terça-feira, 18 de novembro de 2014

COMENTÁRIO: Sem golpismos

Por MERVAL PEREIRA - OGLOBO.COM.BR

As manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, sejam nas ruas, sejam de políticos oposicionistas ou de meios de comunicação, podem ser precipitadas, inconvenientes politicamente, mas nunca golpistas, como defensores do governo as rotulam na expectativa de reduzir o seu ímpeto. Nada tem a ver, pois, com pedidos de intervenção militar, esses sim vindos de uma minoria golpista.
A razão da demanda existe pelo menos em tese, seria a indicação, feita pelo doleiro Alberto Yousseff, de que a campanha de 2010 foi financiada por dinheiro do petrolão. E ainda está para ser aprovada a prestação de contas da campanha deste ano, que até segunda ordem será analisada no TSE pelo ministro Gilmar Mendes. 
Ou ainda um crime de responsabilidade por não ter a presidente impedido o uso da Petrobras para financiamentos de sua base política, ou ter compactuado com esse esquema, durante o período em que foi a principal responsável pela área de energia. 
No mensalão, quando o publicitário Duda Mendonça confessou que havia recebido pagamento no exterior, num paraíso fiscal, pelo trabalho de campanha de 2002, abriu-se a possibilidade concreta de impeachment do então presidente Lula, que não foi adiante por uma decisão política da oposição.
E quem diz que não há golpismo em usar a Constituição para destituir um presidente da República é o ex-presidente Lula, que aparece em um vídeo que se espalha pela internet defendendo essa tese em um programa de televisão após o impeachment de Collor, liderado pelo PT na ocasião. Disse Lula: “(...) foi uma coisa importante o povo brasileiro, pela primeira vez na América Latina dar a demonstração de que é possível o mesmo povo que elege um político destituir esse político. Eu peço a Deus que nunca mais o povo brasileiro esqueça essa lição”.
As democracias mais sólidas do planeta preveem a possibilidade de impeachment do presidente da República, e um exemplo disso é os Estados Unidos, onde nos anos recentes dois presidentes foram alvos de uma ação dessas pelo Congresso. Um, o ex-presidente Bill Clinton, envolvido em um escândalo sexual na Casa Branca, escapou da punição no Congresso, e outro, Richard Nixon, acabou renunciado diante da certeza de que seria impedido pelo Congresso.
No Brasil, o presidente da República reeleito pode ser impedido por fatos ocorridos no mandato anterior, pois o artigo 15, da lei 1.079, de 10 de abril de 1950, que “define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento”, diz que a “denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo”.
De acordo com o parágrafo primeiro e seus incisos, do artigo 86 da Constituição Federal, “O Presidente ficará suspenso de suas funções: I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal; II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal”. 
Pelo mesmo motivo, o ex-presidente Lula não pode ser acusado de crime de responsabilidade por atos cometidos nos oito anos de sua gestão à frente da Presidência. Caso venha a ser acusado de algum crime, será julgado na Justiça de primeira instância, sem foro privilegiado.
Julgado procedente o pedido de impedimento pelo Senado do presidente da República (artigo 52, § único, da Constituição da República), assumirá o Vice- Presidente da República, em caráter definitivo, nos termos do artigo 79, caput, da Constituição Federal.
No caso da presidente Dilma, no entanto, se a acusação for o financiamento da campanha eleitoral por dinheiro ilegal provindo do petrolão, também o vice Michel Temer estará impedido, pois é a chapa que será impugnada, e nesse caso, de acordo com o artigo 81 caput, da Constituição Federal, “far-se-á eleição, noventa dias depois de aberta a última vaga”.
Seria um caso diferente do que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor, pois naquela ocasião apenas ele foi acusado dos desvios de dinheiro, enquanto seu vice Itamar Franco pôde assumir a presidência, pois não foi envolvido nas acusações. Caso, porém, a acusação contra a presidente for por crime de responsabilidade pela sua atuação no caso da Petrobras, apenas ela será impedida, podendo assumir o vice-presidente Michel Temer.

ECONOMIA: Bolsa sobe 1,57%; Petrobras cai pelo quarto dia e acumula 11,8% de perdas

Do UOL, em São Paulo

O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em alta de 1,57%, a 52.061,86 pontos nesta terça-feira (18), após três quedas seguidas. A alta foi puxada por ações de bancos e de empresas como Kroton, Cielo e Ambev.
As ações da Petrobras (PETR3, PETR4), no entanto, mantiveram a tendência e caíram pelo quarto dia seguido, em meio às denúncias de pagamento de propina, feitas pela operação Lava Jato, e do adiamento do balanço do 3º trimestre.
A ação preferencial (PETR4) caiu 1,19%, a R$ 12,45. Em quatro dias, tombou 11,8%.
A ação ordinária (PETR3) recuou 1,57%, a R$ 11,94. Com isso, acumula perdas de 11,8% nas últimas quatro sessões.
Dólar cai a R$ 2,59
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,42%, a R$ 2,59 na venda. A moeda norte-americana caiu apenas duas vezes neste mês (a outra tinha sido no dia 10, com baixa de 0,55%).
O dólar vem oscilando perto dos maiores níveis em quase 10 anos nos últimos dias. 
Vale e Eletrobras lideram quedas; bancos sobem
A ação preferencial da Vale (VALE5), que dá prioridade na distribuição de dividendos, teve a maior queda do dia, perdendo 4,56%, a R$ 18,83.
A Eletrobras (ELET6) apareceu em seguida, com queda de 4,25%, a R$ 6,99; esta já é a quinta baixa seguida do papel, que acumulou perdas de 23,3% desde o dia 11.
A Bradespar (BRAP4), que tem participação na Vale, perdeu 4,15%, a R$ 13,85; a ordinária da Vale (VALE3) recuou 3,92%, a R$ 22,03; e a CSN (CSNA3) teve baixa de 3,77%, a R$ 6,64.
Na ponta oposta, a administradora de shoppings BRMalls (BRML3) fechou com ganhos de 5%, a R$ 17,22; seguida pela Cielo (CIEL3), com alta de 4,74%, a R$ 42.
As ações do Bradesco também apareceram entre as maiores altas do dia: a ordinária (BBDC3) ganhou 4,72%, a R$ 35,29; e a preferencial (BBDC4) subiu 4,49%, a R$ 36,53.
A Kroton (KROT3) foi a segunda ação mais negociada do dia, atrás apenas da Petrobras, e fechou com ganhos de 4,33%, a R$ 17,33.
O setor bancário também foi destaque de alta: Banco do Brasil (BBAS3) saltou 3,6%, a R$ 26; e o Itaú (ITUB4) teve ganhos de 2,91%, a R$ 36,06.
Bolsas internacionais
As principais Bolsas europeias fecharam em alta, depois que foram divulgados dados melhores que o esperado sobre as expectativas econômicas na Alemanha e preços ao consumidor no Reino Unido.
A Bolsa da Alemanha fechou com alta de 1,61%; a da Espanha saltou 1,2% e a de Portugal ganhou 0,94%. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,56%; a da França subiu 0,86%; a da Itália avançou 0,71%.
As principais Bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem uma tendência definida, com investidores divididos entre a estreia da Bolsa integrada da China e Hong Kong e expectativas políticas no Japão.
A Bolsa de Tóquio saltou 2,18%; a da Coreia do Sul subiu 1,2%; a de Cingapura ganhou 0,76%.
O índice de Hong Kong, por outro lado, caiu 1,13%, e o de Xangai, na China, recuou 0,67%, com investidores ainda vendendo com lucro ações que tiveram fortes altas antes da integração de operações entre as Bolsas.
Taiwan perdeu 0,28%, e Austrália recuou 0,24%.
(Com Reuters)

CORRUPÇÃO: CPMI da Petrobras convoca Duque e aprova acareação entre Costa e Cerveró

JB.COM.BR

Comissão também aprovou quebra de sigilo do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto
A CPI Mista da Petrobras aprovou nesta terça-feira (18) a realização de acareação entre os ex-diretores da estatal Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. O autor do requerimento, deputado Enio Bacci (PDT-RS), argumentou que, em depoimento à Polícia Federal, Costa fez diversas acusações contra Cerveró. Ainda será definida data para a acareação.
Quando foi ouvido pela comissão, em setembro, Cerveró refutou qualquer envolvimento em casos de corrupção na Petrobras. Disse também desconhecer qualquer participação direta de Paulo Roberto Costa nos acertos empresariais para a compra da refinaria de Pasadena (EUA). Por isso, Bacci considera essencial colocar um diante do outro, numa tentativa de esclarecer as dúvidas sobre os fatos investigados.
"Por que não colocá-los frente a frente? Isso não é o momento de fazer economia. Não vem com discurso que trazer alguém aqui é gastar dinheiro público", argumentou o deputado.
O senador José Pimentel (PT-CE) lembrou que Paulo Roberto Costa já esteve no Congresso e evocou o direito de ficar calado. Avaliou, por isso, que a acareação não produzirá resultados.
"Para gerar matéria para imprensa não precisamos gastar dinheiro público para trazer gente presa e com delação premiada já firmada", afirmou Pimentel.
A CPMI da Petrobras também aprovou as convocações do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso na Operação Lava Jato na sexta-feira (14); e do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado.
“É imperativa a vinda do Sérgio Machado em virtude dos desmandos já analisados na Transpetro”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Para o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), devem ser priorizadas as convocações de pessoas já presas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.
O executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça Neto revelou em depoimento a procuradores da República que pagou cerca de R$ 60 milhões em propina a Duque.
Já Machado foi citado na Operação Lava-Jato por supostamente participar de irregularidades na compra de navios para a Transpetro. O ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento à Justiça Federal, que Machado teria pago a ele R$ 500 mil para direcionar uma licitação de navios.
A CPI aprovou ainda um requerimento de quebra de sigilo telefônico, bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele é suspeito de ser operador do partido em um esquema de corrupção dentro da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Segundo afirmações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que falou aos investigadores em troca de redução de pena, Vaccari seria intermediário do PT no esquema de pagamento de propinas.
De acordo com as investigações, as empreiteiras formavam um cartel e repassavam um percentual dos contratos superfaturados ao PT, PP e PMDB, que controlavam diferentes diretorias na estatal.
A quebra de sigilo foi aprovada em placar apertado na CPI, 12 votos a 11. Parlamentares da base aliada contestaram a decisão de não ampliar o requerimento para quebrar o sigilo de diferentes tesoureiros.
“Quero externar minha indignação da não extensão do requerimento aos tesoureiros de outros partidos que recebem recursos dessas empresas”, disse o deputado Sibá Machado (PT-AC), ao lembrar que as empreiteiras fizeram doações de campanha para diferentes legendas nas eleições.

ECONOMIA: Dólar fecha em baixa a R$ 2,59; é a segunda queda em novembro

Do UOL, em São Paulo

O dólar comercial fechou em queda de 0,42%, a R$ 2,59 na venda nesta terça-feira (18). A moeda norte-americana caiu apenas duas vezes neste mês (a outra tinha sido no dia 10, com baixa de 0,55%).
O dólar vem oscilando perto dos maiores níveis em quase 10 anos nos últimos dias. 
"É natural que a alta do dólar não seja completamente linear. Há sempre alguns momentos de realização, de ajuste", disse o gerente de câmbio da corretora TOV, Celso Siqueira, à agência de notícias Reuters, ressaltando que o mercado continua "bastante tenso".
Ministério da Fazenda e Lava Jato
Os investidores estão ansiosos para saber quem vai substituir Guido Mantega no Ministério da Fazenda, e devem entender o anúncio como uma sinalização sobre como será guiada a política econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff.
Dilma já afirmou que só apresentaria nomes após a reunião do G20, que aconteceu no fim de semana. Desde então, a cada dia que passa, a ansiedade cresce.
O receio dos investidores também subiu com a nova fase da operação Lava Jato, que levou a Petrobras a adiar a divulgação de seu balanço.
"Esse tipo de notícia (a Operação Lava Jato) é um susto que faz todo mundo correr para proteção. Não é questão de fundamentos ou de impacto sobre a economia, é questão de sentimento", disse o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos internacional à Reuters.
Atuação do BC no mercado de câmbio
O Banco Central manteve seu programa de intervenções diárias no mercado de câmbio, com as novas regras anunciadas em junho, vendendo os 4.000 novos contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) ofertados.
Foram vendidos 1.100 contratos com vencimento em 1º de junho de 2015, e outros 2.900 com vencimento em 1º de setembro do ano que vem. A operação movimentou o equivalente a US$ 196,3 milhões.
O BC também vendeu a oferta total de até 14 mil contratos em um segundo leilão, desta vez para estender o vencimento dos contratos que vencem em 1º de dezembro.
Foram vendidos 1.500 contratos para 3 de novembro de 2015 e 12,5 mil para 4 de janeiro de 2016, com volume correspondente a US$ 677 milhões.
Ao todo, o BC já rolou o equivalente a US$ 5,308 bilhões, ou cerca de 54% do lote total do mês que vem, que corresponde a US$ 9,831 bilhões.
(Com Reuters e Valor)

CORRUPÇÃO: Executivo de empreiteira foi alertado de que a operação seria deflagrada

FOLHA.COM
AGUIRRE TALENTO
RUBENS VALENTE, DE BRASÍLIA

O vice-presidente da empreiteira Engevix, Gerson Almada, preso na última sexta-feira (14) na sétima fase da Operação Lava Jato, soube um dia antes da possibilidade de a Polícia Federal deflagrar a operação.
A informação foi passada pelo seu advogado, por meio de uma mensagem de celular ao executivo às 21h45 de quinta-feira (13). As prisões ocorreram na manhã seguinte.
"Gerson, há boatos de que amanhã haverá uma operação da Polícia Federal no caso Lava Jato. Abs [abraços]", diz a mensagem.
A defesa de Gerson anexou a troca de mensagens em um pedido de habeas corpus –solicitação para responder a eventuais ações em liberdade–, como prova de que o executivo não quis fugir e se deixou prender. O pedido que tenta reverter a prisão preventiva do executivo foi feito no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, de Porto Alegre (RS).
Reprodução 
Mensagem enviada ao celular do executivo Gerson Almada, da Engevix, sobre a Operação Lava Jato
"Mesmo avisado pelos advogados acerca destes rumores, Gerson não titubeou e manteve-se inerte em sua residência, o alcance mais simples das autoridades e na mais completa submissão aos destinos da investigação", escreveram os advogados, em peça assinada por Fábio Tofic Simantob, Débora Gonçalves Perez e Maria Jamile José.
A sétima fase da Operação Lava Jato, chamada de "Juízo Final", prendeu 24 suspeitos de participarem de um esquema de fraude em licitações na Petrobras.
Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB na Petrobras, foi o último a ser preso nesta terça-feira (18).
Um mandado de prisão não foi cumprido: o de Adarico Negromonte, suspeito de fazer entrega de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef. Adarico é irmão do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte. O investigado é tido como foragido, de acordo com a Polícia Federal.
O pedido de habeas corpus de Gerson Almada foi indeferido pela desembargadora plantonista do TRF. A defesa havia argumentado que a decisão da prisão preventiva, expedida pelo juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba (PR), "carece de qualquer fundamentação idônea", sem elemento concreto para confirmar o envolvimento do executivo.
Almada foi citado nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento de Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef como o interlocutor deles na Engevix na formação de cartel para fraude em licitações e pagamento de suborno a agentes públicos.
Segundo a decisão de Moro, o nome de Almada é um dos "principais responsáveis pelo cartel criminoso", conforme os nomes apontados por Youssef e Costa.
RUMORES
Procurado para comentar o possível vazamento da operação da sexta-feira, o advogado Fábio Simantob afirmou que os rumores eram "generalizados" nos dias anteriores e que foram relatados em reportagens jornalísticas publicadas no dia da operação. "De onde vazou, eu não sei", disse o advogado.
"Eu junto [anexei] a mensagem de texto para mostrar que eu o avisei, mas junto também uma matéria que fala isso", disse o advogado. A matéria referida pelo advogado é datada de 14 de novembro, data em que a operação foi deflagrada, pela manhã.
Indagado sobre como ficou sabendo dos rumos, o advogado explicou: "Olha, eram rumores, eu não tenho uma fonte, eram generalizados. Eu posso te dizer é que eram rumores muito fortes, isso estava circulando em vários lugares, tanto que o jornalista sabia".

CORRUPÇÃO: Lobista apontado como operador do PMDB se entrega à PF

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO

Ele teve prisão temporária decretada e estava foragido
SÃO PAULO. Apontado como operador do PMDB no desvio de recursos da Petrobras, o lobista Fernando Soares se entregou nesta terça-feira à Polícia Federal de Curitiba. Ele estava com prisão temporária decretada desde a última sexta-feira e era procurado pela Polícia Federal.O advogado de Soares, Mario Oliveira Filho, afirmou ontem que seu cliente havia marcado depoimento para a tarde desta terça-feira e que foram surpreendidos pelo decreto da prisão.
O Ministério Público Federal afirmou, na denúncia que justificou o pedido de prisão temporária de Soares, que os executivos Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, informaram ter pago R$ 154 milhões em propina aos operadores do PT e do PMDB dentro da Petrobras. Segundo os delatores, Soares atuava na diretoria Internacional da Petrobras, comandada por Nestor Cerveró.
A Justiça decretou ainda o bloqueio de ativos de empresas que pertencem a Soares e que teriam sido usadas para receber propina, simulando contratos de prestação de serviços, a Technis Planejamento e Gestão e a Hawk Eyes Administração

CORRUPÇÃO: Juiz manda quebrar sigilo de 16 dos 24 presos e 3 empresas da Lava Jato

Do UOL, em Brasília
Leandro Prazeres

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, determinou, nesta terça-feira (18), a quebra do sigilo bancário de 16 dos 24 presos durante a sétima fase da operação. Além da quebra do sigilo bancário dos presos, três empresas suspeitas de fazerem parte do esquema de desvio de dinheiro público da Petrobras tiveram a quebra de sigilo determinada.
O pedido de quebra de sigilo bancário dos suspeitos foi feito na tarde desta terça-feira (18) e encaminhado ao Banco Central. Os presos que tiveram os sigilos bancários quebrados são: Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia), Renato Souza Duque (Petrobras), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Valdir Lima Carreiro (Iesa), Dalton Santos Avancini (Camargo Correa), Walmir Pinheiro Santana (UTC), José Ricardo Breghirolli (OAS), Eduardo Hermelino Leite (Camargo Correa), Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior), Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (UTC), João Ricardo Auler (Camargo Correa), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Gerson de Mello Almada (Engevix) e Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como lobista do PMDB.
As três empresas que tiveram seus sigilos bancários quebrados são: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM Consultoria e Participações.
As três empresas são apontadas pela PF como elos do esquema de desvios de dinheiro da Petrobras para o pagamento de propina a partidos e políticos. A Hawk Eyes e a Technis, segundo a investigação, têm o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, como um dos seus sócios. Além de pedir a quebra de sigilo bancário das duas empresas, a Justiça Federal do Paraná já havia pedido o bloqueio de bens delas.
A D3TM , segundo a PF, tem o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Souza Duque como principal sócio. A empresa foi aberta dois dias antes de o ex-diretor deixar a Petrobras e atende a clientes que mantêm contratos com a estatal. A Justiça Federal também bloqueou os bens da D3TM.
Desde a última sexta-feira (14), a PF colhe os depoimentos de presos da sétima fase da operação Lava Jato. A PF investiga um esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras orçado em pelo menos R$ 10 bilhões.
A sessão desta terça-feira da CPI da Petrobras também aprovou o pedido de quebra de sigilo do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

POLÍTICA: No clima das Mãos Limpas

Por ILIMAR FRANCO - OGLOBO.COM.BR
Do Blog do NOBLAT

Esse processo já acertou um alvo: o governo Dilma.
Departamento de Polícia Federal (DPF) (Imagem: Arquivo Google)
A oposição gostaria de restringir o escândalo da Petrobras ao governo Dilma, ao PT e ao PMDB. Os petistas torcem para que os tucanos caiam na rede. Independentemente disso, a crise ganhou asas. As grandes empreiteiras estão no epicentro. E não há quem tenha condições de fazer qualquer blindagem.
O clima na sociedade é não deixar pedra sobre pedra. Na PF, o ambiente não é de complacência. Nem o de restringir os fatos no tempo e no espaço. Analistas políticos avaliam que a Lava-Jato vai deixar fios soltos que gerarão novas investigações.
Mas esse processo já acertou um alvo: o governo Dilma. Ele viverá sob o signo da instabilidade e, segundo um ministro, terá a tarefa de administrar um país abalado.

COMENTÁRIO: Dilma, indevidamente

Por Dora Kramer -ESTADAO.COM.BR

Partindo do pressuposto de que não lhe falha a memória e de que o Brasil não sofre epidemia de amnésia, a presidente Dilma Rousseff incorre em ato de deliberada apropriação indébita ao atribuir ao seu governo o marco histórico no combate à corrupção, devido ao desmonte do esquema de ilícitos em funcionamento na Petrobrás entre 2003 e 2012.
Da Austrália, a presidente se pronunciou dizendo que esse é um escândalo de características especiais. Segundo ela, "o primeiro a ser investigado". E por isso mesmo, um divisor, "capaz de mudar para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas", em relação à impunidade. Avocou para si o mérito, quando ele se deve a instituições que funcionaram com independência: Congresso, Polícia Federal, Ministério Público e Supremo Tribuna Federal.
Em matéria de amplitude há, de fato, ineditismo, como demonstraram as prisões dos executivos de empreiteiras na última sexta-feira e já indicam as notícias sobre a próxima fase da Operação Lava Jato sobre o envolvimento de algumas dezenas de políticos. Nem de longe, porém, é possível dizer que esse seja o primeiro escândalo a ser investigado e muito menos que seja a causa de mudança de procedimentos.
Na realidade, é consequência de um escândalo produzido pelo PT, o mensalão: desde a denúncia de Roberto Jefferson, passando pela bem sucedida CPI dos Correios, o trabalho do Ministério Público, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o julgamento e as condenações no Supremo Tribunal Federal, até as prisões dos réus.
Enquanto os políticos estão quase todos cumprindo suas penas em prisão domiciliar, os operadores do esquema nos bancos e agências de publicidade continuam na cadeia. O principal deles, Marcos Valério ainda ficará por muito tempo em regime fechado. Confiou na influência dos donos do poder e calou-se na CPI e na Justiça. Quando quis fazer delação premiada era tarde.
Deu-se ali a mudança de paradigma que serviu de exemplo e, depois de alguma resistência, incentivou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a optarem pelos acordos de delação premiada. A eles recentemente juntaram-se outros, no que em breve talvez seja uma fila.
Com base nas informações prestadas em exaustivos depoimentos é que a polícia está conseguindo desmontar o que a PF já havia chamado de "organização criminosa" montada dentro da Petrobrás. Isso ao tempo em que o governo tratava o assunto em estado de total negação de que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal - no máximo se admitia erros administrativos, nunca decorrentes de "má-fé", muito menos de intenções delituosas.
De onde não se pode aceitar como verossímil a versão de que foi a presidente quem "mandou" investigar. Inclusive porque o trabalho foi feito em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná, instâncias cuja autonomia é assegurada pela Constituição.
Até meados do ano, antes de aparecerem evidências mais consistentes, o governo só fez trabalhar intensamente para inviabilizar as comissões de inquérito no Congresso que pretendiam investigar os negócios na Petrobrás, tentar adiar decisões do Tribunal de Contas da União sobre a refinaria de Pasadena e por várias vezes ministros, políticos governistas e a própria presidente insistiam na versão de que quem lança suspeições sobre a empresa tinha como objetivo enfraquecer um patrimônio nacional e impor prejuízos políticos à candidatura da presidente.
Houve mesmo um momento em que Dilma pôs em dúvida a veracidade do conteúdo das delações premiadas e acusou a oposição de usar as "supostas denúncias" para dar "um golpe" no País.
Diante de tanta contradição e ambiguidade, é de puro exercício de ficção transformar o governo de agente a combatente da corrupção na Petrobrás.

COMENTÁRIO: Toda ditadura é nojenta!

Por Ricardo Noblat - Do Blog do NOBLAT
OGLOBO.COM.BR

Não existe ditadura ruim ou boa. Toda ditadura é abominável, seja civil ou militar. Ela desperta os instintos mais primitivos dos que a exercem.
Nada há de absurdo em se discutir o eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff no rastro do escândalo da Petrobras.
Em um regime democrático, a Constituição prevê que o Congresso pode, sim, derrubar o presidente da República. Foi o que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor no final de 1992.
Acusado de roubar e de ter deixado roubar, Collor despachou uma carta para o Congresso renunciando ao cargo. O Congresso, simplesmente, ignorou a carta e cassou seu mandato. Assumiu Itamar Franco, o vice-presidente.
Em momento algum correu perigo a ainda frágil democracia instalada no país depois de 21 anos de ditadura militar.
Muito bem. Só que não há por enquanto nenhum motivo, sequer um pretexto razoável, para que se cogite a queda da presidente.
Goste-se ou não, Dilma foi legitimamente reeleita. Derrotou Aécio Neves por uma diferença superior a três milhões de votos. O próprio Aécio telefonou para ela parabenizando-a.
Não se pode impedir ninguém de pregar o impeachment. Nem mesmo de pregar um golpe militar.
O extraordinário da democracia é que ela garante a liberdade até mesmo dos que se opõem a ela.
Mas quem tenha o mínimo de responsabilidade política e social não pode ouvir calado os que incitam ao ódio e à quebra da legalidade. Por asco, dessa gente eu quero distância.
Este país já teve ditadura de mais e liberdade de menos.
E quem provou na pele a violência do estado de exceção ou apenas ouviu falar das várias maneiras como ela se manifestou, está obrigado a dar testemunho para que isso jamais se repita. Jamais.
Não existe ditadura ruim ou boa. Toda ditadura é abominável, seja civil ou militar. Ela desperta os instintos mais primitivos dos que a exercem. E deixa cicatrizes para sempre.
Ditadura nunca mais (Imagem: Arquivo Google)

ECONOMIA: Ações da Petrobras caem 4%, mas Bolsa sobe; dólar recua

UOL

A Bolsa de Valores operava em alta nesta terça-feira (18), apesar da queda de cerca de 4% das ações da Petrobras (PETR3, PETR4), enquanto o dólar passava a cair. Ainda em meio às expectativas sobre a definição da equipe econômica para o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), os investidores operavam em compasso de espera. Por volta das 14h50, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, operava em alta de 0,87%, a 51.702,57 pontos; o dólar comercial perdia 0,26%, para R$ 2,594 na venda. Pela manhã, o BC realizou dois leilões de contratos de dólar: um como parte de seu programa diário de atuações no mercado, e outro para rolar os contratos que vencem em dezembro. (Com Reuters)

GERAL: Eike deve ir a julgamento hoje por crimes contra o mercado financeiro

Do UOL, em São Paulo

Daniela Dacorso/Folha Imagem
Está marcada para hoje, às 14h, a primeira audiência com Eike Batista no banco dos réus, na 3ª Vara Federal Criminal do Rio. Ele é acusado de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada ao negociar ações da petroleira OGX.
A defesa do empresário tentou suspender a ação, mas a liminar foi negadaontem. 
Devem ser ouvidas 13 testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público Federal do Rio, autor da denúncia, e sete testemunhas de defesa, além do próprio Eike. 
O juiz do caso, Flávio Roberto de Souza, disse que espera ter um veredicto até o início de 2015, depois que novas testemunhas forem convocadas para depor.
O julgamento deve decretar a sentença na primeira instância. Se considerado culpado, Eike pode ser condenado a até 13 anos de prisão. 
Ele ainda poderá recorrer a instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). 
Acusações
Eike é acusado de dois crimes contra o mercado de capitais:
1) Manipulação do preço de ações na Bolsa de Valores: segundo a denúncia, para enganar investidores e deixá-los confiantes, Eike assinou um contrato prometendo injetar US$ 1 bilhão na OGX, com condições feitas para nunca se concretizarem. Teria feito isso tendo informações privilegiadas, de que três projetos de exploração da petroleira eram inviáveis. A operação feita pelo empresário é conhecida no mercado como "put". 
2) Uso de informação privilegiada (insider trading): De acordo com a denúncia, Eike se desfez de ações da OGX em duas ocasiões, em 2013, antes da divulgação de informações desfavoráveis à empresa, que ocorreriam dias depois, o que levou as cotações dos papéis à queda.
De bilionário a classe média
Eike já foi a pessoa mais rica do Brasil e o sétimo mais rico do mundo, segundo o ranking de bilionários da revista "Forbes". 
O conjunto de empresas de energia, commodities e logística de Eike entrou em colapso no ano passado, forçando seus empreendimentos de petróleo, estaleiros e principais empresas de mineração a pedir recuperação judicial em meio a uma dívida cada vez maior, uma queda nas receitas e uma crise de confiança dos investidores.
Em setembro, após as denúncias, ele disse à "Folha de S.Paulo" que tinha um patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão e que "voltar a classe média é um baque gigantesco"
(Com agências de notícias)

CORRUPÇÃO: Lava-jato: Delatores vão devolver R$ 423 milhões desviados dos cofres públicos

OGLOBO.COM.BR
POR JAILTON DE CARVALHO

Somas, já bloqueadas, referem-se a acordos feitos por apenas cinco investigados
BRASÍLIA - Numa série de acordos e confissões de fraudes sem paralelo em processos judiciais brasileiros, cinco delatores da Operação Lava-Jato já se comprometeram a devolver R$ 423 milhões. As somas já estão bloqueadas em contas no Brasil e no exterior, e a devolução aos cofres públicos depende apenas de decisões judiciais burocráticas. Só o ex-gerente Pedro Barusco, um dos supostos cúmplices do ex-diretor de Serviços Renato Duque, firmou compromisso de devolver aproximadamente US$ 100 milhões, algo em torno de R$ 253 milhões, segundo disse ao GLOBO uma autoridade que acompanha o caso.
O valor é superior ao que a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB) teriam gasto, cada um, durante a campanha eleitoral deste ano. Dilma planejou despesas da ordem de R$ 300 milhões. Os gastos de Aécio teriam ficado em torno de R$ 290 milhões. Trata-se também do maior volume de recursos a ser devolvido a partir de acordos de delação premiada no país. Até então, a maior quantia a ser devolvida por um delator era a do ex-secretário de Assuntos Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa, operador do mensalão do DEM. Dinheiro e bens a serem devolvidos por Barbosa giram na casa dos R$ 100 milhões, conforme cálculos do Ministério Público local.
A escalada de delações, associada à confissão de culpa e à devolução de dinheiro desviado, começou com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O ex-diretor entregou a estrutura de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras e assumiu por escrito o compromisso de devolver aproximadamente R$ 70 milhões. Desse total, US$ 23 milhões (R$ 58 milhões) estão bloqueados em contas bancárias na Suíça. Com o caminho aberto, o seu ex-cúmplice no esquema, o doleiro Alberto Youssef, também decidiu confessar envolvimento com a corrupção e entregar aproximadamente R$ 50 milhões.
Não demorou, o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, decidiu fazer o mesmo. O empresário concordou em pagar R$ 40 milhões a título de ressarcimento dos cofres públicos e contar ao Ministério Publico como e para quem pagou propina em troca de contratos com a maior estatal brasileira. Augusto Ribeiro, outro executivo da Toyo Setal, dispôs-se a pagar R$ 10 milhões e também complementar os relatos sobre os subornos de dirigentes da Petrobras e de intermediários das negociatas.
Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato estavam cientes da importância histórica dos valores a serem devolvidos pelos delatores. Numa cartada emblemática, procuradores obtiveram o compromisso de que Barusco devolverá aproximadamente US$ 100 milhões. Parte do dinheiro, US$ 20 milhões, já está bloqueada em contas na Suíça.
Barusco é ligado a Renato Duque, que ocupou a diretoria de Serviços da Petrobras até 2012 por indicação do PT. Barusco dediciu entregar o dinheiro depois de terem sido denunciados por Camargo e Ribeiro.
“DEPOIMENTOS DETALHADOS”
“Com efeito, os depoimentos transcritos são bastante detalhados, revelando pagamentos de propinas em diversas obras da Petrobras, como na Repav, Cabiúnas, Comperj, Repar, Gasoduto Urucu Manaus, Refinaria Paulínea, a Renato Duque e ainda a gerente da Petrobras de nome Pedro Barusco, com detalhes quanto ao modus operandi e as contas no exterior creditadas”, sustenta o juiz Sérgio Moro ao decretar a prisão de Duque e outros 26 investigados na Lava-Jato, na semana passada.
Barusco só não foi preso porque decidiu colaborar com a Justiça e devolver o dinheiro desviado. Os acordos de delação e devolução de expressivas somas em espécie são resultado do trabalho de procuradores da força-tarefa e de Sérgio Moro. Um dos procuradores, Carlos Fernando, e Moro são especialistas na questão.
Paulo Roberto Costa decidiu abrir o jogo ao Ministério Público e à Polícia Federal numa tentativa de evitar as prisões das filhas e dos genros, também acusados de envolvimento com a movimentação de dinheiro de origem ilegal. Segundo um de seus advogados, ele estava deprimido e decidiu contar tudo e devolver o dinheiro como uma forma de libertação.
Alberto Youssef resistiu longamente, mas acabou decidindo colaborar por pressão da mulher e da filha. Elas tinham receio de que o pai tivesse destino parecido com o de Marcos Valério, o operador do mensalão do PT. Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Os outros cúmplices foram punidos com penas menores, e muitos deles já estão soltos. Os outros delatores também começaram a contar o que sabem por medo de permanecerem longos anos na cadeia.

GERAL: Recife: rojão é encontrado em bagagem de aeronave

Do OL
Da redação noticias@band.com.br

Passageiros da Tam que viajariam para Brasília tiveram que esvaziar o avião
Passageiros de um voo da Tam que faria a rota Recife-Brasília levaram um susto na manhã desta terça-feira. A aeronave precisou ser esvaziada poucos minutos antes da decolagem porque existia a suspeita de uma bomba na bagagem de um passageiro.
Segundo a Polícia Federal se tratava de um rojão pequeno, "que cabia na palma da mão", e não de uma bomba. Todos os passageiros tiveram que voltar para a área de embarque e passar mais uma vez pelo raio-x. As bagagens também foram vistoriadas novamente e a aeronave passou por uma varredura da PF. 
Segundo a Tam, o voo JJ3304 estava programado para decolar às 7h10min do aeroporto Internacional de Guararapes, no Recife, mas "operou com atraso em razão da presença de um artefato de pequeno porte a bordo" e acabou partindo às 10h. A aeronave seguiu viagem até Brasília sem registrar qualquer ocorrência.
Até o início da tarde desta terça a Polícia Federal não havia informado detalhes sobre o passageiro, nem o que aconteceu com ele após o artefato ser localizado.

CORRUPÇÃO: Lava-Jato: PMDB busca se distanciar de Baiano, apontado como operador do partido

OGLOBO.COMBR
POR O GLOBO

Sigla vai usar o discurso de que foragido pode ser conhecido de alguns peemedebistas, mas não é ligado à legenda
Fernando Baiano é suspeito de ser o operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras - Reginaldo Teixeira/Veja/Abril Comunicações S.A.
BRASÍLIA - A cúpula do PMDB se reuniu na segunda-feira à noite com o vice-presidente Michel Temer e discutiu uma estratégia para tentar, pelo menos no discurso, se distanciar de Fernando Soares, o Fernando Baiano, que foi apontado como operador do PMDB dentro das investigações da Operação Lava-Jato e está foragido.
A intenção é utilizar o discurso de que Baiano pode ser conhecido de alguns peemedebistas, mas não é ligado ao partido. Integrantes do partido já lembram que depoimentos mais recentes apontaram ligação de Fernando Baiano com Néstor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional a Petrobras, que teria sido indicado para o cargo pelo PT. Cerveró está sendo investigado pela compra da refinaria de Pasadena.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), disse na segunda-feira ao GLOBO que “não tem nenhum relacionamento ou relação com Fernando Baiano”, mas admitiu que o recebeu, em seu escritório no Rio, na condição de representante da empresa espanhola Acciona, que fez obras no Rio em empreendimentos de Eike Batista. Cunha vem dizendo a aliados estar tranquilo com as investigações.
Na segunda à tarde, Temer deu uma declaração sobre o escândalo, ao participar de seminário no Tribunal de Contas da União (TCU), e depois se reuniu com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e com o líder Cunha. Apesar do clima de preocupação no partido sobre os nomes de parlamentares que podem ser citados, Temer tentou distanciar a sigla das denúncias:
— Ele (Fernando Baiano) não tem relação nenhuma com o PMDB, ele pode ter eventualmente relação com um ou outro membro do PMDB. Institucionalmente, jamais houve qualquer operador do partido.
GEDDEL COBRA EXECUTIVA
No encontro com Temer, os peemedebistas leram em detalhes a representação do Ministério Público. Há trechos onde o empresário Júlio Gerin Camargo, executivo da empresa Toyo-Setal e que entrou no processo de delação premiada, diz que havia uma relação entre Fernando Baiano e Cerveró.
Em entrevista ao Panorama Político, do colunista Ilimar Franco, Geddel Vieira Lima, candidato derrotado ao Senado, cobrou de Temer um pronunciamento oficial da Executiva:
— Sou militante do PMDB há 30 anos e nunca ouvi falar de Fernando Baiano. A Executiva Nacional precisa se pronunciar oficialmente sobre o episódio.

CORRUPÇÃO: Construtoras investigadas na Lava-Jato podem fazer acordo com CGU

OGLOBO.COM.BR
POR TIAGO DANTAS

Empresas admitiriam práticas ilegais em troca de redução de pena administrativa, que prevê até proibição de contratos com o poder público
Ministro-chefe da CGU disse que por enquanto não há acordo celebrado - André Coelho / Agência O Globo
SÃO PAULO - Construtoras investigadas na Operação Lava-Jato, acusadas de montar um esquema de corrupção na Petrobras, procuraram a Controladoria-Geral da União (CGU) para avaliar a possibilidade de fazer acordos de leniência. Por meio do trato, que se assemelha a uma delação premiada, as empresas admitiriam práticas ilegais em troca da redução de suas penas na esfera administrativa, que inclui, até, a proibição de assinar novos contratos com o poder público.
— Já temos alguns contatos (com as construtoras), mas, por enquanto, não está celebrado nenhum acordo— disse o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, após participar de um seminário sobre a Lei da Empresa Limpa (12.846/13), que aumenta a punição a companhias que corrompem agentes públicos, nesta terça-feira, em São Paulo.
Segundo o ministro, os nomes das construtoras que estudam assinar o acordo de leniência não pode ser revelado. Hage disse que espera receber as informações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre a participação das companhias no esquema da Petrobras para abrir processos contra elas.
Atualmente, segundo Hage, seis funcionários, ex-funcionários ou ex-diretores da Petrobras estão sendo investigados pela CGU devido ao envolvimento deles em contratos suspeitos com a empresa holandesa SBM Offshore. A companhia, que está sendo investigada na Holanda, também negocia com a CGU um acordo de leniência.
A investigação contra a SBM começou em abril, depois que denúncias de corrupção surgiram na Holanda. Um ex-funcionário da empresa relatou às autoridades locais que a companhia teria mantido um esquema de suborno em vários países para obter vantagens em contratos de afretamento e operação de plataformas de petróleo, que chegaria a US$ 250 milhões. Quase metade deste valor, US$ 139 milhões, teria sido repassado à Petrobras, ainda de acordo com as denúncias.
A CGU ainda não teve acesso às provas colhidas pelo governo holandês, mas com base na investigação feita pelos seus auditores conseguiu colher elementos suficientes para abrir um processo. Em março, uma comissão interna da Petrobras havia sido criada para avaliar as denúncias, mas não chegou a nenhuma conclusão.
— A comissão interna da Petrobras fez o que era possível no prazo que teve, de 30 dias. Ela não tinha o instrumental investigativo que CGU e PF têm. O relatório que a comissão fez foi muito útil e serviu para dar início às nossas investigações - disse o ministro.
Durante o seminário desta terça, Hage afirmou que o combate a corrupção depende de uma reforma política, que discuta o financiamento empresarial das campanhas políticas, o que ele definiu como "a raiz da corrupção no país", e da aceleração dos processos judiciais civis e criminais relacionados a casos de corrupção, que chegam a durar "de 10 a 15 anos".

ECONOMIA: Ações da Petrobras operam no menor valor do ano; Eletrobras e Vale caem

FOLHA.COM
DE SÃO PAULO

As ações da Petrobras voltaram a cair nesta terça-feira (18) e operam em seu menor valor no ano, em meio a denúncias de corrupção envolvendo a estatal. Apesar disso, o principal índice da Bolsa brasileira opera perto da estabilidade, ajudado pelo bom desempenho do setor bancário.
Às 13h15 (de Brasília), o Ibovespa tinha ligeira valorização de 0,13%, aos 51.323 pontos. O volume financeiro era de R$ 1,935 bilhão. No mesmo horário, as ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras cediam 2,61%, para R$ 12,27 cada uma –se fechassem nesse nível, seria a menor cotação desses papéis em 2014, ultrapassando os R$ 12,57 vistos em 17 de março.
Já os papéis ordinários da petroleira, aqueles que dão ao acionista o direito a voto, mostravam desvalorização de 2,63%, para R$ 11,81 cada um. Segundo analistas, continua pesando negativamente sobre a Petrobras o noticiário relacionado à operação Lava Jato da Polícia Federal, incluindo a chance de baixa contábil em seus ativos de acordo com as propinas.
Também operava em baixa a Eletrobras. Na última segunda, a empresa de energia elétrica divulgou que ampliou prejuízo no terceiro trimestre para R$ 2,7 bilhões, ante resultado negativo de R$ 915 milhões no mesmo período de 2013, levando o seu diretor financeiro, Armando Casado, a afirmar analistas que ela pode ficar sem pagar dividendos (parte do lucro da empresa distribuída aos acionistas) em 2014.
As ações preferenciais da Eletrobras caíam 4,52%, às 13h15, para R$ 6,97 cada uma –se fechassem nesse valor, seria a mais baixa cotação desde 1994. Já os papéis ordinários da companhia mostravam ligeira queda de 0,77% no mesmo horário, para R$ 5,17 cada um.
Na esteira do cenário negativo para o minério de ferro, principalmente por incertezas em relação ao nível dos investimentos chineses e diante do aumento da oferta global da matéria-prima, a Vale também vê sua ação preferencial cair nesta terça-feira. Os papéis sofriam perda de 3,09%, a R$ 19,12 cada um.
Em contrapartida, o setor bancário, segmento com maior peso dentro do Ibovespa, ajudava a sustentar o índice no azul. Às 13h15, as ações preferenciais de Itaú Unibanco e Bradesco mostravam avanços de 1,02% e 0,74%, respectivamente, para R$ 35,32 e R$ 35,30. Já o Banco do Brasil registrava alta de 0,39%, a R$ 25,18.
CÂMBIO
No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha desvalorização de 0,31% sobre o real, às 12h15, cotado em R$ 2,596 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, usado no comércio exterior, recuava 0,23%, para R$ 2,597.
O Banco Central do Brasil deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), pelo total de US$ 196 milhões.
A autoridade deu sequência também ao processo de rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 1º de dezembro de 2014. O BC vendeu 14.000 contratos nessa operação, por US$ 677 milhões. Até o momento, a autoridade já rolou cerca de 54% do lote total com prazo para o primeiro dia do mês que vem, que equivale a US$ 9,831 bilhões.

MUNDO: Ataque a facadas mata ao menos quatro em sinagoga de Jerusalém

ESTADAO.COM.BR
O ESTADO DE S. PAULO

Frente Popular para a Libertação da Palestina reivindicou a autoria do atentado, que deixou oito feridos; Netanyahu reúne gabinete
Judeus ortodoxos reagem a ataque a sinagoga em Jerusalém
(Atualizada às 12h15) JERUSALÉM - Dois homens armados com facas e machados mataram ao menos quatro pessoas e feriram outras oito em uma sinagoga de Jerusalém nesta terça-feira,18, antes de serem mortos por policiais, informaram a polícia israelense e os serviços de emergência, no pior ataque do tipo desde 2008. 
A Frente Popular para a Libertação da Palestina reivindicou a autoria do atentado. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu convocou uma reunião de emergência de seu gabinete e afirmou que responderá com "punho de ferro" ao ataque cometido. "Responderemos com punho de ferro a este brutal assassinato de judeus que tinham ido rezar e se depararam com deploráveis assassinos."
O ataque ocorreu logo depois do amanhecer em um bairro ultraortodoxo de Jerusalém Ocidental. Fotografias publicadas por um porta-voz do Exército israelense na Internet mostram um homem em posição de oração judaica estirado morto, um cutelo de açougueiro sujo de sangue jogado no chão e mesas de oração reviradas.
"Estamos vendo esse como um ataque terrorista", disse o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld. O serviço de ambulâncias israelense informou que pelo menos oito pessoas estavam seriamente feridas.
A polícia informou que pelo menos um dos agressores era de Jerusalém Oriental, o lado predominantemente palestino da cidade.
"Dois terroristas entraram na sinagoga do bairro de Har Nof. Atacaram com um machado, uma faca e uma pistola. Quatro pessoas que estavam rezando morreram. A polícia chegou ao local e matou os terroristas", explicou Luvba Samri, porta-voz da polícia, para a imprensa.
Jerusalém vem sendo palco de uma crescente tensão desde que três extremistas judeus mataram uma criança palestina em julho, no lado Oriental, como vingança pelo assassinato de três estudantes israelenses que pediam carona perto dos assentamentos de Gush Etzion.
Desde então, ocorreram protestos, enfrentamentos entre a polícia e jovens palestinos, além de ataques de colonos israelenses e cidadãos palestinos nos bairros árabes e no centro velho da cidade. / EFE e REUTERS

CORRUPÇÃO: Executivo diz à PF que empreiteira fazia doações ao PT, PP, PMDB ‘e mais alguns’

ESTADAO.COM.BR
Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo
REDAÇÃO

Engenheiro Ildefonso Colares Filho, que trabalhou na Queiroz Galvão e preso na Lava Jato, detalha em depoimento contribuições de construtora a campanhas eleitorais
O engenheiro civil Ildefonso Colares Filho, que trabalhou durante cerca de 40 anos na Queiroz Galvão, afirmou que a construtora fazia contribuições durante as campanhas eleitorais aos partidos políticos que “mais se caracterizam com as características da empresa”. Em depoimento à Polícia Federal, no Paraná, onde está preso por suspeita de envolvimento com o cartel das empreiteiras na Petrobrás, Colares citou como recebedores de doações da Queiroz Galvão o PT, o PMDB, o PP e “mais alguns”.
A PF indagou do executivo qual era o critério para as contribuições. “O primeiro critério era o limite, sempre aquém do permitido. A gente dava para aqueles partidos que mais se caracterizam com as características da empresa, ligados ao crescimento da infraestrutura.”
Indagado se conhece tesoureiros ou arrecadadores de algum partido político, ele respondeu. “Conheço o João Vaccari do PT, na época em que eu estava na empresa.” Citou, também, o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010.
Numa pergunta ao ex-dirigente da Queiroz Galvão, a PF afirmou que os primeiros delatores da Operação Lava Jato – Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás) e o doleiro Alberto Youssef -, afirmaram que o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, também recebeu propinas do esquema de corrupção. “O sr. confirma essa informação?”, perguntou o delegado. “Não”, respondeu Ildefonso Colares Filho.

DIREITO: STJ - Segunda Seção reafirma que bem de família do fiador em contrato de aluguel é penhorável

Em julgamento de recurso especial sob o rito dos repetitivos (artigo 543-C do Código de Processo Civil), a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou a tese de que é possível a penhora de bem de família de fiador apontado em contrato de locação, ante o que dispõe o artigo 3º, inciso VII, da Lei 8.009/90.
De acordo com o dispositivo, a impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.
O colegiado, de forma unânime, seguiu a jurisprudência já firmada pelo STJ e também pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “A jurisprudência desta corte é clara no sentido de que é possível a penhora do bem de família de fiador de contrato de locação, mesmo quando pactuado antes da vigência da Lei 8.245/91, que alterou o artigo 3º, inciso VII, da Lei 8.009”, afirmou o relator do recurso, ministro Luis Felipe Salomão.
O processo
A ação de cobrança de aluguéis e encargos locatícios foi ajuizada por um espólio. O juízo de primeiro grau acolheu o pedido e declarou rescindido o contrato de locação, decretou o despejo e condenou todos os réus, solidariamente, ao pagamento dos aluguéis e encargos da locação vencidos e os vincendos até a data da desocupação do imóvel.
A sentença transitou em julgado, e o espólio iniciou o seu cumprimento, tendo sido penhorados imóveis dos fiadores, que apresentaram exceção de pré-executividade. Entre outras questões, sustentaram a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei 8.009. O juízo, no entanto, rejeitou a alegação de impenhorabilidade do bem de família em vista dos precedentes judiciais.
Os fiadores recorreram, e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) tornou insubsistente a penhora que recaiu sobre um dos imóveis. “A pretensão de expropriação do imóvel residencial do fiador ganha maiores contornos de inadmissibilidade quando, em comparação com o direito posto ao devedor principal, percebe-se que a garantia negada ao garantidor é amplamente assegurada ao afiançado”, afirmou o tribunal.
Decisão reformada
Em seu voto, o ministro Salomão destacou que, conforme o artigo 1º da Lei 8.009, o bem imóvel destinado à moradia da entidade familiar é impenhorável e não responderá pela dívida contraída pelos cônjuges, pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas no artigo 3º da norma.
“Infere-se, pois, que a legislação pátria, a par de estabelecer como regra a impossibilidade de se impor a penhora sobre bem imóvel destinado à moradia do indivíduo e de sua família, excetuou a hipótese do fiador em contrato de locação, permitindo que tal gravame seja lançado sobre o imóvel”, concluiu Salomão.
Entretanto, o ministro ressaltou que há divergência na doutrina sobre o tema em discussão. De um lado, autores como José Rogério Cruz e Tucci e Carlyle Popp entendem que o bem de família do fiador não pode ser penhorado para satisfação de débito em contrato de locação.
Por outro lado e em conformidade com a jurisprudência do STJ e do STF, doutrinadores como Álvaro Villaça Azevedo, Alessandro Segalla e Araken de Assis defendem ser legítima a penhora, com base no artigo 3º da Lei 8.009.
No caso julgado, a decisão do TJMS, ao considerar inválida a penhora sobre o bem de família de fiador de contrato locatício, contrariou o artigo 3º e divergiu do entendimento já pacificado no STJ e também no STF, razão pela qual foi reformada.
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| 2010 |