quarta-feira, 28 de abril de 2010

GERAL: Universal é acusada de enviar US$ 400 milhões para o exterior

De O FILTRO
Os sócios da casa de câmbio Diskline, que aceitaram colaborar com as investigações do Ministério Público no Brasil e da Promotoria de Nova York pela chamada delação premiada, denunciaram ontem a Igreja Universal. Segundo reportagem do Estadão, a Universal é acusada de enviar para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas pelos doleiros. O total pode chegar a cerca de R$ 400 milhões. O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

MUNDO: Grécia - dívida, moeda e ajuste

Do POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Muito tem sido comentado sobre a situação econômica da Grécia e sua correspondente influência sobre os mercados mundiais. O pequeno e notável país da Europa tem uma relação dívida sobre o PIB da ordem de mais de 100% e um déficit fiscal de cerca de 13% do PIB. Como se vê, uma situação insustentável, sobretudo depois do débâcle do sistema financeiro norte-americano e sua influência no mundo. Mas perguntamos : há novidade neste fato ? Não, não há. Ele existe há anos e o sistema financeiro internacional continuou financiando irresponsavelmente este cenário. Agora, questiona-se sobre a capacidade de pagamento do país. Uma contradição.
O problema grego não é único
Ocorre que a Grécia não é o único país nesta situação. A Itália, a Espanha e Portugal tem exatamente o mesmo perfil. E certamente merecerão questionamento no futuro sobre a sustentação da capacidade de solvência. Em menor medida, há quem questione o próprio Reino Unido, sócio maior da irresponsabilidade dos EUA na gestão do setor bancário.
O problema é o câmbio
Usualmente, quando países chegam a um cenário como o da Grécia e de outros países da UE, o ajuste é via câmbio : desvaloriza-se as moedas (e, por derivação, os salários) e constrói-se resultados no balanço de pagamentos que restitui a capacidade de pagamento no médio prazo. O risco é a inflação devastar este ajuste. Todavia, os países europeus estão "amarrados" ao euro que, na prática é administrado pela Alemanha e França. Portanto, nenhum dos países mais afetados pelo excesso de endividamento têm, na prática, a opção cambial.
Um teste para o euro e a UE
Ora, no contexto acima devido, a Alemanha e a França tem de ajudar a viabilizar uma saída para a rolagem das dívidas da Grécia. Todavia, são estes países que mais atrapalham na tentativa do desgastado governo grego em garantir a sua solvência. Angela Merkel e Nicolas Sarkozy se deleitam com a liderança da UE, mas não assumem as responsabilidades de financiar os países mais penalizados pela crise internacional. Uma contradição, protegida pela necessidade de aprovar nos seus respectivos parlamentos o apoio à Grécia.
A opção da moratória
Restaria ao governo helênico exercer a sua soberania e impor uma moratória - negociada ou unilateral - para evitar um desastre na atividade econômica. Se esta opção fosse tomada, certamente o prejuízo à UE seria muito maior de vez que a pressão sobre Portugal, Espanha e Itália passaria a ser gigantesca, além de uma provável desvalorização substantiva do euro. A Grécia resiste à opção da moratória e protege a UE, a mesma que lhe nega franco apoio. Uma contradição que perdurará enquanto o povo grego suportar e não levantar suas fileiras para manter o seu interesse interno o qual sempre prevaleceu em sua história e civilização.
Cadê os profetas ?
A situação da UE deixa evidente que o euro está longe de se consolidar como alternativa de ser a "moeda-reserva" da comunidade internacional. Ocorre que há não muitos meses, sobravam analistas e economistas célebres pregando o declínio da moeda americana. Quem apostou nesta opção vê prejuízos pela frente. Não são poucos. No curto prazo, é possível ser categórico : o euro vai cair ainda mais frente ao dólar e as outras moedas mundiais. No longo prazo, não se sabe por uma única razão : não há modelo analítico razoável que permita esta previsão. A despeito dos irresponsáveis que dizem ter esta capacidade, digamos, "mediúnica".

ECONOMIA: Meirelles defende “paulada” na taxa de juros

De O FILTRO
Para o presidente do Banco Central Henrique Meirelles, é preciso dar uma “paulada” na taxa básica de juros da economia. A declaração foi feita em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com reportagem da Folha, apesar da expectativa de que o processo de elevação dos juros seria gradual, o governo espera para amanhã alta de até 0,75 ponto percentual na Selic, hoje em 8,75% ao ano.

terça-feira, 27 de abril de 2010

DIREITO: Portador de câncer é isento de pagar IR mesmo que não apresente sintomas recentes

O contribuinte aposentado que sofre de câncer tem direito à isenção do pagamento de imposto de renda sem a necessidade de demonstrar a existência de sintomas recentes. Também não é necessária a indicação de data de validade do laudo pericial ou comprovação de possível recaída da doença, uma vez que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é no sentido de diminuir o sacrifício do inativo, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e remédios. Com essa decisão, a Segunda Turma, com base em voto da ministra Eliana Calmon, conheceu em parte, mas negou provimento ao recurso especial do Distrito Federal contra R.A.G., militar da reserva. O Distrito Federal recorreu ao STJ contra decisão do Tribunal de Justiça (TJDFT), que determinara que o militar da reserva diagnosticado com câncer é isento de IR sobre seus proventos, ainda que a doença tenha sido detectada após a transferência do servidor para a inatividade. Segundo a Procuradoria do DF, esse entendimento teria sido omisso porque o beneficiado teria demonstrado que a doença foi erradicada após cirurgia para extração do tumor. Além disso, “a possibilidade de recaída da doença não é motivo que autorize o enquadramento do autor/recorrido na norma isentiva”. A Procuradoria também argumentou que a decisão do TJDFT teria se omitido sobre vícios no laudo apresentado pelo autor, porque o documento não atendia aos requisitos legais exigidos pelo artigo 30 da Lei n. 9.250/95 para a obtenção do benefício fiscal da isenção, na medida em que deixou de apresentar o respectivo prazo de validade para o caso de doenças passíveis de controle, como o câncer. Defendeu ainda que não seria possível o reconhecimento da isenção de IR sobre os valores recebidos a título de reserva remunerada, quando a legislação em vigor trata apenas dos proventos de aposentadoria e reforma. Para a ministra relatora do processo, Eliana Calmon, o TJDFT realmente não mencionou a circunstância de a enfermidade ter sido possivelmente erradicada, tampouco fez referência ao prazo de validade do laudo médico. Todavia, “não obstante a ocorrência de omissão, entendo que tais questões são desnecessárias para o desfecho da causa, em razão da natureza da moléstia acometida ao particular”, disse. Em seu voto, a ministra ressaltou que a jurisprudência do Tribunal é pacífica no sentido de que, em se tratando de neoplasia maligna, não se exige a demonstração da presença de sintomas nem a indicação de validade do laudo pericial, ou a comprovação de recaída da doença, para que o contribuinte faça jus à isenção de IR prevista no artigo 6º da Lei n. 7.713/88. “Assim, ainda que se reconheça a violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil (omissão do julgado), descabe determinar o retorno dos autos para que o tribunal de origem se manifeste sobre matéria que – considerando a jurisprudência firmada no STJ – não ensejaria a mudança do entendimento adotado”, explicou. Quanto à possibilidade de o militar da reserva ser enquadrado na norma da isenção de IR, Eliana Calmon citou decisão da ministra Denise Arruda que firmou jurisprudência sobre o tema: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do Imposto de Renda. Os proventos recebidos por militar transferido para a reserva remunerada são da mesma forma isentos porquanto presente a mesma natureza dos rendimentos, ou seja, decorrentes da inatividade”. Ao concluir o voto, acompanhado por unanimidade pela Segunda Turma, Eliana Calmon afirmou: “Filio-me ao posicionamento adotado pela Primeira Turma, no sentido de que a reserva remunerada equivale à condição de inatividade, situação contemplada no artigo 6º da Lei n. 7.7713/88, de maneira que são considerados isentos os proventos percebidos pelo militar nesta condição. Com essas considerações, conheço parcialmente do recurso especial, mas lhe nego provimento”.

DIREITO: Súmula - Crédito tributário é constituído no momento de entrega da declaração da empresa ao Fisco

Súmula aprovada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou o entendimento de que o crédito tributário de uma empresa passa a ser constituído como tal no momento em que é entregue a declaração desta. Assim, a nova súmula, de número 436, tem a seguinte redação: “A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco”.
A súmula tomou como base votações do STJ relacionadas ao tema, sobretudo de processos em que se discutiu o período a partir do qual determinadas empresas poderiam ser consideradas em débito com a Fazenda e o prazo de prescrição para ajuizamento de ação referente a cobrança. O mais antigo foi o Recurso Especial n. 510.802/SP, de 2004, interposto pela empresa Irmãos Pane Ltda. contra a Fazenda do Estado de São Paulo.
O recurso, cujo relator no STJ foi o ministro José Delgado, teve como objetivo impedir execução fiscal movida contra a empresa. Para o ministro, em se tratando, no caso, de crédito tributário originado de informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio da Guia de Informação e Apuração (GIA) do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a constituição definitiva do crédito deve ser considerada “no momento em que há a apresentação desse documento”.
“Outro entendimento não é passível de aceitação quando se contrapõe o fato de que, a partir do momento em que há o depósito da GIA, a Fazenda se encontra apta a executar o crédito declarado”, afirmou o ministro, motivo por que acatou o recurso em seu voto (aprovado por unanimidade pela Primeira Turma). Isso porque a Irmãos Pane apresentou a GIA em fevereiro de 1992, enquanto a Fazenda de São Paulo ajuizou a execução fiscal em maio de 1997, ou seja, mais de cinco anos depois – tempo em que ocorre a prescrição do débito.
Lançamento
Um segundo precedente foi observado este ano, em março, no julgamento de um agravo regimental no Agravo de Instrumento n. 1.146.516/SP, que teve provimento negado por unanimidade pela Segunda Turma. O recurso foi apresentado pela Independência Laboratórios de Análises Clínicas SC Ltda. contra a Fazenda Nacional, também em caso de execução fiscal. A empresa, entre vários argumentos, alegou que o crédito apontado pela Fazenda não teria sido objeto de lançamento formal e nem teria sido feita notificação à Independência, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN).
O ministro relator, Mauro Campbell Marques, por sua vez, destacou em seu voto que “em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou documento equivalente constitui definitivamente o crédito tributário, dispensando outras providências por parte do Fisco” .

DIREITO: STJ mantém adoção de crianças por casal homossexual

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu hoje uma decisão inovadora para o direito de família. Por unanimidade, os ministros negaram recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul e mantiveram a decisão que permitiu a adoção de duas crianças por um casal de mulheres.
Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma reafirmou um entendimento já consolidado pelo STJ: nos casos de adoção, deve prevalecer sempre o melhor interesse da criança. " Esse julgamento é muito importante para dar dignidade ao ser humano, para o casal e para as crianças", afirmou.
Uma das mulheres já havia adotado as duas crianças ainda bebês. Sua companheira, com quem vive desde 1998 e que ajuda no sustento e educação dos menores, queria adotá-los por ter melhor condição social e financeira, o que daria mais garantias e benefícios às crianças, como plano de saúde e pensão em caso de separação ou falecimento.
A adoção foi deferida em primeira e segunda instâncias. O tribunal gaúcho, por unanimidade, reconheceu a entidade familiar formada por pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de adoção para constituir família. A decisão apontou, ainda, que estudos não indicam qualquer inconveniência em que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, importando mais a qualidade do vínculo e do afeto no meio familiar em que serão inseridas. O Ministério Público gaúcho recorreu, alegando que a união homossexual é apenas sociedade de fato, e a adoção de crianças, nesse caso, violaria uma séria de dispositivos legais.
O ministro Luis Felipe Salomão ressaltou que o laudo da assistência social recomendou a adoção, assim como o parecer do Ministério Público Federal. Ele entendeu que os laços afetivos entre as crianças e as mulheres são incontroversos e que a maior preocupação delas é assegurar a melhor criação dos menores.
Após elogiar a decisão do Tribunal do Rio Grande do Sul, relatada pelo desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, o presidente da Quarta Turma, ministro João Otávio de Noronha, fez um esclarecimento: “Não estamos invadindo o espaço legislativo. Não estamos legislando. Toda construção do direito de família foi pretoriana. A lei sempre veio a posteriori”, afirmou o ministro.

POLÍTICA: Grupo que apóia Waldir no PT diz que Pinheiro é desconhecido no interior

Do POLÍTICA LIVRE

Deu na coluna Raio Laser, da Tribuna: “Quem pensa que o grupo que defende a candidatura de Waldir Pires ao Senado no PT desistiu de suas investidas pode se considerar completamente enganado. Uma reunião este fim de semana entre apoiadores do nome de Waldir para definir algumas estratégias para a candidatura concluiu que, além de viável, o nome do ex-governador para o Senado é o mais adequado por inúmeras razões. Uma das justificativas para o lançamento de Waldir Pires no grupo de seus apoiadores é o fato de seu principal concorrente no PT já declarado, o deputado federal Walter Pinheiro, não ser suficientemente conhecido no interior, onde o nível de recall dele, ao contrário, é muito grande, principalmente por conta dos vários cargos que já exerceu no Estado e em função da eleição ao Senado em que dizem ter sido fraudado.”

POLÍTICA: Marina vai pedir apoio de Ciro na campanha

Do POLÍTICA LIVRE

A pré-candidata do PV, Marina Silva, vai pedir o apoio do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) na corrida presidencial. Ela deve procurá-lo para uma primeira conversa nos próximos dias. Os verdes apostam numa rebelião de Ciro contra o próprio partido, que rifou sua candidatura para embarcar na campanha de Dilma Rousseff (PT). A operação será deflagrada assim que o PSB oficializar que não terá candidato próprio à sucessão do presidente Lula. “O apoio de Ciro nos interessa. Em tempo hábil, a Marina vai procurá-lo”, confirmou àreportagem, de Washington, por telefone, o coordenador da campanha do PV, Alfredo Sirkis. Aliados da senadora avaliam que Ciro demonstrou ressentimento com a cúpula do PSB, que barrou sua candidatura para negociar alianças regionais. Eles interpretaram as críticas a Dilma como um sinal de que o deputado pode boicotar a aliança do partido com o PT. Informações da Folha Online.

GESTÃO: Planalto alertou base sobre fraudes no turismo

Do BAHIA NOTÍCIAS

O Palácio do Planalto alertou os líderes de partidos governistas sobre os "problemas" com emendas parlamentares para festas no Ministério do Turismo. O governo sugeriu que os deputados transformassem as indicações em obras de infraestrutura. O recado foi dado em fevereiro. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), confirmou que o alerta foi dado pelo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), em reunião com as lideranças. "Alertaram-nos sobre os problemas de falta de recursos para avaliar os projetos e fiscalizar. E também sobre os problemas que estavam sendo apurados", disse o líder do PSC, deputado Hugo Leal (RJ). No encontro, o governo avaliou que o volume de emendas e recursos para festas havia crescido de forma desproporcional e disse que ONGs ocupavam o lugar dos municípios na lista de maiores beneficiados. Ao contrário das prefeituras, entidades não têm de fazer licitação para contratar fornecedores e organizar eventos. Em diferentes Estados, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam se há corretagem de emendas parlamentares, pagamento de propina a quem autoriza os pagamentos e uso de notas fiscais frias. Informações da Folha.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

COMENTÁRIO: O amigo dos inimigos

Do blog do NOBLAT
Ciro não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças de Lula: o lugar à direita de sua excelência estaria reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal
Do
blog do Alon:

Ciro Gomes é a enésima vítima de um sistema eleitoral cuidadosamente concebido para transformar a política brasileira nesta confederação de cartórios esclerosados.
Oferecido pelo PSB na mesa de câmbio das negociações paroquiais, das pequenas ambições e do apetite exacerbado pelas miudezas, o razoável seria Ciro concorrer à Presidência por outro partido, ou como independente.
Não vai acontecer, porque o monopólio da política por legendas desobrigadas de praticar qualquer democracia interna foi no Brasil transformado em virtude.
Prazos de desincompatibilização, prazos de filiação, fidelidade partidária, proibição de propaganda paga nos veículos de comunicação, proibição de arrecadar recursos se você não for dono de partido (antes do “início oficial” da campanha), exigência de filiação partidária para concorrer. Todos remédios certificados para curar, mas que vão levando à morte do paciente na mão do neocoronelismo.
Houvesse uma Anvisa para o setor, os alquimistas da politicagem nacional estariam em péssimos lençóis.
Mas esta coluna não é sobre reforma política, é sobre Ciro Gomes e suas circunstâncias.
Até 1994 ele teve uma carreira política brilhante. Em pouco mais de uma década já percorrera as posições de deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazenda.
Rompeu com o PSDB no início do governo Fernando Henrique e foi para o PPS. Conseguiu 10% dos votos na eleição presidencial de 1998, garantindo fôlego para disputar quatro anos depois com chances no primeiro turno — e participando decisivamente da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Ciro entrou no governo Lula e esteve na linha de frente da batalha da reeleição. Ali cometeu o primeiro erro realmente grave. Não percebeu os sinais de que o segundo mandato marcaria uma flexão importante na política de alianças do presidente: o lugar à direita de sua excelência estaria agora reservado não para animar os dispostos a lhe fazer o bem, mas para demover quem ameaçasse fazer-lhe o mal. O velho ditado de manter os inimigos mais por perto ainda.
Se a flexão era mesmo necessária, Lula operou-a de maneira tosca e amadora, detalhe surpreendente num profissional da política. O presidente vem deixando um a um os aliados históricos (uso aqui o termo com alguma flexibilidade) sucumbirem em batalhas desiguais e desmoralizantes contra os neoamigos, refregas sempre temperadas por convenientes vazamentos palacianos sobre as “preferências pessoais” e a “torcida” do presidente. E sobre a “tristeza” após cada infeliz desfecho.
São as únicas batalhas que Lula “perde”. Nas demais ele sempre tenta a vitória com a faca nos dentes.
Descartada a candidatura, o quase ex-presidenciável Ciro Gomes tem hoje dois problemas.
O PT ameaça colocar em marcha o projeto de demolir o grupo dele no Ceará, caso Ciro não se junte à operação para liquidar a carreira política de Tasso Jereissati. É uma das muitas metas de Lula nesta eleição. Como Tasso e Ciro são — aí sim — aliados históricos, ao ponto de o tucano Tasso ter largado a candidatura presidencial de José Serra em 2002 para apoiar o parceiro, é coisa que Ciro não fará.
O segundo problema de Ciro é ter dinamitado as pontes com o outro lado. Num sistema linear de pensamento, isso deveria ter engordado seu cacife com o presidente. Mas diminuiu.
Ao menos por enquanto, Ciro só tem bala para fazer mal a Lula em discursos. Coisa que pode ser facilmente neutralizada com os vazamentos de sempre, difundindo-se como Lula está “triste”, “chateado” ou “irritado”.
Um belo cardápio de supostos estados de espírito.
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De todo modo, Ciro presta pelo menos um serviço ao país nesta saída, ao advertir para os riscos da situação cambial.
O Banco Central dá sinais de que vai subir para valer o juro básico nos próximos meses. A medida irá acelerar a deterioração das contas externas e agravar nossa dependência dos investimentos diretos do exterior. Ou seja, da alienação de ativos para o exterior.
Enquanto isso, Lula discursa sobre o patriotismo do seu governo e o chanceler cuida de produzir factoides para preencher o noticiário.

COMENTÁRIO: Negue para ser coerente

Do blog do NOBLAT
Por RICARDO NOBLAT

O PT mudou para alcançar o poder com Lula em 2002. Mas desde que chegou lá não mudou mais.
O Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia contra a "sofisticada organização criminosa" que tentou se apossar de parte do aparelho do Estado.
Trata-se do caso do mensalão - o pagamento de propinas para que deputados votassem como mandava o governo.
Mensalão? Mas que mensalão?.
Jamais o PT admitiu sua existência. Por não admitir, não puniu os mensaleiros. Faz sentido.
Lula preferiu chamar o mensalão de Caixa 2. Como se Caixa 2 não fosse crime. Ou fosse um crime menor.
A máquina do Estado atuou de maneira rápida, avassaladora e ilegal para quebrar o sigilo bancário e fiscal do caseiro Francenildo da Costa, testemunha das idas e vindas do ministro Antonio Palocci a uma alegre mansão de Brasília.
Ali se levava uma vida divertida, amena, relaxante, e se discutia negócios.
Palocci perdeu o emprego devido ao escândalo. Mas deu-se um jeito de poupá-lo da acusação de ter acionado a máquina contra o caseiro. Sobrou para o ex-presidente da Caixa Econömica Federal. Até o Supremo Tribunal Federal embarcou na canoa.
A Casa Civil da presidência da República montou um dossiê sobre despesas sigilosas do governo FHC para constranger a CPI instalada para apurar gastos irregulares com cartões de crédito corporativo.
Dilma? O que Dilma teve a ver com o dossiê?
Ela era responsável pela Casa Civil, mas daí a se envolver com dossiês vai uma distância que passa pelo gabinete de Erenice Guerra, seu braço direito.
Pensando bem, aquilo nem mesmo era um dossiê - era um banco de dados.
Foi impossível negar a ação dos aloprados que em 2006 forjaram um dossiê contra candidatos do PSDB.
Quem viu por aí um daqueles aloprados encrencado com a Justiça?
O processo está para ser arquivado.
Contra todas as evidências, a orientação é negar. Negar tudo. E jamais pedir desculpas.
A orientação vem sendo cumprida à risca e, admita-se, com razoável sucesso.
Um dos assessores de Dilma postou no site dela uma foto da atriz Norma Benguell.
Ao lado do título "Minha Vida" havia trës fotos da candidata - ou pelo menos era assim que parecia.
Dilma criança, Dilma mocinha protestando contra a ditadura militar de 64, Dilma madura, aspirante à sucessão de Lula.
No que se descobriu que Dilma mocinha era na verdade a atriz Norma Benguel, que explicação foi oferecida para justificar a farsa?
Transferiu-se a culpa para aqueles que "equivocadamente" imaginaram estar diante de uma farsa. Porque a foto era de Norma, sim. Mas em nenhum momento o site informou que a foto era de Dilma.
Entendeu?
Coerência acima de tudo.
Essa tem sido a marca indelével do comportamento do PT desde que subiu a rampa do Palácio do Planalto.

SAÚDE: Temporão recomenda sexo para combater hipertensão

Do POLÍTICA LIVRE

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) aconselhou a prática de sexo como forma de combater a hipertensão. A doença, que avançou no País e agora atinge 24,4% da população, está associada a fatores genéticos, hábitos alimentares, obesidade e estresse. “Fazer sexo ajuda”, comentou o ministro. “As pessoas têm que se mexer. A pelada do final de semana não deve ser a única atividade. Os adultos devem praticar exercícios, caminhar, dançar, fazer sexo seguro”, repetiu. (Agência Estado)

GREVE: TRT,TRE e Justiça Federal param por 48 horas

Do BAHIA NOTÍCIAS

Os tribunais regionais Eleitoral e do Trabalho, além da Justiça Federal na Bahia, farão juntos uma paralisação de 48 horas nesta terça e quarta-feira (27 e 28). O movimento continua uma paralisação de um dia inteiro ocorrida na semana passada e que busca a aprovação de um projeto de lei que institui o Plano de Cargos e Salários dos servidores judiciários. O movimento é nacional e busca pressionar deputados federais pela aprovação do projeto, uma vez que os servidores do Ministério Público da União já conseguiram implantar seu plano. Serão mantidos apenas os serviços essenciais como emissão de habeas corpus, liminares e mandatos de segurança, por exemplo.

domingo, 25 de abril de 2010

EDITORIAL: Regras demais

Do blog do NOBLAT
deu na folha de são Paulo

Enquanto não se oficializam as candidaturas para as eleições de outubro, multiplicam-se as tentativas de impor exagerado controle judicial sobre os mecanismos da disputa política.
Já foi objeto de críticas, neste espaço, a camisa-de-força que se pretende impor aos principais personagens do debate. José Serra e Dilma Rousseff participam de eventos, fazem declarações, acenam para a plateia. Só não podem -assim determina a cartilha do TSE- admitir aquilo que ninguém ignora, o fato de estarem desde já à caça de votos, de ocasiões publicitárias e de aliados na corrida presidencial.
Não se contesta a importância dos tribunais eleitorais no sentido de coibir os abusos de poder, a compra de votos, os lances baixos da disputa eleitoral. Não faz sentido pretender, todavia, que uma campanha à Presidência da República -ou a qualquer outro cargo eletivo- só possa existir quando se inicia o período previsto na lei.
Não bastasse o intuito de controlar as manifestações dos candidatos, parece agora impor-se sobre a própria sociedade civil o peso dessa regulamentação.
Leia mais em:
Regras demais

POLÍTICA: Depois da falsa "doutora" Dilma, a falsa Dilma na passeata dos cem mil


"Obamistas" da campanha da candidata petista Dilma Rousseff devem estar de cabelo em pé, principalmente o "especialista em mídia digital" Marcelo Branco, dono de vasta cabeleira riponga e mestre na arte da manipulação de imagens. Primeiro, inseriu cartazes espelhados de uma manifestação contra a ditatura para caracterizar o passado "combativo" nas ruas da candidata. Agora, é a página principal do site
http://www.dilmanaweb.com.br/ exibindo uma sequência de fotos da "vida" de Dilma: só que a criança cresce e se transforma na então jovem atriz Norma Bengell, e depois vira a ex-ministra. A segunda montagem no site da Dilma redundou em novos apelidos para a ex-ministra, como Dilma Bengell ou Norma Rousseff. O "especialista" Marcelo Branco divulgou nota lamentando a "interpretação equivocada" da foto da atriz participando de uma passeata contra a didatura. Na verdade, trata-se da chamada "passeata dos cem mil", no Rio, em 1968. O responsável pelo site, no entanto, reitera que a candidata "participou de todas essas lutas e que não houve a intenção de confundir a sua imagem (Norma), com a de Dilma". Mas esqueceu de dizer que a luta de Dilma não era nas ruas, mas na clandestinidade, na luta armada. A atriz Norma Bengell, que há dias recebeu R$100 mil de anistia política por "perseguição na didatura", até agora não se manifestou. Pensando bem, mancada virou norma na campanha da petista, que já exibiu no currículo um falso título de doutora em Economia pela Unicamp.

POLÍTICA: PT de Conquista quer Waldir no Senado

Do BAHIA NOTÍCIAS

Foi aprovada, na tarde deste sábado (24), a “Carta de Conquista”, na qual o conjunto da militância petista defende o nome do ex-governador Waldir Pires como candidato ao Senado Federal na vaga destinada ao PT na chapa majoritária encabeçada pelo governador Jaques Wagner. O PT de Vitória da Conquista já havia defendido o nome do ex-governador Waldir Pires em reunião realizada no dia 07 de março, quando lideranças políticas, entre as quais o prefeito municipal Guilherme Menezes, apontaram a importância desta candidatura como forma de restituir o mandato “roubado” em 1994, quando o mesmo foi vítima de uma fraude eleitoral. Com informações do www.blogdoanderson.com.

POLÍTICA: Mulheres resistem a Dilma

Do POLÍTICA LIVRE
Primeira mulher a ter chances reais de ser eleita presidente da República, Dilma Rousseff não consegue decolar entre as eleitoras e amplifica a tradicional resistência do público feminino ao candidato do PT. A mais recente pesquisa Datafolha (dia 17) mostrou a petista em segundo lugar, com 30% das intenções de voto, contra 42% de José Serra (cenário sem Ciro Gomes, do PSB). Se consideradas só as mulheres, a diferença é bem maior: Dilma tem 25%, e o tucano, 43%. Entre os homens, a distância cai: 35% a 41%, com vantagem para o ex-governador paulista. Mas a resistência das mulheres ao PT é histórica, e não uma particularidade de Dilma. Lula teve pior desempenho entre as eleitoras nas cinco vezes em que concorreu à Presidência. Informações da Folha de S. Paulo.

POLÍTICA: Colbert promete coletiva-bomba sobre licitação na Saúde amanhã

Do POLÍTICA LIVRE

O deputado federal Colbert Martins Filho (PMDB) promete para amanhã, às 14h30, em coletiva na Assembleia Legislativa, denúncia que ele considera importante. Segundo assessores do PMDB, Colbert tem documentos em mãos que demonstrariam direcionamento de licitação para beneficiar uma importante empresa do setor de saúde, num dos principais contratos firmados pela secretaria estadual de Saúde.

MUNDO: Lugo promulga estado de exceção em 5 departamentos do Paraguai

Do UOL
Assunção
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, promulgou esta noite o estado de exceção por 30 dias declarado hoje pelo Congresso em cinco departamentos do país para perseguir um grupo armado que mantém em vigilância o norte o país.
O ministro do Interior, Rafael Filizzola, afirmou em entrevista coletiva que a medida "não altera a normalidade democrática do país" e que vai "se continuar trabalhando sob ordens judiciais como estabelece a Constituição nacional"."É preciso distinguir do estado de exceção em democracia e do que foi o estado de sítio durante uma ditadura", enfatizou o ministro em alusão ao regime de Alfredo Stroessner, que governou o país com mão de ferro entre 1954 e 1989.Filizzola, que participou de uma reunião de ministros com Lugo para planejar as primeiras ações dos militares, disse que nesta segunda-feira serão concretizados outros detalhes como a designação do chefe de um comando conjunto.Apesar de a medida reger em cinco departamentos do centro e do norte do país, Concepción, Amambay, Alto Paraguay, San Pedro e Presidente Hayes, a perseguição se centrará no primeiro, em cujas regiões de floresta o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), de esquerda, se tornou forte nos últimos anos.O titular do Congresso, o senador opositor Miguel Carrizosa, disse que o chefe de governo recebeu "as ferramentas para neutralizar o EPP, que tanto dano está causando no norte do país, onde há temor, o povo não sabe quem vai ser a próxima vítima".
A tensão na região aumentou na quinta-feira (22) depois que um confronto entre fazendeiros e supostos combatentes do EPP deixou quatro pessoas mortas, incluindo dois brasileiros.
EPP
O EPP, suspeito de ter ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é acusado de ao menos quatro sequestros desde 2001, incluindo a captura de um importante fazendeiro que foi solto no começo deste ano.
A última vez que uma medida similar foi adotada no Paraguai foi em 2002, por ocorrência de protestos violentos contra o governo do ex-presidente Luis González Macchi.

POESIA

O horizonte das palavras

Sem direcção, sem caminho
escrevo esta página que não tem alma dentro.
Se conseguir chegar à substância de um muro
acenderei a lâmpada de pedra na montanha.
E sem apoio penetro nos interstícios fugidios
ou enuncio as simples reiterações da terra,
as palavras que se tornam calhaus na boca ou nos meus passos.
Tentarei construir a consistência num adágio
de sílabas silvestres, de ribeiros vibrantes.
E na substância entra a mão, o balbucio branco
de uma língua espessa, a madeira, as abelhas,
um organismo verde aberto sobre o mar,
as teclas do verão, as indústrias da água.
Eu sou agora o que a linguagem mostra
nas suas verdes estratégias, nas suas pontes
de música visual: o equilíbrio preenche os buracos
com arcos, colinas e com árvores.
Um alvor nasceu nas palavras e nos montes.
O impronunciável é o horizonte do que é dito.


António Víctor Ramos Rosa (Faro, Portugal, 17 de outubro de 1924) - Além de poeta é ensaista. Estreou na poesia em 1958 participando da coletânea O Grito Claro, e desde então, não parou mais. Considerado um dos grandes escritores portugueses, recebeu diversos prêmios nacionais e estrangeiros ao longo de sua vida.
Do blog do NOBLAT
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| 2010 |