terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

DIREITO: TRF1 - MPF não tem interesse processual contra ex-prefeito já condenado pelo TCU

A 4.ª Turma do TRF da 1.ª Região negou provimento à apelação do Ministério Público Federal (MPF) contra sentença que extinguiu, sem julgamento do mérito, ação contra ex-prefeito de uma cidade do Pará, por improbidade administrativa, uma vez que a prestação de contas de sua gestão já foi julgada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que condenou o réu a ressarcir aos cofres públicos R$ 50.000 emprestados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de um veículo escolar.
O MPF requereu, à Justiça Federal do DF, a condenação do réu ao pagamento de R$ 10.000 a título de danos morais, além do ressarcimento do valor principal.
Inconformado com a negativa de seu pedido, o Ministério Público apelou para o TRF1.
O relator, juiz federal convocado Antônio Oswaldo Scarpa, analisou a sentença e a considerou correta. O magistrado concluiu que o MPF não tem interesse processual para agir, já que a decisão do TCU vale como título executivo extrajudicial, que obriga o réu ao pagamento: “Trata-se de hipótese que reclama a dissolução processual, sem análise meritória, ante a carência original da ação, devido à falência do interesse processual, nas modalidades necessidade e/ou utilidade, nos termos disciplinados pelo art. 267, inc. VI, do CPC”.
Apesar de o ex-prefeito ainda poder recorrer da sua condenação pelo TCU, o relator ressaltou que é impossível a revisão da sentença no TRF1. “A possibilidade de eventual alteração do julgado proferido pelo Tribunal de Conta da União, através de recurso que ali possa interpor o apelado, não tem o condão de desconstituir o entendimento sufragado na sentença quanto à falta de interesse do autor na busca da condenação do apelado no ressarcimento das verbas objeto do convênio”.
Dessa forma, o magistrado concluiu que: “De igual forma, não se justifica, no caso em análise, o prosseguimento do feito, como pretende o apelante, quanto ao alegado dano extrapatrimonial, haja vista tratar-se de pedido condenatório vinculado à ocorrência do dano material já afastado pelo juiz sentenciante do feito, por isso que extinta a presente ação sem exame do mérito, por falta de interesse processual do autor”.
A decisão da 4.ª Turma foi unânime.
Processo n.º 0000099-47.2011.4.01.3903

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

POLÍTICA: Lula enfrentará rivais para poupar Dilma até a Copa

Do ESTADAO.COM.BR
Atualizado em 10.02 - Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo

Segundo estratégia petista, ex-presidente usará discursos em eventos estaduais e vídeos em um canal da internet para tratar dos assuntos mais espinhosos e responder a opositores; ideia é que Dilma se concentre mais na administração
O fato de Luiz Inácio Lula da Silva voltar a usar sua tradicional barba é apenas um item do plano estratégico já traçado entre os petistas neste período de pré-campanha: o ex-presidente tomará a linha de frente dos embates públicos com os adversários até o fim da Copa do Mundo, em meados de julho. A ideia é criar a imagem de que sua sucessora e pré-candidata à reeleição, Dilma Rousseff, está concentrada na administração do País e na realização do evento esportivo.
Celio Messias/Estadão
Lula em evento do PT, em Ribeirão Preto
Anteontem, em Ribeirão Preto, durante um evento do pré-candidato petista em São Paulo, Alexandre Padilha, Lula já foi para cima do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Além de críticas sobre a atuação do magistrado no julgamento do mensalão, os petistas veem Barbosa como possível adversário na sucessão de outubro. Por ser juiz, ele poderá se desincompatibilizar do cargo e se filiar a um partido até abril - o prazo de outros candidatos é outubro do ano anterior, pelo menos 12 meses antes do 1.º turno. "Se quer fazer política, entre para um partido. Mostre a cara", disse o ex-presidente.
Além de rodar o Brasil fazendo campanha para os candidatos petistas a governos estaduais, como já fez no fim de semana com Padilha, Lula vai usar a internet para travar a disputa política em torno de temas espinhosos para o PT, como a defesa da gestão Fernando Haddad na capital paulista, o desempenho da economia, a regulação da grande mídia, o combate à corrupção, a reforma política e a própria Copa do Mundo.
Nos primeiros meses, por causa de algumas viagens internacionais, as ações vão se concentrar no Sudeste. Na sexta-feira, ele deve participar de um evento com Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, que lançará sua pré-candidatura do PT ao governo de Minas.
A prioridade do ex-presidente são os cinco maiores colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia.
A estratégia da pré-campanha foi definida em duas reuniões. A que decidiu o papel de Dilma foi em Brasília e a segunda, que discutiu o uso da internet, na sede do Instituto Lula, em São Paulo.
Segundo um colaborador do ex-presidente, ele não deixou a barba crescer à toa, e sim por um aspecto simbólico. Lula, que tirou a barba durante o tratamento de câncer na laringe em 2011, vinha usando apenas bigode, como é menos conhecido.
Estreias. Desde o início do ano Lula já publicou três vídeos para falar sobre a campanha das Diretas Já (e reforma política), internet (e regulação da mídia) e combate à fome (e programas do governo) em sua página no Facebook, que ultrapassou a marca de 500 mil seguidores.
As mensagens são produzidas no próprio Instituto Lula, mas a equipe de comunicação trabalha com o projeto de um canal de vídeos a partir de maio.
O ex-presidente também deve aumentar o número de entrevistas a jornais regionais. Na sexta-feira o diário A Cidade, de Ribeirão Preto, publicou uma delas na qual Lula faz elogios a Haddad e defende o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci.
Segundo petistas, a Copa do Mundo é o "último solavanco" antes da reta final da campanha eleitoral. Por isso, até julho a presidente deve manter no governo nomes cotados para a coordenação da campanha, como os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça).
Até agora, os únicos nomes definidos para integrar a campanha são os do presidente do PT, Rui Falcão, o deputado estadual Edinho Silva (PT-SP), o chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, o publicitário João Santana e o jornalista Franklin Martins.

COMENTÁRIO: Afinal, Lula, que * é essa?

Por Ricardo Noblat - Do blog do NOBLAT

Concorda com a frase ‘Na política nunca podemos dizer nunca’?
Bem, eu concordo. E parto dela para compartilhar com vocês o que penso.
Por exemplo: Sarney apoiou a ditadura militar de 1964 até à véspera de ela cair 21 anos depois. Então, rapidinho, passou para o lado dos que a combatiam. Entendeu?
É confuso. Outro exemplo? Em 1989, Lula e Collor brigaram pela presidência da República.
Collor ganhou chamando Lula de comunista. Lula perdeu chamando Collor de desonesto. Hoje, um apoia o outro.
Último exemplo?
Foi Lula quem fez Joaquim Barbosa ministro do Supremo Tribunal Federal. Os dois sempre estiveram do mesmo lado.
No último sábado, sem citar o nome dele, Lula bateu duro em Joaquim. Acusou-o de ter condenado inocentes. Sugeriu que Joaquim será candidato a alguma coisa.
Por que Lula procedeu assim? Porque o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, contou à VEJA o que ouviu de Joaquim no final do ano passado.
Foto: DPA
Em resumo, Joaquim disse que cansara. A experiência de ser ministro já estava de bom tamanho para ele. Desde então, segundo Marco Aurélio, “ventila-se” no Supremo Tribunal Federal (STF) que Joaquim será candidato à vaga de Dilma.
(Contenha a euforia, Noblat!)
Em 2005, estourou o escândalo do mensalão que quase derrubou o governo. Mensalão foi o nome dado ao esquema de compra de votos com dinheiro público para que Lula governasse.
Nunca teve nome o esquema de compra de votos no Congresso que permitiu a reeleição de Fernando Henrique.
Política é negócio. Um negócio milionário. Dê-me o que quero e lhe darei o que você quer. Nada sai de graça.
Estou dando voltas porque escrevo cansado. Vamos adiante, todavia.
Ameaçado pelo escândalo, Lula ocupou uma cadeia nacional de rádio e televisão para pedir desculpas aos brasileiros, negar que existira mensalão e se dizer traído. Suas mãos tremiam.
Mensalão? Jamais ouvira falar, disse. Corrigindo: ouvira uma vez, sim senhor. Foi quando recebeu em audiência o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), seu aliado.
Mandou investigar o que Jefferson lhe contou. A investigação no Congresso durou uma semana. Nada foi descoberto.
Lula ouviu falar do mensalão pela segunda vez quando visitou Goiás. O governador Marconi Perillo alertou-o para a compra do passe de deputados. E Lula?
Na boa... Nem aí.
Temeu-se depois que ele fosse capaz de se matar. Foi salvo pelo ministro José Dirceu.
(Se gosto de Dirceu? Gosto sim, política à parte)
Quanto aos traidores...
Bem, Lula não apontou nomes de traidores. Afinal, como reclamar do julgamento daqueles que o traíram? Incoerência total. Falta de compromisso com a verdade.
Nada que seja estranho à política cujas bases são a mentira, a fraude e a enganação. Lula não parecia um político melhor nem pior do que qualquer outro. Era diferente apenas. Deixou de ser.
Poderia ter dito com toda a clareza possível que seus traidores não foram esses que estão atrás das grades. E mais o que está preso na Itália. E nem os que estão dentro do STF.
Seria a forma mais eficiente de defendê-los. Mas tal coisa seria o mesmo que admitir que o mensalão existiu. E que ele, Lula, de fato fora traído.
O silêncio é a mais preciosa lei da máfia. E ele tem preço. Tanto no caso do traidor como no de quem se sente traído.
Ensinam os manuais sobre traições: morra sem confessar. Se for o caso, valerá o preço de ir para o inferno mentindo.
Que saudade de O Poderoso Chefão.

HUMOR

Do blog do NOBLAT
     

ECONOMIA: Receita libera segundo lote de restituições retidas na malha fina

Do UOL, em São Paulo

A Receita Federal liberou, nesta segunda-feira (10), a consulta ao segundo lote de restituições do Imposto de Renda 2013 que ficaram retidas na malha fina.
A liberação inclui também dados de outros anos: 2012 (ano-calendário 2011), 2011 (ano-calendário 2010), 2010 (ano-calendário 2009), 2009 (ano-calendário 2008) e 2008 (ano-calendário 2007).
O pagamento para 89.237 contribuintes acontecerá no dia 17 de fevereiro, totalizando o valor de R$ 199.999.999,76.
Desse total, R$ 55.023.731,05 referem-se a 12.561 contribuintes, sendo 11.306 idosos e 1.255 com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave. 
Como saber
Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar a página da Receita na internet ou ligar para o Receitafone 146.
A Receita disponibiliza, ainda, aplicativo para tablets e smarthphones que permite a consulta a declarações de IR e situação cadastral no CPF. Esse aplicativo possui funcionalidades destinadas às pessoas físicas. Com ele será possível consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições das declarações do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.
A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la por meio da Internet, mediante o Formulário Eletrônico - Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Extrato do Processamento da DIRPF.
Caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do BB ou ligar para a Central de Atendimento por meio do telefone 4004-0001 (capitais) e 0800-729-0001 (demais localidades) para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.

ECONOMIA: Bolsa opera em queda; dólar tem alta e fica próximo de R$ 2,39

Do UOL

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em queda nesta segunda-feira (10). Por volta das 12h10, o índice caía 0,29%, a 47.936,26 pontos. No mesmo momento, o dólar comercial subia 0,62%, a R$ 2,394 na venda. O mercado aguarda a participação da nova presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, no Congresso esta semana, após o segundo mês de dados fracos de empregos no país. Nesta manhã, o Banco Central brasileiro deu continuidade ao seu programa diário de intervenções no mercado de câmbio, vendendo 4.000 contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em 1º de dezembro. Além disso, o BC realizou a terceira etapa da rolagem dos swaps que vencem em 5 de março, vendendo toda a oferta de até 10,5 mil contratos.

CORRUPÇÃO: Ex-diretor da Siemens reconhece assinatura na conta Luxemburgo

Do ESTADAO.COM.BR
por Fernando Gallo e Fausto Macedo

Newton Duarte, leniente no caso do cartel metroferroviário, disse que assinou documento de transferência de valores.
O ex-diretor da Siemens Newton José Leme Duarte, um dos seis executivos que assinaram o acordo de leniência em que a multinacional alemã denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a formação de cartel no sistema metroferroviário de São Paulo e do Distrito Federal, reconheceu como sua a assinatura em um documento de transferência de valores da conta bancária suspeita em Luxemburgo, mas negou ter recebido dinheiro dela ou remetido valores para o exterior.
Duarte admitiu como sendo sua a assinatura em depoimento ao Ministério Público de São Paulo. Perante um grupo de 4 promotores de Justiça e uma procuradora da República, o executivo depôs no dia 4 de setembro do ano passado. Ele estava acompanhado das advogadas Sylvia Urquiza e Leonor Cordovil, que representam a Siemens.
Newton Duarte é o único dos seis lenientes da Siemens a estar formalmente vinculado à conta por ter rubricado o único documento de transferência de valores que restou preservado – os demais documentos foram destruídos, segundo relatou o executivo da multi alemã Sérgio de Bona à Polícia Federal.
Newton Duarte confirmou aos promotores que a rubrica era a última da parte inferior do documento. Contudo, disse acreditar ter assinado o documento “apenas na condição de diretor estatutário da empresa, isso porque assinava uma quantidade enorme de documentos por dia, nessa qualidade”, segundo anotou o Ministério Público.
O depoimento foi prestado sob sigilo, amparado pelo Provimento 32/2000 da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo – norma que determina que não conste dos autos a qualificação de pessoas que podem ser colocadas em perigo devido ao depoimento que já tenham prestado ou que irão prestar em inquérito policial ou em processo judicial.
No termo de declarações, Duarte é identificado como “depoente C”.
Ele relatou ter negado por vários meses que tivesse conhecimento da conta em Luxemburgo porque não se lembrava de ter lançado sua rubrica na autorização da transferência. Ele ainda disse nunca ter ouvido falar da empresa Singel Canal Service nem da fundação Supararolo Private, titulares da conta.
Oito dirigentes da Siemens foram donos da fundação, incluindo Adilson Primo.
A descoberta da conta de Luxemburgo por uma auditoria feita pela Siemens em 2008 resultou, em 2011, na demissão de Adilson Primo, ex-presidente da empresa no Brasil.
A multinacional diz que os US$ 7 milhões que passaram pela conta foram desviados da empresa. Primo sustenta que não apenas a matriz alemã tinha conhecimento da existência da conta como a operacionalizava.
O vice-chefe de compliance – setor que disciplina padrões internos de conduta – da Siemens na Alemanha, Mark Gough, disse à Polícia Federal suspeitar que parte do dinheiro que transitou pela conta foi usado para pagar propina a agentes públicos brasileiros.
O documento rubricado por Duarte, datado de 26 de setembro de 2006, autoriza a transferência de US$ 30 mil dólares da conta de Luxemburgo para uma conta de um banco na Suíça de titularidade de Marcos Honaiser, oficial da reserva da Marinha. Honaiser nunca foi localizado para explicar o depósito.
Mark Gough relatou à PF que De Bona, que colaborou com a empresa na investigação interna, e disse ter sido pressionado para operar a conta, guardou o documento para provar a vinculação de seus superiores hierárquicos na companhia.
O documento relativo à transferência é também o único relacionado à conta que leva a rubrica de Adilson Primo.
Ao final de seu relato, Newton Duarte afirmou que “não sabe de pagamento de propina para funcionários públicos do Estado de Sã Paulo ou das empresas CPTM e Metrô de São Paulo”.

ECONOMIA: Juros sobem pelo 8º mês seguido e têm maior média desde setembro de 2012

Do UOL, em São Paulo

A taxa média de juros cobrada dos consumidores subiu para 5,65% em janeiro, ante os 5,6% cobrados em dezembro de 2013. Foi a oitava alta seguida na taxa, de acordo com a pesquisa da Associação dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
A taxa média apurada na pesquisa, que chega a 93,39% ao ano, é a maior cobrada desde setembro de 2012.
A Anefac pesquisa, todos os meses, as taxas cobradas em seis linhas diferentes voltadas para pessoas físicas. Apenas uma não registrou alta, mantendo-se estável em janeiro, na comparação com dezembro.
"Esta situação é reflexo do aumento da taxa básica de juros [Selic] promovida pelo Banco Central em 15 de janeiro passado", diz o diretor executivo de estudos econômicos da associação, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Taxa do cartão fica estável, mas chega a 192,94% ao ano
De acordo com a pesquisa, os juros médios cobrados no cheque especial passaram de 7,97% para 8,03% ao mês. No empréstimo pessoal dos bancos, a taxa saiu de 3,20% para 3,26% ao mês.
A taxa do empréstimo pessoal concedido pelas financeiras também subiu: era de 7,16% ao mês em dezembro de 2013 e ficou em 7,2% ao mês em janeiro.
Os juros cobrados do comércio passaram de 4,25% por mês, em média, para 4,35% mensais. No Crédito Direto ao Consumidor para financiamento de automóveis, a taxa média saiu de 1,65% ao mês para 1,69% mensal.
A taxa do cartão de crédito foi a única que se manteve estável em janeiro, segundo a Anefac, em 9,37% ao mês. Ainda assim, é a mais alta entre as seis taxas cobradas da pessoa física incluídas na pesquisa, ficando, em média, em 192,94% ao ano.
Juros cobrados das empresas também subiram
A Anefac também pesquisa, mensalmente, as taxas cobradas das empresas. Nesse caso, todas as três linhas de crédito analisadas ficaram mais caras em janeiro.
Na média, a taxa das linhas para pessoa jurídica passou de 3,25% para 3,29% ao mês. É a maior média registrada desde setembro de 2012.
Os juros cobrados nas linhas de capital de giro ficaram em 1,7% ao mês em janeiro, ante 1,65% em dezembro, em média. No crédito para desconto de duplicada, a média passou de 2,33% para 2,38% mensais.
Na linha de crédito chamada de "conta garantida", os juros médios saíram de 5,77% para 5,79% ao mês.

PREVIDÊNCIA: No INSS, pedidos de auxílio-doença para usuários de drogas triplicam em oito anos

De OGLOBO.COM.BR
GUSTAVO URIBE

No mesmo período, o benefício concedido a viciados em cocaína e seus derivados, como crack e merla, também mais do que triplicou
Na estatística. O eletricista Cleber Franchi, que bebia três litros de álcool por dia e teve duas overdoses, hoje está internado e recebe R$ 1.500 por mês do INSS O Globo / Marcos Alves
SÃO PAULO — Por anos, o eletricista Cléber Wilson do Prado Franchi, de 35 anos, conciliou a rotina de trabalho com o vício do álcool e da cocaína. Em 2011, um aumento no consumo das duas drogas levou o profissional a apresentar sintomas como perda de raciocínio e coordenação, e fez com que ele fosse demitido da multinacional onde trabalhava. Nessa época, ele ingeria três litros de álcool por dia e chegou a ter duas overdoses. Em busca de ajuda, internou-se em uma clínica de reabilitação e, desde 2012, recebe um auxílio-doença mensal no valor de R$ 1.500. Isso fez com que ele entrasse em uma estatística preocupante que vêm crescendo nos últimos anos. O consumo de drogas no Brasil não só cresce, como também afasta cada vez mais brasileiros do mercado de trabalho.
Nos últimos oito anos, o total de auxílios-doença relacionados à dependência química simultânea de múltiplas drogas teve um aumento de 256%, pulando de 7.296 para 26.040. No mesmo período, o benefício concedido a viciados em cocaína e seus derivados, como crack e merla, também mais do que triplicou. Passou de 2.434, em 2006, para 8.638, em 2013, num crescimento de 254%. O uso de maconha e haxixe resultou, por sua vez, em auxílio para 337 pessoas, em 2013, contra 275, há oito anos.
Os dados inéditos foram obtidos pelo GLOBO com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, nos últimos oito anos, a soma de auxílios-doença concedidos a usuários de drogas em geral, como maconha, cocaína, crack, álcool, fumo, alucinógenos e anfetaminas, passou de um milhão. Só em 2013, essa soma alcançou 143.451 usuários.
Segundo o INSS, o total gasto em 2013 com auxílios-doença relacionados a cocaína, crack e merla foi de R$ 9,1 milhões. Os benefícios pagos a usuários de mais de uma droga somaram R$ 26,2 milhões. E a cifra total, relativa a todas as drogas (incluindo álcool e fumo), chegou a R$ 162,5 milhões.
O auxílio-doença varia de R$ 724 a R$ 4.390,24, de acordo com o salário de contribuição do segurado. O valor mensal médio pago a um dependente químico de cocaína e seus derivados é de R$ 1.058, e a duração média de recebimento é de 76 dias. Para ter direito, o segurado precisa de autorização de uma perícia médica e de atestados e exames que comprovem tanto a dependência química quanto a incapacidade para o trabalho. O tempo de recebimento do benefício é determinado pelo perito.
Uso de cocaína cresce no Brasil
A presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), a psiquiatra Ana Cecilia Petta Roselli Marques, observou que, por conta do aumento do consumo de cocaína e crack, era esperado que houvesse um impacto também no mercado de trabalho brasileiro. A última edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que, entre 2006 e 2012, duplicou o consumo de cocaína e seus derivados no Brasil. A pesquisa mostrou ainda que um em cada cem adultos consumiu crack em 2012, o que faz do país o maior mercado mundial do entorpecente. Na avaliação da psiquiatra, o consumo da droga já se tornou epidemia.
— Era esperado que tivesse um impacto no mercado de trabalho do país, com repercussões, por exemplo, em auxílios-doença para cuidar da saúde. Por conta do uso, o trabalhador adoece cada vez mais cedo, principalmente do sistema cardiovascular. E há também a questão da mortalidade precoce. É uma epidemia, o que é visto pelo número de casos novos na população ao longo dos anos —explicou Ana Cecília.
No ano passado, apenas os estados de Alagoas, Roraima e Sergipe não tiveram aumento do número de auxílios-doença relacionados ao uso de drogas em relação a 2012. Em São Paulo, estado que historicamente concentra o maior número de beneficiados, o total de auxílios-doença passou de 41 mil para 42.649. Na sequência, estão Minas Gerais (de 18.527 para 20.411), Rio Grande do Sul (de 16.395 para 16.632), Santa Catarina (de 13.561 para 14.176) e Paraná (de 9.407 para 10.369).
O diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (Inpad), o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, observa que o Brasil é um dos poucos países em que o consumo de crack e cocaína têm aumentado nos últimos anos.
— As pesquisas mostram que há, nos domicílios brasileiros, um milhão de usuários de crack e 2,6 milhões de usuários de cocaína. E uma parcela dessas pessoas trabalha. Então, não há dúvida de que tem um impacto no mercado de trabalho.
Em virtude do aumento da dependência química, o Ministério da Saúde informou que aumentará neste ano a capacidade de atendimento dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) 24 horas. Atualmente, o Brasil tem 47 unidades em funcionamento, com capacidade para 1,6 milhão de atendimentos por ano. O governo federal afirma que vai construir mais 132 unidades até o fim do ano, elevando a capacidade para 6,1 milhões de atendimentos anuais.
No Rio, concessão de benefício cresce 25% em um ano
No Rio de Janeiro, que historicamente é o sexto estado que mais concede auxílios-doença relativos a drogas, o pagamento do benefício cresceu 10% em 2013, passando de 6.577, em 2012, para 7.234. No mesmo período, a quantidade de benefícios concedidos a dependentes químicos de cocaína e crack teve um aumento de 25,2%, crescendo de 471 para 590.
No estado, sete de cada dez pacientes que procuram o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Uerj — uma das principais referências no assunto — são dependentes de crack. Em geral, eles têm a opção de aderir a um tratamento em um dos 27 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) existentes na capital fluminense. Os Caps são unidades especializadas em saúde mental e buscam a reinserção social dos indivíduos que padecem de transtornos mentais graves e persistentes. Eles estão abertos ao usuário que quiser ajuda, mas também recebe pessoas encaminhadas pela assistência social ou por ordem judicial. Sua equipe é multidisciplinar e reúne médicos, assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.
Mas os espaços para acolhida costumam ser pequenos para a demanda. Nesse cenário, sofrem até os bebês que são abandonados por mães viciadas em crack e superlotam os abrigos existentes.
Em 2013, em entrevista ao GLOBO, a juíza titular da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da capital, Ivone Ferreira Caetano, alertou que os abrigos oferecidos pela prefeitura tinham virado verdadeiros depósitos de crianças. Em resposta, a Secretaria municipal de Desenvolvimento Social informou que a “lotação da rede pública para crianças de zero a 4 anos estava diretamente ligada à diminuição da capacidade de atendimento em clínicas e abrigos particulares” e que o abrigo Ana Carolina, em Ramos, seria reaberto.
Para atuação policial nas cracolândias do Rio, o Ministério da Justiça encaminhou ao estado, em novembro, armamento de baixa letalidade. A polícia recebeu 250 kits com pistolas de eletrochoque e spray de pimenta.

DIREITO: Cresce número de ações na Justiça pela mudança na correção do FGTS

Do ESTADAO.COM.BR
Hugo Passarelli - O Estado de S. Paulo

Reajuste atual do fundo não cobre a inflação e milhares de ações pedem ressarcimento de perdas; Caixa diz que recorrerá de decisões contra o FGTS 

SÃO PAULO - O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) acumula um desempenho nada animador nos últimos 15 anos. De julho de 1999 a fevereiro de 2014, seu reajuste foi de 99,71%, bem abaixo da inflação no período. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), por exemplo, acumula alta de 159,24% até janeiro deste ano, o último dado disponível.
O saldo do FGTS é atualizado todo dia 10 de cada mês, respeitando a fórmula de 3% ao ano mais Taxa Referencial. Na ponta do lápis, o rombo criado pelo descolamento entre o atual modelo de reajuste e os índices de preços está na casa dos bilhões. Só neste ano, R$ 6,8 bilhões deixaram de entrar no bolso dos trabalhadores, segundo cálculos do Instituto FGTS Fácil, organização não governamental que presta auxílio aos trabalhadores. Em 2013, a cifra chegou a R$ 27 bilhões.
A TR é calculada pelo Banco Central e tem como base a taxa média dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) prefixados, de 30 dias a 35 dias, oferecidos pelos 30 maiores bancos do País. A redução da taxa básica de juros, a Selic, a partir de 1999, foi diminuindo o valor da TR e fez com que o reajuste do FGTS não conseguisse nem repor as perdas com a alta dos preços da economia.
A queda mais forte dos juros promovida no início do governo de Dilma Rousseff só acentuou esse problema. De 2012 para cá, não foi raro o momento em que a taxa ficou zerada.
A reversão dessa política, com o atual ciclo de aperto monetário, já elevou a Selic para 10,5% ao ano, o que ajuda a recompor um pouco a remuneração pela TR. Mas é insuficiente para que o FGTS seja reajustado no mesmo ritmo da inflação.
Uma simulação do FGTS Fácil aponta que um trabalhador que tinha R$ 10 mil em 1999, e não teve mais nenhum depósito desde então, teria agora R$ 19.971,69 pela atual regra. O valor subiria para R$ 40.410,97 caso o reajuste considerasse os 3% anuais mais a correção da inflação pelo INPC, uma diferença de mais de 100%.
Disputa. De olho nessa rentabilidade perdida, milhares de brasileiros tentam conseguir na Justiça uma mudança na correção do fundo. As centrais sindicais também entraram no jogo e estão movendo ações coletivas, geralmente a preços mais baixos que os cobrados por advogados em processos individuais.
O volume de ações começou a crescer no ano passado, quando o STF decidiu que a TR não poderia ser usada como índice de correção monetária para os precatórios - títulos de dívida emitidos pelo governo para pagar quem ganhou ações na Justiça contra o poder público.
A partir daí, muitos advogados entenderam que esse raciocínio poderia ser estendido para o debate sobre o FGTS, mas o tema é polêmico. "O STF disse que a TR não é índice de correção da inflação, nada além disso", afirma Geraldo Wetzel Neto, sócio do Bornholdt Advogados.
Na semana passada, a Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou uma ação civil pública na Justiça do Rio Grande do Sul pedindo que a correção do FGTS seja alterada para melhor refletir a perda do poder de compra.
O juiz da 4ª Vara Federal de Porto Alegre, Bruno Brum Ribas, já decidiu que as resoluções ao longo desse processo terão validade em todo o País. Na avaliação do magistrado, é preciso reconhecer o alcance nacional da questão "sobretudo pela inquestionável proliferação de demandas da espécie já há alguns meses em todo o País".
Vale a ressalva de que, caso os trabalhadores vençam essa batalha, a diferença no reajuste do FGTS valeria não só para aqueles que têm saldo atualmente, mas também para quem efetuou resgates desde 1999.
A Caixa Econômica Federal, responsável pela administração do FGTS, acumula mais de 39 mil processos na Justiça sobre o tema e diz que já conseguiu vitória em 18,3 mil deles.
Neste ano, contudo, começaram a aparecer as primeiras decisões favoráveis ao trabalhador. O banco informou, em nota, que "recorrerá de qualquer decisão contrária ao FGTS."
Mas o caminho ainda deve ser longo. A palavra final sobre o tema deve acontecer só na última instância do judiciário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF). "É uma tese ainda em início de trajetória no poder judiciário", ressaltou a assessoria de imprensa da DPU. "O julgamento vai ser demorado porque haverá um componente político quando o tema chegar em Brasília", diz Wetzel.
Nas contas do tributarista Carlos Henrique Crosara Delgado, do escritório Leite, Tosto e Barros, a discussão só deve chegar ao Supremo num período de cinco a dez anos. "A tese em discussão é a mesma dos planos econômicos, de que o patrimônio do trabalhador foi corroído."
Dinheiro represado. Todos os meses, as empresas são obrigadas a depositar o equivalente a 8% do salário do empregado na conta do FGTS. Como a disputa pela mudança da correção do fundo está longe de terminar, as perdas continuam a crescer mês a mês.
O problema se agrava porque, caso o trabalhador não tenha sacado o valor, não há opção de destinar o dinheiro para uma aplicação mais vantajosa ou, ao menos, que cubra a inflação. O dinheiro do fundo pode ser resgatado, por exemplo, em caso de demissão sem justa causa, doença grave ou compra de imóvel.
Mario Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil, diz que embora as questões relativas ao FGTS possam ser questionadas em um período de até 30 anos, a hora é de tentar recuperar as perdas. "Quanto mais ações de trabalhadores, mais pressão sobre o judiciário", afirma.
Embora a percepção geral seja de que a maré está virando a favor dos trabalhadores, alguns especialistas lembram que não há garantias, por enquanto, de vitória dos trabalhadores.
Isso porque as decisões favoráveis até agora ainda podem ser questionadas. "O trabalhador pode, por exemplo, cair com um juiz que não tenha esse raciocínio e aí terá de pagar os honorários advocatícios caso perca a ação’, alerta Delgado.
Apesar dos riscos, vale a ressalva de que o trâmite na Justiça, em ação individual ou coletiva, deve se arrastar por muitos anos. Logo, a decisão sobre a ação de um trabalhador pode, eventualmente, coincidir com o período em que o tema estará em discussão no STF.

SAÚDE: Cidade que não pagar contrapartida sairá do Mais Médicos

Do UOL
Do Estadão Conteúdo, em Brasília

Depois de o Estado revelar que os cubanos do Mais Médicos têm trabalhado sem receber a ajuda de custo prevista nas regras do programa, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse em entrevista exclusiva que determinou uma operação "pente-fino" para notificar administrações que não cumprem as contrapartidas. E, segundo ele, essas prefeituras deixarão de receber os profissionais da terceira etapa do Mais Médicos - são até 2.900 profissionais que começarão a trabalhar no início de março.
Os municípios que continuarem, mesmo após a notificação, a deixar de pagar os auxílios moradia, alimentação e de transporte serão descredenciados do programa, segundo o ministro. "O governo federal não admite que os municípios deixem de cumprir seu papel. Todas as partes precisam seguir à risca o acordo de cooperação para que os profissionais trabalhem com as devidas condições. Em um prazo curto, todos teremos a garantia de que estaremos cumprindo nossos compromissos."
Chioro disse que determinou "rigor" nesse acompanhamento, a cargo do secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales. Onde for detectada alguma irregularidade, o município será notificado e terá cinco dias para preparar a resposta. Em seguida, a coordenação estadual do programa, com representantes do ministério, do Estado e da prefeitura, aguardará até 15 dias para que a situação se normalize. Caso isso não aconteça, o município será descredenciado do programa.
Abrangência
O ministro acredita que são poucos os municípios que não arcam com os custos de moradia, alimentação e transporte em contrapartida ao pagamento das bolsas pelo Ministério da Saúde. Até o momento, o programa tem 2.100 prefeituras credenciadas.
Até agora, o governo federal notificou 37 prefeituras acusadas de irregularidades, a maioria por falta de pagamento dos auxílios. Dessas, 27 regularizaram a situação, segundo a pasta. Apenas uma, a de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, foi desligada do programa, depois de o ministério tentar, por dois meses, fazer o município pagar os auxílios a três médicos estrangeiros.
"A lista de prefeituras notificadas pode aumentar com o pente-fino, mas não acredito em um salto. São problemas localizados que não comprometem a legitimidade do programa", disse Chioro.
Meios
Sobre a garantia de transporte para as visitas domiciliares, o ministro disse que o acordo entre o governo federal e as prefeituras não impõe que seja oferecido um carro ao médico - porque essa situação depende das características geográficas de cada Unidade Básica da Saúde (UBS). No entanto, segundo ele, as prefeituras precisam garantir meios para que as visitas sejam feitas.
Conforme o ministro, o governo federal está "sensível" à queixa dos médicos cubanos, que representam 81% dos profissionais participantes do programa, sobre o alto custo de vida nas cidades brasileiras. O governo cubano paga uma bolsa de R$ 900 aos profissionais da ilha, enquanto médicos de outros países recebem R$ 10 mil da bolsa depositados integralmente em suas contas.
Chioro disse que o governo faz uma avaliação periódica do programa juntamente com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o que inclui os valores dos auxílios pagos aos profissionais. E ressalta que todas as condições foram combinadas com os médicos da ilha, antes mesmo de seu embarque para o Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ECONOMIA: Horário de verão termina no próximo domingo, dia 16

De OGLOBO.COM.BR

Economia prevista pelo governo é de R$ 400 milhões
BRASÍLIA - O horário de verão termina no próximo domingo, dia 16, no Distrito Federal e outros dez estados. À meia-noite de sábado para domingo os relógios devem ser atrasados em uma hora, para que o horário volte ao normal.
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que a economia deve chegar a R$ 400 milhões com a redução do consumo de energia durante o período. Além disso, R$ 4,6 bilhões em investimentos em geração e transmissão de energia deixarão de ser gastos. Na próxima semana, o ministério deverá divulgar um balanço.



Na terça-feira passada, um apagão atingiu 12 estados e o Distrito Federal afetando 12 milhões de pessoas. A causa do problema ainda não foi oficializada pelo governo federal. A presidente Dilma Rousseff cobrou do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que apure se os operadores estão fazendo a manutenção adequada de sua rede de para-raios. Há suspeita de que descargas elétricas (raios) podem ter causado o apagão.
Desde o dia 20 de outubro, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, além do Distrito Federal adotaram o horário de verão
É o 38º ano em que o horário de verão é utilizado no Brasil. Em 2012, o montante economizado pelo país com o racionamento ficou entre R$ 130 e R$ 150 milhões. A redução da demanda por energia no horário de pico (entre 19h e 21h) é de até 4,5%, e o consumo de energia cai 0,5% durante o horário de verão.
O horário de verão começa no terceiro domingo do mês de outubro, e é mantido até o terceiro domingo de fevereiro do ano subsequente.
VEJA TAMBÉM

MUNDO: UE promete rever relações com Suíça após lei de restrição a imigrantes

Do ESTADAO.COM.BR

Chanceler francês critica referendo e diz que consequências econômicas podem ser ruins
PARIS - O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent, Fabius, criticou nesta segunda-feira, 10, o governo da Suíça depois da aprovação, em referendo popular, de uma proposta da extrema direita para estabelecer cotas para a entrada de imigrantes no país.
Efe
Fabius (esquerda) conversa com o chanceler russo, Sergei Lavrov
"É preocupante porque indica que a Suíça quer fechar-se em si mesma", disse Fabius à rádio RTL. "A União Europeia vai rever suas relações com a Suíça."
O "sim" à proposta venceu por uma margem mínima, com 50,3% dos votos. Com a medida, a Suíça transformou-se no primeiro país europeu a colocar barreiras a imigrantes do bloco.
"Na minha opinião é uma má notícia para a Europa e para a Suíça se a Suíça for penalizada economicamente por isso", acrescentou o chanceler.
Ainda ontem, a Comissão Europeia (CE) lamentou a iniciativa aprovada em referendo neste domingo na Suíça que restringe a imigração europeia para o mercado de trabalho suíço.
"A medida vai contra o princípio de liberdade de movimento entre UE e Suíça", disse por meio de nota o órgão executivo da UE. "A UE examinará as implicações da iniciativa nas relações bilaterais entre o bloco e a Suíça levando em conta o resultado do referendo".
O país não faz parte da UE, mas aderiu, em 2009, aos tratados de livre circulação de pessoas sob a condição de que o comércio estaria incluído. Localizada no centro da Europa e com milhares de pessoas que todos os dias cruzam as fronteiras da França, Itália e Alemanha para trabalhar em seu território, os suíços decidiram aprovar a proposta do Partido do Povo Suíço.
Pelo projeto, empresas suíças terão de privilegiar empregados nacionais nas contratações, algo que havia sido abolido em 2002, quando todos os europeus passaram a receber o mesmo tratamento. O país estabelecerá um sistema de cotas e limitará o número de familiares que poderão viver com um estrangeiro que trabalhe na Suíça. / REUTERS e EFE

POLÍTICA: Ministério Público de Minas desiste de ação de improbidade contra Aécio

Da FOLHA.COM
AGUIRRE TALENTO / FERNANDA ODILLA, DE BRASÍLIA

O Ministério Público de Minas Gerais desistiu de uma ação de improbidade administrativa movida na Justiça contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de maquiar a aplicação de cerca de R$ 3,3 bilhões em saúde entre 2003 e 2008, período em que era governador.
Com isso, o processo contra Aécio foi extinto sem análise do mérito no último dia 29 pela Justiça de Minas.
A desistência de processar o ex-governador partiu do chefe do Ministério Público local, o procurador-geral de Justiça Carlos Bittencourt, que desautorizou a ação movida pela Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde.
Aécio foi acusado de improbidade por, segundo a Promotoria, ter maquiado a aplicação de recursos na saúde para atingir o percentual mínimo exigido por lei, de aplicar 12% da arrecadação na saúde. A ex-contadora geral do Estado Maria da Conceição Barros de Rezende também era ré no processo.
Na ação inicial, consta que a gestão de Aécio declarou ter repassado recursos para a Copasa (Companhia de Saneamento de MG) investir em saneamento, apesar de não ter sido identificada nenhuma transferência de recurso para esse fim. O dinheiro, contudo, foi contabilizado pelo governo como gastos na saúde pública, de acordo com a apuração conduzida desde 2007 pela promotora Josely Pontes.
A Promotoria argumenta ainda que a Copasa não faz parte do Estado de Minas, embora o Estado seja seu acionista majoritário. Por ser uma empresa de economia mista, argumenta a promotora na ação, os gastos da Copasa em saneamento não podem ser considerados como investimento de recursos públicos. Houve "no mínimo fraude contábil", diz a ação inicial.
O entendimento foi que Aécio e a ex-contadora geral fizeram uma "declaração falsa de transferência de recursos" de quase 50% do financiamento mínimo da saúde.
A defesa de Aécio recorreu da ação, argumentando, entre outros pontos, que, por causa do foro privilegiado, ele só poderia ser processado pelo procurador-geral de Justiça.
A ação só foi apresentada à Justiça em dezembro de 2010, depois que Aécio já havia deixado o cargo e sido eleito senador. A investigação, contudo, começou quando o tucano ainda era governador.
Por isso, uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas determinou que o procurador-geral, Carlos Bittencourt, fosse intimado para se pronunciar sobre o processo.
Bittencourt, então, opinou por não dar prosseguimento à ação. Ele afirmou à Justiça que "não vislumbrou a presença do dolo indispensável à caracterização da improbidade administrativa" e que não ficou caracterizado "dano ao erário ou desvio de recursos públicos". Ele afirmou ainda que "vícios" comprometeram desde o início a apuração dos fatos, por entender que cabe ao procurador-geral de Justiça abrir inquérito e processar governador de Estado.
Seu posicionamento divergiu da primeira instância do Ministério Público e acabou livrando Aécio, às vésperas do início da campanha presidencial, de uma ação de improbidade.
OUTRO LADO
A assessoria de Aécio afirmou que, antes da regulamentação da Emenda 29 (que determina a aplicação mínima em saúde), "diversos Estados, governados por diferentes partidos, tiveram o mesmo entendimento que Minas e consideraram investimentos feitos em saneamento como investimento em saúde, ou seja, tiveram procedimento idêntico ao de Minas".
A regulamentação da emenda, feita no fim de 2011, estabeleceu explicitamente que os gastos em saneamento não poderiam ser contabilizados para o percentual mínimo da aplicação de recursos em saúde. A assessoria disse ainda que as contas do Estado foram aprovadas pelo Tribunal de Contas e que esse caso foi "fortemente manipulado pelos adversários do senador nas redes sociais".
A Folha tentou contato com o procurador-geral de Justiça via assessoria de imprensa, mas ele estava em reunião e não retornou ao contato. A assessoria informou que ele se pronunciou nos autos.

SEGURANÇA: Advogado de tatuador diz que já sabe a identidade do homem que acionou rojão

De OGLOBO.COM.BR

Marcelo Freixo nega envolvimento com ativistas
Deputado diz que advogado de tatuador defendeu miliciano
Fábio Raposo Barbosa: ele admitiu ter passado o rojão para o homem que acendeu o artefato que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade Simone Marinho / Agência O Globo
RIO - O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende o tatuador Fábio Raposo, disse, em entrevista à CBN na manhã desta segunda-feira, que já sabe a identidade do ativista que acionou o rojão que atingiu a cabeça do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade durante uma manifestação no Centro. Jonas Nunes, que não quis revelar o nome do rapaz, disse que levará o nome para o delegado Maurício Luciano de Almeida, titular da 17ª DP (São Cristóvão), ainda nesta manhã.
— Quando eu fiquei sozinho com Fábio, ele me deu a indicação de uma pessoa que iria me dar a identidade do rapaz que acendeu o rojão. Eu já tenho o nome do rapaz e a identificação civil dele, mas só vou entregar para as autoridades — disse o advogado.
Ainda segundo o advogado, seu cliente disse que o rojão foi achado e que ele só conhece o autor do disparo de manifestações. Eles não foram ao ato com a intenção de usar o artefato.
— Foi apenas um inconsequência, uma negligência — afirmou o advogado.
Apesar de não ter tido contato com o rapaz que acendeu o rojão, Jonas Tadeu Nunes falou com uma pessoa próxima ao suspeito, mas não quis revelar o nome do interlocutor.
— Ele está muito abalado e com medo, já até pensou em suicídio — disse.
O advogado do tatuador contou ainda que está tentando convencer o manifestante a se entregar.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Raposo foi transferido, na manhã desta segunda-feira, para o Presídio Bandeira Estampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Ele foi indiciado por tentativa de homicídios e explosão e busca se beneficiar da delação premiada.
Freixo nega envolvimento com ativistas
O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que acabou tendo o seu nome ligado à investigação sobre o rojão atirado por ativista que feriu gravemente o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, nega envolvimento com ativistas. Em uma ligação de celular atendida pelo estagiário do advogado, a ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, oferecia apoio jurídico ao tatuador Fábio Raposo, que está preso acusado de ter passado o rojão para o ativista que acionou o artefato.
— É inacreditável que não se apure antes de fazer uma denúncia no século XXI. Sou radicalmente contra qualquer ação violenta, seja de quem for, do estado ou de manifestantes — disse. — É muito estranho. O delegado não ouviu a conversa. Ela foi relatada apenas pelo advogado do rapaz. Sininho também negou tenha feito qualquer ligação do homem que atirou o rojão comigo.
Segundo Freixo, o advogado Jonas Tadeu Nunes defendeu o miliciano e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, que foi citado na CPI das Milícias:
— Ele é o mesmo advogado que defendeu o Natalino, quando eu era o presidente da CPI das Milícias. Isso requer um pouco de cuidado. Concretamente o que há? Nada. Eu mais do que ninguém quero saber quem jogou o rojão. É uma declaração estapafúrdia, mas tudo isso será esclarecido.
Sobre o telefonema feito por Sininho, Marcelo Freixo disse que o número do seu celular, que é o mesmo há vários anos, é conhecido por todos.
— É um número que todos conhecem e precisam acionar a Comissão de Direitos Humanos — explicou.
O deputado estadual do PSOL também contou que sua equipe esteve no Hospital Souza Aguiar na noite em que o cinegrafista foi atingido. De acordo com ele, Santiago já trabalhou com sua esposa e é uma “pessoa querida”.
Neste domingo, Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, escreveu em seu perfil no Facebook que iria dar apoio jurídico ao tatuador Fábio Raposo.
“Ligamos para a irmã e a mãe do Fox (Fábio), oferecendo suporte no que precisar, a mãe de Fox passou o telefone do Marcelo, estagiário do advogado Jonas Tadeu Nunes. Logo depois da ligação com a mãe, falamos com o deputado Marcelo Freixo, já que ele é da comissão de Direitos Humanos, também tentamos ligar para outras pessoas de direitos humanos”.
Segundo relato de Elisa no Facebook, ela pediu ajuda ao deputado Marcelo Freixo para que nada acontecesse fisicamente com Fábio, e em seguida, também pediu apoio ao advogado.

SEGURANÇA: Cinegrafista atingido por rojão em protesto no Rio tem morte cerebral

DO ESTADAO.COM.BR
Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, estava internado em Centro de Tratamento Intensivo com afudamento no crânio
RIO - A Secretaria Municipal de Saúde do Rio acaba de informar a morte cerebral do cinegrafista da TV Bandeirantes atingido por um rojão em um protesto no dia 6 de fevereiro. Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, faleceu na manhã desta segunda-feira, 10. Ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Souza Aguiar, no centro, com afundamento de crânio.
Andrade estava em coma induzido desde que foi atingido por um rojão de vara na cabeça. No mesmo dia, Andrade passou por uma neurocirurgia para estancar o sangramento e estabilizar a pressão intracraniana. Além do afundamento de crânio ele perdeu parte da orelha esquerda.

POLÍTICA: Ex-governador tucano diz que é inocente como Lula

Da FOLHA.COM
MÁRCIO FALCÃO, DE BRASÍLIA

O ex-governador e deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirma que é tão inocente no caso do mensalão tucano quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, em sua opinião, no rumoroso caso do mensalão petista.
"Minha situação é semelhante à do Lula. Ele foi presidente e houve problema no Banco do Brasil. Corretamente, não foi responsabilizado", afirmou. "Eu também não posso ser responsabilizado."
Azeredo é acusado de ter autorizado o desvio de R$ 3,5 milhões (cerca de R$ 9,3 milhões em valores atualizados) do banco estatal Bemge e de duas empresas públicas para um esquema organizado para financiar sua campanha à reeleição como governador de Minas Gerais, em 1998.
Na última sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República pediu 22 anos de prisão para Azeredo, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro.
Azeredo diz que não autorizou os repasses que alimentaram o caixa de sua campanha eleitoral e não pode ser responsabilizado por isso. Para ele, a Procuradoria não levou em consideração as provas do processo. "Sou absolutamente inocente", disse.
No caso do mensalão petista, que distribuiu milhões de reais a políticos que apoiaram o governo Lula, o STF concluiu que o esquema foi alimentado por empréstimos bancários irregulares e recursos controlados pelo Banco do Brasil no fundo Visanet.
Lula não foi denunciado pela Procuradoria e por isso não foi julgado pelo STF. "Ele não foi questionado pelo Visanet do Banco do Brasil", disse Azeredo. "Eu defendo o presidente Lula. Ele não tinha mesmo que ser penalizado."
ditoria de Arte/Folhapress
OS DOIS MENSALÕES
As semelhanças e as diferenças entre os dois esquemas examinados pelo STF
Ao pedir 22 anos de prisão para Azeredo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que seu papel no mensalão tucano foi "equivalente" ao do ex-ministro José Dirceu, considerado pelo Supremo o principal responsável pelo mensalão petista e atualmente preso em Brasília.
Os dois esquemas foram operados pela mesma pessoa, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, dono de agências de propaganda que fizeram negócios com o governo de Minas Gerais e com o governo federal. Condenado por seu envolvimento com o mensalão petista, ele está preso em Brasília.
Num depoimento prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral da República perto do fim do julgamento, Valério disse que Lula sabia do esquema e deu a ele seu aval, mas a declaração recebeu pouco crédito das autoridades e não foi investigada.
Para Azeredo, Janot se precipitou ao pedir a pena de 22 anos de prisão no seu caso. "Só se fixa pena depois da condenação. Se não existe condenação, não tem porque já querer fixar pena. Isso realmente me deu muita estranheza", afirmou o deputado.
O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse que essa é uma atribuição da Procuradoria. "Não é usual, mas a precisão é sempre elogiável. Não vejo extravagância."
A defesa de Azeredo terá 15 dias para entregar suas alegações finais no processo. Depois, o relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, redigirá seu voto, que será revisado pelo ministro Celso de Mello. A expectativa no STF é que o caso seja julgado ainda no primeiro semestre.

DIREITO: STF encaminha pedido de extradição de Pizzolato ao Ministério da Justiça

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, determinou o encaminhamento, ao Ministério da Justiça, do pedido de extradição de Henrique Pizzolato, condenado na Ação Penal (AP) 470. A decisão responde a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que encaminhe a extradição ao Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça.
Preso em Modena, na Itália, no último dia 5, Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão pela prática dos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, por seu envolvimento no desvio de recursos do Banco do Brasil relacionado ao conjunto ações ligadas ao chamado “mensalão“.
A decisão do ministro Joaquim Barbosa determina ainda o encaminhamento ao Ministério da Justiça da certidão de trânsito em julgado da condenação de Henrique Pizzolato, de seu mandado de prisão e da decisão que mandou expedi-lo. Também ficou registrado no despacho proferido pelo ministro que a PGR fica incumbida de preparar toda a documentação, inclusive as traduções exigidas pelo Tratado de Extradição firmado entre Brasil e Itália. À PGR caberá também instruir o pedido de extradição, podendo-se valer, se necessário, do apoio da Secretaria do STF.

TSE - Negada liminar a prefeita cassada de Mossoró (RN)

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Laurita Vaz negou pedido de liminar, em ação cautelar, em que Cláudia Regina Azevedo e Wellington Costa Filho pediam para reassumir seus cargos de prefeita e vice-prefeito de Mossoró, no Rio Grande do Norte, até o julgamento de recursos que apresentaram no TSE. 
A prefeita e seu vice tiveram os mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), que os condenou por práticas de abuso de poder político, econômico e uso indevido de meios de comunicação social.
Cláudia e Wellington afirmam na ação cautelar, entre outros argumentos, que as três decisões do TRE potiguar que cassaram seus mandatos ainda não transitaram em julgado, já que apresentaram recursos no TSE.
Decisão
Ao negar a solicitação, a ministra Laurita Vaz afirma que o próprio objetivo da ação cautelar “se confunde com o pedido de medida liminar, de forma que, se deferida esta, haveria esgotamento do provimento final, sem a observância do devido processo legal”.
Após o exame das alegações feitas pela prefeita e seu vice cassados, em relação a cada uma das decisões do TRE, a ministra terminou por rejeitar o pedido de liminar.
A relatora informa que os autores da ação estão afastados dos cargos que ocupavam, não havendo, portanto, urgência que exija a concessão excepcional de liminar para que reassumam os seus mandatos.
“Além disso, a concessão da medida, neste momento, representaria uma alternância no governo municipal geradora de instabilidade, o que a jurisprudência desta Corte busca evitar”, afirma a ministra.
Processo relacionado: AC 100330

DIREITO: TRF1 - 5.ª Turma entende que União é responsável pelo levantamento de verba por advogado não habilitado no processo


Crédito: Imagem da Web
A decisão foi unânime na 5.ª Turma do TRF da 1.ª Região. A União conseguiu reduzir o valor do pagamento de indenização por danos morais de R$ 50.000 para R$ 20.000. O ente público foi condenado também ao pagamento de danos materiais no valor de R$ 14.246,07, por erro judicial em processo trabalhista em que advogado não habilitado nos autos teria se apropriado indevidamente de verba indenizatória de trabalhador morto em 1996.
O processo foi julgado na 2.ª Junta de Conciliação e Julgamento de São Luís, no Maranhão e, embora o autor da ação trabalhista tenha morrido no curso da ação, o alvará de levantamento da verba em questão foi expedido em nome do requerente e, ainda, permitiu-se o levantamento dos valores pelo advogado, que não entregou a quantia aos herdeiros do falecido. A Justiça de primeiro grau não observou as medidas necessárias, à época, para que os sucessores legais regularizassem a situação processual, ressaltando-se que o juiz da causa recebeu o requerimento, não permitiu que o irmão do falecido passasse a ser o representante da família, o que não impediu que o advogado por ele constituído levantasse as verbas da condenação, não as repassando à família, mesmo após reiteradas intimações da Vara do Trabalho.
Em recurso ao TRF da 1.ª Região, a União alegou que os pais do trabalhador não têm legitimidade para ser parte no processo. A União também argumentou que, de acordo com o artigo 5.º da Constituição Federal, o Estado não tem responsabilidade civil neste caso, pois não há relação entre o dano causado por terceiros, na hipótese o advogado, e o Estado.
A União requereu a redução do valor estipulado a título de danos morais, considerando-o desproporcional ao abalo sofrido pelos autores. Além disso, pediu a redução dos honorários advocatícios, com base no parágrafo 4.º, do art. 20 do Código de Processo Civil (CPC) e reivindicou o afastamento das custas processuais.
A desembargadora federal Selene Maria de Almeida, relatora do processo, entendeu que os pais do falecido são legitimados para requerer judicialmente o crédito, mesmo sem autorização do espólio, conforme jurisprudência já firmada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Quanto ao mérito, a desembargadora confirmou a sentença, determinando que o Estado tem responsabilidade civil porque, no caso, ficou comprovada a relação de causa e efeito entre o dano sofrido pelos herdeiros e a ação da União: “A situação é bem específica, pois a falta de observância da legislação pelo Juiz e servidores da Vara Trabalhista resultou em prejuízo material ao espólio do reclamante, ocasionado também danos morais aos pais do falecido que, além da perda de seu convívio, privaram-se de receber um valor que era fruto do trabalho do filho e que, certamente, seria uma grande ajuda ao orçamento da família”, disse a relatora.
A desembargadora afirmou, ainda, que a procuração que dava poderes ao advogado que propôs a ação para defender o trabalhador se extinguiu a partir da morte do requerente, conforme determina o Código de Processo Civil. A relatora rejeitou a argumentação da União de que a culpa pela má prestação do serviço possa ser debitada a terceiros, acolhendo apenas o pedido de redução da quantia estipulada como danos morais para R$ 20.000,00, mantendo a obrigação de reparação dos danos materiais e a estipulação dos honorários advocatícios no percentual de 10%.
A magistrada consignou, também, que a União não está sujeita ao pagamento de custas na Justiça Federal, a teor da Lei n.º 9.289/96, art. 4º, inciso I.
Processo n.º 0003872-79.2001.4.01.3700
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