segunda-feira, 2 de março de 2015

POLÍTICA: Após críticas, Cunha recuará de passagem para cônjuge de deputado

FOLHA.COM
ANDRÉIA SADI, DE BRASÍLIA

Após a repercussão negativa, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve anunciar nesta terça-feira (3) o recuo do benefício aprovado pelo comando da Casa que permite passagens para cônjuges de parlamentares.
O peemedebista convocou uma reunião às 11h desta terça-feira com a Mesa Diretora, que aprovou a medida, para discutir os termos do recuo.
Segundo a Folha apurou, uma das medidas em estudo é que o benefício não será mais regra, mas, sim, exceção. Assim, os parlamentares terão de requerer a passagem à Mesa, que decidirá caso a caso.
O comando da Câmara aprovou na última quarta-feira (25) um pacote de reajuste para benefícios dos deputados que terá um impacto anual de R$ 150,3 milhões nos cofres da Casa.
Os cônjuges dos deputados foram autorizados a usar passagens em viagens do Estado de origem a Brasília.
O recuo ocorre após a repercussão negativa da medida. Na semana passada, as bancadas do PSDB e do PPS na Câmara anunciaram que irão abrir mão do novo benefício. O impacto anual nos cofres da Casa será de R$ 150,3 milhões.
ABAIXO ASSINADO
Um abaixo-assinado organizado na internet contra a possibilidade de deputados federais usarem recursos do "cotão" para pagar passagens aéreas aos maridos e mulheres já possui cerca de 135 mil assinaturas.
O abaixo-assinado foi organizado pelo site Avaaz de petições online. O texto da petição chama de "abuso" o benefício e diz que os salários dos deputados já são suficientes para pagar as passagens aéreas dos cônjuges.
"Se agirmos rápido e fizermos barulho contra esta medida, podemos envergonhar os deputados e fazê-los reverter a decisão, garantindo que nosso dinheiro vá para hospitais ou escolas. Alguns deputados já se pronunciaram contra o aumento -isso significa que podemos vencer!", diz o texto do abaixo-assinado.
Nesta segunda (2), a bancada do PT na Câmara decidiu aderir ao movimento contra a chamada "bolsa esposa" -ou "transpatroa" como apelidaram alguns congressistas. Os petistas reforçam a articulação que conta com a participação de PSDB, PPS e PSOL contra a regalia. Com os 65 deputados do PT, agora, o grupo tem 135 congressistas que se comprometeram a não utilizar o benefício.
A bancada do PcdoB, com 13 deputados, informou que também abriu mão na semana passada do uso das passagens para cônjuges. Segundo os parlamentares, a autorização ''confronta a essência'' do uso da verba, que deve ser, exclusivamente, para gastos relacionados à atividade parlamentar.

CASO PETROBRÁS: Ministério Público adverte que acordos de leniência podem prejudicar interesse público

Blog do NOBLAT
Veja

Procuradoria diz que não se opõe à prática, mas reforça que principal preocupação deve ser com consequências econômicas e sociais da corrupção
O Ministério Público Federal (MPF) reconheceu a competência da Controladoria-Geral da União (CGU) para realizar acordos de leniência (que permitem o infrator colaborar nas investigações), mas advertiu que esse tipo de acordo pode ser prejudicial ao interesse público, dependendo da forma como ele for celebrado.
Em nota divulgada ontem, o MPF defende que acordos de leniência, assim como acordos de colaboração (delação premiada), só podem ser celebrados quando houver três requisitos básicos: reconhecimento de culpa; ressarcimento, ainda que parcial do dano; e indicação de fatos e provas novos.
A procuradoria ressalta que “a análise de conveniência dos acordos passa pela análise da relevância dos fatos e provas informados diante dos atos praticados pela empresa e em relação aos quais ela pede leniência, bem como diante do que já está comprovado na investigação, englobando fatos públicos e sob sigilo”.
O texto segue dizendo que o MPF não se opõe a um acordo de leniência que cumpra os requisitos legais. “Contudo, diante das circunstâncias do caso, parece inviável que a CGU analise se os requisitos estão sendo atendidos”.
saiba mais
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot (Foto: O Globo)

COMENTÁRIO: PT tenta compartilhar com o PSDB a roubalheira na Petrobras

Por Ricardo Noblat - OGLOBO.COM.BR
Blog do NOBLAT

O discurso de Dilma de que não restará pedra sobre pedra, doa em quem doer, não passa de um discurso para enganar outra vez o distinto público
Em meio a tudo que vazou ou foi divulgado até agora sobre a Operação Lava-Jato, que investiga a roubalheira na Petrobras, só há uma menção ao período de governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
É quando Pedro Barusco, ex-gerente-executivo de Serviços da Petrobras, diz em depoimento prestado em novembro último que começou a receber propinas de uma empresa holandesa em 1997 ou 1998, últimos anos de Fernando Henrique presidente.
Barusco não fala em esquema montado dentro das empresas para financiar partidos e enriquecer políticos. Fala em corrupção individual. No caso, a dele. Mas foi o que bastou para animar o PT a pedir que a nova CPI da Petrobras mude o foco de sua atuação.
Ao invés de investigar o roubo de 2006 para cá, amparada na quase unanimidade das provas e indícios de crime colhidas pela Polícia Federal, que retroceda a 1997.
Manobra diversionista. Só para tentar compartilhar com o PSDB o saque à Petrobras.
O pedido do PT não deverá ser atendido. O que nem de longe significa que a CPI criará sérios problemas para o governo. Não.
Assim como não deu liberdade às duas CPI anteriores, Dilma também não dará a essa. E o governo tem maioria de votos na CPI.
O discurso de Dilma de que não restará pedra sobre pedra, doa em quem doer, não passa de um discurso para enganar outra vez o distinto público.
Tudo ela fará, mesmo que atropele a verdade, para que a lama da Petrobras não alcance o presidente que a elegeu duas vezes – e nem a ela, é claro.

CASO PETROBRÁS: PSDB 'madruga' para ter preferência em pedidos na CPI da Petrobras

FOLHA.COM
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

A oposição madrugou nesta segunda-feira (2) na Câmara dos Deputados para garantir preferência na análise de pedidos de convocação e quebras de sigilos na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.
O prazo para a entrega dos requerimentos começou às 8h, mas o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), e o deputado Antonio Imbassahy (BA), um dos representantes do partido na comissão, chegaram por volta das 6h.
Os requerimentos são analisados no plenário da CPI pela ordem de entrega. Os pedidos perdem a prioridade apenas se for fechado um acordo para a inversão de pauta. Para assegurar o primeiro lugar na fila, uma assessora foi escalada para chegar à porta da sala da CPI antes das 5h.
O primeiro lote de documentos dos tucanos tem 57 pedidos. O primeiro é a criação de subrelatorias: a de sistematização, com o objetivo de organizar todo o acervo probatório da comissão; a operacional, para conduzir a investigação propriamente dita; e o núcleo político, para investigar a atuação de agentes políticos na organização criminosa que se instalou na Petrobras.
Se conseguir uma subrelatoria, a oposição consegue ditar o ritmo de parte da investigação, que é comandada pelo petista Luiz Sérgio (RJ), relator da CPI.
O PSDB solicita compartilhamento de informações da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na empresa, com o STF (Supremo Tribunal Federal), o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal.
BARUSCO
Outra reivindicação dos oposicionistas é a convocação do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco. Luiz Sérgio já indicou que defende a investigação do recebimento de propina pelo ex-gerente que também atuou no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.
O relator indica que poderá extrapolar para os anos do tucano na Presidência da República o período previsto no requerimento de criação da CPI, que limitou a apuração entre 2005 a 2015. O PMDB, porém, manobra para limitar os trabalhos apenas para a era petista.
Em sua delação premiada, Barusco afirmou à Polícia Federal que começou a receber propina entre 1997 e 1998, da empresa holandesa SBM Offshore.
O ex-gerente também relatou na mesma série de depoimentos que o esquema da Petrobras rendera ao PT entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013. Há ainda pedido de convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por ser um dos investigados na Lava Jato. O plano de trabalho da CPI será apresentado na próxima quinta-feira (5) pelo relator.
Além dos tucanos, o PPS também entregou os requerimentos logo no início do dia. Foram 24 pedidos, também de quebra de sigilos e convocações.

COMENTÁRIO: Lula, de esperança a forte ameaça à democracia

Por Ricardo Noblat - OGLOBO.COM.BR
Blog do NOBLAT

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue.
No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse:
- Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.
Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto.
Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu:
- Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.
Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro.
“Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.
Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos.
“Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.
Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode.
Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço.
Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.
Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la.
Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma.
Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.
Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites, que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras.
Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.
Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam.
E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.
Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook:
- Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada.
É o exemplo que vem de cima!
Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar.
Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz.
Foi também a esperança que venceu o medo.
Está se tornando uma forte ameaça à democracia.
Lula no ato da ABI (Imagem: Marcos de Paula / Estadão)

ECONOMIA: Bolsa recua 0,3%, e dólar opera estável, a R$ 2,858

UOL

A Bolsa registrava queda nesta segunda-feira (2), após fechar o pregão de sexta em queda de 0,34%. Às 10h23, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 0,3%, a 51.427,03 pontos. No mesmo momento, o dólar comercial operava estável, com leve alta de 0,07%, a R$ 2,858 na venda. Nesta manhã, o Banco Central realizou seu leilão diário de atuações no câmbio, oferecendo 2.000 contratos de swap cambial, equivalentes à venda de dólares no mercado futuro. (Com Reuters)

SEGURANÇA: Em cadeia na Bahia, presos têm cerveja e até churrasco

FOLHA.COM
JULIANA COISSI
PATRÍCIA BRITTO
DE SÃO PAULO

Um churrasco entre amigos, com direito a foto com pilhas de cerveja e carne na churrasqueira.
A cena seria comum, não fosse o endereço: a festa foi na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, uma das cinco piores de todo o Brasil.
Em outra imagem, um preso posa com uma esteira e uma bicicleta ergométrica, privilégios dos "frentes" - ou chefes dos pavilhões. Algumas celas têm liquidificador e ventiladores.
As fotos, encontradas por agentes penitenciários em celulares apreendidos em 2014, expõem como os chefes gozam de regalias impensáveis em outras unidades do país e mesmo entre os 1.315 homens que cumprem pena na Lemos Brito, unidade superlotada onde caberiam 771.
Ilegal, a prostituição na unidade ocorre após negociação entre os próprios presos, segundo Reivon Sousa Pimentel, presidente do Sinspeb (sindicato dos agentes penitenciários da Bahia).
Como apenas mulheres dos detentos podem fazer visitas íntimas mediante um cadastro, presos sem cargos na hierarquia do crime vendem o nome aos chefes.
Assim, com o nome de quem "cedeu" o privilégio, as prostitutas passam pela portaria sem dificuldade e, dentro da prisão, "trocam" de marido para fazer o programa com o cliente real.

Segundo o sindicato, também há livre entrada de pilhas de refrigerante, de frango, de feijão e de carne. A mercadoria é vendida pelos próprios presos nos "barracos", as lojas improvisadas.
"Até caminhão-baú fechado entra no complexo e ninguém revista", diz Pimentel, para quem há conivência da direção da unidade como moeda de troca para evitar rebeliões. O governo da Bahia não comentou essa acusação.
ARREMESSO DE BOLA
As encomendas que não entram com tanta facilidade com a visita de parentes são arremessadas para o interior da penitenciária.
Comparsas dos presos se aproximam dos muros e atiram itens como aparelhos celulares, drogas e cigarros embrulhados.
"É o arremesso de bola", ironiza o promotor de execução criminal de Salvador, Edmundo Reis.
O Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para apurar as condições gerais da unidade. O procedimento deve resultar em uma ação civil pública que poderá, em última instância, pedir até a interdição da cadeia.
Para o promotor Reis, a fragilidade física do prédio, parte dele dos anos 1950, soma-se à superlotação e à falta de controle do governo estadual na gestão do presídio.
O governo da Bahia afirma que a Lemos Brito tem passado por reformas e que o complexo da qual faz parte ganhará mais duas unidades, com obras em fase final.
OUTRO LADO
O governo diz considerar que a Bahia "encontra-se em situação bem melhor do que os demais Estados" e que planeja migrar os detidos em delegacias para os presídios em ampliação.
Sobre regalias dos presos, o governo diz: "Há nessas denúncias [do sindicato] um pouco de exagero", sem detalhar o que achou equivocado.
Em termos gerais, a nota diz que, no passado, já houve casos de divulgação de "fotos falsificadas ou antigas" -o texto não aponta quais seriam essas situações irreais.
No texto, o governo reconhece que há arremesso de objetos para dentro da penitenciária Lemos Brito e afirma que está instalando grades altas, com tela de aço, e que estuda erguer outros muros no complexo. 
Editoria de Arte/Folhapress 

GREVE: Caminhoneiros voltam a bloquear estradas na região Sul

OGLOBO.COM.BR
POR FLAVIO ILHA

Interdições haviam ido desfeitas pela PRF. Madrugada teve pneus e carro queimados
PORTO ALEGRE – Caminhoneiros voltaram a bloquear trechos de rodovias federais no Rio Grande do Sul na madrugada desta segunda-feira, depois que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) havia desobstruído os mais de 30 pontos que permanecerem com protestos durante o final de semana. Nesta semana, segundo a PRF, há cinco trechos com ações de manifestantes nas BRs 116 e 386.
Na BR 116, que liga a zona Sul do Estado e o porto de Rio Grande a Porto Alegre, os bloqueios ocorrem na cidade de Camaquã, nos quilômetros 407, 405 e 397 da rodovia. As interrupções iniciaram por volta das 22h30 do domingo e se intensificaram na madrugada.
Houve queima de pneus e alguns veículos, de acordo com o patrulhamento, foram apedrejados ao tentar passar pelos bloqueios. Segundo a PRF, um veículo de passeio foi incendiado no quilômetro 397 por volta da meia-noite. No quilômetro 405, o bloqueio foi garantido pelo tronco de uma árvore. Uma viatura da Polícia também foi apedrejada.
Na BR 386, que faz a ligação entre as principais regiões produtoras de grãos do Estado com o porto, há interrupções temporárias de trânsito nas cidades de Soledade (km 243) e Fontoura Xavier (km 268). Segundo a PRF, a situação é calma nesses locais.
Também há movimento intenso de caminhoneiros nos quilômetros 265 da BR 158, em Júlio de Castilhos, e no quilômetro 297 da BR 392, em São Sepé, onde o motorista Cléber Adriano Ouriques foi morto atropelado por outro caminhoneiro na sexta-feira. A Justiça decretou a prisão temporária do atropelador, que está foragido.
Na RS 470, em Garibaldi, houve bloqueio de pelo menos uma hora, pouco depois da 0h30min. Conforme o Grupo Rodoviário da Brigada Militar de Bento Gonçalves, os manifestantes atearam fogo em pneus na altura do quilômetro 22, no trevo da Telasul. Não houve prisões.
Em Pelotas, Rio Grande e Capão do leão, na zona Sul do Estado, já começa a faltar gasolina nos postos de abastecimento. Em Pelotas, no final de semana, houve formação de filas de mais de um quilômetro em locais onde havia combustível. Caminhões-tanque tiveram de ser escoltados pela PRF para chegar em segurança a seus destinos.
Em Santa Catarina, há nove pontos de bloqueio de rodovias federais – a maioria no Oeste do Estado. A PRF armou comboios no domingo para que veículos de carga pudessem trafegar em segurança durante as manifestações. Mesmo assim houve apedrejamentos e quatro motoristas foram presos.
No Paraná também há bloqueios nas rodovias federais do Oeste, especialmente nas cidades de Medianeira e Ponta Porã, mas sem registro de conflitos. A Força Nacional de Segurança Pública vai permanecer na região Sul por mais 15 dias para apoiar ações de desobstrução da PRF. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira.
Também nesta segunda a presidente Dilma Rousseff sanciona a Lei dos Caminhoneiros, que assegura isenção de pedágios para veículos com eixo suspenso e anistia para multas por excesso de carga nos últimos dois anos.
Também será encaminhado ao Congresso projeto que prevê a suspensão, por um ano, do pagamento de dívidas referentes a linhas de crédito do BNDES para a aquisição de veículos de carga. Em nota divulgada no domingo, o Palácio do Planalto justificou a sanção da lei pelo desbloqueio de quase todas as estradas do país depois de negociação com o governo.

ECONOMIA: Maioria petista no Congresso é contra o ajuste fiscal proposto por Dilma

OGLOBO.COMBR
POR JÚNIA GAMA

De 59 deputados e senadores do partido ouvidos pelo GLOBO, 40 rejeitam proposta da presidente
BRASÍLIA — Levantamento feito pelo GLOBO mostra que os parlamentares do PT são, em grande maioria, contra o ajuste fiscal da forma como foi proposto pela presidente Dilma Rousseff. Dos 59 deputados e senadores do PT que foram ouvidos (do total de 79 da bancada petista no Congresso), 40 disseram que não concordam com as propostas enviadas ao Congresso pelo governo, enquanto apenas 18 concordam e um não quis se posicionar.
Os parlamentares do PMDB, que foram procurados pelos ministros da área econômica na semana passada, admitiram dar apoio ao ajuste fiscal, mas cobraram envolvimento do PT para não carregarem sozinhos o ônus da medida impopular. Pelo levantamento do GLOBO, 29 dos 59 parlamentares petistas ouvidos disseram que acompanharão a orientação do governo na votação do ajuste, mas 20 afirmaram que não aceitarão, e dez responderam que só serão a favor do ajuste se forem feitas alterações nos textos das medidas provisórias. (CONFIRA O LEVANTAMENTO)
No Senado, a rejeição às MPs é quase unânime. Dos 12 senadores ouvidos, 11 são contra as medidas e um não quis responder. Na Câmara, dos 47 indagados, 29 querem mudanças e apenas 18 são a favor do texto como foi enviado. Preocupados com o efeito do ajuste fiscal sobre suas bases eleitorais, os parlamentares do PT têm demonstrado incômodo com as MPs 664 e 665, que endurecem as regras para concessão de benefícios como auxílio-doença, pensão por morte, abono salarial e seguro-desemprego. Eles acreditam que o ajuste recai, basicamente, sobre os ombros dos trabalhadores.
Desde a última quarta-feira, O GLOBO procurou os 14 senadores e 65 deputados do PT no exercício do mandato. Desse total, 12 senadores apontaram suas posições, e os outros dois não retornaram o contato com suas assessorias. Entre os deputados, 47 responderam aos questionamentos. Outros dez foram comunicados via assessoria, mas não deram retorno, e oito não foram encontrados.
No Senado, mesmo após a reunião com o ex-presidente Lula, que tenta reorganizar o apoio da base aliada ao governo, a resistência é generalizada. Apesar de muitos petistas defenderem a necessidade do ajuste fiscal diante do cenário econômico adverso, nenhum senador disse concordar com as medidas da forma como foram enviadas. Onze senadores do PT disseram que pretendem alterar itens das MPs com a apresentação de emendas, e um preferiu não se posicionar.
Ainda assim, quatro senadores pretendem seguir a orientação do governo, seja qual for. Outros três dizem que seguirão o governo desde que haja alterações no texto, e um senador petista não respondeu. Outros cinco afirmam que não acompanharão a decisão do Planalto incondicionalmente, mas sim a de suas bancadas.
Na Câmara, dos 47 deputados petistas ouvidos, 29 querem que as MPs sofram ajustes, contra 18 que dizem aceitá-las como são. O grau de fidelidade a Dilma também é maior na Câmara que no Senado: 25 deputados disseram que pretendem seguir a orientação do governo, contra 15 que dizem que não o farão, e outros sete que afirmam pretender seguir o Planalto, desde que haja acordo para alterações nas medidas.
MAIORIA VÊ PROBLEMAS NA ARTICULAÇÃO POLÍTICA
A principal queixa dos parlamentares dos demais partidos da base aliada — a falta de diálogo e articulação política do governo — também ficou constatada entre a maioria dos senadores e deputados do PT. O ponto crucial no caso das MPs 664 e 665, que já receberam, juntas, 750 emendas, foi o fato de terem sido enviadas pelo governo nos últimos dias de 2014, sem discussões prévias com os aliados e desconsiderando que o Congresso, a partir deste ano, passou por significativa renovação.
Por esse motivo, 11 senadores disseram ver problemas na articulação política do governo Dilma e só um diz que não vê. Entre os deputados, 29 responderam que há problemas na articulação política, enquanto 17 disseram que não, e um não respondeu.
O panorama no principal partido governista não é animador para as pretensões do Palácio de aprovar essas medidas. Os prazos de tramitação no Congresso já estão estourados, e o governo corre o risco de ver suas duas MPs caducarem diante do impasse, já que a validade delas termina em 2 de abril e, até o momento, a comissão mista para emitir um parecer sequer foi instalada.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que as medidas terão de ser alteradas para que sejam aprovadas, mas destacou que provavelmente serão objeto apenas de ajustes, sem que percam sua essência.
— Há uma crítica sobre a maneira como essas medidas foram feitas, porque não foram objeto de discussão com a base, nem de esclarecimentos junto à população. Algumas coisas têm que mudar; se o governo não negociar, o Congresso vai fazê-lo. Mas acreditamos que o governo vai discutir, sim, porque sabe que é muito difícil passar desta forma — disse Costa.
O deputado Vicentinho (SP), ex-líder do PT, que também reivindica alterações na proposta do governo, não descarta que as medidas percam a validade e que, a partir daí, tenha início um processo mais amplo de discussão. Ele critica o fato de não ter havido negociação com a base.
— Aposto em uma solução com mudanças, porque, da forma como foram enviadas, não houve discussão no Parlamento, que é onde a decisão final será tomada. Sinto que o governo está muito disposto a conversar, até porque a situação aqui não está boa; a correlação de forças é negativa e há profundas dificuldades a serem enfrentadas. Tem que haver um limite entre a economia que o governo pretende fazer, o combate às fraudes e assegurar os direitos dos trabalhadores — afirma Vicentinho.
Com resistência de parte significativa dos parlamentares do PT às medidas de ajuste fiscal, as bancadas do partido têm se reunido para chegar a um acordo a respeito das mudanças que pretende fazer nas duas MPs sobre o tema.
Mudanças que contam com a aprovação de parte significativa dos petistas são a diminuição de 18 para 12 meses do tempo de serviço para recebimento de seguro-desemprego e aumento da pensão por morte de 50% para 75% sobre o valor da aposentadoria. Há ainda iniciativas no sentido de incluir o fim do fator previdenciário nas medidas e adotar outras que onerem os mais ricos.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que apresentou cinco emendas às MPs do ajuste fiscal, afirma que as medidas terão de ser alteradas para serem aprovadas no Congresso. O senador criticou a ausência de contrapartida às medidas de ajuste que possam amenizar o clima de recessão e animar trabalhadores e investidores.
— Estamos sentindo falta de alguém falar sobre crescimento econômico, há uma preocupação muito grande de o Brasil estar caminhando para uma recessão. O Levy parece secretário de Tesouro, só fala em cortes. É uma mistura explosiva. Ninguém vai faltar ao governo, mas temos que alterar essas medidas, colocar a conta também para os mais ricos pagarem. O governo vai ter que sinalizar algo nesse sentido. Desse jeito, está dando um tiro nas nossas bases e dificulta nosso discurso, porque é injusto — afirma ele.

CASO PETROBRÁS: Grupos envolvidos na Lava Jato pedem R$ 31 bi ao BNDES

ESTADAO.COM.BR
VINICIUS NEDER - O ESTADO DE S. PAULO

Banco vem apertando exigências para concessão de financiamentos às empresas, que incluem até uma ‘declaração anticorrupção’
Os projetos de infraestrutura e óleo e gás de empresas ligadas de alguma forma à Operação Lava Jato - principalmente como sócias de concessionárias - que estão sob análise de técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) envolvem financiamentos de até R$ 31,1 bilhões. Levantamento feito pelo Estado mapeou nove projetos, incluindo o empréstimo de R$ 8,8 bilhões para a Sete Brasil, fornecedora criada para afretar sondas para a Petrobrás, cuja situação financeira é considerada crítica.
Com a evolução das investigações, o BNDES começou a passar um pente-fino nos projetos e ampliou as exigências, após uma consulta à Controladoria Geral da União (CGU). Novembro marcou um ponto de virada no caso, com a prisão de executivos de alto escalão de diversas construtoras.
O rigor máximo é dedicado ao caso da Sete Brasil, cujo crédito foi aprovado em janeiro do ano passado, mas teve a contratação congelada. Segundo um profissional que assessora concessionárias de infraestrutura, o BNDES não mudou exigências de garantia - já consideradas rígidas pelo mercado -, mas passou a exigir das empresas cartas com “declaração anticorrupção”.
Nessas declarações de idoneidade, a empresa atesta ao banco que desconhece envolvimento de seus negócios com ilícitos. Do ponto de vista do financiador, esse atestado seria suficiente para comprovar que não possuía informações sobre eventuais casos de corrupção quando aprovou o crédito.
O Estado apurou que o BNDES passou a demandar ainda certidões e auditorias nos contratos de concessão, mas não foi definida uma cláusula padrão para os contratos dos empréstimos. Segundo o profissional, as pendências para a aprovação da maioria dos projetos estariam resolvidas com os documentos adicionais exigidos. O fato de não haver uma cláusula padrão para os contratos, por outro lado, significa que o banco analisará caso a caso, em função do envolvimento das empresas com as investigações e o tamanho de sua participação nos projetos.
Empresa Sete Brasil enfrenta dificuldades para honrar pagamentos 
Risco. O caso da Sete Brasil é extremo. A empresa, criada em 2011 para mandar construir e afretar para a Petrobrás 28 sondas para exploração do pré-sal, já vinha enfrentando problemas pelo caixa da Petrobrás. O quadro piorou desde que o ex-diretor da companhia e ex-gerente executivo da Petrobrás, Pedro Barusco, aceitou uma delação premiada. A liberação do crédito é questão de sobrevivência.
Outro caso emblemático é o da concessão da BR-153, entre Goiás e Tocantins, vencida em leilão pelo Grupo Galvão em maio passado. O pedido de financiamento, de R$ 2,66 bilhões, está no BNDES, mas ainda não saiu o empréstimo-ponte, crédito de curto prazo que, como é praxe nesse tipo de operação, é liberado na frente, enquanto o empréstimo total é analisado.
A Galvão Engenharia, construtora do grupo, tem um diretor entre os presos na Lava Jato. Em carta enviada no início de fevereiro para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária Galvão BR-153, controlada do grupo, alerta que, caso o empréstimo-ponte não seja liberado até a próxima semana, será obrigada a interromper as obras e demitir operários. A carta alega que toda a documentação exigida foi entregue e que a concessionária não tem envolvimento com a Lava Jato - mas, ainda assim, o empréstimo não sai. 
O Grupo Galvão informou que “aguarda liberação de linhas de crédito previstas em edital para dar sequência aos serviços”. O BNDES não comentou o caso da Galvão nem dos demais projetos.
Apesar dos casos extremos, há no mercado a percepção de que algumas empreiteiras estão em situação mais difícil que outras. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou em dezembro que o banco seguiria a lei e que a situação das companhias envolvidas não era “simples, homogênea”.
Além da Sete Brasil e da concessionária Galvão BR-153, o levantamento feito pelo Estado mapeou sete projetos em análise, de rodovias, aeroportos e metrôs. O valor total de R$ 31,1 bilhões pode ser menor caso o banco de fomento resolva financiar parcela menor dos investimentos. No valor estão incluídos R$ 3,4 bilhões em empréstimos-ponte já aprovados - os documentos são exigidos no processo de análise, que leva de 12 a 18 meses. Como eles têm fianças de garantia, são considerados de baixo risco para o BNDES.

CASO PETROBRÁS: Janot sofre assédio de parlamentares e se queixa de imprensa

FOLHA.COM
SEVERINO MOTTA, DE BRASÍLIA

Às vésperas de apresentar ao STF (Supremo Tribunal Federal) os pedidos de abertura de investigação contra políticos envolvidos na Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem sido assediado por deputados e senadores que tentam confirmar se seus nomes estão na lista de indiciados.
Janot e os 11 procuradores do grupo de trabalho passaram o final de semana revisando os pedidos de abertura de investigação que deverão ser enviados na terça ao STF. A expectativa é de que o número de políticos envolvidos fique em torno de 40.
Nos últimos dias, têm chegado ao gabinete de Janot requisições para discutir projetos de interesse do Ministério Público que tramitam no Congresso ou pedidos de autorização para visitas de cortesia.
Segundo a Folha apurou, mesmo sem revelar os nomes, procuradores que acompanham o caso disseram que boa parte dos políticos que pedem encontros estão na lista de futuros indiciados, mas Janot, alegando compromissos, não os tem recebido.
Para os procuradores, as reuniões, na verdade, são somente um pretexto para tentar confirmar se seus nomes estão ou não na relação.
Os compromissos de Janot, entretanto, não ficaram fora do universo político. Ele esteve reunido com o vice-presidente da República, Michel Temer, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Os encontros não integravam a agenda do procurador.
Oficialmente, com o primeiro ele tratou de verbas para viabilizar um aumento aos servidores do Ministério Público. Com o segundo, de sua segurança, uma vez que a Polícia Federal teria percebido aumento do nível de risco.
A segurança pessoal tem preocupado Janot nos últimos dias. Ele diz que, em janeiro, sua casa foi invadida por bandidos que nada levaram além de um controle remoto do portão. Neste mês, a inteligência da PF detectou riscos de grupos promoveram atos para constrangê-lo.
Entre as ameaças citadas estavam possíveis manifestações contra Janot em aeroportos, com a gravação de vídeos e divulgação na internet, e pichações em sua residência.
Cleiton Borges/Folhapress 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot
PIADAS
Apesar das ameaças, quem acompanha Janot diz que ele não tem demonstrado nervosismo. Na última quarta (25), no STF, aparentou tranquilidade, fez brincadeiras e mostrou piadas no WhatsApp.
Com pessoas próximas, porém, ele tem reclamado de alguns textos da imprensa, principalmente dos que insinuam que ele estaria protegendo alguma autoridade.
Nessas conversas reservadas, Janot tem dito que, após a apresentação dos pedidos de investigação, o melhor seria que o ministro do STF Teori Zavascki não só derrubasse o sigilo dos processos mas também revelasse o conteúdo das delações premiadas.
Pessoas próximas ao procurador disseram à Folha que todas as citações a políticos foram enfrentadas. Nos casos em que se tenha vislumbrado indício de crime, será pedida abertura de inquérito referente à situação.
No caso de citações laterais ou que não indiquem delitos, os procuradores farão tal ponderação. A avaliação é de que, se as delações fossem abertas por Zavascki, as especulações sobre quem deveria ser investigado teriam fim.
Os integrantes do grupo de trabalho acreditam que Zavascki deve derrubar o sigilo dos inquéritos, mantendo em segredo só pedidos de diligência que, se descobertos, podem frustrar resultados, como grampos telefônicos. A abertura das delações, no entanto, não deve ser feitas num primeiro momento. 

ECONOMIA: Contribuintes enfrentam dificuldades para baixar o programa do Imposto de Renda 2015

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO

Pelas redes sociais, internautas relatam falhas. Receita diz que situação já foi regularizada
RIO E BRASÍLIA - Parte dos contribuintes que tentaram fazer o download do programa para preenchimento da declaração do Imposto de Renda enfrentaram dificuldades no início da manhã desta segunda-feira. O software foi liberado pouco antes de 8h, mas, pelo menos até as 9h20m, havia lentidão para baixar o arquivo. Não está claro, no entanto, quantas pessoas são afetadas. Procurada às 9h, a Receita Federal informou não ter identificado problemas, mas depois reconheceu o problema e afirmou que a situação já havia sido regularizada.
Segundo a Receita, o problema foi causado por um congestionamento na página do órgão na internet (www.receita.fazenda.gov.br) no início da manhã. Segundo o supervisor nacional do programa do IR, Joaquim Adir, um número muito grande de pessoas físicas tentou fazer o download ao mesmo tempo e isso deixou o sistema instável. Ele, no entanto, disse que a Receita aumentou o número de servidores para atender à demanda e que a situação foi regularizada
Embora o programa do IR só tenha sido liberado hoje, mesmo dia em que começa a entrega da declaração, Adir afirmou que o Fisco espera receber um grande número de documentos ainda nesta segunda-feira. Ele explicou que os primeiros 15 dias do acerto de contas com o Leão costumam registrar um grande número de entregas.
Pelas redes sociais, internautas relatavam falhas na hora de baixar o programa.

ECONOMIA: Prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda começa hoje

ESTADAO.COM.BR
BIANCA PINTO LIMA

Quem recebeu mais de R$ 26,8 mil em rendimentos tributáveis no ano passado deve prestar contas à Receita Federal; download do programa de preenchimento foi liberado às 8h
Omissão de rendimentos lidera as causas de retenção na malha fina (Foto: Free Images)
A temporada do Imposto de Renda da Pessoa Física 2015 (ano-calendário 2014) terá início hoje e se estenderá até o dia 30 de abril. A expectativa do Fisco é de que 27,5 milhões de pessoas apresentem a declaração. Quem recebeu mais de R$ 26,8 mil em rendimentos tributáveis ao longo de 2014, por exemplo, está obrigado a prestar contas à Receita Federal (veja ao final do texto os principais itens que tornam compulsório o envio do documento).
O download do programa está desde as 8 horas desta segunda-feira no site da Receita Federal. Quem quiser usar os dispositivos móveis terá de baixar a versão 2015 do aplicativo m-IRPF – que estará disponível nos sistemas iOS (Apple) e Android (Google).
Este ano, o app foi atualizado com novos campos, como informações do cônjuge ou companheiro – mas ainda tem diversas limitações. Quem teve rendimentos tributáveis do exterior ou ganho de capital na alienação de bens ou direitos, por exemplo, não poderá usar o m-IRPF. Em 2014, apenas 144 mil contribuintes entregaram o documento por meio de tablets e smartphones.
Outro aplicativo, lançado no fim do ano passado pelo Fisco, é o rascunho IRPF 2015. Quem fez uso da novidade conseguiu preencher antecipadamente a declaração e agora pode apenas transferir os dados para o documento definitivo. Ao reduzir o tempo de envio, o contribuinte aumenta as chances de receber a restituição logo nos primeiros lotes. O primeiro pagamento costuma ser em junho, com preferência para idosos e pessoas com doenças graves.
Malha fina. A omissão de rendimentos lidera as causas de retenção na malha fina pelo Fisco e, portanto, deve ser o principal foco de atenção dos contribuintes.
“O trabalhador precisa informar todas as fontes pagadoras que teve ao longo do ano. Mesmo que tenha sido um serviço prestado sem relação com a sua atividade principal”, alerta Mário Pinho, vice-presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional). Segundo ele, as empresas têm a obrigação de enviar o informe de rendimentos, mesmo que seja para um profissional liberal ou autônomo.
O aposentado que volta a trabalhar também deve calcular todas as fontes de renda para ter certeza de que não se encaixa em algum dos itens de obrigatoriedade. “O valor da aposentadoria pode ficar abaixo da isenção. Mas, se for somado com o novo salário, provavelmente ele estará sujeito a entregar a declaração. E ainda com imposto a pagar”, explica Antonio Teixeira, consultor tributário da IOB Sage.
Entre os rendimentos, também merece destaque a previdência privada. “Se não declarar o resgate ou o rendimento do VGBL ou PGBL, é certeza que vai para a malha fina. Mesmo se resgatar no curto prazo e sem ganhos, precisa informar na declaração”, diz Teixeira.
A pensão alimentícia, outra assunto que costuma gerar dúvidas, só pode ser integralmente deduzida se tiver sido decidida judicialmente. Além disso, quem paga a pensão não pode declarar o alimentando como dependente, alerta Pinho.
Já para quem tem dependentes, é importante destacar que esse ano tornou-se obrigatório informar o número do CPF de pessoas a partir de 16 anos – e não mais 18 anos, como era até 2014. A medida vai impedir, por exemplo, que o mesmo dependente conste em mais de uma declaração de IRPF.
Declaração online. A principal novidade desta temporada do IR foi a criação da declaração online. Com ela, é possível salvar online os dados de preenchimento e depois acessá-los de qualquer plataforma para concluir o envio ao Fisco.
Essa modalidade, no entanto, só pode ser usada pelos contribuintes que têm certificação digital – uma espécie de assinatura eletrônica com validade jurídica. As versões mais simples custam em torno de R$ 150 e são válidas pelo período de um ano. Além disso, esse preenchimento online conta com as mesmas restrições que o aplicativo. Logo, não são todos os contribuintes que estão autorizados a usá-lo.
A declaração pré-preenchida, que já foi oferecida em 2014, continua disponível também apenas para quem tem o certificado digital. Este ano, além de o Fisco disponibilizar os dados apresentados pelo empregador, o órgão também informará previamente dados sobre aluguel e gasto médico.
SAIBA COMO FAZER A DECLARAÇÃO DO IR 2015
Está obrigado a declarar quem, em 2014,…
- Teve rendimentos tributáveis superiores a R$ 26.816,55
- Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, que ultrapassaram R$ 40 mil
- Teve a posse ou a propriedade de bens ou direitos em valor superior a R$ 300 mil, no dia 31 de dezembro de 2014
- Vendeu imóvel residencial no ano passado e optou pela isenção de IR sobre ganho de capital
- Passou à condição de residentes no Brasil em qualquer mês de 2014, e assim se encontrava no dia 31 de dezembro
- Teve ganho de capital na alienação de bens ou direitos
- Realizou operações em bolsas de valores
- Teve receita bruta superior a R$ 134.082,75 com atividade rural ou deseja compensar prejuízos
Principais deduções:
- Quem escolher a declaração simplificada terá um abatimento de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado a R$ 15.880,89
- Já quem optar pela opção completa terá direito a deduções por dependente (até R$ 2.156,52), com educação (até R$ 3.375,83) e com a previdência da empregada doméstica (até R$ 1.152,88). Já os abatimentos com despesas médicas, pensão alimentícia judicial e contribuição à previdência oficial não têm limites
Multa por atraso:
- A entrega do documento pode ser feita até as 23h59 do dia 30 de abril. Quem enviar com atraso estará sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74 e máxima de 20% do imposto devido.

ECONOMIA: Mercado projeta retração de 0,58% do PIB em 2015, a maior queda em 25 anos

ESTADAO.COM.BR
ECONOMIA & NEGÓCIOS

Se confirmada a estimativa, retração do PIB será a maior desde 1990, quando a economia se contraiu 4,35%; para a inflação, projeção foi elevada para 7,47%
Com a deterioração das estimativas para a produção industrial, o mercado aprofundou a perspectiva de retração da economia brasileira em 2015. Piorou também a estimativa para a inflação, que deve fechar o ano em 7,47%, segundo analistas.
A estimativa mediana do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 passou de -0,50% para -0,58% no Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa ainda estava positiva, em 0,03%. Se confirmada a retração, a queda será a maior desde 1990, quando o PIB fechou o ano em -4,35%. A estimativa divulgada nesta segunda-feira foi a nona revisão seguida para baixo desse indicador. Para 2016, a expectativa segue um pouco mais otimista com previsão de alta de 1,50% (foi a quarta manutenção seguida).
O relatório Focus reúne a opinião de cerca de 100 casas do mercado financeiro sobre as principais variáveis econômicas, como PIB, inflação e câmbio.
A produção industrial continua como referência para a confecção das previsões para o PIB em 2015 e 2016. A mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de queda de 0,72% para este ano, bem maior do que a previsão de baixa de 0,35% vista na semana passada e de alta de 0,50% de quatro semanas atrás. Para 2016, as apostas de expansão para a indústria são de elevação e foram ampliadas de 2,00% para 2,40% de uma semana para outra. 
Inflação. Na semana de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o rumo da taxa básica de juros Selic, o Relatório Focus revela que a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 passou de uma alta de 7,33% para 7,47%, a nona semana consecutiva em que há alta neste ano. Para 2016, a mediana das projeções para o IPCA foi reduzida de 5,60%, patamar registrado por cinco semanas seguidas, para 5,50%. 
O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano, mas conta com um período de declínio mais para frente, levando o indicador a ficar no centro da meta de 4,5% no encerramento de 2016. Apesar desse prognóstico mais positivo para o médio prazo, as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem elevadas. Passaram, no entanto, de 6,55% para 6,54% de uma semana para outra, ante 6,61% de um mês antes.
É no curto prazo que os preços mostram mais descontrole. Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo IBGE, os analistas preveem que o IPCA suba 1,07% em fevereiro - na semana anterior estava em 1,04% e quatro antes, em 1,01%. Para março, é aguardada uma pequena desaceleração da taxa, que deve ser de 0,95%. Na semana anterior, porém, a mediana das previsões estava mais baixa, em 0,79% e um mês antes, em 0,59%.
As projeções para os preços administrados em 2015 avançaram de 10,40% na semana passada para 11% agora. Um mês antes, a mediana estava em 9,00%. Já para 2016, a expectativa é a de que a pressão para a inflação desse conjunto de itens seja menor. A mediana das estimativas continuou em 5,50% pela terceira vez consecutiva. 
Sobre os preços administrados de 2015, o BC explicou que a sua projeção em nível elevado considera hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS; de 3,0% no preço do gás de bujão; de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa; e de 27,6% nos preços da energia elétrica, devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Dólar. As previsões para o comportamento do câmbio neste e no próximo ano mostraram mudanças sensíveis no Relatório de Mercado Focus. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o dólar no encerramento de 2015 passou de R$ 2,90 para R$ 2,91. 
Já para 2016, a cotação final ficou paralisada em R$ 3 de uma semana para outra 0 estava em R$ 2,90 quatro levantamentos antes. Apesar disso, a taxa média para o ano que vem avançou de R$ 2,88 para R$ 2,90. Quatro semanas antes, a mediana estava em R$ 2,82. (Colaborou Célia Froufe, da Agência Estado)

DIREITO: STF volta a analisar pensão vitalícia para ex-governadores

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar, na sessão da próxima quarta-feira (4), o julgamento da medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4552, que discute a validade de dispositivo da Constituição do Pará que garante aos ex-governadores daquele estado o recebimento de subsídios vitalícios correspondentes à remuneração do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça local.
A medida cautelar na ADI, ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), começou a ser julgada em fevereiro de 2011, quando a relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, votou pela suspensão do artigo 305 e seu parágrafo 1º, da Constituição paraense, que prevê o benefício. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Dias Toffoli.
Tramitam no STF pelo menos outras nove ações direitas de inconstitucionalidade sobre o mesmo tema, em que a OAB questiona dispositivos semelhantes nos Estados do Acre (ADI 4553), Mato Grosso (ADI 4601), Paraíba (ADI 4562), Paraná (ADI 4545), Piauí (ADI 4556), Rio de Janeiro (ADI 4609), Rio Grande do Sul (ADI 4555), Rondônia (ADI 4575) e Sergipe (ADI 4544).

DIREITO: STJ - Plano de saúde pagará danos morais por falha de informação sobre descredenciamento de clínica

A Unimed deve pagar R$ 7 mil de indenização por danos morais a uma paciente por haver descredenciado a clínica de oncologia onde fazia quimioterapia sem notificá-la previamente. Ela foi avisada somente no dia em que a sessão seria realizada. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao negar recurso da Unimed, manteve a condenação imposta pela Justiça do Paraná.
A empresa alegou que, de acordo com a Lei 9.656/88 (Lei dos Planos de Saúde), as operadoras de plano são obrigadas a comunicar aos beneficiários apenas o descredenciamento de entidades hospitalares, e não de clínicas médicas. Afirmou que o conceito de entidade hospitalar não pode ter interpretação extensiva.
O relator do recurso, ministro Villas Bôas Cueva, ressaltou que os planos e seguros privados de assistência à saúde são regidos pela Lei 9.656 e pelo Código de Defesa do Consumidor, pois prestam serviços remunerados à população, enquadrando-se no conceito de fornecedor.
Segundo ele, apesar de o artigo 17 da Lei dos Planos de Saúde citar "entidade hospitalar", esse termo, à luz dos princípios consumeristas, deve ser entendido como gênero que engloba também clínicas médicas, laboratórios, médicos e demais serviços conveniados.
O ministro refutou a alegação do recurso especial e explicou que a jurisprudência do STJ, na verdade, não admite interpretação extensiva do conceito de entidade hospitalar para efeitos de isenção tributária, pois, no direito tributário, são vedadas interpretações extensivas e analógicas que ampliem o benefício fiscal.
Situação traumática
Seguindo o entendimento do relator, a Turma considerou que a Unimed agiu de forma abusiva ao não comunicar o descredenciamento da clínica à consumidora, que acabou sendo prejudicada pela interrupção abrupta do tratamento de quimioterapia.
“Como a operadora avisou a demandante somente no dia da sessão de quimioterapia, não houve tempo hábil para que continuasse o tratamento em outra clínica credenciada”, observou o relator.
Para os ministros, o descumprimento do dever de informação, somado à situação traumática e aflitiva suportada pela autora da ação, evidencia o dano moral, que deverá ser compensado.
Leia a íntegra do voto do relator.

DIREITO: STJ - ECT deve indenizar vítima de assalto em banco postal

A prestação do serviço de banco postal não torna a agência dos Correios uma instituição financeira obrigada a cumprir a Lei de Segurança Bancária (Lei 7.102/83). Mesmo assim, a empresa é responsável em caso de assalto a cliente, por ser prestadora de serviço que se submete ao regime de responsabilidade objetiva, previsto no Código de Defesa do Consumidor.
Esse é o entendimento da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou recurso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) contra sua condenação a pagar indenização por dano moral de 20 salários mínimos a um cliente. Ele foi assaltado, com arma de fogo, dentro de agência dos Correios enquanto utilizava os serviços do banco postal, correspondente do banco Bradesco, condenado solidariamente.
Correspondente bancário é a empresa contratada por instituições financeiras para prestação de serviços de atendimento aos clientes e usuários dessas instituições. Os mais conhecidos são as lotéricas e o banco postal. Ao julgar um caso sobre permissão de serviço público, a Quarta Turma já havia decidido que as lotéricas não se submetem à Lei 7.102.
O Bradesco, réu solidário e parte interessada no recurso, pagou a indenização. O relator, ministro Luis Felipe Salomão, destacou que mesmo assim há interesse da ECT no recurso, porque o banco pode ajuizar ação regressiva contra ela para receber metade do valor pago.
Embora o recurso da ECT tenha sido negado, a decisão da Turma reforma entendimento do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que havia equiparado a agência dos Correios com banco postal a instituição financeira obrigada a cumprir a Lei de Segurança Bancária.
Risco previsível
No recurso, a ECT argumentou que, além de não ser instituição financeira, o roubo a cliente dentro de sua agência seria caso fortuito externo e por isso não deveria ser indenizado por ela.
O ministro Salomão afirmou que o banco postal presta serviço que traz risco à segurança, pois movimenta dinheiro, e agrega valor à agência que opta por oferecê-lo. Por isso, deve arcar com o ônus de fornecer a segurança legitimamente esperada para esse tipo de negócio.
Para o relator, não se trata de caso fortuito que exclui a responsabilidade objetiva. Trata-se de fortuito interno, causado por falha na proteção dos riscos esperados da atividade empresarial desenvolvida.

DIREITO: TRF1 - Negada nomeação de portador de necessidades especiais para cargo público

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Não possui amparo legal pedido de nomeação de candidato à reserva percentual de vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais enquanto tais vagas não forem disponibilizadas no prazo de validade do certame. Com essa tese, a Corte Especial do TRF da 1ª Região confirmou decisão do presidente do tribunal que, ao analisar mandado de segurança impetrado com pedido de liminar, impugnou os critérios de nomeação aos cargos do quadro de pessoal do TRF1.
A parte impetrante argumentou que foi aprovada, no 5º concurso do TRF1, para o cargo de Analista Judiciário, Área Administrativa, Seção Judiciária do Amapá, na primeira classificação destinada aos portadores de necessidades especiais, e no 15º lugar na listagem geral. Relatou que já foram nomeados dez candidatos, em detrimento da ordem prevista no edital para os portadores de necessidades especiais. Requereu, com essas alegações, a concessão imediata de liminar para determinar ao presidente do TRF1 proceda à sua nomeação e posse no cargo pretendido.
Os argumentos apresentados pelo impetrante foram rejeitados pela unanimidade dos integrantes da Corte Especial. Em seu voto, a relatora, desembargadora federal Ângela Catão, destacou que o edital do referido concurso público realizado pelo TRF da 1ª Região estabeleceu reserva de 5% das vagas que forem criadas no prazo de validade do concurso, destinando a 10ª, a 30ª e a 50ª vagas, sucessivamente, aos portadores de necessidades especiais, em conformidade com a Resolução 155/1996 do Conselho da Justiça Federal.
Sendo assim, de acordo com a magistrada, o impetrante não tem razão em suas alegações, “uma vez que a nomeação pleiteada somente será possível quando surgir a décima vaga para o cargo de Analista Judiciário – Área Administrativa, na Seção Judiciária do Amapá, que, conforme se extrai dos autos, ainda não ocorreu”.
Com tais fundamentos, a Corte Especial denegou a segurança pretendida.
Processo n.º 0037994-43.2013.4.01.0000
Data do julgamento: 29/01/2015
Data de publicação: 24/02/2015

DIREITO: TRF1 - Gerente de empresa de embalagens é condenado à prisão por não recolher INSS de empregados

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou recurso do sócio e gerente de uma empresa de embalagens localizada na região de Juiz de Fora/MG, acusado de apropriação indébita previdenciária por deixar de recolher o INSS descontado da remuneração dos empregados, entre 2001 e 2003. O gerente foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto, mas teve a pena revertida ao pagamento de multa.
No processo, o réu buscava a declaração da prescrição do caso e a anistia prevista no artigo 11 da Lei 9.639/98 – que trata da amortização e do parcelamento de dívidas com o INSS –, mas a 4ª Turma acabou confirmando a condenação imposta pela 3ª Vara Federal de Juiz de Fora. 
O relator do caso no Tribunal, juiz federal convocado Alderico Rocha Santos, afastou a possibilidade de prescrição com base no entendimento já consolidado pelo TRF1 e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que “o crime de apropriação indébita previdenciária, por ser delito material, pressupõe para sua consumação a realização do lançamento tributário definitivo, momento a partir do qual começa a contagem do prazo prescricional”. Como o crédito foi lançado em abril de 2004 e a ação ajuizada em março 2008, o processo foi considerado válido por estar dentro do prazo legal.
Com relação à anistia prevista na Lei 9.639/98, que isenta os agentes políticos do crime de apropriação indébita previdenciária quando estes são responsabilizados sem que tenham atribuição legal para tanto, o relator destacou que a norma não se aplica à iniciativa privada. O parágrafo único do artigo 11, que estendia o benefício a infratores fora da esfera pública, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Materialidade
O juiz convocado Alderico Rocha Santos também esclareceu, no voto, que a tipificação do crime contra o INSS, previsto no artigo 168–A do Código Penal, é entendido como crime omissivo próprio (ou omissivo puro). Isso significa que, nesse tipo de situação, sequer é exigido algum “resultado naturalístico” ou comprovação do dolo específico. “O simples fato de ‘deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional’ já constitui o crime, como uma mera conduta do agente, desde que ele proceda com a vontade livre e consciente nesse agir (dolo genérico)”, ressaltou o relator.
Nesse sentido, a apropriação indébita não se caracteriza pela “apropriação” em si, mas pela omissão do agente em recolher a contribuição descontada dos empregados. Para comprovar a autoria do delito, basta que se examine o contrato social da empresa, no que tange aos poderes de gestão do agente, associados à sua atuação à frente da entidade, “salvo se demonstrado o seu afastamento, temporário ou definitivo, com a alteração do contrato social”.
“A materialidade do delito de apropriação indébita previdenciária restou demonstrada pela documentação constante do procedimento administrativo fiscal para fins penais”, concluiu o relator. O voto que manteve a condenação imposta ao gerente da empresa de embalagens foi acompanhado, integralmente, pelos outros dois magistrados que integram a 4ª Turma do Tribunal.
Processo nº 0000772-60.2008.4.01.3801
Data do julgamento: 27/01/2015
Data da publicação: 13/02/2015
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