quarta-feira, 15 de maio de 2013

ARTIGO: Uma substituição desastrosa

De OGLOBO.COM.BR
Por ELIO GASPARI

Trocando Nelson Barbosa por Arno Augustin a doutora Dilma daria um tiro na credibilidade de seu governo
Se a doutora Dilma quis assustar o empresariado e abalar a confiança na política econômica do seu governo, fez um gol de placa. Perdeu o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, sem anunciar o nome de seu substituto e, no vácuo, surgiu no noticiário o nome do companheiro Arno Augustin, atual secretário do Tesouro.
Barbosa é um professor discreto, que voltará para a universidade. Não é petista nem foi banqueiro. Até onde a vista alcança, dificilmente será qualquer das duas coisas. Augustin é economista, quadro da facção Democracia Socialista do PT, experimentado desde a época em que dirigiu a secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, nos anos 90. Atualmente, acumula a função no Tesouro com uma posição de destaque no comissariado de articulação da campanha pela reeleição da doutora. Mesmo que ele fosse Lord Keynes, essa dupla militancia assustaria tanto o mercado como a galera. Quando Tesouro e campanha andam juntas, acaba-se em confusão.
A saída de Nelson Barbosa é uma má notícia em si. A simples possibilidade da promoção de Augustin dobra o prejuízo. O desfalque do secretário executivo sem o anúncio imediato do nome de quem iria para seu lugar é produto do deixa-comigo-porque-eu posso. Os palácios sempre acham que podem muito e o do Planalto pensa que pode tudo. Havendo um problema, faz-se uma nomeação, um decreto ou uma Medida Provisória, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo. Falta aos governantes a humildade do general Goes Monteiro. condestável do Estado Novo, ele ensinou: "Na vida eu gostaria de ser metade do que o cadete pensa que é".
Sempre que ocorre um descontrole na economia, o Planalto acredita nos seus poderes. Assim foi durante os governos que levaram o país à hiperinflação, quando trocavam-se ministros e presidentes do Banco Central como se escolhe uma gravata. Nessa época, burocratas capazes de alterar o significado da estatisticas prevaleceram sobre aqueles que viam nos números um reflexo das dificuldades. O país livrou-se dessa praga quando Itamar Franco colocou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda e Lula aferrou-se à sua política de defesa da moeda.
A doutora Dilma, com a certeza de suas convicções, tomou rumo diverso. Sua equipe de coordenação política serve, quando muito, para organizar eventos. Sua ação econômica depende da vontade da doutora, traduzida nas homílias do ministro Guido Mantega.
Durante a digestão da Medida Provisória dos Portos, o governo fez de conta que havia uma questão técnica quando, na realidade, havia uma disputa de grupos de interesses. A cada três meses os sábios oferecem novos mimos aos empresários interessados em concessões de serviços públicos, mal sabendo que o instinto animal dessa espécie vê em cada concessão um sinal de fraqueza e vai à luta para conseguir mais.
Quem julga a doutora pela sua cenografia e pelo hermetismo de suas falas é capaz de acreditar que ela substituiu um governante falastrão. Seria a gerentona no lugar de um palanqueiro. Há alguns meses, contudo, Dilma Rousseff gerencia a imagem de gerentona de Dilma Rousseff. E se Lula tiver sido um astuto gerente fingindo-se de palanqueiro?
Elio Gaspari é jornalista

TRAGÉDIA: Ônibus sai da pista na BR-101 e deixa cerca de dez mortos


De ATARDE.COM.BR
Paula Pitta*


Google Earth
Localização da BR-101, próximo a Teixeira de Freitas, onde ocorreu o acidente
Reprodução | Site Liberdade News
O número de mortos pode ser ainda maior, segundo a Polícia Rodoviária Federal
Cerca de 10 pessoas morreram em um grave acidente envolvendo um ônibus na BR-101, em Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, na manhã desta quarta-feira, 15, por volta de 5h30. Inicialmente, policiais rodoviários federais divulgaram que houve 20 mortes, mas a informação foi corrigida. De acordo com o Departamento de Polícia Técnica (DPT) do município, foram levados os corpos de oito vítimas para perícia, um corpo ainda está no local da ocorrência, pois está preso nas ferragens e uma pessoa morreu no hospital.
O balanço ainda é parcial e dão conta de 20 feridos, mas esse levantamento pode mudar, já que as vítimas ainda são atendidas por policiais rodoviários, militares, bombeiros e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os feridos são levados para o Hospital Regional de Teixeira de Freitas.
Entre os mortos está o motorista do ônibus interestadual da Águia Branca, Maurício de Souza. As demais vítimas ainda não foram identificadas.
O ônibus, que seguia de Vitória no Espírito Santo para Itamaraju, no extremo sul baiano, transportava 31 passageiros. O veículo teria saído da pista ao passar pela Curva da Tarifa, que é uma área considerada perigosa.
Ainda não há informações das circunstâncias do acidente. Mas a assessoria da Águia Branca disse que o veículo era monitorado por GPS e por vídeo, o que vai ajudar a identificar a causa do acidente. Inicialmente, a empresa disse que não acredita na hipótese de excesso de velocidade ou que o motorista tenha dormido enquanto dirigia. De acordo com eles, o condutor, que trabalhava na empresa há três anos, tinha experiência nessa rota e era classificado pela Águia Branca como "top ouro por ser de excelente padrão nos indicativos de segurança" da viação.
A Águia Branca disponibilizou o telefone 0800 725 1211 para prestar informações para os familiares das vítimas. Uma equipe da Águia Branca também está no local do acidente auxiliando as vítimas, de acordo com a assessoria da empresa.
*Colaborou Alean Rodrigues | Sucursal de Feira de Santana

POLÍTICA: Marco Feliciano abandona calmaria e põe polêmica 'cura gay' em votação

Do UOL
Camila Campanerut



Marcos Porto/Agência RBS/Estadão Conteúdo
O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos
Depois de adiar por uma semana os possíveis tumultos na Câmara dos Deputados, o presidente da CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias), o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), coloca, nesta quarta-feira (15), na pauta de votações da comissão um projeto que prevê a "cura gay".
Ele cancelou a reunião da semana passada a pedido do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para evitar que houvesse confusão em dia em que a Casa Legislativa estava cheia com a presença de ministros e trabalhadores rurais.
Para esta quarta-feira (15), segundo a assessoria do Feliciano, não foi feito nenhum pedido de reforço na segurança à Polícia Legislativa para atender a comissão que pode ter novas cenas de tumulto se colocar em discussão quando tratar do projeto que com temática gay. 
Desde sua posse na presidência da comissão, o pastor tinha priorizado temáticas indígenas e propostas que não tratavam de temas tão inflamáveis da opinião pública. 
Ainda assim, representantes dos movimentos em favor dos negros e dos homossexuais compareceram a praticamente todas as reuniões da comissão. Feliciano chegou afechar as reuniões, com entrada permitida apenas para grupos de apoio a ele ou a líderes evangélicos. 
Manifestantes chegaram a ser detidos durante os protestos. Em resposta, o deputado chegou a dizer em um programa de televisão que "não havia pai de família" entre os que queriam sua saída da presidência da comissão.

POLÍTICA: Superintendentes da Pesca são do PRB em 16 estados

De OGLOBO.COM.BR
ALESSANDRA DUARTE

MD pede à Comissão de Ética Pública análise da conduta de Crivella
Crivella entrega casa do Cimento Social em Nova Iguaçu, em 2012 - Reprodução
RIO - Em mais da metade dos estados do país, os superintendentes federais de Pesca e Aquicultura são filiados ao PRB, partido do ministro Marcelo Crivella. A superintendência é a representação do Ministério da Pesca nos estados. Levantamento do GLOBO na relação de filiados do partido por estado, no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrou que os nomes dos superintendentes da Pesca estão entre os filiados ao PRB em 16 estados: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima e Rio Grande do Sul. Em um dos casos, o Pará, a filiação ocorreu menos de um mês depois de a pessoa ter sido nomeada superintendente.
Ontem, o líder do Mobilização Democrática (MD) na Câmara, Rubens Bueno, entrou com representação na Comissão de Ética Pública, da Presidência da República, com pedido para que a comissão analise a conduta do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, após reportagem do GLOBO mostrar que líderes sindicais do setor da pesca passaram a se filiar ao PRB depois que Crivella assumiu a pasta. O presidente da Confederação Nacional de Pescadores e Aquicultores (CNPA), entidade que passou a realizar o recadastramento dos pescadores no Registro Geral da Pesca, necessário para o pescador receber o Bolsa Pesca, virou presidente do PRB do Rio Grande do Norte Bueno também questionou o fato de o ministro ter entregado casas de seu projeto Cimento Social em dia útil.
No Acre, em Alagoas, na Bahia, no Ceará, no Maranhão, no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, na Paraíba, em Pernambuco, no Piauí, no Paraná e no Rio Grande do Sul, os hoje superintendentes já eram filiados ao PRB antes de Crivella assumir o ministério.
No caso do Pará — estado que mais recebe recursos do Bolsa Pesca, o seguro-defeso, pago a pescadores artesanais na época de procriação de certas espécies, quando o pescador fica impedido de pescar —, Nádia Hellen Gaia de Almeida se filiou ao PRB, segundo o TSE, em 21 de fevereiro de 2013. Menos de um mês antes, em 6 de fevereiro de 2013, foi nomeada superintendente, cargo DAS, com remuneração bruta de R$ 7.372,22 por mês.
Outro filiado ao PRB após Crivella assumir a Pesca foi o próprio presidente da CNPA, Abraão Lincoln, que no dia 20 de abril deste ano tomou posse como presidente do PRB-RN, em evento com a presença do ministro. Lincoln se filiou ao partido em 14 de maio de 2012, e se tornou superintendente cerca de um mês depois, em junho. Lincoln também recebe, como remuneração bruta, R$ 7.372,22 por mês.
Filiações sub judice
Em Goiás e Roraima, os processos de filiação estão sub judice, mas as pessoas podem ser consideradas filiadas enquanto o processo não for resolvido, segundo o TSE. O tribunal informou que a filiação fica sub judice quando há um pedido de cancelamento ou por parte do próprio filiado ou por parte da Justiça.
Perguntado se Crivella se manifestaria sobre o fato de os superintendentes da Pesca serem filiados ao PRB em 16 estados, o Ministério da Pesca afirmou, por sua assessoria: “O ministro disse que essa situação é natural. Segundo ele, quando um partido é escolhido para administrar um ministério sempre procura entre seus quadros os melhores profissionais. Para ele, isso é que é importante — que sejam todos competentes no desempenho das funções públicas”. No Pará, porém, a filiação ocorreu após a pessoa ter se tornado superintendente, logo, a escolha não foi entre os quadros do partido.
Segundo a pasta, Crivella “lembrou que outros ministérios e governos têm 100% dos cargos ocupados pelo partido escolhido, o que não é o caso do PRB na Pesca. O ministério tem quadros dos mais diversos partidos da base”.
O presidente do Conselho de Ética do PRB, George Hilton, líder do partido na Câmara, disse que não vê problema ético no fato de 16 superintendentes serem filiados ao PRB, mesmo quando a filiação ocorreu depois:
— É razoável que um partido que indicou o titular de uma pasta indique alguns cargos dela. Mas a filiação não foi exigência para ser superintendente. Se as pessoas se filiaram, é porque se encantaram com as propostas do partido. O que se quer do superintendente é capacidade. Não vejo impedimento ético; se houver desvio de função, o partido não vai tolerar. O partido busca gente que possa compor sua chave de deputados — disse Hilton, citando Lincoln, que seria “pré-candidato a deputado”.
No pedido à Comissão de Ética da Presidência, que cita a reportagem do GLOBO, Rubens Bueno (MD-PR) afirma que “há suspeita de utilização do cargo do ministro para vitaminar seu partido”.
— A máquina está sendo usada para fazer crescer o partido, cooptando lideranças da pesca que ou têm potencial de votos, ou influência sobre potenciais candidatos — disse Bueno.

POLÍTICA: Campos faz recuo tático para evitar ataques

Da FOLHA.COM
NATUZA NERY
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), trocou a superexposição dos últimos meses por articulações de bastidores. Mas não alterou seu propósito de rivalizar com a presidente Dilma Rousseff.
Para evitar ser um alvo prematuro de petistas, como já vinha ocorrendo, Campos mudou de tática. Fez um recuo temporário. Está mais reservado. Fala menos sobre sua disposição de concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem.
Eduardo Braga/SEI
Eduardo Campos e Marina Silva se reúnem em Pernambuco
Assim, calcula um aliado, evita a ruptura com o governo antes da hora. Não espanta correligionários contrários a um voo solo e semeia a dúvida no PT sobre a conveniência de tratá-lo, desde já, como adversário.
"Minha estratégia é o tempo", repete o governador.
Eduardo Campos passou o primeiro trimestre desfilando em carro alegórico. Apontou defeitos no governo e convenceu até mesmo os mais incrédulos sobre seu desejo de se lançar à Presidência.
O movimento acabou atraindo reações, o que levou o governador a optar por um recuo tático e a preferir um figurino mais moderado.
Segundo a Folha apurou, buscará manter cautela até o dia 4 de outubro, limite para mudanças de partido por políticos interessados em concorrer no ano que vem.
O Rio de Janeiro é dado como exemplo. Lá, se o PT decidir apoiar o candidato do PMDB, Eduardo Campos buscará o petista Lindbergh Farias para lançá-lo ao posto pelas mãos do PSB. Se isso não ocorrer, tentará um palanque pelo PMDB.
Outubro marca o fim do prazo para a temporada dos ataques especulativos. Até lá, estrategistas do governador esperam que ele pontue cerca de 10% nas sondagens eleitorais. Em pesquisa feita há um mês por Diego Brandy, seu guru na área, Campos teria oscilado de 4% a 7% em quatro Estados: São Paulo, Rio, Minas e Bahia.
Em julho, o PSB fará uma reunião da sua Executiva Nacional. Campos, também presidente do partido, lembrará a todos o processo de definição da legenda em outras corridas para o Planalto. Em todas, o apoio só foi fechado no fim do primeiro trimestre do ano eleitoral. Ou seja: ele só se lançará oficialmente em março do ano que vem.
O pessebista tem esperanças de construir uma candidatura com partidos mais à esquerda. Mas no seu entorno há também defensores de ter o DEM numa aliança.
A Folha apurou que o objetivo central do PSB para tentar chegar ao segundo turno em 2014 é ter ao menos cinco minutos de tempo de TV.
Campos tem mantido ativa sua agenda de contatos. Ontem, esteve com Marina Silva. Assinou uma ficha de apoio à criação do partido Rede. Convém a ele assegurar o maior número de concorrentes ano que vem.
Também almoçou com Gilberto Kassab, do PSD. Ambos combinaram ser aliados em Pernambuco, embora em lados opostos no plano nacional -Kassab deve dar seu tempo de TV para Dilma.

ECONOMIA: Lucro do Banco do Brasil tem alta de 2,2% no 1º tri, para R$ 2,56 bilhões

Do UOL, em São Paulo

Alexandre Moreira/Brazil Photo Press
O Banco do Brasil (BBAS3) teve lucro líquido de R$ 2,56 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 2,2% sobre o mesmo período do ano passado, apesar da expansão de 25,7% da carteira de crédito ampliada no país.
Em termos recorrentes (que excluem ganhos e perdas extraordinários), a maior instituição financeira da América Latina obteve lucro líquido de R$ 2,685 bilhões entre janeiro e março, leve recuo de 0,7% na comparação anual.
Economistas esperavam lucro de R$ 2,7 bilhões, estável em relação ao mesmo período de 2012. A expectativa era de que, apesar de apresentar uma expansão do crédito bastante superior aos pares privados, resultados do fundo de pensão de seus funcionários (Previ) poderiam trazer um impacto negativo.
Desconsiderando a Previ, o lucro líquido contábil do banco cresceu 7,8% e alcançou R$ 2,445 bilhões de janeiro a março.
A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 592,7 bilhões, após crescer 25,6% em 12 meses e 2,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior. O destaque foi o portfólio para empresas, com expansão de 32,7% em 12 meses, enquanto para as famílias o aumento foi de 26,3%, desconsiderando as operações provenientes do Banco Votorantim e de carteiras adquiridas.
A taxa de inadimplência acima de 90 dias caiu para 2% no primeiro trimestre, ante 2,2% no mesmo período do ano passado.
Os três grandes bancos privados já divulgaram seus balanços e mostraram, entre outros destaques, queda dos spreads. Esse foi o fator que mais impediu uma expansão vigorosa do lucro de Itaú Unibanco (1,3%) e Bradesco (4,5%), na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, ao lado de mudanças no mix de crédito para linhas de empréstimos menos arriscadas e Selic mais baixa que no início de 2012. No caso do Santander, houve uma queda de 29,6%.
Com Agencias

POLÍTICA: Por falta de quórum, Câmara suspende votação da MP dos Portos


De OGLOBO.COM.BR
MARIA LIMA / DANILO FARIELLO / PAULO CELSO PEREIRA 

Deputados precisam ainda votar 14 itens restantes para aprovar o texto integralmente
Retomada dos trabalhos no plenário está marcada para as 11 horas desta quarta-feira
BRASÍLIA – Às 4 horas e 55 minutos desta quarta-feira, quase 18 horas depois de aberta a sessão extraordinária da Câmara para votar a Medida Provisória 595, que reforma a Lei dos Portos, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, encerrou a sessão por falta do número mínimo de 257 parlamentares no plenário para votar os 14 itens restantes para aprovar o texto integralmente. Alves marcou para as 11 horas a retomada dos trabalhos no plenário para encerrar a votação da medida, que deve se estender pela tarde. Todos os outros trabalhos previstos para ocorrer nesta manhã na Câmara foram suspensos.
- Queremos cumprir com o nosso dever e votar o texto - disse Alves, reconhecendo, porém, que isso será “muito difícil”.
O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) espera que, em sendo encerrada a votação no plenário ainda nesta quarta-feira, o texto possa ser enviado ao Senado para ser lá avaliado ainda nesta quinta-feira, data-limite para que o texto tenha sua tramitação encerrada no Congresso antes de perder validade.
Após a série de derrotas impostas pelo governo ao líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), no início da votação, a bancada do partido deu o troco. Após as 3 horas da madrugada, os parlamentares peemedebistas começaram a abandonar o plenário da Casa e foram decisivos para o texto não ser aprovado. Quando o petista Amauri Teixeira (BA) cobrou Cunha pelas ausências, o líder reagiu.
- O PMDB não precisa de babá. Faz 12 horas que eu não saio do plenário, discutindo, debatendo. O PMDB não obstruiu. É óbvio que essa medida provisória não vai acabar agora. Quem conhece o mínimo de Regimento sabe que não há condições para isso. Então, não venham às 4 horas, aqueles que inclusive descumpriram acordo com o PMDB querer cobrar a posição _ reagiu Cunha.
O líder do PT e presidente da Comissão Especial Mista que avaliou a MP 595, José Guimarães (PT-CE) considerou que o governo saiu vitorioso nas questões centrais da votação, embora ela não tenha sido encerrada. O governo conseguiu, por exemplo, aprovar o relatório do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) e derrubar no voto a emenda aglutinativa de Cunha, que havia concentrado textos que, na avaliação do Palácio do Planalto, desfigurariam as intenções do governo ao editar a MP.
- Parecia que íamos ser batidos de goleada e não fomos - disse Chinaglia, sobre o resultado das votações do relatório e de 12 itens que alterariam esse texto-base - Diante de uma obstrução permanente, conseguimos votar e ganhar, mas ainda não conseguimos terminar.
A oposição, que comandou durante toda a noite a obstrução, saiu festejando:
- Uma coisa está clara, a presidente da República não tem o menor controle sobre essa imensa base aliada. É uma vergonha o desprestígio dela e sua capacidade de contrariar a base - pontuou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP).
O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), também ironizou:
- Só o PT votou fechado. O fato evidente é que a presidente está perdendo sua base. As pessoas se sentem afrontadas pela maneira como são tratadas.
Por volta das 4 horas da manhã, houve certa dificuldade para se atingir o número mínimo de participantes, o que exigiu mais de 30 minutos de espera para que o número de presentes fosse suficiente.
Os deputados da oposição questionaram a decisão do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, por ter esperado a chegada de parlamentares que estariam fora da Casa até que retomasse as votações.
- Não podemos esperar a chegada de deputados que estão em hotéis - disse Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Os deputados demonstram visível cansaço na madrugada, com diversos deles cochilando nas poltronas do plenário. O deputado Mendonça Filho (DEM-PE) solicitou a Alves que a votação fosse suspensa e prorrogada para às 14 horas de quarta-feira. O pedido foi recusado.
Governo derruba emenda aglunativa de Cunha
Com apoio de partidos aliados e da oposição, o governo impôs uma derrota ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que pode inviabilizar a aprovação da MP dos Portos. Em uma votação apertada, o governo conseguiu derrubar em plenário por 210 votos contra 172 a emenda aglutinativa de Cunha, que alterava o texto-base da Medida Provisória 595. Durante a tarde, Cunha e o governo chegaram a um acordo sobre o conteúdo da emenda do deputado, mas o governo queria votar os quatro pontos da emenda individualmente e não em um único texto (aglutinativo). Sentindo-se traído, o líder do PMDB pediu votação nominal de todas as emendas e destaques — o que arrastou a sessão madrugada adentro. Por causa dessa estratégia de atrasar a apreciação, parlamentares da base já davam como certa a queda da MP dos Portos, uma vez que ela tem de ser votada até amanhã no Senado para não perder a validade. Sem a conclusão da votação, a alternativa será a presidente Dilma Rousseff fazer as reformas do setor por decreto.
— O PMDB quer votar nominalmente todos os destaques a cada uma das votações — disse Cunha, após a derrubada de seu texto, como forma de demonstrar a sua irritação.
A votação desandou depois que o PT e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), orientaram a base a votar contra a emenda aglutinativa apresentada por Cunha, que foi derrotada na votação nominal. Cunha se sentiu traído pelo governo no recuo ao acordo feito à tarde para aprovação das suas emendas.
— Muita gente traiu muita gente. Mas na votação nominal ficou claro que o PMDB foi traído por quem firmou com ele o acordo — avaliou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Após a aprovação do texto-base, faltavam aprovar destaques e o texto final precisava ir ao Senado. O governo conseguiu reunir um quórum alto, de 488 deputados, depois do acordo com Cunha, em que cedeu em quatro pontos do texto e o líder também fez concessões.
‘O PMDB não é vassalo’, diz Cunha
Pelo acordo, que foi rompido no momento da votação, Cunha aceitou retirar a emenda aglutinativa que impedira a votação anterior em troca de quatro novas concessões do governo. Primeiro, os portos públicos poderiam ser ampliados; segundo, ficaria facultado ao administrador dos portos públicos, normalmente estados, licitar terminais. Essa emenda beneficia o Porto de Suape, em Pernambuco e o governador Eduardo Campos. O terceiro ponto permitiria a prorrogação dos contratos por uma única vez, 25 anos em geral, nos portos novos. A MP permitia prorrogar indefinidamente os contratos. O quarto ponto transferiria disputas na Justiça para comissões de arbitragem.
De parte do governo, a principal exigência foi que o PMDB retirasse o apoio à emenda de autoria do deputado Paulo Pereira (PDT-SP) para que os trabalhadores sejam contratados pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) também nos novos portos privados, o que já acontece no portos públicos.
Mais cedo, em seu discurso em defesa do acordo firmado com o Planalto, Cunha mandou um aviso para a presidente Dilma, com quem travou uma ferrenha queda de braço:
— O PMDB quer a modernização dos portos. Mas o PMDB não é vassalo de ninguém para votar qualquer coisa. O PMDB quer ter opinião. Não vou apoiar mais nada que não seja o que a minha bancada decidir — avisou, deixando claro que está afinado com a “sua” bancada de 80 deputados.
Garotinho e Caiado trocam insultos
À tarde, a sessão foi bastante tumultuada, com gritos e troca de xingamentos entre os deputados Anthony Garotinho (PR-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). De nada adiantaram os apelos dramáticos feitos pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para que os deputados não protagonizassem uma nova sessão conturbada, como a da semana passada, quando a confusão imperou e não se conseguiu votar a MP dos Portos.
À tarde, enquanto Caiado e Garotinho trocavam xingamentos de “chefe de quadrilha” para lá e traidor para cá, o deputado Toninho Pinheiro (PP-MG) subiu à frente da Mesa com uma faixa protestando contra o corte de R$ 8,3 bilhões de emendas para a Saúde e foi contido pelos seguranças.
Depois de alguns minutos de muito grito, Toninho foi imobilizado pela cintura por mais de quatro seguranças e ficou se debatendo com as pernas balançando no ar. Com a confusão e a gritaria no plenário e nas galerias, Henrique Alves não teve outra saída e suspendeu novamente a sessão.
A confusão começou quando Garotinho, na tribuna, provocou Caiado, pedindo que ele ligasse para o banqueiro Daniel Dantas, para explicitar quais seriam seus interesses na votação da MP dos Portos, cuja votação o DEM vinha obstruindo junto com outros partidos da base. Dantas é controlador do banco Opportunity, sócio da empresa Santos Brasil, que funciona no Porto de Santos e pode perder a liderança no setor de contêineres com a entrada de novos operadores. Caiado não se fez de rogado e respondeu à provocação:
— Fora daqui você não faz um décimo do que fala na tribuna. É um frouxo! Lá no Rio é chefe de quadrilha. Um chefe de quadrilha não pode vir aqui denegrir a imagem dos parlamentares — respondeu Caiado, irritado com insinuações de Garotinho, que chamou a MP dos Portos de “MP dos Porcos”.
Temendo que Garotinho, ainda na tribuna, baixasse mais ainda o nível, Henrique Alves apelou para Deus e pediu que mantivesse o clima de respeito na sessão.
— Deputado Garotinho, vou fazer um apelo com todas as forças do meu coração! Pelo amor de Deus, mantenha o clima de respeito para que não se repita aqui nesta quarta-feira aquela lamentável sessão da semana passada.
Um tom abaixo dos xingamentos de Caiado, Garotinho respondeu dizendo que o goiano era mau parlamentar e mau pecuarista, que tratava mal a terra.
— Não me ofende você me chamar de quadrilheiro, porque não sou! Não me ofende dizer que tenho o cheiro dos porcos, porque não tenho! Tive 700 mil votos no Rio e fui o deputado com a maior votação da História. Não vou te responder, mas eu não abandono amigo meu. Não finjo que não conheço Demóstenes Torres, com quem você andava de braços dados até pouco tempo — discursava Garotinho, quando o deputado mineiro irrompeu sobre a mesa com a faixa de protesto e o tempo fechou.
A sessão foi suspensa por cerca de 20 minutos e, na volta, Henrique Alves repreendeu os seguranças que seguraram Toninho Pinheiro. A sessão recomeçou, mas os ânimos continuaram exaltados. Para piorar, as galerias estavam tomadas por uma claque barulhenta pedindo a votação de projeto de emancipação de municípios. Segundo o líder do PP, Arthur Lira (AL), Toninho, que é um deputado que luta muito pelos recursos da saúde, se excedeu, mas houve excessos também por parte dos seguranças que queriam arrastá-lo à força.
VEJA TAMBÉM

DIREITO: STF - Pauta de julgamentos previstos para a sessão plenária desta quarta-feira (15)

Competência Justiça do Trabalho / Organismos Internacionais
Recurso Extraordinário (RE) 578543
Relatora: Ministra Ellen Gracie (aposentada)
ONU/PNUD x João Batista Pereira Ormond e União
Recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que, ao negar provimento a recurso ordinário interposto pela ONU/PNUD, manteve decisão que julgara improcedente ação rescisória ao fundamento de que a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar demandas envolvendo organismos internacionais, decorrentes de qualquer relação de trabalho. A ONU/PNUD alega que a decisão vulnerou os artigos 5º incisos II, XXXV, LII e parágrafo 2º, e 114, caput, da Constituição Federal, além de ter declarado a inconstitucionalidade da Seção 2 da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. Sustenta que a ação rescisória deveria ter sido julgada procedente, em razão de ter sido demonstrada a configuração das hipóteses previstas nos incisos II e V do artigo 485 do CPC. A ministra relatora deferiu medida cautelar para suspender o processo de execução. O processo terá seu julgamento retomado com voto-vista da ministra Cármen Lúcia.
Em discussão: Saber se a ONU/PNUD possui imunidade de jurisdição e imunidade de execução com relação a demandas decorrentes de relações de trabalho.
PGR: Pelo conhecimento e não provimento do recurso.
Sobre o mesmo tema será julgado o RE 597368.

Concurso / Remarcação de teste de aptidão física / Doença temporária
Recurso Extraordinário (RE) 630733 – Repercussão Geral
Relator: Ministro Gilmar Mendes 
Fundação Universidade de Brasília x Marcos Lacerda Andrade 
Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em que se discute a possibilidade de remarcação de teste de aptidão física para data diversa da estabelecida por edital de concurso público, por doença temporária, devidamente comprovada. Afirma que a remarcação do teste de capacidade física acarretaria desigualdade de condições entre os candidatos. Nessa linha, assevera que a inscrição no certame implica a aceitação de todas as normas contidas no edital. Aduz que se cada caso for isoladamente considerado, dando tratamento diferenciado a cada candidato que apresentar situações as mais diversas possíveis, o certame restaria inviabilizado, não só pela demora, mas pelo gasto para sua realização. O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional.
Em discussão: Saber se a incapacidade física temporária, comprovada por atestado médico, possibilita a remarcação do teste de capacidade física. 
PGR: Pelo desprovimento do recurso.

Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3609
Relator: Ministro Dias Toffoli
Procurador-Geral da República x Assembleia Legislativa do Estado do Acre
ADI em face do artigo 37 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Acre, acrescido pela Emenda Constitucional nº 38, de 5 de julho de 2005. Sustenta-se que a norma contraria a previsão constante do artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, sobre exigência de concurso público. Afirma-se, ainda, que foi ampliada, de forma ilegítima, a exceção a este princípio constitucional, prevista no artigo 19 do ADCT da Constituição de 1988, ao tornar efetivos todos os servidores das secretarias, autarquias, fundações públicas, de empresas públicas e de economia mista, dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, admitidos sem concurso. A Assembleia Legislativa do Estado do Acre prestou as informações pugnando pela constitucionalidade da norma. 
Em discussão: Saber se a norma impugnada incide na alegada inconstitucionalidade.
AGU: Pela inconstitucionalidade do art. 37 do ADCT da Constituição do Estado do Acre.

Mandado de Segurança (MS) 28000
Edson Julio de Andrade Filho x Presidente da Republica 
Relator: Ministra Cármen Lúcia 
Mandado de segurança, com pedido de medida liminar, contra ato omissivo do Presidente da República que, em 17.4.2009, teria deixado de nomeá-lo para o cargo de defensor público da União. Argumenta, em síntese, ter direito líquido e certo à nomeação para o cargo e que a omissão do Presidente da República em nomeá-lo juntamente com os candidatos aprovados entre 125º e 176º colocações seria ilegal, por desrespeitar a ordem de classificação obtida no concurso público. Pede que seja concedida a segurança para assegurar o direito à nomeação para o cargo. Medida liminar foi deferida para assegurar a reserva de uma vaga para o cargo de defensor público da União e a possibilidade de participação do impetrante em curso de formação. Contra essa decisão foram opostos embargos de declaração com o objetivo de esclarecer se os efeitos da eventual concessão da segurança retroagiriam até 17.4.2009. 
Em discussão: Saber se o candidato aprovado e classificado em concurso público por força de decisão judicial ainda não transitada em julgado titulariza direito líquido e certo à nomeação e posse provisória no cargo para o qual concorreu. 
PGR: Opinou pela denegação da segurança.

Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 1521
Procurador-Geral da República x Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul 
Relator: Ministro Ricardo Lewandowski
Ação contra os artigos 1º, 2º, 4º, 5º, 6º e alíneas “a” e “b”, do art. 7º, da Emenda Constitucional nº 12, de 13-12-1995, do Estado do Rio Grande do Sul, que trata da nomeação de servidores públicos para cargos de comissão e da extinção dos cargos ocupados por cônjuges ou companheiros e parentes, consaguíneos, afins ou por adoção, até o segundo grau. Afirma o requerente, em síntese, que os dispositivos impugnados estariam a vulnerar o princípio da harmonia e independência entre os Poderes da União e o preceito constitucional de reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo relativa a leis que disponham sobre cargos, funções e empregos públicos na administração.
A Assembleia defende a constitucionalidade dos dispositivos hostilizados. O STF deferiu em parte a cautelar, para suspender a eficácia do art. 4º e, no art. 6º, os vocábulos “4º e”, da Emenda Constitucional nº 12/95 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.
Em discussão: Saber se o dispositivo impugnado violou a iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.
PGR: Pela procedência em parte da ação direta, para que seja declarada a inconstitucionalidade do art. 20, § 5º, na redação dada pelo art. 1º, art. 4º, art. 5º, e no art. 6º, dos vocábulos “4º e”, todos da Emenda Constitucional nº 12/95, do Estado do Rio Grande do Sul.

Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3745
Procurador-geral da República x Assembleia Legislativa e Governador de Goiás
Relator: Ministro Dias Toffoli 
Ação direta de inconstitucionalidade, com pedido medida cautelar, contra o art. 1º da Lei nº 13.145/1997, do Estado de Goiás, que excluiu da proibição de nomeação, admissão e/ou a permanência de até dois parentes para cargos em comissão ou função gratificada, além do cônjuge do chefe do Poder Executivo. Alega o requerente, em síntese, a violação ao art. 37, caput, da Constituição Federal, na medida em que acabou por autorizar a prática do nepotismo, no âmbito do Estado de Goiás, garantindo-a, na razão de dois parentes, por autoridade nela mencionada. A Assembleia Legislativa encaminhou informações, nas quais defende a constitucionalidade do ato atacado. 
Em discussão: Saber se é constitucional a exclusão da nomeação de parentes criada pela norma estadual atacada. 
PGR: Pela procedência do pedido.

Mandado de Segurança (MS) 30823
Relatora: Ministra Cármen Lúcia 
João Vitório de Souza Netto x Presidente da República e União
Mandado de segurança contra ato omissivo do Presidente da República em regulamentar a Lei n. 11.355/2006, relativa à criação e estruturação das carreiras da Previdência, da Saúde e do Trabalho, 
com as alterações da Lei n. 11.907/2009, sobre as carreiras e cargos da Administração Pública Federal.
Em discussão: Saber se os impetrantes, servidores da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, nível médio, têm direito líquido e certo a perceberem a gratificação de qualificação por terem concluído o curso de bacharel em direito e verificar a alegada omissão do Presidente da República em regulamentar a Lei n. 11.355/2006, com as alterações da Lei n. 11.907/2009.
PGR: Pela denegação da ordem.

Mandado de Segurança (MS) 26607
Relator: Ministro Luiz Fux 
Vander Gontijo x Primeiro-Secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados
Mandado de segurança, com pedido de liminar, contra ato que indeferiu a contagem de "tempo de carreira em cargo de natureza não efetiva no período compreendido entre 23 de maio de 1995 a 16 de dezembro de 1998, para efeito de aposentadoria", assentando como fundamento a "absoluta invalidade e ilegalidade do parágrafo único do art. 2º da Orientação Normativa n. 3 de 2004, da Secretaria de Previdência social do Ministério da Previdência Social". Alega o impetrante que o ato atacado viola o disposto nos artigos 5º, caput, e 37, caput, da CF, na medida em que teria imposto "tratamento diferencial e discriminatório a servidor público federal da Câmara dos Deputados, pois todos os demais poderes e órgãos da União adotam o disposto na regulamentação do Ministério da Previdência Social". O ministro relator deferiu o pedido de liminar para suspender os efeitos do ato coator, "permitindo-se a contagem do período em que o impetrante ocupou o cargo em comissão como tempo na carreira, para fins de aposentadoria". 
Em discussão: saber se o impetrante tem direito líquido e certo de considerar o período em que ocupou cargo "de natureza não efetiva, para contagem de tempo de carreira, estritamente para efeito de preenchimento dos requisitos para sua aposentadoria."
PGR: pela denegação da segurança

DIREITO: STF - 2ª Turma anula julgamento de acusado da morte de Dorothy Stang

Por três votos a dois, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, nesta terça-feira (14), o julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, condenado pelo homicídio da missionária norte-americana Dorothy Stang, ocorrido em Anapu (PA), em 12 de fevereiro de 2005. Os ministros decidiram, porém, mantê-lo preso.
A decisão foi tomada na conclusão do julgamento do Habeas Corpus (HC) 108527, iniciado em 11 de dezembro do ano passado. Naquela oportunidade, o relator, ministro Gilmar Mendes, votou pela concessão parcial do HC, hoje confirmada, sendo acompanhado pelo voto do ministro Teori Zavascki. A ministra Cármen Lúcia abriu divergência, pronunciando-se pela denegação do pedido. Entretanto, um pedido de vista do ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a análise do processo.
Hoje, o julgamento do processo foi retomado com a apresentação do voto-vista do ministro Lewandowski. Ele acompanhou o voto do relator, no sentido de anular o julgamento realizado pelo Tribunal do Júri, mas mantendo a custódia cautelar de Vitalmiro Bastos. Na decisão pela anulação, prevaleceu – com o voto dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Teori Zavascki – o argumento de que o defensor público nomeado pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri de Belém não teve tempo suficiente para defender adequadamente o réu. Já o ministro Celso de Mello acompanhou o voto divergente da ministra Cármen Lúcia, votando pela denegação do HC. Eles entenderam que a nomeação do defensor público só aconteceu em virtude de manobras protelatórias da defesa.
O caso
Após ser condenado a 30 anos de reclusão, em julgamento realizado nos dias 14 e 15 de maio de 2007, “Bida”, como é mais conhecido, teve direito a novo júri pelo fato de a pena ter sido superior a 20 anos. Julgado novamente em 5 e 6 de maio de 2008, ele foi absolvido.
O Ministério Público e o assistente da acusação recorreram, alegando que a decisão foi contrária à prova dos autos. Em 2009, a 1ª Câmara Criminal Isolada do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA) anulou aquele julgamento. Em seguida, a defesa de Vitalmiro obteve liminar em HC impetrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para aguardar o julgamento em liberdade. Mas a Quinta Turma do STJ cassou a medida, determinando sua prisão.
Novo júri foi marcado para 31 de março de 2010. Naquela data, a defesa de Vitalmiro não compareceu e não justificou sua ausência. Diante disso, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém (PA) suspendeu o julgamento e o remarcou para o dia 12 de abril daquele mesmo ano, ao mesmo tempo nomeando um defensor público para atuar na defesa do réu. O julgamento ocorreu, e Vitalmiro foi novamente condenado à pena de reclusão de 30 anos.
Alegações e decisão
Seus advogados recorreram ao Superior Tribunal de Justiça – que denegou HC – a ao STF, sob o argumento de que houve cerceamento de defesa. Hoje, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski ressaltaram que, na data do júri, o próprio defensor público admitiu não ter tido condições para defender o réu de forma satisfatória, pois, nos 12 dias de prazo que lhe foram dados pelo juiz, só tivera tempo para estudar 4 de 26 volumes que constituíam o processo contra Vitalmiro. Por isso, decidiram pela anulação do júri.
O ministro Ricardo Lewandowski disse que, embora se tratasse de um processo complexo, o juiz do da 2ª Vara do Tribunal do Júri ignorou esse fato e remarcou o júri para 12 dias depois. Ele lembrou que o prazo mínimo para tais casos é de 10 dias, e o juiz praticamente não o estendeu. O ministro observou, em seu voto, que “a garantia da defesa é valor que deve prevalecer, porque é fundamental para o desenvolvimento de um processo justo”.
A defesa também pedia a expedição de alvará de soltura, sustentando o excesso de prazo na prisão preventiva, “principalmente se reconhecida a nulidade do julgamento pelo júri”. Em junho do ano passado, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, negou liminar e manteve a prisão por entender que tal decisão só poderia ser tomada no julgamento de mérito do processo. Hoje, o ministro Ricardo Lewandowski observou que, de acordo com a jurisprudência da Suprema Corte, esse argumento da defesa não procede, porquanto se trata de um processo complexo, e ela própria contribuiu para a dilação do prazo.

DIREITO: STJ - Fabricante de Coca-Cola terá de pagar multa de R$ 460 mil por redução de produto na embalagem

A Refrigerantes Minas Gerais Ltda., produtora de Coca-Cola, terá de pagar quase R$ 460 mil, em valores atualizados, por ter reduzido a quantidade de produto nas embalagens, de 600 ml para 500 ml. A multa, aplicada pelo Procon estadual, foi mantida pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
Para o órgão mineiro de defesa do consumidor, a empresa teria “maquiado” o produto, praticando “aumento disfarçado” de preços, ao reduzir as embalagens de Coca-Cola, Sprite, Fanta e Kuat sem informar adequadamente os consumidores. 
Para o ministro Humberto Martins, a informação foi prestada de forma insuficiente diante da força das marcas, o que causou dano aos consumidores. 
“Fala-se, aqui, de produtos altamente conhecidos – Coca-Cola, Fanta, Sprite e Kuat –, em relação aos quais o consumidor já desenvolveu o hábito de guiar-se mais pela marca e menos pelos detalhes do rótulo. Exatamente por isso, o fornecedor deveria ter zelado, preventivamente, para que a informação sobre a redução de volume fosse deveras ostensiva, clara e precisa, preservando, assim, a confiança do consumidor”, resumiu o relator. 
Destaque insuficiente 
A empresa alegou seguir norma do Ministério da Justiça, fazendo constar no rótulo a redução, em termos nominais e percentuais, além de ter também reduzido proporcionalmente o preço na fábrica. 
O argumento foi rejeitado tanto administrativamente quanto pelo Judiciário mineiro, que fixou ainda honorários advocatícios no valor de R$ 25 mil. 
Embalagem notória
Para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a redução do volume dos refrigerantes de 600 ml para 500 ml, sem qualquer mudança da embalagem já reconhecida há vários anos pelo consumidor, implicaria violação do direito do consumidor à informação clara, precisa e ostensiva. 
No STJ, o ministro Humberto Martins seguiu o entendimento mineiro. “A informação não só foi insuficiente para alertar o consumidor, como também foi mantido o antigo tamanho, a forma e o rótulo do recipiente, o que impossibilitou ou dificultou ao consumidor perceber a redução de volume do produto vendido há anos no mercado”, avaliou o relator. 
Meia informação 
“Não se pode afastar a índole enganosa da informação que seja parcialmente falsa ou omissa a ponto de induzir o consumidor a erro, uma vez que não é válida a meia informação ou a informação incompleta”, acrescentou o ministro. 
“De mais a mais, não é suficiente oferecer a informação. É preciso saber transmiti-la, porque mesmo a informação completa e verdadeira pode vir a apresentar deficiência na forma como é exteriorizada ou recebida pelo consumidor”, asseverou. 
Proteção da confiança 
O relator citou ainda doutrina de Karl Larenz para afirmar que “o ato de ‘suscitar confiança’ é ‘imputável’ quando quem a causa sabe ou deveria saber que o outro irá confiar”. 
No Brasil, a proteção da confiança estaria ligada à massificação e propagação do anonimato nas relações sociais, impulsionadas pelas novas técnicas de publicidade e venda. A informação seria parte dessa relação. 
“Informação e confiança entrelaçam-se”, afirmou o ministro. “O consumidor possui conhecimento escasso acerca dos produtos e serviços oferecidos no mercado de consumo. A informação desempenha, obviamente, função direta no surgimento e na manutenção da confiança por parte do consumidor”, completou Martins. 
Repasse de redução 
No STJ, a empresa sustentava também que não poderia ser responsabilizada, porque reduziu os preços proporcionalmente. Caberia aos distribuidores repassar a diminuição de custos, arcando com a responsabilidade caso não o fizessem. 
O ministro Humberto Martins divergiu da fabricante. Para o relator, a fabricante compõe a cadeia de geração do bem e é considerada também fornecedora do produto. 
Por isso, é solidária pelos danos sofridos pelo consumidor, assim como os demais participantes do ciclo de produção. Ou seja: mesmo que a falha tenha sido dos distribuidores, a fabricante ainda responde solidariamente pelo vício de quantidade do produto colocado à venda. 
A Turma manteve tanto a multa quanto os honorários, que chegaram a R$ 25 mil depois de serem aumentados pelo tribunal mineiro. A sentença havia fixado o valor em R$ 1 mil.

DIREITO: STJ - Pena por estupro e atentado violento ao pudor será recalculada com base em crime único

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu provimento ao recurso especial interposto por um homem condenado por estupro e atentado violento ao pudor no Rio de Janeiro, que pleiteava a revisão da pena imposta. 
O crime foi cometido antes da mudança legislativa que reuniu o estupro e o atentado violento ao pudor em um mesmo artigo do Código Penal, mas, em razão do princípio da retroatividade da lei mais benéfica, a pena será recalculada. 
Concurso material
Inicialmente, o réu – que obrigou a vítima a manter com ele sexo vaginal, anal e oral –havia sido condenado à pena de 16 anos e 11 meses de reclusão, porque a Justiça reconheceu o concurso material entre os crimes. No caso, as condutas foram apreciadas separadamente e as penas dos delitos foram somadas. 
O juiz entendeu que houve dois crimes de estupro (sexo vaginal) e quatro crimes de atentado violento ao pudor (atos libidinosos diversos), e reconheceu a continuidade delitiva em cada espécie de crime, mas não entre uma e outra. 
A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Ao julgar a apelação, a corte acolheu a tese de continuidade delitiva entre os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, o que resultou em revisão da pena, fixada em sete anos e sete meses de prisão, em regime fechado. 
Crime único 
Com base na Lei 12.015, sancionada em 2009, o condenado entrou com recurso no STJ para pedir nova revisão de pena. A desembargadora convocada Marilza Maynard, relatora, entendeu ser devida a qualificação dos delitos como crime único e o consequente recálculo da pena. 
Segundo ela, a jurisprudência do STJ rejeitava a continuidade delitiva entre estupro e atentado violento ao pudor, previstos, respectivamente, nos artigos 213 e 214 do Código Penal. Após a Lei 12.015, com a unificação das condutas no artigo 213, sob a mesma denominação de estupro, tornou-se “forçoso” o reconhecimento de crime único quando o sexo vaginal e outros atos libidinosos são cometidos no mesmo contexto e contra a mesma vítima. 
O entendimento da relatora, amparado em diversos precedentes do STJ, foi acompanhado de forma unânime pela Quinta Turma. Agora, caberá ao TJRJ realizar nova dosimetria da pena, aplicando retroativamente a nova legislação, podendo considerar nesse cálculo, quando da valoração das circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal, as condutas delitivas diversas da conjunção carnal, mas sem ultrapassar o total da pena anteriormente imposta.

DIREITO: STJ - Admitidas novas reclamações sobre conversão de salário para URV

O ministro Arnaldo Esteves Lima, da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), admitiu para julgamento mais duas reclamações em que é alegada divergência jurisprudencial sobre o prazo de prescrição em ações que reclamam restituição de diferenças salariais decorrentes da conversão de cruzeiro real para a Unidade Real de Valor (URV). 
As reclamações foram apresentadas por servidores públicos estaduais contra decisões do Colégio Recursal da 42ª Circunscrição Judiciária de Jaboticabal (SP), que considerou que o direito de ação prescreve em cinco anos, contados desde a primeira parcela recebida com erro. Como o tempo decorrido desde a primeira parcela até o ajuizamento das ações foi superior ao prazo quinquenal, os magistrados entenderam que os servidores perderam o direito de reclamar as diferenças. 
Nas reclamações dirigidas ao STJ, os servidores sustentam que o entendimento do colégio recursal conflita com a jurisprudência do STJ, segundo a qual não ocorre perda do direito de restituição do prejuízo causado por erro na conversão salarial, mas apenas a prescrição das parcelas vencidas há mais de cinco anos da propositura da ação. O tema é objeto da Súmula 85 do Tribunal. 
Por reconhecer o conflito com a jurisprudência, o ministro Arnaldo Esteves Lima admitiu o processamento das reclamações e determinou a suspensão das ações na origem, além de abrir prazo para a manifestação de interessados.

DIREITO: TRF1 - Não há previsão legal de pensão por morte além dos 21 anos de idade

Em votação unânime, a 2.ª Turma do TRF da 1.ª Região negou provimento a recurso da União Federal contra sentença que a condenou ao pagamento de pensão por morte temporária até os 21 anos completos de beneficiário. A sentença foi proferida em ação ajuizada pelo beneficiário, a fim de obter pensão pela morte de seu avô e indenização pelas verbas atrasadas desde a data do falecimento do instituidor até que o autor completasse 24 anos ou concluísse seu curso universitário.
O juízo de primeiro julgou parcialmente procedente o pedido, condenando a União a conceder pensão por morte temporária até os 21 anos completos do autor.
A União apelou a esta Corte, alegando que o pedido de pensão temporária contraria a Lei 9.717/98, que vedou expressamente o benefício. Sustentou, ainda, que, desde a edição da Lei 9.528/97 foi excluída do âmbito do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) a tutela previdenciária antes existente aos menores sob guarda.
Na mesma oportunidade, o requerente apresentou recurso adesivo alegando a inconstitucionalidade da Lei 9.528/97, por ofensa ao princípio da isonomia em relação aos dependentes e solicitando a possibilidade de extensão da pensão temporária dos 21 aos 24 anos enquanto o beneficiário for estudante, como cumprimento da garantia constitucional de acesso e incentivo à educação e de apoio ao jovem e ao adolescente. Assim, o apelante pediu que fosse assegurado recebimento da pensão até o julgamento final do processo ou até que o autor complete 24 anos.
O relator do processo na 2.ª Turma, juiz federal convocado Murilo Fernandes de Almeida, esclareceu que a questão não comporta discussões, tendo em vista que a lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte de servidor público é aquela vigente à época do óbito do instituidor, no caso a Lei 8.112/90. A norma citada dispõe que são beneficiários das pensões temporárias os menores sob guarda ou tutela do servidor até 21 anos de idade. “Do conjunto probatório dos autos constata-se que o autor faz jus à pensão por morte temporária, no termos da Lei 8.112/90. No entanto, em face da ausência de previsão legal, se mostra inviável a pretendida prorrogação do benefício previdenciário até que complete 24 anos ou conclua o estudo universitário”, votou o magistrado, baseando-se em precedentes dos tribunais regionais federais.
Assim, o relator negou provimento à apelação da União e ao recurso adesivo do autor, considerando que o apelante já possui idade superior a 21 anos, o magistrado também indeferiu seu pedido de antecipação de tutela para recebimento da pensão temporária.
Processo n.º 0006612-98.2011.4.01.3816/MG

terça-feira, 14 de maio de 2013

ECONOMIA: Bovespa opera em alta, e dólar sobe nesta terça

Do UOL, em São Paulo

A Bovespa operava no azul nesta terça-feira (14). Por volta das 16h25, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) ganhava 0,15%, aos 54.531,23 pontos.
A Bolsa refletia a oscilação das várias empresas que divulgaram seus resultados nesta terça. Acompanhe os principais balanços e ações das empresas pelo Direto da Bolsa.
O dólar comercial ganhava 0,37%, para R$ 2,017 na venda, acompanhando o movimento dos mercados internacionais.
O euro tinha leve alta de 0,1%, a R$ 2,609 na venda.
Bolsas internacionais
As ações europeias subiram para novo recorde de fechamento em cinco anos, auxiliadas por um conjunto de resultados corporativos acima do esperado e sinais de interesse de grandes investidores.
O índice das principais ações europeias FTSEurofirst 300 encerrou em alta de 0,45%, a 1.1236 pontos, recorde de fechamento que não era visto desde meados de 2008. 
O banco italiano Intesa Sanpaolo, a empresa alemã de correios Deutsche Post e o conglomerado industrial francês EADS estavam entre aqueles que tiveram os maiores ganhos, após relatarem lucros melhores que o esperado, ofuscando alguns dados operacionais cautelosos.
As ações asiáticas ficaram estáveis, interrompendo uma sequência de dois dias de quedas. Um inesperado aumento nas vendas varejistas nos Estados Unidos impulsionou o otimismo com a recuperação da maior economia do mundo.
Apesar disso, as ações chinesas caminharam para a pior perda diária em três semanas, puxando os mercados de Hong Kong para o vermelho, depois que a mídia oficial sugeriu que Pequim não deve afrouxar a política de estímulos apesar dos fracos dados econômicos de Abril.
As ações de Hong Kong caíram 0,26%, enquanto o mercado em Xangai recuou 1,11%. O índice Nikkei, do Japão fechou em queda de 0,16%. A Bolsa de Taiwan teve leve alta de 0,04%, enquanto Cingapura subiu 0,11%.
(Com Reuters)

COMENTÁRIO:Voo cego

Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Será que os partidos que em 2010 se dispuseram a dar a Dilma Rousseff o controle da situação no Congresso teriam se recusado a apoiar o governo se a presidente desde o começo tivesse estabelecido um claro compromisso programático com eles?
Por compromisso programático entenda-se compartilhamento real de poder em torno de um plano de ação da presidente para seus quatro anos de mandato.
Assim: de um lado se incorporam à administração os que contribuíram para sua eleição e, em contrapartida, eles se comprometem a ajudar o governo a pôr em prática as propostas que considera necessárias para fazer andar o País.
Admitamos a dinâmica da divisão de ministérios entre os partidos, aceitemos até que haja tantos cargos ditos de confiança para acomodar os aliados e não trabalhemos, para efeito deste raciocínio, com a situação ideal de uma máquina administrativa totalmente profissionalizada.
Mas um eixo, uma pauta de trabalho, deve haver. Na ausência de regras claras entre o Poder Executivo e sua base de sustentação no Legislativo acabam prevalecendo o caos, a mecânica da chantagem, o estica e puxa, o salve-se quem puder.
Tomemos o exemplo do governo Fernando Henrique Cardoso. O sustento "macro" era dado pelo PSDB e PFL, cuja aliança firmada na formação da chapa FH/Marco Maciel tinha como objetivo a aprovação de reformas indispensáveis ao País - que começava a experiência de funcionar tendo como alicerce uma moeda estável.
Não foram feitas todas as reformas necessárias, mas muito se avançou. Só a má-fé ou a total ignorância sobre os embates ocorridos em torno das mudanças constitucionais podem levar à conclusão de que o fisiologismo removeu sozinho tantos entulhos.
O projeto era chamado pela esquerda de "neoliberal". Sem entrar no mérito da superficialidade da adjetivação - inclusive porque o tempo se encarregou dessa tarefa - fato é que havia um plano de voo com o qual os principais parceiros estavam de acordo e, em torno dele, trabalhou-se no Congresso.
Ganhando e perdendo. A oposição se opondo e a situação nem sempre monolítica na concordância. Afinal, foram enormes e inúmeros os interesses contrariados. Não se chegou ao final das mudanças necessárias, mas chegou-se até onde deu.
Ao custo de conflitos, confrontos, negociações e recuos, em debates de conteúdo, mediante um roteiro previamente delineado. Exatamente o que falta ao governo da presidente Dilma Rousseff, cujo foco único é a vitória como resultado. Como e por meios de quais caminhos se chega lá são fatores ausentes na condução dos temas de interesse do Planalto.
Não há uma agenda que o governo proponha, diga com antecedência e clareza o que pretende e, a partir daí, se articule para enfrentar as divergências com capacidade de conciliar e, quando for preciso, arbitrar.
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que os interesses setoriais não devem prevalecer sobre o interesse nacional. Falava a propósito da medida provisória que institui novas normas para o funcionamento dos portos, mas poderia estar falando sobre qualquer outro assunto porque o conceito é óbvio.
Aplica-se aos portos, ao meio ambiente, aos tributos, às leis trabalhistas, ao sistema político-eleitoral, aos transportes, à saúde, à educação, a qualquer coisa que diga respeito à coletividade.
Faltou ao raciocínio da ministra a seguinte preliminar: cabe ao Executivo explicar muito bem explicado qual é o interesse nacional a ser atendido e saber como ultrapassar os obstáculos criados pelas contrariedades naturais - não necessariamente ilegítimas - representadas no Legislativo.

COMENTÁRIOS: Rédeas frouxas

Por Celso Ming - O Estado de S.Paulo

É cada vez mais provável que o governo federal desista de uma vez da austeridade das contas públicas a que se comprometeu.
Até agora, o governo vinha garantindo que observaria o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) da ordem de 3,1% do PIB (cerca de R$ 156 bilhões). Mas o secretário do Tesouro, Arno Augustin, já passou o recado de que o governo pretende gastar mais e, nessas condições, desistir, ao menos provisoriamente, desse superávit.
Já no ano passado, os tais 3,1% do PIB passaram por manobras contábeis esquisitas que, na prática, baixaram o superávit para 2,4% do PIB. Preocupado com a paradeira da economia, a decisão de sacrificar a austeridade parece irremediavelmente tomada.
Trata-se de grave erro, por duas razões. Primeira, porque o diagnóstico do governo está equivocado e o problema que procura resolver com mão mais solta deve se agravar. Segunda, porque a deterioração fiscal tira capacidade do governo de fazer políticas. Mas isso precisa de mais explicação.
O diagnóstico da área econômica é de que há falta de demanda por bens e serviços, que deve ser atacada com estímulos ao consumo. Essa percepção está errada, o consumo está forte. As vendas ao varejo avançam à velocidade de 7% ao ano, o mercado de trabalho aquecido assegura reajustes de salário acima de sua produtividade e o crédito cresce a 17% ao ano.
É a oferta que não acompanha a demanda - e não o contrário -, porque o sistema produtivo vai perdendo competitividade. O resultado é o aumento da inflação e das importações. Quer dizer, a elevação das despesas públicas não acaba com a distorção.
Esse ponto de vista equivocado é reforçado por um keynesianismo torto, que busca destravar o sistema produtivo por meio da gastança. Lá no governo, eles preferem chamar de políticas anticíclicas.
Quanto mais frouxas forem as rédeas do governo, menos espaço passa a ter para outras políticas. Não dá para baixar os juros, porque a inflação não deixa. Não dá para desvalorizar a moeda (aumentar as cotações do dólar) para conferir mais competitividade à indústria, também porque a inflação não deixa. E não dá para incrementar os investimentos do setor público porque a expansão das despesas correntes (gastos de custeio) não deixa sobras (poupança).
Em outras palavras, em vez de tirar flexibilidade de ação, a condução equilibrada das contas públicas aumenta a força e a capacidade de realização do governo. Essa não é a única vantagem. Contas públicas equilibradas e baixo nível de endividamento dão previsibilidade à economia e estimulam investimentos privados.
Não é por acaso que, apesar dos reiterados apelos, o governo Dilma não vem sendo capaz de liberar o chamado espírito animal do empresário brasileiro, que o levaria a desengavetar projetos de expansão e de contratação de mão de obra.
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