quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DIREITO: Exame de Ordem é constitucional, decide Supremo

Da CONJUR


Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quarta-feira (26/10), que o Exame de Ordem é constitucional. De acordo com os ministros, a exigência de aprovação na prova aplicada pela Ordem dos Advogados do Brasil para que o bacharel em Direito possa se tornar advogado e exercer a profissão não fere o direito ao livre exercício do trabalho previsto na Constituição Federal.
Segundo a decisão, o Exame de Ordem é um instrumento correto para aferir a qualificação profissional e tem o propósito de garantir condições mínimas para o exercício da advocacia, além de proteger a sociedade. "Justiça é bem de primeira necessidade. Enquanto o bom advogado contribui para realização da Justiça, o mau advogado traz embaraços para toda a sociedade", afirmou o relator do processo, ministro Marco Aurélio.
Sobraram críticas à proliferação dos cursos de Direito de baixa qualidade no país e ao fato de que grande parte das faculdades vende sonhos, mas entrega pesadelos, como disse Marco Aurélio. "O crescimento exponencial dos bacharéis revela patologia denominada bacharelismo, assentada na crença de que o diploma de Direito dará um atestado de pedigree social ao respectivo portador", sustentou o ministro.
O relator do recurso entendeu que a lei pode limitar o acesso às profissões e ao seu exercício quando os riscos da atuação profissional são suportados pela sociedade. Ou seja, se o exercício de determinada profissão pode provocar danos a outras pessoas além do indivíduo que a pratica, a lei pode exigir requisitos e impor condições para o seu exercício. É o caso da advocacia.
Em um
voto longo, o ministro Marco Aurélio rebateu todos os pontos atacados pelo bacharel em Direito João Antonio Volante, que recorreu ao STF contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julgou legítima a aplicação do Exame de Ordem pela OAB. O recurso foi infrutífero.
De acordo com o relator do recurso, o exercício de determinadas profissões ultrapassa os interesses do indivíduo que a exerce. Quando o risco da profissão é apenas do próprio profissional, como no caso dos mergulhadores, o Estado impõe reparação em dinheiro, com adicionais de insalubridade, por exemplo. Mas quando o risco pode determinar o destino de outras pessoas, como no caso dos médicos e dos engenheiros, cabe ao Estado limitar o acesso a essa profissão, impondo condições, desde que não sejam irrazoáveis ou inatingíveis.
As condições e qualificações servem para proteger a sociedade, disse Marco Aurélio. Segundo ele, é sob essa ótica que se deve enxergar a proteção constitucional à dignidade humana na discussão do Exame de Ordem. O argumento contrapõe a alegação do bacharel, de que a prova da OAB feria o direito fundamental ao trabalho. Logo, seria uma afronta à dignidade humana.
A alegação não surtiu efeito. "O perigo de dano decorrente da prática da advocacia sem conhecimento serve para justificar a restrição ao direito de exercício da profissão?", questionou Marco Aurélio. Ele mesmo respondeu: "A resposta é positiva."
Decisão unânime

Os outros oito ministros presentes no julgamento também decidiram que o Exame de Ordem vem ao encontro do que determina o inciso XIII do parágrafo 5º da Constituição: "É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer." Para os ministros, o Estatuto da Advocacia atende exatamente ao comando constitucional.
Ao votar depois de Marco Aurélio, o ministro Luiz Fux afirmou que o Exame de Ordem é uma condição para o exercício da advocacia pela qual se verifica se o indivíduo tem qualificação técnica mínima para exercer a profissão. E que não conhece forma melhor para verificar essas qualificações. Não admitir a verificação prévia da qualificação profissional é como admitir "o arrombamento da fechadura para só depois lhe colocar o cadeado".
Fux, no entanto, fez críticas aos critérios de transparência da OAB. Para ele, a OAB tem de abrir o Exame para a fiscalização externa. Hoje, a Ordem aplica a prova e faz a fiscalização. De qualquer maneira, o ministro destacou que o Exame é baseado em critérios impessoais.
Depois de Fux, Toffoli votou acompanhando o ministro Marco Aurélio sem comentários. O voto foi comemorado como uma lição de racionalidade do julgamento. A ministra Cármen Lúcia, em seguida, fez pequenas considerações e também decidiu pela constitucionalidade do Exame de Ordem.
O ministro Ricardo Lewandowski, em seu voto, também destacou a "higidez e transparência do Exame de Ordem" que, segundo ele, é fundado em critérios impessoais e objetivos e garante aos candidatos o direito ao contraditório. Ou seja, assegura o direito de recurso.
Ao votar também em favor do Exame de Ordem, o ministro Ayres Britto fez um paralelo com a exigência de concurso para juízes. "Quem tem por profissão interpretar e aplicar a ordem jurídica deve estar preparado para isso. O mesmo raciocínio se aplica ao Exame de Ordem", disse. Os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, completaram o julgamento que, por unanimidade, confirmou a constitucionalidade do Exame de Ordem.
Gilmar Mendes fez comentários com base em direito comparado e lembrou que em outros países também se sabe, de antemão, que o diploma é de bacharel em Direito e que para exercer a advocacia é necessário passar em testes de qualificação. Mas, como Luiz Fux, Mendes defendeu uma fiscalização maior para o Exame de Ordem. "É preciso que haja uma abertura para certo controle social do Exame para que ele cumpra sua função constitucional".
Para o ministro Celso de Mello, a exigência de Exame de Ordem é inerente ao processo de concretização das liberdades públicas. O decano do Supremo afirmou que a legitimidade da prova da OAB decorre, também, do fato de que direitos poderão ser frustrados se houver permissão para que "pessoas despojadas de qualificação e desprovidas de conhecimento técnico" exerçam a advocacia.
A sessão foi tranquila apesar do clima de animosidade entre bacharéis e dirigentes da Ordem. O presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante Junior, foi levemente hostilizado em alguns momentos. Em um deles, no intervalo da sessão, quando foi abordado por um bacharel que reclamou do termo "imperícia" usado em sua sustentação oral. Ophir manteve-se tranquilo.
Quando o placar já apontava a constitucionalidade do Exame de Ordem, um bacharel se levantou e bradou: "Eu sou advogado". Os seguranças, então, retiraram o bacharel e outras dez pessoas do plenário que fizeram menção de se manifestar. Uma mulher retirada passou mal e foi atendida pelo serviço médico do Supremo. Alguns bacharéis choraram. Ao final da sessão, a segurança do STF estava alerta para qualquer nova manifestação, mas os bacharéis em plenário já estavam resignados.
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, classificou como "uma vitória da cidadania brasileira" a decisão do STF, de que é constitucional o Exame de Ordem. "Além de a advocacia ter sido contemplada com o reconhecimento de que a qualidade do ensino é fundamental na defesa do Estado Democrático de Direito, a cidadania é quem sai vitoriosa com essa decisão unânime do STF. Isso porque ela é a grande destinatária dos serviços prestados pelos advogados", afirmou Ophir ao conceder entrevista após as seis horas de julgamento da matéria em plenário, que teve como relator o ministro Marco Aurélio de Mello.
Para Ophir a constatação a que os nove ministros chegaram é a de que, em razão da baixa qualidade do ensino jurídico no país, o Exame de Ordem é fundamental tanto para incentivar os bacharéis a estudar mais quanto para forçar as instituições de ensino a melhorarem a formação oferecida. Segundo Ophir, quem mais ganha com isso é a sociedade.
Questionado no que a decisão do STF mudará o Exame de Ordem, o presidente da OAB afirmou que nada muda. No entanto, a decisão faz crescer a responsabilidade da entidade no sentido de trabalhar para aperfeiçoar o Exame de Ordem. "Trabalharemos mais para que o exame seja cada vez mais justo, capaz de aferir as condições técnicas e a capacitação daqueles que desejam ingressar na advocacia", finalizou.

Rodrigo Haidar é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ECONOMIA: Bovespa tem recuperação moderada; dólar atinge R$ 1,76

Da FOLHA.COM




O mercado brasileiro de ações experimenta uma recuperação de tom moderado nesta quarta-feira, logo após a abertura das Bolsas americanas.
O índice Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, sobe 0,42%, aos 56.520 pontos. O giro financeiro é de R$ 2,19 bilhões.
O dólar comercial é negociado por R$ 1,766, em um acréscimo de 0,22% sobre o fechamento de ontem. A taxa de risco-país marca 225 pontos, número 2,59% abaixo da pontuação anterior.
As principais Bolsas europeias operam com perdas, a exemplo de Paris (queda de 0,14%) e Frankfurt (baixa de 0,85%).
Nos EUA, a Bolsa de Nova York tem alta de 0,28%.
Investidores e analistas aguardam o resultado da reunião de cúpula na União Europeia. Para especialistas, o cancelamento de ontem da reunião dos ministros das Finanças sugere que somente as 'linhas gerais' de um plano mais abrangente devem ser anunciadas hoje.
Os mercados aguardam as medidas anunciadas hoje façam frente ao risco de um calote na Grécia e a necessidade de recapitalização do sistema bancário europeu.
Entre as primeiras notícias do dia, o Departamento de Comércio dos EUA reportou um decréscimo de 0,8% no total de encomendas de bens duráveis em setembro, após uma contração de 0,1% já registrada em agosto. Economistas do setor financeiro já esperavam uma redução de pelo menos 0,7% para o período.
O mesmo órgão registrou um aumento de 5,7% nas vendas de residências novas em setembro, num total de 313 mil imóveis negociados (número anualizado). A cifra veio acima do que esperavam os analistas do mercado, que projetavam 302 mil para o período.
No front corporativo, o banco Bradesco informou um lucro líquido de R$ 2,815 bilhões no terceiro trimestre, com aumento de 11,4% na comparação com o contabilizado no mesmo período do ano passado. A mineradora Vale também anuncia hoje os seus resultados trimestrais, após o encerramento dos negócios.

EDUCAÇÃO: MEC admite que alunos tiveram acesso a 9 questões antes do Enem

Da FOLHA.COM

FELIPE LUCHETE, DE SÃO PAULO

O Ministério da Educação disse que o simulado de um colégio em Fortaleza (CE) apresentou nove questões idênticas às do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) duas semanas antes da realização da prova, aplicada neste fim de semana em todo o país.
Quatorze questões foram divulgadas em um perfil do Facebook na noite desta terça-feira (25). Segundo o MEC, uma questão é "similar" e quatro não são parecidas.
A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso. Dependendo da investigação, só os 630 estudantes do colégio Christus, que tem várias unidades na capital do Ceará, poderão ter de refazer o Enem em novembro.
O diretor do colégio, Davi Rocha, disse que ficou surpreso com a repercussão do caso. Ele disse que ainda apura o que ocorreu e que o simulado é realizado por uma rede de colaboradores.
O Ministério Público Federal no Ceará informou que pretende pedir o cancelamento da prova. Segundo o procurador Oscar Costa Filho, o MEC (Ministério da Educação) e o Inep (instituto responsável pelo Enem) serão notificados. Caso o pedido não seja aceito, tentará suspender o exame na Justiça.
HISTÓRICO
As provas do Enem registraram problemas nos dois últimos anos. Em 2010, a prova amarela teve questões embaralhadas, o que fez com que alguns estudantes marcassem as respostas no campo errado.
Já na edição do Enem de 2009, exemplares da prova foram roubados. A fraude adiou a realização do exame, que acabou marcado por abstenção recorde e erro no gabarito oficial. Quatro dos cinco envolvidos no vazamento foram condenados pela Justiça Federal.
Neste ano, cerca de 1.100 candidatos foram informados por telefone que o local da prova indicado no cartão de confirmação de inscrição estava errado.
Segundo o Inep, o problema atingiu apenas candidatos do Rio e consistiu na digitação errada do número do prédio. Os cartões indicaram o prédio da reitoria da Unirio, cerca de 200 metros de distância do prédio onde ocorreu a prova.

ECONOMIA: De olho na Europa, Bovespa abre em alta

Do ESTADÃO.COM.BR

E&N TEMPO REAL

Yolanda Fordelone

A reunião de cúpula da União Europeia é o grande destaque de hoje. De olho nas soluções que os líderes podem apresentar para a crise financeira da região, os mercados reagem positivamente, com boas perspectivas. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta de 0,60%, a 56.622 pontos.
“Creio que a reunião só tende a facilitar a crise, a apontar alguma solução”, diz o analista-chefe da Walpires Corretora, Leandro Martins. O mercado está atento a dois principais pontos.
1. Fundo de resgate: os países devem anunciar um aumento da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês). Notícias mais cedo indicavam que a
Alemanha quer uma ampliação para até € 1 trilhão.
2. Desconto de títulos da Grécia: ainda nesta quarta-feira os países devem propor um desconto sobre os títulos públicos da Grécia, concentrados principalmente em carteiras de bancos da região.
Não há um consenso sobre o valor, mas acredita-se que pode chegar a até 60%.
“A percepção é de que não vão deixar acontecer com os bancos o que houve com o Lehman Brothers em 2008″, diz. Na Europa, os mercados reagem bem diante das expectativas. Londres avança 0,61%, Paris, 1,16%, Frankfurt, 1,09%, e Madri, 0,71%.
Pela análise técnica, que traça a tendência do Ibovespa a partir da análise dos gráficos, a tendência também é de alta. Segundo cálculos de Martins, a Bolsa deve buscar os 58 mil pontos.

FRASE DO (PARA O) DIA

Os livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam o mundo.

Mário Quintana

GESTÃO: Câmara aprova criação de mais 1.853 cargos no Executivo

De O GLOBO.COM.BR

Cristiane Jungblut ( crisjung@bsb.oglobo.com.br)

BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, em caráter conclusivo, dois projetos de lei criando 1.853 novos cargos no âmbito do Poder Executivo, sendo 1.293 no Itamaraty e mais 560 na Advocacia Geral da União (AGU), sem contar a transformação de cargos já existentes. No caso do Ministério das Relações Exteriores, o governo pede a criação de 400 vagas de diplomatas e ainda 893 cargos de oficiais de chancelaria. As duas propostas foram enviadas em 2010, ainda na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi marcada pelo aumento de gastos com pessoal. O governo argumentou que, como os cargos não serão preenchidos imediatamente, não haveria impacto nos gastos. Mas a lei orçamentária de 2011 reservou R$ 17,1 milhões para o preenchimento dos cargos no Itamaraty e mais R$ 33,2 milhões para a AGU, totalizando uma verba disponível de R$ 50,3 milhões.
Mas essa verba que não será gasta, pois o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado para virar lei. Se não houver recurso, os projetos irão diretamente ao Senado, sem passar pelo Plenário da Câmara.
Os cargos de diplomatas começariam a ser preenchidos a partir desse ano (2011), na proposta original. Por ano, seriam preenchidos cerca de cem das 400 vagas criadas. Na defesa do projeto, o Planejamento informou que o quadro de diplomatas estava em 1.397 e que, com as alterações, pularia para 1.805: com a criação de 400 novos cargos por meio do projeto e ainda outros oito cargos que criados por meio de medida provisória.
Além disso, no caso do Itamaraty, há a geração de outros 172 cargos de oficiais de chancelaria, por meio de transformação de cargos já existentes e não de criação de novos cargos.
Na justificativa do projeto de lei, o governo sustentou que "o Brasil tem intensificado sua participação nos foros regionais e internacionais, bem como tem procurado promover e apoiar eventos multilaterais sobre temas que estão presentes na agenda global" e que é necessário "adequar a força de trabalho" a esse cenário.
Essa argumentação do aumento do papel do Brasil no cenário internacional foi reforçada pelo relator do projeto, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). No outro projeto, são criadas 560 vagas de advogados da União. Na ocasião da apresentação do projeto, o governo contabilizava 1.654 advogados da União, além de 160 outros advogados do quadro suplementar, totalizando 1.814.

ECONOMIA: Dólar ronda estabilidade, em manhã de cautela

De O GLOBO.COM.BR

Valor Online

SÃO PAULO - O dólar oscila em torno da estabilidade ante o real nesta manhã. Por volta das 9h45, o dólar comercial subia 0,05%, cotado a R$ 1,761 na compra e a R$ 1,763 na venda.
Na mínima, a moeda americana foi a R$ 1,761 e, na máxima, a R$ 1,767. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BMFBovespa recuava 0,28%, a R$ 1,764.
Os negócios são pautados pela cautela, enquanto os investidores aguardam notícias acerca da reunião entre líderes europeus, que têm conversado sobre uma solução para a crise das dívidas que assola a economia da zona do euro. A chanceler alemã Angela Merkel deve receber amplo apoio parlamentar para os planos de aumentar o poder do fundo de resgate europeu.
Ontem, o pregão foi de forte volatilidade. Após duas sessão de baixa, o dólar comercial fechou com apreciação de 0,57%, a R$ 1,760 na compra e R$ 1,762 na venda.
No mercado de câmbio externo, o Dollar Index, que mede o desempenho da moeda americana em relação a seis divisas, recuava 0,19%, aos 76,08 pontos.
Já o euro avançava 0,20%, cotado a US$ 1,393. O iene tinha um novo pregão de valorização e a moeda americana tinha queda de 0,29%, cotada a 75,850 ienes.
O fundo de resgate europeu, atualmente de 440 bilhões de euros, pode ser ampliado por meio da oferta de garantias contra possíveis perdas aos compradores de bônus governamentais e pela atração de capital de investidores privados e fundos soberanos.
Na Europa, as principais bolsas sobem, com destaque para o CAC-40, de Paris, que avançava 0,63%, aos 3.194 pontos, há pouco.
(Karin Sato Valor)

COMENTÁRIO: Mau conselho

Por DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


A presidente da República perdeu o timing da demissão de Orlando Silva. Deixou passar a oportunidade na sexta-feira e ficou a reboque da decisão da ministra Carmen Lúcia, que abriu inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar a participação do ministro nos desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo.
Na semana passada Dilma Rousseff ainda estava em condições de preservar um pouco da iniciativa de resolver uma questão de evidente quebra de confiança, mas preferiu não fazê-lo a fim de atender circunstâncias outras.
Ao que se sabe fiou-se nos (maus) conselheiros que a orientaram a resistir ao "clima de histeria" para evitar que PT e PC do B se engalfinhassem numa troca de denúncias sobre quem deixou correr mais solto o descontrole com as verbas do Ministério do Esporte: Orlando Silva ou o antecessor e hoje governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
Resultado, mais uma vez tornou-se refém dos fatos consumados: novas denúncias a cada dia, pedido de investigação feito pelo procurador-geral da República, solicitação aceita pela ministra Cármen Lúcia, inquérito aberto no STF e Orlando Silva fora do jogo. Esteja ele nesta altura demitido ou não.
Subtraído de autoridade - moral, política e administrativa - pelas circunstâncias que os conselheiros não levaram em conta e a presidente não soube ou não quis avaliar corretamente.
Se a intenção era resguardar a prerrogativa da presidente de decidir, deu-se o oposto: os acontecimentos decidirão por ela.

Outra má ideia foi aquela de determinar a Orlando Silva que se encarregasse de tirar de cena os fatos negativos substituindo-os por uma agenda positiva.
Isso no meio da confusão. O ministro foi à Câmara ontem para tentar mudar de assunto e discutir a Lei Geral da Copa como se ainda houvesse amanhã, mas de novo o tema foi o escândalo.
Não tinha alternativa: apanhou calado, recusando-se a responder a perguntas sobre as denúncias, "em respeito à comissão".
Embaraçoso, mas inevitável. Naquele momento o ministro falava na condição de investigado pelo Supremo. Nem ele tinha mais o que dizer nem a Câmara poderia desconhecer o fato do dia.
O governo pode até tentar estender a agonia, mas não poderá ignorar por muito tempo que a pasta do Esporte está vaga.
Adaptação. Assessores presidenciais vão aos poucos alterando a narrativa sobre as impressões de Dilma e Lula a respeito de Orlando Silva.

Na sexta-feira, segundo os relatos, ambos estariam seguros de que era preciso resistir ao "denuncismo sem provas".
Na segunda, já teriam trocado impressões preocupadas com o volume de denúncias, durante uma inauguração em Manaus.
Vai-se, assim, construindo a saída desonrosa de sempre.
É óbvio que duas pessoas experientes - uma, foi presidente por oito anos, outra seu braço direito e agora na Presidência - sabem bem reconhecer quando estão diante de uma situação de improbidades em série.
Se nunca viram o que está sendo mostrado, ou não olharam e foram desleixados, ou não quiseram ver e foram cúmplices.

Coisa em si. Consta que na reforma de janeiro a presidente Dilma pretende acabar com o conceito de "feudo" pelo qual um ministério é entregue a um partido para fazer dele o que bem entender.

Isso é dito com naturalidade, como se a existência do tal critério não fosse em si um escândalo e também uma distorção da delegação que a população dá ao governante para conduzir a elaboração e execução de políticas públicas por meio dos ministérios.

Inglês ver. Veja o leitor como o Congresso dança conforme a música que toca o Palácio do Planalto: há pouco mais de dois meses senadores lançaram a Frente Suprapartidária contra a Corrupção e a Impunidade, em apoio à dita "faxina" ética da presidente.

COMENTÁRIO: 'A união não faz mais a força'

Por GILLES LAPOUGE - O Estado de S.Paulo


Hoje, os europeus, chamados com urgência a Bruxelas, pretendem salvar o euro. E provavelmente conseguirão. Eles já se habituaram a tirar da beira do abismo esta triste moeda, e sabem bem como fazê-lo. São profissionais: palavras, promessas, imprecações, créditos, austeridade e lirismos pérfidos. O euro poderá sair do hospital.
Mas em que condições? Num carro pequeno, com tubos no nariz, nas veias e nos rins, um pulmão artificial e um coração transplantado.
E retomará seu curso, se podemos dizer assim, até a próxima síncope.
Na espera, remédios tentarão fazer o possível: curas de austeridade ferozes, abandonos dos créditos pelos bancos que emprestaram para os países enfermos (Grécia), aumento do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), o "corpo de bombeiros" acionado para apagar, na Grécia e em outros lugares, os incêndios da dívida.
A multidão de médicos em volta do euro faz suas avaliações, preconiza remédios. E esses remédios são tantos que é impossível enumerá-los, tanto mais que já são bem conhecidos. Mas o martírio do euro é antigo, tão grave e sistêmico que, ao lado dos políticos, homens de finanças, banqueiros e especialistas, desta vez vozes mais raras, a dos intelectuais e filósofos, se erguem, tentando ler a crise nos eventos da história, da civilização.
O polonês Zygmund Baumant não se consola em ver o "sonho europeu" se transformar num "pesadelo". Ele não dá à Europa um atestado de óbito, mas um "atestado de vida a crédito".
São os alemães, "mestres da filosofia desde o século 18", que discorrem mais brilhantemente sobre a crise. Peter Sloterdjik analisa o uso deletério, demoníaco, do crédito: "Entramos num período em que capacidade do crédito de abrir um futuro sólido está bloqueada, porque hoje tomamos crédito para pagar outros créditos. O "creditismo" entrou numa crise financeira.
O ensaísta alemão Hans Magnus Eizenberger escreve ironicamente que "a união não faz mais a força, mas a coerção e o absurdo. Basta olhar para o Tratado de Lisboa, essa pseudo Constituição que serve de base para a União Europeia; ela coloca o cidadão europeu diante de dificuldades insuperáveis de leitura. (Poderíamos dizer uma barragem de arame farpado.)
O euro foi concebido nos bastidores como uma abstração.
Mas foi o maior dos filósofos alemães, Jurgen Habermas, da Escola de Frankfurt, que investe com mais violência: "A Europa entrou numa era pós-democrática". Ele teme que Nicolas Sarkozy e Angela Merkel concluam uma espécie de pacto entre "o estatismo francês e o liberalismo econômico alemão, em detrimento da legitimidade democrática". De que maneira? Habermas responde: "Governos de diferentes Estados, e não os representantes dos cidadãos europeus, decidiriam no lugar destes últimos a alocação das verbas orçamentárias nacionais pelo Conselho da Europa. O risco de um curto-circuito da democracia é grande."
E ele troveja. "Os chefes de governo transformarão o projeto europeu no seu contrário: a maior comunidade supranacional democrática legalizada se tornará o órgão da dominação pós-democrática".

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

POLÍTICA: Orlando Silva participa de reunião no Palácio do Planalto para avaliar agravamento da crise no Esporte

De O GLOBO.COM.BR

Gerson Camarotti (gcamarotti@bsb.oglobo.com.br)

RIO - O ministro do Esporte, Orlando Silva, participa no início da manhã desta quarta-feira de uma reunião no Palácio do Planalto para discutir o agravamento de sua situação, com a abertura do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar os supostos desvios no Programa Segundo Tempo . Diante das dificuldades do ministro de manter uma agenda positiva, tendo se prejudicado ainda mais em audiência na Câmara para falar sobre a Lei Geral da Copa , a expectativa no Planalto é que possa haver um desfecho da crise política ainda nesta quarta-feira, com a eventual saída de Orlando.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, além dos líderes do partido na Câmara, Osmar Júnior, e no Senado, Inácio Arruda, participam da conversa.
Na manhã desta quarta-feira, o presidente do PCdoB teve uma longa conversa com Orlando, já para avaliar o cenário contra o ministro. Para o Planalto, agora
é o PCdoB quem deve conduzir saída de Orlando Silva .
Na terça-feira à noite, a bancada do PCdoB se reuniu na residência do deputado federal Aldo Rebelo (SP) e, nesta conversa, a avaliação foi de que o quadro se deteriorou rapidamente e começou a atingir a imagem do partido.

ECONOMIA: Bolsas na Europa têm cautela à espera do fim da cúpula

Do ESTADÃO.COM.BR

E&N TEMPO REAL

Yolanda Fordelone

As bolsas europeias operam de forma cautelosa nesta manhã, oscilando entre o território positivo e o negativo, enquanto os investidores aguardam os resultados da reunião de líderes da região hoje em Bruxelas, na Bélgica.
Espera-se que a cúpula resulte em decisões sobe a recapitalização dos bancos, sobre o poder de fogo da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e sobre o envolvimento do setor privado no resgate da Grécia. “No entanto, com o cancelamento da reunião de ministros de Finanças, nós esperamos receber apenas uma direção geral, com poucos detalhes”, comentou Wee Choon Teo, da Nomura.
É essa falta de detalhes que mantém os mercados em alerta e pode provocar decepção. “As últimas sugestões são de que poderá passar pelo menos alguns dias depois de um acordo na cúpula antes que os detalhes comecem a surgir”, afirmaram analistas do Morgan Stanley.
No noticiário corporativo, a gigante alemã de software SAP anunciou que seu lucro após impostos no terceiro trimestre subiu para 1,25 bilhão de euros, de 501 milhões de euros no mesmo período do ano passado, com ajuda de um ganho especial de 454 milhões de euros relacionado à redução das provisões para um litígio com a Oracle. A SAP também confirmou suas previsões para o ano.
A também alemã Merck, do setor químico e farmacêutico, reduziu sua projeção para receita no ano, mas surpreendeu os analistas com um aumento de 8% no lucro líquido do terceiro trimestre, para 226,6 milhões de euros. Os analistas esperavam 181 milhões de euros. A receita total cresceu 3,8%, para 2,53 bilhões de euros, também acima da estimativa de 2,45 bilhões de euros.
Na Holanda, a cervejaria Heineken divulgou alta de 0,6% nas vendas no terceiro trimestre, para 4,65 bilhões de euros, e lucro líquido de 525 milhões de euros, em linha com o lucro do mesmo período do ano passado.
Às 7h40 (de Brasília), Londres subia 0,06%, Paris avançava 0,02% e Frankfurt caía 0,01%, enquanto o euro tinha alta para US$ 1,3935, de US$ 1,3908 no fim da tarde de ontem. O iene ganhava força frente a outras moedas, o que alimenta especulações de que o governo do Japão vai agir em breve para conter a valorização da divisa. No mesmo horário, o dólar caía para 75,94 ienes, de 76,09 ienes ontem. As informações são da Dow Jones.
(Danielle Chaves, da Agência Estado)

DIREITO: STF - Ministra defere parte das diligências solicitadas no inquérito contra Orlando Silva

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu parte das diligências requeridas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no Inquérito (INQ) 3333, que investiga o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, pela suposta prática de crimes contra a administração pública, envolvendo desvio de recursos do programa Segundo Tempo.
Em seu despacho, a ministra determinou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que encaminhe ao Supremo, em até 48 horas, os autos do Inquérito 761, que tramita naquela Corte contra Agnelo. Determinou, ainda, que sejam enviados ofícios ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria-Geral da União, para que esses órgãos informem, em até 10 dias, se foram instaurados procedimentos relativos a eventuais desvios de recursos públicos do programa Segundo Tempo.
Por fim, determinou ao Ministério dos Esportes que envie ao Supremo, também em dez dias, cópia integral dos procedimentos relativos aos convênios com a Federação Brasiliense de Kung Fu, a Associação João Dias de Kung Fu, o Instituto Contato e a ONG Bola pra Frente/Pra Frente Brasil, no âmbito do Programa Segundo Tempo.
Cumpridas essas diligências, concluiu a ministra, o processo deve ser encaminhado à PGR, para que o órgão se pronuncie quanto aos demais pedidos apresentados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não deferidos pela ministra, que envolvem a oitiva de diversas testemunhas, além de Orlando Silva e Agnelo Queiroz.

DIREITO: STF - Mantida condenação de ex-procurador por crime de responsabilidade contra Prefeitura em SP

Em decisão unânime, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta terça-feira (25) pedido de Habeas Corpus (HC 108858) apresentado em favor do ex-procurador jurídico da Prefeitura de Águas de São Pedro, em São Paulo, Sérgio Luiz Fanelli de Lima. Como consequência, foi mantida a condenação dele a três anos de reclusão pelo crime de responsabilidade de desvio de rendas públicas em proveito próprio ou alheio (parágrafo 1 do artigo 1º do Decreto-lei 201/67).
A defesa do ex-procurador afirmou que a sentença condenatória deveria ser anulada por afronta ao princípio constitucional da individualização da pena porque Fanelli recebeu sentença idêntica à dada ao então prefeito da cidade e corréu no processo, Luiz Antônio de Mitry Filho. Segundo os advogados, as situações jurídicas de cada um dos acusados seriam diversas.
O relator do habeas corpus, ministro Ricardo Lewandowski, rejeitou a alegação. “As situações em que ambos se envolveram eram comuns e, portanto, a dosimetria (da pena), de forma acertada, penso eu, considerou os fatos de forma comum, sopesando a culpabilidade de ambos com base nas mesmas circunstâncias fáticas.” O ministro acrescentou que a jurisprudência do Supremo permite que se utilize a mesma situação fática para apreciar a culpa quando se trata de corréus.
Denúncia
Segundo a denúncia, o ex-prefeito e o ex-procurador jurídico dispensaram licitação na compra de um caminhão e simularam a aquisição desse mesmo veículo por meio de nota fiscal falsificada.
Originalmente, o ex-procurador jurídico e o ex-prefeito foram condenados a seis anos de reclusão, em regime inicial fechado, e multa pelo crime de peculato (artigo 312 do Código Penal). No Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-ST), a defesa conseguiu desclassificar o delito para crime de responsabilidade previsto no Decreto-lei 201/67. Com isso, a pena privativa de liberdade de ambos os acusados acabou reduzida para três anos de reclusão, a pena de multa foi cancelada e foi fixado o regime semiaberto para cumprimento inicial da sentença.
Trecho da decisão do juiz de primeira instância ressalta que o modo de operação do crime “denota maior culpabilidade, acima da média verificada nessa espécie de delito”. O juiz registrou que, para a prática criminosa, houve dispensa ilegal de licitação para a compra do caminhão e adulteração de notas fiscais. Ainda de acordo com a decisão do magistrado, os valores desviados giraram em torno de R$ 50 mil, soma elevada levando em conta o tamanho e a capacidade econômica do município, com menos de cinco mil habitantes.
Na segunda instância, também se considerou ter havido, no caso concreto, circunstância judicial desfavorável aos réus. O TJ-SP concordou com o magistrado de primeira instância que o modo de execução do crime foi extremamente lesivo ao bem jurídico tutelado, envolvendo falsificação de documentos e procedimento de dispensa de licitação forjado. O ministro Lewandowski acrescentou, ainda, que elementos do processo demonstram ter havido, também, ameaça a testemunhas.
“Portanto, os dois estavam em conluio e praticaram os mesmo atos, porque ambos contribuíram para a ilegal dispensa de licitação, para a falsificação das notas fiscais”, concluiu o ministro a negar o pedido de habeas corpus. Ele foi seguido pelos colegas da Segunda Turma.

DIREITO: STJ - Quarta Turma admite casamento entre pessoas do mesmo sexo

Em decisão inédita, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria, proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil. Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.
O julgamento estava interrompido devido ao pedido de vista do ministro Marco Buzzi. Na sessão desta terça-feira (25), o ministro acompanhou o voto do relator, que reconheceu a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil. Para o relator, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.
“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento”, concluiu Salomão.
Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.
Divergência
Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti já haviam votado com o relator na sessão do dia 20, quando o julgamento começou. O ministro Raul Araújo, que também acompanhou o relator na sessão da semana passada, retificou seu voto. Segundo ele, o caso envolve interpretação da Constituição Federal e, portanto, seria de competência do STF. Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável entre homem e mulher, da forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.
Raul Araújo defendeu – em apoio a proposta de Marco Buzzi – que o julgamento do recurso fosse transferido para a Segunda Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de direito privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal. Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a Segunda Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três a dois.
O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.

DIREITO: STJ - Proprietário que empresta veículo a terceiro responde por danos causados pelo seu uso culposo

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou a responsabilidade do pai de condutor do veículo causador de acidente que vitimou jovem de 19 anos, responsabilizando-o pelo pagamento de indenização por danos sofridos. O colegiado entendeu que o proprietário do veículo que o empresta a terceiro responde por danos causados pelo seu uso culposo.
No caso, os pais e o filho menor da vítima ajuizaram ação de reparação por danos materiais e compensação por danos morais, decorrentes do acidente que ocasionou a morte da jovem, contra o pai do condutor e proprietário do veículo envolvido no acidente fatal.
Na contestação, o réu (pai do condutor do veículo) alegou, preliminarmente, sua ilegitimidade passiva, uma vez não ser ele o condutor do veículo causador do acidente, mas apenas seu proprietário e, no mérito, ausência de provas da culpa do condutor pelo acidente; culpa exclusiva da vítima; que seu filho pegou o carro sem autorização, o que afastaria sua responsabilidade pelo acidente, e ausência de comprovação dos danos.
A sentença julgou improcedente a ação, “considerando a inexistência nos autos de prova da relação de preposição entre o proprietário do veículo e o seu condutor ou, ainda, omissão no dever de guarda e vigilância do automóvel”.
A família da vítima apelou e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) entendeu que o proprietário deve ser diligente quanto à guarda e controle do uso de seu veículo, e que a retirada do carro de sua residência, com ou sem sua autorização, implica imputação de culpa, devendo o dono responder pelos danos causados a terceiros, ainda que o veículo seja guiado por outra pessoa. Assim, fixou a condenação em danos morais em 50 salários mínimos para o filho da vítima e mais 50 salários mínimos a serem divididos entre os pais da vítima.
No STJ
As duas partes recorreram ao STJ. A defesa do réu alegou que “a responsabilidade civil do pai pelos atos danosos do filho somente se configura se este for menor”. A família da vítima afirmou que o TJMG deixou de analisar os pressupostos de fixação de indenização por danos materiais, consistentes na prestação de alimentos. Além disso, questionou o valor arbitrado a título de danos morais.
Em seu voto, a relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou que o TJMG, a partir da análise da prova dos autos, reconheceu a culpa do condutor do veículo pelo acidente e o nexo causal entre a morte da vítima e o acidente ocasionado pelo filho do réu, ao se utilizar do veículo de sua propriedade, não cabendo, em recurso especial, o reexame dessas provas, diante do impedimento da Súmula 7.
Quanto à reparação por danos materiais, a ministra Nancy Andrighi afirmou que, em se tratando de família de baixa renda, mesmo que tivesse ficado demonstrado que a vítima não exercia atividade remunerada, dependendo totalmente dos pais, como, de certa forma, deu a entender a decisão do TJMG, ainda assim é o caso de reconhecer o potencial da vítima em colaborar com a renda familiar e com o sustento de seus pais no futuro, quando esses não tivessem mais condições de se manter por si próprios.
Além disso, em relação ao filho da vítima, independentemente da prova de sua efetiva colaboração com o sustento da criança, não há como não reconhecer o prejuízo material que ela sofreu e vem sofrendo em decorrência da morte da mãe. Isso porque é patente a dependência econômica do descendente em relação ao ascendente e o dever deste de prover a subsistência daquele.
A ministra fixou o valor total da reparação pelos danos materiais nos seguintes critérios: aos pais, será correspondente a um terço da remuneração da vítima, desde a data do acidente, até a idade em que ela completaria 25 anos e, a partir de então, tal valor será reduzido pela metade até a idade em que ela completaria 65 anos de idade. Ao seu filho, será correspondente a dois terços da remuneração da vítima, desde a data do acidente, até que ele complete a idade de 25 anos.
Quanto ao valor do dano moral, a relatora aumentou para 300 salários mínimos, devidos a cada um dos autores, individualmente considerados.

DIREITO: STJ - Cabe à União indenizar policial atingido em serviço por bala perdida

Servidor do Exército brasileiro atingido por um projétil calibre 7,62mm, oriundo de um treinamento de tiros realizado por batalhão de infantaria, do Ministério do Exército em Feira de Santana/ BA, ajuizou ação contra a União requerendo indenização.
A sentença de 1.º grau condenou a União ao pagamento de indenização por danos morais e materiais para o policial militar.
A União apelou contra a sentença alegando haver dedução de um possível nexo de causalidade, mas não há prova nos autos de quem tenha efetuado o disparo, ou de onde partiram os disparos, não havendo prova de que os fatos ocorreram da forma como foi sentenciado. Afirma não ser cabível a existência de dano moral e clama pela ausência de sua responsabilidade.
A relatora, desembargadora federal Selene de Almeida, confirmou que foi plenamente comprovado que houve disparo de arma de fogo, com armamento de mesmo calibre no dia e hora em que o acusado foi atingido por uma bala, calibre 7,62mm, conforme se lê da conclusão do inquérito penal militar, instaurado por determinação do Comandante do 35.º Batalhão de Infantaria, de onde partiu o projétil.
Para a magistrada, a responsabilidade civil da administração pública é objetiva, na medida em que prescinde da demonstração de culpa ou dolo do ente estatal. Deve estar evidenciada a conduta da administração, o dano e o nexo de causalidade. Provados os três elementos, deve o Estado indenizar.
A desembargadora considerou que os danos morais indenizáveis devem assegurar a justa reparação do prejuízo sem proporcionar enriquecimento sem causa do policial. Além disso, em virtude da aposentadoria precoce do autor, em decorrência do tiro que lhe impossibilitou continuar nas atividades policiais, houve perda da Gratificação de Atividade Policial – GAP. Sendo assim, a União Federal deve ser condenada ao pagamento da indenização, desde o afastamento no serviço até a data em que completaria os requisitos para a aposentadoria integral.
ApReeNec – 2006.33.04.002172-3/BA

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIREITO: Justiça cassa prefeito e vice de Santo Estevão

Da TRIBUNA DA BAHIA.COM.BR


A juíza eleitoral Zandra Anunciação Alvares Parada, da comarca de Santo Estevão, deu parecer favorável à cassação do prefeito e do vice da cidade, Ailton Souza Filho e José Gonçalves Gomes, respectivamente, eleitos no último pleito de 2008.
A
ação foi impetrada por Elcior Piaggio, segundo colocado nas eleições, o qual alegou abuso de poder econômico e compra de voto, entre outros. Na mesma decisão, a juíza determinou a posse de Paggio ao cargo de prefeito da cidade, eliminando, assim, a necessidade de novas eleições na cidade.
Elcior Piaggio denunciou à Tribuna que o prefeito cassado Ailton Filho, ao tomar
conhecimento da decisão judicial, fechou a sede da prefeitura e retirou documentos e computadores. Segundo Piaggio, vários cidadãos testemunharam a arbitrariedade.
“Por coincidência, todos os vereadores ligados a Ailton fizeram viagens inesperadas, atitude que deixa claro tratar-se de que há uma tentativa de impossibilitar ou, pelo menos, dificultar a posse pela falta de quorum na sessão que deverá empossar o novo prefeito (o próprio)”, afirmou Piaggio.

ECONOMIA: Governador da Flórida defende fim da exigência de visto para brasileiros nos EUA

De O GLOBO.COM.BR
Tatiana Farah (tatiana.farah@sp.oglobo.com.br)

SÃO PAULO - Em missão de negócios no Brasil, o governador da Flórida Rick Scott afirmou que a exigência de vistos e a dificuldade de obtê-los é um grande impedimento para as viagens de turismo de brasileiros no seu estado.
Em entrevista coletiva na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Scott disse estar trabalhando para "eliminar rapidamente a exigência de visto".
Ele lembrou que o Brasil foi o maior emissor de turistas para a Flórida e que os brasileiros aumentaram seus gastos nos Estados Unidos em 60%.
- Essa exigência atrapalha a relação com o Brasil - disse Scott, contabilzando que vivem na Flórida 300 mil brasileiros e que há 15 mil pequenas empresas brasileiras movimentando U$ 16 bilhões anuais.

ECONOMIA: Após dois dias de forte alta, Ibovespa abre pregão no campo negativo

De O GLOBO.COM.BR

Valor Online


SÃO PAULO - Após dois dias de fortes ganhos que levaram o Ibovespa a encostar na linha dos 57 mil pontos, o mercado acionário brasileiro começa os negócios desta terça-feira em baixa.
Próximo das 11h15, o Ibovespa cedia 0,49%, para 56.611 pontos. Na Bolsa de Mercadorias Futuros (BMF), o índice com vencimento em dezembro perdia 0,42%, aos 57.160 pontos.
Entre os ativos de maior peso, Petrobras PN subia 0,15%, a R$ 19,81; Vale PN perdia 1,02%, a R$ 39,71; OGX Petróleo ON avançava 0,36%, a R$ 13,80; Itaú Unibanco PN tinha desvalorização de 0,72%, a R$ 32,70; e BMFBovespa ON se depreciava em 0,19%, a R$ 10,03.
Em Wall Street, os futuros do Dow Jones e do SP 500 também recuavam 0,14% e 0,18%, respectivamente.
Ontem, o Ibovespa teve valorização de 2,96%, aos 56.891 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,85 bilhões.
No mercado americano, as principais bolsas tiveram o terceiro pregão seguido positivo. O índice Dow Jones subiu 0,89%, aos 11.913,62 pontos, enquanto o SP 500 avançou 1,29%, aos 1.254,19 pontos. O Nasdaq teve a segunda alta, com valorização de 2,35%, aos 2.699,44 pontos.
O mercado segue em compasso de espera pelo novo encontro dos líderes da zona do euro. É esperado que amanhã seja anunciado um plano abrangente para colocar um ponto final à crise da dívida.
A reunião em Bruxelas vai servir para discutir novamente propostas para diminuir a dívida da Grécia, recapitalizar bancos europeus e ampliar o papel do fundo de resgate da região.
Há notícias de que as autoridades europeias defendem que os detentores de bônus gregos aceitem uma redução de 60% no valor desses papéis, mas os bancos sinalizaram com um corte de 40%. Também há informações de que o fundo europeu pode superar 1 trilhão de euros.
Como a Europa não deve trazer novidades concretas nesta jornada, as atenções sobre a safra de balanços corporativos internacionais aumentam, com destaque para os números trimestrais de bancos como Deutsche Bank e UBS.
Na agenda de indicadores ainda estão em pauta os índices americanos de confiança do consumidor e de preços de imóveis Standard Poor's/Case-Shiller. Além disso, a unidade de Richmond do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) publica um indicador de atividade manufatureira.
Petrobras
No Brasil, a Petrobras revelou que produziu, em média, 2,591 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia em setembro deste ano, um aumento de 1,41% em relação ao volume total extraído no mês anterior e de 2,43% na comparação anual.
O diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, negou hoje que a companhia esteja planejando solicitar ao governo uma nova redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina para compensar o caixa da companhia.
(Beatriz Cutait Valor)

ECONOMIA: Previdência tem déficit de R9,35 bi em setembro

De O GLOBO.COM.BR
Reuters/Brasil Online


BRASÍLIA (Reuters) - A Previdência Social registrou déficit de 9,350 bilhões de reais em setembro, informou o Ministério da Previdência Social nesta terça-feira.
O dado representa uma queda de 5,2 por cento frente ao déficit de 9,862 bilhões de reais registrado em setembro do ano passado, em dado corrigido pela inflação.
(Reportagem de Tiago Pariz)
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