quarta-feira, 31 de julho de 2013

POLÍTICA: Línguas soltas - I

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Ministros e figuras de proa do governo já não sussurram apenas suas insatisfações - gritam. Ninguém faz mais questão de não ser visto falando mal um do outro. A intriga virou esporte predileto em Brasília. É um "salve-se quem puder" que não acaba mais.

Línguas soltas - II
Tucanos de boa plumagem voltaram a se bicar. Tudo depois que Dilma começou a perder popularidade e a possibilidade de disputar com chances a presidência da República começou a ficar possível e não apenas um sonho.

Línguas soltas - III
Livres de intrigas, até agora, estão Marina Silva e Eduardo Campos. Marina é soberana em seu território. Campos, com a queda da popularidade de Dilma, passou a ser visto com outros olhos por seus adversários dentro do PSB, mormente os irmãos Gomes. A última entrevista do "mercurial" Ciro, por exemplo, foi de uma agressividade e grosseria com Dilma como há muito não se via.

Línguas soltas - IV
Por via de todas as dúvidas, embora Joaquim Barbosa continue negando qualquer intenção de disputar o Palácio do Planalto em 2014, já estão devidamente providenciadas informações, vazadas sem fontes visíveis (o famoso "off") para desconstruir a imagem do presidente do STF. Os vazamentos têm dupla utilidade: queimar Barbosa junto à opinião pública e tentar conter seus ímpetos na segunda e decisiva fase de julgamento do mensalão. Pode ser um bumerangue.

DIREITO: Sol quadrado

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Cálculo de quem conhece o humor político em Brasília e o novo humor do STF pós-movimentos de julho: alguns dos réus do mensalão começarão a ver, como se diz popularmente, o sol nascer quadrado ainda em setembro.

GREVE: Greve nos aeroportos mobiliza mais de 70% dos funcionários, mas terminais funcionam normalmente

De OGLOBO.COM.BR

Segundo o sindicato da categoria, em Congonhas houve 80% de adesão
Funcionários da Infraero protestam no aeroporto de Congonhas - PAULO WHITAKER / REUTERS
RIO - A greve dos aeroportuários iniciada na madrugada desta quarta-feira paralisou, em média, cerca de 75% dos funcionários dos 63 aeroportos administrados pela Infraero no Brasil, afirmou nesta manhã o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina). Segundo o presidente do entidade, Francisco Lemos, a maior adesão é no aeroporto de Congonhas, onde 80% dos funcinários estão parados. Por volta das 10h, o movimento era tranquilo na maioria dos terminais.
Segundo o relatório das 10h da Infraero, dos 811 voos domésticos programados para esta quarta, 85 (10,5%) tinham atrasado e 43 (5,3%) haviam sido cancelados. Entre os 52 voos internacionais, seis atrasaram (11,5%) e apenas um foi cancelado. No aeroporto do Galeão, seis (13,6%) dos 44 voos domésticos apresentaram atraso e dois (4,5%) foram cancelados. Já no Santos Dumont, houve 12 (25,5%) atrasos e quatro voos cancelados.
De acordo com Francisco Lemos, o terminal de cargas da Manaus estava completamente parado no início da manhã. O presidente do Sina afirmou ainda que, em Congonhas, houve princípio de confusão entre grevistas e a polícia, mas a situação já havia sido controlada.
— Temos mobilização nos aeroportos de Goiânia, Curitiba, Salvador, Recife, entre outros. No Rio (Galeão), a informação até agora é que a adesão é baixa — informou Lemos, que ainda não tinha o relatório completo da greve.

POLÍTICA: Dilma decide pagar emendas a prestação para acalmar base aliada

Do ESTADAO.COM.BR
Vera Rosa e Débora Bergamasco - O Estado de S. Paulo

Presidente discutiu estratégia com 10 ministros nesta terça; repasses de R$ 2 bilhões serão feitos em agosto, setembro e novembro
BRASÍLIA - Pressionada por aliados e antevendo nova rebelião no Congresso a partir da próxima semana, quando deputados e senadores voltam das férias, a presidente Dilma Rousseff decidiu abrir o cofre. Em reunião com dez ministros, nesta terça-feira, 30, no Palácio da Alvorada, Dilma determinou a liberação de três lotes de emendas parlamentares até o fim do ano, em parcelas, totalizando R$ 6 bilhões.
Na tentativa de driblar dificuldades previstas em votações importantes para o governo, a presidente pediu aos ministros uma lista dos principais projetos contidos nas emendas paradas em cada pasta. Embora o governo tenha anunciado corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento, para cumprir a meta fiscal e recuperar a confiança do mercado na política econômica, Dilma decidiu manter a reserva para pagar emendas.
Num momento de perda de popularidade após os protestos de junho, desgaste na relação com a base aliada e com o PMDB liderando uma rebelião para tornar obrigatória a execução das emendas parlamentares, a presidente foi aconselhada a agir para neutralizar a proposta do orçamento impositivo. Nas três horas da reunião de ontem no Alvorada, Dilma cobrou dos ministros políticos novo esforço concentrado para controlar deputados e senadores de seus partidos e prometeu empenhar R$ 2 bilhões de emendas individuais em agosto.
As outras "prestações", no mesmo valor, devem ser liberadas em setembro e novembro. No mês passado o governo também reservou R$ 2 bilhões para o pagamento de emendas, mas até agora elas não foram efetivamente pagas. Chamado pelos congressistas de "peça de ficção", o Orçamento da União prevê R$ 8,9 bilhões para essa finalidade, ao longo deste ano.
"É um primeiro passo para melhorar a relação com a base aliada", afirmou o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR). "Trata-se de um gesto fundamental porque, afinal de contas, as emendas são legítimas e importantes como investimento para os municípios. Mas, de qualquer forma, a presidente terá de ouvir mais a opinião dos parlamentares e debater projetos com mais antecedência", emendou.
O governo está preocupado com a ameaça do Congresso de derrubar vetos presidenciais a projetos que, no diagnóstico do Planalto, podem causar despesas para as quais não estão previstos recursos. Estão nessa lista a desoneração de alguns itens da cesta básica, o projeto conhecido como Ato Médico – que regulamenta atividades na área da saúde e teve dez dispositivos vetados – e o fim da multa adicional de 10% do FGTS, paga pelas empresas em casos de demissões sem justa causa.
Estimativas do Planalto indicam que a rebelião dos aliados pode custar um rombo de R$ 6,2 bilhões por ano. Outros desafios do governo no Congresso são a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a aprovação da MP do projeto Mais Médicos e o Código da Mineração.
Comunicação. Para explicar as metas do governo, o marqueteiro João Santana e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tentam convencer Dilma – que é candidata à reeleição – a dar mais entrevistas a jornais, rádios e TV. A estratégia, porém, ainda está sob análise.
Para o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), a liberação das emendas parlamentares pode azeitar apenas em "alguns aspectos" o relacionamento entre Planalto e Congresso. Na avaliação de Eunício, porém, esse não é o tema de maior preocupação dos deputados e senadores. "A grande questão do momento é a sobrevivência política de cada um", disse ele, numa referência à proximidade do ano eleitoral e às alianças.
Na prática, num momento de percalços para Dilma, deputados e senadores da base estão preocupados com a montagem de palanques para 2014. "Claro que a presidente está fazendo um gesto importante, pois serve para prestigiar o Parlamento de um modo geral e dará ajuda aos municípios, que hoje vivem com pires na mão", admitiu Eunício. "Só que, no Senado, a influência disso é muito pequena. A relação conosco se esgarçou."

POLÍTICA: Teses eleitorais - I

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Já estão visíveis algumas das teses com as quais os consultores de Dilma pretendem recuperar o prestígio da presidente e reconquistar os votos que estariam sendo perdidos agora por ela na corrida de 2014 :
1. Os problemas brasileiros não são brasileiros, são internacionais. Nós somos vítimas da má condução da política econômica por outros países, principalmente os ricos.
2. A inflação de agora não é nada, inflação perigosa era a do tempo de FHC. Não dá para comparar uma com a outra e a oposição não tem autoridade moral para falar sobre esse assunto.
3. A insatisfação popular, que explodiu nos movimentos de junho, é consequência da política de inclusão social e de incentivo ao consumo do governo Lula, continuadas pela administração Dilma.
Parece a história dos "recursos não contabilizados" do mensalão. Se colar, colou.

Teses eleitorais - II
Até agora, a oposição só tem um tema de campanha: falar mal do governo. Por mais que Dilma esteja tropeçando, é muito pouco. Não há perigo de colar.

Teses eleitorais - III
Por essas e outras, o que não é "político" [de política tradicional] está tão em alta nas pesquisas. Quanto menos identificado com a "política" dos políticos, mais prestígio.

POLÍTICA: Leitura política e econômica de uma entrevista - I

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

A entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff à Folha de S.Paulo, publicada neste último domingo, é muito ilustrativa para o delineamento do provável rumo político e econômico do país nos próximos meses. De fato, a presidente confundiu convicções sobre princípios políticos com convicções sobre medidas políticas (e econômicas). Os primeiros dizem respeito à necessária visão republicana da política. Já as segundas dizem respeito à condução de certas políticas de governo. Ora, a confusão dos dois conceitos pela presidente resulta num quadro preocupante no qual se combinam diagnósticos errados sobre a condução do governo com soluções inadequadas. Vejamos algumas das conclusões extraídas da entrevista presidencial e os aspectos que devem prevalecer nos próximos meses nas decisões governamentais :
1. Inflação: não há grandes riscos para a alta dos preços. A meta de inflação é secundária na gestão da política monetária. Basta ver que FHC não a cumpriu quase sempre ;
2. Política fiscal: a execução fiscal não é problemática e não deve haver maiores contenções dos gastos públicos. Além disso, não vê a presidente risco fiscal devido à redução da atividade econômica ;
3. Câmbio: um problema incontornável, não há o que fazer, pois é fruto das intempéries externas ;
4. Guido Mantega: o homem certo no lugar certo suportado por uma lealdade canina do Planalto ;
5. Base aliada: será mantida, basicamente, às custas dos 39 ministérios e, nas demandas pós-manifestações juninas, precisa ser "submetida ao povo", via plebiscito ;
6. Ministros e ministérios: são auxiliares sem poder de decisão e cobrados na medida da capacidade e intensidade de trabalho da presidente ;
7. Empresários e setor privado: não são aliados, mas apenas a outra parte de um processo negocial ;
8. Lula: um copresidente com o qual as divergências são normais (e antigas, desde 2005 quando era ministra da Casa Civil). Assim sendo, não precisa voltar porque não saiu ;
9. Investimentos: precisam crescer e, para isto, na essência, dependem do impulso estatal. Os leilões e concessões que devem ocorrer no segundo semestre vão dar este impulso ;
10. Controle da mídia: a questão é controlar as empresas e não a opinião das empresas, mas ainda não se sabe como fazê-lo. Mas, será feito (um dia ?)

Leitura política e econômica de uma entrevista - II
A entrevista da presidente joga um balde d'água fria na expectativa de que existam substanciais alterações na política e na economia nos próximos meses. Isso dependerá muito mais da evolução dos fatos do que da percepção da presidente. Esta última parece obscurecida por uma mistura de arrogância pessoal combinada com teimosia e miopia política. Se houver mudança por força dos fatos, esta será feita contrariando o desejo e o humor da presidente e não como resultado do natural processo político de reavaliação pelo qual "mudam os fatos, mudo de opinião". Com efeito : a perda de legitimidade política do governo, fruto da queda de popularidade, tornará a política e a economia muito mais arriscadas em função da visão de Dilma. As notas a seguir mostram um pouco dos riscos à vista.

POLÍTICA: Leram mesmo ? Se leram, não entenderam - I

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Tanto a presidente Dilma quanto o Congresso estão se vangloriando de ter lido com clareza e entendido perfeitamente os recados que os movimentos populares espalharam pelo país em julho. Não é o que parece, porém. O Congresso, depois de algumas medidas mais demagógicas do que reais, foi descansar em berço esplêndido, num recesso branco incompatível com a lei e suas obrigações. Os parlamentares não poderiam ter abandonado Brasília nos últimos 15 dias sem antes votarem a LDO. A volta tem tudo para repetir a rotina de sempre. Disputas com o Palácio do Planalto, pressões políticas, chantagens, vinganças (ver nota abaixo). Se a sociedade não ficar atenta, com manobras políticas para facilitar a vida eleitoral de todos no ano que vem.

Leram mesmo ? Se leram, não entenderam - II
A presidente Dilma, em pelo menos três ocasiões públicas na semana passada, também deu mostra que sua leitura dos acontecimentos foi um tanto "vesga" : (1) na recepção do Papa, de forma extemporânea (por ser uma propaganda explícita do governo numa sessão em que o personagem era outro); (2) no discurso na festa do PT em Salvador; (3) na entrevista exclusiva à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, domingo, sobre a qual comentamos nas notas anteriores. O extenso palavrório pode ser resumido : "está tudo bem com o Brasil, o que não estiver estamos prontos para consertar, atendemos o que as ruas pediram". Há controvérsias em relação a este otimismo. Ele está expresso na abrangente pesquisa realizada pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria, divulgada na semana passada. Ela vai muito além da confirmação da queda vertiginosa da popularidade da presidente (com sobra também para boa parte dos governadores) e da avaliação de seu governo, o destaque a sondagem na maioria da mídia. É, na realidade, um retrato estatístico, com números contundentes, da insatisfação das ruas e seus porquês.

ECONOMIA: Dólar sobe e atinge o patamar de R$ 2,30 nesta quarta-feira

Do ESTADAO.COM.BR
E&N TEMPO REAL
Agência Estado
Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado, e Economia & Negócios

SÃO PAULO – O dólar continua em tendência de alta nesta quarta-feira, 31, e renovou as máximas ante o real, chegando ao patamar de R$ 2,30, cotação que não era atingida desde abril de 2009. A moeda reage à divulgação do PIB preliminar dos EUA no segundo trimestre e aos números de criação de emprego privado do relatório ADP no mesmo país, que vieram melhores do que o esperado. O dólar futuro para agosto e setembro também acentuaram ganhos.
Às 9h32, o dólar subia 0,79%, a R$ 2,2990, após bater a máxima de R$ 2,3020 (+0,92%), tendo atingido a mínima de R$ 2,2850 (+0,18%). O dólar futuro para agosto subia 0,50%, R$ 2,296 e o dólar para setembro avançava 0,52%, a R$ 2,311.
EUA
A economia dos EUA cresceu 1,7% no segundo trimestre, bem acima da expectativa de alta de 0,9%. Já o setor privado dos EUA criou 200 mil empregos em julho, acima da previsão de analistas de criação de 183 mil novas vagas. A leitura de junho foi revisada para criação de 198 mil empregos, ante 188 mil anteriormente.
A cautela antes da reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc, na sigla em inglês) dá o tom dos negócios no mercado de câmbio, a exemplo do movimento observado hoje ante a maioria das moedas emergentes e ligadas a commodities. Ontem, a moeda norte-americana fechou no maior nível desde março de 2009, a R$ 2,2810 (+0,53%), sem que houvesse intervenção do Banco Central, uma vez que havia disputa pela definição da Ptax, e a dúvida é se a autoridade monetária manterá o sangue frio e deixará o dólar avançar mais.
“O BC não costuma entrar, mas já entrou com leilão. Se o dólar se aproximar de R$ 2,30, é possível que ele atue”, avalia o gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa. O fechamento da Ptax de fim de mês sai a partir das 13 horas. Segundo Côrrea, o tom é de busca por “proteção” na sessão de hoje e os dados dos Estados Unidos que começam a sair daqui a pouco podem exercer pressão sobre a moeda americana.
O comunicado da reunião do Fed sairá às 15 horas e desta vez não haverá entrevista coletiva com o presidente Ben Bernanke, o que esvazia a expectativa de novidades. Mas o mercado aguarda por sinalizações sobre o timing de início de redução do programa de compras de bônus, o chamado QE3, que hoje representa um montante mensal de US$ 85 bilhões.
Além do Fed, as atenções estão na primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, já com mudanças no cálculo, que sai às 9h30. A estimativa é de expansão de 0,9%, o que representa uma desaceleração do crescimento de 1,8% do primeiro trimestre. No mesmo horário, saem dados de emprego privado nos Estados Unidos do relatório ADP, considerado um termômetro para o payroll, que engloba ainda emprego público e será divulgado na sexta-feira.
Na zona do euro, o número de desempregados nos 17 países do bloco caiu para 19,27 milhões em junho, de 19,29 milhões em maio, a primeira queda desde abril de 2011, enquanto a taxa de desemprego se manteve no nível recorde de 12,1% pelo quarto mês consecutivo.
Às 9h38, o euro caía a US$ 1,3223, de US$ 1,3262 no fim da tarde de ontem. O dólar subia a 98,39 ienes, de 98,05 ienes no fim da tarde de ontem. O dólar subia ante a maioria das moedas ligadas a commodities: dólar canadense (+0,19%); dólar australiano (+1,17%); peso chileno (+0,31%); rupia indiana (-0,19%); peso mexicano (+0,80%); dólar neozelandês (+0,66%); rublo russo (+0,29); lira turca (+0,91%); rand sul-africano (+1,19%); coroa norueguesa (+0,45%).

POLÍTICA: Uma semana de paz. E depois... - I

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Com o Congresso em recesso e o papa Francisco, com seus incômodos recados de volta a Roma, a presidente Dilma terá uma semana de relativo sossego, antes de mergulhar em alguns turbilhões previstos para perturbar sua paz em agosto e setembro. Em agosto, os embates serão com o Congresso, crônicas de crises anunciadas. Além das queixas mais recentes dos parlamentares, seus partidos aliados contra a condução da política de relações com o Congresso e da política econômica por Dilma, algo meio difuso, há um contencioso concreto para a presidente enfrentar no Legislativo - a questão de três vetos que ela apôs a propostas aprovadas na Câmara e no Senado, a saber :
1. Ao fim da multa adicional de 10% do FGTS dos trabalhadores demitidos por justa causa.
2. A obrigação do governo Federal ressarcir os Estados das perdas de receita referentes a benefícios fiscais concedidos pela União utilizando impostos partilhados (IPI e IR).
3. A prorrogação, até 2014, do Reintegra, programa de compensação a exportadores.

Uma semana de paz. E depois... - II
Derrubar vetos presidenciais era quase impossível até recentemente - poucos caíram nos últimos 20 anos. O Congresso chegou a acumular até recentemente mais três mil desses vetos sem votá-los. Recentemente, depois de trocas de farpas e acusações entre Executivo e Legislativo, por iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, criou-se uma nova sistemática para a votação dessa matéria : se o veto não for votado em 30 dias, ele passa a trancar a pauta do Congresso. Esqueceu-se (não totalmente o passado) e vai se tocar nova vida daqui para frente. Os vetos de julho de Dilma já entram nesta conta. E o ambiente entre a presidente, os parlamentares e seus partidos aliados - inclusive o PT - não está dos melhores. Além das velhas queixas, foi agravado nos últimos tempos pela perda de popularidade da presidente. Desde que Dilma - pelo menos neste momento - deixou de ser uma perspectiva absolutamente certa de poder a partir de 2015, seus parceiros ficaram mais críticos, mais exigentes e com maiores laivos de independência.

Uma semana de paz. E depois... - III
O quadro fica um pouco mais complicado quando se sabe que os vetos desagradaram a setores que sempre conseguem comover os parlamentares com suas queixas, a ver :
1. Reintegra e o fim da multa do FGTS irritaram o setor empresarial, de onde sai o grosso do dinheiro de campanha.
2. Ressarcimento de perdas com subsídios desgostaram prefeitos e governadores, de quem muito dependem deputados e senadores para se reelegerem. Como os congressistas estarão indo para Brasília depois de suas semanas de contatos mais diretos com as suas chamadas bases eleitorais, cuja insatisfação "com tudo que está aí" é mais que visível, sempre ficam mais críticos e mais assanhados ainda.

DIREITO: Defensoria pede indenização por prisão além da pena

Da CONJUR

A Defensoria Pública de São Paulo ajuizou no último dia 24 de julho uma ação de indenização por danos morais em favor de uma pessoa que, por erro de cálculo da Justiça, ficou presa 1 mês e 8 dias a mais do que sua pena previa.
Segundo consta na ação, o preso respondeu a dois processos criminais: por receptação e formação de quadrilha. Somadas as penas, foi condenado a um total de cinco anos e seis meses de reclusão. No entanto, o período em que ficou preso cautelarmente, durante o curso do processo, não foi descontado no cálculo de sua condenação, quando da sua fase de cumprimento de pena.
Embora o erro tenha sido percebido pela direção da penitenciária onde o réu estava recolhido e prontamente notificado ao juízo da execução penal, a informação foi ignorada. O alvará de soltura para foi expedido um mês e oito dias após ele já ter cumprido integralmente a pena.
De acordo com a Defensoria, ele sofreu danos materiais e morais. “Além do dano extra-patrimonial referente aos direitos da personalidade, como a liberdade, moral, honra, boa fama e respeitabilidade, que foram lesados durante o período de prisão indevida, o autor sofreu danos materiais, pois foi afastado por um mês de suas atividades laborais”.
Os defensores ainda apontam a responsabilidade civil objetiva do Estado no caso. “O erro foi devidamente comunicado pela penitenciária, mas a comunicação não foi processada com a urgência que merecia. O ato cometido pelos agentes do Estado, qual seja, erro no cálculo da pena, foi responsável por sua indevida permanência no presídio por um mês e oito dias”.
Além da condenação do Estado ao pagamento de R$ 50 mil a título de danos morais, a Defensoria ainda pede indenização por danos materiais no valor de R$ 600, referente à remuneração mensal que ele recebia em seu trabalho como caseiro. Com informações da Assessoria de Imprensa da Defensoria Pública de SP.

DIREITO: STF - Negada liminar que pedia afastamento da prefeita de Porto Seguro (BA)

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de liminar formulado pela coligação “Compromisso com Você”, que disputou as eleições municipais em 2012 em Porto Seguro (BA) e pretendia o afastamento da prefeita eleita naquela ocasião.
A coligação pediu, na Justiça Eleitoral, a impugnação da candidatura de Cláudia Silva Santos Oliveira, que acabou eleita, sob a alegação de que ela teria transferido irregularmente seu domicílio eleitoral de Eunápolis (BA), cujo prefeito, em segundo mandato, era seu marido, para Porto Seguro. O pedido foi negado pelo juiz eleitoral da 22ª Zona de Porto Seguro, pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e pelo Tribunal Superior Eleitoral. A presidência daquela Corte negou seguimento a recurso extraordinário para o STF, motivando a coligação a interpor agravo visando ao remessa do recurso à Suprema Corte.
Na ação cautelar ajuizada no STF, a coligação sustenta que “a perpetuação de uma família no poder” viola o artigo 14, parágrafos 5º e 7º, da Constituição Federal, e que a matéria “possui manifesta repercussão geral”. Por isso, pediu a aplicação do efeito suspensivo ao agravo, bem como ao próprio
recurso extraordinário e o imediato afastamento da prefeita.
Decisão
Embora considerando que, numa primeira análise, os argumentos da coligação demonstrem a natureza constitucional e a repercussão geral da matéria discutida – o enquadramento ou não do caso na inconstitucionalidade da chamada “família itinerante” –, o ministro Lewandowski ressaltou que, como o recurso extraordinário não foi admitido e o agravo contra a não admissão aguarda julgamento, a jurisdição constitucional do STF ainda não foi instaurada. E, segundo a jurisprudência da Corte, não se concede efeito suspensivo a recurso extraordinário cujo exame de admissibilidade ainda esteja pendente (Súmulas 634 e 635 do STF).
A competência do STF para examinar pedido de tutela cautelar para atribuir efeito suspensivo ao RE só caberia “em casos excepcionalíssimos”, o que não se constatou no caso. O ministro observou ainda que a questão constitucional tratada no RE exige um exame mais aprofundado, o que não é possível no âmbito de ação cautelar.
Leia a íntegra da decisão.

DIREITO: STF - Suspensa ação civil pública sobre contratação de trabalhadores em Salvador

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, deferiu liminar pedida pelo Município de Salvador (BA) na Reclamação (RCL 16080) e suspendeu ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) que tramita na 28ª Vara do Trabalho de Salvador relativa a licitações que envolvem contratação de mão de obra terceirizada.
Na ação civil pública, ajuizada em 2011, o MPT pretendia compelir o município “a atender ao regramento jurídico pertinente à terceirização no âmbito da Administração Pública” e à fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas por parte das empresas contratadas, a fim de “garantir a preservação dos interesses e direitos dos trabalhadores terceirizados”. Na fase de conciliação, o município propôs a regulamentação do tema por meio de decreto municipal, mas o MPT apresentou diversas sugestões à proposta, que, na sua avaliação, não atendia a todas as providências pedidas na ação civil pública. O juízo da 28ª Vara do Trabalho acolheu todos os pedidos formulados pelo MPT.
Na Reclamação ajuizada no STF, o município alega que o MPT “arvorou-se não apenas em legislador”, mas pretendeu, com a ação civil pública, subverter “todo o já confuso sistema de contratações da Administração Pública brasileira” na área de prestação e serviços, “sejam eles técnicos ou não, especializados ou não, de engenharia ou não, sujeitos à contratação por meio de pregão ou não”, sem fundamento em preceitos legais ou constitucionais. Para o ente federativo, a pretensão do MPT “é imiscuir-se no modo como deve ser gerida a máquina pública”.
Segundo o reclamante, a Justiça do Trabalho, por sua vez, ao deferir os pedidos, teria extrapolado a sua competência, definida no artigo 114 da Constituição, decidindo sobre matéria administrativa. A decisão, que impôs à administração pública a obrigação de responder pelas obrigações trabalhistas dos empregados terceirizados, teria ainda, segundo o município, afrontado a jurisprudência do STF no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 16, que confirmou a constitucionalidade do artigo 71 da Lei de Licitações (Lei 8.666/93).
A decisão da Justiça do Trabalho, segundo o município, teria violado ainda a autoridade do acórdão do STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3395. Para o município, o entendimento do STF nessa ADI “evidencia, mesmo para aquelas hipóteses em que há a prestação de serviços, que, quando esses serviços se dão sob a modalidade jurídico-administrativa”, a Justiça do Trabalho não tem competência para tratar do assunto.
No pedido de concessão da liminar, o ente federativo ressaltou que a execução provisória da sentença poderia gerar sensíveis prejuízos, uma vez que os gestores municipais “dificilmente conseguirão gerir a máquina pública” a partir das premissas dispostas na decisão.
Competência
Ao deferir a liminar, o ministro Lewandowski esclareceu que o STF, em situações semelhantes, firmou o entendimento de que compete à Justiça Comum Estadual e Federal processar e julgar as causas que envolvam o poder público e seus servidores temporários, e citou diversos precedentes nesse sentido, todos fundamentados na decisão da ADI 3359. Entre eles, destacou o RE 573202, de sua relatoria, no qual o Plenário reiterou a competência da Justiça Estadual e Federal para “conhecer de toda causa que verse sobre contratação temporária de servidor público”, uma vez que a relação jurídica existente não é de trabalho, “mas de direito público estrito, qualquer que seja a norma aplicável ao caso”.
Com este fundamento, o ministro deferiu a liminar para suspender a ação civil pública até o julgamento final da Reclamação, sem prejuízo de melhor exame da questão pelo relator, ministro Dias Toffoli.
Leia a íntegra da decisão.

DIREITO: STJ - Dilma Rousseff nomeia novos ministros do STJ

O desembargador Paulo Dias de Moura, do Tribunal de Justiça de São Paulo, a juíza Regina Helena Costa, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e o procurador Rogério Schietti Machado Cruz, do Ministério Público do Distrito Federal, foram nomeados pela presidenta Dilma Rousseff para o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
Eles foram escolhidos para ocupar as vagas dos ministros Massami Uyeda, Teori Albino Zavascki e Cesar Asfor Rocha, respectivamente. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (30). Ainda não há data prevista para a posse. 
Paulo Moura é graduado pela Faculdade Católica de Direito de Santos (1976), tem graduação lato sensu pela Universidade de Guarulhos (2010), mestrado e doutorado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É diretor do curso de direito e professor titular da Universidade de Guarulhos. 
Regina Helena Costa possui mestrado e doutorado em direito do estado, com concentração na área de direito tributário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde é livre-docente. Tem experiência nas áreas de direito tributário e direito administrativo. Por concurso, tornou-se magistrada federal em 1991 e, em 2003, passou a integrar o TRF da 3ª Região, sediado em São Paulo. 
Rogério Schietti Machado Cruz, do Distrito Federal, é bacharel em direito pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (formado em 1984), mestre e doutor em direito processual penal pela Universidade de São Paulo. Atuou como advogado de 1985 a 1987 e foi promotor de Justiça, no Ministério Público do Distrito Federal, de 3 de fevereiro de 1987 até tomar posse como procurador, em maio de 2003. Atualmente, oficia, como titular, na 3ª Procuradoria de Justiça Criminal Especializada.

DIREITO: STJ - Inquérito sobre a morte de filho do presidente da Embratur permanece arquivado

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, negou pedido de liminar em reclamação ajuizada em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) que determinou o arquivamento do inquérito que apura a morte de Marcelo Dino Fonseca de Castro e Costa, filho do ex-deputado federal e atual presidente da Embratur Flávio Dino de Castro e Costa. 
O adolescente, de 13 anos de idade, faleceu no dia 14 de fevereiro de 2012 após ser internado no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, com uma crise de asma que provocou parada cardíaca. O pedido de arquivamento foi feito pelo Ministério Público após produção de perícia e pareceres de médicos especialistas. 
O juízo de primeira instância concordou com o pedido de arquivamento, mas remeteu os autos para análise do procurador-geral de Justiça, com base no artigo 28 do Código de Processo Penal. Foi impetrado, então, habeas corpus no TJDF, que determinou o arquivamento do inquérito, por entender que, ao concordar expressamente com o pedido, o magistrado não poderia ter encaminhado os autos ao procurador-geral. 
Reclamação
Na reclamação ajuizada perante o STJ, Flávio Dino requereu liminar para suspender os efeitos da decisão. Alegou que, uma vez encaminhados os autos à Procuradoria-Geral de Justiça, o julgamento de eventual habeas corpus seria de competência do STJ. 
Segundo o ministro Felix Fischer, para que uma liminar em reclamação seja deferida é necessária a demonstração conjugada do periculum in mora (risco da demora) e do fumus boni juris(plausibilidade do direito alegado), requisitos que não foram verificados no caso. 
Citando vários precedentes, o presidente ressaltou que a jurisprudência do STJ dispõe que “a reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, destina-se à preservação da competência e garantia da autoridade dos julgados, mas somente quando objetivamente violados, não podendo servir como sucedâneo recursal para discutir o teor da decisão hostilizada”. 
Para o ministro, não houve usurpação da competência do STJ, já que no caso em questão, a decisão da primeira instância era passível de habeas corpus endereçado ao TJDF. 
A decisão do presidente do STJ foi apenas sobre o pedido de liminar. O mérito da reclamação será julgado pela Terceira Seção, com relatoria do ministro Og Fernandes. 

DIREITO: STJ - Dono de casa em construção não responderá pela morte de criança na piscina

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus em favor do proprietário de casa em construção onde uma criança morreu afogada na piscina. Os ministros consideraram que o proprietário da obra e o dono da construtora não agiram com negligência e declararam a deficiência da denúncia, por ter sido formulada em desacordo com o artigo 41 do Código de Processo Penal (CPP), que traça os requisitos a serem observados na elaboração da peça. 
A denúncia afirmou que o proprietário da casa em construção praticou homicídio culposo, pois permitiu “que fossem retirados os tapumes de compensado que dividiam as propriedades, sem a devida colocação das quadras de tela no local, o que possibilitou a entrada da vítima na residência, bem como na piscina existente no local, o que ocasionou a sua morte por afogamento”. 
Após a defesa preliminar do proprietário, o juiz recebeu a denúncia. Inconformada com a decisão, a defesa apresentou habeas corpus, com pedido de trancamento da ação penal, perante o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). 
No TJRS, a ordem foi negada. A corte argumentou que a concessão de habeas corpus para trancamento da ação “só tem cabimento quando a atipicidade da conduta for induvidosa, ou quando não houver qualquer elemento de prova que fundamente a imputação, não se tratando do caso dos autos”. 
Inépcia da denúncia
Ainda insatisfeita, a defesa apresentou habeas corpus no STJ. Alegou inépcia da denúncia, bem como ausência de justa causa para prosseguimento da ação penal. Sustentou que na denúncia não havia evidência da falta de dever objetivo de cuidado, pois o proprietário apenas havia contratado o engenheiro responsável pela obra. 
Afirmou que ele construiu muro divisório na residência, em conformidade com as normas municipais, e que o Ministério Público não havia apontado qual norma exigiria a colocação ou manutenção de tapumes ao redor da piscina. 
No STJ, o ministro Jorge Mussi explicou a razão de a Corte analisar o mérito da questão, já que se trata de habeas corpus substitutivo de recurso, o que não vem sendo mais aceito pela jurisprudência. “Tratando-se de remédio constitucional impetrado antes da alteração do entendimento jurisprudencial, o alegado constrangimento ilegal será enfrentado para que se analise a possibilidade de eventual concessão de habeas corpus de ofício”, esclareceu. 
Ultrapassada a questão processual, o ministro Mussi, relator do pedido, concluiu que não houve violação de um dever objetivo de cuidado por meio de conduta negligente, imprudente ou imperita. 
Dever de cuidado
O ministro citou o doutrinador Cezar Roberto Bitencourt, autor do Código Penal Comentado, que afirma não violar o dever de cuidado a ação meramente arriscada ou perigosa. “O progresso e as necessidades cotidianas autorizam a assunção de certos riscos que são da natureza de tais atividades, como, por exemplo, médico-cirúrgica, tráfego de veículos, construção civil em arranha-céus etc. Nesses casos, somente quando faltar a atenção e cuidados especiais, que devem ser empregados, poder-se-á falar de culpa”, diz o autor. 
Para a Turma, a prática do crime de homicídio culposo foi imputada ao proprietário do terreno porque “teria retirado os tapumes que isolavam o local e deixado de colocar quadras de tela para impedir o acesso de terceiros, o que caracterizaria a conduta omissiva negligente”. 
Entretanto, de acordo com os ministros, não existe no ordenamento jurídico a obrigatoriedade de que residências ou obras nelas realizadas sejam cercadas ou muradas. “O não isolamento de um terreno particular onde está localizada uma piscina, por si só, não caracteriza a inobservância de um dever objetivo de cuidado”, ressaltaram. 
Para o colegiado, a morte de uma criança por afogamento não é um acontecimento previsível para o agente que não cerca ou não constrói muro em área onde existe uma piscina, principalmente quando não há notícia de que a vítima residia na propriedade vizinha. 
Os ministros observaram que a falta do dever objetivo de cuidado aconteceu por parte da pessoa que estava responsável pela criança, “já que se tratava de menor absolutamente incapaz”. 
Conforme análise da Turma, o único elemento que vincula o paciente ao local dos fatos “é a propriedade que exerce sobre o terreno em que a vítima ingressou e veio a óbito”. 

Requisitos

Jorge Mussi avaliou que a denúncia não foi formulada em obediência ao artigo 41 do CPP. Expôs ensinamento doutrinário ressaltando que na peça devem estar relatadas todas as circunstâncias do fato que possam interessar à análise do crime, pois a falta de descrição de uma elementar provoca inépcia da denúncia, já que a defesa não pode se defender de um fato que não foi imputado ao acusado. 

O relator do habeas corpus considerou que a denúncia não foi formulada de acordo com as exigências do CPP, “uma vez que deixou de descrever a falta de dever objetivo de cuidado por parte do paciente, atribuindo-lhe a prática do crime de homicídio culposo sem que tenha praticado qualquer conduta que tenha dado causa à morte da vítima”. 

Com esses argumentos, a Quinta Turma concedeu o habeas corpus de ofício para trancar a ação penal.

DIREITO: TSE - TRE-BA julgou 501 processos no primeiro semestre de 2013

Um total de 501 processos foi julgado pelo colegiado de juízes do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) no primeiro semestre de 2013. Ao todo, foram 652 decisões colegiadas, o que inclui os primeiros julgamentos dos processos, embargos, agravos, inquéritos e processos da Corregedoria. Somando com as 243 decisões monocráticas em caráter terminativo, aquelas de autoria de um único juiz do TRE, o trabalho dos magistrados resultou em 895 decisões proferidas pelo Tribunal entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2013. Além das decisões, o Tribunal aprovou sete resoluções administrativas.
Os números foram considerados positivos pelo coordenador de Apoio Processual do TRE-BA, Josênoel Bastos, que lembrou que o Tribunal está no caminho do cumprimento das Metas Nacionais do Poder Judiciário. "O número de decisões proferidas no primeiro semestre revela que o Tribunal julgou o quantitativo de processos equivalentes aos que ingressaram no período (casos novos) e, pelo menos, mais um do estoque (casos antigos)", explicou ele.
Saldo positivo
Conforme levantamento feito de 1º de janeiro até 30 de junho deste ano, período em que foram autuados 708 processos no Tribunal, foram distribuídos 711 processos aos juízes membros, contabilizando um saldo positivo no número de julgamentos. Para manter esse ritmo de produção, o TRE-BA realizou, no primeiro semestre, 48 sessões ordinárias (oito por mês).
Ao todo, 646 acórdãos (decisões realizadas conjuntamente pelos juízes) foram publicados.
Decisões monocráticas
Além das decisões colegiadas, 281 julgamentos foram feitos de forma monocrática, ou seja, proferidos por apenas um dos juízes (o relator). Deste total, 38 foram decisões liminares e 243 terminativas, isto é, levaram à extinção do processo sem resolução de mérito por perda do objeto ou por não conhecimento do recurso pela Corte, em razão de intempestividade, falta de representação processual, dentre outras motivações.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do TRE-BA

DIREITO: TSE - Direitos políticos foram tema de metade dos processos analisados pela Corregedoria-Geral Eleitoral no primeiro semestre

Do início do ano até o dia 30 de junho, a Corregedoria-Geral Eleitoral (CGE) examinou 1.931 processos. Desses, 938, ou seja, a maior parte (49%), são referentes a questões ligadas aos direitos políticos de brasileiros inscritos no cadastro eleitoral. Em seguida, vêm 742 processos que tratam de regularização do título.
As questões sobre direitos políticos envolvem tanto cidadãos que não podem votar por estarem cumprindo o serviço militar obrigatório, quanto aqueles que tiveram o direito ao voto suspenso em decorrência de condenações criminais, por improbidade administrativa e até mesmo por se recusar a cumprir obrigações a todos impostas, como, por exemplo, o serviço militar.
Além de gerenciar o cadastro eleitoral, compete também à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral fiscalizar a prestação dos serviços eleitorais em todo o país e orientar os procedimentos e rotinas que devem ser seguidos pelas demais corregedorias e cartórios eleitorais. Cada um dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais conta com uma corregedoria.
No ano que vem, ano de eleições presidenciais, a CGE é responsável por analisar e julgar todas as representações por propaganda antecipada, que são aquelas em que os futuros candidatos divulgam sua candidatura e pedem votos antes mesmo de ter o registro e de a propaganda eleitoral estar autorizada, o que ocorre a partir de 6 de julho.
A ministra Laurita Vaz foi eleita, em maio deste ano, a nova corregedora-geral, em substituição à ministra Nancy Andrighi, que iniciou sua gestão em abril de 2011. Desde a criação da CGE, em agosto de 1965, já passaram pelo TSE 38 corregedores-gerais eleitorais.
Conforme o Código Eleitoral, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral deve ser eleito entre um dos ministros integrantes do TSE. Com a Constituição Federal de 1988, ficou determinado que o corregedor-geral deve ser escolhido dentre os ministros efetivos do TSE que sejam do Superior Tribunal Justiça (STJ).
As atribuições da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral estão fixadas na Resolução nº 7.651/1965 e em instruções específicas baixadas pelo TSE.

DIREITO: TSE - Fundo Partidário: legendas dividem R$ 24,5 milhões em julho

Um total de R$ 24.514.010,33 de verbas do Fundo Partidário foi distribuído entre os partidos políticos em julho. Os valores foram divulgados no Diário da Justiça Eletrônico (DJe) do último dia 26, sendo que o relatório de ordens bancárias foi encaminhado ao Banco do Brasil no dia 24 de julho.
Ao todo, vinte e nove partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberam o repasse. O Partido dos Trabalhadores (PT), legenda com maior bancada na Câmara dos Deputados, ficou com o maior montante, R$ 3.952.723,87, seguido do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que obteve R$ 2.950.108,25, e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que recebeu R$ 2.688.825,56.
O artigo 5º da Lei dos Partidos Políticos (Lei n° 9.096/1995) determina que 95% dos valores do Fundo Partidário devem ser distribuídos para as legendas na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Os 5% restantes são divididos em partes iguais a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no TSE.
Das 30 agremiações registradas na Justiça Eleitoral, apenas o Partido Trabalhista Nacional (PTN) deixou de receber recursos do Fundo em julho. A legenda está impedida de receber cotas por oito meses, conforme decisão proferida em julgamento de prestação de contas. Os repasses não foram feitos em setembro de 2011 e de fevereiro a julho de 2013, restando, portanto, mais uma suspensão.
O Fundo Partidário é constituído por dotações orçamentárias da União, recursos financeiros destinados por lei, em caráter permanente ou eventual, e por doações de pessoa física ou jurídica efetuadas por intermédio de depósitos bancários diretamente na conta do Fundo Partidário.
Valores arrecadados com o pagamento de multas eleitorais no mês anterior ao da distribuição também são destinados aos partidos por meio do Fundo Partidário. Em junho de 2013, o valor obtido com multas chegou a R$ 4.634.893,26. O PT recebeu R$ 747.346,23, seguido pelo PMDB, com R$ 557.780,50, e pelo PSDB, que obteve R$ 514.231,46.
As informações referentes à distribuição em julho estão disponíveis no Diário de Justiça Eletrônico (DJe) n° 141, publicado no dia 26 de julho, nas páginas 2 e 3.
Aplicação dos recursos
Segundo a Lei dos Partidos Políticos, as verbas do Fundo Partidário devem ser aplicadas na manutenção das sedes e serviços do partido – permitido o pagamento de pessoal, até o limite máximo de 50% do total recebido –, na propaganda doutrinária e política, no alistamento e em campanhas eleitorais, na criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política – sendo esta aplicação de, no mínimo, 20% do total recebido –, e na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, observado o limite de 5% do total recebido.
Prestação de contas
Os órgãos de direção partidária devem discriminar na prestação de contas as despesas realizadas com os recursos do Fundo Partidário. A Justiça Eleitoral pode, a qualquer tempo, investigar a aplicação, pelas legendas, dos recursos provenientes do Fundo.
A aplicação incorreta dessas verbas pode acarretar à legenda a suspensão dos repasses de cotas do Fundo de um a 12 meses, dependendo da gravidade das irregularidades encontradas pela Justiça Eleitoral.
Acesse aqui a tabela divulgada no site do TSE com a distribuição mensal do Fundo Partidário: duodécimos e multas.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ECONOMIA: Bovespa fecha em queda nesta segunda, e dólar sobe a R$ 2,27

Do UOL

A Bovespa fechou em baixa nesta segunda-feira (29). O Ibovespa (principal índice da Bolsa) caiu 0,42%, para 49.212,33 pontos. Os investidores aproveitaram as altas recentes para vender ações e embolsar lucros. Os negócios movimentaram R$ 4,39 bilhões.
BOLSA E DÓLAR
O dólar comercial fechou em alta pela segunda sessão seguida, subindo 0,64%, a R$ 2,27 na venda. É o maior valor desde o dia 10 de julho (R$ 2,273).
Os investidores estavam cautelosos antes da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), na quarta-feira, que pode ditar novos rumos para os mercados globais.
Usiminas tem forte alta; Oi recua
A ação OGX (OGXP3), petrolífera de Eike Batista, fechou com a maior alta da Bolsa: 6,67%, a R$ 0,64. A ordinária da Usiminas (USIM3), que dá direito a voto, apareceu em seguida, com ganhos de 6,31%, a R$ 9,60. 
O papel preferencial da Usiminas (USIM5) fechou com alta de 4,78, a R$ 9,43, depois que o BTG Pactual elevou a recomendação da ação de "neutra" para "compra". A empresa conseguiu reduzir em 75% seu prejuízo no segundo trimestre.
Na ponta oposta, as ações da Oi lideraram as perdas: a ação preferencial (OIBR4) perdeu 7,45%, a R$ 4,47, e a ação ordinária (OIBR3) recuou 5,07%, a R$ 4,87. Os papéis sofreram o que os analistas consideram um ajuste, uma vez que acumularam fortes altas na semana anterior.
Clima de cautela antes de dados
O clima de cautela predominou nos mercados mundiais, inclusive no Brasil, por causa da divulgação de dados marcados para esta semana. O principal deles é a contagem preliminar do PIB trimestral dos Estados Unidos, na quarta-feira.
Também é aguardado para quarta o comunicado do Federal Reserve, o banco central dos EUA, que deve esclarecer investidores sobre a continuidade do estímulo mensal de US$ 85 bilhões à economia do país.
Na sexta-feira será conhecido o relatório de emprego norte-americano referente a julho. Nos próximos dias, também haverá encontros do Banco Central Europeu e do banco central britânico.
Por aqui, os investidores aguardam sequência da temporada de balanços de empresas brasileiras, que começam a ser divulgados em maior volume nesta semana a partir de terça-feira.
Bolsas internacionais
As ações das companhias norte-americanas recuaram, seguindo o clima de cautela antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano.
O índice Dow Jones caiu 0,24%, para 15.521 pontos. O Standard & Poor's 500 teve queda de 0,37%, a 1.685 pontos. O índice Nasdaq recuou 0,39% e fechou a 3.599 pontos.
Especulações sobre um aumento de capital no Barclays causaram uma queda generalizada nas ações dos bancos europeus nesta sexta, o que afetou as Bolsas da Europa.
O índice FTSEurofirst 300 fechou praticamente estável, com leve alta de 0,07%, a 1.205 pontos.
O índice de papéis bancários STOXX 600 caiu 0,62%, registrando a pior performance do mercado acionário europeu. O desempenho foi prejudicado pelo banco britânico Barclays, que caiu 3,47%.
As ações japonesas caíram para o menor nível em quatro semanas, e arrastaram os demais mercados asiáticos.
O iene subiu para o maior valor em um mês em relação ao dólar, por causa do pessimismo dos investidores quanto à divulgação de notícias econômicas decepcionantes sobre o crescimento econômico da China.
O Nikkei, da Bolsa do Japão, recuou 3,3%, para o menor nível de fechamento neste mês, e já perdeu mais de 7% em três dias.
A Bolsa de Hong Kong caiu 0,54%, Xangai perdeu 1,72%, Seul recuou 0,57% e Taiwan teve queda de 0,80%.
Cingapura e Sydney fecharam praticamente estáveis, com leves altas de 0,03% e 0,09%, respectivamente.
(Com Reuters)

VIAGEM

Em Montevideo, 6 graus de temperatura, com sensação térmica de 5 graus...
Amanhã retorno para Salvador, e a partir de quarta-feira o blog será retomado diariamente. Até lá!
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