segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ECONOMIA: Dólar é pressionado pelo exterior e abre a semana em alta

Do ESTADAO.COM.BR
Silvana Rocha, da Agência Estado

Autoridades de bancos centrais de vários países alertarem no fim de semana para mais turbulência no mercado financeiro
SÃO PAULO - A semana de agenda interna cheia tende a ser marcada pela volatilidade nos mercados. Os negócios no mercado de câmbio começaram nesta segunda-feira, 26, com um leilão do Banco Central de até 10 mil contratos de swap cambial para 02/12/2013 (US$ 500 mil), que equivale à venda de moeda no mercado futuro. Essa operação, no entanto, só ameniza a pressão vinda do exterior.
O dólar abriu cotado a R$ 2,3670 (+0,47%) no balcão. Às 9h44, a moeda registrou uma mínima, a R$ 2,3550 (-0,04%).
No mercado futuro, no mesmo horário, o contrato de dólar com vencimento em 1º de setembro subia a R$ 2,3595 (+0,28%), após atingir uma máxima, a R$ 2,3725 (+0,83%). A mínima desse vencimento foi de R$ 2,3570 (+0,16%), registrada após uma abertura a R$ 2,3610 (+0,34%).
A demanda pela divisa dos EUA é sustentada num ambiente de cautela. Autoridades de bancos centrais de vários países alertarem no fim de semana para mais turbulência no mercado financeiro, enquanto o Fed, o banco central dos Estados Unidos, se prepara para reduzir os estímulos à economia do país.
Os mercados globais estão hesitantes desde maio, quando o Fed começou a sinalizar que poderia reduzir as compras de bônus, de US$ 85 bilhões por mês. Os juros de hipotecas aumentaram nos EUA e as moedas e ações de várias economias emergentes caíram. Essa volatilidade é um sinal de que os efeitos dessa redução "podem não ser suaves", disse o vice-presidente do Banco da Inglaterra, Charles Bean, durante o simpósio de política monetária do Fed de Kansas City em Jackson Hole, Wyoming.
Além disso, a disputa entre comprados e vendidos no mercado futuro em torno da definição da taxa Ptax de fim de mês, que será formada na próxima sexta-feira, 30, deve alimentar a instabilidade do câmbio interno nos próximos dias. As expectativas também estarão voltadas para o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (na terça-feira, 27, e na quarta-feira, 28) e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre, na sexta-feira, 30, que também devem mexer com as decisões de negócios.
Depois que o presidente do BC, Alexandre Tombini, alertou para o fato de que os juros futuros incorporam prêmios excessivo e que a aposta em uma única direção poderá trazer perdas aos que investem em movimentos unidirecionais da moeda norte-americana, houve na sexta-feira passada, 23, a desmontagem de uma série de posições compradas em dólar e juros no mercado futuro. A previsão de uma oferta de até US$ 60 bilhões até o fim do ano por meio de leilões diários de swap cambial, a serem feitos de segunda a quinta-feira, e de leilão de linha, às sextas-feiras, tornou mais arriscado apostar no avanço do dólar ante o real.
Devido a isso também, para o Copom desta semana, a perspectiva majoritária entre investidores é de uma nova alta de 0,50 ponto porcentual da Selic, para 9% ao ano, que poderá ser seguida de dois novos apertos na mesma magnitude, em outubro e novembro.
O leilão desta segunda-feira, 26, realizado das 9h30 às 9h40 e cujo resultado será conhecido ainda nesta manhã, trata-se da primeira operação de swap após o anúncio feito na última quinta-feira, 22, do novo programa de leilões de câmbio do BC, que começou com uma oferta de linha de até US$ 1 bilhão (venda de moeda com compromisso de recompra) na sexta-feira, 23. Em reação a essa estratégia, o dólar à vista encerrou a semana passada cotado a R$ 2,3560, com baixa de 3,36% - maior recuo porcentual em um único dia desde 29 de junho de 2012, quando caiu 3,50%. No mercado futuro, o dólar para setembro de 2013 fechou a R$ 2,3530.
A agenda de indicadores dos Estados Unidos para esta semana tem como destaque a segunda leitura do Produto Interno Bruno (PIB) do segundo trimestre; as encomendas de bens duráveis em julho, o índice de confiança do consumidor em agosto, medido pelo Conference Board; e o índice de atividade ISM do Fed de Chicago em agosto.

CIDADANIA: Fuga de opositor de Evo com ajuda brasileira irrita Itamaraty e Bolívia

Do ESTADAO.COM.BR
Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Chanceler Antonio Patriota e governo boliviano mostram insatisfação com saída do senador Roger Pinto da embaixada em La Paz
A fuga do senador boliviano Roger Pinto da Embaixada do Brasil em La Paz para Brasília na noite de sábado, 24, irritou o Itamaraty e o governo da Bolívia. O Ministério das Relações Exteriores afirmou, em nota, que abrirá um inquérito para apurar as circunstâncias nas quais o opositor do presidente Evo Morales chegou ao País. A chancelaria boliviana declarou o político fugitivo da Justiça e acionou a Interpol.
O senador foi trazido ao Brasil pelo encarregado de negócios da embaixada em La Paz, Eduardo Sabóia, que estava no comando da embaixada desde o início de julho. O diplomata foi chamado no domingo, 25, de volta a Brasília pelo Itamaraty, que, aparentemente, não tinha conhecimento da operação.
De acordo com o relato do presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Pinto viajou em uma comitiva de dois carros da embaixada, com placas consulares, e acompanhado de Sabóia e de dois fuzileiros navais que fazem a segurança da embaixada. Nas missões no exterior, os militares respondem não ao Ministério da Defesa, mas ao chefe da representação consular - no caso, Sabóia.
Ao fim de uma viagem de 22 horas de carro, onde passaram por cinco controles militares, incluindo os da fronteira, o diplomata teria ligado para Ferraço. "Ele me ligou e disse que estava com o senador em Corumbá, mas não tinha como levá-lo até Brasília. Eu tentei falar com o presidente do Senado (Renan Calheiros) e outras autoridades, sem sucesso. Então, consegui um avião. Fui buscá-lo para levá-lo para Brasília", contou Ferraço.
Pinto está desde a madrugada de sábado na casa do senador brasileiro e dará uma entrevista na CRE amanhã. Ferraço afirma que Sabóia contou a ele que vinha conversando havia algum tempo com o Itamaraty sobre a situação do senador boliviano. "Ele me disse que a situação estava se tornando inadministrável. O senador estava com depressão, que sua saúde estava se deteriorando", disse. "Ele se sentia frustrado com a falta de uma solução e disse que, se tivesse uma oportunidade, resolveria. Não sei se o governo acreditou." Conforme o relato de Ferraço, a iniciativa do diplomata foi "ousada e corajosa".
Na quinta-feira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o ministro Antonio Patriota - que cancelou ontem uma viagem para a Finlândia em razão da fuga do boliviano - afirmou que a libertação do senador estava sendo "negociada no mais alto nível", mas que o governo brasileiro se recusava a tirá-lo da embaixada sem garantir sua segurança. No início de junho, o Itamaraty informava nos bastidores que negociava uma "saída discreta" para o caso.
Surpresa. Na Bolívia, a chancelaria do país acionou a Interpol, mas ministros de Evo disseram que o caso não afeta a relação bilateral. "A fuga converte o senhor Pinto em fugitivo da Justiça boliviana. Por isso, serão ativadas todas as ações legais correspondentes ao caso, tanto no direito internacional quanto em convênios bilaterais", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia.
Segundo o ministro de Interior, Carlos Romero, o status de fugitivo da Justiça foi dado porque o senador saiu do país sem passar por um posto de controle migratório. "Por meio da polícia boliviana, o governo acionou a Interpol, não só porque há um pedido de prisão contra ele, mas porque não há registro de saída da Bolívia."
O senador, de 53 anos, refugiou-se em maio do ano passado na representação diplomática. Ele alega ser vítima de perseguição política por parte do governo, que o acusa de corrupção. Ele recebeu asilo diplomático do governo brasileiro, mas, sem um salvo-conduto do governo de seu país, não podia deixar a missão brasileira em La Paz. / COM EFE, REUTERS e AFP 

CATÁSTROFE: Sobe para 6.932 número de atingidos pelas chuvas no Rio Grande do Sul

Do UOL, em São Paulo

Bruno Alencastro/Agência RBS
São Sebastião do Caí (foto) é a cidade em situação mais preocupante
Boletim da Defesa Civil do Rio Grande do Sul divulgado às 9h desta segunda-feira (26) informa que a chuva que atingiu o Estado neste final de semana afetou ao menos 6.900 gaúchos. Até a manhã desta segunda foram contabilizadas 2.132 pessoas desabrigadas e 4.798 desalojadas, além de um ferido e um desaparecido, totalizando 6.932 atingidos. 
Apesar da gravidade da situação, não há registro de vítimas fatais. Há, no entanto, uma pessoa desaparecida e outra ferida em São Francisco de Paula. O volume de chuva acumulado em algumas regiões foi superior a 150 milímetros, praticamente o volume de chuva previsto para todo o mês de agosto.
As cidades mais atingidas foram Porto Alegre, Parobé, Esteio, São Sebastião do Caí, Bento Gonçalves, Cotiporã, Venâncio Aires, Lajeado, Estrela, Colinas, Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio, Taquari, Bom Retiro do Sul e Encantado.
Os rios das Antas, Paranhana, Caí, Taquarí e o Arroio Sapucaia, da Região Metropolitana, transbordaram. Isso obrigou a Defesa Civil a remover várias famílias de suas casas. O Comando Rodoviário da Brigada Militar informou que vários trechos de estrada estão interrompidos. Veja a lista:
ERS-242: bloqueada no km 03 (Sto. Antonio Patr / Taquara). Arroio local transbordou
ERS-124: bloqueada no km 7 (São Sebastião do Caí)
ERS-444: houve queda de barreira no km 38, rodovia está em meia pista
ERS-431: bloqueada nos Km 10 e 12 (acesso de Bento Gonçalves a Santa Teresa e Cotiporã); pontes submersas 
ERS-020: km 20, Morungava, está bloqueado, asfalto cedeu
ERS-122: km 38 ao 40, acúmulo de água na pista
ERS-040: km 10 (sentido litoral/capital), há buracos na pista
Previsão para o tempo nesta semana
Em Porto Alegre, de quinta-feira (22) até as 13 horas deste domingo, choveu quase o esperado para todo o mês de agosto: 136 milímetros. Os dados são da estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia, informa a agência Climatempo.
Na segunda-feira, a umidade continua elevada em grande parte do Rio Grande do Sul, mas a chuva se concentra no norte do Estado, especialmente nas áreas de Planalto, Serra e litoral Norte.
Na Grande Porto Alegre, o dia começa nublado e ainda pode chover de forma leve pela manhã. A partir da tarde, as condições de chuva diminuem.
Também na segunda, o ar polar entra com mais força sobre o Rio Grande do Sul. Por isso, durante a noite de segunda e a madrugada de terça pode nevar em alguns trechos de serra.
Na terça e na quarta-feira, a presença do ar muito frio vai provocar geada por várias áreas gaúchas. A boa notícia é que este ar frio é seco, e vai inibir a formação de novas áreas de chuva. O sol reaparece por todo o Estado. No final da semana, a temperatura fica mais elevada.
Chuvas pelo Brasil - Idoso tenta atravessar rua alagada na cidade de São Sebastião do Caí (RS), após a cheia do Rio Caí devido às fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul. Até a manhã desta segunda-feira (26), a Defesa Civil do Estado havia contabilizado 1.440 pessoas desabrigadas e 1.213 desalojadas, além de um ferido e um desaparecido, totalizando 2.655 atingidos Itamar Aguiar/Futura Press}

MUNDO: EUA dizem ter poucas dúvidas sobre uso de armas químicas

Do UOL, em São Paulo

A crise na Síria - Mulher israelense carrega máscaras de gás distribuídas pelo Serviço Postal em Jerusalém nesta segunda-feira (26). Com o aumento de uma possível ameaça pela Síria, a procura pelo equipamento de proteção em caso de ataques químicos aumentouMenahem Kahana/AFP
Autoridades dos Estados Unidos começaram a se manifestar com maior alarde sobre o suposto uso de armas químicas pelo governo da Síria.
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou nesta segunda-feira (26), em telefonema para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ter "muitas poucas dúvidas" sobre o uso de armas químicas em ataque na Síria na última quarta-feira (21). A informação é da agência de notícias Ansa.
Fontes diplomáticas ouvidas pela Ansa disseram que Kerry afirmou que "se o regime sírio quisesse demonstrar ao mundo que não usou armas químicas durante o incidente, teria parado seu bombardeio na região e oferecido o acesso imediato da ONU cinco dias atrás".
Já para o secretário da Defesa norte-americano, Chuck Hagel, os Estados Unidos estão cada vez mais convencidos de que o regime sírio está por trás do ataque com armas químicas e estão considerando uma ação militar.
"Há fortes indícios na direção do uso de armas químicas pelo regime sírio. O governo está considerando suas opções de resposta e consultando nossos aliados internacionais", afirmou Hagel.
Potências falam em ação militar
Outros países que integram o Conselho de Segurança da ONU e possuem grande poderio militar subiram o tom das falas sobre represálias ao suposto uso de armas químicas pelo governo do presidente sírio Bashar Assad.
O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hauge, afirmou nesta segunda que é possível que uma resposta contra a Síria aconteça sem a aprovação completa do Conselho de Segurança da ONU.
Já o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, declarou que a "comunidade internacional não pode deixar passar este crime contra a humanidade".
Uma fonte da Otan (aliança militar ocidental) afirmou que a organização mantém a situação na Síria sob "atenção constante" e considerou que, se for confirmado o uso de armas químicas, se trataria de um fato "completamente inaceitável" e uma clara violação das leis internacionais.
Segundo a fonte, a Otan considera, por esses motivos, "importante que a equipe da ONU tenha acesso à região para investigar essas horríveis informações".
A Otan não comentou as informações sobre uma possível intervenção militar na Síria, já cogitada por Estados Unidos, o Reino Unido e França - países que lideraram uma operação militar multinacional na Líbia em 2011, quando o ditador Muammar Gaddafi foi derrubado.
Oposição faz apelo para impedir queda de Homs
Rússia diz não haver provas de ataque químico
O chefe da diplomacia russa, Sergue Lavrov, declarou que os ocidentais são incapazes de fornecer provas que sustentem as alegações sobre o ataque químico supostamente realizado pelo regime sírio.
"Eles não podem fornecer provas, mas dizem que a 'linha vermelha' foi cruzada e que não podemos mais esperar", declarou Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
"Recorrer à violência sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU é uma grave violação do direito internacional", disse o ministro aos jornalistas, acrescentando que o ocidente se dirige para "um caminho muito perigoso".

MUNDO: Franco atiradores disparam contra equipe da ONU na Síria

Do ESTADAO.COM.BR
AE/Reuters - Agência Estado

Atiradores não identificados dispararam e danificaram um veículo utilizado por investigadores de armas químicas da ONU nesta segunda-feira, enquanto a equipe deixava o hotel em Damasco e tentava chegar ao local onde ocorreu um suposto ataque com gás venenoso na última semana, revelou Martin Nesirky, porta-voz do órgão.
"O primeiro veículo da Equipe de Investigação de Armas Químicas foi atingido deliberadamente várias vezes por atiradores não identificados na zona de proteção", disse o porta-voz, acrescentando que o carro parou de funcionar e seria substituído por outro.
O incidente fez com que a equipe suspendesse a tentativa de investigar alegações de que armas químicas foram utilizadas perto de Damasco.
Fonte: Dow Jones Newswires

SAÚDE: Participantes do Mais Médicos começam treinamento

De OGLOBO.COM.BR
ANDRÉ DE SOUZA

Em Brasília, 209 profissionais participam desta etapa do programa na Universidade de Brasília
Com um discurso ensaiado, cubanos dizem que estão no país por solidariedade ao povo brasileiro
BRASÍLIA - Os participantes do programa Mais Médicos formados no exterior começam hoje o treinamento de três semanas pelo qual têm que passar para começar a trabalhar no Brasil. Apenas na Universidade de Brasília (UnB), devem ser 176 cubanos, que vêm por meio de uma parceria com o governo da ilha, intermediada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS); e 23 de outros nacionalidades, que ingressaram no programa pela seleção individual. Em todo o Brasil, são 400 cubanos e 244 de outras nacionalidades, inclusive brasileiros formados no exterior.
Os cubanos vieram com um discurso ensaiado. Todos dizem que estão aqui por solidariedade ao povo brasileiro, com o propósito de ajudar.
— Estamos aqui para ajudar o povo brasileiro. Só queremos ajudar. Queremos receber o mesmo carinho do povo brasileiro — afirmou a cubana Ana Sanches.
— Primeiro, a solidariedade com o povo brasileiro, prestar ajuda aos mais necessitados — acrescentou Jacqueline Valido, outra cubana, que veio acompanhada do esposo, também médico.
Sobre o salário, a maioria evita falar. Os médicos da seleção individual vão receber R$ 10 mil, mas os cubanos terão parte desse dinheiro retido pelo governo de Cuba. Na sexta-feira, o ministério informou que o salário dos cubanos deve variar de R$ 2,5 mil a R$ 4 mil. Quem fala sobre o salário costuma ser evasivo.
— Nosso salário fica em Cuba. Aqui é um dinheiro para os gastos —afirmou Jacqueline.
Muitos dos cubanos já passaram por outros países. É o caso de Yanisleydis Ledea, que já trabalhou três anos na Venezuela e seis meses no Paquistão, e de Arle Gonzalez, que passou dois anos na Guatemala e três na Venezuela.
— Queremos ajudar o Brasil em suas dificuldades, nos povos mais necessitados com a saúde — destacou Gonzalez.
Os cubanos dizem que não sabem ainda para quais cidades serão encaminhados para trabalhar. Já os outros médicos em treinamento na UnB possuem, já definidas, as cidades de atuação. É o caso do venezuelano Arkangel Ruiz Medina, que vai para Manaus. Ele relatou que já estava acostumado a atender brasileiros em Santa Elena, na Venezuela, na divisa com Roraima.
— Em Santa Helena, há muitos brasileiros. Atendi muitas mulheres grávidas, acidentes de trânsito de brasileiros que estiveram lá — disse ele, que respondeu em espanhol.
Questionado se teria dificuldade com a língua, respondeu:
— Poderia ser. No entanto, nós estamos fazendo ênfase para dominar o idioma. Porque é muito parecido o português ao espanhol. Quando falam devagar, eu entendo.
Ele também fez críticas à oposição das entidades médicas brasileiras à vinda de estrangeiros.
— Ninguém é dono da verdade. Cada um tem seu ponto de vista. Reconheço o zelo do Conselho Médico conosco. Não temos medo. Mas, sim, queríamos que fosse um exame básico, normal, não com más intenções para não aprovar. A medicina, no nível mundial, é muito parecida. Um braço não vai mudar do Japão para cá. A anatomia é igual.
No grupo está o brasileiro Diego Dorneles, formado em fisioterapia no Brasil e em medicina na Venezuela. Ele é do Rio Grande do Sul e vai trabalhar em Boa Vista, onde já morou e onde atualmente vive a mãe dele. Ele é outro a criticar a oposição à vinda dos médicos de fora.
— Em outros países, como Alemanha, França, eles já recebem esses médicos e não criam tanta burocracia para poder revalidar seu diploma.
O módulo de acolhimento e avaliação é constituído de 120 horas de curso, dos quais 40 são para língua portuguesa e 80 para políticas de saúde e funcionamento do SUS. No material didático há uma cartilha de português e textos elaborados pelos órgãos de saúde brasileiros.
Em Brasília, a tutora do programa é a professora Elza Ferreira Noronha, da UnB. Ao todo, a universidade terá 25 professores no módulo. Neste primeiro dia, será feito um trabalho mais administrativo, de organização do programa e dos papéis dos estrangeiros. Depois começará o curso e, por fim, haverá uma avaliação.
— O curso é interativo, com apresentação de vídeos, visitas a campo. Depois o médico vai ser solicitado a fazer, se expressar oralmente e na escrita sobre as atividades desenvolvidas. Eles vão ser avaliados na capacidade de interpretar e reproduzir as situações vividas — explicou Elza.

ECONOMIA: Analistas projetam inflação maior no ano e alta da Selic nesta semana

Do ESTADAO.COM.BR
Célia Froufe, da Agência Estado

Segundo a pesquisa Focus, juro Selic deve subir 0,5 ponto nesta quarta-feira; inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano em 5,80% 
BRASÍLIA - O relatório de mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 26, pelo Banco Central, trouxe uma elevação generalizada das estimativas para a inflação deste ano. A mediana para o índice de 2013 passou de 5,74% para 5,80%. Há quatro semanas estava em 5,75%. Para 2014, a mediana das previsões para o IPCA subiu de 5,80% para 5,84% ante taxa de 5,88% vista um mês atrás.
Já entre os profissionais ouvidos na pesquisa que mais acertam as previsões para o médio prazo, o grupo denominado pelo BC de Top 5, o IPCA de 2013 deverá ficar em 5,57%, e não mais em 5,47% como era esperado uma semana antes - quatro semanas atrás, a mediana estava em 5,81%. No caso de 2014, esse mesmo grupo manteve a taxa de 5,80% ante a de 5,97% vista há um mês.
Já para o curto prazo, os analistas revisaram para baixo suas estimativas para o IPCA de agosto, que passou de 0,29% para 0,26%. No caso de setembro, houve manutenção da mediana em 0,45%. Há um mês, a mediana para estas projeções estavam respectivamente em 0,29% e 0,44%.
Juro
Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para o rumo da Selic, atualmente em 8,50% ao ano, os analistas mantiveram a projeção de que a alta será de 0,50 ponto porcentual, para 9,00% ao ano.
Para o final de 2013, no entanto, eles revisaram as estimativas de 9,25% para 9,50%. Há um mês, a expectativa era de uma variação de 9,25% ao final de dezembro de 2013. No caso de 2014, a Focus revelou que a mediana das previsões para a Selic seguiu em 9,50% ao ano ante taxa de 9,25% vista quatro semanas atrás.
Câmbio
Mesmo depois de o BC mostrar artilharia pesada no mercado cambial e passar a realizar leilões diários, analistas financeiros projetam que o dólar fechará o ano mais elevado, em R$ 2,32 ante taxa de R$ 2,30 vista no levantamento anterior. Há um mês, a expectativa mediana era de uma cotação de R$ 2,25 para o período. Com isso, o câmbio médio de 2013 passou de R$ 2,18 para R$ 2,19. Há um mês, estava em R$ 2,14.
Para o final de 2014, o movimento das previsões para o dólar também foi no mesmo sentido, passando de R$ 2,35 para R$ 2,38. Quatro semanas atrás, a mediana dessas expectativas estava em R$ 2,30. Com isso, o câmbio médio para 2014 passou de R$ 2,30 para R$ 2,32. Quatro semanas atrás, estava em R$ 2,26.
PIB
Na semana em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), analistas do mercado financeiro voltaram a revisar para baixo suas projeções para a expansão da atividade deste e do próximo ano. De acordo com o levantamento, o Brasil crescerá 2,20% em 2013. Na pesquisa anterior, a projeção era de uma expansão de 2,21% e, há quatro semanas, de 2,28%.
Já a previsão mediana para a produção industrial deste ano subiu no período. Segundo o Focus, o setor deve ter expansão de 2,11% em 2013, e não mais de 2,08% como esperavam na pesquisa anterior ou de 2,10% no levantamento feito um mês atrás.
Para 2014, os economistas revisaram de 2,50% para 2,40% a mediana das previsões para o crescimento do País, que há um mês era aguardado em 2,60% e um dos motivos que levaram à mudança foi a alteração do humor em relação ao setor manufatureiro, que deverá se expandir apenas 2,90% no ano que vem, e não mais 3,00%, como era previsto no levantamento anterior e também há quatro semanas.
Déficit
O mercado financeiro pouco se mexeu em relação às projeções para as transações correntes, mesmo após o Banco Central ter divulgado um déficit surpreendente do resultado de julho, negativo em US$ 9 bilhões. De acordo com a pesquisa Focus, divulgada na manhã de hoje, a previsão mediana para o rombo da conta corrente foi mantida em US$ 77 bilhões, como já constava no levantamento anterior. Há um mês, a expectativa mediana estava no vermelho, em US$ 76,15 bilhões.
Para 2014, o movimento, inclusive, foi de redução da previsão para o déficit, com a mediana passando de US$ 79,46 bilhões para US$ 78,55 bilhões. Quatro semanas atrás, a mediana revelava um resultado negativo de US$ 79,50 bilhões.
Apesar da piora do quadro externo, foi mantida a projeção de que o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será de US$ 60 bilhões neste e no próximo ano, o que significa que o financiamento do déficit não será integral desta vez. Há 37 semanas, o mercado não muda esta projeção de IED para 2013 e há 54 semanas para o de 2014.
Além do resultado de julho, outro dado que corroboraria com a projeção de um déficit menor é a expectativa de piora para a balança comercial deste ano. De acordo com a Focus, a mediana das estimativas para o saldo passou de superávit de US$ 4,35 bilhões para US$ 3,40 bilhões. Um mês atrás estava em US$ 5,70 bilhões. Para 2014, no entanto, houve elevação da mediana para o saldo, que passou de US$ 8 bilhões para US$ 9 bilhões - quatro semanas atrás estava em US$ 8,92 bilhões.
Já relação dívida/PIB voltou para o patamar de 35,00% em 2013, como estava há um mês, depois de ter marcado a taxa de 34,90% na semana passada. Para 2014, foi mantida a projeção mediana de 34,70% vista no levantamento anterior. Um mês atrás, estava em 35,00%.

TECNOLOGIA: Brechas em sites do Bradesco e do Banco do Brasil expõem milhões de clientes

Da FOLHA.COM
YURI GONZAGA, DE SÃO PAULO

Diferentes brechas de segurança encontradas nos sites do Banco do Brasil, do Bradesco, do serviço de pagamentos Moip e da Boa Vista Serviços (administradora do cadastro de devedores SCPC) expuseram recentemente dados privados de milhões de pessoas.
Os problemas foram descobertos pelo analista de sistemas Carlos Eduardo Santiago, 21, que os demonstrou à Folha após ter sido ignorado pelas empresas. "Ao Moip, à Boa Vista e ao Bradesco, relatei as questões há cerca de um ano."
"Descobri o erro do Banco do Brasil no dia 8, mesma data de quando avisei a empresa por meio do SAC, mas fui ignorado. Decidi, então, verificar as outras falhas, e elas ainda existiam", conta.
A seção de seguros residenciais da agência virtual do Banco do Brasil permitia, até a quinta-feira passada, que qualquer pessoa com acesso à área (cliente segurado pelo banco ou em posse desses dados) visualizasse CPF, nome, endereço, telefone, e-mail, agência e número da conta de outro segurado, por meio de uma simples alteração no código, que pode ser visualizado com qualquer navegador moderno - não demanda ferramenta ou conhecimento avançados.
Segundo Santiago, o número de clientes do Banco do Brasil que foram expostos pelo erro é de 1,85 milhão, estimativa com base na sequência do código dos documentos disponíveis durante pelo menos duas semanas.
Contatada pela Folha na quinta, a companhia solucionou a falha no mesmo dia.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Banco do Brasil disse que "o problema não teve associação com qualquer tipo de transação financeira" e que, por isso, "não trouxe risco para os clientes."
Um grande número de boletos bancários gerados pelo Bradesco está visível e expõe informações de clientes do banco, como CPF, nome, endereço, agência e número da conta, além do valor e do estabelecimento do pagamento em questão.
Consultada, a companhia disse que esse sistema "é utilizado há mais de dez anos e o banco nunca registrou fraude ou problema de clientes."
A brecha permite que os documentos sejam encontrados até por meio de uma pesquisa no Google e consiste em uma URL aberta (um link de internet desprotegido). Falha semelhante foi verificada no site do Moip, que presta serviços de pagamento on-line para diversas empresas, e permitia ver o mesmo tipo de dado.
O link desprotegido, que é hospedado pelo Moip, continua disponível, mas a empresa diz não ter responsabilidade sobre ele. "As URLs dos boletos em questão foram disponibilizadas pelos próprios vendedores em seus sites."
Em sua página, a companhia diz processar 300 mil transações virtuais por mês.
DÉBITO À VISTA
A seção de consulta a débitos do site da Boa Vista serviços, responsável pelo SCPC, permitia até a quinta passada (quando o erro foi corrigido, após o contato) que fossem visualizadas as dívidas relacionadas a um CPF. Segundo a empresa, cerca de 2,5 milhões de pessoas estão catalogadas no sistema.
OUTRO LADO: BANCO DO BRASIL
"O Banco do Brasil corrigiu imediatamente falha pontual restrita às consultas de propostas de Seguro Residencial. O problema não teve associação com qualquer tipo de transação financeira. Portanto, não trouxe riscos para clientes. O BB avalia que o problema decorreu de atualizações constantes que visam o aprimoramento dos sites. Por fim, o BB informa que revisa periodicamente procedimentos de controles de qualidade, a fim de reduzir os riscos operacionais. Além disso, o Banco segue normativos internacionais que tratam de segurança de TI em bancos."
OUTRO LADO: BRADESCO
"O Bradesco esclarece que trata-se de uma URL [link] válida do comércio eletrônico do banco. A mesma não representa falha e nem vulnerabilidade, pois não é possível alterar os dados do boleto, porém permite que a loja conveniada ao banco mande a URL para que o comprador gere o boleto para pagamento. Por ser uma URL é passível de aparecer no Google como qualquer outra página. O fato de mexer no MerchantId e OrderId [parâmetros que, se alterados, exibem outros documentos] e aparecer outros boletos gerados também não implicam em falha ou fraude, pois não é possível alterar o status da compra ou disponibilizar informações que sejam sigilosas. A URL é segura e utiliza o protocolo de segurança SSL, autenticado com certificado digital válido, atendendo as melhores práticas de segurança. Vale salientar que esta solução está disponível neste formato há mais de 10 anos e o Banco nunca registrou fraude ou problemas junto aos clientes."
OUTRO LADO: BOA VISTA SERVIÇOS/SCPC
"O serviço de autoconsulta de CPF é oferecido gratuitamente para que o consumidor consulte sua situação. Temos cerca de 2,5 milhões de usuários cadastrados. A aplicação é separada dos outros ambientes de negócios da Boa Vista --isso é um ponto importante. Além disso, a consulta é bem limitada.
Ela, como uma aplicação que tem o seu público amplo, é desenhada com termos de uso. O consumidor deve consultar o seu CPF, e não o de outras pessoas.
Identificamos isso, mas já bloqueamos aquele caminho. É um caminho técnico e que o usuário comum do portal não faria, porque precisa de um conhecimento para abrir linhas de código. Já está bloqueado."
OUTRO LADO: MOIP
"O Moip vem a público esclarecer a questão sobre os boletos indexados pelo buscador Google. O Moip não divulga, transmite ou publica qualquer informação de seus clientes, tampouco permite a indexação de dados particulares nos buscadores da internet. Todos os boletos gerados a partir das soluções do Moip são automaticamente retiradas de qualquer indexação deste ou qualquer outro buscador. As URLs dos boletos em questão foram disponibilizados pelos próprios vendedores em seus sites, permitindo assim suas indexações pelo Google.
Já entramos em contato com a equipe técnica do Google para o impedimento de novas indexações futuras, ainda que publicadas por terceiros."

DIREITO: STJ - A jurisprudência do STJ sobre as prerrogativas do advogado

Indispensável à administração da Justiça, o advogado é inviolável em seus atos e manifestações no exercício da profissão. O texto, presente na Constituição, resguarda não só o advogado, mas seus clientes, a Justiça e a cidadania. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a jurisprudência sobre limites e excessos das prerrogativas dos advogados é farta. 
Veja alguns exemplos de como são resolvidas questões relacionadas ao dia a dia desses profissionais e às prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). 
Juiz atrasado
O atraso do magistrado por mais de 30 minutos autoriza o advogado a deixar o recinto, mediante comunicação protocolada em juízo. Porém, essa medida só se justifica quando o juiz não está presente no fórum. 
No HC 97.645, o STJ rejeitou a alegação de nulidade em caso no qual o advogado do réu acusado de homicídio qualificado, na quarta audiência marcada, deixou o local após atraso do magistrado, que presidia outro feito no mesmo recinto. 
A primeira audiência estava marcada para 20 de novembro, e o réu foi apresentado às 15h30. Às 15h58, o advogado protocolou a petição informando do exercício de sua prerrogativa, sem nem mesmo entrar em contato com o magistrado, que, por se tratar de interrogatório do acusado, adiou o feito para 6 de fevereiro do ano seguinte. 
A oitiva das testemunhas da acusação foi marcada para as 13h30 de 30 de maio, já que não compareceram à primeira. Às 16h30, o réu, preso, ainda não havia sido apresentado, o que levou à remarcação. 
Em 10 de outubro, como as testemunhas do réu estivessem atrasadas, foi iniciada a audiência de outro caso, às 14h15. Às 16h20 foi feito o pregão do processo. O magistrado foi então informado de que os advogados, novamente sem entrar em contato prévio, haviam protocolado às 16h16 petição relativa à prerrogativa. O réu, já solto, deixou o fórum junto com seu defensor. Diante do fato, o magistrado nomeou defensor público e deu seguimento ao feito. 
Para o STJ, além de não se enquadrar na hipótese prevista no estatuto, o caso não trouxe nenhum prejuízo à defesa. 
Autonomia e qualidade
No HC 229.306, a defesa alegava que a atuação do advogado no processo de origem teria sido de “péssima qualidade” e deficiente. Assim, por falta de defesa técnica, a condenação do réu em 13 anos por homicídio qualificado deveria ser anulada. 
O ministro Jorge Mussi, porém, afastou a nulidade. Para o relator, o advogado era habilitado e fora regular e livremente constituído pelo réu, pressupondo confiança deste no profissional. A atuação do advogado não seria negligente, já que sustentou suas teses em todas as oportunidades oferecidas pelo juízo. 
Conforme o ministro, não se pode qualificar como defeituoso o trabalho do advogado que atua de acordo com a autonomia garantida pelo estatuto. 
“Como se sabe, o conhecimento e a experiência agregados por cada profissional, em qualquer ofício, são critérios que levam, muitas vezes, à execução de trabalhos distintos sobre uma mesma base fática, como não raro ocorre, por exemplo, em diagnósticos diversos dados a um mesmo sintoma por dois ou mais médicos. Trata-se, na verdade, da avaliação subjetiva do profissional, diante de um caso concreto, das medidas que entende devidas para alcançar um fim almejado”, avaliou Mussi. 
“O ofício do advogado, entretanto, se consubstancia em obrigação de meio, não lhe sendo exigível qualquer resultado específico sobre a sua atuação em juízo, senão a diligência na prestação do serviço e o emprego dos recursos que lhe estiverem disponíveis em busca do êxito almejado”, completou. 
“Assim, embora aos olhos do impetrante a atuação do causídico constituído pelo paciente não seja digna de elogios, da leitura das peças que foram acostadas aos autos não se constata qualquer desídia ou impropriedade capaz de influenciar na garantia à ampla defesa do acusado”, acrescentou o ministro. 
“Aliás, mostrou-se combativo ao não resignar-se com a decisão de pronúncia, manifestando seu inconformismo até o último recurso disponível, revelando a sua convicção na estratégia defensiva traçada, a qual foi igualmente sustentada perante o conselho de sentença. Entretanto, diante de um insucesso, para o crítico sempre haverá algo a mais que o causídico poderia ter feito ou alegado, circunstância que não redunda, por si só, na caracterização da deficiência de defesa”, concluiu. 
Direito próprio
As prerrogativas profissionais são direito do próprio advogado. Essa interpretação decorreu do caso em que um clube impediu o defensor de ingressar em suas dependências, afirmando que somente sócios podiam frequentá-lo. 
O advogado defendia um cliente perante o conselho deliberativo do country club. Temendo que o impedimento tornasse a acontecer, o advogado ingressou com medida cautelar, que foi deferida. Porém, no mérito, o processo foi extinto, sob o argumento de que o advogado não poderia pleitear em seu nome direito de terceiro, seu cliente. 
Para o STJ, no entanto, é “óbvio” que o titular das prerrogativas da advocacia é o advogado e não quem o constitui. Por isso, a legitimidade para a ação, nos termos em que proposta, era mesmo do defensor (REsp 735.668). 
Carga de autos 
Em decisão recente, o STJ afirmou que apenas o advogado que deixou de devolver os autos no prazo é que pode ser responsabilizado pela falta. 
No REsp 1.089.181, as instâncias ordinárias haviam imposto restrições a todos os advogados e estagiários da parte, mas o STJ afirmou que só poderia ser punida a advogada subestabelecida que deixou de devolver os autos. Porém, no caso analisado, nem mesmo essa punição poderia ser mantida, já que os autos foram devolvidos antes do prazo legal de 24 horas que permitiria a aplicação de sanções. 
“Merece reforma o acórdão recorrido, uma vez que a configuração da tipicidade infracional decorre não do tempo em que o causídico reteve os autos, mas do descumprimento da intimação para restituí-los no prazo legal”, esclareceu o ministro Luis Felipe Salomão. 
Proibição de retirada de processo é pessoal e não se estende a outros advogados da parte 
Vistas para 47 réus
O STJ já decidiu que não viola prerrogativas da advocacia a limitação, pelo juiz processante, de restrição à vista dos autos fora do cartório quando a medida é justificada. 
No HC 237.865, o Tribunal afirmou que a retirada dos autos de processo com 47 réus, cada um com seus advogados próprios, envolvidos em cinco denúncias relacionadas a tráfico internacional de drogas, causaria tumulto e retardamento processual. 
Conforme o STJ, as partes não tiveram impedido o acesso aos documentos ou cópias, o que não restringiu seu direito de defesa. Apenas foi aplicada exceção prevista no próprio Estatuto da Advocacia (artigo 7º, parágrafo 1º, item 2). 
O caso tratava de réus presos com mais de quatro toneladas de cocaína e cinco toneladas de maconha. Na operação, foram apreendidos também 48 veículos, um avião e mais de US$ 1 milhão, além de maquinário e produtos químicos para preparação e adulteração das drogas. O grupo, de acordo com a denúncia, produzia as drogas na Bolívia e as distribuía para São Paulo, a Europa e a África. 
Tumulto protelatório
O advogado que tenta tumultuar o trâmite processual e apenas adiar o julgamento também pode ter negada a carga dos autos. No REsp 997.777, o STJ considerou válida a negativa de carga dos autos pelo tribunal local. 
Às vésperas do julgamento, os advogados foram substituídos. Por isso, os novos representantes pediam vista fora de cartório. A corte havia negado a retirada dos autos porque a parte teria, desde a primeira instância, feito várias manobras para procrastinar o andamento do processo. 
Intimação
Por outro lado, o STJ anulou (HC 160.281) o julgamento de um recurso em sentido estrito porque a decisão do relator autorizando vista para cópias deixou de ser publicada, o que impediu o conhecimento do ato pelo advogado. 
Para o tribunal local, o defensor constituído e os dois estagiários autorizados deveriam ter procurado tomar conhecimento da decisão, que só foi juntada três dias antes do julgamento. Eventual prejuízo para o réu decorreria da própria desídia da defesa. Mas o STJ considerou que o ato, nessas condições, constituiu um nada jurídico. 
Os ministros consideraram que não seria razoável exigir do advogado que se dirigisse todos os dias ao gabinete do relator ou à secretaria do foro para informar-se sobre o andamento do processo. 
Ainda conforme o STJ, havendo advogado constituído, tanto em processo judicial quanto administrativo, as intimações devem ser feitas também em seu nome, sob pena de nulidade. É o exemplo do decidido no Recurso Especial 935.004. 
Na origem, um processo administrativo corria perante o conselho de magistratura. O juiz recebeu pena de censura por ter nomeado como inventariante seu padrinho de casamento, que por sua vez contratou o irmão do magistrado como advogado do espólio. 
Como não foi intimado dessa decisão do conselho, o advogado que defendia a parte no processo de inventário não pôde entrar a tempo com a exceção de impedimento e suspeição contra o juiz. 
O STJ considerou nula a intimação do resultado de processo administrativo feita somente em nome da parte em processo judicial relacionado ao caso, sem inclusão de seu advogado constituído. 
Vista em processo administrativo
Porém, o STJ considerou, no REsp 1.232.828, que a administração não pode simplesmente impedir o advogado de retirar autos de processo administrativo da repartição. 
No caso, o advogado tinha uma senha da repartição para provar que havia tentado obter vista do processo em que pretendia verificar o lançamento de ISS contra seu cliente. Mas o horário impresso correspondia à madrugada de domingo. 
No STJ, foi considerado que, apesar disso, o documento, somado à presunção de boa-fé dos advogados, servia como prova. Mais que isso, a autoridade coatora se manifestou informando que realmente não concedia vista em carga dos processos administrativos. Isso configurou a violação do direito líquido e certo do advogado. 
Imunidade por ofensas
Para o STJ, o advogado não pode ser responsabilizado por ofensas em sua atuação profissional, ainda que fora do juízo. No HC 213.583, o Tribunal reconheceu a ausência de justa causa em processo por crimes contra a honra movido por juiz contra um advogado. 
O advogado era procurador municipal. A juíza titular da causa negara o mandado de segurança contra o ente público. A parte recorreu com embargos de declaração, os quais foram acolhidos com efeitos infringentes pelo magistrado, que substituía a titular afastada. 
Na apelação, o procurador teria ofendido o juiz substituto, ao apontar sua decisão como ilegal e imoral. Isso porque teria, “curiosamente”, julgado “com celeridade sonhada por todos os litigantes” a causa movida por esposa de servidor de seu gabinete, na vara onde era titular. 
Para o tribunal local, haveria injúria na afirmação de que a fundamentação era lamentável e a decisão absurda e ilegal; difamação, ao apontar que a decisão fora tomada “curiosamente” de forma célere, absurda, antiética e com interesse na causa; e calúnia ao afirmar que o juiz teria favorecido esposa de subordinado, fatos que corresponderiam a prevaricação e advocacia administrativa. 
O STJ, no entanto, entendeu que não havia na apelação nenhum elemento que demonstrasse a intenção do advogado de ofender o magistrado ou imputar-lhe crime. Os ministros consideraram que a manifestação era objetiva e estava no contexto da defesa do ente público, seu cliente. As críticas, ainda que incisivas e com retórica forte, restringiam-se à decisão e à atuação profissional do magistrado, não invadindo a esfera pessoal. 
Os ministros apontaram ainda que a própria magistrada titular da vara, ao receber a apelação, anotou que somente o tribunal teria competência para reverter sua decisão original e lhe causava “estranheza” a decisão do substituto. “Salvo engano, juízos com mesmo grau de jurisdição não podem alterar sentença um do outro”, registrou a magistrada. 
Porém, no RHC 31.328, o STJ entendeu que a formulação de representação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra outro advogado não guarda relação com o exercício de atividade advocatícia, o que afasta a imunidade. 
Nesse mesmo processo, o STJ também reafirmou jurisprudência segundo a qual o cliente não pode ser responsabilizado por eventual excesso de linguagem de seu patrono. 
“Pela ordem, Excelência!”
O tribunal esclareceu, no Agravo de Instrumento 1.193.155, que a prerrogativa de o advogado “usar a palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal” não permite a juntada de documentos após o julgamento do recurso. 
No caso, o Joinville Esporte Clube tentava comprovar, com a petição denominada “questão de ordem”, ter ingressado na “Timemania”, afastando a cobrança tributária. Porém, a peça só foi atravessada depois do julgamento colegiado do agravo regimental que confirmara a negativa ao agravo de instrumento. Os ministros anotaram, ainda, que tal petição não agiria sobre o prazo prescricional. 

DIREITO: TRF1 - Títulos da dívida pública são passíveis de prescrição

A 5.ª Turma Suplementar manteve sentença da 1.ª Vara Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso que julgou extinto o processo movido pela TUT Transportes Ltda. em virtude do reconhecimento da prescrição. Na ação, a empresa buscava o reconhecimento da validade de títulos da dívida pública não liquidados, emitidos com fundamento na Lei 4.069/62, e regulamentados pelo Decreto-Lei 263/67, como forma de pagamento de caução ou garantia de dívida, de compensação de tributos, ou restituição em moeda corrente via precatório.
Inconformada, a empresa recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região alegando, basicamente, a inocorrência da prescrição ao argumento do caráter perpétuo das apólices da dívida pública a que se refere o Decreto-Lei 263/67. Sustenta também a apelante que os Decretos-Leis 263/67 e 368/68, que regulamentaram as formas de resgate e os prazos prescricionais dos títulos apresentados, não são aplicáveis pela “existência de variadas irregularidades formais nos atos normativos”.
Os argumentos não foram aceitos pelo relator, juiz federal convocado Grigório Carlos dos Santos. Segundo o magistrado, a questão já foi amplamente discutida pelos tribunais, que reiteradamente têm decidido pela rejeição da utilização de títulos da dívida pública do início do século como forma de pagamento/quitação/garantia junto ao poder público, “notadamente em vista de ter transcorrido o lapso prescricional”.
Ainda de acordo com o magistrado, a orientação do TRF da 1.ª Região é no sentido de que “os títulos da dívida pública não se prestam para pagar/quitar ou compensar, ainda que parcialmente, valores devidos a título de tributos federais ou serem dados em garantia de dívida, seja por estarem prescritos, seja por não haver concordância da parte credora”.
Além do mais, acrescentou o relator, “não se sustenta a assertiva de que os títulos da dívida pública são imprescritíveis, pois na qualidade de obrigações oriundas de negócios jurídicos, são, de regra, sujeitos a prazos”.
A decisão foi unânime.
0001587-59.2000.4.01.3600

DIREITO: TRF1 - Habeas data é concedido a microempresa para obter dados na Receita Federal

A 5.ª Turma do TRF da 1.ª Região, por unanimidade, confirmou sentença que concedeu habeas data a microempresa, determinando à Receita Federal em Cuiabá/MT que “apresente, no prazo de 15 (quinze) dias, as informações referentes ao impetrante contidas no sistema conta-corrente (SINCOR e CONTACORPJ), no período que ainda não se tenha operado a prescrição do direito à restituição ou compensação”.
Os autos vieram ao TRF1 para revisão obrigatória da sentença.
O relator, desembargador federal Souza Prudente, entendeu que a sentença não merece reparos, pois “... o habeas data assegura o acesso às informações relativas à pessoa do impetrante, constantes dos registros públicos ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público (art. 5.º, LXXII, “a”, da Constituição Federal)”, como no caso dos autos, em que a empresa quer ter acesso a seus dados, em poder da Receita Federal, contidos no sistema de conta-corrente para demonstração de eventuais créditos em seu favor no período de 1990 a 2010.
No mesmo sentido, o magistrado destacou jurisprudência do TRF da 2ª Região (AC - 267.876, TRF-2ª Região, 2ª Turma, ReI. Juiz Antônio Cruz Netto, DJU 12/07/2002, p. 279) e da 5ª Região (AC - 344.112, TRF-5ª Região, 1ª Turma, ReI. Des. Federal César Carvalho, DJU 25/02/2005, p.749)
Habeas Data nº 0000586-19.2012.4.01.3600/MT

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ECONOMIA: Bovespa sobe 1% nesta sexta-feira; investidores estão de olho no câmbio

Do UOL, em São Paulo

A Bovespa operava com grande instabilidade nesta sexta-feira (23). Por volta das 16h15, o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) tinha ganhos de 1,08%, a 51.953,26 pontos.
BOLSA E DÓLAR
Os investidores estavam de olho no mercado de câmbio, e a Bovespa passava por muitas oscilações.
O euro recuava 3,21%, a R$ 3,149 na venda.
Bolsas Internacionais
A melhor no cenário econômico impulsionou uma forte alta nas ações de commodities e do setor financeiro. Isso ajudou as ações europeias a fecharem em alta nesta sexta-feira (23), apesar de ter fechado a semana em queda pela primeira vez no mês.
A oscilação foi intensa nesta sexta, por causa da temporada de férias; o FTSEurofirst subiu 0,4%, a 1.223 pontos. No entanto, na semana, o índice caiu 0,6%, por conta das preocupações com a redução de estímulo do banco central dos Estados Unidos, o Fed.
Em Londres, o índice Financial Times subiu 0,7%, a 6.492 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX avançou 0,23%, para 8.416 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 teve alta de 0,25%, a 4.069 pontos.
As ações asiáticas fecharam em alta, em comparação com uma semana em grande parte negativa. Dados econômicos sugerindo que a economia global está melhorando reduziram o efeito dos temores persistentes de que o banco central dos Estados Unidos começará a retirar seu estímulo no próximo mês.
O índice japonês Nikkei teve desempenho acima da média, subindo 2,21%. Seul subiu 1,14%, Taiwan avançou 0,75%, e a Bolsa de Sydney fechou em alta de 0,94%. As demais Bolsas caíram pouco: Cingapura fechou quase estável, com leve queda de 0,02%; Xangai recuou 0,47%; e Hong Kong perdeu 0,15%.
(Com Reuters)

EDUCAÇÃO: Mesmo com R$ 400 de ajuda, pré-teste do Revalida é adiado por falta de alunos Só 505 alunos confirmaram a participação, número insuficiente para 'calibrar' o exame de validação de diplomas estrangeiros de Medicina 23 de agosto de 2013 | 12h 54 Notícia Email Print A+ A- Assine a Newsletter Paulo Saldaña Veja também: link Fuvest abre inscrições para o vestibular 2014 link Em um ano, custo do Enem para o governo sobe 29% link Leia mais sobre o Revalida Mesmo com a promessa de um incentivo de R$ 400 para participar do pré-teste do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), o Ministério da Educação não conseguiu confirmação do mínimo necessário de participantes e adiou a realização da prova para estudantes brasileiros de Medicina. O pré-teste seria aplicado a alunos brasileiros concluintes como forma de 'calibrar' o Revalida, direcionado a quem obteve diploma no exterior e quer atuar no País. O pré-teste seria aplicado neste domingo, dia 25, junto com o Revalida para os diplomados no exterior. Ainda não há uma nova data dessa calibragem, mas só deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem, quando ocorre o próximo exame. As 32 faculdades de Medicina escolhidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que organiza o exame, inscreveram 2.353 alunos. Mas, como a participação é voluntária, somente 505 alunos confirmaram a participação no estudo. Segundo o Inep, a amostra não poderia ser representativa para subsidiar uma avaliação, e possíveis mudanças, no Revalida. Como o Estado revelou no dia 7 de agosto, a aposta do Inep para incentivar a participação dos alunos era o pagamento de R$ 400, valor similar à inscrição para a Residência Médica. Os incentivos estão previstos na Lei 11.507, de 2007, que institui o Auxílio de Avaliação Educacional (AAE). Entidades médicas e especialistas no ensino de Medicina mostraram receio de que o pré-teste fosse uma forma de diminuir a dificuldade do Revalida. O Inep negou que os dados fossem usados para essa finalidade. Nas últimas duas edições, o exame registrou índices de reprovação acima de 90%. O instituto informou que continuará o diálogo com as instituições para definição de nova data para a realização do estudo. Agenda O Revalida para diplomados no exterior continua confirmado para o domingo. A parte objetiva da prova será realizada entre 8h e 13h, no horário de Brasília. As questões discursivas acontecem no mesmo dia, entre 15h e 18 h. O exame será aplicado em dez capitais para os 1.772 candidatos que tiveram as inscrições pagas e homologadas: Brasília, Rio Branco, Manaus, Salvador, Fortaleza, Campo Grande, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

Do ESTADAO.COM.BR
Paulo Saldaña

Mesmo com R$ 400 de ajuda, pré-teste do Revalida é adiado por falta de alunos
Só 505 alunos confirmaram a participação, número insuficiente para 'calibrar' o exame de validação de diplomas estrangeiros de Medicina
Mesmo com a promessa de um incentivo de R$ 400 para participar do pré-teste do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), o Ministério da Educação não conseguiu confirmação do mínimo necessário de participantes e adiou a realização da prova para estudantes brasileiros de Medicina. O pré-teste seria aplicado a alunos brasileiros concluintes como forma de 'calibrar' o Revalida, direcionado a quem obteve diploma no exterior e quer atuar no País.
O pré-teste seria aplicado neste domingo, dia 25, junto com o Revalida para os diplomados no exterior. Ainda não há uma nova data dessa calibragem, mas só deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem, quando ocorre o próximo exame.
As 32 faculdades de Medicina escolhidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que organiza o exame, inscreveram 2.353 alunos. Mas, como a participação é voluntária, somente 505 alunos confirmaram a participação no estudo. Segundo o Inep, a amostra não poderia ser representativa para subsidiar uma avaliação, e possíveis mudanças, no Revalida.
Como o Estado revelou no dia 7 de agosto, a aposta do Inep para incentivar a participação dos alunos era o pagamento de R$ 400, valor similar à inscrição para a Residência Médica. Os incentivos estão previstos na Lei 11.507, de 2007, que institui o Auxílio de Avaliação Educacional (AAE).
Entidades médicas e especialistas no ensino de Medicina mostraram receio de que o pré-teste fosse uma forma de diminuir a dificuldade do Revalida. O Inep negou que os dados fossem usados para essa finalidade. Nas últimas duas edições, o exame registrou índices de reprovação acima de 90%. O instituto informou que continuará o diálogo com as instituições para definição de nova data para a realização do estudo. 
Agenda
O Revalida para diplomados no exterior continua confirmado para o domingo. A parte objetiva da prova será realizada entre 8h e 13h, no horário de Brasília. As questões discursivas acontecem no mesmo dia, entre 15h e 18 h. O exame será aplicado em dez capitais para os 1.772 candidatos que tiveram as inscrições pagas e homologadas: Brasília, Rio Branco, Manaus, Salvador, Fortaleza, Campo Grande, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

COMENTÁRIO: Bons de bico

Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Quando o PSDB elegeu o senador Aécio Neves presidente do partido, em maio último, automaticamente consolidou seu nome para concorrer à Presidência da República em 2014. Os tucanos não queriam dar mais espaço às tergiversações e aos vaivéns que marcam suas decisões sobre candidaturas presidenciais há mais de dez anos.
O próprio Aécio já havia dado ao assunto atestado de questão vencida, ao declarar que sua eleição significava a virada da página das divisões e disputas internas no partido. Portanto, não há que se falar em prévias para escolha da candidatura presidencial sem se atentar para a evidência de que se trata de uma fabulação em torno de um fato consumado.
O partido abre um debate a respeito de algo decidido; de onde, não há remota possibilidade de ocorrer uma disputa na acepção do termo. Então, qual a utilidade de tudo isso? Pelo jeito, só para ganhar tempo e espaço no noticiário, conquanto tal atitude não preste as devidas homenagens ao discernimento do respeitável público de um filme visto e revisto.
Essa história de prévias surgiu a partir da disposição cada vez mais clara do ex-governador José Serra de se candidatar em 2014 - preferencialmente à Presidência. Seus aliados resistem a deixar o PSDB e ele, por sua vez, mede o efeito da saída sobre esse grupo.
Diante do falatório, o senador Aécio resolveu rebater dizendo que aceita as prévias e Serra devolveu a bola afirmando que tudo bem, mas quer conhecer as regras sobre a abrangência de participação, prazos, condições de igualdade na competição e saber qual a "taxa democrática" da disputa.
O jogo de cena agride a lógica. Primeiro, não existe a hipótese de resultado que não a vitória de Aécio. E depois Serra fala de exigências que sabe muito bem que não vão e não podem ser cumpridas. Exemplo: como se mede a "taxa democrática"?
Falam por falar. Os tucanos não querem que Serra saia. Por menos chance que ele tenha devido à alta rejeição nas pesquisas e às dificuldades de alianças e financiamento numa campanha pelo PPS que negocia a filiação com ele, dividiria o eleitorado no mesmo campo e reduziria as chances do PSDB de estar no segundo turno.
A preliminar é: Serra quer mesmo ser candidato a presidente? Na interpretação de tucanos, a declaração dada por ele em Brasília na última quarta-feira admitindo a possibilidade é um sinal de que está iniciando os preparativos para sair do partido. Justamente porque tem perfeita noção da impossibilidade de ser candidato pelo PSDB.
Poderia ficar e disputar o Senado? Poderia, mas não há garantia de nada. Aliás, nada está garantido, saindo ou ficando. Trata-se agora de avaliar qual a decisão menos prejudicial.
De um lado, seus (ainda) companheiros de partido tentam convencê-lo de que é melhor ficar. A dúvida é: melhor para quem, para ele ou para eles?
De outro lado, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, repete nas conversas com Serra que a insegurança é geral. "Não se dizia que a reeleição de Dilma Rousseff estaria assegurada? Hoje esta é uma possibilidade, mas não é uma certeza como já foi", argumenta.
Embora admita que existam muitas críticas em relação ao (ainda) tucano, Freire percebe reconhecimento aos atributos dele como gestor. "Num quadro de crise econômica, o eleitor vai levar em conta a capacidade dos candidatos de enfrentar situações difíceis e este é um ativo inegável de Serra."
As tratativas com o PPS estão avançadas, embora não concluídas. O limite para a decisão, em tese, é o dia 5 de outubro. Na prática, porém, o prazo legal não é o mesmo que o prazo político.
Se resolver mesmo trocar de partido, mas deixar para anunciar a decisão na última hora, José Serra não terá tempo para articular adesões reduzindo a densidade política de sua filiação ao PPS para ser candidato a presidente.

COMENTÁRIO: Pois é, pleno emprego

Por Celso Ming - O Estado de S.Paulo

Os números sobre o desemprego de julho divulgados ontem pelo IBGE foram suficientemente surpreendentes para dar um nó górdio nas ideias do ministro do Trabalho, Manoel Dias.
Na véspera ele olhara para o relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo seu Ministério, que apontara decepcionante resultado líquido nas contratações de pessoal com carteira assinada, e chegou a entregar os pontos: "Nossa realidade é essa mesmo, de crescimento do PIB de apenas 1% ou 2%".
No entanto, o desemprego medido pelo IBGE caiu de 6,0% (em junho) para 5,4% (em julho), nível que, com os devidos ajustes, apontam para algo em torno dos 5,7%, indicador muito próximo do pleno emprego.
Para o governo Dilma, que adora comparar estatísticas do Brasil com as do resto do mundo, esse patamar de desemprego por aqui seria motivo para queima de fogos de artifício. A Espanha, por exemplo, enfrenta desocupação de 26,3%; a Grécia, de 27,6%; a África do Sul, de 25,6%; a Itália, de 12,1%; e os Estados Unidos, de 7,4%.
Embora a realidade seja a de um PIB avançando a coisinha sugerida pelo ministro, o fato é que o mercado de trabalho real continua aquecido. Seria uma fornalha se, em vez do que é, o crescimento da economia fosse o pretendido pelo governo, ou seja, alguma coisa em torno dos 3%.
A que então atribuir a disparidade entre as estatísticas do Caged, que mede o trabalho formal, e as do IBGE, que se atém ao nível geral? De um lado, não há disposição das empresas de contratar quando se reforça a percepção de que a economia vai ficando entalada nas distorções e na perplexidade do governo. Além disso, elas já vinham segurando pessoal porque temiam a escassez de mão de obra, se fosse necessário contratar. São razões que podem explicar o ritmo mais lento do emprego formal.
De outro lado, o instantâneo capturado pelas objetivas do IBGE é o de que há cada vez menos gente procurando emprego no Brasil. Isso parece acontecer porque as ocupações autônomas, os serviços por conta própria, os biscates e as chamadas virações vêm dando retorno imediato melhor para o trabalhador do que o emprego numa empresa. Quem duvida deve conferir quanto fatura hoje um flanelinha numa grande cidade, como São Paulo.
Esmerilhadora de poder aquisitivo, a inflação só reforça essa tendência porque na informalidade ou no trabalho por conta própria não há os impostos e os descontos que reduzem o salário nominal em até mais de 30%.
Não está claro se o tombo do desemprego em julho é uma tendência firme ou se é apenas um fato isolado, que não deve se repetir. Em todo o caso, apesar da crise, as condições do mercado de trabalho não estão tão precárias quanto sugerem alguns líderes sindicais e o ministro do Trabalho.
A propósito, a informação mais relevante do IBGE talvez não seja o tombo do desemprego em julho, mas o baixo crescimento da massa salarial real em 12 meses (2,1%).

ECONOMIA: Rombo nas contas externas do Brasil sobe e se aproxima do deficit total de 2012

Da FOLHA.COM
MARIANA SCHREIBER, DE BRASÍLIA

O Brasil registrou novo rombo recorde na troca de bens, rendas e serviços com o exterior, a chamada conta corrente.
No mês passado, esse saldo ficou negativo em US$ 9 bilhões, o maior para meses de julho e uma alta de 140% ante o déficit registrado um ano antes (US$ 3,7 bilhões).
O déficit acumulado nos sete primeiros meses do ano (US$ 52,5 bilhões) também é recorde para o período e se aproxima de todo o rombo registrado em 2012 (US$ 54,2 bilhões). Nos primeiros sete meses do ano passado, o saldo negativo era bem inferior, de US$ 29 bilhões.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, essa piora decorre, principalmente, do resultado negativo da balança comercial, tanto em julho como no acumulado do ano. Em 2012, o saldo era positivo.
Além das trocas comerciais, as transações correntes incluem também receitas e despesas com serviços, como viagens e aluguéis de equipamentos, mais as transferências de renda, como remessa de lucros e pagamento de juros.
INSTABILIDADE INTERNACIONAL
O aumento do déficit nessa conta eleva a dependência do Brasil por financiamento estrangeiro num momento de instabilidade no mercado internacional.
Um fator preocupante é que o aumento desse saldo negativo não está sendo acompanhado por uma expansão da entrada de investimento produtivo, que é considerado a melhor forma de cobrir o déficit na conta corrente, pois é um capital menos volátil que o financeiro.
O chamado IED (Investimento Estrangeiro Direto) somou US$ 5,2 bilhões em julho e US$ 35,2 bilhões nos primeiros sete meses de 2013. Ambos valores ficaram abaixo do registrado em 2012 (US$ 8,4 bilhões e US$ 38,2 bilhões).
Considerando também o fluxo financeiro, o saldo na conta capital ficou positivo em US$ 9,4 bilhões em julho e US$ 59,6 bilhões no acumulado do ano.
Apesar do BC sempre ter destacado que o investimento produtivo é a forma mais saudável de financiar o rombo na conta corrente, Maciel disse que o quadro atual não preocupa porque esses recursos ainda cobrem a maior parte do déficit. "É um padrão normal não financiar integralmente por IED. Essas outras fontes [financeiras] sempre fizeram parte do financiamento da conta corrente", disse.
Para o chefe do departamento do BC, o rombo tende a diminuir, caso o dólar permaneça em patamares mais elevados. O real desvalorizado desestimula viagens ao exterior e remessas de lucros de multinacionais. Além disso, isso encarece as importações ao mesmo e que torna nossas exportações mais competitivas.
"A persistir uma alta do dólar, é possível que algumas contas até o final do ano podem estar sensibilizadas", afirmou.
VIAGENS
Apesar do dólar mais caro, o gastos dos brasileiros no exterior não param de crescer. No mês passado, os turistas deixaram lá fora US$ 2,2 bilhões, uma alta de 10% ante julho de 2012.
Em 2013, até julho, os gastos com viagens ao exterior somam US$ 14,5 bilhões, valor recorde que representa 14% de aumento em relação ao mesmo período do ano passado.

POLÍTICA: Casa e pensão de Renan custam o dobro do salário

Do ESTADAO.COM.BR
Andreza Matais e Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo

Só a compra de imóvel em área nobre consome R$ 38,6 mil; senador recebe R$ 21,3 mil líquidos do Congresso, mas alega ter rendimentos de empresa
BRASÍLIA - As despesas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com a compra da casa de um empreiteiro por R$ 2 milhões e o pagamento de pensão a uma filha vão consumir 87% da renda declarada pelo senador, de R$ 51,7 mil. Os gastos representam mais que o dobro do salário que ele recebe como congressista, de R$ 21,3 mil líquidos.
Se cumpridas essas obrigações, o senador terá para viver R$ 6,3 mil mensais, ou 13% de tudo o que diz ganhar em atividades públicas e privadas. Para os padrões de Brasília, o valor impõe hábitos espartanos a um chefe de Poder. A capital é a terceira cidade de maior custo de vida do País, segundo estudo da consultoria americana Mercer, divulgado em 2011.
Como o Estado revelou nesta quinta-feira, 22, Renan comprou em maio uma casa de 404 metros quadrados construída no Lago Sul, área mais valorizada de Brasília. No mercado, segundo imobiliárias, o imóvel custaria pelo menos R$ 3 milhões, 50% mais que o registrado em cartório. O negócio foi feito com o construtor Hugo Soares, por meio de um contrato paralelo cujos detalhes não constam da escritura.
Ao Estado, o senador explicou ter pago R$ 240 mil à vista, como sinal, e assumido uma dívida com o empreiteiro no valor de R$ 760 mil, a ser quitada em cinco prestações semestrais - o equivalente a um comprometimento mensal de R$ 25,3 mil, por dois anos e meio. O restante do valor, R$ 1 milhão, foi financiado pela Caixa em 22 anos, com parcela inicial de R$ 13,2 mil. Só as dívidas para adquirir o imóvel comprometem R$ 38,6 mil por mês.
Atualmente, Renan paga ainda R$ 6,8 mil mensais de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha. O relacionamento custou-lhe a presidência do Senado, em 2007, após denúncias de que as despesas pessoais da jornalista e da filha eram pagas pelo lobista de uma empreiteira. Na época, a pensão era de R$ 16,5 mil.
Denúncia. No início deste ano, pouco antes de Renan reassumir o comando do Senado, a Procuradoria-Geral da República denunciou o parlamentar à Justiça por forjar renda para justificar os pagamentos a Mônica. O senador não teria condições de pagar as despesas da jornalista com base no rendimento declarado à Receita.
Os ganhos de R$ 51,7 mil mensais apresentados por Renan para a compra da casa vêm, segundo o próprio, do Senado e da Agropecuária Alagoas, da qual é dono. Procurada, Mônica disse nesta quinta-feira que, com base na renda, vai requerer aumento da pensão paga atualmente, fixada por meio de acordo judicial. “Com certeza, vou pedir a revisão”, afirmou. Seu advogado, Pedro Calmon Filho, afirmou que, para fazer o acordo, Renan só apresentou os ganhos como congressista.
Três anos e quatro meses antes de ser vendida a Renan, a casa no Lago Sul havia sido comprada por Hugo Soares por R$ 1,8 milhão, ou seja, R$ 200 mil a menos que o negociado agora. De lá para cá, a construção de tijolinhos expostos foi repaginada e hoje exibe fachada branca, com vidros decorativos.
São duas salas, quatro quartos, três banheiros sociais, dois quartos de serviço e área descoberta com piscina, conforme registro em cartório. Vizinho de embaixadas, o imóvel é ocupado por dois filhos de Renan. O senador continua morando na residência oficial do Senado.
Procurada nesta quinta-feira, 22, a assessoria de Renan não se pronunciou até a publicação desta matéria.
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