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Chico Otávio e Gustavo Schmitt
Advogado diz que gastos de R$ 133,58 mil estão dentro da capacidade financeira do ex-motorista e de sua família, de cerca de meio milhão de reais ao ano

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, durante internação no Hospital Alberta Einstein Foto: Reprodução
RIO — O ex-motorista do senadorFlávio Bolsonaro (PSL-RJ)Fabrício Queiroz , além de pagar em espécie R$ 64,58 mil pela cirurgia ao hospital israelitaAlbert Einstein , desembolsou outros R$ 60 mil para pagar à equipe médica e R$ 9 mil ao oncologista em dinheiro vivo. Ao todo, Queiroz arcou com R$ 133,58 mil em dinheiro pelo procedimento médico, segundo o advogado dele, Paulo Klien.
De acordo com Klein, os gastos estão dentro da capacidade financeira de Queiroz e de sua família, que ganham cerca de meio milhão de reais ao ano.
“De toda forma está dentro de um valor razoável e dentro da renda dele e da família, uma vez que dentro de sua capacidade financeira e com recursos próprios e lícitos, considerando que eles ganham R$ 500 mil ao ano”, disse o advogado, ao garantir que Queiroz está disposto a prestar todas as informações pedidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro dentro do critério de transparência.
Queiroz foi internado na unidade em 30 dezembro e retirou um câncer no cólon em primeiro de janeiro. O pagamento foi feito em 14 de fevereiro. Desde que o assessor de Flávio recebeu alta, em 8 de janeiro, nunca se soube o valor das despesas pagas pelo procedimento médico.
Nota fiscal
Na nota fiscal eletrônica (confira abaixo), à qual O GLOBO teve acesso, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein informa que Queiroz ficou internado de 30 de dezembro de 2018 a 8 de janeiro de 2019. O tipo de internação foi “clínica médica”.
O ex-motorista alegou que o montante quitado em dinheiro vivo estava guardado em sua casa para amortizar o financiamento de um apartamento na Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O dinheiro foi entregue à tesouraria do hospital pela mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar.
Na nota fiscal, o valor total da despesa é de R$ 86 mil. Lá, consta um desconto de R$ 16 mil, o equivalente a 20% dos custos hospitalares. Queiroz sustenta que conseguiu o abatimento e que o total da despesa ficou por R$ 70 mil. Outros R$ 5,42 mil foram quitados por meio de cartão de crédito, conforme consta na fatura.

Defesa questiona Quebra de Sigilo
No dia 13, a Justiça do Rio autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fabrício Queiroz e outras 87 pessoas . Além do afastamento de sigilo de Flávio e seu ex-assessor Queiroz, também terão suas informações bancárias averiguadas a mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a empresa de ambos , Bolsotini Chocolates e Café Ltda, as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn, e a mulher do ex-assessor.
No sábado, a defesa de Queiroz entrou com um habeas corpus para anular as quebras de sigilo bancário e fiscal na investigação , sob o argumento de que a decisão judicial não tinha “embasamento legal”. O advogado de Queiroz, o criminalista Paulo Klein acusa o Ministério Público de ter burlado a Justiça ao omitir que o hoje senador Flávio Bolsonaro, na época dos fatos deputado estadual, era um dos investigados, para evitar que ele se valesse do foro especial por prerrogativa de função.
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