicamentos, apesar da ajuda humanitária que continua a chegar. 
Na tarde desta segunda (horário local), o governo nepalês confirmou que o número de mortos passa a 3,7 mil e deve crescer com a chegada das equipes de resgate às pequenas cidades e vilas do distrito de Gorkha, entre Katmandu e Pokara, no epicentro do terremoto. Até agora foram registrados mais de 6,5 mil pessoas feridas, mas essa número ainda não foi atualizado desde o último registro oficial.
TERREMOTO NO NEPAL E ÍNDIA
REUTERS/Navesh Chitrakar
No Nepal, abalado por outro forte tremor hoje, o estado geral é de pânico. Famílias dormem debaixo de marquises, toldos ou tendas feitas de painéis de propaganda e pedaços de madeira






No campo base do Himalaia, trekking que representa uma das principais atrações turísticas do país, já foram confirmadas 20 mortes causadas por avalanches e 220 pessoas ainda estariam desaparecidas. Aviões e helicópteros de busca foram enviados para a região. Durante todo o domingo, helicópteros de resgate sobrevoavam a cidade. 
O último tremor secundário aconteceu há cerca de às 5h da manhã, horário local, 21h no Brasil. Aos poucos, os nepaleses começam a se movimentar pela cidade. Ainda assim, a maior parte ainda não pensa em voltar para casa. O governo decretou feriado nacional e lojas e negócios devem permanecer fechados pelo menos até a terça-feira. 
As principais praças da capital Katmandu estão ocupadas por acampamentos feitos de tendas improvisadas e barracas. Mesmo pequenos espaços, pátios internos de quadras de prédios de apartamento - uma construção comum no país - estão ocupadas. O governo não tem ainda um levantamento do número de pessoas desalojadas e desabrigadas, mas até essa madrugada mesmo nos melhores bairros da capital nepalesa era possível ver pessoas dormindo sobre tapetes ou colchões debaixo de marquises. 
O boato de que um terceiro terremoto, ainda mais forte, poderia acontecer, alimentou o medo. Asha-Lal, um senhor de 63 anos, está desde sábado na praça de Patan Durbar, ao lado de alguns dos principais momentos históricos do Nepal, cuja restauração havia sido concluída há pouco mais de ano, mas foi destruída pelo terremoto. Sozinho, Asha mora em um prédio na frente da praça, mas não teve coragem de voltar para casa ainda. "Ainda não sabemos o que vai acontecer. Moro no quarto andar, tenho medo de não conseguir sair se vier outro (tremor) grande", disse ao Estado. 
O governo nepales se prepara para um colapso do sistema de saúde e pede doações, que tem chegado de várias partes do mundo. Medicamentos, água, alimentos e bolsas para colocar os corpos dos milhares de vítimas são as prioridades no momento. 
* A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO INTERNATIONAL REPORTING PROJECT (IRP)

CIDADE: Instituto de Meteorologia avisa sobre perigo potencial de tempestades em regiões da Bahia

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Leitor BN/Whastapp
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de tempestades para diversas áreas do território brasileiro, incluindo as regiões baianas do Centro Sul, Centro Norte, Vale do São Francisco, Sul, Nordeste, Extremo Oeste, e Região Metropolitana de Salvador e considerou o grau de Perigo Potencial durante toda a segunda-feira (27). Apesar das fortes chuvas que caem na região, o grau de Perigo Potencial ainda é o primeiro estágio de severidade de tempestades, abaixo dos alertas de Perigo e o de Grande Perigo. Ainda de acordo com o Inmet, o tempo deve permanecer nublado e com pancadas de chuva, com temperaturas entre 23ºC e 28ºC.

CIDADE: Por causa de alagamento, carros somem em estacionamento na San Martin

BOCAO NEWS
Por Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

Leitores do Bocão News registraram carros submersos na Avenida San Martin, em Salvador, na manhã desta segunda-feira (27). Para nossa reportagem, um leitor contou que quando foi procurar o carro dele não encontrou o veículo, só depois notou que o carro estava submerso.

CIDADE: Morador usa caiaque para “trafegar” pelo Bonfim

BOCAO NEWS
Por Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

Um leitor do Bocão News registrou na manhã desta segunda-feira (27), um morador do bairro do Bonfim, usando um “caiaque” para andar por uma das ruas no bairro.


CIDADE: Acesso Norte, avenida ACM e Stiep registram alagamentos

BOCAO NEWS
Por Redação Bocão News (twitter: @bocaonews) | Fotos: Bocão News

Praticamente em toda capital baiana, leitores do Bocão News registraram alagamentos e transtornos causados pela forte chuva que atinge Salvador na manhã desta segunda-feira (27). 
Nas imagens enviadas ao canal do Whatsapp, pelo número (71) 8151-6184, é possível identificar ainda mais danos. No Acesso Norte, próximo ao shopping Bela Vista, na avenida ACM e no bairro do Stiep, as vias se transformaram em rios de lama. 

CIDADE: Deslizamento de terra deixa moradores desabrigados na Mata Escura em Salvador

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Leitor BN / WhatsApp

Moradores do bairro de Mata Escura, em Salvador, também sofrem os transtornos causados pelas chuvas em Salvador nesta segunda-feira (27). Uma casa foi atingida por um deslizamento de terra Rua Antônio Vieira, por volta das 4h da manhã. De acordo com informações de leitores do Bahia Notícias, com a estrutura do imóvel ficou comprometida e moradores estão desabrigados. A Defesa Civil foi acionada para prestar assistência à família. Nesta segunda, o órgão já contabiliza mais de 60 notificações como alagamentos, desabamento parciais e deslizamentos. 
Mata Escura / Foto: Leitor BN / WhatsApp

CIDADE: No Lobato, água da chuva invade casas e danifica mobiliário de moradores

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Leitor BN / WhatsApp
O temporal que atinge Salvador nesta segunda-feira (27) causa transtornos também para os moradores do bairro do Lobato, no subúrbio ferroviário. Várias ruas do local estão alagadas, impossibilitando o transito de carros e pedestres. Na Rua Maria das Graças, móveis e eletrodomésticos de moradores foram danificados pelo alagamento. Colabore também com fotos e vídeos de problemas registrados na cidade por meio do WhatsApp (71) 9676-0059.
Lobato / Foto: Leitor BN / WhatsApp

CIDADE: Chuvas alagam hospital Irmã Dulce no Largo de Roma; equipamentos foram danificados

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Leitor BN / WhatsApp

O Hospital Irmã Dulce, localizado no Largo de Roma, na Cidade Baixa, em Salvador, também sofre os transtornos causados pelas fortes chuvas que atingem a capital baiana nesta segunda-feira (27). Algumas dependências da unidade de saúde foram invadidas pela água da chuva. Freiras, funcionários e acompanhantes de pacientes ajudam na limpeza do local. Alguns equipamentos foram danificados. 
Foto: Leitor BN / WhatsApp

CIDADE: Chuva alaga pontos da Paralela; prefeitura realiza operação com 500 servidores

BAHIA NOTÍCIAS

Fotos: Leitor BN/Whatsapp

As chuvas da manhã desta segunda-feira (27) deixaram diversos pontos de alagamento na Avenida Paralela. Em alguns pontos, carros e microônibus estão parcialmente submersos.
Foto: Leitor BN/WhatsApp
Foto: Leitor BN/Whatsapp
Parte do alambrado do prédio da Advocacia-Geral da União desabou após um pequeno deslizamento de terra no local. Veja as imagens enviadas pelos leitores do Bahia Notícias:
Foto: Leitor BN/Whatsapp
Com os transtornos ocorridos na capital baiana, a prefeitura de Salvador informou que realiza uma operação com 500 servidores de todos os órgãos para atuar nos locais afetados pelas fortes chuvas. “Sob a coordenação direta do prefeito ACM Neto, a prioridade das equipes é atender aquelas ocorrências que coloquem em risco a vida das pessoas, sobretudo os casos de deslizamento”, afirma a prefeitura em nota. 
Foto: Leitor BN/Whatsapp
Até às 9h32, a Defesa Civil de Salvador registrou 39 ocorrências, sendo 13 deslizamentos de terra, seis alagamentos de imóvel, oito desabamentos parciais, cinco desabamentos de muro, dois desabamentos de imóvel, três ameaças de desabamento, uma de deslizamento, além de uma árvore caída.

CIDADE: Tribunal Regional do Trabalho suspende atividades nesta segunda

BAHIA NOTÍCIAS

Foto: Divulgação
A vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5), desembargadora Nélia de Oliveira Neves, decidiu suspender nesta segunda-feira (27) os expedientes e prazos de Salvador e de municípios da região metropolitana, como Camaçari, Simões Filho e Candeias, em decorrência das fortes chuvas que atingem a região. Logo no começo da manhã, o TRT5 já havia publicado nota oficial suspendendo as atividades do Fórum do Comércio, porém, com a continuidade das chuvas, optou por ampliar a suspensão. O ato deve ser publicado no Diário da Justiça do Tribunal desta segunda.

DIREITO: STJ - ESPECIAL - O encontro fortuito de provas na jurisprudência do STJ

Mirar em algo e acertar em coisa diversa. A descoberta de provas ao acaso tem sido valiosa para as autoridades policiais desvendarem a ação criminosa. Um exemplo recente é a operação Lava Jato.
Seu objetivo inicial era desarticular quatro organizações criminosas lideradas por doleiros. O nome da operação vem do uso de uma rede de postos de combustíveis e de lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos pertencentes a uma das organizações investigadas.
No curso das investigações, o Ministério Público Federal recolheu elementos que apontavam para a existência de um esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras – segundo o MPF, é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro a que o Brasil já assistiu.
O fenômeno chamado de serendipidade consiste em sair em busca de algo e encontrar outra coisa, que não se estava procurando, mas que pode ser ainda mais valiosa. A expressão vem da lenda oriental Os três príncipes de Serendip, viajantes que, ao longo do caminho, fazem descobertas sem ligação com seu objetivo original.
Objeto claro
O sigilo das comunicações telefônicas é garantido no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, e para o seu afastamento exige-se ordem judicial que, também por determinação constitucional, precisa ser fundamentada (artigo 93, inciso IX).
No artigo intitulado Natureza jurídica da serendipidade nas interceptações telefônicas, o professor Luiz Flávio Gomes explica que a Lei 9.296/96 determina que a autorização judicial de escuta deve trazer a descrição clara da situação objeto da investigação e a indicação e qualificação dos investigados.
Ocorre que, no curso de alguma interceptação ou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão, podem surgir informações sobre outros fatos penalmente relevantes, nem sempre relacionados com a situação que estava sendo investigada, e que, como consequência, envolvem outras pessoas.
Conexão
A discussão sobre a validade dessas provas encontradas casualmente já foi travada em julgamentos do Superior Tribunal de Justiça e tem evoluído. De início, tanto o STJ quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceram a orientação de que, se o fato objeto do encontro fortuito tem conexão com o fato investigado, é válida a interceptação telefônica como meio de prova.
Em alguns julgados mais recentes, tem sido admitida a colheita acidental de provas mesmo quando não há conexão entre os crimes.
No dia 15 de abril, o ministro João Otávio de Noronha abordou o tema na sessão em que a Corte Especial recebeu denúncia contra envolvidos em um esquema de venda de decisões judiciais no Tocantins (APn 690).
Naquele caso, a investigação inicialmente foi proposta para apurar uso de moeda falsa, mas a Justiça Federal no Tocantins percebeu que as escutas telefônicas revelavam possível negociação de decisões judiciais praticada por desembargadores. A investigação foi, então, remetida ao STJ, por conta do foro privilegiado das autoridades.
O ministro ponderou que a serendipidade “não pode ser interpretada como ilegal ou inconstitucional simplesmente porque o objeto da interceptação não era o fato posteriormente descoberto”. Ele esclareceu que deve ser aberto novo procedimento específico, como de fato ocorreu no episódio, e afirmou que seria impensável entender como nula toda prova obtida ao acaso.
A opção dos ministros tem sido por essa orientação, de que a prova é admitida para pessoas ou crimes diversos daquele originalmente perseguido, ainda que não conexos ou continentes, desde que a interceptação seja legal.
Anteriormente, em 2013, Noronha já havia destacado posição idêntica, de que o estado não pode quedar-se inerte ao tomar conhecimento de suposta prática de crime (APN 510). “O encontro fortuito de notícia de prática delituosa durante a realização de interceptações de conversas telefônicas devidamente autorizadas não exige a conexão entre o fato investigado e o novo fato para que se dê prosseguimento às investigações quanto ao novo fato”, disse em seu voto vencedor.
Crimes diversos
Em 2013, no HC 187.189, o ministro Og Fernandes afirmou que é legítima a utilização de informações obtidas em interceptação telefônica para apurar conduta diversa daquela que originou a quebra de sigilo, desde que por meio dela se tenha descoberto fortuitamente a prática de outros delitos. Caso contrário, “significaria a inversão lógica do próprio sistema”.
O caso julgado tratava de denúncia formulada pelo MPF a partir de desdobramento da operação Bola de Fogo, cujo objetivo era apurar a prática de contrabando e descaminho de cigarros na fronteira. No entanto, a denúncia foi por outros crimes – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Por isso, a defesa sustentava a ilegalidade das provas e queria o trancamento da ação penal.
Og Fernandes asseverou que não houve irregularidade na investigação. “Não se pode esperar ou mesmo exigir que a autoridade policial, no momento em que dá início a uma investigação, saiba exatamente o que irá encontrar, definindo, de antemão, quais são os crimes configurados”, disse.
O ministro entende que somente se dá início a uma investigação para descobrir algo que não se sabe ao certo se aconteceu nem como aconteceu. “Logo, é muito natural que a autoridade policial, diante de indícios concretos da prática de crimes, dê início a uma investigação e, depois de um tempo colhendo dados, descubra algo muito maior do que supunha ocorrer”, concluiu.
Dever funcional
No julgamento do HC 189.735, o ministro Jorge Mussi enfatizou que se a autoridade policial, em decorrência de interceptações telefônicas legalmente autorizadas, tem notícia do cometimento de novos ilícitos por parte daqueles cujas conversas foram monitoradas, é sua obrigação apurá-los, ainda que não possuam liame algum com os delitos cuja suspeita originariamente ensejou a quebra do sigilo telefônico.
Já no HC 197.044, o ministro Sebastião Reis Júnior advertiu que é preciso haver equilíbrio entre a proteção à intimidade e a quebra de sigilo. Para ele, não pode haver uma devassa indiscriminada de dados, mas, se a interceptação telefônica é lícita, como tal captará licitamente toda a conversa. “Havendo indícios de crime nesses diálogos, o estado não deve se quedar inerte; cumpre-lhe tomar as cabíveis providências”, declarou. 
Participação de terceiro
Ao julgar o RHC 28.794, em 2012, a Quinta Turma entendeu que a jurisprudência aceita a possibilidade de se investigar um fato delituoso de terceiro descoberto fortuitamente, desde que haja relação com o objeto da investigação original. O caso envolvia a interceptação de um corréu e resultou em denúncia por corrupção passiva contra esse terceiro, que não era o objetivo da investigação. 
A ministra Laurita Vaz, relatora, frisou que “a descoberta de fatos novos advindos do monitoramento judicialmente autorizado pode resultar na identificação de pessoas inicialmente não relacionadas no pedido da medida probatória, mas que possuem estreita ligação com o objeto da investigação”. Tal circunstância não invalida a utilização das provas colhidas contra esses terceiros, destacou a magistrada em seu voto. 
No HC 144.137, o ministro Marco Aurélio Bellizze também reconheceu que a interceptação telefônica vale não apenas para o crime ou para o indiciado que constam do pedido, mas também para outros crimes ou pessoas, até então não identificados, que vierem a se relacionar com as práticas ilícitas. A investigação tratava de corrupção no Ibama, e as escutas recaíram sobre um servidor do órgão. Porém, o Ministério Público ofereceu denúncia por corrupção ativa contra um empresário, supostamente beneficiado pelo esquema.
“Ora, a autoridade policial, ao formular o pedido de representação pela quebra do sigilo telefônico, não poderia antecipar ou adivinhar tudo o que está por vir”, disse o ministro. Segundo ele, tudo o que for obtido na escuta judicialmente autorizada será lícito, e novos fatos poderão envolver terceiros inicialmente não investigados.
Crime futuro
Quando se tratar de notícia da prática futura de crime, há precedente do STJ segundo o qual não se deve exigir a demonstração de conexão entre o fato investigado e aquele descoberto por acaso em escutas legais (HC 69.552). Para o relator, ministro Felix Fischer, além de a Lei 9.296/96 não exigir tal conexão, o estado não pode ficar inerte diante da ciência de que um crime vai ser praticado, tanto mais porque a violação da intimidade se deu com respaldo constitucional e legal.
No caso, as interceptações eram direcionadas a terceiro alheio ao processo, mas revelaram que uma quadrilha pretendia assaltar instituições bancárias. Felix Fischer esclareceu que nem sempre são perfeitas a correspondência, a conformidade e a concordância previstas na lei entre o fato investigado e o sujeito monitorado.
De acordo com o ministro, a partir de interceptações telefônicas regularmente autorizadas, pode-se tomar conhecimento da eventual prática de infrações penais diversas daquela que deu ensejo à decretação da medida. “Pode ser, também, que haja a descoberta da participação de outros envolvidos no crime. Enfim, inúmeras possibilidades se abrem”, completou.
Para Fischer, a exigência de conexão entre o fato investigado e o fato encontrado fortuitamente só se coloca para as infrações penais passadas. Quanto às futuras, “o cerne da controvérsia se dará quanto à licitude ou não do meio de prova utilizado, a partir do qual se tomou conhecimento de tal conduta criminosa”.
Desmembramento
A utilização da interceptação telefônica como ponto de partida para nova investigação foi reconhecida como válida no julgamento do HC 189.735. Naquele caso, a operação Turquia investigou irregularidades na importação de medicamentos, mas após meses de monitoramento, concluiu-se que os suspeitos haviam desistido da ação. No entanto, as interceptações revelaram relações “promíscuas” de servidores públicos com a iniciativa privada.
Foi feito, então, o desmembramento do inquérito para a apuração dessas outras condutas, o que ensejou a operação Duty Free, com autorização de escutas sobre novos agentes, supostamente membros de uma quadrilha formada para praticar diversos crimes que não guardariam relação com os fatos antes investigados na operação Turquia.
“Perfeitamente possível que, diante da notícia da prática de novos crimes em interceptações telefônicas autorizadas em determinado procedimento criminal, a autoridade policial inicie investigação para apurá-los, não havendo que se cogitar de ilicitude”, comentou o ministro Jorge Mussi em seu voto.
Sigilo bancário e fiscal
O encontro fortuito de provas de delitos que não são objeto da investigação pode ser dar também na quebra de sigilo bancário e fiscal. No HC 282.096, a Sexta Turma reconheceu a legalidade das provas que levaram a uma denúncia por peculato, crime que não havia dado ensejo às quebras. 
O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, mencionou que o fato de as medidas de quebra do sigilo bancário e fiscal não terem como objetivo inicial investigar o crime de peculato não conduz à ausência de elementos indiciários acerca desse crime.
Busca e apreensão
A Sexta Turma já analisou a serendipidade no cumprimento de mandado de busca e apreensão. No RHC 45.267, o mandado autorizava apreender documentos e mídias em determinado imóvel pertencente à investigada, suspeita de receber propina em razão de cargo público. Ocorre que, no cumprimento da medida, a polícia acabou apreendendo material que foi identificado como do marido da investigada.
A polícia, então, ao analisar o conteúdo, constatou diversos indícios de que ele também teria participação no suposto esquema, especialmente na lavagem do dinheiro recebido pela mulher. Assim, a condição inicial de terceiro estranho à investigação se modificou. Ele passou a ser investigado e buscou, por meio de habeas corpus, o reconhecimento da ilegalidade da prova colhida no escritório da residência do casal, onde foi feita a busca.
A decisão da Sexta Turma foi por maioria (três a dois). A desembargadora convocada Marilza Maynard, cujo voto prevaleceu, ponderou sobre a dificuldade de a polícia identificar a propriedade de cada objeto apreendido, uma vez que a residência era comum do casal, e ali ambos habitavam e trabalhavam. 
Ela também comentou que, em virtude de a perícia ter encontrado nos documentos apreendidos indícios de envolvimento do marido, era possível indiciá-lo com base nessas provas.
Flagrante 
Em outro julgamento, também na Sexta Turma (RHC 41.316), os ministros analisaram um caso em que, no cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram encontrados armas e cartuchos na residência do investigado, o que deu início a uma nova ação penal.
A relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, destacou em seu voto que, como o delito do artigo 16 da Lei 10.826/03 é permanente, o flagrante persiste enquanto as armas e munições estiverem em poder do agente. As provas encontradas fortuitamente foram consideradas legais.

DIREITO: STJ - Ipiranga deve pagar R$ 5 milhões pelo derramamento de óleo diesel em área de preservação

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que responsabilizou a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga pelo derramamento de óleo diesel em área de preservação ambiental, embora o acidente tenha sido provocado por transportadora contratada por ela.
Em 2005, a Ipiranga foi autuada e multada em R$ 5 milhões pela Secretaria de Meio Ambiente do município de Guapimirim (RJ) em razão do derramamento de cerca de 70 mil litros de óleo diesel no rio Caceribu e na baía de Guanabara. O acidente aconteceu durante transporte ferroviário entre os municípios de Itaboraí e Campos dos Goytacazes. 
Inconformada, a empresa embargou a execução fiscal sob o argumento de que o dano ambiental não poderia ser reparado na via administrativa, mas somente na esfera cível, por meio de ação própria. Defendeu que o município não tem competência para aplicar multa pelo acidente, já que o transporte de cargas perigosas é controlado pela União. Alegou, ainda, que a aplicação de multa deve ser precedida de advertência, o que não ocorreu no caso.
Responsável indireta
O juízo de primeiro grau declarou a nulidade do auto de infração, contudo, o Tribunal de Justiça do estado reformou a sentença por entender que a Ipiranga fora responsável, ainda que indiretamente, pelo dano ambiental. 
No recurso especial da Ipiranga, os ministros discutiram o alcance da responsabilidade administrativa ambiental e a possibilidade de a pena de advertência anteceder a aplicação de multa.
O relator, ministro Benedito Gonçalves, afirmou que a decisão do tribunal estadual foi correta porque, segundo ele, a responsabilidade administrativa ambiental da empresa, no caso, é objetiva.
Poluidor
O ministro mencionou que o inciso IV do artigo 3º da Lei 6.938/81 define como poluidor a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental. “O poluidor responde administrativamente de forma objetiva pela degradação ambiental”, disse.
De acordo com Benedito Gonçalves, a penalidade de advertência somente pode ser aplicada nas infrações de menor potencial ofensivo “justamente porque ostenta caráter preventivo e pedagógico”, e não em situações como a do caso julgado, em que houve transgressão grave. Por essa razão, ele considerou dispensável a advertência prévia e entendeu correta a aplicação da multa.
Em decisão unânime, a Turma negou provimento ao recurso especial da Ipiranga.

DIREITO: TRF1 - Estudantes com desempenho inferior a 75% não podem ser excluídos automaticamente do FIES

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A 5ª Turma do TRF da 1ª Região, de forma unânime, determinou que os estudantes do programa de financiamento estudantil, com recursos oriundos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), que obtiveram aproveitamento acadêmico inferior a 75% das disciplinas cursadas, sejam notificados antes de sua exclusão. De acordo com o relator, desembargador federal Souza Prudente, “a exclusão automática dos estudantes afigura-se abusiva e ilegal em total afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados constitucionalmente”.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a Caixa Econômica Federal (CEF), a União Federal, a Escola Superior de Ciências Contábeis e Administração de Ituiutaba (ECCAI), o Centro Universitário Triângulo (UNITRI) e o Instituto Superior de Ensino e Pesquisa (ISEPI) questionando a legitimidade da exclusão automática de estudantes do programa de financiamento estudantil, em virtude de aproveitamento acadêmico inferior à média estabelecida nos atos normativos de regência, qual seja, aprovação em no mínimo 75% das disciplinas cursadas durante o período letivo objeto do financiamento.
Na ação, o MPF requereu que a CEF disponibilize a todos os alunos excluídos automaticamente os termos aditivos de contratos de Abertura de Crédito para Financiamento Estudantil, para assinatura e processamento, com data retroativa a janeiro de 2001; que as instituições de ensino superior emitam em nome de todos os estudantes excluídos os carnês para pagamento da respectiva cota-parte; que as instituições de ensino instaurem o devido processo legal em qualquer ato normativo que importe em exclusão de aluno do FIES, entre outras.
Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente para determinar que as instituições de ensino superior disponibilizem o prazo de cinco dias para que os alunos que permaneceram cursando suas respectivas disciplinas a partir do ano de 2001 e que foram excluídos automaticamente do FIES apresentem justificativa acerca do mau desempenho verificado; determinar que a CEF promova a reinclusão dos referidos alunos no FIES pelo período que ainda restar do curso e determinar que as instituições de ensino promovam a divulgação entre seus estudantes sobre a possibilidade dos beneficiados pelo FIES antes de serem excluídos do programa.
Recurso – CEF e UNITRI recorreram ao TRF1. A instituição financeira sustentou que o procedimento de exclusão dos alunos é de competência exclusiva da instituição de ensino, sendo que a CEF não faz parte das comissões instituídas pelas entidades educacionais. Ponderou que compete a ela, tão somente, “gerir os financiamentos, não interferindo nos procedimentos administrativos do Ministério da Educação ou das instituições de ensino”.
A universidade, por sua vez, argumentou que “ouve cada um dos interessados no período destinado ao aditamento do contrato do FIES, sendo que os alunos têm possibilidade de apresentar diretamente à comissão justificativas que lhe permitam comprovar a ocorrência de força maior”. Disse, ainda, que a oitiva do aluno só tem cabimento no caso de ocorrência de força maior, sendo que os demais casos de exclusão decorrem da observância de critérios objetivos.
Decisão – Os argumentos dos recorrentes foram rejeitados pelo Colegiado. Em seu voto, o desembargador Souza Prudente ressaltou que “a educação é direito social destinado a todos e garantido constitucionalmente”, razão pela qual “a referida exclusão haveria de ser precedida de regular notificação do estudante, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa, assegurados constitucionalmente em qualquer procedimento de apuração de fatos, judicial ou administrativo, como decorrência do devido processo legal”.
O magistrado também destacou que, no caso em análise, “não se admite que uma decisão tão prejudicial dessa natureza seja tomada de maneira furtiva, às ocultas, de forma a impossibilitar sua defesa, sendo insuficiente o argumento apresentado pelos recorrentes no sentido de que tais exclusões são operadas, apenas, naqueles hipóteses em que o estudante não atinge a média mínima prevista nos atos normativos de regência, tendo em vista que tais atos estipulam, expressamente, a possibilidade de eventual justificativa, a qual somente poderá ser exercitada mediante sua prévia notificação”.
Com essas considerações, a Turma negou provimento aos recursos de apelação. As partes envolvidas – ECCAI, ISEPI e CEF – já foram notificados para o cumprimento imediato da decisão.
Data do julgamento: 22/4/2015
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