terça-feira, 18 de novembro de 2014

DIREITO: STJ - Dispensa ilegal de licitação exige dano ao erário e dolo específico

Para a configuração do crime de dispensa ilegal de licitação, é necessária a efetiva comprovação de dolo e de prejuízo ao erário. A decisão foi da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em julgamento de habeas corpus que determinou o trancamento de ação penal contra o ex-secretário de Saúde do município de São Carlos (SP).
Alberto Labadessa foi acusado de ter indevidamente dispensado licitações referentes à compra de materiais para exames laboratoriais e à prestação de serviços para exames oftalmológicos nos anos de 1999 e 2000. Ele foi condenado à pena de seis anos e oito meses de detenção em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 21 dias-multa.
No pedido de habeas corpus, a defesa alegou que a condenação seria ilegal porque, para a caracterização do crime imputado, seria necessária a existência de dolo específico consistente no prejuízo ao erário.
Corte Especial
O relator, ministro Jorge Mussi, reconheceu que após o julgamento da Apn 480, a Corte Especial do STJ sedimentou o entendimento de que, para a configuração do crime de dispensa ou inexigibilidade de licitação fora das hipóteses previstas em lei, é imprescindível a comprovação do dolo específico do agente em causar dano ao erário, exigindo-se a efetiva prova do prejuízo à administração pública.
No caso apreciado, Mussi observou a inexistência de “qualquer atitude do paciente capaz de caracterizar o necessário dolo específico de causar prejuízo ao erário, tendo apenas consignado que efetuava a contratação de serviços médicos de oftalmologia e adquiria materiais de laboratório sem a realização do necessário procedimento licitatório” – o que, segundo o relator, é “insuficiente para a caracterização do crime previsto no artigo 89 da Lei 8.666/93”.A Turma, por unanimidade, determinou o trancamento da ação penal deflagrada contra o ex-secretário, com a expedição de alvará de soltura.

DIREITO: TSE - Gilmar Mendes solicita informações sobre prestações de contas de campanha de Dilma e PT

O ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (17), que a Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (ASEPA) do TSE informe as diligências já requeridas e realizadas sobre as prestações de contas referentes às eleições de 2014 da candidata eleita para o cargo de presidente da República, Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Comitê Financeiro Nacional para presidente da República.
O ministro justifica o despacho “considerando a exiguidade dos prazos para análise destas prestações de contas e a peculiar dinâmica do seu trâmite”. Ele determina, ainda, que todas as diligências sejam informadas ao seu gabinete à medida que forem sendo realizadas.
As prestações de contas de campanha de Dilma e do PT foram redistribuídas, por sorteio, ao ministro Gilmar Mendes no dia 14 de novembro, por determinação do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, tendo em vista o término do mandato do ministro Henrique Neves, no dia 13 de novembro, antigo relator da matéria.
Confira aqui a íntegra do despacho.
Processos relacionados: PC 98135 e PC 97613

DIREITO: TRF1 - Advogado é impedido de entrar em presídio de segurança máxima usando cinto

A 3ª Turma do TRF da 1ª Região confirmou decisão que reconheceu o direito de réu preso a entrevista reservada e pessoal com seu advogado em sala separada por vidro e comunicação mediante interfone, o chamado “parlatório”, sendo a conversa filmada e gravada. O colegiado também entendeu válida a determinação para que o advogado retirasse itens do seu vestuário, especificamente o cinto das calças, para adentrar nas dependências do presídio de segurança máxima.
Na apelação, a defesa do réu afirmou que a decisão demonstra um excessivo rigor e abuso nas regras da penitenciária, exigências que não são autorizadas em lei, não podendo, pois, tais unidades prisionais ultrapassar os limites da Lei de Execuções Penais, o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, além da própria autoridade do juiz federal. Sustentou “não haver risco para utilização criminosa do cinto, vez que não existe contato pessoal com o preso”. Dessa forma, requereu a reforma da decisão.
A corte rejeitou os argumentos apresentados pelo recorrente. “No caso de presídios de segurança máxima, a escuta ambiental é necessária, pois, como se sabe, alguns advogados integram organizações criminosas e se valem de suas prerrogativas para praticar crimes ou para repassar informações dessas práticas aos detentos”, diz a decisão.
Com relação à alegação de excesso na decisão que determinou ao advogado que retirasse o cinto para adentrar no presídio, o colegiado ressaltou que tal determinação se justifica “em razão da segurança dos próprios presos e dos que ali trabalham, pois a peça tem potencial para ser utilizada em enforcamentos e pode causar lesões corporais”.
A decisão, unânime, seguiu o voto da relatora, desembargadora federal Mônica Sifuentes.
Processo n.º 0006775-31.2013.4.01.4100
Data do julgamento: 23/09/2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

OPINIÃO: Os corruptores são o cupim da moral de um país

JB.COM.BR

A Operação Lava Jato vem tendo uma condução exemplar por parte do procurador e da equipe que está na diligência. A firmeza, a correção e o cuidado nas investigações são um marco na história do país. Há uma certeza de que os vazamentos não partem do Judiciário e nem do Ministério Público. 
A Operação Mãos Limpas, na Itália, ou a atuação do juiz Baltasar Garzon, na Espanha, também revolucionaram a mídia e a história destes países.
Contudo, como houve claramente uma prevaricação por parte de algumas autoridades contra poderosos corruptos, 20 anos depois vemos um cenário diferente: na Itália, há um presidente deposto e com claro envolvimento em grandes negócios com gás, óleo e comunicação, e ainda supostamente envolvido num caso de pedofilia.
E na Espanha, o partido franquista (PP), que está no poder depois de desbancar o partido socialista que se envolveu em grande caso de corrupção, vê surgir uma nova oposição. O 'Podemos' mostra a insatisfação da população, que deposita no jovem e carismático Pablo Iglesias, de 36 anos, a esperança de um futuro melhor. Iglesias confirmou recentemente sua liderança ao ser eleito secretário-geral do partido com 88% dos votos. Professor de Ciências Políticas da Universidade Complutense de Madri, ele comanda uma mistura do Movimento 15-M, dos “indignados”, que saíram às ruas em 2011, e um partido de comunicação de massa. 
Iglesias foi membro das Juventudes Comunistas. Militou no movimento antiglobalização e tem uma formação política bolivariana, venezuelana e equatoriana. O que mais surpreende nessa liderança é que é de um jovem num país com idade média de 60 anos. Este fenômeno mostra o quanto a população está insatisfeita com os rumos do país, e cobra uma mudança.
O que se vê, na realidade, é que mesmo ações contundentes resolvem pouco quando se prende apenas trombadinhas. É preciso prender os tubarões. Os corruptores são o cupim da moral de um país. É este que tem de ser atacado.
Nesse processo Lava Jato, duas coisas podem desviar o conceito da limpeza, permitindo os focos de cupim:
Primeiro - Há uma preocupação de alguns patriotas que dizem não bloquear ou sequestrar os bens e as empresas dos corruptores com medo da crise e a falência deste setor. Mas o que se vê é que se protege a empresa, e esta mesma empresa que desmoraliza um país, uma nação, um povo, demite seus empregados sem pensar nas consequências familiares. Provoca uma falência humana dos seus funcionários.
Hoje, em uma dessas empresas, mais de 400 engenheiros foram demitidos. Em outra, mais de 200, e em outras, outros tantos profissionais foram desligados. Esta é a falência humana, física.
Enquanto isso, seus patrões, os capos, continuam com seus aviões, helicópteros e super motos para levar os corruptos para jogar em Las Vegas, quando sediados em outro país.
Na crise de 2008, o governo dos Estados Unidos não hesitou em fazer uma intervenção no sistema financeiro, que era o verdadeiro responsável pela crise das bolhas - insuflou o consumo e depois não conseguiu pedalar a grande bola que vinha contra os que pedalavam.
O governo dos EUA simplesmente deixou quebrar dois bancos e fez a intervenção no símbolo do capitalismo e do sistema financeiro: o Citibank. Fez também interferências na Enron e deixou quebrar a seguradora AIG, que depois foi estatizada.
Segundo - Causa estranheza a declaração do procurador-geral da República sobre os presos(A gente ainda vai pegar esse dinheiro. Hoje são cerca de R$ 700 milhões bloqueados [dos empreiteiros]. Se as empreiteiras vierem [fazer delação], nas cláusulas do acordo, vamos colocar a exigência para a construção de presídios. Nós vamos ter licitação para construir? Não. Eles vão me dar é 'in natura'.)
O produto do roubo das empresas servirá para construir presídios? Os presos proprietários de empresas são mais responsáveis que os corruptos. O corruptor sempre é um mal maior. Devem ir para cadeias comuns, pois educados, instruídos - muitos com formação no exterior - deveriam participar da vida de muitos daqueles que estão ali sem nunca ter tido o privilégio de uma educação.

GESTÃO (?): ‘Voo da vitória’ contou com 7 ministros e 19 assessores

UOL
Leandro Mazzini
Charge de ALIEDO – http://aliedo.blogspot.com
Um grupo de 26 petistas – sete ministros e 19 assessores de gabinetes – lotou um jatinho da FAB a serviço do PT – e não do governo – no domingo da eleição do segundo turno.
Foi o Voo da Vitória, numa farra a bordo, para levar de volta a Brasília um grupo que foi a São Paulo votar.
Segundo registros da FAB, seriam 50 a bordo do avião C99, entre passageiros e tripulação (dois pilotos e um ajudante). Já a lista oficial do Ministério da Justiça, passada à Coluna, contou com 26 passageiros. Todos informaram que a viagem foi a serviço.
'COMANDANTES'
O voo compartilhado no domingo (26), que decolou às 15h do Aeroporto de Congonhas, em SP, para Brasília, chegou a tempo de os passageiros comemorarem a vitória da presidente Dilma.
Os ministros a bordo foram José Eduardo Cardozo (Justiça), Aldo Rebelo (Esporte), Miriam Belchior (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Articulação), Artur Chioro (Saúde) e Eleonora Menicucci (Mulheres).
VOO DA RESSACA
Na segunda, às 13h35, voo decolou com sete caroneiros da ministra Ideli (Direitos Humanos) de Brasília para Florianópolis. Foram à capital para a festa de Dilma.

COMENTÁRIO: O grande despertar republicano

Por Paulo Guedes - O Globo
Do Blog do NOBLAT

O julgamento da História dirá se esses episódios de despertar institucional foram apenas ilusões momentâneas.
A Polícia Federal comemorou aniversário da proclamação da República prendendo altos executivos das maiores empreiteiras do país. Além dos suspeitos corruptores envolvidos no escândalo da Petrobras, foi também preso mais um ex-diretor da estatal ligado a partidos situacionistas.
“Hoje é um dia republicano”, celebrou o procurador Carlos Lima na nova fase da Operação Lava-Jato. As investigações desvendaram bilionário esquema de corrupção sistêmica promovido por empreiteiras, diretores da estatal e políticos da base do governo. Teriam sido traficados em propinas 100 vezes mais recursos do que no escândalo do mensalão.
As instituições são nossa única defesa como cidadãos de uma sociedade aberta em construção. Estamos assistindo a um grande despertar institucional, lento mas irreversível. O impeachment de Collor teria sido o momento de afirmação do Congresso, com a demarcação da independência do Poder Legislativo.
Da mesma forma que o Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do notável Joaquim Barbosa, teria demarcado a independência do Poder Judiciário pela condenação da compra de “governabilidade” pelo Executivo e da venda de “apoio parlamentar” pelo Legislativo. O mesmo despertar ocorreu no Banco Central em seu papel crítico no combate à inflação.
Mas em todos esses episódios teme-se que o bom desempenho de nossas instituições tenha dependido mais de notáveis indivíduos, como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, do que de uma consolidada tradição institucional.
Por exemplo, o STF agora presidido por Ricardo Lewandowski reafirmará no crime contra a Petrobras a independência do Judiciário proclamada por Barbosa no mensalão? A opinião pública parece acreditar mais no ex-ministro Joaquim Barbosa do que no compromisso institucional do STF com a regeneração de nossas práticas políticas.
O julgamento da História dirá se esses episódios de despertar institucional foram apenas ilusões momentâneas pelo protagonismo de indivíduos excepcionais ou capítulos virtuosos de uma consistente evolução.
A emergência de um Banco Central autônomo, de três poderes independentes e de uma Polícia Federal republicana são sinais de um grande despertar institucional. Uma reforma política seria a melhor celebração dos 30 anos de redemocratização.
Proclamação da República, 1893 (Imagem: Benedito Calixto)

COMENTÁRIO: Desça do palanque, Dilma!

Por Ricardo Noblat - Do Blog do NOBLAT
OGLOBO.COM.BR

A presidente perdeu uma rara oportunidade de ficar calada.
Na Austrália, do outro lado do mundo, sob o efeito do fuso horário, talvez, como se ainda estivesse em cima de um palanque, certamente, a presidente Dilma Rousseff concedeu sua primeira entrevista coletiva sobre o arrastão de donos e executivos de empreiteiras que marcou na semana passada mais uma etapa das investigações sobre a roubalheira na Petrobras. Perdeu uma rara oportunidade de ficar calada.
Dilma foi vítima da síndrome do terceiro turno que não acomete apenas a oposição. Disse um monte de bobagens, invenções e falsas verdades para uma plateia de jornalistas que se deu por feliz em anotar o que ouviu.
E assim procedeu como se ignorasse que o distinto público conhece cada vez melhor os vícios e espertezas dos seus representantes. Vai ver que ela ignora mesmo.
Vamos ao que disse.
Teve o atrevimento de afirmar de cara lavada que “pela primeira vez na História do Brasil” um governo investiga a corrupção. E não satisfeita, culpou governos passados pela corrupção que acontece hoje na Petrobras.
Stop!
O governo dela não investiga coisa alguma. Polícia Federal e Ministério Público investigam. Os dois são órgãos do Estado, não do governo.
Corrupção existe em toda parte e o tempo inteiro. Mas enquanto não se descobrir que houve corrupção na Petrobras em governos anteriores aos do PT, vale o que está sendo escancarado pelas investigações: o PT privatizou, sim, a Petrobras. Apropriou-se, sim, dela.
Corrompeu-a, sim. E usou-a, sim, para corromper. Depois de Lula, Dilma é a figura mais importante da Era PT.
Adiante.
Para Dilma, o escândalo cuja paternidade ela atribui a outros governos e cuja decifração reivindica para o seu, “poderá mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai acabar com a impunidade”.
Stop!
Sinto muito, Dilma, mas o escândalo que poderá mudar o país para sempre, e que acabou com a impunidade, foi o do mensalão. Quer tirar de Lula a primazia?
Dizer que “essa questão da Petrobras “já tem um certo tempo” e que “nada disso é tão estranho para nós” é uma revelação digna de nota.
Primeiro porque o governo dela se comportou como se nada soubesse quando estourou o escândalo. Segundo por que o máximo que ela insinuou a respeito foi que havia demitido Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, réu confesso.
Ora, ora, ora.
“Paulinho”, como Lula o chamava, saiu da Petrobras coberto de elogios pelo Conselho de Administração da empresa presidido por Dilma até ela se eleger presidente da República.
Foi um dos 400 convidados de Dilma para o casamento da filha dela. E ao depor na CPI da Petrobras, contou com a proteção da tropa do governo. Dilma nada fez para que não fosse assim.
Adiante, pois.
O escândalo da Petrobras não dará ensejo à revisão dos contratos do governo com as principais empreiteiras do país, avisou Dilma. Muito menos a uma devassa na Petrobras.
“Não dá para demonizar todas as empreiteiras. São grandes empresas”, observou Dilma. “E se A, B ou C praticaram malfeitos, atos de corrupção, pagarão por isso”.
Stop!
Quer dizer: mesmo que reste provado que as nove maiores empreiteiras do país corromperam e se deixaram corromper, os contratos que elas têm com o governo fora da Petrobras não serão revistos.
Não parece razoável que empresas envolvidas com corrupção num determinado lugar possam ter se envolvido com corrupção em outros?
Por fim: se a Petrobras não pede uma devassa é só porque Dilma prefere que seja assim. 
Dilma Rousseff (Imagem: André Coelho / Agência O Globo)

ECONOMIA: Pressionada pela Petrobrás, Bolsa cai 1% e passa a acumular queda no ano

ESTADAO.COM.BR
MÁRCIO RODRIGUES - O ESTADO DE S. PAULO

Ação ON da petrolífera caiu 5,09%, enquanto a PN terminou em baixa de 4,55%; executivos da estatal estão envolvidos em denúncias de corrupção, o que impossibilitou a divulgação do balanço do 3º trimestre
O tombo das ações da Petrobrás, após a teleconferência feita por sua diretoria não afastar o mau humor dos investidores, foi a principal razão para a queda do Ibovespa neste começo de semana. Agora, a Bolsa passou a acumular queda no ano de 2014. A baixa dos papéis da Eletrobras, depois que a companhia informou prejuízo bilionário no terceiro trimestre, ajudou a compor o cenário de perdas para a Bolsa doméstica.
O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 1,00%, aos 51.256,99 pontos. Na mínima, registrou 51.047 pontos (-1,40%) e, na máxima, 52.223 pontos (+0,87%). No mês, acumula perda de 6,17% e, agora, também recua no ano, 0,49%. O giro financeiro totalizou R$ 9,140 bilhões, dos quais R$ 4,162 bilhões referem-se ao vencimento.
Na quinta-feira da semana passada, após o fechamento dos mercados, a Petrobrás informou que não divulgaria o seu balanço no dia seguinte. Fontes informaram que a PriceWaterhouseCoopers (PwC) não auditaria os números da estatal até que as denúncias da Operação Lava Jato estivessem apuradas e os dados, devidamente lançados no balanço. No final de semana, a empresa divulgou nos jornais um informe com números operacionais do período, trazendo, entre outras coisas, o resultado de sua produção de petróleo no Brasil, com a média de 2,090 milhões de barris por dia (BPD), 9% acima do mesmo período de 2013. 
Hoje, na teleconferência, a empresa reduziu a previsão de crescimento da produção de petróleo no Brasil de 7,5%, com margem de um ponto porcentual para mais ou para menos, para um intervalo entre 5,5% e 6%. Petrobrás ON caiu 5,09% e a PN terminou em baixa de 4,55%, ambas na lista de maiores quedas do Ibovespa. 
Eletrobras PNB liderou a lista, com -9,09%, seguida por Eletrobras ON, -7,79%. O prejuízo da estatal aumentou 199% do terceiro trimestre do ano passado para igual período deste ano. Não bastasse isso, o papel teve sua recomendação rebaixada pelo Bank of America Merrill Lynch, de neutro para "underperform". Além disso, notícia veiculada na imprensa informou que a Polícia Federal vai investigar se o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef abrange também empresas elétricas.
O pessimismo com as estatais acabou contaminando os demais papéis do Ibovespa. Vale ON e PNA recuaram 0,30% e 0,35%, respectivamente. 
As ações das siderúrgicas também caíram. De acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr), apesar do aumento de 2,7% na produção de aço brasileira em outubro ante o mesmo mês de 2013, no ano, o resultado caiu 0,7%. Além disso, as vendas cederam 10,6% ante outubro do ano passado. Assim, Usiminas PNA caiu 6,93%, Gerdau PN, 3,18%, CSN ON, 1,99%.
Pelo lado positivo, Banco do Brasil e Cielo subiram 2,45% e 2,51%, respectivamente, entre as maiores altas do índice. As duas empresas estão negociando para que a Cielo assuma o operacional da área de cartões do BB. Para assumir a gestão da área de cartões, a Cielo deve desembolsar, conforme fontes, cerca de R$ 9 bilhões.
Nos EUA, as bolsas voltam a exibir comportamento lateral, em meio a uma rodada de indicadores abaixo do esperado sobre a economia norte-americana. Às 17h28, o Dow Jones e o S&P 500 subiam 0,08%, enquanto o Nasdaq perdia 0,31%.

CORRUPÇÃO: Costa e Youssef dizem que atual diretor de Abastecimento da Petrobras recebeu ‘comissões’

OGLOBO.COM.BR
POR EDUARDO BRESCIANI

Delegado da PF questionou executivo de empreiteira sobre pagamentos a José Carlos Cosenza
Diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, (o 2º da esq. p/ a dir.) participou da conferência para divulgação de dados operacionais da Petrobras ao lado da presidente da estatal Graça Foster - Alexandre Cassiano / Agência O Globo
BRASÍLIA - O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef afirmaram que o atual diretor de Abastecimento da Petrobras José Carlos Cosenza recebeu “comissões” de empreiteiras contratadas pela estatal. Cosenza substituiu Costa na diretoria e participou nesta quarta-feira, ao lado da presidente da Petrobras, Graça Foster, da conferência de divulgação de dados operacionais do terceiro trimestre de 2014. O diretor negou ter recebido comissões.
A acusação foi revelada em um questionamento feito pelo delegado da Polícia Federal, Agnaldo Mendonça Alves, no interrogatório de um dos executivos presos na sexta-feira passada.
“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza e para agentes políticos, confirma?”, questionou o delegado em depoimento realizado no sábado.
A pergunta foi feita a Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão. Ele disse desconhecer o pagamento de comissões e que nunca teve conversa com ambos neste sentido. Sobre o atual diretor, o executivo da Queiroz Galvão disse conhecê-lo da época em que Cosenza trabalhava como subordinado de Costa. Afirmou que Cosenza participava de “quase todos” os encontros que teve com o ex-diretor. Perguntado se algum diretor da Petrobras exigiu dele qualquer pagamento de propina, respondeu de forma negativa.
A mesma pergunta foi feita pelo delegado em outros três depoimentos, de Ildefonso Colares Filho, presidente da Queiroz Galvão, e dos executivos da Engevix Newton Prado Júnior e Carlos Eduardo Strauch Albero.
A Petrobras respondeu por meio da assessoria de imprensa negando que o diretor tenha recebido recursos.
"O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, nega, veementemente, as imputações de que tenha recebido "comissões" de empreiteiras contratadas pela Petrobras, ao tempo que reafirma que jamais teve contato com Alberto Yousseff", diz a assessoria.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, a presidente da Petrobras informou que Cosenza foi o responsável pela comissão interna criada para apurar suspsitas de irregularidades na Rnest e no Comperj.
A defesa do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, por meio da assessoria de imprensa do engenheiro, informa que: “As notícias sobre ilícitos cometidos na Petrobras, envolvendo o engenheiro Renato Duque são decorrentes de falsas delações premiadas e, até o momento, sem nenhuma prova”.
Citado no questionamento feito pelo delegado, Nestor Cerveró foi diretor da área internacional da Petrobras. Seu advogado, Edson Ribeiro, nega qualquer irregularidade. Destaca que ele deixou a diretoria em 2008 e que as contratações das obras da refinaria de Abreu e Lima, principal foco da operação, aconteceram depois disso. Afirmou que seu cliente desconhece Youssef. Manifestou ainda “reservas” com delações premiadas feitas por pessoas que estão presas e com a família ameaçada, que seriam os casos de Costa e Youssef.

POLÍTICA: Oposição apresenta emendas para mudar meta fiscal

UOL
Do CONGRESSO EM FOCO

Sugestões vão desde acabar com o texto enviado pelo governo até estabelecer multa para a Dilma e ministros caso o superávit primário estabelecido em lei não seja respeitado. Ideia é votar no plenário do Congresso em 25 de novembro
Moreira Mariz/Agência Senado
Deputados e senadores apresentaram 80 emendas ao projeto do governo que retira o limite de abatimento da meta fiscal da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. Se depender dos parlamentares da oposição, responsáveis por quase todas as sugestões, a proposta será radicalmente alterada. O prazo para sugerir mudanças encerrou nesta segunda-feira (17).
A ideia do relator do projeto na Comissão Mista de Orçamento (CMO), senador Romero Jucá (PMDB-RR), é apresentar o relatório das emendas amanhã (18), propiciando a votação do parecer na quarta-feira (19). Pelo calendário proposto na semana passada, o prazo para apreciar a matéria no plenário do Congresso é na próxima terça-feira (25).
Elaborar um calendário de votação, diminuindo o prazo para emendas, foi a solução encontrada por governistas para acelerar a proposta. Inicialmente, o governo decidiu enviar um pedido de urgência para o projeto. Porém, a medida só funciona, de acordo com a Mesa Diretora da Câmara, nos casos de propostas com tramitação ordinária. Ou seja, que passarão pelas comissões e plenários das duas Casas do Congresso.
Das 80 emendas apresentadas por dez parlamentares, apenas três foram assinadas por membros de partido da base: o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e o deputado Esperidião Amin (PP-SC). Todas as outras sugestões vieram de oposicionistas. O pepista, no entanto, é visto dentro do Congresso como mais alinhado à oposição, especialmente por sua relação familiar com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Eles são primos.
Multas
Entre as sugestões que Jucá irá analisar estão medidas como retirar os restos a pagar – despesas empenhadas mas não pagas dentro do exercício financeiro pelo governo – da meta do superávit, sugerida pelo deputado Mendonça Filho (DEM-PE), até acabar com o projeto em si, como prevê emenda do senador Cyro Miranda (PSDB-GO).
Outra, de Esperidião Amin, estabelece multas para a presidenta Dilma Rousseff e ministros da área no caso do não cumprimento da meta prevista. Na emenda, o pepista catarinense remeteu a possibilidade ao inciso VIII do artigo 71 da Constituição. O trecho da Carta Magna estabelece que o Tribunal de Contas da União (TCU) pode “aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário”
Outras emendas não possuem relação direta com a proposta do governo. Uma das apresentadas por Dornelles estabelece que os repasses de transferências federais aos estados, municípios e distritais deste ano sejam feitos até 20 de dezembro. Já deputado Izalci (PSDB-DF), por exemplo, sugeriu que os recursos para infraestrutura de escolas tenham como prioridade a reforma e recuperação das unidades já existentes, ao invés da construção de novas.
Pressão
Desde a semana passada, o governo pressiona o Congresso para que a mudança na LDO seja aprovada. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, por exemplo, participou de reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e defendeu a mudança. Líderes governistas tentam convencer deputados e senadores a votarem a favor do texto.
A tarefa não será fácil. Primeiro pela pressão que a oposição está fazendo contra o projeto. Depois pela própria pauta do plenário do Congresso, trancada por vetos presidenciais. Na semana passada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a convocar uma sessão para analisar as rejeições a projetos. Com o clima ruim na base aliada, o governo acenou até com a permissão para derrubar a negativa à proposta que estabelece regras para a criação, fusão ou incorporação de municípios. Isto não foi suficiente e a reunião acabou cancelada.

ECONOMIA: Dólar chega a R$ 2,60, no maior nível desde abril de 2005

ESTADAO.COM.BR
MÁRCIO RODRIGUES - AGÊNCIA ESTADO

Cotação da moeda norte-americana foi novamente influenciada pelas incertezas em relação à equipe econômica do próximo governo
Valorização de 0,31% elevou valor do dólar para R$2,60, cotação mais alta dos últimos nove anos.
O dólar à vista ultrapassou a barreira dos R$ 2,60 nesta segunda-feira, 17. A moeda encerrou o dia com valorização de 0,31%, cotada a R$ 2,602. Esta cotação não era registrada desde 18 de abril de 2005.
Novamente a cotação da moeda norte-americana foi influenciada pelas incertezas em relação à equipe econômica do próximo governo Dilma Rousseff. De volta ao Brasil nesta semana, após a reunião do G-20, Dilma poderá anunciar nomes de sua equipe econômica, conforme comentou antes da viagem.
Essas dúvidas, por sinal, resultaram em mais um pregão de giro baixo para a moeda. O lote maior no leilão do Banco Central para rolagem dos swaps de dezembro e alguns números divulgados nos EUA abriram espaço para a perda de força da moeda americana, sendo que as mesas seguiram especulando sobre quem será o Ministro da Fazenda a partir de 2015.
Pela manhã, a divisa norte-americana tocou na máxima de R$ 2,61, alinhada ao movimento da moeda no exterior, após o Japão entrar em recessão técnica, e também pressionado pelas incertezas que continuaram rondando o mercado em relação às diretrizes econômicas do próximo governo. Depois, contudo, o dólar passou a perder força, de olho na oferta maior de swaps para rolagem dos vencimento de dezembro e em indicadores mais fracos da economia dos EUA.
Os negócios começaram com a notícia de que o PIB japonês teve queda de 1,6% entre julho e setembro, em termos anualizados. O dado frustrou expectativas de economistas, que previam alta de 2,25%. Como a economia havia declinado 7,3% entre abril e junho, o Japão entrou em recessão técnica pelo critério de dois trimestres seguidos de PIB em queda. No fim da manhã, saiu a informação de que o índice Empire State de Atividade em Nova York em novembro subiu para 10,16 em novembro, abaixo da previsão de 10,50. Além disso, a produção industrial dos EUA recuou 0,1% em outubro ante setembro, em termos sazonalmente ajustados. O resultado contrariou a previsão de analistas, de aumento de 0,2%.
Além disso, a inversão de sinal para queda no mercado futuro ocorreu pouco antes do leilão de rolagem do vencimento de swap cambial de dezembro, que hoje teve sua oferta elevada pelo BC para 14 mil contratos (US$ 700 milhões). Se for mantida até o fim do mês, garantirá a rolagem quase integral desse compromisso. Até a última sexta-feira, o BC vinha ofertando 9 mil contratos nessas operações. O BC também colocou 4 mil contratos de swap na sua operação diária, em um total de US$ 197,4 milhões.
À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que o País teve déficit comercial de US$ 804 milhões na segunda semana de novembro, resultado de exportações no valor de US$ 3,678 bilhões e importações de US$ 4,482 bilhões. No acumulado do mês, há déficit de US$ 1,551 bilhão e, no ano, resultado negativo de US$ 3,422 bilhões. Os dados, contudo, não chegaram a influenciar as cotações.

COMENTÁRIO: Dilma, ação e omissão

Por MERVAL PEREIRA - OGLOBO.COM.BR

A presidente Dilma tem razão ao dizer que o escândalo da Petrobras vai mudar a maneira de fazer política no Brasil, mas quer assumir os louros da investigação da Polícia Federal e do Ministério Público como se não tivesse nada com o assunto, embora nos últimos anos, enquanto este esquema agia, ela tenha sido a principal figura do setor de energia do país: foi ministra das Minas e Energia, nomeando o presidente da Petrobras, foi Chefe do Gabinete Civil e presidente do Conselho de Administração da estatal e é presidente da República há quatro anos. Não há como ela e o ex-presidente Lula se escusarem de culpa, por ação ou omissão, no mínimo porque o Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu sobre os desvios na Petrobras desde 2008. 

ECONOMIA: Bolsa chega a cair 1% com Petrobras, e dólar opera quase estável; siga

UOL.COM.BR

A Bolsa ampliou a queda na tarde desta segunda-feira (17). Por volta das 16h, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caía 1,14%, aos 51.182,37 pontos. A principal influência de baixa eram as ações da Petrobras, com queda de mais de 4%. No mesmo momento, o dólar comercial operava perto da estabilidade, com alta de 0,12%, a R$ 2,604 na venda. (Com Reuters)

CORRUPÇÃO: Ex-gerente da Petrobrás, novo delator da Lava Jato aceita pagar cerca de US$ 100 milhões

ESTADAO.COM.BR
Por Fausto Macedo
Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

Pedro Barusco trabalhava com Renato Duque na Diretoria de Serviços da estatal
O ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco fechou acordo de delação premiada em que se compromete a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal.
O novo delator da Lava Jato é considerado peça-chave para a força-tarefa da Polícia Federal e da Procuradoria da República porque deverá revelar o esquema que era controlado pelo ex-diretor da área Renato Duque, nome indicado pelo PT e que foi preso na sexta-feira, na sétima fase da operação, batizada de Juízo Final.
O acordo evitou que Barusco fosse o 26º nome da lista de prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato. O valor de restituição, a título de indenização, caso seja homologado pela Justiça, será o maior já obtido em um acordo com servidor da Petrobrás.
O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, e sua família vão pagar cerca de R$ 70 milhões. Barusco, convertendo em reais, terá que desembolsar R$ 252 milhões. Desse valor, US$ 20 milhões já haviam sido bloqueados na Suíça, onde ele mantinha uma conta.
Barusco foi apontado como braço direito de Duque na cobrança de propina pelos executivos da Toyo Setal Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fecharam acordo de delação com o MPF no dia 22 de outubro.
“Por meio desses depoimentos resta clara também a participação de Pedro Barusco, Renato Duque, ex-gerente executivo e ex-diretor da área de serviços da Petrobrás, em diversos fatos criminosos investigados ou conexos com esta operação”, escreveram os procuradores da Lava Jato no parecer de pedido de prisão de Duque.
As delações dos executivos da Toyo foram decisivas para deflagração da nova etapa da Lava Jato e para abertura de novas frentes de apuração.
No pedido de prisão dos executivos do esquema, os procuradores da força-tarefa registram que os dois “narram com riqueza de detalhes todo o esquema de cartelização, corrupção, desvio de dinheiro, pagamento da corrupção no exterior, manutenção de dinheiro ilegalmente no exterior, lavagem de ativos”. Para eles, foram dados os elementos necessários para enquadrar criminalmente os acusados da lava Jato, inclusive os executivos e dirigentes da Petrobrás, “por formação de organização criminosa voltada a prática de crimes contra a administração pública”.
Propinas
“Regra do jogo conhecida por todos”. É assim que definiu o executivo Julio Camargo, em sua delação premiada, o esquema que cobrava propina em troca de contratos bilionários da Petrobrás. O executivo da Toyo operacionalizava pagamentos de propina por meio de três empresas abertas por ele (Treviso, Piemonte e Auguri), em especial aos ex-dirigentes da Petrobrás ligados ao PT – Duque e Barusco.
Ele e outro executivo do grupo apontaram por exemplo as obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Para ganhar as obras, participando dentro do Consórcio Interpar – controlado pela Mendes Júnior -, teve que pagar R$ 12 milhões em propina. Um contrato de consultoria foi firmado pelo consórcio com a empresa Auguri Empreendimento e Assessoria Comercial, usada pelo delator para movimentar a propina.
“Houve solicitação de pagamento de vantagem indevida por Renato Duque e Pedro Barusco do valor aproximado de R$ 12 milhões”, revelou o executivo. “O valor foi pago mediante transferências feitas no exterior”, apontou Camargo, indicando a conta de onde saiu, no Credit Suisse, a offshore que controlava a conta, a Drenos, e qual contrato da Auguri, no valor de R$ 40 milhões de comissionamento, respaldou a movimentação da propina.
Nas obras da Refinaria Revap (em São José dos Campos-SP), em 2007, fechado pelo valor de R$ 1 bilhão, a Toyo participou do consórcio que era controlado pela Camargo Corrêa. Ele cita o vice-presidente do grupo, Eduardo Hermelino Leite, preso em Curutiba (PR), como controlador do contrato. Segundo ele, em 2008 a Camargo Corrêa fez um contrato com a Treviso para repassar R$ 23 milhões de comissão para ele.
“Dessa comissão, repassou em propina para a Diretoria de Engenharia e Serviços o valor de R$ 6 milhões, sendo pago a maioria no exterior e parte em reais no Brasil”, afirmou Camargo. Ele apontou ainda a conta no Crédite Suísse de onde saiu o dinheiro da propina dos dirigentes ligados ao PT nas transferências feitas no exterior.
Ao todo, os executivos apontaram nove obras da Petrobrás alvo de propina. Indicou ainda suas empresas usadas para movimentar o dinheiro: Treviso, Piemonte e Auguri. E as contas no exterior, como do banco Winterbothan, no Uruguai, e nos bancos Credite Suisse e Cramer, na Suíça.
“Os pagamentos foram feitos através de contas que os executivos da Toyo mantinham no exterior “para contas indicadas por Duque ou Barusco no exterior, ou em reais no Brasil disponibilizados por (Alberto) Youssef”, afirma o MPF.
Os depoimentos de Barusco estão sendo tomados em sigilo e ainda não foram acordados com a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal.
Depois de fechado o acordo, ele será submetido à Justiça para ser homologado. Para terem direito ao benefício da redução de pena, o que eles dizem devem ser comprovado.

NEGÓCIOS: Petrobras pede ação civil contra Gabrielli

Ancelmo Gois - oglobo.com.br

O Conselho de Administração da Petrobras decidiu na sexta-feira encaminhar pedido de abertura de ação civil contra 15 funcionários -- incluindo José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, e Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional, além de dois estrangeiros.
A decisão é devido à polêmica compra em 2006 da refinaria de Pasadena, no Texas, responsável por um prejuízo de US$ 792,3 milhões.

INVESTIGAÇÃO: PF investigará se esquema de propinas também envolvia elétricas, diz jornal

UOL.COM.BR

Noah Friedman-Rudovsky/The New York Times
Construção da usina de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia
SÃO PAULO - Além do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, a Polícia Federal investiga se o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef também atingiu negócios do setor elétrico, de acordo com o jornal "O Globo". 
Nas investigações referentes à operação Lava Jato, agentes encontraram na mesa de um dos acusados de ser o braço direito do doleiro, João Procópio de Almeida Prado, uma planilha chamada "Demonstrativo de Resultado - Obra Jirau".
Era a contabilidade da Camargo Corrêa na obra da hidrelétrica construída no rio Madeira, em Rondônia, com financiamento de R$ 7,2 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
De acordo com o Ministério Público Federal, Prado era o elo do esquema de Yousseff com a Camargo Corrêa na obra.
A Camargo Corrêa participou de duas grandes obras da Petrobras investigadas na Lava Jato: a modernização da Repar, com sobrepreço apontado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) de R$ 633 milhões; e da Unidade de Coqueamento da Refinaria Abreu e Lima, com um sobrepreço já identificado de R$ 613,2 milhões.

NEGÓCIOS: Petrobras diz que denúncias de ex-diretor podem ter impacto no balanço

UOL.COM.BR

SÃO PAULO, 17 Nov (Reuters) - A Petrobras disse nesta segunda-feira, horas antes de uma conferência para falar sobre o controverso balanço do terceiro trimestre, que as recentes denúncias de corrupção têm potencial para impactar as demonstrações contábeis da empresa.
"O ex-diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa... fez declarações que, se verdadeiras, podem impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia", disse a Petrobras em anúncio publicado em jornais nesta segunda-feira.
Costa prestou depoimento com delação premiada à Polícia Federal e à Justiça em que detalhou suposto esquema de corrupção e desvio de verbas em contratos da estatal.
Diversos analistas já apontam riscos financeiros crescentes com o aprofundamento das investigações da operação Lava Jato, da PF, incluindo eventual necessidade de baixas contábeis envolvendo projetos com suspeitas de corrupção, o que implicaria em redução de pagamento de dividendos.
Também nesta segunda, a Petrobras informou que sua produção de petróleo no Brasil subiu 9% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano passado, a 2,09 milhões de barris por dia (bpd), segundo comunicado.
Dados operacionais
A petroleira, que disse na semana passada que atrasaria a publicação de seus resultados trimestrais, havia informado que apresentaria os dados operacionais nesta segunda.
A estatal faz uma teleconferência para analistas e investidores nesta segunda-feira (17), seguida de entrevista coletiva, na qual executivos da companhia comentarão os resultados operacionais e informações sobre o adiamento da divulgação das demonstrações contábeis.
Segundo a Petrobras, foram conectados 15 novos poços produtores no terceiro trimestre, estimando a conexão de outros 16 no último trimestre do ano. Se cumprida, a meta fará a companhia fechar o ano com 62 interligações, ante 34 no ano passado.
A companhia afirmou que a produção de gás natural alcançou 441 mil barris por dia (bpd) entre julho e setembro. A produção de derivados no país atingiu 2,204 milhões de bpd no mesmo período, alta de 4% na comparação anual.
Segundo a companhia, a Refinaria do Nordeste (Rnest), também conhecida como Abreu e Lima, já está operando. O primeiro dos dois trens de refino da unidade está 96% concluído, segundo o comunicado.
"Vários sistemas e unidades já entraram em operação, obedecendo ao sequenciamento planejado de partida da refinaria", disse a Petrobras.
Balanço previsto para até 12 de dezembro
A empresa não forneceu novos detalhes sobre a publicação do seu balanço trimestral, se limitando a dizer que "o crescimento sustentável da produção de petróleo, gás natural e derivados é uma realidade na Petrobras e decorre do compromisso da força de trabalho da companhia, incessante na busca pelo aumento da eficiência, da produtividade e da disciplina de capital".
Na semana passada, a estatal informou que esperava divulgar até o dia 12 de dezembro uma versão de suas demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores externos, não fazendo previsões para a divulgação do resultado trimestral com o relatório de revisão dos auditores externos.
Caso não consiga apresentar os dados até o fim do ano, a empresa pode incorrer na violação dos termos de emissão de seus títulos no exterior.
Segundo exigências das emissões de dívida da estatal com vencimentos entre 2016 e 2043, a empresa tem que apresentar seu resultado até 90 dias depois do final de cada trimestre.

DIREITO: STJ nega liberdade para cinco integrantes da empreiteira OAS

Do UOL, em Brasília
Leandro Prazeres

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou nesta segunda-feira (17) dois pedidos de habeas corpus para cinco integrantes da empreiteira OAS presos durante a sétima fase da operação Lava Jato. Os presos fazem parte da cúpula da empreiteira e são suspeitos de fazer parte do esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do STJ.
Os pedidos negados foram para José Aldemário Pinheiro Filho (presidente da OAS), Mateus Coutinho de Sá Oliveira (diretor-financeiro da OAS Óleo e Gás), Alexandre Portela Barbosa (advogado da empreiteira), José Ricardo Nogueira Breghirolli e Agenor Franklin Magalhães Medeiros (vice-presidente da área internacional da empresa). Os advogados do grupo ainda podem recorrer ao STF, mas segundo a assessoria de imprensa da corte, nenhum pedido oriundo do quinteto foi impetrado até o momento.
Agenor e José Ricardo foram presos preventivamente e não há previsão para que eles sejam soltos. José Aldemário, Mateus Coutinho e Alexandre Portela foram presos temporariamente e podem ser soltos nesta terça-feira (18), caso o pedido de prisão temporária, válido por cinco dias, não seja prorrogado.
Os cinco integrantes da OAS fazem parte de um grupo de 23 pessoas presas até agora pela Polícia Federal na sétima fase da operação. Além deles, há integrantes das cúpulas de outras sete empreiteiras, entre elas a Queiroz Galvão, Camargo Correa, UTC e Mendes Júnior e do ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato Souza Duque. Duas pessoas ainda estão foragidas: Fernando Soares, conhecido como "Baiano" e que seria operador do esquema junto ao PMDB, e Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA).
No último final de semana, a Justiça Federal do Paraná negou pedidos de habeas corpus para 11 presos. 
Entenda a operação
Um esquema bilionário de lavagem e desvios de dinheiro envolvendo a Petrobras veio à tona em março deste ano, quando a PF deflagrou a operação Lava Jato. Na época, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, considerado o chefe do esquema, foram presos.
A operação recebeu o nome Lava Jato porque em um dos desvios de dinheiro o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar os valores. Curiosamente, o posto que deu origem às investigações fica no Distrito Federal e não tem um lava-jato entre suas instalações. Segundo a "Folha de S.Paulo", o posto pertence a Carlos Habib Chater, que operava uma casa de câmbio no DF.

DIREITO: STJ - STJ corrige distorção na aplicação do princípio da insignificância em descaminho

Migalha, bagatela e ninharia são alguns sinônimos para o termo “insignificante” – uma definição que, para qualquer cidadão, não retrata valores como dez ou vinte mil reais. Mas quando o bolso é do estado brasileiro, os valores podem ser considerados insignificantes, a ponto de descaracterizar como crime o descaminho que sonega essas quantias?
Há mais de dez anos o Brasil vem deixando de promover o ajuizamento de ações de execução por dívidas ativas da União oriundas de impostos sonegados em crimes de descaminho (artigo 334 do Código Penal) quando o valor devido é considerado pequeno diante do custo da cobrança.
Seguindo a Lei 10.522/02, a Fazenda Nacional adotou, em 2004, o limite mínimo de R$ 10 mil para considerar a cobrança executável. Em 2012, por meio de uma portaria, aumentou o limite para R$ 20 mil por entender que não é economicamente vantajoso para o erário ajuizar demanda cujo valor seja inferior a esse parâmetro.
A consequência jurídica dessa opção fiscal chegou aos tribunais. Os magistrados passaram a aceitar a tese da absolvição sumária dos réus acusados de descaminho quando o valor dos impostos sonegados não ultrapassasse o limite utilizado pela Fazenda Nacional para desencadear a execução da dívida.
Até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta semana, disparou uma resposta ao que muitos críticos vêm chamando de distorção na aplicação do princípio da insignificância para o crime de descaminho. A Terceira Seção, em julgamento que rebate a jurisprudência construída nos tribunais superiores, brecou, em parte, o uso do limite administrativo como parâmetro para a punição pelo crime de descaminho.
Seguindo a posição do ministro Rogerio Schietti Cruz, a Seção decidiu, por maioria, que o princípio da insignificância somente deve ser aplicado quando o valor do débito tributário for inferior a R$ 10 mil, tal qual julgado pelo STJ em recurso repetitivo de 2009 (REsp 1.112.748). Com isso, o STJ afasta o novo valor de R$ 20 mil, adotado pela administração federal na Portaria MF 75/12, e reacende a discussão sobre o próprio parâmetro anteriormente adotado, o qual, em face do objeto e dos limites do recurso especial julgado, não pôde ser revisto pela Terceira Seção.
“Soa imponderável, contrária à razão e avessa ao senso comum uma tese que, apoiada em mera opção de política administrativo-fiscal, movida por interesses estatais conectados à conveniência, à economicidade e à eficiência administrativas, acaba por subordinar o exercício da jurisdição penal à iniciativa de uma autoridade fazendária”, refletiu Schietti em seu voto.
Respeito aos precedentes
O ministro destacou que o tema já não encontra mais dissidência nas cortes superiores quanto ao patamar de R$ 10 mil, ainda que com ressalvas pessoais de alguns magistrados – como as que faz em seu voto. Ele esclareceu que esta nova posição do STJ, ao rejeitar o valor de R$ 20 mil, pretende demostrar que as questões podem – e devem – estar sob permanente reavaliação.
“A mudança é conatural ao direito, que vive na cultura e na historicidade”, disse o ministro, citando doutrina de Daniel Mitidiero. Schietti entende que essa reavaliação pode eventualmente dar novos contornos à questão, por meio de alguma peculiaridade que distinga (distinguishing) ou mesmo leve à superação total (overruling) ou parcial (overturning) do precedente.
O ministro considera importante a ampla e exauriente motivação das decisões judiciais, “por meio da qual seja possível demostrar aspectos jurídicos e fáticos novos, que justifiquem reavivar a discussão”, e se diz esperançoso de que no Supremo Tribunal Federal (STF) essa jurisprudência já consolidada – que considera como penalmente insignificante a ilusão de tributos de até R$ 10 mil – seja reavaliada.
Opção administrativa
Quando foi editada a Lei 10.522, o seu artigo 10 dizia que seriam arquivados sem baixa na distribuição os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União (DAU) de valor consolidado igual ou inferior a R$ 2.500. Dois anos depois, a Lei 11.033/04 elevou o valor para R$ 10 mil.
Em 2012, por meio da Portaria MF 75, o valor foi novamente majorado, dessa vez para R$ 20 mil. Isso significa dizer que a dívida até esse patamar não é executada judicialmente. O relator enfatizou, porém, que não há renúncia ou perdão do tributo pelo estado, que apenas opta por não fazer a cobrança judicial em dado momento porque, na sua avaliação, o valor a executar não justifica o custo da operação.
O aumento do valor decorreu de um estudo promovido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizado de novembro de 2009 a fevereiro de 2011. Conforme os resultados, o custo unitário médio total de uma ação de execução fiscal é de R$ 5.606,67; o tempo médio é de nove anos e nove meses, e a probabilidade de recuperação integral do crédito é de 25,8%.
O objetivo do aumento do limite é “aprimorar a gestão da Dívida Ativa da União e otimizar os processos de trabalho, aumentando a efetividade da arrecadação”. A partir desse estudo, o Ipea afirmou que R$ 21.731,45 é o ponto a partir do qual é economicamente justificável promover a execução judicial. Abaixo disso, é bem provável que a União não consiga recuperar o valor do custo do processamento judicial.
No mesmo estudo, no entanto, o Ipea externa a preocupação com a implantação de uma política de recuperação de créditos, “sob pena de sinalizar à sociedade a desimportância do correto recolhimento de impostos e contribuições”.
Dívida executável
Apesar de poder ser requerido o arquivamento sem a baixa das execuções fiscais já ajuizadas, a dívida não é cancelada e permanece inscrita na DAU. A Fazenda, então, adota outros meios de cobrança mais econômicos para esses créditos. Isso também está previsto na Portaria MF 75. Entre elas está o protesto extrajudicial da Certidão da Dívida Ativa.
“Não houve renúncia do tributo. Como aceitar como insignificante para fins penais um valor estabelecido para orientar a ação executivo-fiscal, com base apenas no custo-benefício da operação?”, questionou o ministro Schietti durante o julgamento.
Ao tratar do caso nesta semana, a Terceira Seção assinalou que o princípio da insignificância não deve estar atrelado à dívida ativa executável pela Fazenda Nacional. O ministro Schietti considera inconsistente a tese que se amparou em dispositivos que tratam da execução para conferir autoridade quase judicial a uma conveniência administrativa.
“É como se o procurador da Fazenda determinasse o que a polícia deve investigar, o que o Ministério Público deve acusar e, o que é mais grave, o que – e como – o Judiciário deve julgar”, argumentou.
Limitações da portaria
Além disso, Schietti questionou a própria competência do ministro da Fazenda para, mediante simples portaria, alterar um valor que havia sido fixado em lei. A legislação anterior autorizava o titular da Fazenda a dispensar a inscrição ou a execução de dívidas quando o custo administrativo da cobrança não valesse a pena, mas a partir de 2002, com a promulgação da Lei 10.522, foi estabelecido um limite máximo para essa dispensa (então de R$ 2.500, mais tarde aumentado para R$ 10 mil pela Lei 11.033).
A fixação legal de um valor máximo, segundo o magistrado, não mais permite que ele seja elevado por ato administrativo, mas apenas por lei.
Em relação ao caso julgado pela Terceira Seção, a aplicação do limite de R$ 20 mil – mesmo que fosse válida sua instituição pela Portaria 75 – esbarrava ainda em outro problema: o caso ocorreu antes da edição desse ato. Conforme destacou o ministro do STJ, a Constituição assegura a retroatividade da “lei penal” mais benéfica para o réu, mas a portaria não é lei, nem é penal.
Mais: nem na área fiscal a portaria retroage, pois seu texto deixa claro que o novo limite só é aplicável às execuções futuras.
Crimes contra o patrimônio
Os crimes patrimoniais “de rua”, de que são exemplos mais corriqueiros o furto e o estelionato, têm recebido tratamento jurídico completamente diverso e bem mais rigoroso se comparado ao que se dispensa aos crimes contra a ordem tributária e, em particular, ao crime de descaminho.
A constatação é do ministro Schietti, que destacou as diferenças não só quanto aos critérios gerais – definidos em vários julgados do STF para o reconhecimento da insignificância penal –, como também quanto ao valor máximo a permitir a incidência do princípio da bagatela.
A Sexta Turma do STJ, por exemplo, deixou de aplicar a absolvição para casos como: furto de objetos avaliados em R$ 35 subtraídos de uma loja, de madrugada, com arrombamento (HC 192.530); furto de uma bicicleta, mas em concurso de agentes (HC 213.827); furto de uma colher de pedreiro avaliada em R$ 4, mediante escalada de muro (HC 253.360).
Na Quinta Turma, o repúdio à insignificância da conduta nos casos de furto também é pacífico para determinadas hipóteses: bens avaliados em R$ 27, mas com arrombamento de porta (HC 173.543); dois sabonetes avaliados em R$ 48, mas cujo autor era reincidente (HC 221.927); ferramentas avaliadas em R$ 100, furtadas do interior de uma residência (REsp 1.331.563).
Violação da isonomia
O ministro Schietti observou que, nos critérios usualmente empregados para afastar a tipicidade das condutas analisadas pelo STJ e pelo STF, não se encontra nenhum amparo para abarcar sob a mesma principiologia a tese da insignificância dos crimes de sonegação fiscal e de descaminho inferiores a R$ 10 mil.
Nos casos de furto, mesmo quando recuperado o bem subtraído ou quando se verifica a concordância da vítima em não ver o autor punido, a jurisprudência não adere à tese de insignificância. A comparação leva alguns doutrinadores a entender que há desrespeito aos princípios da isonomia e da proporcionalidade.
O voto também menciona pesquisa coordenada pelo professor Pierpaolo Cruz Bottini, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que lançou o olhar sobre os julgados envolvendo o princípio da insignificância que chegaram ao STF.
O levantamento revelou que, entre 2005 e 2009, em 86% dos casos de crimes contra o patrimônio o valor do bem esteve na faixa de até R$ 200, quantia infinitamente menor do que a tomada como referência quando o crime praticado é descaminho.
O bem jurídico
Em seu voto, o ministro Schietti também chama a atenção para outro aspecto que distingue o crime de descaminho: o objeto jurídico protegido pela norma penal. Ele explica que não se trata apenas do erário.
Os tributos aduaneiros, que incidem nas operações de entrada e saída de mercadorias do país, destinam-se também a regular a atividade econômica. O Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) têm, portanto, natureza extrafiscal – são instrumentos fiscais utilizados para outros fins.
Da mesma opinião compartilha o professor de direito penal Luiz Regis Prado, da Universidade Estadual de Maringá. O doutrinador ressalta na obra “Curso de Direito Penal Brasileiro” que o bem tutelado, no que tange ao delito de descaminho, é o interesse econômico estatal. “Busca-se proteger o produto nacional e a economia do país”, diz.
Assim também pensa o penalista Cezar Bitencourt, em seu livro “Tratado de Direito Penal”, onde acentua que a conduta prevista no artigo 334 do Código Penal afeta a regulação da balança comercial, a proteção à indústria nacional e o prestígio da administração pública, especialmente “sua moralidade e probidade administrativa”.
Conduta relevante
A procuradora da República Monique Chequer igualmente defende a necessidade de haver a desvinculação do bem jurídico tutelado no crime de descaminho do interesse meramente econômico-fiscal de ajuizamento das execuções. Em artigo publicado em 2008 no Boletim Científico da Escola Superior do Ministério Público da União, a procuradora ressaltou o caráter extrafiscal dos impostos sonegados no crime de descaminho.
Monique Chequer entende que o fato de a Fazenda Nacional, por questões processuais, estruturais e administrativas, optar por não executar as dívidas inferiores ao patamar de R$ 20 mil não indica insignificância sob o aspecto subjetivo material. Daí porque ela defende que cada caso concreto seja analisado, para que se entenda seu aspecto global em relação à extensão da lesão produzida.
No recurso analisado pela Terceira Seção do STJ, o Ministério Público recorreu de decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que manteve a sentença de absolvição sumária de um réu acusado de descaminho.
Morador de Minas Gerais, ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal numa estrada do interior do Paraná. Retornava de Foz do Iguaçu, em um táxi, com quase R$ 30 mil em mercadorias importadas clandestinamente. Os tributos iludidos (IPI e II) foram calculados em R$ 13.224,63.
Absurdos
O entendimento de submeter o prosseguimento da ação penal à decisão administrativa da Fazenda faz com que absurdos judiciais aconteçam. O ministro Schietti cita como exemplo o caso de descaminho realizado com o auxílio de funcionário público. Enquadrando-se o valor do tributo sonegado no limite administrativo, haveria a estranha absolvição de um réu e a condenação do servidor público pelo crime de facilitação de contrabando ou descaminho (artigo 318 do Código Penal).
Em outro exemplo, no caso de produtos importados à margem da lei, seria possível ter a absolvição do réu acusado de descaminho, mas a condenação do autor do crime de violação de direitos autorais (artigo 184/CP) ou de receptação (artigo 180/CP).
O ministro Schietti ainda ressaltou o compromisso assumido pelo Brasil de combater o contrabando e o descaminho na Convenção sobre Repressão do Contrabando (Decreto 2.646/38) e na Convenção para Combater a Evasão Fiscal (Decreto 972/03), esta firmada com o Paraguai. Ou seja, o Brasil se comprometeu a combater e, mediante o devido processo legal, responsabilizar e punir autores de crimes de contrabando e descaminho.
O relator vê na posição que até aqui vem sendo adotada pelo Judiciário o risco de sinalizar à sociedade que o estado não tem interesse em cobrar tributos sonegados ou iludidos e, mais ainda, que não se interessa em punir quem pratica crimes de sonegação de tributos e de descaminho. Rogerio Schietti entende que é precisamente porque não houve efetiva atuação da esfera administrativa que a intervenção penal é mais necessária.
“Para um país que sonha em elevar sua economia a um grau de confiabilidade, em distribuir renda de modo justo e dar tratamento isonômico a todos os seus cidadãos (artigo 5º,caput, da Constituição da República), é incompreensível que se consolide uma jurisprudência tão dúctil na interpretação de condutas que, ao contrário de tantas outras tratadas com rigor infinitamente maior, causam tamanho desfalque ao erário e, consequentemente, às políticas públicas e sociais do país”, concluiu o ministro.
Leia a íntegra do voto do ministro Schietti.
Acompanharam o relator os ministros Felix Fischer e Maria Thereza de Assis Moura e os desembargadores convocados Ericson Maranho e Walter de Almeida Guilherme. Votaram em sentido contrário, para que se negasse o recurso do MP, os ministros Sebastião Reis Júnior, Nefi Cordeiro, Gurgel de Faria e o desembargador convocado Newton Trisotto.

DIREITO: TRF1 - Universitário se matricula sem certificado de ensino médio

Crédito: Imagem da web
A 5ª Turma do TRF da 1ª Região decidiu, por unanimidade, manter sentença que concedeu segurança pleiteada por um estudante de Agronomia, para determinar ao reitor do Centro Universitário de Anápolis - Unievangélica que matricule o impetrante no 2º período do curso, caso ele já tenha concluído o primeiro.
Em revisão de sentença, o relator, desembargador federal Souza Prudente, entendeu que a recusa da instituição de ensino em matricular o aluno, sob o fundamento de que a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro não atestou a validade de seu certificado de conclusão do ensino médio, não é legítima, uma vez que a circunstância foi ocasionada por irregularidades no funcionamento da instituição de ensino médio.
Além disso, segundo o magistrado, o impetrante agiu de boa-fé e “não deve arcar com o pesado ônus de não possuir um Certificado de Conclusão de Ensino Médio regular devido à inoperância do Poder Público em fiscalizar a regularidade das instituições de ensino que estão em funcionamento”.
Por fim, o relator afirmou que o Tribunal tem entendido que, em casos como este, deve-se preservar a situação consolidada com a concessão da segurança, que garantiu ao aluno a efetivação da matrícula, sendo desaconselhável sua desconstituição.
Processo nº 0004118-67.2013.4.01.3502
Data do julgamento: 1/10/2014
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