terça-feira, 2 de dezembro de 2014

POLÍTICA: Adiada votação no Congresso sobre manobra fiscal após socos e gritaria

FOLHA.COM
MÁRCIO FALCÃO
SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

Foi adiada a sessão do Congresso Nacional para votar na noite desta terça-feira (2) a manobra fiscal a que o governo recorreu para tentar fechar as contas deste ano virou um ringue depois de troca de socos, empurra-empurra e muita gritaria.
A sessão já começou tumultuada, em meio a xingamentos de manifestantes e gritos de "PT roubou" e "vá para Cuba".
Diante do cenário, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou esvaziar as galerias do plenário, mas congressistas da oposição fizeram um cordão de isolamento para tentar impedir a retirada dos manifestantes pela Polícia Legislativa.
Diante do impasse, a sessão foi suspensa. A confusão começou logo após discurso da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ela disse ter sido xingada de "vagabunda" pelos manifestantes.
Os ânimos se exaltaram, e deputados e senadores trocaram insultos e agressões. O deputado Amauri Teixeira (PT - BA) chegou a chamar seu colega Domingos Sávio (PSDB - MG) de "seu merda".
Com a aproximação dos seguranças, manifestantes partiram para cima, e houve grande embate. Entre os manifestantes, estava uma senhora de 79 anos, que levou uma gravata de um segurança.
A proposta, que autoriza o governo a abandonar a meta de poupança para pagamento dos juros da dívida, o chamado superavit primário, nem chegou a ser analisada em Plenário. Os congressistas estavam discutindo dois vetos presidenciais que estavam na pauta.
O projeto espera para ser votado no plenário do Congresso há três semanas. Já foi aprovado pela Comissão Mista de Orçamento.

COMENTÁRIO: Entre vaias e segredos

Por José Casado - O Globo

Alguns segredos da Petrobras sob Gabrielli começaram a ser desvendados. As vaias no avião sugerem a torcida para que seja tudo revelado.
Ele se surpreendeu ao voltar de uma viagem a Portugal, dias atrás. Primeiro, com ocasionais zombarias dentro do avião, audíveis o suficiente para incomodá-lo durante toda a travessia do Atlântico. Na chegada, sob um coro de vaias a bordo, o baiano José Sérgio Gabrielli de Azevedo, 65 anos, achou melhor desembarcar e procurar outro voo rumo a Salvador.
Um dos personagens mais influentes da era Lula, Gabrielli trocou o circuito acadêmico dos economistas em 2003 pela cadeira de diretor financeiro da Petrobras. Embarcado na presidência em 2005, ali ficou por sete anos. Tornou-se o mais longevo entre os 34 que comandaram a estatal nas últimas seis décadas.
Saiu há dois anos e nove meses, com a fantasia da candidatura ao governo da Bahia pelo PT. O sonho se perdeu na poeira da confusão crescente nas últimas 132 semanas sobre a sua gestão na Petrobras: num breve passeio pela sede da empresa, na Avenida Chile, no Centro do Rio, percebe-se como a maior estatal brasileira virou um conglomerado de advocacia e contabilidade, que também produz petróleo e derivados.
Metade da diretoria comandada por Gabrielli, até fevereiro de 2012, é alvo de investigações por corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil, nos EUA, na Holanda e na Suíça. Dos seis ex-diretores, dois estão presos. Balanços estão em revisão, e auditores ainda relutam em subscrever a contabilidade de novos ativos, entre eles os da refinaria Abreu e Lima (US$ 20 bilhões), do Comperj (US$ 15 bilhões), de plataformas e sondas (US$ 17 bilhões). Os gastos nessas três áreas equivalem à soma do Produto Interno Bruto do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia.
Gabrielli, claro, não pode ser culpado pelo roubo alheio. Mas sua administração, caracterizada pela aversão à crítica pública e pela intolerância à fiscalização externa, produziu coisas como um gerente que confessa ter amealhado US$ 90 milhões em propinas.
Ele legitimou o regime de partilha dos negócios da estatal entre o condomínio partidário de apoio ao governo Lula. Exacerbou na emulação de projetos reconhecidamente deficientes, todos com orçamentos sigilosos.
O Tribunal de Contas, por exemplo, atravessou anos cobrando a apresentação dos estudos de viabilidade das refinarias Abreu e Lima (PE), Premium 1 (MA) e Premium 2 (CE) e do Comperj (RJ). Gabrielli jamais entregou. Fazia do segredo uma rotina administrativa.
Em 2009 o TCU insistiu no envio, por meio eletrônico, das estimativas de custos da Petrobras para construção de duas plataformas. Gabrielli respondeu ao tribunal com uma irônica montanha de papel — planilhas Excel impressas. Sem a memória de cálculo, exclusiva do formato eletrônico, a auditoria era inviável. “A conduta é culpável”, concluiu a corte.
Na época, o Congresso acenou com uma CPI. Gabrielli respondeu com a apresentação de um blog, em torno do qual perfilou uma tropa de 1,1 mil empregados e contratados, para “defesa” da Petrobras. Um dos diretores presos, Paulo Roberto Costa, contou à Justiça sobre “providências” para subornar opositores e impedir a CPI, extinta cinco meses depois. Se a história for comprovada, tem-se um risco de prisão para toda a cadeia de comando.
Alguns segredos da Petrobras sob Gabrielli começaram a ser desvendados. As vaias no avião sugerem a torcida para que seja tudo revelado.
José Sérgio Gabrielli (Imagem: Estadão)

COMENTÁRIO: Deixa que digam

Por Dora Kramer - ESTADAO.COM.BR

Se você acredita que Dilma Rousseff e Luiz Inácio da Silva estão dando grande importância aos reclamos de petistas indignados com a virada na economia ou às críticas de "estelionato" feitas pela oposição devido aos atos contrários às palavras ditas na campanha, é porque não está com a memória em dia.
Não lembra que há 12 anos o PT percebeu que para chegar ao poder, e nele conseguir se manter, seria indispensável abrir mão da coerência e aderir sem restrições ao mais absoluto pragmatismo? Sob todos os aspectos. Para o bem e para o mal. A parte boa disse respeito à economia. Como agora. Não faz muito tempo o ex-presidente Lula andou dizendo que assinou contrariado a Carta aos Brasileiros.
Pois sim. Foi a fiança que o permitiu se eleger, governar e ser celebrado pelo bom senso de ter esquecido tudo o que o PT tinha escrito e dito anteriormente. O País não lhe cobrou satisfações. Ao contrário, respirou de alívio. E, na ocasião, deixou barato o fato de aquele bom legado ser chamado de "herança maldita".
Houve aqui e ali inquietações. Inesquecível o dia em que, logo no início do governo, o marqueteiro recentemente vitorioso, Duda Mendonça, diante da indagação sobre a aparente contradição de ter feito uma campanha baseada na promessa de mudança da política econômica saiu-se com esta: "E você (esta aqui que vos fala) quer mudança maior do que essa?". Ou seja, mudando de posição estava cumprida a promessa.
Mas quase ninguém estava ligando para esse tipo de detalhe. Quando veio a adesão do governo à reforma da Previdência (setor público) que tanto combatera enquanto oposição, tampouco me esqueço. Cobrado, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, em entrevista ao Estado, respondeu secamente que o governo não devia explicações.
Um dos únicos a reconhecer que seria necessário o partido ao menos fazer uma autocrítica, a fim de rever posições, reconhecer os erros do passado e tocar a vida em frente com transparência foi Aloizio Mercadante. Falou no assunto só uma vez e calou-se para sempre. Já um grupo de deputados e militantes continuou inconformado e logo deixou o partido. Daí surgiu o PSOL, embora nem todos tenham aderido ao projeto.
Como também a crítica não era só essa. Incluía a exacerbação do pragmatismo nas alianças feitas com figuras notórias da pior qualidade, em nome de uma política que segundo Lula, ainda na Presidência, dizia ser a única possível de ser exercida no País. Resumiu à época numa frase: "No Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas".
E assim foi o partido perdendo-se em seus desvãos, dando o dito pelo não dito, desqualificando a crítica, a oposição e até mesmo a opinião dos seus. Até que uma voluntariosa tentativa de volta às origens na área econômica juntou-se à vocação autoritária e o governo da presidente Dilma Rousseff quase pôs ao chão o projeto de poder.
Fez-se o diabo e mais um pouco para segurar aquela cadeira no Palácio do Planalto. Uma campanha tão obviamente sustentada em mentiras que nem mesmo a candidata conseguia desenvolver os raciocínios. Não faziam sentido, pois uma vez que as premissas eram falsas não havia lógica que conseguisse carregar ideia alguma até o fim do caminho.
Nada do que se vê agora é estranho. A não ser a estranheza. Vai se repetindo a toada: deixa que digam, que pensem, que falem, deixa isso para lá, vamos lá, o que é que tem. A esquerda reclama e cobra que o governo insista nos erros; a oposição denuncia uma incoerência que ao governo serve muito bem quando necessita dos quadros oposicionistas.
Enquanto isso, Lula e Dilma ganham tempo para acalmar o centro e reconquistar-lhe a confiança com as armas de 2003. Há, porém, um detalhe: as circunstâncias são outras.

COMENTÁRIO: Dilma manda às favas todos os escrúpulos

Por Ricardo Noblat - Blog do NOBLAT
OGLOBO.COM

Sem cerimônia. E sem vergonha
Quer saber o que é diálogo no entendimento da presidente Dilma Rousseff?
Em resumo, é o seguinte: eu mando e você obedece. Se obedecer será gratificado. Do contrário, prepare-se para sofrer represália.
Fui claro?
Ninguém foi mais claro do que a própria Dilma.
Na semana passada, os partidos aliados do governo fizeram corpo mole e faltou quórum para que o Congresso votasse o decreto assinado por Dilma que muda a meta fiscal de 2014.
Com esse objetivo, está marcada para esta noite uma nova sessão do Congresso.
O que fez Dilma para “convencer” senadores e deputados a aprovarem o decreto?
Editou outro decreto que condiciona uma nova liberação de R$ 444,7 milhões para pagamento das emendas individuas dos parlamentares ao Orçamento da União à aprovação do decreto que muda a meta fiscal deste ano.
É dando que se recebe, segundo São Francisco de Assis.
Os R$ 444,7 milhões garantem uma fatia de R$ 748 mil para cada um dos 513 deputados e 81 senadores – dinheiro a ser empregado em obras nos redutos eleitorais deles.
Se a meta fiscal não for mudada, adeus o dinheiro das emendas. É o que está dito no novo decreto assinado por Dilma.
Para que os parlamentares não sejam amanhã acusados de trocar o voto por dinheiro, Dilma se reuniu ontem à noite com 23 líderes de partidos (isso mesmo, 23 líderes de partidos) e pediu o empenho deles pela aprovação da nova meta fiscal.
Era a desculpa que queriam os líderes para justificar o voto dos seus liderados. Como recusar um pedido da presidente? E logo agora quando a caneta dela está cheia de tinta para assinar promoções e distribuir cargos?
Verdadeiramente espantosa a sem cerimônia com que Dilma 2, a pragmática, está se impondo à Dilma 1 - a ex-faxineira ética.
Sem cerimônia e sem vergonha.
Dilma Rousseff (Imagem: Divulgação)

MUNDO: Netanyahu demite ministros da Justiça e Finanças

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

'Não vou mais tolerar uma oposição dentro do governo', diz primeiro-ministro, que deve dissolver o Parlamento e convocar eleições
Benjamin Netanyahu ao lado da ex-ministra da Justiça, Tzipi Livni. Livni e o ministro das Finanças, Yair Lapid, foram demitidos por críticas ao governo israelense - GALI TIBBON / AFP
JERUSALÉM — O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta terça-feira a demissão de seus ministros das Finanças e da Justiça, numa medida que aparenta um colapso do governo e se aproxima cada vez mais de uma antecipação das eleições.
“O primeiro-ministro pretende apelar para a dissolução do Parlamento o mais rapidamente possível e obter um mandato claro para liderar Israel”, afirmou uma declaração de seu Gabinete.
O Parlamento israelense, começará nesta quarta-feira a examinar um projeto de lei de dissolução que pode ser aprovado até a próxima segunda-feira, afirmou uma rádio local.
Com a dissolução, o governo seria obrigado a encerrar seu mandato com três anos de antecedência, e formar uma coalizaão mais conservadora, o que dificultaria ainda mais as negociações de paz com lideranças palestinas.
Netanyahu, que lidera o partido de direita Likud, também disse que ordenou a demissão do ministro das Finanças, Yair Lapid, e da ministra da Justiça, Tzipi Livni, líderes de partidos centristas.
“Na últimas semanas, incluindo o último dia, os ministros Lapid e Livni atacaram duramente o governo que eu lidero. Eu não vou mais tolerar uma oposição dentro do governo”, disse Netanyahu em comunicado.
Demitido, Lapid acusou Netanyahu de colocar seus interesses políticos na frente dos de Israel.
"A demissão de ministros é um ato de covardia e perda de controle. Estamos tristes de ver que o primeiro-ministro decidiu agir sem considerar os interesses nacionais, arrastando Israel para eleições desnecessárias", afirmou, em comunicado, o Yesh Atid, partido de Lapid.
O premier já havia advertido na segunda-feira que iria convocar eleições antecipadas, a menos que os ministros dissidentes parassem de atacar as políticas do governo.
Sua coalizão, dominada pela direita, está dividida por uma série de questões, incluindo o orçamento para 2015, o alto custo de vida, as políticas em relação aos palestinos e um projeto para proclamar uma “Estado-nação judeu”, que, segundo os críticos, é discriminatório com a minoria árabe de Israel.

ECONOMIA: Futura equipe econômica quer limitar despesas com pessoal

OGLOBO.COM
POR MARTHA BECK

Joaquim Levy também planeja recompor impostos e reduzir dívida bruta
Conversa de gabinete. Barbosa, do Planejamento, e Levy, da Fazenda, pretendem mudar a política fiscal do país - Jorge William / Jorge William/27-11-2014
BRASÍLIA - Para reequilibrar as contas públicas e resgatar a credibilidade da política fiscal, a futura equipe econômica deverá passar um pente fino nas principais despesas da União e já estuda medidas para recompor as receitas. Com essa estratégia, o ministro indicado da Fazenda, Joaquim Levy, espera fazer um superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) capaz de reduzir a dívida bruta que, para ele, é algo que eleva o prêmio de risco no Brasil e afugenta investimentos importantes para retomada do crescimento brasileiro. Em debate recente em São Paulo, Levy — que ainda não era cogitado para o comando da Fazenda — defendeu a redução da dívida bruta para um patamar abaixo de 50% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) nos próximos anos como forma de dar um rumo claro à política fiscal e reduzir o prêmio de risco do país.
As propostas em discussão nos gabinetes da transição são reduzir gastos com pessoal e custeio ao longo do tempo e estabilizar os desembolsos com programas de transferência de renda. Já o reforço para os cofres públicos pode vir da retomada da cobrança da Cide, tributo que incide sobre os combustíveis; da recomposição de alíquotas que foram reduzidas nos últimos anos, além da elevação do PIS/Cofins para produtos importados e de mudanças na tributação de cosméticos, entre outras medidas.
NA MESA DE BARBOSA, OS ‘12 TRABALHOS FISCAIS’
Para o futuro ministro da Fazenda, é importante abordar a questão fiscal pelo lado da dívida bruta e não da dívida líquida, pois isso tem potencial de melhorar o rating do Brasil junto às agências de classificação de risco. Levy acredita que essa abordagem teria condições de levar o Brasil para a nota A (entre as mais altas para as economias que possuem o grau de investimento), facilitando uma transição mais rápida e duradoura para a redução das taxas de juros e para o crescimento.
Os primeiros sinais dessa nova estratégia foram dados na semana passada por Levy e pelo futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, logo após serem confirmados para a equipe econômica. Levy anunciou, por exemplo, que o governo vai passar a mirar numa meta de superávit primário suficiente para primeiro estabilizar e depois reduzir o endividamento bruto da União. Para isso, um dos passos que precisam ser dados é a redução dos aportes do Tesouro no BNDES. A meta fiscal será de 1,2% do PIB em 2015 e de 2% em 2016 e 2017.
Nos últimos quatro anos, foram injetados mais de R$ 300 bilhões no banco de fomento com o objetivo de incentivar o investimento no país e turbinar a economia. No entanto, essa política pesou sobre o Tesouro, que precisou emitir títulos para reforçar a instituição, o que ajudou a elevar a dívida bruta, um dos indicadores de solvência mais observados pelo mercado financeiro e agências internacionais. O resultado disso é que a dívida bruta brasileira é uma das mais altas entre as economias emergentes e bateu em 61,7% do PIB.
Os futuros ministros também discutem uma agenda para aumentar a eficiência da área tributária. Sobre a mesa está, por exemplo, a retomada da reforma do PIS/Cofins, preparada pelo próprio Nelson Barbosa quando ocupava a secretaria-executiva da Fazenda. Além disso, a ideia da futura equipe é aprovar o quanto antes a reforma do ICMS no Congresso Nacional.
Assim como Levy, Barbosa também já expôs publicamente sua visão sobre a necessidade de alterações na política fiscal. Para ele, existem “12 trabalhos fiscais” que precisam ser feitos. Eles vão desde a redução das despesas até a aprovação da reforma do PIS/Cofins e do ICMS, passando pelo aumento dos investimentos públicos em transporte urbano e inclusão digital.
Mas o desafio de atingir um resultado primário mais forte a partir de 2015 não será tão fácil, considerando o quadro fiscal de 2014. Entre janeiro e outubro, o setor público consolidado registrou um déficit primário de nada menos que R$ 11,6 bilhões. O resultado é tão ruim que a atual equipe econômica tenta aprovar no Congresso uma alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 para realizar um primário menor. O compromisso dos técnicos é terminar o ano com um superávit primário de R$ 10,1 bilhões. Isso, no entanto, só deve ocorrer se não houver frustrações de receitas e se não surgirem novas despesas inesperadas.

NEGÓCIOS: Petrobras cai 15% em sete pregões seguidos e perde R$ 28 bilhões em valor de mercado

OGLOBO.COM.BR
POR RENNAN SETTI*

Incerteza sobre política econômica faz Bovespa fechar em queda de 1,27%
Plataforma da Petrobras - Agência O Globo
RIO — As ações da Petrobras encerraram no vermelho nesta terça-feira, acumulando 15% de queda em sete pregões consecutivos e perdas de R$ 28 bilhões em valor de mercado. Com a companhia envolvida em um escândalo de corrupção sem precedentes em sua história e vítima de um cenário negro para o preço do petróleo, seu papel preferencial (PN) atingiu hoje sua menor cotação desde maio de 2005, valendo R$ 12,13. A queda da petrolífera, dos bancos e da Vale fizeram com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também fechasse no negativo, na contramão dos mercados internacionais que subiram com rumores sobre novos estímulos econômicos na China e bons dados da economia americana. Pressionado pelas incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal daqui para frente, o índice de referência Ibovespa fechou em queda de 1,27%, aos 51.612 pontos.
Na Europa, as principais Bolsas apresentaram alta — com exceção do pregão em Frankfurt, que recuou 0,30% —, acompanhando a alta das ações na China, que foi a maior em 15 meses. O otimismo se deveu a especulações de que o Banco do Povo, o banco central daquele país, planejaria ampliar os estímulos à economia por meio da redução dos depósitos compulsórios pelos bancos. Assim, mais dinheiro circularia na economia. O índice FTSE 100, principal indicador da Bolsa de Londres, subiu 1,29%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 avançou 0,25%.
Nos EUA, o bom desempenho de ações de biotecnologia e resultados positivos sobre investimentos em construção civil contribuem para a alta. O índice Dow Jones avança 0,52%; o S&P 500, 0,57%; o Nasdaq tem alta de 0,54%.
INSTABILIDADE NA PETROBRAS
Em meio a um escândalo político e à crise do petróleo, a Petrobras teve um pregão muito instável, alternando entre os campos positivo e negativo. Por volta das 16h, as ações perderam força e encerraram no vermelho. Os papéis ordinários caíram 0,96%, enquanto os preferenciais perderam 0,96%. Na avaliação Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho, a queda não teve relação com a acareação entre os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró na CPI Mista do Congresso.
— Nada de novo foi revelado. O que mais pesou para puxar o mercado foi a desconfiança quanto ao que será decidido para o futuro da política econômica e o consenso de que o BC vai apertar os juros amanhã, o que acaba tirando atratividade da Bolsa e migrando-a para a renda fixa — acrescentou.
Os bancos também exerceram forte influência negativa. O Banco do Brasil recuou 3,07%, enquanto o Bradesco teve recuo de 1,76% (PN) e o Itaú Unibanco caiu 1,51%.
— Está pesando uma informação publicada no jornal “Valor Econômico” sobre investigação que o Banco Central está fazendo sobre a oferta de bônus de celular aos correntistas — afirmou Raphael Figueredo, analista da corretora Clear.
Segundo Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management, também acredita que está alimentando a instabilidade do Ibovespa a incerteza sobre o futuro da condução econômica do governo:
— A equipe econômica anunciada foi uma boa notícia, mas agora os investidores estão avaliando a realidade. Nada de concreto foi anunciado, e o que sobra são rumores sobre aumento de tributação. Preocupa bastante, por exemplo, o rumor de que caminha para ser aprovado projeto de lei para tributar dividendos pagos a acionistas, o que seria muito mal visto pelo mercado.
VALE FECHA TAMBÉM EM QUEDA
O projeto de tributação de dividendos foi proposto na Câmara pelos deputados Renato Simões e Ricardo Berzoini, ambos do PT-SP, em março. Texto aguarda parecer de relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Os boatos sobre esse projeto contribuíram para a forte queda da Bolsa na segunda-feira.
A Vale, que passou o dia em alta, fechou no negativo depois de anunciar que reduzirá seu investimento anual pelo quarto ano seguido em 2015. Os investimentos em execução de projetos e em manutenção de operações existentes deverão somar US$ 10,16 bilhões, queda de 26,3% em relação ao total anunciado para 2014. A companhia perdeu 2,57% nas ações ON e 2,40% nas PN.
Na agenda econômica nacional, o IBGE informou hoje que a produção industrial ficou estagnada e registrou crescimento zero em outubro, frente a setembro. No mês anterior o setor tinha recuado 0,2%, após dois meses seguidos de alta.
DÓLAR SOBE E É COTADO A R$ 2,574
O dólar comercial seguiu tendência internacional de valorização da moeda americana, subindo 0,58%, cotado a R$ 2,572 para compra e a R$ 2,574 para venda. A moeda chegou a valer R$ 2,581 na máxima do dia. Catorze das 16 principais moedas do mundo registram desvalorização frente ao dólar, com as divisas de países emergentes pressionadas pela baixa das commodities.
Nesta terça-feira, o BC fará a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgará amanhã a taxa básica de juros, a Selic. Economistas dos bancos preveem aperto nos juros.
* Com agências internacionais

POLÍTICA: Indicação de Kátia Abreu para a Agricultura gera atrito com grupo JBS

FOLHA.COM
ANDRÉIA SADI
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

Maior doadora da campanha de Dilma Rousseff (PT) na eleição deste ano, a JBS demonstrou insatisfação com a escolha da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura e procurou integrantes do governo para saber se a indicação está, de fato, confirmada.
Segundo a Folha apurou, a troca na pasta contrariou Joesley Batista, um dos donos da empresa, que controla o frigorífico Friboi, devido a atritos entre ele e a senadora no passado. Oficialmente, a JBS nega o mal-estar.
A informação foi confirmada por três integrantes do primeiro escalão do Palácio do Planalto e um dirigente do PMDB com acesso às conversas em torno da composição do ministério.
Na semana passada, emissários da JBS procuraram o vice-presidente da República, Michel Temer, questionando a indicação. Temer respondeu que a intenção de Dilma era, sim, substituir Neri Geller (PMDB-MT) pela senadora do partido.
Políticos que conversaram com Joesley recentemente constataram que o empresário não gostou da decisão. Dilma, então, foi aconselhada a procurá-lo para contornar o mal-estar –o que de fato ocorreu, em um encontro sigiloso entre os dois na semana passada.
A JBS foi a empresa que mais doou recursos para a reeleição de Dilma, contribuindo com R$ 69,7 milhões. O Palácio do Planalto não quis comentar a conversa.
A assessoria do JBS negou as informações apuradas pela Folha. "Repudiamos veementemente a tentativa de nos colocar contra a senadora, à qual admiramos e respeitamos pelos excelentes serviços prestados ao agronegócio", afirmou a empresa.
Conforme a descrição de auxiliares palacianos, o executivo vê a parlamentar como "inimiga" da companhia.
A senadora não foi localizada, mas aliados da futura ministra asseguram que ela não tem nenhum problema pessoal com a família Batista, apenas defende os interesses globais do setor.
Em discurso na tribuna do Senado, em 2013, ela criticou uma suposta "prática monopolista e marketing enganoso" por parte do grupo JBS, que cresceu no mercado adquirindo outros empreendimentos menores.
No centro do ataque estava um polêmico financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES à JBS-Friboi que, segundo Kátia Abreu, poderia ter sido usado para ajudar pequenas e médias empresas em dificuldade.
Interlocutores dos dois lados também relatam um outro confronto. No ano passado, a bancada ruralista, Kátia inclusive, se posicionou contra a nomeação de um advogado para tocar a Secretaria de Defesa Agropecuária, órgão que controla a segurança dos alimentos de origem animal comercializados em todo o país.
A indicação de Rodrigo Figueiredo foi associada por ruralistas a um apoio de bastidores por parte da cúpula do PMDB e da JBS. Ele acabou confirmado no cargo, mesmo com um abaixo-assinado do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários contra a nomeação. 
Editoria de Arte/Folhapress 

INVESTIGAÇÃO: CGU abre mais 9 processos no caso Petrobrás e SBM

ESTADAO.COM.BR
Ricardo Chapola
Fausto Macedo
REDAÇÃO

Entre os investigados estão 5 gerentes da estatal que teriam recebido propinas de empresa holandesa
O ministro chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, determinou nesta terça-feira, 2, a abertura de mais sete processos administrativos contra empregados, gerentes e ex-gerentes da Petrobrás. A CGU também duas sindicâncias patrimoniais para apurar suspeitas de incompatibilidade patrimonial dos servidores da estatal investigados pela Operação Lava Jato.
A decisão pela abertura de novos processos é fruto de uma sindicância instaurada pela CGU no primeiro semestre, cujo escopo eram as relações da Petrobrás com a empresa holandesa SBM Offshore. A sindicância investigava suposta obtenção de vantagens indevidas da multinacional e o pagamento de propina a agentes públicos federais.
Segundo a CGU, funcionários cuja participação no caso seja comprovada correm risco de demissão. Caso os servidores deixem o cargo, a CGU diz que poderá haver a conversão em destituição ou demissão por justa causa, com eventual proibição de retorno a empregos públicos.
É a segunda vez que a CGU abre uma série de processos contra agentes públicos supostamente envolvidos no esquema da Petrobrás e a SBM. Na primeira etapa, a corregedoria pediu abertura de seis processos e uma sindicância patrimonial, além do processo de responsabilização da empresa holandesa, que poderá acarretar o impedimento de celebrar novos contratos com a estatal.

ECONOMIA: Bovespa tem 5ª queda seguida, de 1,27%, puxada por Vale, Petrobras e bancos

Do UOL, em São Paulo

O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em queda pela quinta sessão seguida nesta terça-feira (2), com perdas de 1,27%, a 51.612,47 pontos. É o menor valor de fechamento desde 17 de novembro, quando a Bolsa encerrou o dia a 51.256,99 pontos. 
Na véspera, a Bolsa havia caído 4,37%. Apenas nas últimas cinco sessões, a Bovespa acumula perdas de 7,11%.
Assim como na sessão anterior, as ações da Vale, da Petrobras e dos bancos, que têm grande peso sobre o Ibovespa, tiveram quedas expressivas. Os papéis ordinários da Vale (VALE3), com direito a voto, perderam 2,57%, e os preferenciais da Petrobras (PETR4), com prioridade na distribuição de dividendos, caíram 1,54%. 
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuaram 3,07%, as do Bradesco (BBDC4) tiveram desvalorização de 1,71%, e as do Itaú Unibanco (ITUB4) encerraram em baixa de 1,51%.
Dólar sobe 0,67% e atinge R$ 2,576
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,67%, a R$ 2,576 na venda. É o maior valor de fechamento desde 19 de novembro, quando a moeda norte-americana também encerrou a R$ 2,576. 
Na véspera, o dólar havia caído 0,51%. 
Bolsas internacionais
As Bolsas de Valores da Europa fecharam em alta, com exceção da Alemanha, que perdeu 0,3%. O mercado de ações de Portugal subiu 1,56%, e o da Inglaterra avançou 1,29%. A Bolsa da Espanha registrou alta de 0,72%, a da Itália ganhou 0,48%, e a da França teve valorização de 0,25%. 
Na Ásia e no Pacífico, a maioria das principais Bolsas fechou em alta, com destaque para o índice de Xangai, que saltou 3,1% e teve a maior alta desde setembro de 2013, segundo a agência de notícias Reuters. A Bolsa da Austrália subiu 1,41%, e a de Hong Kong ganhou 1,23%.
A de Cingapura avançou 0,5%, e a do Japão, 0,42%. A Bolsa da Coreia do Sul fechou quase estável, com leve alta de 0,03%, e Taiwan foi na contramão, caindo 0,91%. 
(Com Reuters)

LAVA-JATO: Confirmo tudo o que falei na delação, diz Paulo Roberto Costa

ESTADAO.COM.BR
RICARDO BRITO - AGÊNCIA ESTADO

Ex-diretor da Petrobrás surpreende ao aceitar falar durante acareação com Nestor Cerveró durante sessão da CPI mista que investiga a estatal
Brasília - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa surpreendeu na sessão da CPI mista que apura irregularidades na estatal, ao decidir falar durante a acareação com o também ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, na tarde desta terça-feira, 2. Costa disse que nunca precisou de apoio político para conquistar os cargos que acumulou na petroleira. Admitiu também que tinha o sonho de assumir uma diretoria da estatal e ser presidente da companhia, mas que quando chegou a hora de assumir o cargo de diretor de Abastecimento, em 2004, foi preciso indicação política.
Paulo Roberto Costa (à esq.) e Nestor Cerveró (à dir.) participam de acareação na CPI mista da Petrobrás
Ele não citou como ocorreu essa indicação, mas Costa contou na época com o apoio do então líder do PP na Câmara, José Janene. Hoje, na CPI, Costa diz ser arrepender de ter aceitado a ajuda.
"Estou extremamente arrependido de dizer isso. Este cargo me deixou aqui, hoje. Estou arrependido e quisera eu não ter feito isso. Digo isso tudo para deixar minha alma um pouco mais pura, mais confortável, para a minha família. Passei seis meses preso. Uma delação de tudo que eu conhecia", disse.
Segundo o ex-diretor, o que ele falou na delação são fatos que acontecem não somente na Petrobrás, mas no Brasil inteiro, "nas rodovias, portos, ferrovias, aeroportos". Costa falou tudo isso depois de o advogado de defesa dele ter sinalizado, desde a semana passada, que o ex-diretor iria ficar calado na acareação de hoje com o ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró. "Assumi esse cargo por indicação política e assinei a minha demissão em 2012 porque não aguentava mais a pressão para resolver problemas que não eram da minha área", desabafou Costa.
O ex-diretor de Abastecimento disse que confirma tudo o que falou na delação premiada, mas fez uma ressalva: são declarações "que não posso abrir aqui", justificou. "Não tem nada na delação que eu não confirme. É um instrumento extremamente sério. Não pode ser usado de artifício", explicou. Segundo Costa, foram 80 depoimentos, mais de duas semanas na delação. "O que está lá, eu confirmo. Provas? Estão existindo, estão sendo colocadas. Falei de fatos, dados e das pessoas. Tudo o que eu falei eu confirmo", declarou.
O ex-diretor justificou que quando fez a delação premiada, não foi orientação "do advogado, de ninguém". "Foi orientação da minha família", disse, explicando que tomou a decisão pensando na esposa, filhos, familiares e netos. "Fiz a delação para dar um sossego para minha alma, por respeito e amor à minha família. E os outros? Você vai pagar sozinho? Fiz a delação para dar um sossego para a minha e um conforto para a minha família".

DIREITO: STF - STF nega progressão de regime para João Paulo Cunha

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu o pedido de progressão de regime prisional do semiaberto para o aberto, feito pela da defesa do ex-deputado João Paulo Cunha na Execução Penal (EP 22). O ex-parlamentar foi condenado, na Ação Penal (AP) 470, pelos delitos de peculato e corrupção passiva, à pena de 6 anos e 4 meses de reclusão em regime inicial semiaberto, além da obrigação de devolver ao erário R$ 536 mil decorrentes do crime de peculato.
Relator da EP 22, o ministro atestou documentação apresentada pela defesa com relação ao bom comportamento carcerário de João Paulo Cunha e ao cumprimento de um sexto da pena, computados 115 dias remidos até o dia 30 de outubro, em razão de trabalho externo realizado e da frequência em cursos oferecidos na unidade prisional por meio de convênio firmado om o Centro de Educação Profissional (CENED).
Entretanto, como não foi comprovado o ressarcimento ao erário, por meio do recolhimento dos valores ilegalmente obtidos pelo condenado, o ministro não autorizou a progressão. Isso porque, de acordo com o relator, o artigo 33, parágrafo 4º, do Código Penal estabelece que nos crimes cometidos contra a administração pública – como é o caso do peculato –, a reparação do dano é condição para a progressão de regime prisional, conforme bem salientou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que em seu parecer pelo indeferimento do pedido.
Diante do argumento da defesa do condenado, que diz não saber quanto pagar, a quem pagar, como e até quando pagar, além de indeferir o pleito de progressão, o ministro Luís Roberto Barroso determinou que a Advocacia-Geral da União informe ao condenado, “com a urgência que o caso requer”, como ele deve proceder para recolher espontaneamente o valor que foi condenado a restituir.
Confira a íntegra da decisão do ministro Luís Roberto barroso na EP 22.

CONSUMIDOR: Financeira vai devolver R$ 30 mi a cliente que pagou taxa em empréstimos

Do UOL, em São Paulo

A BV Financeira vai devolver R$ 30 milhões a mais de 80 mil consumidores que pagaram tarifas consideradas indevidas à instituição, em operações como empréstimos.
O valor foi determinado em acordo firmado nesta terça-feira (2) com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacon/MJ).
Não foram divulgadas as indenizações individuais, só a soma de todas.
Uma resolução do Conselho Monetário Nacional, que entrou em vigor em 1º de março de 2011, determinou que as instituições não podem cobrar, de quem já é seu cliente, tarifas de abertura de cadastro.
Segundo o Ministério da Justiça, porém, a BV Financeira cobrava essa tarifa dos clientes antigos quando eles faziam novas operações, como empréstimos, mesmo depois que a resolução já estava valendo.
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado agora coloca fim a um processo administrativo que tinha sido instaurado pelo DPDC, em abril deste ano, contra a instituição.
Financeira vai contatar clientes em 15 dias
Mais de 80 mil consumidores serão beneficiados, segundo o Ministério da Justiça. A BV Financeira entrará em contato com os clientes para restituir os valores em até 15 dias, contados a partir desta terça (2).
Em nota, a BV Financeira diz que a cobrança foi considerada legal em decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas há divergência sobre sua incidência em determinadas operações.
"A assinatura do TAC tem como objetivo evitar discussão prolongada na Justiça, em benefício do consumidor", diz a nota.
Para secretária, acordo é 'histórico'
A secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira da Silva, classificou o acordo como "histórico".
Além de devolver as tarifas, a BV Financeira terá de fazer alterações em outro produto: o crédito consignado. A instituição terá de garantir ao consumidor o direito de escolha quanto à prorrogação do contrato.
Terá, também, de financiar ações voltadas à proteção do consumidor. A instituição vai destinar R$ 7,2 milhões a projetos de atendimento e educação para o consumo.

DIREITO: STJ -Mantida condenação da Tim Celular por venda casada de chip e aparelho

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve nesta terça-feira (3), por unanimidade de votos, a condenação da Tim Celular por venda casada de chip e aparelho fixo. A empresa de telefonia deve parar de promover a venda casada de serviços e produtos, fixando preços distintos e razoáveis para ambos, e está condenada a pagar multa de R$ 400 mil a título de dano moral coletivo.
A condenação foi imposta pela Justiça de Minas Gerais em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) mineiro com base em diversas reclamações de consumidores do estado de que só poderiam adquirir chips “Tim Fixo Pré” ou “Tim Fixo Pós” se também comprassem aparelhos da empresa.
No recurso ao STJ, a Tim negou a prática de venda casada, que, segundo a empresa, não ficou comprovada. Sustentou ainda que não seria possível a condenação por dano moral coletivo e que teve seu direito de defesa violado, pois a única prova que produziu teria sido desconsiderada. Por fim, alegou enriquecimento ilícito do fundo que receberá a multa por dano moral coletivo, previsto no artigo 13 da Lei da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85).
Provas
O relator do recurso, ministro Mauro Campbell Marques, observou no processo que apenas o MP foi capaz de provar a ocorrência de venda casada, descrita como prática abusiva pelo inciso I, do artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele destacou que o MP tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com a TIM, que se recusou.
Campbell destacou que o magistrado de primeiro grau garantiu às partes, em igualdade de condições, a comprovação de suas alegações. A título de elementos probatórios, o MP apresentou ofício da Assembleia Legislativa do Estado com diversas reclamações dos consumidores e laudo de constatação/comprovação, da lavra dos agentes fiscais do MPMG, demonstrando a prática abusiva em todas as lojas por eles visitadas.
Já a Tim, segundo o processo, não apresentou impugnação das provas apresentadas pelo MP. A única prova apresentada foi o testemunho de uma funcionária da própria empresa, que acabou sendo ouvida em juízo na qualidade de informante. Segundo o artigo 405, parágrafo 4º, do Código de Processo Civil (CPC), o magistrado pode atribuir qualquer valor a esse testemunho, inclusive nenhum.
“Portanto, não tendo o autor sido capaz de trazer aos autos provas concretas de sua escorreita conduta comercial, deve suportar as consequências desfavoráveis da sua inércia”, afirmou o ministro Campbell no voto.
Dano moral coletivo
O ministro Mauro Campbell Marques explicou que o caso trata de direitos difusos, de natureza indivisível e titulares indeterminados, conforme definição do artigo 81, inciso I, do CDC. São direitos ligados por circunstâncias de fatos que podem ser extensível a toda coletividade.
Atualmente está sedimentado na jurisprudência do STJ e na doutrina jurídica que é cabível a reparação coletiva do dano moral. “Isso se dá pelo fato desse (dano) representar a lesão na esfera moral de uma comunidade, a violação de direito transindividual de ordem coletiva, valores de uma sociedade atingidos do ponto de vista jurídico”, explicou o relator.Sobre a possibilidade de enriquecimento ilícito do fundo que receberá a multa por dano moral, ante a alegada ausência de comprovação de dano aos consumidores, Campbell afirmou que o dano ocorrido no caso decorre da própria conduta abusiva, sendo dispensável prova objetiva de prejuízo individual sofrido.



DIREITO: STJ - Sanção de perda da função pública implica em perda de direito de ocupar cargo público

A expressão “perda da função pública”, prevista como sanção por ato de improbidade, implica em perda de direito de ocupar cargo público por meio do qual o agente a desempenhava. O entendimento é da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que restabeleceu demissão do quadro efetivo no Ministério do Exército de um médico que acumulava três cargos com horários incompatíveis.
O relator, ministro Humberto Martins, destacou que a sanção de perda da função pública visa a afetar o vínculo jurídico que o agente mantém com a administração pública, “seja qual for sua natureza”. “A intenção da lei é afastar todo e qualquer agente ímprobo da administração”, pontuou o magistrado.
O médico, um boliviano residente em Rondônia, ocupava no Ministério do Exército cargo de anestesiologista, com dois contratos de 20 horas cada, totalizando 40 horas semanais. Ocorre que ocupou também, entre 1998 e 2000, cargo de médico, contratado sob regime da CLT, junto à prefeitura de Porto Velho, com jornada de 40h semanais.
De acordo com a Procuradoria de República, ele ainda acumulou, em 1999 e 2000, cargo em comissão como diretor-geral e de diretor do departamento médico de um hospital público. No ano seguinte, também recebeu gratificação ao ser lotado em outro hospital. O Ministério Público Federal constatou que apesar de estar escalado para plantões de 24 horas em determinadas unidades, também se encontrava escalado para plantões noturnos ou diurnos em outras.
Ação
Em 2003, o MPF ajuizou ação civil pública contra o médico e pediu sua condenação pela prática de improbidade consistente na acumulação ilegal de cargos médicos. A ação foi julgada procedente, decretando a perda do cargo público.
O médico também foi condenado a devolver a quantia acrescida indevidamente ao seu patrimônio. O valor passa dos R$ 170 mil. Além disso, ele teve seus direitos políticos suspensos pelo prazo de oito anos e foi proibido de ser contratado pelo poder público, receber benefícios, incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual participe como sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.
Sanções
Em apelação, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reformou parcialmente a sentença por entender que as sanções do artigo 12 da Lei 8.429/92 não seriam necessariamente cumulativas, cabendo ao magistrado a sua dosimetria. Disse que a norma que trata das sanções não contempla a hipótese de “perda de cargo público”, mas somente de “perda da função pública”.
O TRF1 decidiu, ainda, não ser devida a devolução dos salários recebidos quando verificado que o trabalho foi efetivamente prestado, ainda que as nomeações tenham sido irregulares, pois seria o mesmo que admitir enriquecimento sem causa da União.
O MPF recorreu ao STJ. Disse que a perda da função pública, prevista como sanção na Lei de Improbidade, é expressão abrangente que não se limita à função em si e engloba a hipótese de perda do emprego ou cargo público.
Função pública
Em seu voto, o ministro Humberto Martins destacou que a sanção de perda de função pública prevista no artigo 12 da Lei 8.429/92 decorre de norma cogente (obrigatória) disposta no artigo 37, parágrafo 4°, da Constituição Federal de 1988. Segundo a Constituição, “os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.
Além disso, os artigos 1º e 2° da Lei 8.429/92 dispõem que as sanções pela prática de ato de improbidade administrativa atingem todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo primeiro.
Humberto Martins ressaltou que a intenção da Constituição e da lei é afastar todo agente ímprobo da administração pública, prevendo também a suspensão dos direitos políticos, de 3 a 10 anos, o que influi diretamente nas condições de elegibilidade. Assim fica claro que, além de não poder mais desempenhar a função pública decorrente do cargo para o qual foi escolhido, não poderá o agente ímprobo ser eleito para outro mandato que seja compreendido no período de suspensão de seus direitos políticos.
Direitos políticos
O ministro lembrou também que o agente ímprobo, que tem a suspensão de seus direitos políticos, fica impedido de ocupar qualquer cargo eletivo, caso seja condenado por ato de improbidade antes das eleições, como prevê a Lei da Ficha Limpa.
Esse entendimento é reforçado pela Constituição Federal, em seu artigo 15, inciso V, ao estabelecer a possibilidade de suspensão dos direitos políticos nos casos de improbidade administrativa.
Ao final, o ministro ainda lembrou, como reforço argumentativo, que os artigos 41, parágrafo 1º, inciso I, da CF combinado com o artigo 132, inciso IV, da Lei 8.112/90 são dispositivos que corroboram na demonstração de que o legislador teve a intensão de sancionar com a perda do cargo o agente ímprobo.
“Nessa linha, se a sanção da perda da função pública aplicada a agente político detentor de cargo eletivo é a perda do mandato, o que se confunde com a perda do próprio do cargo, não se mostra razoável, e até mesmo possível, entender que um servidor público, ocupante de cargo público, perderá tão somente o direito de exercer a função pública que decorre do exercício do seu cargo”, concluiu o ministro.

DIREITO: TRF1 - Direito ao contraditório e à ampla defesa deve ser cumprido em caso de distrato de contrato

Crédito: Imagem da web
A 6ª Turma do Tribunal Regional Federal manteve a sentença proferida em mandado de segurança que concedeu a suspensão dos efeitos da decisão que determinara o distrato do Termo de Contrato n. 011/2011, celebrado por uma empresa de serviços especializados, ora impetrante, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPA), Campus Belém.
Trata-se de análise quanto à disponibilidade ou não de cancelamento da decisão administrativa do IFPA que decidiu pelo distrato do contrato que tinha como objetivo a contratação de serviços auxiliares das especialidades de eletricista, encanador, inspetor escolar e recepcionista.
A requerente alega que o houve o distrato do contrato sem o seu direito ao contraditório e à ampla defesa no devido processo administrativo. O juízo de primeiro grau entendeu correta a alegação da impetrante. Segundo o magistrado, estão “(...) presentes indícios de que houve violação aos princípios administrativos da obediência à forma e aos procedimentos e à ampla defesa e ao contraditório.
O processo chegou ao TRF1 por remessa oficial. Trata-se de um instituto previsto no Código de Processo Civil (artigo 475) que exige que o juiz singular mande o processo para o tribunal de segunda instância, havendo ou não apelação das partes, sempre que a sentença for contrária a algum ente público. A sentença só produzirá efeitos depois de confirmada pelo tribunal.
O relator, desembargador federal Kassio Marques, concordou com a sentença proferida pelo juízo de primeiro grau. O magistrado citou partes da decisão monocrática para embasar seu voto. “Não se nega o poder que a administração detém de rescindir unilateralmente os contratos administrativos, o que se apresenta como decorrência natural do regime jurídico administrativo e das denominadas cláusulas exorbitantes, inerentes aos contratos celebrados com a Administração, sempre com base no interesse público. Porém, essa atuação unilateral da Administração não deve desrespeitar os direitos dos particulares contratantes, que possuem a garantia ao contraditório, notadamente quando a justificativa para o término da relação negocial é oriunda de suposta irregularidade na contratação”, opinou o desembargador.
O julgador citou ainda jurisprudência do TRF da 5ª Região que segue o mesmo entendimento. (AC 200083000025926, Relator Desembargador Federal Paulo Gadelha, Terceira Turma, DJ de 09/06/2005).
Processo nº 0024898-66.2011.4.01.3900
Data da decisão: 03/11/2014
Data da publicação: 20/11/2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

VIOLÊNCIA: Fim de semana: 24 veículos roubados e 15 assassinatos em Salvador e RMS

METRO1

Foto: Ilustrativa
Entre a última sexta-feira (28) e a manhã desta segunda-feira (1), 24 veículos foram roubados ou furtados e 15 pessoas foram assassinadas em Salvador e Região Metropolitana (RMS). Além disso, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) contabilizou uma tentativa de homicídio e 12 assaltos a ônibus. Somente no último sábado, 16 veículos foram levados pelos bandidos.

DIREITO: STJ - Definidos requisitos para decretação de indisponibilidade de bens em execução fiscal

Para obter a decretação de indisponibilidade de bens em execuções fiscais, a Fazenda Pública terá de comprovar ao juiz o esgotamento de diligências em busca de bens penhoráveis. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu, em julgamento de recurso repetitivo, que entre as diligências da Fazenda devem estar o acionamento do Bacen-Jud (penhoraon-line) e a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio executado e ao Departamento de Trânsito Nacional ou Estadual (Denatran ou Detran) para que informem se há patrimônio em nome do devedor.
A tese passa a orientar as demais instâncias do Judiciário que tratarem do tema e sinaliza que, havendo decisão em acordo com o que foi definido pelo STJ, recurso contra ela não será mais admitido na corte superior.
O centro da controvérsia é a interpretação do artigo 185-A do Código Tributário Nacional (CTN), segundo o qual, na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos.
O ministro Og Fernandes, relator do recurso repetitivo, destacou que a ordem judicial para decretação da indisponibilidade é, portanto: citação do executado; inexistência de pagamento ou de oferecimento de bens à penhora no prazo legal; e, por fim, não localização de bens penhoráveis após esgotamento das diligências realizadas pela Fazenda, caracterizado quando houver nos autos (a) pedido de acionamento do Bacen Jud e consequente determinação pelo magistrado e (b) expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado e ao Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - DENATRAN ou DETRAN.
Quanto ao último requisito, o ministro relator observou que a decisão define as diligências que podem ser consideradas suficientes para permitir que se afirme, com segurança, que não foram encontrados bens penhoráveis.
Recusa
No caso julgado como recurso repetitivo, mesmo diante dos requisitos previstos nesse dispositivo (citação do devedor, ausência de pagamento, não apresentação de bens à penhora e infrutífera tentativa de localizar bens penhoráveis), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) negou pedido formulado pela Fazenda para bloquear bens e direitos do devedor para fins de indisponibilidade.
No recurso, a Fazenda sustentou que realizou diligências que estavam ao seu alcance, sendo elas, contudo, infrutíferas. Por essa razão, entende ser o caso do bloqueio cautelar de bens previsto no artigo 185-A do CTN, ante a não localização de bens passíveis de penhora.
O caso
Em 2004, o INSS ajuizou execução fiscal contra uma empresa para saldar dívida tributária no valor de R$ 346.982,12. Com a notícia de decretação da falência da empresa, o juiz incluiu os dois sócios no polo passivo da execução. Foi pedida, então, a indisponibilidade dos bens dos executados, até o limite do débito acrescido de custas processuais e demais encargos, atualizados monetariamente.
O juiz negou o pedido, e o TRF3 ratificou a decisão sob o argumento de que “não houve esgotamento das diligências para localização de bens passíveis de penhora, especialmente com relação aos coexecutados [sócios]”, o que não autorizaria a adoção da “medida excepcional e extrema” de decretação da indisponibilidade dos bens e direitos dos executados.
Recurso
Ao analisar o recurso repetitivo, o ministro Og Fernandes ressaltou que esse artigo foi inserido no código tributário como medida para aumentar a probabilidade de pagamento do devedor, por razões de interesse público. Por isso, a leitura do dispositivo legal, no seu entender, deve ser feita sob essa perspectiva.
No recurso analisado, o ministro relator verificou que, apesar de o TRF3 ter considerado não haver o esgotamento das diligências, não há indicação a respeito das medidas já adotadas pela Fazenda Nacional, nem daquelas que o tribunal regional entenderia como suficientes para caracterizar o esgotamento das diligências e, por consequência, determinar a indisponibilidade de bens.
Por isso, no caso concreto, a Primeira Seção determinou o retorno dos autos ao TRF3 para que reanalise a questão, agora com base nos critérios definidos pelo STJ no recurso repetitivo.

DIREITO: STJ - O direito dos indivíduos transexuais de alterar o seu registro civil

O nome é mais que um acessório. Ele é de extrema relevância na vida social, por ser parte intrínseca da personalidade. Tanto que o novo Código Civil trata o assunto em seu Capítulo II, esclarecendo que toda pessoa tem direito ao nome, compreendidos o prenome e o sobrenome.
Ao proteger o nome, o CC de 2002 nada mais fez do que concretizar o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal.
Essa tutela é importante para impedir que haja abuso, o que pode acarretar prejuízos e, ainda, para evitar que sejam colocados nomes que exponham ao ridículo seu portador.
Uma realidade que o Poder Judiciário brasileiro vem enfrentando diz respeito aos indivíduos transexuais. Após finalizar o processo transexualizador – com a cirurgia de mudança de sexo -, esses cidadãos estão buscando a Justiça para alterar o seu registro civil, com a consequente modificação do documento de identidade.
Sem legislação
Entretanto, não há no Brasil uma legislação que regulamente e determine a alteração imediata do registro civil. Assim, resta ao transexual pleitear judicialmente a alteração.
Alguns juízes permitem a mudança do prenome do indivíduo, com fundamento nos princípios da intimidade e privacidade, para evitar principalmente o constrangimento à pessoa. Outras decisões, por sua vez, não acatam o pedido, negando-o em sua totalidade, com base estritamente no critério biológico.
Há também decisões que, além da alteração do prenome, determinam que a mesma seja feita com a ressalva da condição transexual do indivíduo, não alterando o sexo presente no registro. Finalmente, há decisões que não só permitem a mudança do prenome como a do sexo no registro civil.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem autorizando a modificação do nome que consta do registro civil, bem como a alteração do sexo. Entretanto, consigna que a averbação deve constar, apenas do livro cartorário, vedando qualquer menção nas certidões do registro público, sob pena de manter a situação constrangedora e discriminatória.
Segundo o ministro da Quarta Turma do STJ Luis Felipe Salomão, se o indivíduo já realizou a cirurgia e se o registro está em desconformidade com o mundo fenomênico, não há motivos para constar da certidão.
Isso porque seria um opróbrio ainda maior para o indivíduo ter que mostrar uma certidão em que consta um nome do sexo masculino. Entretanto, a averbação deve constar do livro cartorário. “Fica lá no registro, preserva terceiros e ele segue a vida dele pela opção que ele fez”, afirmou o ministro.
Vida digna
Para a ministra Nancy Andrighi, quando se iniciou a obrigatoriedade do registro civil, a distinção entre os dois sexos era feita baseada na conformação da genitália. Hoje, com o desenvolvimento científico e tecnológico, existem vários outros elementos identificadores do sexo, razão pela qual a definição de gênero não pode mais ser limitada somente ao sexo aparente.
“Todo um conjunto de fatores, tanto psicológicos quanto biológicos, culturais e familiares, devem ser considerados. A título exemplificativo, podem ser apontados, para a caracterização sexual, os critérios cromossomial, gonadal, cromatínico, da genitália interna, psíquico ou comportamental, médico-legal, e jurídico”, afirma a ministra.
Para Andrighi, se o Estado consente com a possibilidade de realizar-se cirurgia de transgenitalização, logo deve também prover os meios necessários para que o indivíduo tenha uma vida digna e, por conseguinte, seja identificado jurídica e civilmente tal como se apresenta perante a sociedade.
Averbação no registro
O primeiro recurso sobre o tema foi julgado no STJ em 2007, sob a relatoria do falecido ministro Carlos Alberto Menezes Direito. No caso, a Terceira Turma do STJ, seguindo o voto do ministro, concordou com a alteração, mas definiu, na ocasião, que deveria ficar averbado no registro civil do transexual que a modificação do seu nome e do seu sexo decorreu de decisão judicial.
De acordo com o ministro Direito, não se poderia esconder no registro, sob pena de validar agressão à verdade que ele deve preservar, que a mudança decorreu de ato judicial nascida da vontade do autor e que se tornou necessário ato cirúrgico.
“Trata-se de registro imperativo e com essa qualidade é que se não pode impedir que a modificação da natureza sexual fique assentada para o reconhecimento do direito do autor”, afirmou o ministro, à época.
Livro cartorário
Em outubro de 2009, a Terceira Turma, em decisão inédita, garantiu ao transexual a troca do nome e do gênero em registro, sem que constasse a anotação no documento. O colegiado determinou que o registro de que a designação do sexo foi alterada judicialmente constasse apenas nos livros cartorários.
A relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que a observação sobre alteração na certidão significaria a continuidade da exposição da pessoa a situações constrangedoras e discriminatórias.
“Conservar o ‘sexo masculino’ no assento de nascimento do recorrente, em favor da realidade biológica e em detrimento das realidades psicológica e social, bem como morfológica, pois a aparência do transexual redesignado em tudo se assemelha ao sexo feminino, equivaleria a manter o recorrente em estado de anomalia, deixando de reconhecer seu direito de viver dignamente”, concluiu a ministra.
Exposição ao ridículo
O mesmo entendimento foi aplicado pela Quarta Turma, em dezembro de 2009. O relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, destacou que a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) estabelece, em seu artigo 55, parágrafo único, a possibilidade de o prenome ser modificado quando expuser seu titular ao ridículo.
“A interpretação conjugada dos artigos 55 e 58 da Lei de Registros Públicos confere amparo legal para que o recorrente obtenha autorização judicial para a alteração de seu prenome, substituindo-o pelo apelido público e notório pelo qual é conhecido no meio em que vive”, disse o ministro.
Na ocasião, Noronha afirmou ainda que o julgador não deve se deter em uma codificação generalista e padronizada, mas sim adotar a decisão que melhor se coadune com valores maiores do ordenamento jurídico, tais como a dignidade das pessoas.
Quanto à averbação no livro cartorário, o ministro afirmou que é importante para salvaguardar os atos jurídicos já praticados, para manter a segurança das relações jurídicas e, por fim, para solucionar eventuais questões que sobrevierem no âmbito do direito de família (casamento), no direito previdenciário e até mesmo no âmbito esportivo.
Renascimento
Para a transexual Bianca Moura, 45 anos, a mudança do registro civil foi um renascimento. Servidora pública do Governo do Distrito Federal, a maranhense conseguiu a alteração em setembro de 2011, um ano e meio depois de dar entrada em toda a documentação.
“Procurei o Judiciário em fevereiro de 2010 com meus documentos, fotos, laudos, tudo. Um ano e meio depois, recebi uma carta comunicando a sentença. Ao conversar com o juiz, fui avisada que teria que ir até o Maranhão, estado onde nasci, para pegar a nova certidão. Fui até lá com minha mãe. O processo foi muito tranquilo”, disse.
Bianca começou sua transformação há 20 anos, em uma época que não se tinha nenhuma perspectiva de se fazer o processo de readequação de gênero, quanto mais no registro. Ela ainda está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS), aguardando a sua vez de realizar o procedimento. Mas isso não a impediu de ir atrás de seus direitos.
“Sempre quis ser reconhecida civilmente como uma mulher. É de extrema importância para mim que o estado reconheça a minha identidade. O não reconhecimento me causou inúmeros constrangimentos. Nem todo mundo aceita te chamar pelo nome social. Acredito que todos os transexuais desejem ter sua identidade reconhecida e respeitada”, afirmou Bianca.
Nome social é o nome pelo qual os transexuais e travestis são chamados cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado, que não reflete sua identidade de gênero.
Projeto de lei
Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5.002/2013, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) e da deputada Erika Kokay (PT-DF), que trata da viabilização e desburocratização para o indivíduo ter assegurado, por lei, o direito de ser tratado conforme o gênero escolhido por ele.
A proposta obriga o SUS e os planos de saúde a custearem tratamentos hormonais integrais e cirurgias de mudança de sexo a todos os interessados maiores de 18 anos, aos quais não será exigido nenhum tipo de diagnóstico, tratamento ou autorização judicial.
De acordo com o PL, não será necessário entrar na justiça para conseguir a mudança do nome e toda pessoa poderá solicitar a retificação registral de sexo e a mudança do prenome e da imagem registradas na documentação pessoal sempre que não coincidam com a sua identidade de gênero autopercebida.
Segundo a proposta, mesmo um menor que não tenha consentimento dos pais poderá recorrer à defensoria pública para que sua vontade de mudança de nome seja atendida. Menores de 18 anos poderão ainda fazer cirurgia de mudança de sexo, mesmo sem a autorização dos pais, seguindo os critérios da alteração do registro civil.
O projeto de lei diz que a mudança do sexo não altera o direito à maternidade ou à paternidade. Também será preservado o matrimônio, se os cônjuges quiserem, sendo possível retificar a certidão do casamento, para constar a união homoafetiva.
Os números dos processos não são divulgados em razão de segredo judicial.

DIREITO: TSE fornece acesso à íntegra das prestações de contas de Dilma Rousseff e do PT

Por determinação do ministro Gilmar Mendes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fornecerá a jornalistas e demais cidadãos interessados cópia de todos os documentos que integram as prestações de contas da candidata reeleita à Presidência da República, Dilma Rousseff, do Comitê Financeiro Nacional de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Diretório Nacional da legenda. Os documentos referem-se às contas de campanha das Eleições 2014.
As prestações de contas dos candidatos que disputaram o segundo turno das Eleições 2014 foram entregues à Justiça Eleitoral até a última terça-feira (25). As contas da campanha de Dilma Rousseff estão sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.
As solicitações de cópias contendo todos os documentos das prestações de contas de Dilma Rousseff, do Comitê Financeiro do PT e do Diretório Nacional da legenda devem ser enviadas para o e-mail asepa@tse.jus.br. Os pedidos também podem ser feitos pelo telefone (61) 3030-7266.
Processos relacionados: PC 98135 e PC 97613 
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