segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

POLÍTICA: 'Não vão conseguir criar qualquer conflito entre mim e Lula', diz Dilma

Da FOLHA.COM
LEANDRO COLON
ENVIADO ESPECIAL A BRUXELAS


A presidente Dilma Rousseff tentou minimizar, em viagem a Bruxelas, as informações de que o ex-presidente Lula tem feito críticas reservadas ao seu estilo de governar.
Reportagem publicada pela Folha nesta segunda-feira diz que Lula, embora acredite numa vitória de Dilma nas eleições deste ano, defende que ela faça, entre outras coisas, ajustes na economia e na área política.
"Eu acho que vocês podem tentar de todas as formas criar qualquer conflito, barulho ou ruído entre mim e o presidente Lula, que vocês não vão conseguir", disse a presidente, em entrevista coletiva aos jornalistas brasileiros que cobrem a Cúpula Brasil-União Europeia.
"O meu comentário é o seguinte: a imprensa é livre e tem direito de expressão e eu e o presidente Lula não temos divergências a não ser as normais", afirmou. Questionada se em algum momento ouviu críticas neste sentido de Lula, ela respondeu: "Não, ele nunca comentou comigo".
Segundo a reportagem, Lula avalia, em conversas reservadas com políticos e empresários, que a presidente "está bem na foto" com o eleitorado, mas "divorciada" das classes política e empresarial.

ECONOMIA: Receita quer cadeia para sonegador de impostos

De OGLOBO.COM.BR
MARTHA BECK

Projeto de lei será encaminhado ao Congresso; empresas estrangeiras também estão na mira do Fisco
BRASÍLIA - A Receita Federal quer tornar mais rigorosa a punição para quem sonega impostos no país. Para isso, deve enviar ao Congresso ainda este ano um projeto de lei que acaba com a regra pela qual o crime de sonegação se extingue a partir do momento em que a pessoa física ou empresa paga o que deixou de recolher em impostos. Segundo o coordenador-substituto de Assuntos Estratégicos da Coordenação- Geral de Pesquisa e Investigação (Copei) da Receita, Jorge Caetano, a regra atual beneficia o sonegador, pois ele sabe que, se pagar o que deve, tudo se resolve e ele não enfrenta outras consequências. Por isso, a ideia do Fisco é equiparar o crime de sonegação ao de corrupção, que pode resultar em prisão de até oito anos.
— Queremos poder oferecer a denúncia contra o contribuinte mesmo se ele devolver os recursos aos cofres públicos. Isso seria possível se houvesse uma equiparação da sonegação às penas existentes para o crime de corrupção. Afinal, ambos resultam em danos para a sociedade — explicou Caetano.
Outra iniciativa da Receita que deve ser encaminhada ao Legislativo em 2014 é tornar mais ágil o trabalho de combate ao crimes fiscais, permitindo que a Receita possa solicitar diretamente à Justiça mandados de busca e apreensão em suas investigações. Hoje, os auditores fiscais só conseguem esses mandados por meio da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), pela abertura de inquérito na Polícia Federal ou por um pedido feito ao Ministério Público.
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— Como o processo hoje é mais lento, você dá margem a uma rota de fuga para que está sendo investigado — disse o coordenador-substituto.
Outra proposta para o ano é tentar obter mais informações sobre empresa estrangeiras que fazem negócios no Brasil. Hoje, uma companhia de outro país podem obter um CNPJ para atuar no mercado brasileiro por meio de um procurador e não precisa informar quem são os seus sócios. Segundo o Fisco, essa falta de transparência pode acabar favorecendo crimes como lavagem de dinheiro e sonegação. Neste caso, no entanto, a mudança da lei é mais delicada, pois existe um temor por parte do governo de que um controle maior sobre essas empresas possa afetar o fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil.
— Queremos discutir isso com calma com o Banco Central e outras autoridades do sistema financeiro — disse Caetano.
Ele explicou que as três iniciativas foram discutidas e aprovadas na última Reunião Plenária Anual da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), grupo composto por vários órgãos como Receita, Coaf, Ministério da Justiça, Polícia Federal, além do Tribunal de Contas da União (TCU) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Todos os anos a ENCCLA define as prioridades para o seguinte e se compromete a dar andamento às propostas aprovadas pelos órgãos que fazem parte do grupo.
— No caso da Receita, essas foram as três ações que ganharam apoio na ENCCLA de 2013. Por isso, acreditamos que elas têm chance de avançar em 2014 — disse Caetano.
No ano passado, as ações de inteligência realizadas pela Copei resultaram em autuações de R$ 6,5 bilhões para pessoas físicas e jurídicas. A maior parte dessas ações foi resultado de 28 operações feitas pelo Fisco em parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público Federal.
Entre essas operações está a Protocolo Fantasma que desarticulou uma organização criminosa que atuava em 19 estados e inseria informações falsas em declarações do Imposto de Renda para reduzir ou eliminar ilegalmente dívidas tributárias. A operação Hidra, por sua vez, descobriu uma organização que usava documentos falsos para obter inscrições no CPF, constituir e alterar quadros societários de empresas, abrir contas em bancos e obter empréstimos bancários.

DIREITO: AGU e BC querem adiar julgamento de planos econômicos

Do Portal ATARDE
Ricardo Brito | Agência Estado

A Advocacia Geral da União (AGU) e o Banco Central (BC) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira, 21, à tarde, que suspenda o julgamento dos planos econômicos. O argumento usado pelas duas instituições é o de que a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) apresentou, no último dia 18, três pareceres econômicos que deveriam reabrir a discussão dos processos que tratam do assunto. O pedido ainda não foi analisado pela Corte.
Na semana passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, adiou o julgamento, previsto para esta semana, para depois do carnaval. Barbosa, entretanto, não marcou data para a retomada da análise dos processos.
O pedido para adiar sem data definida foi apresentado pelo advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams, pelo procurador-geral do Banco Central, Isaac Sidney Menezes Ferreira, e pela secretária-geral de Contencioso, Grace Maria Fernandes Mendonça nas cinco ações em curso no Supremo que questionam os planos Bresser, Verão, Collor I, Collor II.
A AGU e o BC se valem de pareceres econômicos da Consif que questionam três principais pontos apresentados nas sustentações orais realizadas nos dias 27 e 28 de novembro passado: a) avaliação de pontos específicos feitos pelo Ministério Público Federal, elaborado pela LCA Consultores no mês passado; b) dimensionamento do risco potencial para os bancos decorrentes das ações judiciais indenizatórias dos planos econômicos, também elaborada pela LCA; c) estudo elaborado pelo professor da Universidade de Harvard e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Eric S. Maskin, que tratou especificamente dos quatro planos econômicos brasileiros.
Segundo a petição das duas instituições, os pareceres apresentados pela Consif demonstram, em síntese, "equívocos metodológicos" da avaliação feita pelo Ministério Público Federal. "Além disso, os aludidos pronunciamentos técnicos esclarecem prováveis impactos de eventual condenação com eficácia erga omnes (para todas as pessoas) pelo Supremo Tribunal Federal das instituições financeiras a reparar supostos prejuízos que teriam sido causados pelos planos de estabilização monetária", ponderaram as instituições.
AGU e BC pedem que seja suspenso o julgamento em curso e remetido os autos do processo para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se pronuncie sobre os novos documentos anexados aos autos. Os dois órgãos pedem também que seja realizada uma nova audiência pública para colher depoimentos de autoridades monetárias e demais envolvidos nos processos.
As duas instituições argumentam que tais providências prestigiariam o devido processo legal, a segurança jurídica e o direito ao contraditório. "Ademais, visam assegurar a legitimidade, sob viés democrático - dado o amplo debate a ser oportunamente promovido - da decisão a ser proclamada, pois estarão colmatadas (completadas), em definitivo, eventuais dúvidas sobre os reais impactos da decisão a ser proferida sobre o sistema financeiro nacional, bem de uso comum, prestante a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade", conclui a manifestação da AGU e do BC.

POLÍTICA: 'Caí de pé', diz Jefferson antes de ser preso

Da FOLHA.COM
ITALO NOGUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A LEVY GASPARIAN (RJ)

Minutos antes de ser levado para a Superintendência da Polícia Federal, o ex-deputado Roberto Jefferson disse lamentar perder a liberdade, mas diz que caiu de pé. Ele acaba de sair de Levy Gasparian, interior do Rio, para ser preso.
Condenado em regime semiaberto pelo caso do mensalão, ele disse que ainda não recebeu propostas de emprego para poder sair durante o dia da prisão.
"É uma grande perda. O homem tem que procurar acertar para não perder a liberdade. O valor supremo da vida é a liberdade. Lutem para manter a de vocês", disse Jefferson, ao lado da mulher, Ana Lúcia, aos jornalistas.
Questionado se arrependia-se de algo no caso do mensalão, ele disse que não.
"Caí de pé. Minha música é 'My way'. Não me rendi, não me ajoelhei e fiz da minha maneira. [...] Faço o bem. Não sou melhor do que ninguém. Mas não foi à toa que fui eleito por seis vezes deputado federal", disse ele.
Ele voltou a afirmar crer que o país melhorou após o caso do mensalão, revelado pelo ex-deputado em entrevista à Folha, em 2005.
"O Brasil melhorou. A fiscalização da imprensa é intensa. E os políticos melhoraram seu comportamento. Não dá mais para brincar com a opinião pública nacional", disse ele.
O ex-deputado disse que sentirá falta de guiar sua moto Harley Davidson.
"O importante da Harley é o sentimento de liberdade. Não é a chegada o mais importante, mas sim a jornada. A liberdade é fundamental na vida do ser humano. E eu estou perdendo a minha", disse ele.
Jefferson assinou o mandado de prisão às 12h21. Ele agradeceu a cortesia dos agentes da Polícia Federal, que permitiram a ele tomar banho, trocar de roupa e almoçar antes de seguir para a Superintendência da PF no Rio, de onde será encaminhado para um presídio.
Ele disse que está levando dois livros para a prisão, além da Bíblia. Questionado sobre seu futuro político, ele disse: "Vou ter tempo [para pensar]".

POLÍTICA: A interlocutores, Lula diz que Dilma precisa mudar

Da FOLHA.COM
VALDO CRUZ / ANDRÉIA SADI, DE BRASÍLIA

Em público, elogios apaixonados. Reservadamente, críticas ao estilo de governar de sua sucessora e uma certeza: a presidente Dilma precisa mudar em 2015 num eventual segundo mandato no Palácio do Planalto.
Esta tem sido a tônica das conversas do ex-presidente Lula nas últimas semanas com interlocutores do mundo político e empresarial, que intensificaram seus encontros com o petista para se queixar da presidente.
Apesar das críticas, em todas as conversas Lula diz ter confiança de que Dilma será reeleita e afasta qualquer possibilidade de assumir o lugar de sua ex-ministra na campanha.
O petista avalia que Dilma tem conquistas para garantir o segundo mandato, principalmente nas áreas do emprego e social, mas está convencido de que a presidente tem de fazer ajustes na economia e na área política.
De posse de pesquisas internas, que indicam que 80% dos entrevistados acreditam na vitória de Dilma nas eleições deste ano, a equipe de Lula avalia que a presidente "está bem na foto" com o eleitorado, mas "divorciada" das classes política e empresarial.
A médio prazo, este divórcio poderia travar a economia e colocar em risco conquistas obtidas na área social no país.
Nas conversas com empresários e políticos nas duas últimas semanas, Lula tem dito que a atual equipe econômica está com o prazo de "validade vencido" e que a presidente terá de escalar não só um novo time na área como também fazer correções na sua política econômica para fazer o país voltar a crescer com taxas na casa dos 4%.
Em segundo lugar, Lula diz que Dilma precisa aprender a vender o Brasil no exterior e melhorar a interlocução com o empresariado brasileiro, que também elevou o tom das reclamações contra o que consideram um estilo intervencionista da presidente.
Lula e empresários concordam que a petista está deixando para 2015 uma elevada conta na área econômica, com preços represados artificialmente, o que exigirá sacrifícios no ano que vem.
Na área política, o ex-presidente avalia que sua sucessora precisa criar um novo "núcleo duro" para gerenciar o governo e administrar as pendências com sua base aliada no Congresso, que já ensaia uma rebelião.
Um interlocutor de Lula diz que ele está totalmente envolvido na campanha de reeleição de Dilma e faz questão de deixar claro que não tem nenhuma intenção de sair candidato no lugar da presidente, algo que empresários têm sugerido recorrentemente nos últimos encontros. "Ele nem deixa a conversa prosperar", afirma um auxiliar.
ERROS
Políticos também reforçam o coro do "Volta, Lula". Um amigo próximo do ex-presidente relata que, há alguns meses, Lula confidenciou que não havia a possibilidade de se colocar como candidato pois significaria admitir "o fracasso'' de sua sucessora. "E ele não acha que ela fracassou, acha que tem prós e contras, mas não fracasso".
Lula reconhece que sua sucessora cometeu erros, mas acredita que ela já faz uma autocrítica em algumas áreas e tende a mudar sua forma de governar em 2015.
O ex-presidente cita como exemplo as regras das concessões ao setor privado de rodovias e aeroportos.
Depois de adotar uma linha intervencionista, diz Lula, Dilma fez correções, ainda que tenha demorado para começar a fazê-las. Depois disso, o programa começou a andar.
Na avaliação da equipe de Lula, Dilma centraliza demais e delega pouco.
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula em encontro no Palácio da Alvorada

ECONOMIA: Dólar opera em queda, perto de R$ 2,34, e Bovespa passa a cair

Do UOL

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, passou a operar em queda nesta segunda-feira (24). Por volta das 11h26, o índice caía 0,31%, a 47.234,86 pontos. No mesmo momento, o dólar comercial tinha desvalorização de 0,7%, a R$ 2,337 na venda. Na última semana, o dólar acumulou queda de 1,39%. Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade às intervenções diárias, vendendo 4.000 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em 1º de agosto e 1º de dezembro deste ano. Mais tarde, o BC realiza mais um leilão de rolagem dos contratos com vencimento em 5 de março, com oferta de até 10,5 mil swaps.

VIOLÊNCIA: Santista morre após ser agredido com barras de ferro por são-paulinos

DO ESTADAO.COM.BR
Juliana Diógenes - O Estado de S. Paulo

O caso foi registrado como homicídio no 21º Distrito Policial, na Vila Matilde, onde ocorreu o crime
SÃO PAULO - Um torcedor do Santos morreu nesse domingo após ser agredido com barras de ferro por são-paulinos na avenida Conde de Frontim, no Jardim Aricanduva, zona leste de São Paulo. O crime ocorreu após o clássico entre Santos e São Paulo, que terminou com o placar de 0 a 0, no Morumbi. Márcio Barreto de Toledo, 34 anos, integrante da Torcida Jovem, do Santos, assistiu ao jogo no estádio e depois foi à sede da entidade. Ele aguardava na parada de ônibus da estação Penha, próximo à base da Torcida, quando foi surpreendido por homens em dois carros por volta das 20h.
Evelson de Freitas/Estadão
A PM estava presente no clássico do Morumbi, domingo
Segundo o boletim de ocorrência registrado no 10º Distrito Policial da Penha, a vítima foi agredida com barras de ferro por um grupo de torcedores uniformizados do São Paulo. Os agressores estavam em dois veículos: um Vectra preto e um Corsa branco. Outros torcedores santistas que estavam no local teriam fugido com medo de também serem agredidos. Márcio foi atendido pelo SAMU e encaminhado ao Hospital Municipal de Tatuapé em estado grave.
De acordo com informações do hospital, o torcedor deu entrada às 20h19 com dificuldade respiratória, rebaixamento do nível de consciência, ferimento na região occipital (região posterior do crânio) e edema em região ocular. E não resistiu. Ele morreu de traumatismo crânio-encefálico às 23h30. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo.
FILHO DE 5 MESES
O caso foi registrado como homicídio qualificado tentado, quando há intenção de matar. De acordo com a Secretaria de Seguraça Pública de São Paulo (SSP), o crime é tido pela Polícia como atentado. Embora registrado no 10º DP, da Penha, o caso será investigado por policiais civis do 21º Distrito Policial, na Vila Matilde, onde ocorreu a agressão. Os agressores ainda não foram identificados.
"É covardia pegar um pai de família de 34 anos que ia embora para casa tranquilamente. Isso revoltou todo mundo. É uma atitude lamentável, covarde e que a gente repudia muito. Nos abalou bastante", disse o presidente do conselho da Torcida Jovem do Santos, Cosme Damião Freitas. Segundo ele, Márcio Barreto de Toledo tinha um filho de cinco meses.

TRÁFICO: Brasileiras estão entre as maiores vítimas de tráfico de seres humanos na Europa

Do ESTADAO.COM.BR
Por JAMIL CHADE

Primeiro informa feito pela UE aponta que trafico é “a escravidão de nossos tempos”
GENEBRA - Elas são verdadeiras escravas numa das sociedades mais desenvolvidas do mundo. O primeiro levantamento publicado pela União Europeia sobre o tráfico de seres humanos em todo o continente constata que as brasileiras estão entre as três nacionalidades mais frequentemente alvo de tráfico, perdendo apenas para nigerianas e chinesas. Os dados revelam uma dimensão até hoje desconhecida, com mais de 2 mil mulheres estrangeiras identificadas a cada ano no continente europeu vítimas do tráfico e muitas delas trabalhando como escravas modernas.
Se o levantamento é o primeiro a ser publicado pela Europa com os dados de todos os 28 países, o informe traz informações apenas até 2011. Ainda assim, o documento revela que o padrão é constante e que, na realidade, o número de vítimas apenas aumenta.
Entre 2008 e 2010, um total de 330 brasileiras foram identificadas como vítimas do tráfico de pessoas, em redes que hoje movimentam mais dinheiro que o tráfico de armas. O número foi coletado a partir da cooperação entre as polícias dos 28 estados do bloco e revelam que as brasileiras representam cerca de 15% de todas as vítimas estrangeiras de tráfico de seres humanos no bloco.
Em 2009, por exemplo, o Brasil ocupou a segunda colocação entre as nacionalidades que foram vítimas do maior número de casos de tráfico, com 151 pessoas envolvidas. A UE deixa claro que essas foram apenas as pessoas identificadas e que, na prática, o número total pode ser bem superior.
“O tráfico de seres humanos é a escravidão de nossos tempos”, alertou a UE em seu informe. “As vítimas são frequentemente recrutadas, transportadas ou mantidas por força em condições de exploração e fraude, incluindo exploração sexual, trabalhos forçados, atividades criminais e remoção de órgão”, apontou a UE.
Ainda que a Europa não disponha ainda dos números para 2011, 2012 e 2013, os autores do informe estimam que pouco teria mudado desde então. No total, a Europa estima que mais de 7,5 mil pessoas são vítimas do tráfico a cada ano, incluindo mulheres do próprio bloco, como romenas e búlgaras. Entre 2008 e 2010, a constatação é de que o fenômeno ganhou força, com um aumento de 18% no número de casos.
Segundo o levantamento, 62% dos casos identificados estavam relacionados com exploração sexual, contra 25% de casos de trabalho forçado.
Criminosos - Os dados também apontam que muitas das redes de tráfico de mulheres que operam na Europa são compostas por brasileiros. Em 2010, por exemplo, 94 brasileiros foram identificados como membros de grupos criminosos, um número que só foi superado pelos nigerianos atuando no ramo, com mais de 107 casos.
Em três anos, 151 brasileiros foram identificados pelas polícias europeias como fazendo parte da rede de criminosos responsáveis pelo tráfico de seres humanos. Em 2010, a Europa levou à Justiça mais de 1,2 mil pessoas por conta desse crime.

MUNDO: Ordem de busca e captura é emitida contra Yanukovich

Do ESTADAO.COM.BR
EFE

Um processo penal por 'assassinato em massa de cidadãos pacíficos' foi aberto
KIEV - O Ministério do Interior da Ucrânia anunciou nesta segunda-feira, 24, que foi iniciado um processo penal contra o presidente deposto Viktor Yanukovich por "assassinato em massa" e se ditou contra ele ordem de busca e captura.
"Foi aberto um processo penal por assassinato em massa de cidadãos pacíficos. Yanukovich e outros funcionários de alto escalão estão em busca e captura", escreveu no Facebook o titular da pasta, Asden Avakov.
Pouco antes, o Serviço de Segurança (antigo KGB) da Ucrânia assinalou que não sabe onde Yanukovich se encontra, embora acredite que continue no país.
"Neste momento, Yanukovich não está detido, e ainda não se determinou seu paradeiro", disse uma fonte do serviço secreto à agência local "Ukrinform", desmentindo assim rumores que circularam esta noite pelas redes sociais de que o ex-presidente tinha sido detido na Crimeia (sul do país).
A fonte também desmentiu os rumores de que Yanukovich quer fugir da Ucrânia por via marítima.
Segundo informaram as autoridades ucranianas neste fim de semana, o ex-presidente, que no sábado foi cassado pelo Parlamento, tentou sair do país em um avião particular, mas o voo não foi autorizado pela guarda de fronteiras.
Desde então, e após ter denunciado que na Ucrânia não houve uma revolução, mas um golpe de Estado, Yanukovich se encontra em paradeiro desconhecido, enquanto o grupo parlamentar de seu Partido das Regiões o culpou, em uma declaração institucional, pela situação criada.

MUNDO: Governo do Egito renuncia abrindo caminho para Sissi

De OGLOBO.COM.BR
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Primeiro-ministro Hazem El-Beblawi fez o anúncio na TV estatal
O general Sissi, ao meio, ao lado do premier Hazem el-Beblawi, à direita, em setembro de 2013 Hassan Ammar / AP
CAIRO — O governo egípcio apoiado pelo Exército renunciou nesta segunda-feira, abrindo caminho para o general Abdel Fattah al-Sisi, que depôs o ex-presidente Mohamed Mursi, no ano passado. Após uma reunião de 15 minutos com seu gabinete no início desta segunda-feira, o primeiro-ministro Hazem El-Beblawi afirmou que “a reforma não pode ser feita apenas através do governo”, acrescentando que todos os egípcios devem se esforçar para conseguir a mudança a que aspiram. Sisi, que deve concorrer à Presidência, participou do encontro por ser o atual ministro da Defesa.
Segundo o jornal “Al-ahram”, o premier anunciou a renúncia na TV estatal. O presidente interino Adly Mansour é esperado para aceitar a decisão e uma comissão formada por Ibrahim Mahaleb, ministro da Habitação no governo de Beblawi, deve ajudar a formar o novo gabinete.
“O governo fez todos os esforços para tirar o Egito deste túnel estreito em termos de segurança, pressões econômicas e confusão política”, disse o premier em um curto discurso ao vivo. “É hora de todos nós nos sacrificarmos para o bem do país. Ao invés de perguntar o que o Egito nos deu, devemos questionar o que temos feito para o Egito”.
O economista, que serviu como subsecretário-geral da ONU entre 1995 e 2000, foi nomeado primeiro-ministro em julho do ano passado, depois que Morsi foi deposto em meio a protestos em massa. Mas Beblawi foi amplamente criticado internamente por ter demorado demais para declarar a Irmandade Muçulmana uma organização terrorista.
Sissi, aliado estratégico dos Estados Unidos, é o favorito para as eleições de abril. Mas ele precisa renunciar ao governo e ao Exército antes de anunciar oficialmente sua candidatura à Presidência. Há dez dias, o general se encontrou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para negociar um acordo de compra de armas russas.
A viagem para Moscou foi a primeira internacional do ministro da Defesa desde que ele depôs Mursi, com amplo apoio popular. À época, os meios de comunicação estatais e privados noticiaram amplamente o encontro, que serviu para demonstrar a Washington a força do general em casa e no exterior além de mandar uma mensagem a Washington sobre a independência do Egito.

POLÍTICA: BNDES deu R$ 350 mil para evento do MST

Do ESTADAO.COM.BR
Eduardo Bresciani - O Estado de S.Paulo

Caixa também liberou R$ 200 mil para Mostra de Cultura Camponesa; congresso nacional da entidade teve passeata que terminou em tumulto
BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam contratos sem licitação de R$ 200 mil e R$ 350 mil, respectivamente, com entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra para evento realizado no 6.º Congresso Nacional do MST. O evento, há duas semanas, terminou em conflito com a Polícia Militar na Praça dos Três Poderes que deixou 32 feridos, sendo 30 policiais. Houve, ainda, uma tentativa de invasão do Supremo Tribunal Federal.
A Associação Brasil Popular (Abrapo) recebeu os recursos para a Mostra Nacional de Cultura Camponesa, atividade que serviu de centro de gravidade para os integrantes do congresso do MST. As entidades têm relação próxima, tanto que a conta corrente da Abrapo no Banco do Brasil aparece no site do MST como destino de depósito para quem deseja assinar publicações do movimento social, como o jornal Sem Terra.
O contrato de patrocínio da Caixa, no valor de R$ 200 mil, está publicado no Diário Oficial da União de 3 de fevereiro de 2014. Foi firmado pela Gerência de Marketing de Brasília por meio de contratação direta, sem licitação. A oficialização do acordo do BNDES com a mesma entidade foi publicada três dias depois. O montante é de até R$ 350 mil. A contratação também ocorreu sem exigência de licitação e foi assinada pela chefia de gabinete da presidência do banco de fomento.
A Mostra Nacional de Cultura Camponesa, objeto dos patrocínios, ocorreu na área externa do ginásio Nilson Nelson, em Brasília. O congresso teve suas plenárias na área interna. Os dois eventos tiveram divulgação conjunta e o objetivo da mostra era mostrar os diferentes produtos cultivados pelos trabalhadores rurais em assentamentos dentro de um discurso do MST da valorização da reforma agrária.
Marcha. O congresso foi realizado de 10 a 14 de fevereiro e reuniu 15 mil pessoas. No dia 12, uma marcha organizada pelo movimento saiu do ginásio e percorreu cerca de cinco quilômetros até a Esplanada dos Ministérios. O objetivo declarado era a entrega de uma carta ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com compromissos não cumpridos pela presidente Dilma Rousseff na área da reforma agrária.
No decorrer da passeata, o grupo de sem-terra integrou-se a petistas acampados em frente ao STF desde as prisões do mensalão, ameaçando invadir a Corte. Na presidência dos trabalhos, o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a sessão que ocorria no momento.
Um cordão de isolamento feito por policiais e seguranças da Corte impediu os manifestantes de avançar em direção ao Supremo. Eles então se dirigiram ao outro lado da Praça dos Três Poderes, rumo ao Palácio do Planalto. Quando os sem-terra romperam as grades colocadas na Praça o conflito começou.
Manifestantes atiravam cruzes que faziam parte da marcha, pedras e rojões contra a polícia, que usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os militantes. Ao todo, 30 policiais e dois manifestantes ficaram feridos.
No dia seguinte ao conflito, a presidente Dilma Rousseff recebeu líderes do movimento para debater a pauta de reivindicações, atitude que sofreu críticas de parlamentares da oposição e ligados ao agronegócio.

ELEIÇÃO: Membros do MP escolhem hoje nomes da lista tríplice para procurador-geral de Justiça da Bahia

Do BAHIA NOTÍCIAS
Foto: Bahia Notícias
Os membros do Ministério Público da Bahia (MP-BA) escolhem nesta segunda-feira (24) os nomes que irão compor a lista tríplice para concorrer à vaga de procurador-geral de Justiça da Bahia. O posto, atualmente, é ocupado pelo procurador Wellington César Lima e Silva, que finaliza no próximo mês de março, o seu segundo mandato. A votação acontece das 9h às 17h, na sede da instituição, no Centro Administrativo da Bahia. Os três nomes mais votados devem ser anunciados por volta das 18h30 ainda desta segunda. A lista tríplice será encaminhada para o governador do Jaques Wagner para que ele escolha um dos nomes para ocupar o cargo, em até quinze dias. De acordo com o presidente da Associação dos Membros do Ministério Público da Bahia (Ampeb), Alexandre Cruz, as eleições para o cargo de procurador-geral de Justiça serviu para debater “exaustivamente”, o MP baiano. A associação promoveu um debate entre os candidatos e a sociedade civil para que explanassem suas propostas. Concorrem ao cargo os promotores de Justiça Antônio Sérgio dos Anjos Mendes, Ediene Santos Lousado, Gilberto Costa de Amorim Júnior, Heron José de Santana Gordilho, Marcelo Henrique Guimarães Guedes, Márcio José Cordeiro Fahel, Millen Castro Medeiros de Moura, Rita Andréa Rehem Almeida Tourinho e Waldemir Leão da Silva, e o procurador de Justiça Washington Araújo Carigé. O procurador indicado pelo governador ficará a frente do MP-BA no biênio 2014-2016.

POLÍTICA: Dilma Rousseff participa de cúpula com a União Europeia em Bruxelas

Do ESTADAO.COM.BR
Andrei Netto, enviado especial

Entre os temas da agenda bilateral estão desdobramentos de crises internacionais, como Síria e Ucrânia, além das negociações de paz entre Palestina e Israel
BRUXELAS - A presidente Dilma Rousseff está reunida com a cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica. A delegação brasileira chegou por volta das 9h30, horário local, para se encontrar com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy. 
Participam ainda do encontro a Comissária de Comércio da UE, Karel Gucht, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo.
Entre os temas da agenda bilateral estão desdobramentos de crises internacionais, como Síria e Ucrânia, além das negociações de paz entre Palestina e Israel. Mas o tema central da cúpula são as negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
No domingo, 23, empresários brasileiros reunidos com Dilma em Bruxelas solicitaram à presidente que priorize em curtíssimo prazo a redução de barreiras não tarifárias, como as fitossanitárias.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu ainda que as negociações para liberalização das trocas comerciais cheguem a um acordo em até 60 dias - antes das eleições europeias de maio.

DIREITO: CNJ adia, mais uma vez, julgamento de processos contra Telma Britto

Do BAHIA NOTÍCIAS
por Cláudia Cardozo
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) retirou da pauta de julgamento desta terça-feira (25) duas reclamações disciplinares contra a desembargadora Telma Britto, já afastada do cargo por força de um processo administrativo disciplinar instaurado pelo Pleno do CNJ. Telma Britto responde a quatro reclamações abertas no órgão para apurar possíveis infrações disciplinares que possam ter sido cometidas pela magistrada, além do próprio processo administrativo instaurado por inflacionamento de pagamento de precatórios. Todos os processos correm em sigilo de justiça. Os processos contra Britto vêm sendo retirado da pauta de julgamento do CNJ desde o início de dezembro do ano passado. Dessa vez, o motivo é a ausência justificada do corregedor Nacional de Justiça, Francisco Falcão, relator dos dois processos. As demais ações contra a desembargadora são relatados pelo conselheiro Paulo Teixeira e Gilberto Martins. Alguns processos já estão prontos para serem votados. O afastamento da desembargadora termina em março.

DIREITO: STF - Liminar desobriga Folha de publicar sentença em que foi condenada por dano moral

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar pleiteada pela Empresa Folha da Manhã S/A e sustou ordem judicial que determinou a publicação do inteiro teor de sentença na qual foi condenada a indenizar, por dano moral, membros do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A decisão, proferida na Reclamação (RCL) 15681, ressalta que o único embasamento legal para a publicação da sentença era a Lei 5.250/1967 (Lei de Imprensa), declarada não recepcionada pela Constituição Federal de 1988 em decisão do STF.
A ação que resultou na condenação foi movida por conselheiros do Conselho de Contribuintes, órgão recursal das decisões proferidas por delegados da Receita Federal em processos relativos ao imposto de renda de pessoas jurídicas, contra matéria publicada pela Folha de S. Paulo em 24/5/2000.
A Folha foi condenada em 2001 pelo juízo da 16ª Vara Cível de Brasília (DF) a pagar, a cada um dos conselheiros que moveram a ação, R$ 3 mil a título de indenização e a publicar a íntegra da sentença com o mesmo destaque da notícia tida como ofensiva. Em 2007, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) confirmou integralmente a sentença.
Na Reclamação, a empresa sustenta que a condenação afronta a autoridade do acórdão do STF que julgou procedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130 para declarar não recepcionada pela Constituição da República a Lei de Imprensa, decisão com caráter vinculante e erga omnes (válida para todos). Segundo a Folha, o direito de resposta continua vigente por previsão constitucional (artigo 5º, inciso V), mas o direito de publicação da sentença, previsto no artigo 75 da Lei de Imprensa, “deixou de ter fundamento legal”. Para o jornal, a publicação “em nada esclarece eventual equívoco da imprensa” e “possui claro viés vingativo”, configurando “uma punição pública de maneira a acuar a atividade jornalística”.
Decisão
Ao conceder a liminar, a ministra Rosa Weber ressaltou que o direito de resposta, previsto na Constituição “como legítimo limite material à liberdade de imprensa”, não se confunde com a ordem de publicação da sentença no jornal, “cuja exclusiva sede normativa, no ordenamento jurídico pátrio, residia no artigo 75 da Lei 5.250/1967”. Para a ministra, os dois tipos de sanção “não contemplam o mesmo objeto e nem a mesma forma”.
A relatora observou que a decisão do TJDFT que confirmou a condenação é do dia 3/1/2008 – anterior, portanto, ao julgamento da ADPF 130, ocorrido em novembro de 2009, o que poderia justificar a inviabilidade da reclamação. Chamou atenção, porém, a uma peculiaridade: em 21/2/2008, o relator da ADPF, ministro Ayres Britto (aposentado), concedeu liminar para suspender o andamento de processos e os efeitos de decisões judiciais sobre diversos dispositivos da Lei de Imprensa, e a liminar foi referendada pelo Plenário em 27/2/2008. Embora o dispositivo não tenha sido expressamente suspenso pela liminar, daquela decisão “já podia ser inferida a incompatibilidade, com a Constituição da República, do artigo 75”, afirmou a ministra Rosa Weber. Por essa circunstância, concluiu estar suficientemente demonstrada a plausibilidade jurídica da tese defendida pela Folha na reclamação.

DIREITO: STJ - Denunciação da lide não pode se basear em fato estranho à ação

Não se admite denunciação da lide nos casos em que é exigida a análise de fato novo, inexistente na ação principal. Essa foi a conclusão a que chegou a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar recurso da Caixa Econômica Federal (CEF) contra avalista de um contrato financeiro. 
O avalista ajuizou ação de indenização por danos morais contra a CEF. Alegou que, mesmo tendo quitado o débito de um financiamento do qual era avalista perante a instituição bancária, seu nome foi inscrito nos cadastros de inadimplência da Serasa e do SPC. 
A CEF, ao contestar a ação, requereu a denunciação da lide à sociedade de advocacia responsável pelo processamento da execução contra o avalista. Sustentou que houve descumprimento de cláusula do contrato de serviço de advocacia, ou falha profissional, por não terem informado ao banco sobre o depósito feito pelo avalista. 
Fato novo
O juízo de primeiro grau não aceitou o pedido de denunciação da lide e o entendimento foi mantido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A CEF sustentou que o artigo 70, inciso III, do Código de Processo Civil (CPC) foi violado, pois é indispensável a denunciação da lide àquele que estiver obrigado por contrato a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem perder a demanda. 
No STJ, a Quarta Turma ratificou o entendimento do TRF4. De acordo com o relator do recurso, ministro Raul Araújo, para que a denunciação da lide fosse admitida nesse caso, seria necessária a análise de fato novo, diverso daquele que motivou a ação de reparação por danos morais (a indevida negativação do nome do avalista). 
Segundo o relator, teria de haver nesse caso “a demonstração, por parte da instituição financeira denunciante, de que a sociedade de advogados agira com falha no patrocínio da ação de execução”. 
Economia processual
Raul Araújo explicou que não é admissível a denunciação da lide embasada no artigo 70, III, do CPC quando introduzir fundamento novo à causa, estranho à questão principal, capaz de provocar uma lide paralela, que exija ampla produção de provas. 
Ao citar precedentes sobre o assunto, o ministro destacou que aceitar fato novo, não levantado na ação principal, tumultuaria a lide originária e ofenderia os princípios da celeridade e economia processuais – os quais essa modalidade de intervenção de terceiros busca atender. 
Ele ressaltou ainda que o entendimento do STJ não impede a CEF de ajuizar ação de regresso contra a sociedade de advocacia.

DIREITO: STJ - Segunda Seção: saldo de previdência complementar é impenhorável no que servir para subsistência

Se as provas dos autos revelarem a necessidade de utilização do saldo de previdência privada complementar para a subsistência do participante e de sua família, estará caracterizada a sua natureza alimentar e, portanto, a impenhorabilidade dos valores. Este foi o entendimento majoritário da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que pacificou tese sobre o tema. 
A relatora, ministra Nancy Andrighi, considerou desproporcional a indisponibilidade imposta ao ex-diretor do Banco Santos Ricardo Ancêde Gribel. Com a decisão, foi determinado o desbloqueio do saldo existente em seu fundo de previdência privada complementar. 
Gribel presidiu o Banco Santos por apenas 52 dias, a partir de 11 de junho de 2004. Com a intervenção decretada pelo Banco Central em novembro de 2004 – sucedida pela liquidação e, depois, pela falência –, Gribel e os demais ex-administradores tiveram todos os seus bens colocados em indisponibilidade, conforme determina a Lei 6.024/74. 
Divergência
Em 2005, após ter o desbloqueio negado na via administrativa, Gribel pediu ao juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo – onde tramita ação civil pública movida pelo Ministério Público, sucedido pela Massa Falida do Banco Santos – o levantamento dos valores mantidos sob indisponibilidade relativos a plano de previdência privada complementar. 
O pedido foi negado. O ex-diretor recorreu ao tribunal estadual, por meio de agravo, mas o pedido foi novamente negado. No STJ, o recurso especial foi rejeitado pela Quarta Turma, por maioria, ao fundamento de que o saldo de depósito em PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) não ostenta caráter alimentar e, portanto, é suscetível de penhora. 
Gribel, então, apresentou novo recurso no STJ, chamado embargos de divergência, para que a questão fosse levada a julgamento na Segunda Seção, composta pelos ministros da Terceira e da Quarta Turmas, órgãos que analisam matéria de direito privado. Ele citou julgamento realizado na Terceira Turma (REsp 1.012.915), que, ao contrário da Quarta Turma, reconheceu a impenhorabilidade dos fundos de previdência privada, “seja porque possuem natureza de pecúlio, seja porque deles resultam os proventos de aposentadoria”. 
Reserva financeira
Na aplicação em PGBL, o participante faz depósitos periódicos, os quais são aplicados e transformam-se em uma reserva financeira, que poderá ser por ele antecipadamente resgatada ou recebida em data definida, seja em única parcela, seja por meio de depósitos mensais. 
Ao analisar o caso na Segunda Seção, a ministra Nancy Andrighi ressaltou que o participante adere a esse tipo de contrato com o intuito de resguardar o próprio futuro ou o de seus beneficiários, garantindo o recebimento de certa quantia, que julga suficiente para a manutenção futura do padrão de vida. 
Assim, para a ministra, a faculdade de resgate das contribuições não afasta a natureza essencialmente previdenciária – e, portanto, alimentar – do saldo existente naquele fundo. “A mesma razão que protege os proventos advindos da aposentadoria privada deve valer para a reserva financeira que visa justamente assegurá-los, sob pena de se tornar inócua a própria garantia da impenhorabilidade daqueles proventos”, afirmou a ministra. 
Caso a caso 
No entanto, a ministra Andrighi advertiu que a impenhorabilidade dos valores depositados em fundo de previdência privada complementar deve ser avaliada pelo juiz caso a caso, de modo que, se as provas dos autos revelarem a necessidade de utilização do saldo para a subsistência do participante e de sua família, estará caracterizada a natureza alimentar. 
“A menos que fique comprovado que, no caso concreto, o participante resgatou as contribuições vertidas ao plano, sem consumi-las para o suprimento de suas necessidades básicas, valendo-se, pois, do fundo de previdência privada como verdadeira aplicação financeira”, o saldo existente estará protegido pelo artigo 649, IV, do Código de Processo Civil (CPC). 
Desempate
O julgamento ficou empatado e foi definido pelo presidente da Segunda Seção. Em voto-vista, o ministro Luis Felipe Salomão afirmou que não concorda com a penhora dos valores sem qualquer exame dos fatos pelo juiz, do mesmo modo que não defende a sua impenhorabilidade absoluta. Ele considerou o caso julgado peculiar, a ponto de ensejar a flexibilização da regra da indisponibilidade, reconhecidamente rígida. 
Salomão observou que o ex-diretor do Banco Santos, aos 70 anos, está impedido de exercer qualquer cargo em instituições financeiras. Observou também que os recursos do fundo de previdência foram depositados ao longo de 20 anos, antes de Gribel entrar na diretoria do banco. Isso, no entender do ministro, demonstra a intenção de ter os recursos como alimentos futuros, não como mera aplicação financeira. 
“A questão relativa à impenhorabilidade, obviamente decorrente da natureza alimentar do capital acumulado no plano de previdência, deve ser aferida pelo juízo mediante análise das provas trazidas aos autos, tendentes a demonstrar a necessidade financeira para a subsistência da parte, de acordo com as suas especificidades”, concluiu. 
A Seção, por maioria, determinou o desbloqueio do saldo existente em fundo de previdência privada complementar. Além do ministro Salomão, acompanharam a relatora os ministros João Otávio de Noronha, Paulo de Tarso Sanseverino e Antonio Carlos Ferreira. Votaram vencidos os ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti, Villas Bôas Cueva e Marco Buzzi.

DIREITO: STJ - Empresa que teve valores penhorados após parcelamento do débito terá situação revista

Em julgamento de recurso especial, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o reexame do caso de uma empresa que teve recursos bloqueados por meio do sistema BacenJud mesmo depois de ter aderido a parcelamento tributário.
O caso aconteceu em São Paulo. A Fazenda Nacional requereu a penhora via BacenJud porque a empresa havia aderido ao parcelamento denominado Paex, instituído pela Medida Provisória 303/06, mas ficou inadimplente desde agosto de 2007. 
O bloqueio de ativos financeiros pelo BacenJud foi requerido em 16 de julho de 2009 e deferido em 25 de novembro do mesmo ano. Dois dias depois, em 27 de novembro, a empresa aderiu ao parcelamento disposto pela Lei 11.941/09, mas não comunicou em juízo a adesão. 
Parcelamento
Como a execução fiscal não foi suspensa, em 2 de dezembro de 2009, a empresa teve mais de R$ 540 mil bloqueados. No dia 23 de dezembro, ela informou à Justiça a adesão ao parcelamento e pediu a imediata liberação do valor retido, mas a Fazenda Nacional requereu a manutenção do bloqueio. 
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) manteve a retenção do dinheiro sob o entendimento de que “a adesão da executada ao parcelamento mencionado ocorreu somente em 27.11.2009, ou seja, após o deferimento do pedido de bloqueio dos valores, sendo certo que a falta de formalização da penhora não pode resultar na sua desconstituição”. 
Negligência 
No STJ, o relator, ministro Herman Benjamin, reconheceu que a jurisprudência da Corte “entende legítima a disposição normativa que prevê a manutenção de penhora realizada previamente ao parcelamento do débito”, mas observou que a adesão ao parcelamento suspende as medidas de cobrança e que, no caso dos autos, isso só não aconteceu por negligência da empresa. 
“O bloqueio, efetivamente, ocorreu após a adesão ao novo parcelamento – o que conduz ao provimento deste apelo –, mas a verdade é que a medida judicial foi concretizada e, diga-se de passagem, decorreu da negligência da recorrente, que, integrando a relação jurídica processual, requereu administrativamente a inclusão no parcelamento e não comunicou a autoridade judicial”, disse o relator. 
Ao considerar o caráter excepcional do caso, o relator decidiu pela devolução do processo ao juízo de primeiro grau para ele reexaminar a situação fática e jurídica atual do parcelamento requerido e, “com base nessa constatação, aplicar o direito. Isto porque é imperioso observar que a execução é promovida no interesse do credor (artigo 612 do Código de Processo Civil)”, concluiu o ministro.

DIREITO: TRF1 - Candidato com deficiência deixa de tomar posse em cargo público do Banco Central por falta de vaga

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A 6.ª Turma do TRF da 1.ª Região negou a candidato com deficiência o direito a tomar posse em cargo público do Banco Central do Brasil. A decisão foi unânime após julgamento de apelação interposta contra sentença da 3.ª Vara Federal do Distrito Federal que indeferiu pedido de um concorrente à nomeação e posse no cargo de Analista do Banco, em vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD).
O concurso disponibilizou 283 vagas para o cargo, sendo 16 destinadas a PCDs.. Ocorre que o certame foi realizado de forma regionalizada, de modo que, no momento da inscrição, os candidatos fizeram a opção por cidade e concorreram apenas com aqueles que fizeram a mesma opção. Assim, o estado de São Paulo, para o qual o apelante concorreu, possuía 26 vagas para o cargo, mas apenas uma para pessoas com deficiência. O candidato afirma que com o aumento do número de vagas para 421 deveriam ter sido disponibilizadas as vagas correspondentes para as pessoas com deficiência, o que não teria ocorrido.
Já o Banco Central argumentou que o acréscimo de vagas para São Paulo foi de 25 lugares, de modo que não foi disponibilizada mais uma vaga para pessoas com deficiência, não existindo, para a localidade, mais nenhum cargo disponível. Argumentou, ainda, o recorrido, que das 421 novas vagas, 22 foram reservadas aos cotistas em cumprimento ao disposto na legislação pertinente, mas apenas 18 candidatos foram nomeados. O Banco destaca que, ainda que houvesse uma vaga disponível, o direito de nomeação e posse não seria do apelante, pois existem dois candidatos classificados em posição superior à deste concorrente.
O relator do processo na Turma, desembargador federal Jirair Aram Meguerian, observou que, embora tenham sido reservadas 22 das 421 vagas, na prática, tal distribuição não foi observada, tendo em vista que muitos dos municípios para os quais os portadores de necessidades especiais se candidataram não disponibilizaram vagas para PCDs. “Sobre a matéria, ressalto que já se manifestou o ministro Felix Fischer, relator do ROMS 30.841-GO (200902195677), que concluiu que, nessas hipóteses, deve ser levado em conta o somatório das vagas totais do cargo, independentemente da localidade”, ilustrou o magistrado.
O desembargador também citou jurisprudência do TRF1 no sentido de que em concursos públicos destinados à formação de cadastro de reserva, com previsão, no edital, de destinar 5% das vagas a candidatos com deficiência, impõe-se promover o arredondamento de vaga para um número inteiro todas as vezes que o número de vagas existente estiver compreendido entre 5 e 19: “assim, considerando-se a informação de que foram abertas 51 vagas no estado de São Paulo, 5% das vagas disponíveis representam 2,55 vagas, o que suscita outra controvérsia que é a possibilidade de arredondamento do percentual. Esta Corte já se manifestou favorável ao arredondamento, quando o limite mínimo de 5% de reserva de vaga para deficiente físico em concurso pública não chegar a 1 vaga”.
Para o relator Jirair Aram Meguerian, se fosse determinada a fixação de três vagas para PCDs, embora significasse o arredondamento do percentual resultante do limite mínimo, a ação estaria longe de ultrapassar o limite máximo de 20%, o que seria razoável, pois cumpriria a legislação sobre a matéria sem privilegiar os PCDs em detrimento dos demais concorrentes. “No caso concreto, todavia, tal situação não restou demonstrada, porque mesmo que houvesse cargos vagos para a especialidade para a qual o apelante foi aprovado, ainda haveria dois candidatos com classificação melhor que a sua, visto que foram chamados dois candidatos aprovados, e que o apelante ocupa a 5ª posição na lista de candidatos portadores de necessidades especiais para a praça de São Paulo”, concluiu o magistrado.
Assim, o relator negou provimento à apelação do candidato.
Processo n.º 0018794-11.2008.4.01.3400

DIREITO: TRF1 - Universitário não pode participar de transferência externa sem comprovar conclusão de disciplinas

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Estudante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) não poderá participar de processo seletivo interno da universidade sem antes comprovar a conclusão com aproveitamento das disciplinas cursadas anteriormente. O entendimento unânime foi da 6.ª Turma do TRF da 1.ª Região ao julgar recurso interposto por universitário contra a sentença que denegou mandado de segurança em que pleiteava o direito de se matricular no curso de Administração, para o qual foi aprovado no processo seletivo interno para preenchimento de vagas ociosas (transferência externa).
O juízo sentenciante identificou um obstáculo contra a pretensão do requerente, pois o estudante não comprovou, no tempo exigido pelo edital, a conclusão com aproveitamento de todas as disciplinas do 1.ª, 2.º e 3.º quadrimestres ou do 1.º e 2.º semestres ou do 1.º ano letivo no curso de origem.
O universitário, no entanto, não concorda com a sentença e alega que o principal critério de seleção para transferência externa foi aferido, reduzindo o atendimento de outros requisitos mera hipótese secundária. Para o impetrante, foram atendidos os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e finalidade da lei e a previsão de que os candidatos cursem, efetivamente, três semestres não consta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando a exigência do edital ilegal.
No entanto, a relatora do processo, juíza federal Hind Ghassan Kayath, não vislumbra nenhuma ilegalidade na conduta da UFU, apesar de reconhecer a capacidade e os esforços do estudante para se aprovar no exame seletivo. A magistrada explica que as Instituições de Ensino Superior gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, poderes conferidos pela Constituição. Assim, essas instituições possuem o direito de regulamentar seu funcionamento e editar suas regras de funcionamento, em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases.
“Se mostra razoável o decurso de tempo aparentemente longo fixado no edital, a fim de se garantir que o aluno que ainda esteja cursando o semestre letivo será aprovado em todas as disciplinas, conforme exige o edital, condição imprescindível para torná-lo apto a concorrer a uma das vagas do curso pretendido, sob pena de se acolher a matrícula do candidato antes que ele comprove a necessária conclusão de todas as disciplinas do curso de origem e posterior exclusão do processo seletivo por reprovação em qualquer disciplina”, concluiu a relatora.
Hind Ghassan Kayath destacou, ainda, que permitir ao apelante a efetivação de sua transferência sem que atenda aos requisitos previstos no edital fere o princípio da isonomia, desprestigiando àqueles que observaram as regras.
Processo n.º 0016616-39.2011.4.01.3803
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