quarta-feira, 20 de julho de 2011

DIREITO: STJ - Procuradora com lotação provisória deve ser mantida na cidade em que atua

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, negou pedido da União para suspender liminar que garantiu a uma procuradora federal a permanência no local em que estava lotada provisoriamente havia três anos. Em razão das peculiaridades do caso, por haver provas periciais dos problemas de saúde alegados pela procuradora, o ministro entendeu que não há possibilidade de efeito multiplicador da liminar e, portanto, de grave lesão à ordem administrativa.
A procuradora foi acometida de “instabilidade emocional, stress e transtorno de adaptação em razão do receio de ser removida para outra cidade e, consequentemente, ser separada de sua família, temendo viver sem apoio de seu marido e familiares, com dois filhos menores, sendo um deles ainda lactente”. Ela havia sido lotada em Maceió (AL) por força de decisão judicial.
Inicialmente, a procuradora ajuizou ação ordinária, com pedido de antecipação de tutela, contra a União, pedindo sua lotação definitiva, por motivo de saúde, na Procuradoria da União no Estado de Alagoas. Em primeira instância, o juiz concedeu a liminar para que ela passasse a exercer em Maceió suas atividades, até o julgamento do mérito.
Na decisão, o juiz citou laudo da junta médica oficial do TRT da 19ª Região, “segundo a qual, conclusivamente, pode-se afirmar que a futura mudança não pretendida pela servidora já teve repercussões em sua integridade e saúde mental que será substancialmente agravada caso a remoção seja concretizada”. Ele concluiu que seria preferível à administração a manutenção da procuradora em Maceió, já que continuará a prestar serviços, a ter uma servidora licenciada em outra localidade, “sem condições de saúde para exercer suas funções”.
Houve pedido de suspensão da liminar ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que foi negado. A união renovou o pedido ao STJ, afirmando que haveria “burla” ao concurso de remoção e aos critérios de lotação escolhidos pela administração, dentro de seu poder discricionário. De acordo com o pedido, a Procuradoria Regional da União da 1ª Região, órgão de lotação efetiva da procuradora, conta com quatro advogados públicos a menos do que a lotação ideal.
Na decisão, o ministro Pargendler advertiu que “a remoção de servidores, contra os interesses do órgão a que serve, pode causar grave lesão à ordem administrativa”. Para o ministro, no entanto, o caso não traz este risco, porque não há o chamado efeito multiplicador, tamanha a peculiaridade da circunstância: manutenção por motivo de saúde, constatado por prova pericial, de servidora já lotada provisoriamente há três anos naquele local. “É bem de ver, portanto, que estas circunstâncias só justificarão, em outro processo, decisão análoga, se motivos de saúde a recomendarem na forma prevista na lei”, disse ele.

DIREITO: TRF 1 - O direito de greve não pode ofender direito de terceiros

Trata-se de reexame obrigatório de sentença que determinou ao superintendente do Ministério da Agricultura no Pará que efetue fiscalização de bens destinados à importação, que não havia sido realizada em função de greve dos servidores públicos.
O juiz assim decidiu por entender que a ausência de fiscalização causaria grande prejuízo à empresa, que se dedica à venda de produtos agropecuários, incluindo exportação em grande maioria de bovinos, suínos e similares, que são produtos perecíveis.
O processo, de relatoria do desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, foi julgado na 6.ª Turma.
A Turma negou provimento ao reexame necessário, com apoio em entendimento expresso no julgamento do REOMS 2004.38.02.001157-0 (relator: desembargador federal Souza Prudente), onde se lê: “O exercício do direito de greve no serviço público, conquanto esteja assegurado constitucionalmente, não afasta o direito líquido e certo da impetrante, na espécie, de ver sua mercadoria submetida a exame e, se em condições regulares, exigir o certificado sanitário, para viabilizar a comercialização de seus produtos, mormente na hipótese dos autos, em que se trata de mercadoria perecível”.
A decisão encontra precedentes nesta corte, entre os quais o REOMS 2007.34.00.017169-0/DF (relator: desembargador federal Souza Prudente – 8.ª Turma, e-DJF1, de 06.05.2011) e AMS 2007.39.00.003622-7/PA (relator: juiz federal Carlos Augusto Pires Brandão – convocado – 6.ª Turma, e-DJF1, de 31.08.2009).
REENEC 2007.39.00.005319-6/PA

terça-feira, 19 de julho de 2011

COMENTÁRIO: Sem solução

Por Merval Pereira, O Globo

Está ficando claro que a tentativa da presidente Dilma de resolver o caso do Ministério dos Transportes "por dentro", sem romper com o PR, mantendo um ministro, Paulo Sérgio Passos, que faz parte do esquema do partido desde 2004 mas se transformou em seu homem de confiança, não vai dar certo.
O ministério está todo corroído, a cada dia surgem novas denúncias, inclusive envolvendo o próprio ministro atual, numa briga de grupos dentro da estrutura funcional que se assemelha a brigas de gangues por um mercado de falcatruas.
Se a presidente Dilma estivesse mesmo disposta a fazer o que seria uma "limpeza" do setor, teria de fazer uma ação vigorosa, nomeando um interventor com plenos poderes para acabar com a influência do Partido da República.
Só começando tudo de novo haveria condições de sanear esse setor de transportes que, há oito anos nas mãos do PR, se transformou em um antro de ladroagem e incompetência.
Mas os sinais não vão nessa direção, pois no próprio Palácio do Planalto há uma disputa política, com o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, atuando a favor da manutenção de Luiz Antonio Pagot à frente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), defendendo a posição política de Lula, que tem interesse em preservar o PR.
A questão ética mais uma vez perde para a questão política. Mesmo que seja verdadeira a vontade da presidente de livrar-se dessa "herança maldita", ela não tem condições políticas de fazê-lo declaradamente.
Por isso, sua atitude errática. Negar que tenha recebido uma "herança maldita" até é compreensível para a manutenção da relação direta com o ex-presidente Lula, mas anunciar que quer fazer uma limpeza no setor e, ao contrário, deixar que o mesmo partido continue à frente do ministério é demonstração de fraqueza política.
Para não restarem dúvidas sobre seu comprometimento, a presidente Dilma disse em recente encontro que o PR mora em seu coração.
A frase é tão exagerada quanto uma de Lula, que, depois de ter sido obrigado a ouvir um recital do então deputado Roberto Jefferson na casa do próprio, disse que tinha tanta confiança no presidente do PTB que seria capaz de dar-lhe "um cheque em branco".
Dias depois, estourou a bomba do mensalão, com uma entrevista do mesmo Roberto Jefferson abrindo toda a sordidez que rolava por baixo dos panos na base aliada do lulismo.
Sempre que um presidente é obrigado a fazer esse tipo de malabarismo, com frases de efeito comprometedoras, é porque o grau de risco que seu governo corre se abandonar aquele aliado político é muito grande.
Ninguém consegue dizer no governo, por exemplo, se Luiz Antonio Pagot está ou não demitido do Dnit. Sabe-se, por informações indiretas, que a presidente Dilma está resolvida a demiti-lo, mas mesmo assim a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, não tem certeza para garantir nada: "Tudo indica que sim, até pelas reiteradas vezes em que ela tem se comportado dessa forma" é o máximo que consegue dizer, jogando a batata quente para a presidente Dilma.
Por enquanto, Pagot está de férias e, tecnicamente, não pode ser demitido, o que não impediria que sua demissão, logo na volta das férias, fosse anunciada.
O que o governo procura é ganhar tempo para negociar o silêncio de Pagot, que já foi comparado a um "homem-bomba" pelas informações que teria acumulado sobre as atividades ilegais do Dnit e o dinheiro desviado, também, para as campanhas eleitorais do PT, inclusive, dizem, para a presidencial que levou Dilma ao Palácio do Planalto.
O caso mais emblemático do estado de desorganização funcional que impera no Ministério dos Transportes, especialmente no Dnit, é o de Frederico Augusto de Oliveira Dias, o Fred, "assessor do diretor-geral" desde 2008. Ele na verdade é o "representante legal" da eminência parda do ministério e do PR, o deputado-mensaleiro Valdemar Costa Neto.
Com sala própria e direito a fazer parte de comitivas oficiais — acompanhou Paulo Sérgio Passos, quando este era ministro interino, em uma viagem à Bahia —, Fred negociava com prefeitos e vereadores, e encaminhava suas reivindicações aos órgãos competentes.
Quando a presidente Dilma, como sempre alertada por denúncias da chamada grande imprensa, decidiu demiti-lo, descobriu que não poderia fazê-lo porque ele simplesmente nunca havia sido nomeado.
A presidente, para cumprir seu desejo, precisaria seguir o exemplo de famoso patriarca de um império jornalístico. Reza a lenda que, no auge do prestígio do seu grupo, subiu no elevador do prédio recém-construído, projeto de renomado arquiteto, e não gostou de ver um homem que comia um sanduíche de mortadela sujando-o com as migalhas do pão.
Irritado, chamou a atenção do "funcionário", que não ligou para a admoestação, no que foi sumariamente demitido pelo "patrão".
Acontece que o sujeito era um visitante, não um empregado do grupo. Decepcionado com a ineficácia de seu gesto, o patriarca não pestanejou: deu ordens para que o porcalhão fosse contratado, para que pudesse demiti-lo em seguida.

CONCURSOS: Calendário com 15 concursos prevê a abertura de 24.537 vagas, além de cadastro de reserva

De O Globo

RIO - Órgãos como Petrobras e a Empresa Brasil de Comunicação continuam com as inscrições abertas para seus concursos. Já o prazo para participar da seleção da Infraero termina hoje. A grande novidade é o edital divulgado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, que abre nada menos que 21.377 vagas para diversos cargos como professor e assistente técnico, entre outros. Confira abaixo os detalhes dos processos de seleção destes e de outros órgãos públicos e empresas e o perfil das oportunidades. São 15 concursos, com 24.537 vagas, além de cadastro de reserva:
- Petrobras - A empresa vai preencher 590 vagas, sendo 442 para cargos de nível médio (24 cargos), como técnico de contabilidade, técnico de segurança e técnico de manutenção, e 148 para cargos de nível superior, entre eles de advogado, analista ambiental, analista de sistemas, arquiteto, assistente social, contador, dentista, engenheiro (petróleo, produção, naval, entre outros), estatístico, geofísico, geólogo, nutricionista e químico de petróleo. As inscrições estarão abertas até o dia 31 deste mês, no
site da Fundação Cesgranrio , enquanto que as provas objetivas serão realizadas no dia 28 de agosto, com taxas de R$ 30 e R$ 45. A remuneração mínima inicial varia entre R$ 1.801,37 e R$ 2.615,86, para cargos de nível médio, e entre R$ 5.770,31 e R$ 6.217,19, para cargos de nível superior.
- Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - O órgão recebe inscrições para seu concurso público com 537 vagas de todos os níveis de escolaridade. A remuneração varia de R$ 1.698 a R$ 5.803. Os cargos de nível médio são de técnico de operações de empresa de comunicação pública, técnico de produção e manutenção de empresa de comunicação pública e técnico de área de administração de empresa de comunicação pública. Já os cargos de nível superior são de analista de empresa de comunicação pública, jornalista e gestor de atividade jornalística de empresa de comunicação pública. As inscrições vão até o dia 7 de agosto, via internet, através dos sites:


As taxas são de R$ 62 para nível superior e de R$ 37 para nível médio.
- Infraero - A empresa vai formar cadastro de reserva em cargos de níveis técnico e superior. As inscrições terminam hoje. Os postos são de profissional de engenharia e manutenção (desenhista projetista, topógrafo e técnicos em edificações, eletrônica, eletrotécnica, estradas e mecânica), de serviços técnicos, de navegação aérea e de tráfego aéreo, todos de nível médio, e de analista superior, para o qual podem concorrer graduados em TI, comunicação social, advocacia, economia, administração, arquitetura e engenharia, entre outros cursos. Os salários vão de R$ 1.924,86 a R$ 4.839,19. Inscrições até hoje, com taxas de R$ 59 e de R$ 75, no site
da Fundação Carlos Chagas , organizadora do concurso.
- TRF 1ª Região - O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com jurisdição nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins, abriu concurso para 29 vagas de juiz federal substituto. O salário é de R$ 21.766,16. O candidato deve ser bacharel em direito há pelo menos três anos e ter, na ocasião da inscrição definitiva, três anos de atividade jurídica, exercida após a obtenção do grau de bacharel em direito. A inscrição preliminar deve ser feita pelo
site do Cespe/UnB , até o dia 31. O valor da taxa de inscrição é R$ 160. A seleção será composta por prova objetiva seletiva, duas provas escritas (prova escrita discursiva correspondente a uma dissertação e duas questões, ou a quatro questões, e uma prova escrita correspondente à lavratura de duas sentenças, em dias sucessivos, uma de natureza cível e uma de natureza penal), inscrição definitiva, sindicância da vida pregressa e investigação social, exame de sanidade física e mental, exame psicotécnico, prova oral e avaliação de títulos. A prova objetiva seletiva será realizada em 16 de outubro.
- Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - A UFRRJ, localizada no município de Seropédica, está com inscrições abertas para o processo seletivo que visa a preencher quatro vagas de professor: adjunto de agronomia/fitotecnia; assistente de ciências humanas e sociais/artes; assistente de tecnologia/engenharia e assistente de tecnologia/arquitetura e urbanismo. O salário varia entre R$ 4.442,60 e R$ 6.722,85, de acordo com a categoria. As inscrições podem ser feitas até até o dia 29, no
site da instituição , com taxas de R$ 110 (assistente) e R$ 169 (adjunto). Os pedidos de isenção da taxa devem ser feitos a partir desta segunda, dia 11, até 15 de julho.
- Polícia Civil - RJ - A Polícia Civil do Estado do Rio publicou edital para contratação de quatro profissionais para atuarem como piloto policial da corporação. Para se candidatar ao posto é preciso ter concluído o ensino médio, não possuir antecedentes criminais, não ter títulos protestados em cartórios e possuir certificado de habilitação técnica para aeronave tipo H-350. A remuneração mensal é no valor de R$ 4.342,98. O período de inscrições começa na próxima quarta-feira e vai até 2 de agosto. A taxa de participação custa R$ 100. Para se candidatar, o interessado deverá acessar o
site da FGV , preencher a ficha cadastral, imprimir a taxa e pagá-la em qualquer agência bancária.
- Secretaria Municipal de Fazenda - RJ - O órgão abriu as inscrições do concurso público para 22 vagas para analista de planejamento e orçamento, que exige nível superior em qualquer área de formação. O salário é de R$ 1.057,89. As inscrições vão até o dia 25,
via internet . A taxa é de R$ 60.
- Polícia Civil - SP - A Polícia Civil de São Paulo publicou edital do concurso para agente de telecomunicações da corporação. São 220 oportunidades. A carreira abrange atividades de comunicação interna, seja via telefone ou rádio, pesquisas de dados e atendimento ao público. A remuneração é de R$ 2.682,38. As inscrições ficam abertas até amanhã, exclusivamente pela internet, por meio do
site da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A taxa de participação é de R$ 38,39 - a isenção do pagamento será concedida aos candidatos estudantes que recebem menos de dois salários mínimos mensais ou estão desempregados.
- Prefeitura de Santos - SP - O governo municipal de Santos abriu 914 vagas para diversos setores da administração. No nível superior, algumas opções são analista de sistemas, arquiteto, contador, economista e farmacêutico. Os salários variam entre R$ 1.095,29 e R$ 5.107,79, incluindo os benefícios. As inscrições poderão ser feitas até o dia 28, somente via internet, por este
site . A taxa de inscrição varia entre R$ 40 e R$ 75, de acordo com o nível de escolaridade exigido para o cargo pretendido.
- Banco de Brasília - O Banco de Brasília (BRB) lançou concurso público para o preenchimento de 100 vagas de escriturário e 10 de analista de tecnologia da informação. Para os candidatos portadores de deficiência são reservadas 20 vagas de escriturário e duas de analista. O processo de seleção também formará cadastro de reserva para os cargos de advogado, assistente social, engenheiro de segurança do trabalho, médico do trabalho, psicólogo, auxiliar de enfermagem e técnico de segurança no trabalho. A remuneração varia de R$ 1.680 a R$ 8.013,60. O período de inscrições vai até 5 de agosto no site
do Cespe/UnB . As taxas de inscrição variam de acordo com o cargo pretendido, entre R$ 40 e R$ 110.
- Secretaria de Estado de Educação - MG - O governo estadual de Minas Gerais lançou edital para realização de concurso público voltado ao preenchimento de 21.377 vagas na área de educação. Os aprovados irão atuar na sede da Secretaria de Estado de Educação (SEE) e nas diversas superintendências regionais de ensino e escolas estaduais de municípios mineiros. As carreiras oferecidas são de professor de educação básica, analista educacional, especialista em educação básica, assistente técnico educacional e assistente técnico de educação básica. Os salários iniciais vão de R$ 911,90 a R$ 3.300 para jornadas de trabalho de oito a 40 horas semanais, de acordo com o cargo. As inscrições deverão ser feitas via internet, através do
site da Fundação Carlos Chagas. O prazo se inicia às 10h do dia 20 de setembroe segue até as 14h de 19 de outubro. As taxas são de R$ 37,41 para os cargos de assistente técnico, e R$ 47,41 aos demais.
- Ministério Público - MG - O Ministério Público de Minas Gerais abriu concurso para 65 vagas de promotor de Justiça substituto. É reservado o percentual de 10% dos cargos para pessoas com deficiência. O salário-base é de R$ 20.600. As inscrições deverão ser feitas até o dia 20
no site do MP-MG. O valor da taxa é de R$ 206. O candidato deve ter concluído curso de bacharelado em direito há, no mínimo, três anos, até a data da inscrição definitiva e possuir o mesmo tempo de prática de atividade jurídica.
- Prefeitura de Ouro Preto (MG) - Foi aberto concurso para 239 vagas imediatas e formação de cadastro de reserva de todos os níveis de escolaridade, desde nível fundamental incompleto até superior. Os salários vão de R$ 666,23 a R$ 7.583,10. Os cargos de nível fundamental são de operador de máquinas pesadas e leves, motorista, agente comunitário de saúde, agente de endemias, atendente de consultório dentário, auxiliar cuidador/educador, teledigifonista, auxiliar de farmácia e agente administrativo. Os cargos de nível médio são de almoxarife, analista fiscal de receita municipal, cuidador/educador, fiscal de obras de patrimônio e posturas, guarda municipal, fiscal sanitário e ambiental, cuidador de criança, secretário de escola, cadastrador da receita municipal, desenhista (cadista), técnico agrícola, técnico em análises clínicas, técnico em contabilidade, técnico em edificações, técnico em informática, técnico em meio ambiente, técnico em radiologia, técnico em segurança do trabalho, técnico em turismo, técnico em enfermagem, técnico em prótese dentária e técnico em higiene dentária. Os cargos de nível superior são de analista de sistema, administrador, arquiteto, arquivista, assistente social, bibliotecário, contador, cuidador de idosos, engenheiro agrimensor, agrônomo, civil, eletricista, florestal, geólogo, de segurança do trabalho e de tecnologia da informação, instrutor de educação física, farmacêutico/bioquímico, fisioterapeuta, auditor fiscal de receita municipal, fonoaudiólogo, historiador, jornalista, médico veterinário, nutricionista, procurador municipal, psicólogo, museólogo, terapeuta ocupacional, turismólogo, enfermeiro, médico de várias especialidades, odontólogo, pedagogo e professor de várias matérias. As inscrições podem ser feitas até o dia 27 pelo site da
Fundação Conesul de Desenvolvimento . Os candidatos que não possuem acesso a internet poderão realizar as inscrições no posto de atendimento na Câmara Municipal, na Praça Tiradentes, 41, Centro, Ouro Preto (MG), de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h. As taxas de inscrição variam de R$ 30 a R$ 70. As provas objetivas para todos os cargos serão aplicadas nos dias 24 e 25 de setembro, nos turnos da manhã e da tarde, dependendo da função.
- Prodemge - A Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais abriu seleção para o preenchimento de 297 vagas de nível superior. Os cargos oferecidos são de analista/tecnologia da informação e comunicação e analista/gestão administrativa. Os salários são de R$ 2.724,28. Os candidatos devem ter curso superior em qualquer área de atuação. O prazo de inscrições será encerrado no dia 26 somente pelo site da
Fundação Mariana Resende Costa . A taxa de inscrição é de R$ 60.
- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Alagoas - O órgão abriu as inscrições do concurso público para 129 vagas de todos os níveis de escolaridade. A remuneração varia de R$ 1.473,58 a R$ 2.989,33. Os cargos de nível fundamental são de auxiliar em administração, auxiliar de biblioteca e assistente de laboratório. Os cargos de nível médio são de assistente em administração, técnico em agropecuária, técnico em edificações, técnico em eletrotécnica, técnico em contabilidade e assistente de alunos. Já os cargos de nível superior são de administrador, analista de tecnologia da informação, arquiteto e urbanista, arquivista, assistente social, bibliotecário-documentalista, contador, engenheiro civil, engenheiro de segurança do trabalho, jornalista, médico e psicólogo. As inscrições terminam dia 26 via internet, através do
site da Copeve . As taxas de inscrição vão de R$ 35 a R$ 60. As provas objetivas serão realizadas dia 4 de setembro.

COMENTÁRIO: Mil e uma utilidades

Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Em projetos bem delineados de poder não há coincidência nem acaso. Descontados eventuais erros de cálculo, predomina a estratégia. Cada passo é pesado e medido de acordo com o objetivo pretendido.
Quando surgiu em meio ao episódio Antonio Palocci combinando atritos em toda a base por causa da desatenção da presidente Dilma Rousseff em relação ao Congresso, o ex-presidente Lula mais atrapalhou que ajudou.
A despeito das pesquisas de opinião mostrando que a maioria vê com bons olhos atos do antecessor que venham a compensar deficiências da sucessora, naquele momento não estava em jogo esse tipo de avaliação.
Mais importante era a percepção do mundo político, e a parcela mais bem informada da população permanentemente engajada no acompanhamento do desempenho governamental.
Para esse setor o resultado foi o oposto do pretendido, pois contribuiu para a fragilização da imagem da presidente como responsável pela condução do barco.
Refeito o cálculo, Lula recolheu-se e ficou na retaguarda.
Semana passada, em meio ao pesado charivari político-policial no Ministério dos Transportes, Lula reapareceu. Mas o fez em nova roupagem.
Já não mais se apresentou como o interlocutor dos partidos da base governista, no que foi criticado por, na prática, usurpar o poder de Dilma.
Ressurgiu em seu mais competente personagem: o de líder de massas, animador e exímio criador de cenários paralelos capazes de dividir, quando não desviar, as atenções do que requer foco e seriedade.
Enquanto em Brasília a presidente se via às voltas com a recalcitrante crise no PR, com atitudes ora elogiáveis, ora condenáveis, ora incompreensíveis, Lula atraía para si boa parte do noticiário com shows onde o sucesso é garantido: congressos da União Nacional dos Estudantes e da União Geral dos Trabalhadores, no Rio e em São Paulo.
Não fez nada de extraordinário. Apenas repetiu o que costumava fazer quando presidente. Na UNE redesenhou um conflito com a imprensa, a fim de levantar o estandarte do inimigo a ser combatido (qualquer um, menos o governo).
Na UGT levou ao delírio o auditório atacando as elites que "não se conformam" que o trabalhador possa comprar carro, eletrodomésticos e andar de avião.
Sem dizer quem é contra a inclusão de brasileiros no mercado de bens e serviços nem esclarecer que o estímulo desenfreado ao consumo sem planejamento e investimento em estrutura para sustentá-lo, produz desconforto urbano e serviços de baixa qualidade. Para todos.
Lula não pode ser criticado por continuar a atuar politicamente depois de deixar a Presidência, embora não confira o mesmo direito a outros que, para ele, devem se recolher ao ostracismo como sinal de boa vivência na condição de ex-presidente.
Mas os movimentos de Lula podem e devem ser analisados à luz de suas intenções. A maioria interpretou que ele está em campanha. Parece pouco: ele nunca deixou de fazer campanha, dado que sua lógica é sempre eleitoral.
Disseram também que já abriu a temporada de caça de votos para 2014. Parece precipitado: tanto que quando Dilma ou Lula fazem referência à hipótese de a presidente concorrer à reeleição as análises sobre a certeza da volta em 2014 imediatamente adotam o pressuposto contrário e não param mais em pé.
A eleição presidencial será definida mais à frente. O que se tem agora é um governo representativo de uma etapa a ser cumprida em nome do projeto de poder referido lá no início.
É a essa etapa que Lula se dedica agora. Tocando esse projeto no papel que desempenha melhor: o de ilusionista. Enquanto o governo se debate com dificuldades reais, Lula rodopia País afora criando uma realidade paralela de ufanismo e reforçando nas mentes que ele está firme no papel de garantidor do Brasil por ele inventado.
Assegura o eleitorado de sempre, não deixando espaço para a oposição se aproveitar das deficiências da sucessora. Dilma, de seu lado, faz o que pode no sentido oposto, de um jeito meio atrapalhado, mas ao gosto de quem não gosta de Lula.
Na hora da eleição, será somar dois mais dois, e se der cinco, como ensina o livro do MEC, melhor ainda.

ECONOMIA: Desemprego em junho cai para 6,2%, segundo o IBGE

De O GLOBO
Bruno Rosa (bruno.rosa@oglobo.com.br)

RIO - Em junho o nível de desemprego atingiu seu menor patamar para o mês, desde o início da série histórica calculada pelo IGBE, que começou em março de 2002. No mês passado, a taxa de desemprego ficou em 6,2%. O número representa uma queda de apenas 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação ao índice verificado em maio, quando ficou em 6,4%. No mesmo período do ano passado, o índice foi de 7%.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Em Recife, na comparação anual, a taxa de desemprego anual caiu 2,5 p.p., seguido de Salvador, com recuo de 1,8 p.p., e São Paulo, com queda de 0,8 ponto percentual. No Rio de Janeiro, a taxa passou de 5,8%, no ano passado, para 5,3%.
O rendimento médio real dos ocupados em todas as cidades juntas ficou em R$ 1.578,50, o maior valor para junho desde maio de 2002, com uma alta de 0,5% em relação a maio e avanço de 4% na comparação com junho de 2010. Serviços domésticos registram a maior alta de rendimento real no mês e no ano
Em Salvador, o rendimento médio real subiu 2% no mês passado em relação a maio. Em BH, o avanço foi de 5%, seguido de São Paulo (+1,2%) e em Porto Alegre (+2,4%). Apresentou queda de 3,4% no Rio de Janeiro e ficou estável em Recife. Na comparação com junho de 2010, houve crescimento em Salvador (+4,7%), Belo Horizonte (+9,2%), Rio de Janeiro (+5,4%), São Paulo e Porto Alegre (de +2,5% em cada uma das áreas). Em Recife ocorreu declínio de 0,4%.
Quando se analisa o rendimento entre os grupos de atividade, o destaque fica por conta dos serviços domésticos - item que registrou o maior avanço no ano e no mês. No ano, o rendimento subiu 9,8%. No mês, a alta ficou em 2,8%. A categoria "Outros Serviços", que inclui transporte, limpeza urbana, atividades associativas, recreativas e culturais, além de serviços pessoais, também avançou 9,8% no ano. Em relação ao mês anterior, a alta foi de 1,2%.
O IBGE destacou ainda que os empregados sem carteira no setor privado (onde está incluído, por exemplo, boa parte do grupo "Serviços Domésticos", entre outros) registrou alta de 12,3% no rendimento real entre junho deste ano e o mesmo mês do ano passado. Em relação a maio, o avanço é de 2,3%. Já quem trabalha no setor privado com carteira assinada comemorou avanço de 3,7% nos rendimentos reais no ano. No mês, não houve crescimento.
Assim, o número de pessoas desocupadas em junho ficou estável em relação a maio, em 1,5 milhão de pessoas. Em relação a junho do ano passado, houve queda de 10,4%. Ou seja, são 172 mil pessoas a menos procurando emprego.
A população ocupada em junho também ficou estável na comparação com o mês anterior, em 22,4 milhões de pessoas. O mesmo aconteceu no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, 10,8 milhões.
Porém, analistas projetavam uma taxa menor de desemprego. A LCA, por exemplo, esperava índice de 6,1% em junho. A LCA ressaltou, ainda que o avanço do rendimento médio real reforça a ideia de que a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 12,25% ao ano, irá continuar subindo.
Amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) irá decidir o novo patamar da taxa. O mercado projeto avanço entre 0,25 ponto percentual e meio ponto.
Além do avanço de amanhã, a LCA estima que os juros terão novas elevações em agosto e em outubro, meses em que o Copom se reúne novamente.

MUNDO: Rupert e James Murdoch são sabatinados no Parlamento britânico sobre escutas

De O Globo

LONDRES - O magnata australiano Rupert Murdoch e seu filho James estão depondo nesta terça-feira no Parlamento britânico sobre o escândalo de escutas telefônicas ilegais e pagamento de propina a policiais envolvendo o tabloide "News of the World".
Durante o comparecimento conjunto, no Comitê de Mídia, Cultura e Esportes, James Murdoch pediu autorização para fazer uma declaração de abertura, que foi negada. Enquanto discutia com os deputados, ele foi interrompido pelo próprio pai, que disse estar vivendo o "dia mais humilhante" de sua vida.
- Não é uma desculpa, mas o "News of the World" é menos de 1% da nossa companhia. Eu contrato pessoas em quem eu confio - afirmou Murdoch. - A News Corp tem tolerância zero com coisas erradas.
Segundo Murdoch, o "News of the World" foi fechado porque o elo de "confiança com os leitores foi quebrado", não diretamente por conta de algum crime. Ele garantiu, porém, que a decisão "está longe" de ser comercial.
- Diversos veículos de comunicação usam detetives particulares. Não vejo nisso uma ilegalidade - disse o magnata, que durante toda a sabatina parece ter dificuldade de entender as perguntas.
James Murdoch, sempre responsável pelas respostas mais complexas, disse que não há planos de abrir um novo tabloide, como é especulado pela imprensa britânica. Ele garantiu cooperar com a polícia nas investigações.
- O que aconteceu no "News of the World" foi errado. Este é um assunto muito sério e nós estamos tentado estabelecer os fatos - continuou James.
Rupert Murdoch afirmou ainda que não estava ciente de que Rebekah Brooks admitiu que funcionários do tabloide pagaram propina a policiais. Rebekah, braço direito de Murdoch nos negócios britânicos, vai depor no mesmo comitê do Parlamento ainda nesta terça-feira.
Durante o depoimento, Murdoch foi questionado sobre sua ligação com o primeiro-ministro David Cameron, criticado por ter contratado como assessor um antigo editor do "News of the World".
O magnata explicou que entrava pela porta dos fundos de Downing Street, a sede do governo, porque assim pediram que fizessem. Ele disse que, durante um chá com Cameron após as eleições, recebeu agradecimentos pelo apoio dado ao hoje premier. Scotland Yard tem 10 ex-funcionários da News International
Antes de Murdoch,
foram sabatinados em outro comitê do Parlamento o ex-chefe da Scotland Yard Paul Stephenson e seu antigo adjunto, John Yates.
Stephenson revelou que dez dos 45 assessores de comunicação do seu departamento já tinham trabalhado na News International, a dona do hoje extinto tabloide. Ele negou, no entanto, que durante sua gestão tenha havido qualquer ligação imprópria entre a Scotland Yard e o império de Murdoch.
Já Yates admitiu que a abordagem da Scotland Yard às vítimas das escutas não foi satisfatória. Ele defendeu a polícia dizendo que, se soubesse que executivos da News International acobertavam os grampos, teria tomado atitudades diferentes. Cameron promete desmontar esquema
Pressionado por suas ligações com um ex-funcionário do "News of the World" e com a própria Rebekah Brooks, Cameron afirmou nesta terça-feira que os delitos cometidos pelos meios de comunicação e as denúncias de propina pagas a policiais serão investigados e desmontados.
O premier argumentou, porém, que está concentrando suas energias em outras prioridades como impulsionar os negócios e combater o crime.
- Eu gostaria de reafirmar à população que essas denúncias representam problemas graves, mas somos um país grande e vamos conseguir desmontar o esquema. Ao mesmo tempo não vamos desviar a atenção das nossa meta de fazer a economia crescer, conseguir mais empregos para a a população, melhorar as políticas de imigração e bem-estar, e atender as outras necessidades urgentes do povo - disse Cameron durante sua visita à Nigéria, na África.

ECONOMIA: Arrecadação é recorde em todos os meses do ano até junho

Do ESTADÃO.COM.BR

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado

A arrecadação de impostos e contribuições federais acumulou R$ 465,6 bilhões no 1º semestre de 2011

BRASÍLIA - A arrecadação de impostos e contribuições federais acumulou R$ 465,610 bilhões no primeiro semestre de 2011, o que representa uma elevação real de 12,68% em relação ao mesmo período de 2010. Os valores da arrecadação do primeiro semestre correspondem a um recorde para o período, já que todos os resultados mensais de janeiro a junho foram inéditos para cada um dos respectivos meses.
No mês de junho, a arrecadação totalizou R$ 82,726 bilhões, alta real de 23,07% em relação a junho de 2010 e de 15,47% ante maio deste ano. O resultado de junho superou o teto dos prognósticos do grupo de 13 instituições consultadas pelo AE Projeções. Nesse grupo, as projeções variavam de R$ 68,300 bilhões a R$ 74,500 bilhões, intervalo que gerou uma mediana de R$ 72 bilhões.
A arrecadação no primeiro semestre apresentou um crescimento nominal de R$ 77,068 bilhões. No primeiro semestre de 2010 a arrecadação somou R$ 388,542 bilhões, subindo agora nos primeiros seis meses deste ano para $ 465,610 bilhões. Considerando a correção da arrecadação pelo IPCA, as receitas no primeiro semestre apresentaram um crescimento de R$ 53,041 bilhões. Em todos os meses do ano a arrecadação foi recorde.
Os maiores crescimentos de arrecadação foram verificados nos setores de instituições financeiras (14,47%), de mineração (11,57%), comércio atacadista (11,11%), fabricação de veículos automotores (9,44%)e comércio varejista (8,01%).
A arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) puxou o crescimento das receitas no primeiro semestre. Os dois tributos renderam aos cofres públicos R$ 83,022 bilhões, com crescimento de 22,12% sobre o mesmo período do ano passado.
A arrecadação das receitas previdenciárias ficou em segundo lugar no ranking de maiores altas, com expansão de 20,26% no primeiro semestre. As receitas previdenciárias somaram no primeiro semestre R$ 124,855 bilhões. A arrecadação do PIS e Cofins, tributos que incidem sobre o faturamento das empresas e são considerados um termômetro da atividade econômica, registraram no primeiro semestre crescimento de 15,78%, somando no período R$ 97,755 bilhões. O IOF, tributo que o governo elevou como medida para conter o fluxo de capital externo, somou de janeiro a junho R$ 15,011 bilhões, com alta de 3,63%.
Pessoa física
Apesar da decisão do governo de elevar para 3% ao ano, a partir de abril, a alíquota do IOF sobre as operações de crédito da pessoa física, a arrecadação da Receita Federal cresceu 70,76% em junho de 2011 ante junho de 2010, o que demonstra que a medida não foi suficiente para desestimular a contratação de crédito por pessoas físicas. Por outro lado, o pagamento de IOF nas operações de câmbio cresceu 5,27% no mesmo período, segundo os dados da Receita, e apenas 2,13% no acumulado de janeiro a junho, em relação ao primeiro semestre de 2010. O governo aumentou o IOF para 6% sobre investimentos estrangeiros em renda fixa a partir de outubro de 2010 para conter a entrada de capital especulativo no País, o que estava pressionando a cotação do dólar em relação ao real.
Junho
O parcelamento do Refis da Crise (Lei 11.941) ajudou a reforçar a arrecadação de junho, segundo os dados da Receita Federal. No mês foram arrecadados R$ 6,757 bilhões, com parcelas relativas ao programa. Esse valor poderia ter sido ainda maior se grande parte dos contribuintes que aderiram ao Refis da Crise em 2009 não estivesse abandonando o programa na atual fase de consolidação dos débitos. Segundo a Receita, o Refis da Crise foi o principal fator que contribuiu para o resultado recorde do mês de junho.
Apesar de o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, ter previsto no mês passado que o crescimento da arrecadação deveria desacelerar, atingindo um crescimento real em torno de 10% em 2011, os dados de junho mostram que o recolhimento de tributos ganhou ritmo maior no mês passado. De janeiro a maio, a arrecadação subiu em termos reais 10,69% em relação a igual período de 2010. No acumulado de janeiro a junho, a alta foi 12,68% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

POLÍTICA: Aliados de Valdemar e Alfredo Nascimento são demitidos dos Transportes

Do ESTADÃO.COM.BR

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

Três assessores tiveram demissão anunciada nesta terça-feira e um deles teve envolvimento em contratação de empresa de fachada; nos últimos 15 dias, ministério acumula dez baixas

BRASÍLIA - Três assessores do Ministério dos Transportes ligados ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e ao ex-ministro Alfredo Nascimento foram demitidos do cargo. A demissão foi assinada nesta segunda-feira, 18, pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e publicada na edição desta terça, 19, do Diário Oficial da União. São eles: José Osmar Monte Rocha, Estevam Pedrosa e Darcy Michiles.
Reportagem publicada nesta terça-feira pelo Estado mostra o envolvimento de Rocha num atestado que ajudou na contratação de uma empresa de fachada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) por R$ 18,9 milhões. Apadrinhado de Valdemar, Rocha presidiu até o ano passado o Grupo Executivo criado para cuidar do passivo do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que foi extinto no ano passado. Até esta segunda, era assessor para assuntos administrativos na pasta.
Darcy Michiles é filiado ao PR e era Secretário de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes e ligado a Alfredo Nascimento no Amazonas. Assim como Estevam Pedrosa, um dos principais assessores do ex-ministro na pasta. Michilies é o único que aparece com exoneração "a pedido".
Demissões. Nos últimos 15 dias, sete funcionários do alto escalão do ministério foram demitidos ou afastados do cargo. Os desligamentos começaram após a publicação de denúncias de corrupção na pasta.
A pedido da presidente Dilma Rousseff, o novo ministro dos Transportes, Paulo Sério Passos, deve concluir ainda nesta semana a "limpeza" na pasta. São esperados o afastamento do petista Hideraldo Luiz Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, e de Felipe Sanches, presidente interino da Valec, e outros supostos envolvidos.

DIREITO: STJ - Viúvos sem direito à herança podem permanecer no imóvel mesmo se inventário foi aberto antes do novo Código Civil

Se duas pessoas são casadas em qualquer regime de bens ou vivem em união estável e uma delas falece, a outra tem, por direito, a segurança de continuar vivendo no imóvel em que residia o casal, desde que o patrimônio seja o único a ser objeto de processo de inventário. Esse foi o entendimento da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao rejeitar o recurso especial de quatro herdeiras que travam briga judicial a fim de retirar a segunda esposa do pai, já falecido, de um apartamento no Plano Piloto, área nobre de Brasília.
C.S.D. e sua esposa eram proprietários de um apartamento na Asa Norte, bairro da capital federal. A cônjuge faleceu em 1981, transferindo às quatro filhas do casal a meação que tinha sobre o imóvel. Entretanto, em 1989, o pai das herdeiras se casou, novamente, com G.M., sob o regime da separação obrigatória de bens. Dez anos depois, C.S.D. faleceu, ocasião em que as filhas do primeiro casamento herdaram a outra metade do imóvel em questão.
Em 2002, as quatro herdeiras ajuizaram ação de reintegração de posse contra a viúva do pai, visando retirá-la da posse do imóvel. Em primeiro grau, o pedido foi indeferido. A sentença afirmou que o artigo 1.831 do Código Civil outorga ao cônjuge sobrevivente o direito real de habitação sobre o imóvel da família, desde que ele seja o único a inventariar. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDF) manteve o entendimento da sentença.
Inconformadas, as herdeiras recorreram no STJ alegando que a segunda esposa do pai não teria direito real de habitação sobre o imóvel, porque era casada sob o regime de separação total de bens. No recurso especial, sustentaram que, nos termos do artigo 1.611 do Código Civil de 1916 (vigente quando foi aberto o processo de sucessão), o direito de habitação só era válido para o cônjuge casado sob o regime da comunhão universal de bens.
Para o relator do processo, ministro Sidnei Beneti, a essência do caso está em saber se a viúva, segunda esposa do proprietário do apartamento, faz ou não faz jus ao direito real de habitação sobre o imóvel em que residia com o seu falecido marido, tendo em vista a data da abertura da sucessão e o regime de bens desse casamento.
Em seu voto, o ministro explicou que o Código Civil de 2002, em seu artigo 1.831, garante ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens e sem prejuízo do que lhe caiba por herança, o direito real de habitação sobre o imóvel destinado à residência da família, desde que ele seja o único a ser inventariado. Antes, porém, do novo código, a Lei nº 9.278/1996 já havia conferido direito equivalente às pessoas ligadas pela união estável.
Assim, “a interpretação literal das normas postas levaria à conclusão de que o companheiro estaria em situação privilegiada em relação ao cônjuge e, desse modo, estaríamos em uma situação de todo indesejada no ordenamento jurídico brasileiro. Por isso, é de se rechaçar a adoção dessa interpretação literal da norma”, ponderou.
Com base em interpretação mais abrangente, na qual a lei 9.278 teria anulado, a partir da sua entrada em vigor, o artigo 1.611 do Código Civil de 1916 e, portanto, neutralizado o posicionamento restritivo contido na expressão “casados sob o regime da comunhão universal de bens”, o ministro votou pelo não provimento do recurso especial interposto pelas quatro herdeiras.
“Uma interpretação que melhor ampara os valores espelhados pela Constituição Federal é a que cria uma moldura normativa pautada pela isonomia entre a união estável e o casamento. Dessa maneira, tanto o companheiro, como o cônjuge, qualquer que seja o regime do casamento, estarão em situação equiparada, adiantando-se, de tal modo, o quadro normativo que só veio se concretizar explicitamente com a edição do novo Código Civil”, disse o relator.
Sidnei Beneti negou provimento ao recurso especial, ressaltando que, apesar de o cônjuge da segunda esposa ter falecido em 1999, seria indevido recusar à viúva o direito real de habitação sobre o imóvel em que residiam, tendo em vista a aplicação analógica, por extensão, do artigo 7º da Lei 9.278. A decisão da Terceira Turma do STJ foi unânime.

DIREITO: STJ - Suspensão condicional do processo pode ser revogada após período de prova

Se o descumprimento das condições da suspensão condicional do processo ocorre durante o período de prova, não há ilegalidade manifesta na revogação dessa suspensão depois de terminado esse prazo. Embasado em jurisprudência recorrente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o vice-presidente do Tribunal, ministro Felix Fischer, negou liminar a denunciado por furto.
Para a defesa, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) não poderia ter reformado a decisão do juiz para permitir que a revogação fosse efetivada quando já expirado o período de prova. Conforme a argumentação, passado o prazo ocorreria a extinção da punibilidade do réu.
O ministro Fischer citou decisão da Sexta Turma do STJ que afirma expressamente não haver extinção da punibilidade pela ausência de revogação do benefício antes do término do lapso probatório. Para a Turma, é possível a revogação após o período de prova, desde que o não cumprimento das condições tenha ocorrido no dito intervalo.
O ministro também registrou outras decisões, de ambas as Turmas penais do STJ, no mesmo sentido. O mérito do pedido será julgado pela Sexta Turma. O relator é o ministro Og Fernandes.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DIREITO: Julgamento de coronel reacende debate sobre anistia

Do POLÍTICA LIVRE


A audiência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na qual devem ser ouvidas as testemunhas da tortura e morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, marcada para o dia 27, reacendeu os debates sobre a anistia a agentes do Estado brasileiro acusados de violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Na ação cível, movida pela família do jornalista, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra é responsabilizado pela morte, ocorrida em julho de 1971 em São Paulo. O assunto tem sido tratado com destaque por organizações de direitos humanos e também por grupos de militares reformados que, na internet, defendem o golpe de 1964 e as ações que desencadeou. Logo após a audiência, no dia 30, será realizado um ato público em São Paulo para lembrar os 40 anos da morte do jornalista. A expectativa é de que a ação leve à primeira condenação de um militar acusado de tortura. Em 2008, quando Ustra recorreu ao TJ contra a família, teve seu pedido negado. (Agência Estado)

CORRUPÇÃO: CGU aponta desvio de recursos em obras de reconstrução em Teresópolis (RJ)

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A CGU (Controladoria Geral da União) detectou desvio de recursos repassados pelo governo federal ao município de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, em função dos estragos causados pelas fortes chuvas de janeiro deste ano.
De acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (18) pelo jornal “O Globo”, para a CGU, boa parte dos R$ 7 milhões destinados ao município, por intermédio do Ministério da Integração Nacional, teriam sido usados por empresas de fachada ou fantasmas.
A partir dos indícios, a Controladoria conseguiu que o Ministério bloqueasse preventivamente as contas do município a fim de evitar novas situações de supostas irregularidades.
Em entrevista ao jornal, o coordenador geral na CGU da auditoria de verbas do Ministério da Integração, Luiz Cláudio Freitas, afirmou que, após mapeamento de praticamente todos os repasses federais, não ficaram comprovados todos os gastos promovidos pela Prefeitura de Teresópolis.
Conforme o coordenador, após a finalização dos trabalhos, a CGU dará os encaminhamentos. Antes, porém, a Prefeitura de Teresópolis será notificada pelo Ministério a apresentar defesa. Se após análise as explicações não convencerem, a CGU remeterá o relatório em andamento à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Estado do Rio.
Segundo o representante da CGU, esse mapeamento das verbas federais é uma terceira etapa dos trabalhos referentes aos municípios da região serrana. Em uma primeira fase, o Ministério instalou preventivamente um gabinete de crise nas primeiras horas após a tragédia –que atingiu sete municípios e matou mais de 900 pessoas.
Em uma segunda etapa, foi montada uma equipe integrada entre Ministério e CGU de acompanhamento dos aspectos sociais da crise. Para tanto, foram enviadas equipes multidisciplinares aos municípios a fim de se acompanharem os trabalhos desenvolvidos nas áreas de saúde, educação e assistência social –neste caso, sobretudo quanto à condição dos abrigos.
Na terceira etapa, o trabalho conjunto entre os dois órgãos federais ofereceu treinamento e capacitação a secretários municipais, técnicos de prefeituras e do Estado sobre como melhor utilizar e aplicar os recursos emergenciais. Isso foi feito cerca de um mês e meio após a crise. Na sequência, se partiu para avaliação da aplicação desses gastos.
A reportagem do UOL Notícias falou com a assessoria da Prefeitura de Teresópolis, mas, até esta publicação, não obteve retorno.

MUNDO: Ex-policial mata 2 pessoas, fere 6 e se suicida no metrô do Chile

Do ESTADÃO.COM.BR

Efe


Homem disparou diversas vezes quando o comboio chegava à estação Plaza de Maipú

SANTIAGO DO CHILE - Um ex-policial matou duas pessoas, feriu outras seis neste domingo, 17, no metrô de Santiago do Chile e, posteriormente, se suicidou, informaram fontes oficiais.
O fato aconteceu às 18h30 (horário local, 19h30 de Brasília) no último vagão de um trem da Ferrovia Metropolitana da capital chilena, quando o comboio chegava à estação Plaza de Maipú, no município do mesmo nome, na área sudoeste da cidade, disseram as fontes.
De repente, um dos 12 passageiros do vagão começou a disparar contra os demais ocupantes, segundo relatou aos jornalistas o major dos Carabineiros Patrício Duque.
No último vagão do metrô, um homem disparou vários vezes e feriu seis pessoas, depois, "com muita lentidão e passividade, saiu caminhando do vagão, subiu as escadas e fugiu, caminhou pouco mais de uma quadra e deu um tiro na cabeça", acrescentou o oficial.
O agressor, identificado em princípio como Israel Huerta Céspedes, um ex-funcionário da Polícia de Pesquisas (PDI), de 45 anos, morreu de forma instantânea por causa do disparo.
Um dos passageiros morreu no metrô e outro em um hospital para o qual foram levados os feridos.
Após o incidente a estação foi fechada, enquanto a polícia investiga as causas que levaram o homem a agir dessa maneira.

direito: stj - Ação contra crime punível com multa deve ter manifestação do MP sobre suspensão condicional

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, concedeu liminar em habeas corpus a dois denunciados por fixação artificial de preços ou quantidades de produtos fabricados ou comercializados. O crime contra a ordem econômica pode ser punido apenas com multa, o que autoriza a eventual suspensão condicional do processo. Mas a ação contra os réus não foi remetida ao Ministério Público (MP) para que se manifestasse sobre essa opção.
Segundo o ministro, que estava no exercício da Presidência, quando há previsão de pena alternativa de multa para o crime, aplica-se o artigo 89 da Lei 9.099/1995: “Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).”
Conforme a impetração, no caso dos réus não houve vista ao MP para que oferecesse eventualmente essa suspensão condicional do processo. A liminar vale até o julgamento do mérito do pedido de habeas corpus, que ficará a cargo da Sexta Turma do STJ. O relator do processo é o desembargador convocado Haroldo Rodrigues.

DIREITO: STJ - Suspensão de liminar não serve para desconstituir decisão sobre validade de doação de área pública

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, enquanto esteve no exercício da Presidência, negou o pedido de suspensão de uma liminar favorável a particulares que reivindicam posse de área doada a eles pela Prefeitura de Governador Eugênio Barros (MA). Para o ministro, a discussão tem caráter eminentemente jurídico, o que impede sua análise por meio que substituiria o próprio recurso processual.
A área em disputa localiza-se ao lado do ginásio municipal de esportes na cidade maranhense. Na ação de reintegração de posse, os particulares afirmam que, em novembro de 2008, foram contemplados com termos de doação de terrenos pela prefeitura, em obediência à Lei Municipal n. 7/2008, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito à época, que autorizou as doações para fins de construção residencial.
Em 2009, por determinação do atual prefeito, eles foram retirados do local. A liminar determinou a expedição de mandado de reintegração de posse aos autores da ação, entendendo válida a doação de terreno. Esta decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, no julgamento de um agravo de instrumento interposto pelo município.
Contra a liminar, o município afirma que “a posse dos autores seria precária e ilegal, uma vez que é inconstitucional o ato do ex-gestor que doou terras públicas em desobediência ao disposto no artigo 170 da Constituição Estadual”. Destaca, também, que foi editado o Decreto Municipal n. 65/2009, que “tornou sem efeito os atos de doação”, o que demonstra ter a administração municipal atuado dentro do seu poder de autotutela, anulando os seus próprios atos quando estes forem nulos.
Por fim, diz que a finalidade dos atos de doação praticados em favor dos particulares não observou os princípios da isonomia e impessoalidade, já que não há documentos que comprovem a forma de seleção dos beneficiários. Para o município, a situação representa lesão administrativa, pois há tolhimento do “legítimo exercício, pela autoridade administrativa competente, do poder que lhe reserva a ordem jurídica”.
O ministro Fischer observou que o pedido está focado na própria legalidade do termo de doação, que foi ratificado pela liminar da primeira instância e que agora se pretende suspender. “Sendo jurídica a discussão, ultrapassa os limites em que deve se fundamentar a suspensão de liminar, de sentença ou de segurança”, afirmou o vice-presidente. Ele esclareceu que o objetivo da suspensão de liminar é afastar a possibilidade de grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas. “Vale ressaltar, para todos os efeitos, que tal instituto não pode, nem deve substituir os recursos processuais adequados”, concluiu o vice-presidente.

DIREITO: STJ - Suspensa expulsão de estrangeiro com filhos brasileiros economicamente dependentes

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, determinou a suspensão da expulsão do país de estrangeiro condenado por tráfico internacional de drogas. A pena foi cumprida integralmente em 2003, e em 2010 nasceram dois filhos do estrangeiro.
Conforme explica o ministro em sua decisão, a jurisprudência do STJ é firme quanto à impossibilidade de expulsão do estrangeiro que possua filho brasileiro, desde que provada a dependência econômica ou afetiva. No caso analisado, a defesa juntou documentos que demonstram a paternidade dos menores indicados e outros que sinalizam a efetiva dependência econômica das crianças em relação ao pai.
A decisão suspende a portaria do Ministério da Justiça que determina a expulsão do estrangeiro até o julgamento de mérito do habeas corpus. Para o ministro, haveria risco de cumprimento iminente da expulsão e a jurisprudência é, em tese, favorável ao estrangeiro, o que autoriza a concessão da liminar.

DIREITO: "Falha na educação do país está na avaliação"

Da CONJUR



A piora nas avaliações dos cursos de Direito não se restringe à escola privada, como pensam alguns. A Faculdade de Direito da USP, considerada uma das melhores do país, deixou de aprovar no último Exame de Ordem 37% dos seus bacharéis. E é com olhos no índice de reprovados, e não nos 63% de êxito, que o professor João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo, examina a qualidade do ensino no país. “O que está falhando certamente é avaliação, porque não é aceitável que quase 40% não passem no Exame”, conclui.
Em entrevista à Consultor Jurídico, Grandino Rodas critica a falta de preparação básica dos alunos, o que o que se verifica mesmo nas faculdades mais tradicionais do Brasil. Segundo ele, é bobagem acreditar que o problema só esteja nas classes mais pobres da sociedade, que não conseguem vaga nas escolas públicas. “A escola privada ainda tenta suprir essas lacunas e este é um acompanhamento que as públicas não dão. Alguém que entra na Faculdade de Direito do Largo São Francisco com o português precário, vai sair com o português precário.”
Grandino Rodas graduou-se em Direito pela USP, mesma faculdade que dirigiu de 2006 a 2009, ano em que assumiu a reitoria da Universidade. Desde 1993, é professor de Direito Internacional Privado. Foi consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores e hoje, é membro da Comissão Fulbright para o Intercâmbio entre os Estados Unidos e o Brasil e membro titular, indicado pelo Brasil, do Tribunal Arbitral Permanente de Revisão do Mercosul. Em 2010, fundou e passou a presidir o Centro de Estudos de Direito Econômico e Social (Cedes). No formato de think tank, a entidade se propõe a colaborar com estudos e ideias para o desenvolvimento da sociedade brasileira.
Durante a entrevista, o reitor também falou sobre o interesse dos escritórios estrangeiros no mercado brasileiro. Em primeiro lugar, observa que é preciso modernizar as regras para a validação de diplomas de outros países. Dependendo do caso, afirma, é mais fácil fazer o curso de novo aqui no Brasil. Em relação aos escritórios, questiona: “Não seria melhor termos regras mais claras e permitir que cheguem pela porta da frente?”, numa clara referência à forma enviesada com que as sociedades estrangeiras instalam-se hoje no país.
A chegada de uma pessoa ao posto de ministro do Supremo Tribunal Federal não é parâmetro para demonstrar seu grau de excelência, acredita o reitor. E recorda: “Nos últimos dez anos, os presidentes da República colocaram seus secretários lá. Às vezes. Às vezes eram pessoas de alto nível, noutras não”. Por isso, aponta, a ante-sala da corte é o Palácio do Planalto. Apesar da crítica, ele frisa: o STF é um tribunal político — e assim deve ser. Mudaria três pontos principais: pessoas experientes, mandatos pré-fixados e indicação diversa do presidente da República.
Também participaram da entrevista os jornalistas Alessandro Cristo e Lilian Matsuura.

DIREITO: "Falha na educação do país está na avaliação" - 2

Da CONJUR

Leia a entrevista:
ConJur — Como o senhor analisa a proliferação de escolas de Direito no país? Que consequência tem essa massa de brasileiros graduar-se em Direito, mas ser reprovada no Exame de Ordem?

João Grandino Rodas — Desde a era colonial, o Brasil sempre foi o país dos bacharéis — e mais precisamente, dos bacharéis em Direito. Ficou entranhada na cultura brasileira, em todas as classes sociais, a ideia de que a verdadeira progressão educacional de um filho ou de um neto estaria em se transformar naquilo que vulgarmente se chama de doutor. Em primeiro lugar é o doutor advogado, e existem outros, como o médico. O mais simples parece ser a advocacia, embora não seja o caso.
ConJur — Daí a proliferação de escolas de Direito?

João Grandino Rodas — Não foram só as escolas privadas que criaram mais vagas. As escolas públicas fizeram a mesma coisa para dar espaço aos excedentes. O advento das universidades particulares é, em princípio, benéfico. Assim como entre as universidades públicas existem grandes nuances, nas universidades e faculdades privadas existem mais ainda. Pejorativamente, no passado, se dizia que bastava lousa e saliva para se ter uma faculdade de Direito boa. Não é nada disso. O que se verifica hoje são msaid de mil faculdades de Direito, de todos os níveis, e, realmente alunos e alunas que não têm preparação básica. A falta de qualidade no ensino fundamental e médio tem piorado o ensino mesmo nas faculdades mais tradicionais do Brasil. É bobagem imaginar que esse problema só atinge a faixa das classes menos favorecidas que estão na escola pública. As escolas secundárias, fundamentais e médias, as melhores do Brasil, pioraram, mesmo as de São Paulo, e até aquelas de dedicação exclusiva.
ConJur — O senhor estava falando sobre o problema da educação básica e também da bacharelização no Brasil. O mestrado e o doutorado estão caminhando no mesmo sentido?

João Grandino Rodas — Na Universidade de São Paulo estamos fazendo mudanças para fazer com que as regras sejam mais estritas para obtenção do mestrado e do doutorado. O Brasil tem a tendência da relativização e isso não pode chegar, obviamente, às grandes universidades do país e muito menos à pós-graduação. A Faculdade de Direito do Largo São Francisco tem 460 vagas anuais, enquanto toda a escola de enfermagem da USP tem 80 anuais. Por isso que eu digo que não são só as faculdades privadas que caíram no pecado de expandir o curso de Direito. E daí nós temos esse fenômeno dos bacharéis que não passam no Exame de Ordem, mesmo não sendo a prova dificílima.
ConJur — Os Exames não são difíceis?J

oão Grandino Rodas — Não. As pessoas imaginam que o Exame é dracroniano e que por isso elas não passam, mas todos nós que temos um certo conhecimento verificamos que os Exames de Ordem não são algo impossível. Eles poderiam ser considerados pouco mais que primários.
ConJur — E eles são bem feitos?

João Grandino Rodas — Tenho visto por amostragem que não são coisas complicadas. As duas escolas que mais aprovaram, em São Paulo, são a Faculdade de Direito da USP e a da Unesp. Em uma escola como a USP, que se diz de ponta, como que passam só 63% dos alunos inscritos? Isso é um absurdo. Há uma falha na avaliação lá dentro. Quer dizer, é uma escola que tem os melhores professores, os melhores alunos e as melhores bibliotecas. O que está falhando certamente é avaliação, porque não é possível que quase 40% não passem em um Exame de Ordem que é, como eu disse, simples. A impressão que eu tenho é que o ensino primário, o ensino fundamental e o médio pioraram em todo o país.
ConJur — Mas será que não é preciso repensar o formato dessa prova? Se esses 40% não são aprovados pelo Exame da Ordem, será que não há algo errado com a própria avaliação?

João Grandino Rodas — Pode ser. Mas uma pessoa bem preparada, que teve os melhores professores e as melhores bibliotecas, se outras escolas com muito menos conseguiram passar no exame, deveriam ter passado pelo menos 90% deles.
ConJur — O Exame de Ordem é uma régua científica eficaz para aferir a qualidade das escolas?

João Grandino Rodas — Não. De maneira nenhuma. Não sou fã irreversível do Exame do Ordem. No entanto, na atual conjuntura, ela serve como uma porteira mínima. Nós temos um número grande de bacharéis em Direito que não sabem ler ou escrever.
ConJur — O provão do MEC poderia substituir o Exame de Ordem?

João Grandino Rodas — O provão do MEC talvez não examine questões práticas que a Ordem diz examinar. Seriam mais questões teóricas. Não tem sentido que em nome da República Federativa do Brasil se dê um diploma que é igual para todo mundo e que ateste que a pessoa tem conhecimentos básicos em uma matéria quando não tem. Claro que existem necessidades de universalização da educação, mas é universalização da educação, não a de um diploma. A pessoa se preocupa em entrar na escola. Nós temos, por exemplo, as classes menos favorecidas economicamente que estão chegando a faculdade, o que é muito positivo. Mas muitas vezes elas saem de lá, depois de um esforço, com quase nada. Houve uma ilusão absoluta.
ConJur — Se toda população brasileira tivesse o diploma de Direito, isso seria um problema?João Grandino Rodas — Se fosse um diploma que tivesse um fundamento não, não seria. O problema é que as pessoas acabam recebendo o diploma sem ter uma condição mínima. Por exemplo, onde ficam os 40% de alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco que não passaram no exame?
ConJur — Provavelmente farão o exame seguinte.

João Grandino Rodas — Sim. Mas não se pode dizer: “Farão o Exame seguinte”. Isso significa que a escola tem que se corrigir em uma série de coisas, porque eles foram reprovados.
ConJur — Essa discussão passa um pouco pela vocação da universidade. A Faculdade de Direito deve preparar o aluno para o mercado de trabalho ou formar uma pessoa que ofereça algo melhor para a sociedade?João Grandino Rodas — As duas coisas. Ninguém será muito bom no ofício se não tiver o mínimo do outro e vice-versa, ao mesmo tempo em que um pensador não poderá ser um bom pensador se não tiver um pouco da prática da questão.
ConJur — Então, não deveriam ser vistos com mais naturalidade os resultados das escolas onde as classes menos favorecidas economicamente estudam?

João Grandino Rodas — Nós sabemos que no âmbito do Direito os melhores alunos, em São Paulo, entram para a Faculdade de Direito São Francisco, para PUC, para o Mackenzie e para a Getúlio Vargas. Os melhores professores vão para lá. Depois, nós temos professores que entrariam para outras escolas, que ainda são tradicionais. E, finalmente, as escolas em que não possuem uma grande tradição ainda. São alunos que às vezes não sabem escrever direito, com todas as deficiências do ensino privado e do público ou, pior ainda, do ensino supletivo. A escola privada ainda tenta suprir essas lacunas. Este é um acompanhamento que as públicas não dão. Alguém que entra na Faculdade de Direito do Largo São Francisco com o português precário, vai sair com o português precário. Na outra geração, quem é que entrou na escola desse jeito? Os filhos dos imigrantes. Agora, de certa forma, estamos na geração dos migrantes internos.
ConJur — Há exemplos de ministros do Supremo que saíram de escolas particulares, como Eros Grau, formado pelo Mackenzie; o ministro Cezar Peluso, pela PUC de Santos; Ricardo Lewandowski, da Faculdade de Direito de São Bernardo. Ou seja, é injusto generalizar e atribuir que o ensino privado não tem qualidade.

João Grandino Rodas — Não. Mas isso eu nunca disse.
ConJur — O ensino público enfrenta problemas que o privado não tem. Um deles é o corporativismo dos professores, dos servidores, as greves. Isso não compromete o ensino público?

João Grandino Rodas — O corporativismo exacerbado impede que certas faculdades dentro de uma universidade possam se aperfeiçoar, já que elas são autônomas. Acabei de redigir um parágrafo para o Manual do Calouro [da Fuvest] e fiz questão de escrever um parágrafo dizendo que aquele que escolheu a Universidade de São Paulo deve olhar também a unidade e, dentro da unidade, quais são os 245 cursos oferecidos. Cada unidade, em razão da sua relativa autonomia, pode ser mais ou menos propensa a mudanças, a interdisciplinaridade e a verificar a importância da teoria aplicada à prática. Quer dizer, existe a USP, e dentro dela muitas USPs. É verdade que nas escolas públicas em geral existam lugares em que o grupo dominante não modifica o curso e não atualizam a grade de jeito nenhum.
ConJur — Qual é o perfil do bacharel que vai entrar no mercado e ser aceito?

João Grandino Rodas — Como toda profissão, precisa seguir uma base muito boa das generalidades e sair da graduação pelo menos tendo conhecimento de um segmento — não quero dizer especialização. É impossível que alguém saia tendo conhecimento de todas as esferas jurídicas. A Escola de Direito da FGV de São Paulo, que é diferente da do Rio, é uma experiência bem sucedida. Ela tem o desenho específico de uma escola de Direito dos Negócios. Eu acho válido, mas será que o aluno quando entra na escola já precisa saber que quer saber de Direito de Negócios? A Faculdade de Direito da USP tem um modelo interessante. Permite que o aluno escolha 40% das matérias e faça 60% de matérias fixas, que todos têm de estudar. Por exemplo, Teoria Geral do Processo, está nos 60%. Já Processos Especiais Criminais não está nos 60%. O advogado ideal é aquele que tenha a base toda, mas que não pode ter por impossibilidade todas as especificidades que possam ser dadas no âmbito da graduação. Não é uma especialização, mas cada um faz seu próprio currículo.
ConJur — A crise econômica nos Estados Unidos e na Europa associada ao esgotamento do mercado deles fez do Brasil um território atraente primeiro para empresas e agora para escritórios de advogados. Mas, em nome da globalização, há uma pressão para pular a fase da revalidação de diploma e o Exame de Ordem. Como enfrentar a situação?

João Grandino Rodas — Primeira coisa, isso se passa em primeiro momento pelo reconhecimento de diplomas. Esse é um problema importante, e no mundo globalizado não se pode mais ficar pensando que cada diploma só vale no seu Estado. Qualquer país que queira ascender a patamares importantes precisa regulamentar essa questão. E como os Estados Unidos fazem, e outros fazem, muitas vezes é uma regulamentação escrita. Não se pode pura e simplesmente fechar a porteira e deixar de pensar sobre isso. É necessário que haja um conjunto de regras para permitir que estrangeiros atuem no país. Nós sabemos que no Brasil a questão da regulamentação ainda é antiguíssima e muito antiquada. Muitas vezes, é tão longa a demora para conseguir cumprir todos os passos da regulamentação atual que seria melhor ter feito novamente o curso aqui no Brasil.
ConJur — Para os graduados em Direito, o Exame de Ordem continuaria sendo uma exigência?João Grandino Rodas — Depende do modelo. Teria que ser um modelo com uma certa rapidez e que possibilite que as pessoas que conseguiram diploma lá fora possam conseguir aqui dentro. O mundo mudou e não há mais lugar para reserva de mercado.
ConJur — E como ficaria o mercado brasileiro da advocacia com a chegada de bancas estrangeiras?

João Grandino Rodas — Não tenho um conhecimento muito profundo dos escritórios estrangeiros em si. Acho que é importante pensar que se eles não chegarem de um jeito, chegarão de outro. Será que a forma proposta hoje é a melhor forma? Não seria melhor termos regras mais claras e permitir que cheguem pela porta da frente? É melhor regulamentar a entrada do mercado do que manter a reserva do mercado e na prática se ter uma série de entradas sub-reptícias.
ConJur — Como o senhor avalia a atuação e a efetividade de tribunais internacionais, como o Tribunal Penal Internacional?

João Grandino Rodas — Considero o Tribunal Penal Internacional como o mais importante documento do século XX em Direito Internacional, depois da carta da Organização das Nações Unidas. Ninguém acreditava que ele entraria em vigor logo, mas entrou. Ele recebeu grande apoio das ONGs, desde sua formulação até conseguir as 60 ratificações e, quando não julga, abre-se a possibilidade de julgar. É uma criação muito bem feita, mas do jeito como ficou tem jurisdição apenas sobre alguns crimes. O TPI é, digamos assim, o maior golpe possível no que resta da soberania dos Estados, de longe. O Brasil mesmo teve que passar por vários problemas constitucionais para ratificar a sua criação.
ConJur — Mas há dificuldade de execução das decisões do TPI, não?

João Grandino Rodas — Sim, mas não importa. Em certos momentos essa dificuldade acaba.
ConJur — Quando?João Grandino Rodas — Temos um caso muito antigo da Corte de Permanência e Justiça Internacional, o do Estreito de Corfu. Em 1946, dois destroyers britânicos colidiram com minas nas águas territoriais da República Popular da Albânia, no Canal Corfu. A Inglaterra entrou na corte contra o reino, por entender que ele era culpado. No fim, a Albânia foi condenada, mas nunca pagou. Depois, Mussolini invadiu terras albanesas. Pegou o ouro de lá e investiu em Roma. Mais tarde, quando a Inglaterra librou a região dos poderes de Mussolini, encontrou o ouro, mas não o devolveu. “Estou cobrando aquilo”, alegou. Qual a percentagem de decisões judiciais internas que não são cumpridas? O defeito na execução não é apenas internacional. E ainda há outro ponto: a questão da não executoriedade absoluta está cada vez ficando menor.
ConJur — Então, no caso do Tribunal Penal a dificuldade de execução acaba sendo muito maior e conta com a própria dificuldade do país em executar a sentença judicial?

João Grandino Rodas — Sim. Mas ela pode mudar e não existe certeza de que aquela inexecução vai permanecer. Há décadas vem acontecendo a crescente internacionalização das matérias. Quando a matéria é interna, os órgãos internacionais não podem entrar e os tribunais internacionais também não. No caso do Apartheid, por exemplo. Era a própria África do Sul julgando diferentemente brancos e negros, mas brancos e negros ambos cidadãos da África. O que dizia o embaixador da ONU na época? “Esse assunto não interessa. Nós não estamos falando de estrangeiro.” Hoje, uma questão de genocídio interno é um assunto internacional, que não prescreve nunca, e, portanto, os tribunais internacionais passam a ter competência no que antes não tinham.
ConJur — Professor, como o senhor analisa a decisão do Supremo no caso Battisti?

João Grandino Rodas — Olhando especificamente pelo lado dos tratados, se não existe um tratado de extradição entre Brasil e Itália, em que os países se comprometem a extraditar, não pode haver o repatriamento. No entanto, foi criada uma obrigação internacional de fazê-lo dentro daquelas regras. O Brasil pode até não cumprir essas regras, mas, na realidade, existe em princípio uma infringência internacional, que pode, em tese, ser cobrada em tribunais internacionais. Fala-se muito no Tribunal da Haia, que é um dos primeiros tribunais internacionais. Como ele não tem jurisdição obrigatória, o caso para chegar lá depende de duas coisas. O Estado aceita, no caso concreto, a jurisdição. Por exemplo, a Itália entraria contra o Brasil, perguntaria para o Brasil: “Você aceita?” “Não”. Então, acabou. “Você aceita?” “Sim. Vamos fazer.” Também pode acontecer de Itália e Brasil terem assinado uma cláusula facultativa no tratado que dê jurisdição obrigatória ao tribunal. Assim, o Tribunal da Haia precisa ultrapassar essa fase preliminar de identificação de jurisdição para chegar a examinar a questão em si. Normalmente os tratados de extradição são baseados na mutualidade.
ConJur — Quer dizer, a Itália pode não entregar o próximo?

João Grandino Rodas — Se ela não entregar, tudo bem. Ela pode considerar o tratado rescindido.
ConJur — Além de livre-docente em Direito Internacional e reitor da USP, o senhor é também presidente do Cedes [Centro de Estudos de Direito Econômico e Social]. Em maio, o Cedes
organizou um seminário sobre Direito do Trabalho, onde foram discutidos temas como negociações, ponto eletrônico, evolução do Direito do Trabalho e terceirização. Por que a escolha por esse ramo do Direito?

João Grandino Rodas — Precisamos discutir coisas que ainda não são abordadas. Escolhemos o Direito do Trabalho porque ele se enquadra no perfil de social e econômico. Nós estamos preparando uma mesa sobre Direito Tributário, mas isso não significa que o Cedes vai se debruçar profundamente em pesquisas. O objetivo é justamente não estudar só a forma jurídica, mas estudar também as decorrências sociais tanto para empresa como para o consumidor e para o empregado. Os seminários enfocam vários aspectos. Em Direito do Trabalho procurou-se abordar as novas questões. Ali não é um lugar para estudar Direito do Trabalho. Quer dizer, o Cedes não pretende substituir o estudo do Direito do Trabalho. Nós estudamos problemas que tem a ligação justamente com aquela parte extrajurídica estrita, e que influi por isso nas pessoas jurídicas ou físicas.
ConJur — E o resultado dessas discussões vai resultar em propostas para o Legislativo?

João Grandino Rodas — Isso leva à discussão. Pelo menos é uma participação do Cedes em tentar trazer à tona um assunto que ficou adormecido por razões políticas, mas que são importantes porque influenciam diretamente na pessoa física, no caso do trabalhador, e na empresa jurídica, no caso das empresas de terceirização.

DIREITO: Processo eletrônico pode padronizar petições

Da CONJUR


A advocacia está às portas de uma revolução. O casamento entre o processo eletrônico e o número cada vez maior de litígios na Justiça pode ter como consequência uma pasteurização das petições. Sistema criado pelo Conselho Nacional de Justiça para informatizar ações, o Processo Judicial Eletrônico (PJe) já prevê modelos de pedidos para facilitar a vida de juízes e seus assessores. O intuito é economizar tempo e concentrar a atenção de quem julga no que a parte realmente está requerendo. Para quem considera a advocacia uma arte, no entanto, a tendência pode significar o cerceamento de um trabalho intelectual por natureza.
Questões trabalhistas serão as primeiras expostas à mudança. Até o fim do ano, o sistema deve estar funcionando em todos os Tribunais Regionais do Trabalho do país, de acordo com o juiz assessor da presidência do CNJ Paulo Cristóvão Silva Filho, que acompanha a instalação do PJe (na foto, o juiz fala em sessão que lançou o sistema, em junho). Para recursos no Tribunal Superior do Trabalho, por exemplo, já há modelos de petições disponíveis.
"A Justiça do Trabalho vai formularizar alguns pontos, mas não obrigar a utilização do modelo", afirma. "A objetivação vai acontecer nos processos que são comuns, de massa." Com a novidade, será possível ao advogado saber, inclusive, a porcentagem de sucesso de petições idênticas em todos os tribunais do país. "Vamos reunir algumas informações básicas também para verificação de prevenção nacional", explica.
A princípio, apenas as cortes laborais adiantaram a intenção. Nas demais, os advogados poderão subir seus próprios modelos de petição para o sistema, por meio de login pessoal. "Ainda não estamos culturalmente preparados para uma pasteurização. Seria uma imposição ao advogado", avalia Paulo Cristóvão. "A advocacia mais artesanal vai existir sempre. Ela é o nascedouro das ações de massa."
Não é esse o prognóstico de um dos advogados que acompanha a implantação do PJe pela Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Fernando Martins Castro, do escritório Martins Castro Monteiro Advogados. "Hoje, o modelo tradicional de advocacia que conhecemos não dá mais conta da demanda. Essa seria uma forma de dar uma vazão mais rápida", afirma Castro, que é membro da Comissão de Informática do Conselho Federal da OAB.
Muito da mudança se deve às novas gerações que têm desembarcado na profissão, como avalia o advogado, que também é doutor em Direito e Informática pela Faculdade Montpellier, na França, e mestre em Direito Civil pela USP. "A juventude tem outra dinâmica, o que pode se ver pelas redes sociais. É uma forma de se expressar mais superficial, mas não necessariamente pior. É apenas uma mudança de paradigma verbal, de representação dos fatos", diagnostica.
A Lei de Processo Eletrônico — Lei 11.419, de 2006 — exibe esse traço, segundo ele. "É possível juntar um vídeo ou um documento eletrônico em vez de uma petição de 40 páginas", diz. "E hoje, no país, 4% dos processos já estão em meio exclusivamente digital."
Solução práticaPetições extensas são um problema, por exemplo, em tribunais superiores. É comum a prática de alguns ministros de estabelecer quotas semanais de processos por assessor, no intuito de não deixar o acervo acumular. Só no TST, por exemplo, entram em média mil recursos diariamente. "Considerando as metas propostas nos gabinetes e a produção semanal, costuma-se despender, em média, 30 minutos em cada caso", explica o professor de Direito do Trabalho Gáudio Ribeiro de Paula, que dá aulas nas Escolas Superiores de Advocacia de Brasília e São Paulo. "Os mesmos 30 minutos serão gastos para ler dez ou 100 páginas", alerta o professor, que trabalha como assessor de um dos ministros da corte. "A objetividade é uma virtude essencial."
Nos cursos que ministra, Gáudio dá dicas sobre como ser direto sem deixar informações importantes de fora. "É imprescindível decompor didaticamente as ideias estruturando, de forma ordenada, temas ou tópicos em capítulos, destacando aspectos relevantes com recursos como o negrito e o sublinhado, que devem se limitar ao essencial." O velho costume de se usar expressões em latim, por exemplo, já é uma gafe. "Diante do volume surreal de processos, seria como exigir de um soldado que mantivesse engraxados os seus sapatos durante um bombardeio."
Alguns ministros também não gostam da prolixidade. "Já vi uma censura expressa em um voto de uma ministra do TST no caso de um advogado que redigiu uma petição de mais de 500 páginas", conta o professor, que ministra
curso sobre o assunto no dia 10 de agosto na ESA-SP, com abertura feita pelo ministro do TST Ives Gandra da Silva Filho. "Tenho citado nos cursos o exemplo de um advogado trabalhista de grande renome que, em geral, redige seus Embargos Declaratórios em uma ou duas páginas, e tem obtido grande êxito em suas causas", diz de Paula.
"O advogado precisa traduzir a questão de uma maneira sucinta para permitir ao juiz gastar tempo com o que interessa: ter uma percepção razoável da situação", concorda Luiz Fernando Castro. Segundo ele, em meio a centenas de recursos julgados em bloco numa única sessão pelos tribunais, o grande desafio é garantir que o pedido seja realmente lido.
A dinamização dos julgamentos pode interessar não só a julgadores, mas também a advogados, principalmente os que atuam em causas repetitivas. "Tenho um amigo gestor de processos sobre cartões de crédito em um banco que me disse: o caso curioso você me conta no chopp; no meu trabalho, o que interessa é quanto tempo a Justiça demora para julgar e qual é a média de ganho das causas", conta Castro. Faz todo sentido, levando-se em conta as avaliações feitas pelas instituições financeiras quanto à recuperação de dívidas e custo dos processos.
No entanto, levar a lógica capitalista para dentro da Justiça pode tirar o foco de quem é o alvo das decisões: as pessoas. "O processo não é um estorvo, uma decisão não é um produto e o Judiciário não é um supermercado", alegoriza um pessoa que já trabalhou como assessor de desembargadores e de ministros de tribunais superiores. Embora no gabinete em que atue não haja fixação de quotas semanais, ele afirma já ter passado pela experiência ao trabalhar para um ministro no Superior Tribunal de Justiça. "Como cidadão, não gostaria de ter o meu processo tratado como uma mercadoria nas mãos de um despachante aduaneiro, que diz apenas se estou no código amarelo ou vermelho."
Reféns da mudançaO processo eletrônico pode fazer outra vítima. A possibilidade de se mandar uma petição por meio digital para todo o Brasil, pelo menos em tese, ameaça a atividade dos escritórios que atuam como correspondentes em estados fora do eixo Rio-São Paulo. Hoje responsáveis pela protocolização de petições e controle de andamento de processos de grandes bancas, esses profissionais podem ter de se restringir ao contato com os julgadores locais em causas específicas e de maior importância.
"Bancas com grande volume de ações e necessidade de reduzir custos podem optar pelo modelo eletrônico, diante de um Judiciário que julga rápido e bem", considera Luiz Fernando Castro. "Pelo menos 50% do movimento processual dos fóruns tende a virar produção em massa, o que não é ruim, se oferecer um grau razoável de certeza e segurança."
Hoje, para peticionar mais de cinco vezes por ano em outro estado, segundo a lei, o advogado precisa obter inscrição suplementar na OAB local, e pagar a anuidade da entidade — o que não representa exatamente um obstáculo.
Quem também tende a sucumbir diante da informatização são as atuais regras processuais. Como cada tribunal disciplina o próprio procedimento, há uma infinidade de instruções a serem seguidas por quem conduz uma ação. Muitas delas superam as previsões dos Códigos de Processo. "Há limitações de tamanho para as petições, de quantidade de documentos, de horários de funcionamento, e marcos para início da contagem de prazos e constatação do seu cumprimento", exemplifica Castro.
Demonstração disso é a própria exigência da certificação digital para o ajuizamento. "A lei prevê apenas que o impetrante seja advogado", lembra o especialista. "Em São Paulo, isso não assusta, mas e no Acre? Além disso, hoje quem não tem banda larga não consegue advogar por meio eletrônico."
No TST, segundo Gáudio de Paula, o tamanho limite de arquivos com documentos é de 2 megabytes por processo. O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, em Mato Grosso do Sul, estipulou o número máximo de 40 páginas para as petições iniciais.
De acordo com Paulo Cristóvão, apenas a Justiça Federal de São Paulo tem instalado o PJe. O Tribunal de Justiça do estado também aderiu, mas ainda está desenvolvendo o projeto piloto do sistema. A produção também caminha nos Tribunais Regionais Federais da 3ª e da 5ª regiões, assim como nos Tribunais de Justiça de Pernambuco e da Paraíba. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região deve homologar sua versão no CNJ em setembro. O sistema ainda vai ajudar o Conselho a colher dados para o levantamento anual Justiça em Números — que avalia a litigiosidade e a produtividade em todas as cortes —, o que deve diminuir o trabalho dos juízes em passar essas informações.
Clique
aqui para ler o manual do PJe.
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