segunda-feira, 20 de setembro de 2010

DIREITO: STJ - Retirada de autos de cartório durante período de recurso pode justificar devolução de prazo

A retirada dos autos durante o prazo comum para recursos pode levar à devolução do prazo para a parte prejudicada. A decisão é da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O ministro Aldir Passarinho Junior, relator do recurso, ressaltou que no caso analisado o recorrente manifestou o fato ainda dentro do prazo recursal, pedindo a restituição do tempo faltante em razão da retirada dos autos pela parte contrária. Por isso, não se estaria diante das chamadas “nulidades guardadas”.
Para o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, como o recorrente já havia tido oportunidade de acesso aos autos, e como a extração era rápida e já deveria ter sido feita, o pedido de devolução de prazo transformaria em estética processual a ética que deveria presidir o processo.
Mas o relator do recurso no STJ entendeu que, apesar dos fundamentos ponderáveis e judiciosos do acórdão, o primeiro erro não justificaria o segundo. O equívoco maior, explicou, seria do cartório da vara judicial, que tem o dever de zelar pela observância das regras processuais aplicáveis aos autos sob sua guarda, o que deixou de fazer por duas vezes, ao permitir que fossem indevidamente retirados.
Por isso, mesmo que o recorrente já tivesse tido vista dos autos por sete dias, ainda fazia jus à disponibilidade do processo em cartório até o término do prazo comum de recurso.

DIREITO: STJ admite como prova cópia extraída da internet de ato relativo à suspensão dos prazos processuais

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) admitiu que cópias de atos relativos à suspensão dos prazos processuais, obtidas a partir de sites do Poder Judiciário, são provas idôneas para demonstrar a tempestividade do recurso, salvo impugnação fundamentada da parte contrária.
De acordo com o relator, ministro Luis Felipe Salomão, documentos eletrônicos obtidos em sites da Justiça, na internet, como as portarias relativas à suspensão dos prazos processuais – com identificação da procedência do documento e cuja veracidade é facilmente verificável, juntadas no instante da interposição do recurso especial –, possuem os requisitos necessários para caracterizar prova idônea e podem ser admitidos como documentos hábeis para demonstrar a tempestividade do recurso, salvo impugnação fundamentada da parte contrária.
No STJ, era pacífico o entendimento de que essa cópia deveria ser certificada digitalmente ou que fosse admitida pelas partes como válida ou aceita pela autoridade a quem fosse oposta, no caso também o órgão jurisdicional. Com a decisão da Corte Especial, os ministros admitiram a cópia sem a certificação, desde que conste no documento o endereço eletrônico de origem e a data na qual ele foi impresso.
Em seu voto, o ministro Salomão registrou que o STJ, neste momento, depara-se com importantes discussões acerca do direito da tecnologia, cujos maiores desafios encontram-se no combate às inseguranças inerentes ao meio virtual e na conferência de eficácia probatória às operações realizadas eletronicamente, motivo por que a posição fixada pelo Tribunal deveria ser revista.
“O Superior Tribunal de Justiça, órgão do Poder Judiciário, reconhecido pela vanguarda de suas ações, parece sensível ao avanço tecnológico e utiliza-se do meio eletrônico para comunicação de atos e transmissão de peças processuais, respaldado pelas devidas cautelares legalmente estabelecidas”, afirmou na decisão.

DIREITO: STJ - Redecard não se equipara a administradora de cartões e submete-se à Lei da Usura

A empresa Redecard S/A não se equipara a instituição financeira, estando submetida à Lei da Usura (Decreto n. 22.626/1933). A decisão é da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em ação que questionava o valor da taxa de antecipação de créditos relativos a vendas com cartões.
O ministro Sidnei Beneti confirmou o entendimento do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) de que a Redecard não é instituição financeira nem administradora de cartão de crédito – função da empresa Credicard –, cabendo a ela apenas o credenciamento de estabelecimentos comerciais para aceitação do cartão e a administração dos pagamentos a estes por vendas ocorridas por esse meio.
Por isso, a empresa não pode ser submetida às regras específicas das integrantes do Sistema Financeiro Nacional, enquadrando-se nos limites impostos pela Lei da Usura. O decreto veda a cobrança de taxas de juro superiores a 12% ao ano.
O recurso da empresa também afirmava que os valores em questão não se constituem juros. Mas o relator sustentou que os juros são o preço pago pelo capital posto à disposição do devedor por um tempo determinado, ou, citando doutrina, “a contrapartida que alguém paga por temporária utilização de capital alheio”.
Ou seja, os juros são “o preço do dinheiro”, e servem para compensar ou indenizar a parte que disponibiliza o capital à outra. Dessa forma, a “taxa de desconto” por antecipação do crédito, que variava entre 6,23% e 9% e era cumulada com a taxa de administração, corresponde a juros incidentes sobre adiantamento de capital, uma forma de juros compensatórios, incidindo a limitação em 1% ao mês.
A Turma rejeitou, porém, outro argumento do TJRS, mas que não alterou o resultado do julgamento. O Tribunal de Justiça gaúcho considerava ainda que a relação entre a Redecard e a SCA Comércio de Combustíveis Ltda. equiparava-se a relação de consumo, conforme dispõe o artigo 29 do Código de Defesa do Consumidor.
Mas o relator esclareceu que o entendimento contraria a jurisprudência da Segunda Seção do STJ, que adota o critério finalista para caracterização desse tipo de relação. Isto é, para ser considerada consumidora, a parte deve ser a destinatária econômica final do bem ou serviço adquirido, o que não ocorre no caso, já que o contrato serve de instrumento para facilitação das atividades comerciais do estabelecimento.

DIREITO: Faltam 13 dias para as eleições gerais de 2010: dia 23 termina prazo para pedir segunda via do título

Faltam 13 dias para as eleições gerais de 2010. Para votar no dia 3 de outubro, o eleitor que perdeu ou teve o título extraviado tem até esta quinta-feira (23) para pedir a segunda via (reimpressão) do documento, em qualquer cartório eleitoral do país. Com o objetivo de garantir o direito do voto de todos os cidadãos, em junho deste ano o Tribunal Superior Eleitoral autorizou a reimpressão até esta data, mesmo para daqueles eleitores que estiverem fora do seu domicílio eleitoral.
Só pode pedir a reimpressão o eleitor que já tinha ou que solicitou seu título até 5 de maio deste ano, data em que foi fechado o cadastro eleitoral de 2010.
Dois documentos
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lembra que a Lei 12.034/2009 determinou a obrigatoriedade da apresentação do título e de um documento oficial com foto para votar nas próximas eleições.
Como documento oficial serão aceitos a carteira de identidade ou documento de valor legal equivalente (identidade funcional), carteira de trabalho ou de habilitação com foto e certificado de reservista ou ainda o passaporte. Já as certidões de nascimento ou casamento não serão admitidas como prova de identidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

HUMOR

Do blog do CLÁUDIO HUMBERTO
Sponholz

POLÍTICA: Lula - revista Veja "destila ódio e mentira"

Do BAHIA NOTÍCIAS
Em comício neste sábado (18), em Campinas (SP), o presidente Lula fez críticas severas ao que classificou como "alguns jornais e revistas que se comportam como partido político". Em palanque da campanha de Dilma Rousseff, Lula recomendou que a candidata não "perca o bom humor" por denúncias. "Se mantenham tranquilos, porque outra vez, Dilma, nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem coragem de dizer que são partido político, que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato, que não são democratas e pensam que são", disse o presidente. Lula fez referência jocosa à revista semanal "Veja", que publicou no dia 11 a primeira denúncia sobre suposto tráfico de influência na Casa Civil e voltou ao tema na edição deste sábado. "Eu fico vendo algumas revistas que vão sair na semana, sobretudo uma que não sei o nome dela, parece 'óia', nordestino falaria 'ói' . Ela destila ódio e mentira", afirmou o presidente. Informações do G1.

GERAL: Pojuca - nove foram baleados em "parada gay"

Do BAHIA NOTÍCIAS

A Parada do Orgulho Gay da cidade de Barra de Pojuca, na Região Metropolitana de Salvador, terminou com o saldo de nove pessoas baleadas. O ato é atribuído a um grupo liderado pelo traficante Manoel Messias Marinho, conhecido na região como Royal. O criminoso viajava em uma caminhonete com mais outros quatro homens à procura de uma pessoa identificada apenas como Gabriel e, no intuito de feri-lo com disparos de armas de fogo, acertou nove pessoas que participavam da festa, que acontecia na praça principal da cidade. Embora nove feridos tenham sido contabilizados oficialmente, participantes da parada afirmam que cerca de 20 foliões foram baleados. As informações são do A Tarde Online.

DIREITO: TST - Advogado obtém benefício da Justiça gratuita

Do MIGALHAS
Com o entendimento que o benefício da Justiça gratuita não é limitativo e estende-se a qualquer pessoa que demonstre incapacidade financeira para arcar com as custas judiciais, a 6ª turma do TST concedeu o benefício a um advogado, que teve o recurso ordinário negado pelo TRT da 3ª região/MG, por falta de pagamento das custas recursais, a despeito de ter requerido a gratuidade de justiça.
A questão começou quando o advogado faltou a uma audiência, em que atuava na reclamação trabalhista de empregado de uma empresa mineira do setor industrial e comercial, e o juiz arquivou a ação e o condenou ao pagamento de R$ 392,03, relativo às custas do processo. Ele recorreu, mas a sentença foi mantida, e seu recurso de revista arquivado.
Pretendendo ver seu apelo julgado, ele recorreu à instância superior, em agravo de instrumento, e obteve êxito. De acordo com o relator na 6ª turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, o advogado tem razão em defender que a partir do momento em que lhe foi constituída a obrigação do pagamento das custas, se tornou parte no processo e assim tinha direito ao mesmo tratamento dado às partes.
O relator esclareceu que tendo sido o advogado condenado na sentença "é óbvio que surge para ele interesse recursal, integrando-se no processo em situação peculiar, visto que além de atuar na causa como patrono de seu cliente, passa a integrar a lide, em face de pretensão e conflito próprios". O artigo 5º, LXXIV, da CF/88 (
clique aqui) assegura que "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos", afirmou.
Mesmo "que não haja previsão legal que instrumentalize a aplicação dos benefícios da gratuidade de Justiça, ou que as normas infraconstitucionais existentes sejam deficientes, incompletas ou restritivas, não se pode negar a nenhuma pessoa carente o adequado acesso ao sistema de justiça, haja vista que a garantia constitucional tem como finalidade a promoção de direitos humanos fundamentais e dos princípios de cidadania", manifestou o relator.
Ao concluir, o relator concedeu o referido benefício ao advogado, afastando assim a deserção do seu recurso ordinário (falta de pagamento das custas) e determinou que os autos sejam devolvidos ao TRT "para que prossiga no exame daquele recurso como entender de direito". Seu voto foi seguido unanimemente pela 6ª turma.
Processo Relacionado : 19440-08.2009.5.03.0050 -
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FRASE DO (PARA O) DIA

"Não creio que na nossa linguagem política se diga que se transige com atos de imoralidade, com fatos criminosos. A isso chama-se corrupção, e não transação."
José de Alencar (o escritor)

POLÍTICA: Presidência na ciranda do suposto esquema

Do BAHIA NOTÍCIAS

A Presidência da República entrou na ciranda do suposto esquema de propinas da Casa Civil, de acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”, edição deste domingo. Teria dado “atestado único de capacidade técnica à Unicel do Brasil Telecomunicações, empresa que tem como consultor o marido da ex-ministra Erenice Guerra.” Segundo o jornal, “foi a primeira e única vez que a Diretoria de Telecomunicações da Presidência avalizou um serviço experimental, o que causou surpresa às empresas do setor por não ser de praxe órgãos públicos atestarem capacidade baseados somente em testes.” O jornal afirma que teve acesso a um documento, de janeiro de 2007 quando Erenice era Secretária Geral e Dilma Rousseff chefe da Casa Civil de Lula. Conta que “A Unicel brigava na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por uma licença para implantar serviço de comunicação via rádio, que atenderia as Forças Armadas, a Presidência da República e a Polícia Federal --pedido ainda em análise. Assinado por um diretor da Presidência, o atestado especifica a capacidade do sistema e diz que ele foi instalado e operado de "maneira satisfatória". No entanto, relata, “não consta o período em que a rede funcionou nem que ela se baseou apenas em teste. O presidente da Unicel, José Roberto Melo da Silva, disse que documento foi usado em processos na Anatel e no Tribunal de Contas da União.” (Samuel Celestino)

ARTIGO: Casa Civil enfarta o Governo

Do BAHIA NOTÍCIAS
Por Samuel Celestino

"Pela segunda vez, o coração do governo Lula enfartou. No final do seu primeiro mandato, em 2005, nasceu à sombra da Casa Civil um dos maiores episódios de corrupção da história republicana contemporânea. Lula preferiu não agir. Faltava ainda um ano para a sua campanha à reeleição e ele aguardou, imaginando corrigir o entupimento da principal artéria coronariana do governo com um stent, para sanar a obstrução transformada em escândalo".

COMENTÁRIO:Erenice: meus filhos vão viver às minhas custas?

Do BAHIA NOTÍCIAS

A revista IstoÉ que está a circular traz a primeira entrevista com Erenice Guerra depois de eclosão do escândalo. Foi concedida na quinta feira, quando deixou, exonerada, a Casa Civil do governo. Ela admite não ter controle sobre o trabalho do filho Israel (não fala sobre os outros parentes, inclusive o marido), diz que foi traída e se entende vítima de uma campanha difamatória. O curioso é a declaração que faz, em termos de interrogação: “Meus filhos vão viver às minhas custas?” Ou, quer, então, que continuem a viver às custas do erário da viúva, recebendo propina e se locupletando das vantagens obtidas nos negócios sujos vinculados ao lobby cujo ninho estava montado na Casa Civil? Quer que seus filhos vivam da tunga que cometeram metendo a mão nos cofres públicos? Era o que faltava... (Samuel Celestino)

CORRUPÇÃO: Propina era distribuída dentro da Casa Civil

Do BAHIA NOTÍCIAS

A reportagem de capa da revista VEJA desta semana traz mais indícios da extensão do balcão de negócios que funcionava dentro da Casa Civil. A revista relata o episódio em que o jovem advogado Vinicius de Oliveira Castro, sócio do filho da ex-ministra Erenice, se surpreendeu ao encontrar R$ 200 mil na gaveta de sua mesa de trabalho. “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”, disse. Como mostra a reportagem, o dinheiro era propina distribuída aos funcionários do ministério para que eles mantivessem silêncio sobre esquemas de corrupção, ou colaborassem com eles.

GESTÃO: Cai o Diretor de Operações dos Correios

Do BAHIA NOTÍCIAS

O diretor de operações dos Correios caiu. O presidente da estatal, David José de Matos, afirmou neste domingo (19) que o coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva deixará o cargo já nesta segunda-feira (20). O anúncio foi feito no dia em que o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o diretor é testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey, que vive em Miami, na Master Top Linhas Aéreas (MTA), personagem da crise que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra. Os documentos obtidos pela reportagem mostram que o coronel participa de um esquema de empresas de fachada no Brasil, no Uruguai e nos EUA para ocultar a propriedade estrangeira e facilitar o funcionamento da MTA no Brasil

POLÍTICA: Dilma não mostra mesmo seu plano de governo

Do BAHIA NOTÍCIAS

Um fato distinto ocorre nessas eleições presidenciais. A candidata do PT, Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, pode sair vitoriosa já no primeiro turno, mas até agora não apresentou aos eleitores o seu programa de governo. Diferentemente da maioria dos pleiteantes a um cargo Executivo, a campanha da petista se limita a informar no horário eleitoral gratuito algumas metas que pretende alcançar. Os coordenadores da campanha do PT se restringem ao alto índice de popularidade do presidente Lula e muitas pessoas ainda não se tocaram nisso. Para alguns políticos, o plano de governo é nada menos que uma cláusula do contrato que o eleitor deve ter conhecimento para decidir se vota ou não naquele candidato. (Gusmão Neto)

DIREITO: Procuradoria pede informações sobre publicidade da Carta Capital

Do POLÍTICA LIVRE
O Ministério Público Eleitoral encaminhou ontem à revista “Carta Capital” um pedido de informações sobre os valores da verba publicitária que a publicação recebeu do governo federal nos últimos dois anos. Por decisão de Sandra Cureau, vice-procuradora-geral eleitoral, foi aberto processo administrativo para apurar acusação recebida pela Procuradoria no Distrito Federal. O órgão diz que o pedido de informações é uma “praxe”. Na denúncia, um homem, cujo nome não foi revelado pelo Ministério Público, diz que a revista apoia Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, e pede a investigação da verba publicitária que o governo Lula repassa para a publicação. Sérgio Lirio, redator-chefe da revista, considerou “estranho e esquisito” o pedido. “Somos auditados e nossos contratos são todos formais. Somos transparentes, temos posição e ela é clara”, disse. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência declarou que, como não foi notificada, não iria se manifestar. (Folha)

CORRUPÇÃO: Caso Erenice: Além de todos, o marido!

Do POLÍTICA LIVRE
Deu em Veja: “(…) VEJA apurou mais um caso no qual o poder da Casa Civil dentro do governo misturou-se aos interesses comerciais da ex-ministra, resultando numa negociata de 100 milhões de reais. Desta vez, o lobista central da traficância não é o filho, mas o atual marido de Erenice Guerra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos.
Com a ministra Dilma Rousseff na Casa Civil e a esposa Erenice Guerra como seu braço direito, Camargo convenceu dois amigos donos de uma minúscula empresa de comunicações a disputar o milionário mercado da telefonia móvel. Negócio arriscado, que exige muito capital e experiência num ramo cobiçado e disputado por multinacionais. Isso não era problema para Camargo e seus sócios. Eles não tinham dinheiro nem experiência, mas sim o que efetivamente importa em negócios com o governo: os contatos certos – e poderosos.
Em 2005, a empresa Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa do marido ganhou o direto de entrar no mercado. De tão exótica, a decisão foi contestada pelos setores técnicos da Anatel, que alegaram que a empresa sequer havia apresentado garantias sobre sua capacidade técnica e financeira para tocar o negócio.
O recurso levou dois anos para ser julgado pela Anatel. Nesse período, Erenice e seu marido conversaram pessoalmente com o presidente da agência, conselheiros e técnicos, defendendo a legalidade da operação. “A Erenice fazia pressão para que os técnicos revissem seus parecereres e os conselheiros mudassem seu voto”, conta um dos membros do conselho, também alvo da pressão da ex-ministra.
A pressão deu certo. O técnico que questionou a legalidade da concessão, Jarbas Valente, voltou atrás e mudou seu parecer, admitindo os “argumentos” da Casa Civil. Logo depois, Valente foi promovido a conselheiro da Anatel. Um segundo conselheiro, Pedro Jaime Ziller, também referendou a concessão a Unicel. Não se entende bem a relação entre uma coisa e a outra, mas dois assessores de Ziller, logo depois, trocaram a Anatel por cargos bem remunerados na Unicel.
Talvez tenham sido seduzidos pelos altos salários pagos pela empresa, algo em torno de 30 000 reais – muito, mas muito mais do que se paga no serviço público. O presidente Elifas foi pressionado diretamente pelo Ministro das Comunicações, mas nem precisava: ele foi colega de Exéricito de um dos sócios da Unicel. Tudo certo? Não. Havia ainda um problema a ser sanado.
A legislação obriga as concessionárias a pagar 10% do valor do contrato como entrada para sacramentar o negócio. A concessão foi fixada em 93 milhões de reais. A empresa, portanto, deveria pagar 9,3 milhões de reais. A Unicel não tinha dinheiro.
Novamente com Erenice à frente, a Unicel conseguiu uma façanha. O conselho da Anatel acatou o pedido para que o sinal fosse reduzido para 1% do valor do negócio, ou seja, pouco mais de 900 000 reais. A insólita decisão foi contestada pelo Ministério Público e, há duas semanas, considerada ilegal pela Justiça.
Com a ajuda estatal, a empresa anunciou o início da operação em outubro de 2008, com o nome fantasia de AEIOU, prometendo tarifas mais baixas para atrair o público jovem, com o compromisso de chegar a um milhão de clientes em dois anos. Como foi previsto pelos técnicos, nada disso aconteceu.
Hoje, a empresa tem 20 000 assinantes, sua única loja foi fechada por falta de pagamento de aluguel e responde a mais de 30 processos por dívidas, que ultrapassam 20 milhões de reais. Mau negócio? Apesar da aparência, não. A grande tacada ainda está por vir.
O alvo do marido de Erenice é o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) – uma invenção que vai consumir 14 bilhões de reais para universalizar o acesso a internet no Brasil. O grupo trabalha para “convencer” o governo a considerar que a concessão da Unicel é de utilidade pública para o projeto. Com isso, espera receber uma indenização. Valor calculado por técnicos do setor: se tudo der certo, a empresa sairá com 100 milhões de reais no bolso, limpinhos.
Dinheiro dos brasileiros honestos que trabalham e pagam impostos.
A participação da Casa Civil no episódio ultrapassa a intolerável fronteira das facilidades e da pressão política. Aqui, aparecem diretamente as promíscuas relações entre os negócios da família Guerra e os funcionários que, dentro da Presidência da República, deveriam zelar pelo bem público.
A Unicel contou, em especial, com os favores de Gabriel Boavista Lainder, assessor da Presidência da República e dirigente do Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital, que comanda o PNBL. Antes de ocupar o cargo, Gabriel trabalhou por oito anos com os donos da Unicel. Mas isso é, como de costume, apenas uma coincidência – como também é coincidência o fato de ele ter sido indicado ao cargo pelo marido de Erenice.
“O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”, diz Laender. E completa: “O PNBL não contempla o uso da faixa da Unicel, mas ela pode operar a banda larga do governo se fizer adaptações técnicas” É um escárnio.
Camargo indicou o homem que pode resolver os problemas de sua empresa. Procurado, o marido de Erenice não quis se pronunciar. Na Junta Comercial, o nome de Camargo aparece como sócio de uma empresa de mineração, que funciona em modesto escritório em Brasília. Um probleminha que pode chamar a atenção dos investigadores: a Unicel está registrada no mesmo endereço, que também era usado para receber empresários interessados em negócios com o governo. Certamente mais uma coincidência.”

POLÍTICA: Até a amiga Dilma virou as costas a Erenice

Do POLÍTICA LIVRE
Dona dos mais bem guardados segredos do presidente Lula e da ex-chefe e antecessora Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra é um poço até aqui de mágoas. Ela se sentiu abandonada quando tentou falar com a amiga e candidata do PT a presidente, ao menos por telefone, quando era pressionada pelo ministro Franklin Martins (Propaganda) a se demitir. Mas foi inútil. Como não conseguia nem mesmo falar com Dilma, Erenice percebeu que estava só e “pendurada na brocha”, diz um amigo da ex-ministra. O sentimento de abandono de Erenice chegou ao conhecimento de Lula. O governo deve tentar blindar a ex-ministra. (Claudio Humberto)

CORRUPÇÃO: Assessor recebeu propina na Casa Civil, diz revista

Do POLÍTICA LIVRE
Em nova denúncia envolvendo pessoas ligadas à ex-ministra Erenice Guerra, que deixou na quinta-feira a Casa Civil, o advogado Vinícius de Oliveira Castro – também afastado da função – foi apontado ontem, pela revista Veja, como beneficiário de uma propina de R$ 200 mil, numa operação de compra, pelo governo, de remédio contra a gripe suína. O episódio, diz a revista, aconteceu em julho do ano passado, quando Erenice Guerra era ainda secretária-executiva da ministra Dilma Rousseff. Vinícius, parceiro de vários negócios de Israel Guerra, filho de Erenice, surpreendeu-se um dia ao chegar à sua mesa de trabalho e encontrar na gaveta um envelope fechado com o dinheiro. “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”, perguntou. Um colega explicou: “É a PP do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”. “PP” é a sigla para os pagamentos oficiais do governo – mas, naquele diálogo, queria dizer propina. Tamiflu é um antiviral que o Ministério da Saúde comprou do Laboratório Roche, para combater a gripe H1N1. (Agência Estado)

GERAL: Anagé: acidente com romeiros provoca pelo menos 13 mortes

Do POLÍTICA LIVRE
Um grave acidente ocorrido na manhã deste domingo provocou pelo menos 13 mortes na região de Anagé, município do sudoeste do estado. Os freios de um caminhão F4 1000, que transportava romeiros de Barra do Choça para Bom Jesus da Lapa, teriam falhado e o veículo capotou na pista da BA 262. Três pessoas morreram na hora e outras 30 foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel (SAMU). Porém, segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), 10 pessoas que eram levadas para Hospital de Vitória da Conquista não resistiram aos ferimentos e morreram. A região onde ocorreu o acidente é conhecida como Serra dos Pombos. O veículo transportava 36 pessoas. (Correio)
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